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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

"Juro que resistiremos. No solo los cubanos, sino nosotros los pueblos de América."

61 años de Revolución

Saludo a Cuba, por Pablo Neruda

Al saludar al pueblo cubano y a su triunfante Revolución no quiero agregar más palabras de protocolo flamígero, sino revelar un acto de conciencia. La República de Cuba ha sido restaurada y el deber de todos los hombres de América es defenderla.

El lenguaje de Cuba es el de la verdad, es el lenguaje de Martí, de Bolívar. Cuba es en estos momentos la esperanza de todo un siglo de falsa independencia y esperamos conquiste e implante su propia justicia.

Juro que resistiremos. No solo los cubanos, sino nosotros los pueblos de América.

Juro como poeta y como chileno, que acudiré y acudiremos al llamado de Cuba para defender su victoria y su verdad con toda la pasión y el amor de nuestros pueblos.

Cuba es asiento de vida o muerte para todos nosotros. Combatiremos por Cuba y por nuestra propia existencia. Si la Revolución Cubana se extinguiera seríamos borrados de la pizarra del mundo.

FUENTE: Cubadebate

sábado, 21 de outubro de 2017

Pablo Neruda não morreu de câncer, concluem peritos 44 anos depois

Possível vítima de Pinochet


EFE, De Santiago
20/10/2017 


O poeta Pablo Neruda em foto de 21 de outubro de 1971, quando era embaixador                                                              Imagem: AP Photo/Laurent Rebours


O poeta chileno Pablo Neruda, falecido em 23 setembro de 1973, não morreu de câncer de próstata, apesar de ter sofrido dessa doença, determinou nesta sexta-feira (20) uma equipe internacional de especialistas e peritos reunidos em Santiago.

"A caquexia está descartada. Isso está claro", disse o juiz especial Mario Carroza, que investiga as causas do falecimento do prêmio Nobel de Literatura, após se reunir com o grupo de peritos que, no entanto, ainda desconhecem a causa específica da morte.

A equipe de especialistas informou nesta sexta-feira em entrevista coletiva que o poeta, opositor ao golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet de 11 de setembro de 1973, não morreu por causa de uma caquexia cancerosa provocada pelo câncer que sofria, como aparece em seu atestado de óbito.

O juiz Carroza apontou que as conclusões da equipe apontam para um assunto que fundamentalmente "tem relação com uma outra toxina, que por sua vez requer outros estudos que nos permitirão ter uma conclusão definitiva". 

O médico forense espanhol Aurelio Luna disse aos jornalistas que o que é "categoricamente certo" é que o atestado de óbito "não reflete a realidade do falecimento".

De acordo com Luna, se tudo correr bem, dentro de um ano será possível obter uma resposta concreta e clara aos estudos de genômica bacteriana.

Desde a última terça-feira, 16 especialistas de Espanha, Estados Unidos, Dinamarca, Canadá, França e Chile compartilharam seus estudos e análises na capital chilena.

Neruda morreu em uma clínica de Santiago em 23 de setembro de 1973, poucos dias após o golpe de Estado que derrubou o governo de Salvador Allende.

Em 2011, uma investigação judicial foi aberta para esclarecer se o poeta morreu por causa do câncer de próstata ou foi envenenado por agentes da ditadura de Pinochet.

Em abril de 2013, os restos mortais de Neruda foram exumados e, em novembro desse ano, um grupo de especialistas chilenos e de outros países descartou uma morte por envenenamento. 

Apesar disso, o juiz Carroza manteve aberta a investigação por considerar que os resultados não eram conclusivos e ordenou um novo exame, que foi realizado no ano passado e cujos resultados foram analisados pelo painel de especialistas.

Eduardo Contreras, advogado do Partido Comunista (PC), do qual Neruda era militante, afirmou que está comprovado que na clínica Santa María, onde faleceu o poeta, foram cometidos "crimes" após o golpe de Estado de Pinochet.

Foi nessa mesma clínica que o ex-presidente Eduardo Frei Montalva (1964-1970) faleceu supostamente envenenado em 1982, após ser submetido a uma cirurgia de hérnia simples.

"Na mesma clínica, no mesmo quarto, com os mesmos médicos e algumas enfermeiras, morreu Pablo Neruda", disse Contreras.

O advogado ressaltou que o poeta, membro do comitê central do PC, morreu quando se preparava para viajar ao México para realizar "trabalhos muito importantes na política", que consistia em liderar e organizar a oposição a Pinochet.

