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sábado, 20 de agosto de 2022

Livros digitais (em PDF) para baixar gratuitamente da Editora Lutas Anticapital

Confira os 27 eBooks da Editora Lutas Anticapital para baixar gratuitamente.

Como fazer o download? No site da editora, você deve realizar a “compra” dos ebooks, que estão com o preço zerado, e receberá um link por e-mail para fazer o download.



[PDF] Marx e a Crítica ao Programa de Gotha

Antonio Nascimento da Silva e Deribaldo Santos

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-marx-e-a-critica-ao-programa-de-gotha



[PDF] Herança, Esperança e Comunismo: Luiz Carlos Prestes e o Movimento Comunista Brasileiro – Documentos (1980-1995) 

Gustavo Koszeniewski Rolim (organizador)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/heranca-esperanca-e-comunismo-luiz-carlos-prestes-e-o-movimento-comunista-brasileiro-documentos-1980-1995-pdf



[PDF] A Estratégia Democrático Popular: um inventário crítico

Mauro Iasi, Isabel Mansur Figueiredo e Victor Neves (organizadores)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-estrategia-democratico-popular-um-inventario-critico


[PDF] Escravidão e dependência: opressões e superexploração da força de trabalho brasileira

Marcela Soares

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-escravidao-e-dependencia-opressoes-e-superexploracao-da-forca-de-trabalho-brasileira



[PDF] A ideologia do desenvolvimento e a controvérsia da dependência no Brasil

Fernando Correa Prado

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-ideologia-do-desenvolvimento-e-a-controversia-da-dependencia-no-brasil



[PDF] A conspiração contra a escola pública

Florestan Fernandes

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-conspiracao-contra-a-escola-publica-florestan-fernandes



[PDF] A formação política e o trabalho do professor

Florestan Fernandes

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-formacao-politica-e-o-trabalho-do-professor


[PDF] Tragédia Educacional Brasileira no Século XX: diálogos com Florestan Fernandes

Henrique Tahan Novaes e Julio Hideyshi Okumura

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-tragedia-educacional-brasileira-no-seculo-xx-dialogos-com-florestan-fernandes


[PDF] Educação Profissional: crise e precarização

Deribaldo Santos

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-copia-de-educacao-profissional-crise-e-precarizacao


[PDF] Educação Democrática, Trabalho e Organização Produtiva no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Neusa Maria Dal Ri

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/educacao-democratica-trabalho-e-organizacao-produtiva-no-movimento-dos-trabalhadores-rurais-sem-terra-mst


[PDF] Escola da Terra: IV Formação continuada de educadores do campo em Minas Gerais volume 1

Eliano de Souza M. Freitas; Érica Fernanda Justino e Maria de Fátima Almeida Martins (Orgs.)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/escola-da-terra-iv-formacao-continuada-de-educadores-do-campo-em-minas-gerais-volume-1


[PDF] Democracia e Socialismo: Carlos Nelson Coutinho em seu tempo

Victor Neves

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-democracia-e-socialismo-carlos-nelson-coutinho-em-seu-tempo


[PDF] Mundo do Trabalho Associado e Embriões de Educação para além do capital

Henrique Tahan Novaes e colaboradores

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/mundo-do-trabalho-associado-e-embrioes-de-educacao-para-alem-do-capital-pdf


[PDF] Questão Agrária, Cooperação e Agroecologia - volume 1

Henrique Tahan Novaes, Ângelo Diogo Mazin e Lais Santos (organizadores)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-questao-agraria-cooperacao-e-agroecologia-volume-1


[PDF] MST: formação política e reforma agrária nos anos de 1980

Fabiana de Cássia Rodrigues

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-mst-formacao-politica-e-reforma-agraria-nos-anos-de-1980


[PDF] Populações e territórios espoliados pela ampliação recente da infraestrutura industrial capitalista: focos de luta política e ideológica na América do Sul

Oswaldo Sevá Filho

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-populacoes-e-territorios-espoliados-pela-ampliacao-recente-da-infraestrutura-industrial-capitalista-focos-de-luta-politica-e-ideologica-na-america-do-sul


[PDF] Movimentos sociais e crises contemporâneas - volume 3

Rogério Fernandes Macedo, Henrique Tahan Novaes e Paulo Alves de Lima Filho (organizadores)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-movimentos-sociais-e-crises-contemporaneas-volume-3


[PDF] A economia de Francisco, o Futuro do Planeta e do Homem

Pedro Ramos

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/pdf-a-economia-de-francisco-o-futuro-do-planeta-e-do-homem


[PDF] Trabalho e práxis: novas configurações, velhos dilemas 

Vinicius Fernandes, Arelys Esquenazi, Livia Moraes

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/trabalho-e-praxis-novas-configuracoes-velhos-dilemas-pdf


[PDF] Tecnologia Social e Reforma Agrária volume 2

Felipe Addor, Farid Eid e Davis Sansolo

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/tecnologia-social-e-reforma-agraria-volume-2


[PDF] Tecnologia Social e Reforma Agrária volume 3 

Farid Eid, Felipe Addor e Davis Sansolo

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/tecnologia-social-e-reforma-agraria-volume-3-pdf


[PDF] Saberes do curso de especialização em agroecossistemas (UFSC/PRONERA): fundamentos, princípios e práticas agroecológicas e formativas no campo Vol. 1 

Marília Carla de Mello Gaia, Marie-Anne Stival Pereira e Leal Lozano, Estevan Felipe Pizarro Muñoz, Maria Jose Hötzel, Alexandre Giesel, Denise Pereira Leme, Daniele Cristina da Silva Kazama e Inês Claudete Burg (Organização)

Link: https://www.blogger.com/blog/post/edit/2446271990859665984/3460638776612417518


[PDF] Saberes do curso de especialização em agroecossistemas (UFSC/PRONERA): estratégias e resistências nos territórios rurais Vol 2

Marília Carla de Mello Gaia, Marie-Anne Stival Pereira e Leal Lozano, Estevan Felipe Pizarro Muñoz, Maria Jose Hötzel, Alexandre Giesel, Denise Pereira Leme, Daniele Cristina da Silva Kazama e Inês Claudete Burg (Organização)

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/saberes-do-curso-de-especializacao-em-agroecossistemas-ufsc-pronera-estrategias-e-resistencias-nos-territorios-rurais-vol-2-pdf


[PDF] Reatando um fio interrompido: a relação universidade-movimentos sociais na América Latina (2a edição)

Henrique Tahan Novaes

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/reatando-um-fio-interrompido-a-relacao-universidade-movimentos-sociais-na-america-latina-2a-edicao-pdf


[PDF] Da Beira-Rio do Sertão à Beira-Mar da Cidade: Uma trajetória de vida

Josefa Jackline Rabelo

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/da-beira-rio-do-sertao-a-beira-mar-da-cidade-uma-trajetoria-de-vida-pdf


[PDF] À margem da voz: repensar a fronteira a partir da violência política e dos genocídios de gênero na Amazônia 

Laura dos Santos Rougemont

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/a-margem-da-voz-repensar-a-fronteira-a-partir-da-violencia-politica-e-dos-genocidios-de-genero-na-amazonia


[PDF] A ética na grande estética de Lukács 

Deribaldo Santos

Link: https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/a-etica-na-grande-estetica-de-lukacs-pdf


domingo, 6 de março de 2022

A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA, AS LUTAS DE CLASSE E A EDUCAÇÃO ESCOLAR *

Texto interessante de Dermeval Saviani para contribuir nos debates e no aprofundamento  teórico, que se disponham a possibilitar  uma melhor compreensão da educação e da sociedade e contribuir para a superação do atual estado de coisas e da  educação,  bem  como produzir uma  nova  humanidade,  uma  humanidade  efetivamente  emancipada  e humana. 

Como nos aponta Saviani na conclusão do texto: 

Na  luta  dos  trabalhadores  cumpre  ampliar  o  máximo  possível  o  espectro  de  abrangência  das forças  sociais  mirando-nos,  porém,  no  exemplo  dos  clássicos  do  marxismo  (Marx,  Engels,  Lênin, Gramsci)  que procuraram  sempre  mover-se  no  âmbito  de  dois  princípios:  1)  a  diferenciação  entre  a perspectiva proletária e aquela dos burgueses e pequeno-burgueses progressistas; e 2) a firme união entre as forças que buscam expressar e fazer avançar a luta dos trabalhadores.

O advento da presente crise estruturaldo capitalismo, que irrompe exatamente quando o capital estende seu domínio sobre todo o planeta, coloca a exigência de sua superação abrindo uma nova era que podemos denominar  de transição  ao  socialismo. Nessa nova era torna-se necessário  que os movimentos sociais  populares  ascendam  à  condição  de  movimento  revolucionário,  realizando  a  passagem  das  lutas conjunturais à luta unificada da classe trabalhadora pela transformação estrutural da sociedade.

