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quarta-feira, 1 de março de 2017

Para download: Guerra del pueblo, ejército del pueblo, de Võ Nguyên Giáp

LINK PARA DOWNLOAD:

Esta obra trata de la guerra de liberación del pueblo vietnamita, del carácter popular de esta lucha y de su brazo ejecutor, el Ejército del Pueblo; expone las experiencias de los combates anticolonialistas en Vietnam del Norte y cómo de la guerra de guerrillas se pasó a la guerra regular, que llevaría al episodio definitivo de la contienda, Dien Bien Fu, donde el poderío militar imperialista francés fue derrotado por las fuerzas de liberación. Como escribió el Che Guevara, esta obra plantea cuestiones tan importantes como "la factibilidad de la lucha armada, en condiciones especiales en que hayan fracasado los métodos pacíficos de lucha de liberación" y "el tipo que debe tener ésta, en lugares con grandes extensiones de terreno favorable a la guerra de guerrillas y con población campesina mayoritaria o importante". El general Giap es en Vietnam miembro del Buró Político del Comité Central del Partido de los Trabajadores , Viceprimer Ministro y Ministro de la Defensa Nacional de la República Democrática de Vietnam y Comandante en Jefe del Ejército Popular. Actor y testigo de primer orden en la victoria de Dien Bien Fu, pone en este libro la evidencia de los acontecimientos.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Livros de Wilfred Burchett para download

Wilfred Burchett (1911-1983), grande jornalista australiano. Um dos jornalistas revolucionários mais perseguidos pelo imperialismo. Wilfred Burchett conheceu profundamente a história e o povo vietnamita e os seus mais destacados dirigentes.



https://archive.org/details/ChinaCambodiaVietnamTriangle   -  dê clique em PDF, à direita


https://archive.org/details/SouthernAfricaStandsUp   -  dê click em PDF, à direita


http://www.libgen.io/book/index.php?md5=3D977A2CD005EF627AEAEE2544CDB883  -  para baixar clique na capa e depois em Download

A seguir, artigo de Miguel Urbano Rodrigues sobre Wilfred Burchett.



A história inexplicável do povo do Vietnam contemplada e evocada por Wilfred Burchett

Por Miguel Urbano Rodrigues

Catapulta para a liberdade - como sobreviveram os vietnamitas.

O título desse livro de Wilfred Burchett, editado em Portugal pela Caminho em 1979, é demasiado extenso, não atrai. Mas a obra agarra o leitor desde o início.

Conheci Burchett numa das suas visitas a Portugal após a Revolução de Abril sobre a qual escreveu um livro e muitos artigos.

Ele quis ir ao Alentejo para visitar UCPs da Reforma Agraria. Tive a oportunidade de conviver com ele durante dois dias. Falamos muito de Revolução e contra-revolução madrugada adentro, numa cooperativa de Montemor-o Novo onde pernoitamos apos uma jornada exaustiva.

Estabelecemos uma relação amistosa e passou a colaborar gratuitamente em o diario. Enviou-nos trabalhos seus até 1983, ano em que faleceu em Sofia, na Bulgária.

No prefácio de Catapulta para a Liberdade, o jornalista britânico James Cameron discorda do título. O Vietnam, afirma, «não catapultou, aguentou».

Burchett foi um dos jornalistas revolucionários mais perseguidos pelo imperialismo. O governo australiano retirou-lhe o passaporte e a nacionalidade. Durante anos viajou com um documento vietnamita. Posteriormente, Fidel Castro entregou-lhe um passaporte cubano.

VINTE SECULOS DE INVASÕES

Burchett não escreveu uma história da guerra de libertação do Vietnam.

Tenta explicar porque eles venceram sempre. Ao longo de dois mil anos foram invadidos por nações muito mais poderosas.

Os chineses ocuparam o país durante seculos. Invadiram-no umas cinquenta vezes. Foram derrotados e expulsos.