FONTE: UOL

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Autobiografia de Pablo Neruda é relançada no Chile com textos inéditos

Nova edição de "Confieso que he vivido" ("Confesso que vivi") celebra 113 anos do autor e traz, entre outros achados, anotações sobre relação de Neruda com um de seus melhores amigos, o escritor espanhol Federico García Lorca

A Fundação Pablo Neruda lançou no Chile uma nova edição da autobiografia "Confieso que he vivido" ("Confesso que vivi") nesta quarta-feira (12/07) com 18 textos e notas inéditas do mais famoso escritor do país.

O lançamento ocorreu na data da celebração dos 113 anos do dia do seu nascimento.

Neruda começou a escrever a autobiografia em agosto de 1972 e que queria publicá-la em 1974 para celebrar os seus 70 anos. No entanto, a morte prematura do escritor, 12 dias após o golpe de Estado de setembro de 1973, impediu que a obra fosse finalizada.

Sua esposa, Matilde Urrutia, levou os textos para a Venezuela e, com a ajuda do escritor Miguel Otero Silva, terminou a obra em 1974 - que foi levada "clandestinamente" para o Chile.

Os materiais inéditos do Nobel de Literatura de 1971 foram encontrados nos arquivos da Fundação Pablo Neruda e foram compilados pelo diretor da instituição, Darío Osses.

Entre os achados, estão um caderno fechado em junho de 1973 com anotações manuscritas sobre os temas que deveria incluir no livro e o relato de seu regresso à Temuco, cidade onde passou a infância. Também foram encontradas anotações sobre a relação que tinha com um de seus melhores amigos, o escritor espanhol Federico García Lorca.

De acordo com Osses, uma das anotações que lhe chamou a atenção, foi um papel em que estava escrito "este artigo foi escrito para ser incluído nas Memórias".

"No entanto, Pablo teve dúvidas por ter que falar, inevitavelmente, sobre o tema da homossexualidade do autor do 'Romancero Gitano'. Ele se perguntava 'está o público suficientemente desprovido de preconceitos para admitir a homossexualidade de Federico sem manchar seu prestígio'", disse Osses sobre a anotação.

Para a Editorial Planeta, que reeditou a obra no Chile, o livro de mais de 500 páginas contribui para aprofundar e apresentar em grande quantidade as "confissões" da vida de Neruda, desde a narração sequencial de alguns feitos como a crônica de viagens e as reflexões do escritor.

"Neruda foi um autor privilegiado de toda a história do século 20 e um poeta de muitas vidas, que se passam pela amplitude do mundo, que transitam no meio da multidão e na intimidade", disse a editora.

FONTE: Opera Mundi


quarta-feira, 29 de julho de 2015

21 poemas inéditos de Pablo Neruda, um dos maiores poetas de todos os tempos

“Teus Pés Toco na Sombra e Outro Poemas Inéditos” está sendo lançado no Brasil em edição bilíngue (português e espanhol) pela José Olympio e conta com fac-símiles de manuscritos de Neruda. O prólogo da edição é assinado por Pere Gimferrer, escritor e crítico literário espanhol.

Um dos maiores acontecimentos da Literatura nos últimos 30 anos, Teus pés toco na sombra reúne 21 poemas inéditos, encontrados recentemente nos arquivos de Pablo Neruda. Datilografados ou escritos à mão em cardápios ou prospectos de companhias aéreas, os poemas neste livro são um precioso acréscimo à obra completa do autor, pois foram escritos por um período de três décadas, tocam todos os temas centrais de sua poesia e vão do poema curto até outros de grande fôlego e extensão.

O poeta e diplomata chileno Pablo Neruda é, sem dúvida, uma das mais altas vozes da poesia de todos os tempos. Prêmio Nobel de Literatura, já foi traduzido para dezenas de idiomas no mundo inteiro e é presença garantida em qualquer lista das maiores personalidades literárias do século XX.




Título: “Teus Pés Toco na Sombra e Outro Poemas Inéditos”
Autor: Pablo Neruda
Tradução: Alexei Bueno
Editora: José Olympio
Páginas: 144

 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Destruir o edificio, destrói a memória? Neruda e Luiz Carlos Prestes

POR ELENARA LEITÃO


Pablo Neruda no comício "São Paulo a Luiz Carlos Prestes", realizado em 15/7/1945, no Estádio do Pacaembu, na capital paulista. 