Nesse  processo,a  educação  desempenha  papel  estratégico  e  indispensável  porque,  se  a  crise estrutural  propicia  as  condições  objetivas  favoráveis  à  transição,  para  operar  nessas  condições  não deixando escapar a oportunidade histórica de transformação estrutural, impõe-se preencher as condições subjetivas  que  implicam  uma  aguda  consciência  da  situação,  uma  adequada  fundamentação  teórica  que permita uma ação  coerente e uma satisfatória instrumentalização  técnica que possibilite uma ação  eficaz. Ora, é exatamente esse o âmbito de incidência do trabalho educativo que, consequentemente, deverá estar ancorado  numa  sólida  teoria  pedagógica  que  elabore  e  sistematize  os  elementos  garantidores  dos  três aspectos    mencionados:    aguda    consciênciada    realidade,    fundamentação    teórica    coerente    e instrumentalização técnica eficaz.

Enfim,  no  que  se  refere  ao  tema  específico  desta  conferência, Pedagogia  histórico-crítica,  luta  de classes  e  educação  escolar,  podemos  concluir  quea  pedagogia  histórico-crítica  vem  sendo  construída  como umateoria pedagógica empenhada em elaborar as condições de organização e desenvolvimento da prática educativa escolarcomo um instrumento potencializador da luta da classe trabalhadora pela transformação estrutural  da  sociedade  atual.  Dizendo  de  outra  maneira:  o  que  a  pedagogia  histórico-crítica  se  propõe  é articular a educação escolar com a luta da classe trabalhadora pela superação do capitalismo e implantação do socialismo.


Link do texto completo:

 https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/9697/7085

Palavras-chave: pedagogia histórico-crítica, violência e filosofia, luta de classes e educação escolar.

Resumo

Após introduzir a abordagem da relação entre educação e luta de classes na sociedade atual, este artigo trata do significado do conceito de violência evidenciando a condição atual de um mundo regido pela violência que encontra justificativa no fascismo, definido como metafísica da violência. Em seguida aborda o problema da erradicação da violência na práxis social nas perspectivas do personalismo cristão (metafísica da não-violência), do existencialismo (concepção subjetiva da violência) e do marxismo (concepção objetiva da violência e da não-violência). Com base nessas análises explicita, na conclusão, a relação entre luta de classes e educação escolar na perspectiva histórico-crítica.


* O texto Pedagogia  histórico-crítica,  luta  de classes  e  educação  escolar foi a Conferência da Abertura da XI Jornada do HISTEDBR. Cascavel, 23 de outubro de 2013. Publicado em Germinal: Marxismo e Educação em Debate (v. 5, n. 2, p. 25-46, dez. 2013). Mais recentemente, publicado como o quinto texto do livro Conhecimento Escolar e Luta de Classes: a Pedagogia Histórico-Crítica Contra a Bárbarie, dos autores Dermeval Saviani e Newton Duarte (Autores Associados, 2021).


“O livro de Dermeval Saviani e Newton Duarte expressa a concepção de conhecimento escolar mais avançada que interessa à classe trabalhadora na luta contra a barbárie e a desumanização, que negam ou anulam direitos universais básicos, e, portanto, interessa na luta pela superação do sistema capitalista que estruturalmente as produziu. Um livro certamente indispensável na formação de professores nas licenciaturas das universidades e dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, mas não só. Indispensável na formação de quadros dos movimentos sociais e culturais da classe trabalhadora do campo e da cidade, na formação sindical e dos partidos políticos. Os quinze capítulos podem ser discutidos em conjunto num curso ou separadamente, em seminários, pois cada um trata de aspectos que incidem sobre o conhecimento que interessa na luta de classe. No fim da apresentação, os autores indicam que o caminho proposto pela pedagogia histórico-crítica implica decidir-se entre a escolha de 'se submeter ao ilusoriamente mais cômodo jugo da ignorância ou assumir os riscos da busca de conhecimento sobre o mundo, a vida e sobre si mesmo'. Trata-se de uma proposta a ser construída coletivamente pari passu com a luta de classe nos pequenos e grandes desafios. A Comuna de Paris, 150 anos depois, não foi e não será em vão!” [trecho do Prefácio, redigido por Gaudêncio Frigotto]

sábado, 13 de novembro de 2021

Para download: "Como a Alemanha se tornou o centro da ideologia reacionária?" – Georg Lukács (edição do Coletivo Veredas, 2021)

Duas versões: tradução em português e edição bilingue.

Lukács, Georg. Como a Alemanha se tornou o centro da ideologia reacionária? / Georg Lukács ; tradução: Mariana Andrade. – Maceió : Coletivo Veredas, 2021. 160 p. 

LINK PARA DOWNLOAD:

 https://drive.google.com/file/d/1cSsPcivZDAhRbZVIftqIR4JSm2VfEn0v/view



Lukács, Georg. Como a Alemanha se tornou o centro da ideologia reacionária? = Wie ist Deustschlands zum Zentrum der reaktionären Ideologie geworden? / Georg Lukács ; tradução: Mariana Andrade. – Maceió : Coletivo Veredas, 2021. 352 p. Edição bilingue.

LINK PARA DOWNLOAD (Edição Bilíngue):

https://drive.google.com/file/d/17pP0OroVWVEyqCkqPcyAFCvlC6g099jT/view



Livros em PDF do Coletivo Veredashttps://coletivoveredas.com.br/livrospdf/

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Da utopia à ciência

Por Ana Pato  


Se o movimento revolucionário muito deve a Marx e a Engels, é igualmente verdadeira a afirmação de que, com eles, a filosofia e a teoria do conhecimento científico se enriqueceram de forma indelével. E o interessante é que estas são duas faces da mesma moeda.




Há duzentos anos nascia Friedrich Engels. Estudou o mundo, elaborou teoria, interveio nele na prática. Foi um revolucionário.

Engels foi um dos fundadores do comunismo científico. Juntamente com Marx, muniu o proletariado da arma teórica para a transformação do mundo. Apesar de o nome Karl Marx ser popularmente mais conhecido, o facto é que a obra (e a vida) de Marx é inseparável da de Engels. Comentava Lénine que: «As lendas da Antiguidade contam exemplos comoventes de amizade. O proletariado da Europa pode dizer que a sua ciência foi criada por dois sábios, dois lutadores, cuja amizade ultrapassa tudo o que de mais comovente oferecem as lendas dos antigos». A afinidade de ambos era completa. A obra é comum.

Mas o que faz o adjectivo científico à frente de comunismo?

Um dos grandes contributos de Engels e de Marx foi a elevação do sonho a projecto. As concepções utopistas que dominaram as ideias socialistas do século XIX, nota Engels, queriam descobrir um sistema novo e mais perfeito de ordem social. Mas pretendiam implantá-lo na sociedade vindo de fora, por meio da propaganda. Nessas concepções, caracteriza Engels, “o socialismo é a expressão da verdade, da razão e da justiça absolutas, e basta que seja descoberto para que, pela sua própria força, conquiste o mundo”. Contudo, esses novos sistemas sociais, constata, “estavam de antemão condenados à utopia; quanto mais elaborados nos seus pormenores, mais tinham de se perder na pura fantasmagoria”.

Mas, aquilo que inicialmente era um desejo, pleno de ideias de justiça e boas intenções, ganhava agora a força da possibilidade real. O ponto é este: “Para fazer do socialismo uma ciência ele tinha primeiro de ser colocado sobre um terreno real”. Para transformar o mundo, importava explicar o mundo através do próprio mundo. Isto é uma concepção materialista.

Contudo, o materialismo também se revelava limitado, como mostrou Engels. Fruto da sua época, este era um materialismo mecanicista – o facto de a ciência da natureza mais desenvolvida ser a mecânica conduziu à aplicação do seu padrão a domínios como a química ou a biologia, onde as leis mecânicas valem certamente, mas não são determinantes – e anti-dialéctico – isto é, incapaz de apreender a natureza e a história no seu desenvolvimento, enquanto processo. Era, pois, necessário elevar este materialismo a um materialismo dialéctico. E aplicá-lo aos domínios da natureza, da sociedade e do pensar. Marx e Engels abriram essa porta.

Se Marx desenvolveu sobretudo a teoria económica, Engels analisa e desenvolve questões fundamentais da filosofia e das ciências naturais e sociais. A Engels devemos a aplicação da dialéctica materialista ao conhecimento das leis da natureza. Se não é estranho dizer que o movimento revolucionário muito deve a Marx e a Engels, não é certamente mentira a afirmação de que, com eles, a filosofia e a teoria do conhecimento científico se enriqueceram de forma indelével. E o interessante é que estas são duas faces da mesma moeda.

Ora, foi precisamente porque partiram dessa posição materialista e dialéctica que puderam mostrar como o socialismo é o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas e, consequentemente, fazer a crítica do socialismo utópico demonstrando que (usando as palavras de Lénine) “não são as tentativas bem intencionadas dos homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos males que hoje a esmagam, mas a luta de classe do proletariado organizado”. Foi Engels, aliás, quem assinalou, pela primeira vez, o papel de vanguarda do proletariado, a partir do estudo da situação da classe operária em Inglaterra. Como resume Lénine, “Engels foi o primeiro a declarar que o proletariado não é só uma classe que sofre, mas que a miserável situação económica em que se encontra empurra-o irresistivelmente para a frente e obriga-o a lutar pela sua emancipação definitiva. E o proletariado em luta ajudar-se-á a si mesmo. O movimento político da classe operária levará, inevitavelmente, os operários à consciência de que não há para eles outra saída senão o socialismo. Por seu lado, o socialismo só será uma força quando se tornar o objectivo da luta política da classe operária”.