Os mongóis, que em cavalgada prodigiosa tinham esmagado todos os adversários do Adriático ao Pacifico, construindo um império gigantesco, foram derrotados em três invasões e expulsos.

Os tailandeses também invadiram e foram expulsos.

Os franceses ocuparam o país durante oito décadas; foram derrotados e retiram-se.

Os americanos também ali sofreram uma derrota militar. Mantiveram-se durante dez anos no sul do país, cometeram crimes hediondos e retiraram-se derrotados e humilhados.


Burchett pergunta como foi possível aos vietnamitas defender vitoriosamente, durante tantos seculos, a sua pátria, “o seu estilo de vida, o seu idioma, o seu humor e a sua maneira de pensar?»
O seu livro é sobretudo uma tentativa de resposta a essa questão embaraçosa.

Subindo pelo tempo, recordou os antepassados dos atuais vietnamitas. Eles principiaram a cultivar o arroz um milénio antes dos chineses. Construíram diques e escavaram canais para irrigação antes dos sumérios e dos babilónios

AS FRONTEIRAS DO ABSURDO 

Transcorreram mais de 40 anos da tomada de Saigão e os historiadores não conseguiram ainda explicar o inexplicável. Não há precedentes na história da humanidade para epopeia comparável à vietnamita: a vitória politica e militar de um pequeno povo, pobre e economicamente atrasado, sobre os Estados Unidos, a mais poderosa e rica potencia mundial.

Burchett seleciona episódios na cadeia ininterrupta de guerras justas. Evoca o choque com os guerreiros do imperador mongol Kubilai Khan e com os ming chineses.

Dedica dois capítulos à «presença» dos franceses. Eles chegaram como conquistadores, alegando que vinham em missão civilizadora. Mentiram. Os vietnamitas eram em meados do seculo XIX um dos povos mais cultos da Ásia. O sistema educacional era democrático. Privilegiava a literatura e formava professores, economistas, diplomatas, filósofos, funcionários competentes. Na Idade Média, a qualidade do ensino nas universidades vietnamitas era comparável à das europeias. Os colonialistas franceses destruíram esse sistema educacional, semearam o analfabetismo, saquearam os recursos naturais e impuseram uma administração brutal. Nas escolas diziam às crianças vietnamitas que descendiam dos gauleses e forçavam-nas a aprender os nomes das cidades, dos rios, das montanhas da França, mas não os do seu país.

Burchett, que percorreu dezenas de vezes o Vietnam de Hanói ao delta do Mekong, do Planalto Central às planícies costeiras, acompanhou como jornalista a batalha de Dien Bien Phu cujo desfecho anunciou o fim da dominação francesa.

Pham Van Dong, o ex-presidente, companheiro de Ho Chi Minh, lembra que ao longo do tempo o seu povo travou uma luita permanente contra catástrofes naturais e os invasores, mas venceu sempre.
O Vietnam foi o primeiro estado a estabelecer o serviço militar obrigatório, criando uma reserva de camponeses–soldados que guardavam as armas nas próprias casas.

As proezas dos seus heróis roçam o sobre-humano. Trieu Qung, Le Duk Tho, Giap e Van Tien Dung trazem à memória os heróis míticos da guerra troiana. Eles e outros foram os Aquiles, Heitores, Ulisses e Eneias do Vietnam. Com a diferença de que na pátria de Ho Chi Minh, sobrepondo-se a todos, houve sempre um herói coletivo: o povo.

GIAP, ESTRATEGO GENIAL

Vo Nguyen Giap, o estratego que muitos historiadores militares consideram superior a Napoleão, é tema de um capítulo. Mas o estratego genial foi também um pensador que condensou nos seus livros reflexões sobre as suas vitórias, que são estudadas nas academias militares do Ocidente. O Problema Camponês, por exemplo, é um trabalho analítico do qual transparece a ilimitada confiança do autor no seu povo, nomeadamente no campesinato, como força mais poderosa do que as armas. O estudo das três campanhas contra os mongóis influenciou o seu conceito de «guerra do povo» que ele elevou a um nível de perfeição.