Uma das funções da Arquitetura é ser símbolo e memória. Seja em forma individual, uma casa ou mais coletiva, um memorial. Falo isso por duas coisas que li essa semana. Uma o livro de Matilde Urrutia, Minha Vida com Pablo Neruda onde ela relata como suas casas foram destruídas durante o golpe militar de 1973 no Chile. Outra a notícia dessa semana em que um protesto falava em demolir o memorial de Luiz Carlos Prestes em Porto Alegre. O crime dos dois? Serem comunistas na visão dos oponentes. Nem vou entrar no mérito de quem tem razão, ou de que o comunismo, quando regime vigente em muitos países também cometeu o mesmo tipo de barbárie. Vou falar exatamente do ato simbólico de destruir o que não aceitamos. Destruir um edifício, uma estátua, um tempo, mudar o nome de uma rua ou monumento apaga o que houve? Não. Destruir nunca apaga a memória de ideias e atos que marcam a história.  


Nem as poesias de Neruda morreram com as suas casas (que depois foram restauradas) nem a proeza da marcha de 25 mil quilômetros da Coluna Prestes e toda a sua história posterior se apagaria com uma eventual demolição do Memorial Luiz Carlos Prestes.






O único projeto de Oscar Niemeyer (laureado com o Pritzker, o Nobel da Arquitetura) feito em Porto Alegre, o memorial tem 700 m2 de área edificada e está localizado na Av. Edvaldo Pereira Paiva, perto do Rio (ou Lago) Guaíba. Com uma foice e martelo no teto, alusão ao símbolo comunista, o prédio usa a cor vermelha como elemento marcante. Ele terá uma área de exposição com o acervo de fotos e documentos da vida de Prestes, biblioteca e miniauditório. 



“Como arquiteto, vejo, satisfeito, que meu projeto vai contribuir para manter viva a memória de Luiz Carlos Prestes, um brasileiro que lutou em favor de seu povo, contra a miséria e a desigualdade social que, infelizmente, ainda persistem em nosso país. (…)" Oscar Niemeyer



Polêmicas a parte sobre o projeto, aliás como o são todos os projetos e detalhamento (ou falta dele) de Niemeyer, vou me deter mais na figura histórica de Prestes. Principalmente porque 2014 marca os 90 anos do início da famosa marcha, que começa em outubro de 1941, na cidade de Santo Ângelo (RS) e que durou dois anos e meio e percorreu 25 mil quilômetros. Abaixo o memorial de Prestes naquela cidade, que tive a oportunidade de conhecer há pouco tempo.




90 anos da Coluna Prestes e 90 anos da morte de meu avô, jornalista Fábio Leitão, morto no combate do Barro Vermelho, no levante do 3 Batalhão de Engenharia de Cachoeira do Sul. Vô Fábio era um jovem idealista de 36 anos, maragato combativo e atuante. Sempre penso que, se não tivesse perecido naquele 10 de novembro de 1924, será que teria acompanhado Luiz Carlos Prestes em sua coluna e marcha pelo país? Nunca saberei. Deixou viúva minha avó Estelita, com 26 anos, e quatro filhos pequenos. Meu pai com três anos não se lembrava do pai, mas sempre cultuou a sua memória.


Não, a Coluna não foi uma unanimidade e nem foi um ato pacífico. Mas quem conhece um pouco da história recente do nosso estado e país vai saber que os tempos eram bastante mais bélicos. 




Para se ter um real posicionamento da História é preciso conhecê-la. Não basta bater o pé e tentar riscar do mapa o que não nos serve ou renegamos como verdade. Sob pena de legitimarmos a derrubada dos Budas de Bamyan 



Independente de se gostar ou não do que acreditavam em algum momento de suas vidas Neruda e Prestes eles marcaram a História com vozes e atos. Neruda com a sua poesia conquistou um Nobel de Literatura. Prestes realizou uma marcha inédita no mundo. Os dois são seres históricos do maior quilate. Muito maiores do que qualquer fanatismo vindo talvez da ignorância de suas histórias e importância.

Pense nisso: Destruir edifícios e/ou livros não destrói a memória. Ideias se debatem com ideias.  




sábado, 12 de julho de 2014

110 anos de Pablo Neruda

Obra de Neruda permanece viva. Chile presta homenagem ao poeta

Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes e Jorge Amado (julho de 1945)


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Um homem só pode morrer uma única vez. Mas um poeta, ainda que morra mil vezes, permanecerá vivo enquanto for celebrada a sua poesia. Há 110 anos [12/7/1904], nascia no interior do Chile, em Parral, Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, o menino que viria a ser conhecido como Pablo Neruda. Publicou os primeiros poemas aos 14 anos e nunca mais parou. Trabalhou como professor de francês, editor de revistas, cônsul do Chile e foi uma das vozes da poesia da América do Sul. 