Sucede que, para descobrir as vias reais para o socialismo, era necessário estudar a sociedade – naquilo que ela é – e descobrir as suas leis de desenvolvimento – prevendo, nos traços gerais, aquilo que ela devirá – para que, identificando as contradições e as forças motrizes, estas últimas melhor saibam conduzir a luta em que estão inseridas, quer queiram, quer não. Recorrendo a uma ideia hegeliana, trata-se de conhecer a necessidade. A liberdade, escreve Engels, “não reside na independência sonhada relativamente às leis da Natureza, mas no conhecimento dessas leis, e na possibilidade, com ele dada, de planificadamente as fazer operar para determinadas finalidades. Isto vale tanto por referência às leis da Natureza exterior, como àquelas que regulam a existência corpórea e espiritual do próprio ser humano: duas classes de leis que nós, no máximo, podemos separar, uma da outra, na representação, mas não na realidade [efectiva]”. Isto é, pois, válido quer para o domínio da natureza, quer para o domínio da sociedade.

Ora, uma penetração científica nos domínios do ser natural ou social requer uma transposição do nível fenoménico da realidade, bem distinta de uma abordagem positivista ou empirista, marcada pelo mero registo e ordenação do que aparece imediata e positivamente. Pois, como diz Marx, a ciência “seria supérflua se a forma fenoménica e a essência das coisas coincidissem imediatamente”. A questão está em captar a “conexão interna” dos fenómenos, o seu “vínculo interior”. Trata-se de captar o processo (no qual o fenómeno corresponde apenas a uma etapa) cujo movimento se determina na resolução de contradições. Como diz Engels: “uma exposição exacta do sistema do mundo, do desenvolvimento dele e do [desenvolvimento] da humanidade – bem como da imagem especular deste desenvolvimento nas cabeças dos seres humanos –, apenas pode, portanto, ser posta de pé por um caminho dialéctico”, o que significa atender às “universais acções recíprocas”. A ciência é tributária de uma filosofia materialista dialéctica.

Assim, tomando o ser social, uma correcta acção política dirigida à transformação revolucionária não pode ser correctamente dirigida se não partir de uma abordagem materialista e dialéctica com a qual se compreenda e domine os processos objectivos nas quais as diferentes forças estão inseridas. Aqui reside a unidade de teoria e prática. Isto é muito diferente de navegar à vista, tomando apenas o imediato. Também é muito diferente de substituir possibilidades objectivas por desejos e utopias bem intencionadas. Escusado será dizer que uma teoria que parta de tal abordagem necessariamente se actualiza e transforma com o próprio mundo em transformação e o com o desenvolvimento da ciência da época em que se insere. Por aqui se vê como um movimento que se queira revolucionário, de facto, reclama uma abordagem científica. Trabalhosa é certo. Como diz Marx: “Não há estrada real para a ciência e só têm possibilidade de chegar aos seus cumes luminosos aqueles que não temem fatigar-se a escalar as suas veredas escarpadas”.


Fonte: https://vozoperario.pt/jornal/2020/11/28/da-utopia-a-ciencia/


FONTE: ODiario.info


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Para download: "O bezerro de ouro, o fetichismo da mercadoria e o fetichismo da individualidade"

Texto de Newton Duarte. Introdução escrita em 2004 à coletânea intitulada "Crítica ao Fetichismo da Individualidade"*.

Link para download: 

No texto, Newton Duarte comenta que o episódio bíblico sobre o bezerro de ouro é uma das mais antigas referências ao fenômeno que depois veio a ser chamado de fetichismo. Na narrativa bíblica, Moisés destrói o bezerro de ouro, reduzindo-o na pó, obriga o povo a beber água com esse mesmo pó e ordena "que matem cada um a seu irmão, seu amigo, seu vizinho, ocorrendo o assassinato de cerca de três mil homens. A intensidade do castigo foi proporcional ao significado social, político e psicológico do fetichismo. No século XIX, dois alemães fazem uma crítica também contundente ao fetichismo: Ludwig Feuerbach, mostrando que todo deus é um fetiche, pois os deuses são todos criados pelos seres humanos, e Karl Marx, revelando o segredo do fetichismo das mercadorias e expondo a essência alienante da sociedade capitalista. O texto de Newton Duarte é a introdução de uma coletânea organizada com o propósito de mostrar a necessidade da crítica ao fetichismo da individualidade nos campos da educação, da psicologia e das demais ciências voltadas para os diversos aspectos da vida humana. (Adaptado da contracapa ou quarta capa do livro "Crítica ao Fetichismo da Individualidade")

* DUARTE, N. "O bezerro de ouro, o fetichismo da mercadoria e o fetichismo da individualidade". In: DUARTE, N. (org.) Crítica ao fetichismo da individualidade. Campinas: Autores Associados, 2004, p. 1-21.



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Para download: "Manifesto do Partido Comunista" (tradução diretamente do alemão)

A Editora Expressão Popular indica e está disponibilizando em pdf gratuito a obra "Manifesto do Partido Comunista", de Karl Marx e Friedrich Engels, uma obra clássica do pensamento político.

Escrito entre dezembro de 1847 e janeiro de 1848, o Manifesto foi impresso e publicado pela primeira vez em Londres, entre fevereiro e março desse último ano. O pequeno livro é, a um só tempo, documento histórico e material de formação clássico dentro do pensamento marxista, indispensável na formação militante e também de pesquisadores e professores das ciências humanas em geral.

A tradução desta edição ficou a cargo do professor Victor Hugo Klagsbrunn, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminente (UFF) e foi feita diretamente do alemão (Marx-Engels-Werke, v.4, Institut für Marxismus-Leninismus, Dietz-Verlag, Berlin, 1982) e se baseia no texto da última edição revisada por Friedrich Engels, em 1890.


Você pode baixar de forma gratuita diretamente CLICANDO AQUI ou seguir com a compra do livro digital e contribuir com o projeto editorial popular da Expressão Popular, clicando no link:


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Más de 500 libros del Fondo de Cultura Económica para descargar

Compendio con más de 500 libros (PDF y EPUB) con varias colecciones del Fondo de Cultura Económica de su acervo.



El Fondo de Cultura Económica (FCE) es un grupo editorial en lengua española, con se en México, presente en en la mayoría de los países hispanohablantes como Argentina, Chile, Colombia, Ecuador, España, Estados Unidos, Guatemala y Perú.

Entre sus distintas colecciones se encuentran las agrupan obras fundamentales de diversas áreas del conocimiento, algunas como Psicología, Psiquiatría y Psicoanálisis, colección que difunde las teorías más influyentes en el campo de la conducta y la personalidad; Poesía, la cual reúne prácticamente todos los poemarios que llevan el sello del Fondo; Lengua y Estudios Literarios, que contiene obras que abordan las diversas facetas de la literatura y el lenguaje y las colecciones de Historia, Filosofía, Economía, Antropología por mencionar algunas.

Link para descargar: 

sábado, 6 de junho de 2020

Para download: "Introdução ao fascismo", de Leandro Konder

Para incidir na batalha das ideias, para fortalecer a luta antifascista, a Editora Expressão Popular indica a obra "Introdução ao fascismo", de Leandro Konder.

"Marx já disse que a arma da crítica não pode substituir a crítica das armas, como prova a efetiva derrota do nazifascismo na Segunda Guerra, mas também nos lembra que as ideias se convertem em força material quando se apoderam das classes em luta. A derrota militar do fascismo não se completa se não nos debruçarmos sobre a difícil tarefa de compreender teoricamente o fenômeno fascista para que, sob outras formas, sua essência não nos venha novamente assaltar." (Mauro Luis Iasi)

Você pode baixar de forma gratuita diretamente CLICANDO AQUI ou seguir com a compra do livro digital e contribuir com o projeto editorial popular da Expressão Popular.