Burchett recorda que ouviu de Giap uma pormenorizada descrição da batalha de Dien Bien Phu. A preparação foi lenta, porque o transporte de armas pesadas através de uma região inóspita foi muito difícil. As tropas francesas encontravam-se no fundo de um vale apertado entre montanhas. Quando Giap ocupou as alturas e fechou o cerco, os franceses ficaram presos numa ratoeira. A sua capitulação foi apenas uma questão de tempo.

Burchett, que o conheceu intimamente, conta que Giap nas suas campanhas, incluindo a do Tet contra os americanos, forçou os adversários a opções contraditórias que os conduziram à derrota: «se dispersavam ele obrigava-os a concentrarem-se; se optavam pela concentração ele obrigava-os a dispersar, conservando sempre a iniciativa estratégica».

O TIO HO

Ho Chi Minh merece uma atenção especial de Burchett.

«Revelou-se – sublinha - o herói que a situação pedia. Não se pode escrever nada coerente a respeito do Vietnam de hoje sem compreender o que foi a obra de Ho Chi Minh, aquilo que ele fez para tornar o Vietnam e os vietnamitas naquilo que são hoje. O Tio Ho representou a síntese dos grandes patriotas da história multisecular do seu país».

Raramente um líder em qualquer outra nação conquistou um prestígio tao grande e permanente como ele.

Jovem ainda, correu pelo mundo para tentar conhecer os homens e os povos. Fê-lo viajando num veleiro como ajudante de cozinheiro. Trabalhou então nos EUA, na Inglaterra e em França onde se tornou militante do Partido Comunista.

Nunca sentiu aversão pelo povo francês. No contacto com a classe trabalhadora percebeu que essa gente francesa, explorada pela burguesia, era estimável, muito diferente dos colonialistas que oprimiam a sua pátria.

Visitou também a União Soviética onde estudou marxismo, a ideologia que seria a do partido revolucionário que anos depois fundou no seu país.

Na China, como secretário de Mikhail Borodine, então representante da III Internacional junto de Chiang Kai Chek, aprendeu muito.

Quando o sucessor de Sun Yat Sen começou a massacrar os seus ex.aliados comunistas, Ho passou à clandestinidade, desenvolvendo um intenso trabalho de formação de quadros que depois seguiam para o Vietnam. Mas acabou por ser preso e sofreu horrores nos presídios da ditadura de Chiang.

Transcorreram quase vinte anos até ao dia em que Ho considerou estarem reunidas as condições mínimas necessárias para iniciar a luta armada contra os franceses Segundo ele, a preparação política era insuficiente e as concepções militares estavam erradas, os quadros careciam de formação para uma luta prolongada.

Uma das virtudes do revolucionário deve ser a paciência.,

Para o Tio Ho o êxito da primeira ação devia ser decisivo de modo a empolgar todo o povo. E assim aconteceu.

Quando em Dezembro de 1944 Giap comandou na província de Cao Bang o ataque a dois fortes franceses, apoderando-se todas as armas e equipamento das guarnições, essa vitoria teve uma imensa repercussão. A data ficou a assinalar o nascimento do futuro Exercito Popular do Vietnam.

Foi o início de uma luta armada, primeiro contra os franceses, depois contra os americanos, que somente terminaria em Abril de 1975,trinta anos depois.

O DESAFIO VITORIOSO AO IMPOSSIVEL 

Apos o Acordo de Genebra de 1954 que reconheceu a independência da Republica Democrática do Vietnam no Norte e manteve a monarquia no Sul, os Estados Unidos, inconformados com a derrota da França, decidiram intervir, opondo-se à reunificação do país.

Uma guerra devastadora que abalaria o mundo principiou com a chegada dos conselheiros militares americanos. Na realidade eram tropas de combate, mais de 22.000 oficiais e soldados. Posteriormente começou a intervenção direta, oficial, por decisão do presidente Johnson, aprovada pelo Congresso.