Mais informações:





terça-feira, 24 de março de 2020

LUDWIG FEUERBACH E O FIM DA FILOSOFIA CLÁSSICA ALEMÃ

Por Friedrich Engels

Na seção clássicos [da revista Germinal: Marxismo e Educação em Debate,  v. 4, n. 2 (2012)], trazemos o texto “Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã”, que é uma obra escrita por Friedrich Engels em 1886 e publicada primeiramente, nesse mesmo ano, no jornal socialista alemão Die Neue Zeit (“Os Novos Tempos”). Posteriormente, em 1888, em Estugarda, foi publicada a segunda edição, com algumas alterações, junto a qual também já foi publicada pela primeira vez as 11 Teses sobre Feuerbach de Karl Marx. A obra tinha a finalidade de levar à cabo a crítica iniciada por Marx e Engels contra a intelectualidade neo-hegeliana e refutar o idealismo que estava ressurgindo junto à classe dominante alemã. A justificativa para a publicação deste texto nesta edição da Germinal é que, como ela tem como foco central a História da Educação na Perspectiva do Marxismo, ao fazer a crítica e refutar o idealismo, os autores afirmam uma nova concepção de História que coincide com a perspectiva Materialismo Histórico Dialético. Na primeira parte desta obra, Engels trata do período que vai do idealismo de Hegel ao materialismo de Feuerbach e da filosofia alemã. Depois discorre sobre o desaparecimento do idealismo e o crescimento do materialismo na filosofia.  Na sequência, discute sobre a filosofia da religião de Feuerbach e, finalmente, numa espécie de síntese, afirma que o cristianismo não só se tornou ideologia da classe dominante, como também foi transformado numa ferramenta de domínio dessa classe. (Trecho do Editorial "Desafios da História da Educação na Perspectiva Marxista", por Paulino José Orso)



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O ASSALTO À RAZÃO: A TRAJETÓRIA DO IRRACIONALISMO DESDE SCHELING ATÉ HITLER

Uma resenha sobre sobre o irracionalismo no pós Segunda Guerra Mundial, por Georg Lukács.

 Na seção clássicos da revista Germinal: Marxismo e Educação em Debate, La trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler de Georg Lukács.  Texto iniciado por seu autor durante a Segunda Guerra Mundial, foi terminado em 1952, em um contexto de constituição do Estado de Bem Estar Social e profundas mudanças na União Soviética, é o epílogo de uma extensão e rigorosa obra intitulada El Asalto a la Razon. La trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler*. Ao longo da obra, Lukács apresenta seu estudo sobre a filosofía irracionalista, seus autores e contribuições ao fascismo, no Epílogo o autor reporta-se às mudanças do irracionalismo do pós Guerra.

El asalto a la razón: la trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler EPILOGO Sobre el irracionalismo en la posguerra
Georg Lukács

Texto completo:

* LUKÁCS, Georg. El Asalto a la Razon. La trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler. Segunda Edición. EDICIONES GRIJALBO, S. A. Barcelona-México, D. F. 1968. 

Obra de Oswaldo Guayasamín

domingo, 13 de outubro de 2019

OS MANUSCRITOS ECONOMICO-FILOSÓFICOS DE 1844 DE KARL MARX: dificuldades para publicação e interpretações críticas

Por Marcello Musto

Resumo
MUSTO, Marcello. OS MANUSCRITOS ECONOMICO-FILOSÓFICOS DE 1844 DE KARL MARX: dificuldades para publicação e interpretações críticas. Cad. CRH [online]. 2019, vol.32, n.86, pp.399-418.

Os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844 constituem um dos escritos de Karl Marx mais célebres e difundidos em todo o mundo. Todavia, este texto, tão debatido e tão presente nos debates marxistas permaneceu desconhecido por muito tempo. As leituras instrumentais, que um e outro grupo fizeram sobre os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, são um claro exemplo de como a obra de Marx tenha sido constantemente objeto de conflitos teórico-políticos. Para melhor evidenciar tal realidade, o segundo e o terceiro parágrafo deste artigo reconstroem as dificuldades editoriais ligadas à sua publicação. Os parágrafos quarto, quinto e sexto apresentam, no entanto, uma breve resenha. Uma análise filológica dos Manuscritos econômico-filosóficos de 1844 foi desenvolvida no sétimo e oitavo parágrafos, tendo por base a nova edição históricocrítica MEGA. Na conclusão, segue uma tabela que reconstrói a cronologia da elaboração dos manuscritos e dos cadernos de extratos do período.

Palavras-chave : Manuscritos Econômico-Filosófico de 1844; Jovem Marx; Marxismo; Alienação; MEGA.

LINK DO ARTIGO EM PDF: 

Escultura de Karl Marx, do artista plástico Sergio Romagnolo.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Para download: "MARX, GRAMSCI E VIGOTSKI: aproximações."

MENDONÇA, Sueli Guadalupe de Lima; SILVA, Vandeí Pinto da; MILLER, Stela (Orgs.). Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações.   ed. Araraquara, SP: Junqueira & Marin, 2012.

Área (s) / Assunto (s): Filosofia da educação, Sociologia da educação, Psicologia da educação, Formação de educadores, Formação humana.


MARX, GRAMSCI E VIGOTSKI: APROXIMAÇÕES



Descrição Rápida

A contribuição inédita do presente livro reside na junção de Marx, Gramsci e Vigotski, costumeiramente tidos como independentes entre si. O cenário acadêmico buscou camuflar ou se mostrou incapaz de encontrar o fio condutor das valiosas contribuições teóricas desses autores. [...] "Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações" foi, então, pensado como um tema e um momento que julgamos adequados para pôr em evidência a produção científica desses autores e buscar, por meio dos debates, compreender e aprofundar seus elos de interação, proporcionando ferramentas teórico-práticas capazes de subsidiar aqueles que lutam por uma nova sociedade e uma nova escola.


Apresentação: 

Os textos desta coletânea são artigos referentes a conferências e palestras proferidas durante três jornadas do Núcleo de Ensino da Faculdade de Filosofia e Ciências - UNESP - Campus de Marília, a saber, a IV Jornada, realizada de 09 a 11 de agosto de 2005, com o tema "Releitura de Marx para a educação atual", a V Jornada, realizada de 15 a 17 de agosto de 2006, com o tema "Escola (d)e Gramsci" e a VI Jornada, realizada de 14 a 16 de agosto de 2007, com o tema "Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações", que empresta o título para este livro.

Esses três eventos resultaram de um trabalho coletivo de discussão e organização realizado pelo Grupo de Pesquisa "Implicações pedagógicas da teoria histórico-cultural" e pelo Núcleo de Ensino da Faculdade de Filosofia e Ciências.

Em jornadas anteriores, foram se evidenciando as bases marxistas dos fundamentos epistemológicos da Teoria Histórico-Cultural e, ao mesmo tempo, explicitando a necessidade de recorrer a autores que discutissem a educação escolar e a cultura na perspectiva do marxismo. No Brasil, há diferentes leituras da obra de Gramsci e da Teoria Histórico-Cultural, muitas delas distanciando-se da fundamentação marxista. De uma perspectiva eclética, dentre outras formulações inconsistentes, Gramsci é tido como "escolanovista" e Vigotski como "sócio-interacionista". Desconsiderando-se que a escola nova tem suas bases no pragmatismo de John Dewey e que Piaget concebia a interação com o meio de uma forma naturalizada e não como um ato histórico, o vínculo radical de Gramsci e Vigotski com o materialismo histórico dialético, ou seja, com Marx, é ignorado. 

Recuperar os fundamentos marxistas das concepções de Gramsci e da teoria Histórico-Cultural pressupõe estar aberto ao diálogo com outras teorias, tal como fizeram Gramsci, Vigotski e o próprio Marx. O que aproxima esses autores é o fato de tomarem o materialismo histórico dialético como centro de suas análises.

A contribuição inédita do presente livro reside na junção de Marx, Gramsci e Vigotski, costumeiramente tidos como independentes entre si. O cenário acadêmico buscou camuflar ou se mostrou incapaz de encontrar o fio condutor das valiosas contribuições teóricas desses autores. Assim, foram negados seus princípios fundamentais - a necessidade de transformação e superação da sociedade capitalista e a luta pelo socialismo - que se diluíram em visões fragmentadas e imediatistas, comprometendo o desenvolvimento da trajetória marxista em sua essência, já que Gramsci e Vigotski dão continuidade à produção teórico-prática de Marx. Em momentos históricos diferenciados, os três autores fizeram da teoria um instrumento de reflexão e ação revolucionárias visando ao socialismo.

Marx, no contexto das grandes transformações do século XIX, criou sua teoria fundante, o materialismo histórico dialético, para analisar e transformar o mundo, tal qual expressa a XI Tese sobre Feurbach: "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo" (MARX; ENGELS, 1977, p. 14). Aliada à ideia de transformação do mundo, a problemática da educação também teve seu espaço nas formulações de Marx que apresentou, naquele momento histórico, uma questão central que até hoje se mantém válida: a formação omnilateral do homem. Por meio dela, questiona o determinismo do processo de produção material e da consciência, e defende um processo que opõe dialeticamente teoria e prática, educação e trabalho, e cuja destinação seja a de preparar o homem para transformar as circunstâncias nas quais vive, transformando-se também ele nesse processo.

A doutrina materialista sobre a alteração das circunstâncias e da educação esquece que as circunstâncias são alteradas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. [...]
A coincidência da modificação das circunstâncias com a atividade humana ou alteração de si próprio só pode ser apreendida e compreendida racionalmente como práxis revolucionária. (MARX; ENGELS, 1977, p. 12)

Gramsci - em meio à possibilidade de revolução socialista na Europa, numa franca ofensiva político-conservadora do capital, materializada no fascismo - produziu, no cárcere, sua reflexão tendo como pilares centrais a cultura, o papel dos intelectuais e a análise da política. 

No debate presente nesta publicação, o enfoque acerca do papel da escola, da cultura e do intelectual na sociedade contemporânea aponta a importância de uma reflexão mais cuidadosa sobre as consequências da ausência de um projeto político claramente definido em favor das classes subalternas, que lhes dê a condição material para se apropriarem de conhecimentos vitais à constituição de sua subjetividade.
A elaboração unitária de uma consciência coletiva exige condições e iniciativas múltiplas [...] O mesmo raio de luz passa por prismas diversos e produz diferentes refrações luminosas. [...] Encontrar a identidade real sob a aparente diferenciação e contradição e encontrar a diversidade substancial sob a aparente identidade, essa é a qualidade essencial do crítico das idéias e do historiador do desenvolvimento social. (GRAMSCI apud DEL ROIO, 2005, p. 12)

Elaborar um projeto estratégico com vistas à emancipação das classes subalternas implica pensar qual a contribuição da escola na formação de intelectuais críticos, que integrem, na prática, o processo de transformação social. Tal objetivo exige uma nova concepção de intelectual que resulte da superação de processos formativos fragmentários e elitistas, bem como incorpore a nova dimensão da subjetividade humana, possibilitando às classes subalternas a condição de serem dirigentes.
O modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na eloqüência, motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões, mas numa inserção ativa na vida prática, como construtor, organizador, "persuasor permanentemente", já que não apenas orador puro - mas superior ao espírito matemático abstrato; da técnica-trabalho, chega à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual permanece "especialista" e não se torna "dirigente" (especialista + político). (GRAMSCI, 2004, p. 53)

Vigotski, na construção objetiva do socialismo na União Soviética, dedicou-se a pensar e a trabalhar na formação do novo homem, isto é, de uma nova perspectiva de formação da subjetividade. Suas investigações, na área da Psicologia, denunciam a fragilidade das tendências idealistas e deterministas e enfatizam a importância da história e do meio cultural no processo de formação humana. 
Ser donos da verdade sobre a pessoa e da própria pessoa é impossível enquanto a humanidade não for dona da verdade sobre a sociedade e da própria sociedade. Ao contrário, na nova sociedade nossa ciência se encontrará no centro da vida. O "salto do reino da necessidade ao reino da liberdade" colocará inevitavelmente a questão do domínio de nosso próprio ser, de subordiná-lo a nós mesmos. (VIGOTSKI, 2004, p. 417)

Quanto à base marxista dos trabalhos de Vigotski, Iaroshevski e Gurguenidze (1997) declaram:
Vygotski dominou, como nenhum dos psicólogos soviéticos de sua época, os princípios metodológicos do marxismo em sua aplicação aos problemas de uma das ciências concretas. A psicologia - assinala - requer seu "O Capital". Seu objetivo não consiste em acumular ilustrações psicológicas ao redor de conhecidos princípios da dialética materialista, mas em aplicar esses princípios como instrumentos que permitam transformar, a partir de dentro, o processo de investigação, descobrir na realidade psíquica umas facetas ante as quais são impotentes outros procedimentos de obtenção e organização dos conhecimentos. (IAROSHEVSKI; GURGUENIDZE, 1997, p. 451)

Para Vigotski, o marxismo expressava a verdade acerca da compreensão da sociedade e era, no seu entender, a única expressão do pensamento filosófico universal capaz de fornecer as bases necessárias para pensar novos rumos para uma nova psicologia.

Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações foi, então, pensado como um tema e um momento que julgamos adequados para pôr em evidência a produção científica desses autores e buscar, por meio dos debates, compreender e aprofundar seus elos de interação, proporcionando ferramentas teórico-práticas capazes de subsidiar aqueles que lutam por uma nova sociedade e uma nova escola.

Este livro está organizado em quatro partes. A PRIMEIRA PARTE, "Contribuições de Marx, Gramsci e Vigotski para a compreensão da realidade social", focaliza estudos teóricos acerca de Marx, Gramsci e Vigostki que apresentam um início de diálogo entre esses autores, tendo como referência sua fundamentação teórica mais geral.

Edmundo Fernandes Dias, com o texto "Marx e Gramsci: sua atualidade como educadores", desvela a mentalidade burguesa e suas formas de se manter no comando, ao desqualificar os processos de luta das classes subalternas. Contra a noção de igualdade abstrata, a inteligibilidade do real requer a superação das aparências, a busca da unidade na diversidade e a construção de um discurso crítico a partir do método marxista. O processo educativo deve unificar teoria e prática e intelectuais e trabalhadores na construção de novas individualidades. 

O texto "A mundialização capitalista e o conceito gramsciano de revolução passiva", de Marcos Tadeu Del Roio, parte da questão da possibilidade de se explicar o estágio atual do capitalismo por meio do conceito de revolução passiva, elaborado por Gramsci nos Cadernos do Cárcere. A resposta para esse problema pressupõe, no entanto, um outro que é a discussão do próprio conceito de revolução passiva e outros que lhe são correlatos. Por meio de uma trajetória histórica analítica, o autor problematiza os conceitos centrais gramscianos perpassando pelos principais fatos históricos que constituíram a base da sociedade contemporânea. Apenas feita uma atenta apreensão do conceito é que se pode discutir a sua aplicabilidade para os tempos atuais.

Newton Duarte em "A filosofia da práxis em Gramsci e Vigotski" questiona a pertinência da expressão "filosofia da práxis". Percorrendo diferentes traduções e significações dadas à expressão, Duarte advoga o uso da expressão "filosofia da prática" como o mais adequado para referir-se ao marxismo. Ressalta o marxismo como materialismo histórico, distinguindo "filosofia da práxis" de pragmatismo e teoria vigotskiana de interacionismo. Discute consequências importantes para a educação escolar decorrentes de interpretações indiferenciadas das teorias pedagógicas.

Em "A práxis de Gramsci e o pragmatismo de Dewey", Giovanni Semeraro traça um paralelo entre a filosofia da práxis de Gramsci e o pragmatismo de Dewey, analisando as diferenças conceituais que os situam em campos opostos: o primeiro caminhando "na direção de uma atividade teórico-política para construir a hegemonia das classes subjugadas", visando à superação da ordem existente, e o segundo concentrando-se "sobre o desenvolvimento da atividade inteligente dos indivíduos", visando à validação do pensamento liberal americano.

O texto "Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações?", de Rosemary Dore, elege fundamentos marxistas que aproximam Gramsci e Vigotski e aspectos que os distanciam, tais como a concepção de materialismo histórico dialético. Para Gramsci é no campo das ideologias que os homens tomam consciência dos conflitos sociais. A natureza humana é concebida como conjunto das relações sociais. Os conflitos são superados no processo histórico. Questiona o entendimento de cultural e social em Vigotski, sendo apresentada a hipótese de resquícios de dualidade entre suas concepções de materialismo histórico e dialético.

Em "Educação e escola no marxismo: perspectivas" Vandeí Pinto da Silva discute possibilidades reais dos educadores marxistas atuarem em vista da transformação social. Concepções dogmáticas e idealistas paralisam a atuação dos educadores marxistas. Advoga a construção de uma pedagogia marxista referenciada na formação omnilateral, capaz de unificar teoria e prática e educação e trabalho. Se o trabalho é categoria central no marxismo, mesmo nas condições de trabalho alienado pode emergir o gérmen da transformação social.

Antonio Carlos Mazzeo no texto "Notas sobre ser e existência" discute o trabalho como sociabilidade humana. A dimensão teleológica do trabalho torna possível o rompimento com a produção voltada para a satisfação do meramente biológico, voltando-se esta para a complexidade das necessidades humanas. Nas tensões entre alienação e construção da sociabilidade pode emergir o ápice da individualidade alienada ou um novo processo de humanização, centrado na busca da essência genuinamente humana, dilacerada pelo fetiche da mercadoria.

A SEGUNDA PARTE, "Educação e trabalho", contém análises sobre as políticas educacionais na perspectiva marxista, trazendo elementos importantes para a reflexão. 

No texto "Educação no capitalismo dependente ou exclusão educacional?", Roberto Leher problematiza os fundamentos histórico-sociológicos para a real universalização da educação na sociedade capitalista. Por meio da discussão dos conceitos exclusão e inclusão, bem como dos indicadores sociais e educacionais mais gerais, em especial da juventude, o autor desnaturaliza o discurso hegemônico que preconiza os problemas educacionais como decorrência da gestão pedagógica. Ao mesmo tempo, explicita a falsa polêmica exclusão/inclusão como expressão de saídas políticas para problemas sociais ao demonstrar como essas categorias compõem a lógica do capital com interfaces diretas com a educação. 

Neusa Maria Dal Ri e Candido Giraldez Vieitez com o texto "Trabalho como princípio educativo e práxis político-pedagógica" trazem a origem do debate teórico trabalho como princípio educativo, tema controverso presente na legislação educacional brasileira. Tal debate iniciou-se com Marx e Engels no século XIX, perpassando as experiências educacionais socialistas na União Soviética, por meio de seus principais teóricos e militantes como Lênin, Krupskaya, Pistrak, Makarenko, enriquecido com o aporte de Gramsci, intelectual militante socialista contemporâneo aos soviéticos. Essa trajetória propicia a apreensão da realidade contemporânea sobre o mesmo tema, porém numa conjuntura extremamente complexa do desenvolvimento do capitalismo no século XXI, com suas contradições e possibilidades de mudanças como a experiência educacional do MST no Brasil, que se pauta no trabalho como princípio educativo.