Os EUA cometeram no país crimes monstruosos. Numa guerra genocida destruíram centenas de aldeias, massacraram centenas de milhares de vietnamitas, queimaram florestas com napalm, envenenaram terras férteis e rios com produtos tóxicos, patrocinaram o assassínio do presidente Ngo Dinh Diem.

No auge da intervenção o corpo expedicionário americano superou o meio milhão de homens.

Mas ante a incapacidade de obter a vitória fácil que os generais do Pentágono tinham previsto, os invasores começaram a bombardear Hanói.

Acumularam derrota sobre derrota.

A solidariedade com o povo do Vietnam martirizado ganhou uma dimensão mundial. As manifestações contra a guerra, exigindo a Paz, mesmo nos EUA, adquiriram uma amplitude gigantesca.

Washington acabou por se sentar à mesa das negociações com os delegados vietnamitas.

A retirada das últimas tropas americanas ficou assinalada por situações caóticas. O presidente Thieu já tinha alias fugido para Taiwan.

O escritor australiano dedica os últimos capítulos à fase final da guerra de libertação.

Washington acreditava que o Sul se poderia manter sem a presença militar americana. O governo de Saigão contava com um exército de 1.300.000 homens, dotado das armas mais modernas, e de uma força aérea poderosíssima. A desproporção de forças era transparente.

Mas, uma vez mais, a marcha da Historia desmentiu os computadores do Pentágono.

Ho Chi Minh e Giap admitiam que a vitória sobre Saigão poderia tardar dois anos. Enganaram-se.

A chamada Ofensiva da Primavera, em 1975, começou no Planalto Central, o que surpreendeu o governo de Thieu. Numa única batalha, em Buan Me Thuot, o exercito de Saigão foi esmagado e as forças da Região Militar do Planalto Central foram totalmente destruídas na sua fuga para as planícies costeiras.

Os acontecimentos precipitaram-se. Uma serie de fulminantes vitórias conduziram o Exercito Popular, então comandado por Van Tien Dung, outro grande estratego, às portas de Saigão.

A cidade caiu a 30 de Abril.

Ho Chi Minh dissera no seu testamento que finda a guerra «temos de construir o nosso país dez vezes mais belo».

Burchett absteve-se de prever o futuro. Mas a concretização desse novo desafio será ainda mais difícil do que a grande saga popular de seculos de guerras sempre vitoriosas contra a lógica da Historia.

Serpa, Março de 2016

FONTE: ODiario.Info

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Camarada Nguyen Giap, presente!!!


General Vo Nguyen Giap, estrategista da guerra do Vietnã, morre aos 102 anos
Um gênio militar que humilhou os imperialismos francês e norte-americano

O general vietnamita Vo Nguyen Giap (pronuncia-se vo nuin zap) faleceu nesta sexta-feira, 4/10/2013, aos 102 anos. Ele foi artífice da vitória militar de seu país sobre as tropas francesas e norte-americanas. Giap é considerado um herói nacional, cujo legado só é inferior ao do grande revolucionário Ho Chi Minh.

O vídeo de Silvio Tendler retrata importantes momentos de sua luta narrados pelo próprio general em depoimento gravado em 2003.




Ho Chi Minh e Nguyen Giap


Vo Nguyen Giap explica a Ho Chi Minh y outros camaradas seu plano de batalha na preparação de Dien Bien Phu. 1954


Nguyen Giap e Fidel Castro. Fevereiro de 2003



Nguyen Giap e Fidel Castro. Fevereiro de 2003


Nguyen Giap e Fidel Castro. Fevereiro de 2003

Nguyen Giap e Hugo Chávez


Nguyen Giap e Hugo Chávez

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

GIAP - Memórias Centenárias da Resistência




O general Vietnamita Giap completou cem anos no dia 25 de agosto de 2011. O video de Silvio Tendler retraça importantes momentos de sua luta narrados pelo próprio general em depoimento gravado em 2003.