Em "Considerações sobre a (des)politização do debate educacional brasileiro", Eduardo Magrone apresenta interessante discussão referente à despolitização do debate sobre as políticas educacionais no Brasil. Partindo do referencial teórico de Gramsci, trabalho como princípio educativo, analisa o debate acerca do sentido e dos objetivos do ensino médio na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) na década de 1990, bem como aponta os limites da posição conteudística e técnica sobre o tema em detrimento da compreensão das determinações políticas mais amplas, a qual denomina de crítica radical à forma escolar.

A TERCEIRA PARTE, "Educação e cultura", recupera uma dimensão importante e pouco explorada na perspectiva marxista ao trazer a produção da sensibilidade, da arte, como elemento fundamental da subjetividade humana. 

Regina Maria Michelotto, em seu texto "A questão metodológica e a formação do intelectual orgânico em Gramsci", discorre sobre o referencial de Antonio Gramsci, "privilegiado para pesquisadores que buscam utilizar o materialismo histórico e dialético como fundamento de suas investigações", enfatizando "o seu aspecto metodológico, subsídio para a formação dos intelectuais críticos, orgânicos à causa dos dominados, de que a criação da nova sociedade necessita." Busca, desse modo, evidenciar as contribuições do autor para pensar a atividade educativa.

O texto de Sueli Amaral Mello, "Cultura, Mediação e atividade", discute esses três conceitos à luz da Teoria Histórico-Cultural, considerando-os como "a tríade de cuja dinâmica resulta o processo de humanização, ou seja, o [...] processo de reprodução individual das qualidades humanas nas novas gerações e em cada sujeito da sociedade humana". Em sua análise, destaca as implicações pedagógicas decorrentes da apropriação de tais conceitos.

Fátima Cabral, em seu texto "Arte para pensar a vida e educar os sentidos", com base na teoria de Marx, ressalta a natureza social da criação artística, "uma dimensão essencial da vida em geral, uma dimensão do homem total [...]", um processo que resulta do trabalho humano e não da simples intuição ou inspiração. Pedagogicamente, arte e cultura são vistas como "vida pensada". 

Em "Estética musical contemporânea e musicalidade brasileira", a autora Consuelo de Paula focaliza as formas de expressão popular que aparecem na canção brasileira, falando a respeito de seu trabalho como artista - cantora e compositora musical. Sob a forma de um diálogo com o público, o texto explicita as influências da cultura popular que marcam o seu fazer artístico e põe em debate a produção musical ligada à cultura popular no seio da indústria cultural brasileira atual. 

A QUARTE PARTE, "Implicações para a formação de professores", encerra o livro com as reflexões acerca das implicações pedagógicas dos estudos da Teoria Histórico-Cultural e de suas bases teóricas para a formação profissional docente. 

Em seu texto "Educación en valores desde la reflexión grupal y la redimensión del rol del educador", Ana Luisa Segarte Iznaga e Oksana Kraftchenko Beoto consideram que "o grupo é o lugar de intermediação da estrutura social e da subjetividade, [...] da gênese e transformação da subjetividade, de onde, portanto, se realiza a formação e o crescimento pessoal-social do ser humano […]". Nesse contexto, redimensionar o papel do professor implica considerá-lo não mais como transmissor de conhecimentos tão-somente, mas como aquele que dirige a atividade conjunta dos alunos, para que sejam tomadas decisões coletivamente visando a um maior protagonismo do aluno em sua formação pessoal e social.

Lígia Márcia Martins, em seu texto "Formação de professores: desafios contemporâneos e alternativas necessárias", aponta para a "desvalorização e esvaziamento" da função docente no presente momento histórico em que "converte-se a educação em mercadoria e se desqualifica a transmissão de conhecimentos pela via da negação de sua existência objetiva". Propõe um processo formador que forneça tanto os conhecimentos teóricos, metodológicos e técnicos, como aqueles relativos às condições histórico-sociais em que se dá sua atuação profissional, com base em três eixos temáticos: ser Gente (natureza histórico-cultural do desenvolvimento humano), ser Professor (trabalho e alienação) e ser Capaz (apropriação de conhecimentos para a construção do pensamento teórico).

Stela Miller, em seu texto "Reflexões acerca da proposta bakhtiniana para uma metodologia do estudo da língua e implicações sobre a profissão docente", objetiva realizar algumas reflexões sobre a proposta feita por Mikhail Bakhtin, em sua obra "Marxismo e filosofia da linguagem", para o estudo da língua, e, a partir daí, pensar uma metodologia para o ensino da língua materna, bem como trazer à discussão um modo de ser do educador compatível com essa escolha metodológic


Sueli Guadelupe de Lima Mendonça
Vandeí Pinto da Silva
Stela Miller

Referências 

DEL ROIO, M. Os prismas de Gramsci: a fórmula política da frente única (1919-1926). São Paulo: Xamã, 2005.

GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. 3. ed. Tradução de Carlos Nelson Coutinho; co-edição, Luis Sérgio Henrique e Marcos Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004. v. 2.

IAROSHEVSKI, M.; GURGUENIDZE, G. Epílogo. 2. ed. In: VYGOTSKI, L. S. Obras escogidas. Tradução de José María Bravo. Madri: Visor, 1997. v. 1. p. 451-477.

MARX, K., ENGELS, F. A ideologia alemã. Tradução de José Carlos Bruni e Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Grijalbo, 1977.

VIGOTSKI, L.S. Teoria e método em psicologia. 3. ed. Tradução de Cláudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2004.


SUMÁRIO 

APRESENTAÇÃO Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, Vandeí Pinto da Silva e Stela Miller

PRIMEIRA PARTE: CONTRIBUIÇÕES DE MARX, GRAMSCI E VIGOSTSKI PARA A COMPREENSÃO DA REALIDADE SOCIAL

Marx e Gramsci: sua atualidade como educadores Edmundo Fernandes Dias 
A mundialização capitalista e o conceito gramsciano de revolução passiva Marcos Tadeu Del Roio
A filosofia da práxis em Gramsci e Vigotski  Newton Duarte
A práxis de Gramsci e a experiência de Dewey Giovanni Semeraro
Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações? Rosemary Dore 
Educação e escola no marxismo: perspectivas Vandeí Pinto da Silva
Notas sobre ser e existência Antônio Carlos Mazzeo

SEGUNDA PARTE: EDUCAÇÃO E TRABALHO

Educação no capitalismo dependente ou exclusão educacional? Roberto Leher
Trabalho como princípio educativo e práxis político-pedagógica Neusa Maria Dal Ri e Candido Giraldez Vieitez 
Considerações sobre a (des)politização do debate educacional brasileiro Eduardo Magrone 

TERCEIRA PARTE: EDUCAÇÃO E CULTURA

Os intelectuais e a crítica da cultura Regina Maria Michelotto 
Cultura, mediação e atividade Suely Amaral Mello 
Arte para pensar a vida e educar os sentidos Fátima Cabral 
Estética musical contemporânea e musicalidade brasileira Consuelo de Paula 

QUARTA PARTE: IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Educación en valores desde la reflexión grupal y la redimensión del rol del educador Ana Luisa Segarte Iznaga e Oksana Kraftchenko Beoto 
Formação de professores: desafios contemporâneos e alternativas necessárias Lígia Márcia Martins 
Reflexões acerca da proposta bakhtiniana para uma metodologia do estudo da língua e implicações sobre a profissão docente Stela Miller

Autores 



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

A RESPEITO DO SUPOSTO POSITIVISMO DE LUIZ CARLOS PRESTES

Artigo escrito pela historiadora Anita Prestes e publicado em MOURO (Anuário de Crítica Social – Núcleo de Estudos d’O Capital), n.13, São Paulo, IDEO grafos, janeiro de 2019, p. 191-199.

"Deixar o erro sem refutação é estimular a imoralidade intelectual" (Karl Marx - frase citada como epígrafe do livro A Miséria da Teoria, do historiador E. P. Thompson)


Luiz Carlos Prestes (1898-1990)



A RESPEITO DO SUPOSTO POSITIVISMO DE LUIZ CARLOS PRESTES[1]
Anita Leocadia Prestes*
Resumo
É bastante comum a afirmação de que Luiz Carlos Prestes teria sofrido influências positivistas tanto no âmbito familiar quanto na Escola Militar, onde cursou engenharia militar. No artigo são apresentados fatos e argumentos que desmentem tal afirmação, feita muitas vezes com o objetivo de denegrir a imagem de Prestes, de pôr em causa sua adesão às ideias de Marx, Engels e Lenin.
Palavras chave
Luiz Carlos Prestes, positivismo, Diderot e Hegel.

                Entre diversos autores que, de uma forma ou de outra, se referiram a Luiz Carlos Prestes, é bastante frequente encontrar a afirmação de que o líder comunista teria sofrido consideráveis influências positivistas tanto no âmbito familiar quantona Escola Militar, onde cursou engenharia militar, tendo colado grau em janeiro de 1920.
            João Alberto Lins de Barros, ex-comandante de um dos destacamentos da Coluna Prestes – que percorreu o Brasil de 1924 a 1927 -, ao publicar,em 1953, suas memórias, marcadas por evidente ressentimento diante da opção comunista do seu antigo comandante, escreveu que Prestes aderira ao positivismo por “herança intelectual paterna” e se tornara “católico exaltadíssimo” no Colégio Militar, por influência de um professor (...), mas voltando ao “ateísmo, já no fim do curso da Escola Militar, convertera-se em materialista dogmático. Não admitia situações intermediárias (...).” Caracterização que é repetida em texto mais recente, citada por João Quartim de Moraes ao abordar a “escolha Ade Prestes” pelo comunismo[2], autor que chega a considerar LuizCarlos Prestes “o mais célebre” dentre os positivistas que aderiram ao marxismo no Brasil.[3]
            Agildo Barata, ex-dirigente do PCB, também ressentido por ter sido expulso em 1957 desse partido, ao recordar alguns poucos momentos de convívio com Prestes na prisão - ocasião em que encontrou entre seus livros o Catecismo positivista de Augusto Comte, assim como textos de Epíteto -, concluiu: “Prestes nunca foi nem é um revolucionário marxista; Prestes é um positivista estoico. Ou se preferirem: um estoico positivista, com muitos ranços fatalistas.”[4]Declarações que contribuíram para que alguns autores passassem a dizer que, na prisão, Prestes se teria dedicado a ler obras positivistas e cultivar as ideias de Comte.[5]
            Há que lembrar que embora Paulo Sérgio Pinheiro, apoiado em meras aparências e sem a devidacomprovação, defenda a tese da fusão, nos anos 1930, de um suposto “militarismo” de Prestes com a estratégia da Internacional Comunista, ao mesmo tempo, descarte “as interpretações convencionais que se referem ao positivismo de Prestes e suas afinidades com o materialismo dialético”. Considera que essa explicação “no nível conceitual e filosófico” deixa de lado “o ambiente em que Prestes estava mergulhado” naqueles anos.[6]
            Mais recentemente, Marcos Del Roio retoma a tese de que Prestes teria sido rodeado na família por “concepções positivistas – com pai e tio adeptos da doutrina de Comte – e na Escola Militar”, embora afirme que essas concepções transmitiam “as preocupações com justiça e com os temas sociais”.[7]
            A tese da herança familiar do suposto positivismo de Prestes continua a produzir adeptos. Em livro publicado em 2017, Lincoln Secco volta a destacar que “Luiz Carlos Prestes tinha as obras de Comte na prisão” e, em citação de Alfredo Bosi, repete “não será apenas aleatório o fato de o pai de Luiz Carlos Prestes, o capitão Antônio Prestes, ter sido, juntamente com Protásio Vargas, irmão de Getúlio, um dos fundadores do Centro Positivista de Porto Alegre em 1899...”[8]
            Em obra que veio à luz este ano, Mauro Malin reproduz declarações de Armênio Guedes, ex-dirigente do PCB, em que este afirmava ser Luiz Carlos Prestes “um ideólogo cheio de positivismo na cabeça”.[9]
A respeito do suposto positivismo de Luiz Carlos Prestes, é necessário, entretanto,esclarecer alguns aspectos:
     1) Embora o pai de Luiz Carlos Prestes, Antônio Pereira Prestes, tenha aderido à filosofia de Augusto Comte, sob a influência de Benjamin Constant, do qual foi discípulo na Escola Militar da Praia Vermelha e seguidor no movimento republicano, não foi ele fundador do Centro Positivista de Porto Alegre. Seu fundador foi um tio de Prestes, Joaquim José Felizardo Júnior, irmão de Leocadia Felizardo Prestes, a mãe de Luiz Carlos, mulher esclarecida e enérgica, que jamais permitiu a adesão do marido à Igreja positivista.
       2) Quando Antônio Pereira Prestes faleceu, seu filho tinha apenas dez anos de idade e sua formação foi influenciada principalmente pela mãe, conforme ele sempre reconheceu. Do pai, Luiz Carlos herdou a célebre “biblioteca positivista”, da qual constavam desde as obras dos principais filósofos da Antiguidade até as dos iluministas do século XVIII, como Diderot, Voltaire, Rousseau, etc. Essa biblioteca muito contribuiria para sua formação humanística e para suas futuras convicções filosóficas materialistas.
       3) No que se refere às obras de Comte que Prestes possuía na prisão, é interessante consultar carta por ele dirigida à mãe, em 26/6/1938, na qual relata que haviam pertencido ao falecido tio Joaquim José e enviados por sua avó, Ermelinda Felizardo, residente em Porto Alegre.[10]
      Ademais de duas ou três obras de A. Comte, presentes entre seus livros da prisão – recentemente doados por mim à Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (SP) da parte que foi possível preservar após tantos anos de constantes perseguições policiais –,havia as obras completas de Diderot (enviadas de Paris por Leocadia, assim como muitas outras), assim como livros de Maquiavel, Voltaire, Rousseau, Condorcet, Descartes, Feuerbach, Hegel, Kant, Bertrand Russel, etc.
      4) Seria bom lembrar que pesquisas históricas revelaram há tempos que, diferentemente da geração que passou pela Escola Militar da Praia Vermelha, cuja simpatia pela filosofia positivista é conhecida, a geração dos “tenentes”, que estudou na Escola Militar do Realengo, havia abandonado tal influência e sua maior preocupação se tornara profissional.[11] Segundo Boris Fausto, “os ‘tenentes’ pagam tributo à indefinição ideológica que se abre com a perda da influência do positivismo e o predomínio da velha retórica liberal”[12].
     5) Com dezoito anos, Prestes atravessou uma “crise filosófica” – segundo palavras suas -, ou seja, tendo se mantido agnóstico até aquele momento, concordou, por influência de um de seus professores, Joaquim da Silva Gomes, em ser batizado na Igreja católica. Durante as férias, frequentou as aulas de catecismo na Igreja da Cruz dos Militares e, no dia 19 de março de 1916, batizou-se na Igreja de São José. Contudo, era difícil para o jovem conciliar a formação científica que já adquirira com os dogmas da religião. Além disso, decepcionado com o padre da igreja que passara a frequentar, resolveu abandoná-la ao cabo de três meses. Não consta, portanto, que fosse adepto da ideologia de Augusto Comte.
     6) Vale a pena consultar a correspondência de Prestes durante os nove anos de prisão para perceber quais eram seus interesses intelectuais e, em particular, suas opções filosóficas.[13] Evidencia-se o interesse preferencial de Prestes pelas obras de Diderot e Hegel, que as solicita com frequência aos parentes e amigos, na medida em que as autoridades carcerárias, que proibiam o recebimento de qualquer livro marxista ou comunista, o permitissem.
Em carta à sua irmã Lygia (28/8/1941), Prestes escrevia:
Em vez de acompanhar a atualidade histórica, que me estava parecendo uma formidável confirmação prática das leis dialéticas de Hegel, faço o estudo teórico destas leis pelos próprios livros de Hegel. Já estou, porém, chegando a um ponto em que sinto cada vez mais a necessidade de conhecer outras obras do grande filósofo alemão. Creio que brevemente não poderei deixar de tentar comprar as “Lições de filosofia da história”, que sei haver sido publicada em francês há uns três anos e que talvez se encontre por aqui. Não serias também capaz de descobrir por aí, em espanhol, inglês ou alemão, algumas das obras de Hegel, tais como “Geschichte der Philosophie”, “Wissenschaft der Logik” e “PhoenomenologiedesGeister”? E algum livro sobre Hegel, tais como Rosenkranz, “LebenHegel’s” ou K,Fischer, “Hegel’sLebeundWerke”?[14]

                        Pouco tempo depois, em carta dirigida à mãe (11/9/1941), Prestes escrevia:
Hegel foi, sem dúvida, um gênio e o cérebro mais enciclopédico de sua época, de maneira que as suas obras, para quem dispõe de tempo bastante e de energia suficiente para conseguir estudá-las com cuidado, são um manancial de ideias geniais. Isso, tanto em História, como em Ciências naturais. Não há exageros em dizer que os maiores sábios depois de Hegel, todos aqueles que fizeram grandes descobertas, foram consciente ou inconscientemente hegelianos.[15]

Quando Lygia esteve em Havana, Prestes lhe solicitava (26/8/1943):
Se, ao receberes esta, ainda estiveres em Havana, procura em suas livrarias (de livros velhos) o que haja de Hegel, especialmente “Ciência da Lógica” e “História da Filosofia”. (...) O livro de Hegel – “Science ofLogic” é o que, no momento, mais me interessa e que, em último caso, me disponho a ler assim mesmo em inglês, se bem que prefira em francês, espanhol, italiano.[16]           