Ao maior general do século XX.


Um filme de Silvio Tendler.

Fotografia:Paula Damasceno

Montagem: Felipe Vianna

Produção Executiva: Ana Rosa Tendler

Trilha Sonora Original: Henrique Peters e Vinícious Junqueira

Agradecimentos Especiais: Ministério das Relações Exteriores, Ministra Vera Cintia Alvarez e Embaixador Alcides Prates

Imagens de Arquivo : Estúdios Fílmicos de Hanói

Entrevista Vo Giap gravada em Hanói, Vieetnam 2003.

Caliban Produções Cinematográficas todos os direitos reservados.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nos 100 anos de Vo Nguyen Giap*


“Os imperialistas são péssimos alunos, demos-lhes lições durante vários anos na nossa escola, não aprenderam nada e foram repetentes durante tantos anos que tivemos que correr definitivamente com eles”.
General Vo N’Guyen Giap
Argel, 1975



O mítico general Vo Nguyen Giap cumpriu cem anos de idade. Quase tão venerado como Ho Chi Minh, estratega das grandes batalhas contra o colonialismo francês e a agressão estado-unidense, Giap é considerado um génio da logística e um político mobilizador de massas.


Este lendário general vietnamita nasceu na aldeia de Una Xa, província de Quang Binh, a 25 de Agosto de 1911. Filho de um camponês que, embora sem terra, sabia ler e escrever e lutou durante toda a sua vida contra o regime colonialista imposto ao seu país.


Ainda muito jovem, em 1926, começou a luta pela libertação do Vietname no instituto em que estudava. Aderiu ao Menh Dang do Tan Viet e, dois anos mais tarde, ao Quoc hoc, organizações clandestinas que faziam agitação contra a ocupação estrangeira.


Em 1930 foi detido e condenado a três anos de prisão, mas foi libertado alguns meses mais tarde.


Em 1933 entrou para a universidade de Hanói, de onde foi expulso dois anos mais tarde por realizar agitação revolucionária.


Na universidade conheceu Dang Xuan Khu, que mais tarde adoptaria o pseudónimo de Truong Chinh, o principal ideólogo do comunismo vietnamita. Foi ele quem recrutou Giap para o Partido Comunista da Indochina.


Em 1937 conseguiu concluir os seus estudos de Direito na universidade e começou a dar aulas de história num instituto em Hanói, embora o que fizesse na realidade fosse organizar os professores e os estudantes para a luta revolucionária.


Em 1939 publica, juntamente com Truong Chinh, o seu primeiro livro, intitulado “A questão camponesa”, no qual analisam o papel que os assalariados rurais devem desempenhar no processo revolucionário, enquanto aliados do proletariado vietnamita.


No ano anterior casara-se com uma tailandesa, Dang Thi Quang, militante comunista igualmente, e quando no ano seguinte o Partido Comunista da Indochina é ilegalizado Giap foge para a China, onde conheceu Ho Chi Minh e onde estudou as teses de Mao Zedong sobre a guerra popular prolongada e a guerra de guerrilha, que viria a aplicar magistralmente no seu próprio país.


Mas a polícia francesa prendera a sua mulher e a sua cunhada para as utilizar como reféns para pressionar Giap e para o levar a entregar-se. A repressão foi feroz: a sua cunhada foi guilhotinada e a sua mulher foi condenada a prisão perpétua, vindo a morrer na prisão ao fim de três anos em consequência das brutais torturas a que foi sujeita. Os carrascos assassinaram também o seu filho recém-nascido, o seu pai, duas irmãs e outros familiares.


Em Maio de 1941, na conferência de Chingsi (China), funda, juntamente com Ho Chi Minh, o Dong Minh (Liga Vietnamita para a Independência) mais conhecido com Vietminh, para congregar as forças anti-japonesas numa única frente de libertação nacional.


Nesse mesmo ano Giap desloca-se para as montanhas do interior do Vietname a fim de dar início à guerra de guerrilha. Aí estabelece uma aliança com Chu Van Tan, dirigente do Tho, grupo guerrilheiro de uma minoria nacional do noroeste do Vietname. Giap inicia a construção do Tuyen Truyen Giai Phong Quan, um exército capaz de expulsar o ocupante francês e de sustentar o programa do Vietminh.


Inicia uma campanha de dois anos de propaganda armada e de recrutamento, convertendo os camponeses em guerrilheiros combinando o treino militar com a formação política comunista. Em meados de 1945 dispunha já de cerca de 10.000 homens sob o seu comando e pode passar à ofensiva contra os japoneses que ocupavam todo o sudeste asiático.


Em Agosto de 1945, juntamente com Ho Chi Minh, Giap dirigiu as suas forças para Hanói, e em Setembro desse ano Ho Chi Minh pôde proclamar a independência do Vietname, com Giap como comandante do exército revolucionário.


Na guerra contra o colonialismo francês que se seguiu Giap demonstrou a superioridade da guerra popular sobre as forças imperialistas alcançado, em 7 de Maio de 1954, uma espectacular vitória na decisiva batalha de Dien Bien Phu, um vale situado a cerca de 300 quilómetros a oeste de Hanói onde as forças ocupantes francesas se tinham entrincheirado, confiantes na protecção das montanhas circundantes e na sua capacidade de derrotar as forças revolucionárias que tentassem descê-las. Não imaginavam que as forças de Giap fossem capazes de fazer subir peças de artilharia por de encostas quase inacessíveis.


Após quase seis meses de cerco, dos 15.094 mercenários franceses concentrados em Dien Bien Phu apenas 73 conseguiram escapar, enquanto 5.000 foram mortos e 10.000 capturados. Giap e o general Denhg lançaram o assalto final que conduziu à expulsão definitiva dos franceses da Indochina. O exército de Giap e Denhg sofreu a baixa de 25.000 combatentes.


Giap e Denhg derrotaram os imperialistas graças a uma acumulação logística extraordinária e a uma utilização eficaz e bem protegida da artilharia. Os 60 caças-bombardeiros B-29 norte-americanos enviados em apoio do efectivo francês falharam o seu objectivo, o que levou os imperialistas a admitir, segundo o criminoso plano do almirante norte-americano Radford e do general francês Navarre, o lançamento de bombas nucleares contra as forças revolucionárias.


A campanha de Dien Bien Phu foi a primeira grande vitória de um povo colonial e feudal, com uma economia agrícola primitiva, contra um experiente exército imperialista apoiado por uma indústria bélica pujante e moderna. Os mais conhecidos generais franceses (Leclerc, De Lattre de Tasigny, Juin, Ely, Sulan, Naverre) fracassaram, um após outro, perante tropas constituídas por camponeses pobres, mas inteiramente decididas a lutar pelo seu país e pelo socialismo. Os governos de Paris foram também caindo, à medida que os seus generais eram derrotados naqueles arrozais distantes, deixando bem evidente a fragilidade da IV República.


O Vietname ficou dividido e Giap foi nomeado ministro da defesa do novo governo do Vietname do norte que, ao mesmo tempo que prosseguia a guerra popular de libertação, se esforçava por construir uma nova sociedade, socialista.


Como comandante do novo exército popular, Giap dirigiu a luta na guerra do Vietname contra os novos invasores norte-americanos no sul do país, que de novo teve início como uma guerra de guerrilha. Os primeiros soldados norte-americanos a morrer no Vietname resultaram do ataque a uma base militar Bien Hoa, a noroeste de Saigão, realizado pelo Vietcong em 8 de Julho de 1961. Nesse ano foram abatidos pelos guerrilheiros Vietcong mais de 1.000 lacaios do imperialismo americano, e anteriormente a 1961 já outros 4.000 tinham caído.