Em março de 1944, Prestes escrevia à irmã (24/3/1944), que conseguira “afinal a “Filosofia da História” de Hegel, que tanto desejava ler. (...) Como vês, estou de parabéns.”[17]
A respeito de Diderot, Prestes registrou em carta à mãe (27/5/1942):
            Quanto a leituras, aproveito no momento o livro sobre Diderot, que me mandaram da Argentina, para reler e aprofundar o estudo de diversas obras do meu filósofo predileto. Vim saber agora que, além dos 20 volumes de suas Obras Completas, foram posteriormente publicados diversos inéditos de grande valor num livro de Tourneux – “Diderot etCaterine II”. Foi à Catarina, que queria passar por ser a “Semiramis do Norte”, amiga de Voltaire e protetora das artes, que Diderot disse cara a cara: “Qualquer governo arbitrário é mau; não faço exceção nem mesmo para o governo arbitrário de um senhor bom, firme, justo e ilustrado.” Também Catarina, que convidara o filósofo para visitar sua Capital, dizia, mais tarde, que, se tivesse ouvido os conselhos de Diderot, teria transtornado por completo seu pacífico império com as “fantásticas teorias” do enciclopedista.[18]

  É interessante o comentário que Prestes faz em carta à mãe (8/7/1942) sobre Feuerbach, Hegel e Diderot:
No momento leio Feuerbach, o jovem hegeliano que passou ao materialismo ou, melhor, que com o seu livro “A essência do cristianismo” reduziu a pó a contradição entre o idealismo filosófico de Hegel, ainda dominante na Alemanha, e a crítica religiosa dos materialistas franceses que tinham sido arrastados aos jovens hegelianos pela necessidade prática da luta política nas vésperas da revolução democrática alemã de 1848. Feuerbach não tem a irreverência de Diderot, mas, se este põe a nu impiedosamente os absurdos da religião, o primeiro explica suas origens psicológicas: se Diderot nos faz rir, Feuerbach nos convida a meditar sobre a ignorância dos homens. Isto basta para que possas calcular o prazer que me causa esta leitura.[19]

Em outra ocasião, Prestes escreve à irmã (22/4/1943):
Como geralmente acontece nas épocas de maior preocupação, volto a Diderot e Hegel, que são os dois amigos que mais meprendem e sempre conseguem dominar por algum tempo meu pensamento vagabundo (...)[20]

Ao corresponder-se com um cientista dedicado à Física, o professor Paul Schurmann, de Montevidéu (25/11/1941), Prestes após citar Diderot e Hegel, escrevia:
Antes de falar em descontinuidade da matéria ou da energia, não seria conveniente que os cientistas meditassem mais profundamente a respeito dos conceitos de grandezas contínuas e descontínuas? Hegel a este respeito muito nos ensina; e Diderot, o menos mecanicista ou o mais dialético dos materialistas franceses do século XVIII, já afirmava que “ladivisibilité de lamatière a untermedans da lanature, quique’elle n’enaitaucundansl’entendement”.[21]

Em carta a uma amiga uruguaia, Nair Labarthe Fernández (19/5/1942), Prestes lhe encomenda obras de Hegel e Feuerbach:
De Hegel desejaria especialmente as “Lições de Filosofia da História” e a “Ciência da Lógica”; da primeira sei que há uma tradução francesa de 1936 ou 37 e outra espanhola um pouco anterior, da editorial da “Revista do Ocidente” de Madri. (...) Já possuo algumas obras de Hegel, como “Enciclopédia”, “Filosofia do Direito”, etc.[22]

Ao corresponder-se com outro amigo uruguaio, TeodosioLezama (1/7/1942), Prestes tece considerações sobre as leituras filosóficas que vinha empreendendo:
Conhecia Feuerbach através da leitura de Engels e há muitos anos que desejava tomar conhecimento direto de suas obras a fim de melhor compreender a evolução do pensamento filosófico alemão, no qual Feuerbach ocupa singular posição entre Hegel e Marx. (...) Este livro sobre “a essência do cristianismo” é, segundo creio, um dos mais difundidos de Feuerbach e de todas as suas obras a que, na época, maior sensação causou, a todos enlouqueceu, como diz Engels, mas o seu valor, nos dias de hoje, é quase exclusivamente histórico; “suas mais belas passagens”, na opinião do mesmo Engels, expressada em 1886, já então “se tinham tornado inteiramente ilegíveis”.
Parece que acontece com Feuerbach, de maneira inconsciente, o mesmo que se passa com Augusto Comte: ambos, quando se trata dos fenômenos da natureza, são materialistas, por mais que não aceitem esta classificação (uma espécie de materialistas envergonhados, na feliz expressão de Engels a respeito dos agnósticos ingleses do século XIX), mas ao entrarem no terreno dos fenômenos sócias, transformaram-se em puros idealistas e constroem uma sociologia, uma moral, uma ética, para um homem abstrato e ideal, que só pode existir em suas mentes de sonhadores. Penso, por isso, que é justamente naquelas obras de Feuerbach em que ele faz a crítica materialista, senão a destruição, do idealismo de Hegel, que se poderá encontrar o que há de perene em sua filosofia: refiro-me aos “Princípios da Filosofia do Futuro”, em que expõe a sua teoria do conhecimento, e às “Teses preliminares para a reforma da filosofia”.[23]

              Diante dos fatos e argumentos apresentados, podemos verificar o quanto é absurda a caracterização de Luiz Carlos Prestes como positivista. Caracterização, cuja utilizaçãoé usada, em geral, por certos autores com o objetivo evidente de denegrir sua imagem, de pôr em causa sua adesão às ideias de Marx, Engels e Lenin, o que, certamente, não significa transformar o marxismo em dogma, em panaceia a ser aplicada sem levar em consideração cada situação concreta em que se devaatuar politicamente.

*Anita Leocadia Prestes é doutora em História Social pela UFF e professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ.




[1]Publicado em MOURO (Anuário de Crítica Social – Núcleo de Estudos d’O Capital), n.13, São Paulo, IDEO grafos, janeiro de 2019, p. 191-199.
[2]BARROS, João Alberto Lins de. Memórias de um revolucionário. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1953, p. 195; MORAES, João Quartim de.  A esquerda militar no Brasil. Volume II: da Coluna à Comuna. São Paulo, Siciliano, 1994, p.50.
[3]MORAES, João Quartim de, “A evolução da consciência política dos marxistas brasileiros”, in MORAES, João Quartim de (org.). História do marxismo no Brasil. Vol. II. Campinas (SP), Editora da UNICAMP, 1995, p. 56.
[4]BARATA, Agildo. Vida de um revolucionário (memórias). 2ª ed. São Paulo, Alfa-Omega, 1978, p. 326-328.
[5] Ver, por exemplo, SECCO, Lincoln. A batalha dos livros - Formação da Esquerda no Brasil. Cotia (SP), Ateliê Editorial, 2017, p.14.
[6]PINEHRIO, Paulo Sérgio. Estratégias da Ilusão: a Revolução Mundial e o Brasil, 1922-1935. São Paulo, Companhia das Letras, 1991, p. 13 e 213.
[7]ROIO, Marcos Del, “Os comunistas, a luta social e o marxismo (1920-1940)”, in RIDENTI, Marcelo e REIS FILHO, Daniel Aarão (orgs.). História do marxismo no Brasil. Vol. V. Campinas (SP), Editora da UNICAMP, 2002, p. 41.
[8]SECCO, Lincoln. A batalha dos livros – Formação da Esquerda no Brasil. Cotia (SP), Ateliê Editorial, 2017, p. 14.
[9]MALIN, Mauro. Armênio Guedes: um comunista singular. Rio de Janeiro, Ponteio, 2018, p. 379.
[10]PRESTES, Anita Leocadia e PRESTES, Lygia (org.). Anos tormentosos. Luiz Carlos Prestes: correspondência da prisão (1936-1945). Rio de Janeiro, APERJ; São Paulo, Paz e Terra, 3 volumes, 2000 – 2002; v. I, p. 189.
[11]CARVALHO, José Murilo, “As forças armadas na Primeira República: o poder desestabilizador”, in Boris Fausto (org.). História Geral da Civilização Brasileira, S.P., R.J, Difel, 1977, p. 199; ver também DRUMMOND, José Augusto. O movimento tenentista. Rio de Janeiro, Graal, 1986, p. 55.
[12]FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930. São Paulo, Brasiliense, 1970,p. 63.
[13]PRESTES, Anita Leocadia e PRESTES, Lygia (org.). Anos tormentosos. Luiz Carlos Prestes: correspondência da prisão (1936-1945). Rio de Janeiro, APERJ; São Paulo, Paz e Terra, 3 volumes, 2000 – 2002.
[14]Ibidem, v. I, p. 463.
[15]Ibidem, v. I, p. 507.
[16]Ibidem, v. II, p. 261-262.
[17]Ibidem, v. III, p. 46-47.
[18]Ibidem, v. II, p.77.
[19]Ibidem, v. II, p. 95-96.
[20]Ibidem, v. II, p. 217-218.
[21]Ibidem, v. III, p. 483-487.
[22]Ibidem, v. III, p. 494.
[23]Ibidem,v. III, p. 502-503; negrito meu.