Quatro presidentes norte-americanos sucessivos mantiveram a agressão contra o Vietname, deixando o rasto sangrento de 57.690 mercenários americanos abatidos, enquanto do lado vietnamita caíram 600.000 combatentes. Mas em 1973 os EUA forma finalmente obrigados a abandonar o país. O país foi reunificado dois anos mais tarde, depois de um tanque do exército revolucionário romper a vala de protecção da embaixada norte-americana enquanto os últimos imperialistas a abandonavam precipitadamente, fugindo de helicóptero do telhado do edifício.


Giap foi a partir de então ministro da defesa do Vietname e membro de pleno direito do Politburo do Partido Comunista do Vietname, cargo que manteve até 1982.


Depois de abandonara estes cargos dirigiu a Comissão de Ciência e Tecnologia e, em Julho de 1992, foi-lhe concedida a mais alta condecoração do novo Vietname socialista, a ordem da estrela de ouro.


O general Giap não foi apenas um mestre na arte de dirigir a guerra revolucionária, escreveu também sobre ela, publicando em 1961 a sua famosa obra “Guerra popular, exército popular”, manual da guerra de guerrilha baseado na sua própria experiência. Nela estabelece os três fundamentos básicos de que necessita um exército popular para alcançar a vitória na luta contra o imperialismo: direcção, organização e estratégia. A direcção do Partido Comunista, uma férrea disciplina militar e uma linha política adequada às condições económicas, sociais e políticas do país.


Definiu a guerra popular como “uma guerra de combate para o povo e pelo povo, enquanto a guerra de guerrilha é apenas um método de combate. A guerra popular corresponde a uma concepção mais geral. É uma concepção de síntese. É uma guerra simultaneamente militar, económica e política”. A guerra popular não é realizada apenas pelo exército, por mais popular que este seja, mas sim por todo o povo, que deve participar e ajudar na luta, que necessariamente será prolongada.


Como bom guerrilheiro, Giap sabia que o sucesso, quando existe uma desproporção de forças muito grande, se baseia na iniciativa, na audácia e na surpresa, o que exige que o exército revolucionário esteja continuamente em movimento. Destacou-se com um génio da logística, capaz de movimentar continuamente importantes contingentes militares, segundo os princípios da guerra de deslocações. Fê-lo contra os colonialistas franceses em 1951, infiltrando um exército inteiro através das linhas inimigas no delta do rio Mekong, e repetiu-o antecipando a ofensiva de Tet em 1968 contra os estado-unidenses, quando posicionou milhares de homens e toneladas de aprovisionamentos para um ataque simultâneo contra 35 centros estratégicos do sul.


A batalha de la Drang (19 de Outubro – 27 de Novembro de 1965) foi uma das mais importantes para ambas as forças no decurso da guerra de libertação do Vietname. No seu decurso o general imperialista Westmoreland estava convicto de que a mobilidade aérea e a potência de fogo em grande escala seriam a resposta adequada à estratégia de Giap. Mas este colocou os seus efectivos tão próximo das linhas norte-americanas que os B-52 largavam as bombas em cima das suas próprias fileiras.


As tácticas de guerrilha de Giap constituem ainda hoje uma das mais importantes fontes de informação do exército norte-americano para esmagar as forças revolucionárias. Os imperialistas dispõem de toda a informação, mas falta-lhes o mais importante: as massas que provocam com as suas macabras acções de saque e destruição. Estão conscientes de que se as massas se integram na guerra revolucionária estão perdidos. Por isso procuram evitá-lo e se esforçam por isolar do povo os destacamentos guerrilheiros, tanto através da repressão como da falsidade. Mas também sabem que não poderão manter indefinidamente nem uma coisa nem a outra…

 
*Publicado em Nicaragua_Socialista@yahoogroups.com, 25 de Agosto de 2011

FONTE: ODiario.info