“Pablo Neruda deve ser lembrado por si só, no sentido da essência pela pessoa e pelo poeta que foi”, afirma Fernando Sáez, diretor da Fundação Pablo Neruda em Santiago, no Chile. Por lá, as comemorações hoje contam com um apelo tecnológico. Uma imagem holográfica do poeta percorrerá as ruas da mesma forma como ele fazia em vida. A celebração incluirá a doação da Biblioteca Multilíngue Pablo Neruda à escola Villa Las Estrellas, na Ilha do Rei George, na Antártida, onde convivem bases de diversos países. O poeta, que chegou a receber o Nobel de Literatura em outubro de 1971, morreu em 23 de setembro de 1973, duas semanas depois do golpe militar que levou Augusto Pinochet ao poder naquele país, duro trauma para um socialista assumido e defensor da liberdade incondicional, na vida e na poesia. 



Os fãs do poeta têm mais um motivo especial para comemorar a data. Foi anunciada no mês passado a descoberta de 20 poemas inéditos de Neruda. “Trata-se de um trabalho minucioso de pesquisa, página por página, de manuscritos dele”, conta o diretor da Fundação Pablo Neruda, Fernando Sáez. Não se tratam de poemas que estavam guardados nem foram os últimos do poeta. “São textos escritos entre os anos de 1955 a 1970 e que, por algum motivo, não entraram nos livros que ele publicou nesse período”, explica. São seis sobre amor e mais 14 de outros temas. O material tem publicação prevista para este ano pela editora Planeta.

Salvador Allende e Pablo Neruda 




Entrevista >> Fernando Sáez, diretor da Fundação Pablo Neruda 



“Ele abriu uma porta no exterior”



Qual a importância de se recordar Pablo Neruda? 
Deve ser lembrado por si mesmo! Pela essência dele, foi um dos poucos poetas que permanecem vivos, na popularidade e na leitura. Os principais temas da poesia dele — a natureza, o amor, os animais, o mar e as coisas simples — são assuntos que podem facilmente interessar a qualquer um.



Qual é a importância de Neruda para a poesia da América do Sul?
Acredito que seja na América do Sul que ele tem mais seguidores — um pouco óbvio. Mas, de qualquer maneira, ele abriu uma porta no exterior para toda a poesia hispânica. Por isso tanta gente seguiu essa tradição. 



E com o poeta Vinicius de Moraes? 
Eles não se encontravam com muita frequência, mas eram grandes amigos. Vinicius sempre foi um celebrador da vida, assim como Neruda. Eles tinham uma afinidade poética, uma sensibilidade em comum. Quando lemos os poemas que trocaram, as cartas, fotografias, percebemos que é um material que revela uma amizade muito sincera e profunda, uma admiração mútua.



Para conhecer Neruda



História natural de Pablo Neruda — A elegia que vem de longe de Vinicius de Moraes
Companhia das Letras
Preço: R$ 37



Mostra concreta da amizade  de longa data entre Pablo Neruda  e Vinicius de Moraes.



Memorial de Isla Negra de Pablo Neruda
Coleção L&PM Pocket
Preço: R$ 19,90



Reunião de memórias que homenageiam Isla Negra, uma cidade de pescadores em que Neruda viveu de 1939 a 1973.



Os versos do capitão de Pablo Neruda
Bertrand Brasil
Preço: R$ 40.



Os versos publicados há mais  de 25 anos estão disponíveis  em versões em espanhol e  em português.



Confesso que vivi de Pablo Neruda
Bertrand Brasil
Preço médio: R$ 58



A autobiografia apresenta um Pablo Neruda orgulhoso de sua pátria e amigo de seu povo. Também exibe diários, memórias e cartas do poeta chileno.



domingo, 18 de maio de 2014

Gabriel García Márquez entrevista a Pablo Neruda

Este video corresponde a una entrevista que Gabriel García Márquez le hizo a Pablo Neruda en 1971, cuando el poeta chileno recién había sido galardonado con el Premio Nobel de Literatura.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Soneto a Pablo Neruda, por Vinícius de Moraes

O homem que Vinícius amou
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena

Vinícius e Neruda

Louco pelas mulheres, Vinicius de Moraes também amou um homem e a ele dedicou sonetos e canções: o chileno Pablo Neruda. Os dois poetas se conheceram em julho de 1945, quando Neruda veio ao Brasil e fez contato com vários de nossos escritores. Segundo os especialistas na obra de Neruda, foi uma viagem importante na carreira do autor de Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, por ter sido o começo de seu reconhecimento fora do Chile, como escritor e intelectual comprometido.
Pablo Neruda declamou um poema para o Pacaembu lotado na homenagem ao líder comunista Luiz Carlos Prestes, experiência que descreveria assim em suas memórias, Confesso que Vivi: “aqueles aplausos tiveram profunda ressonância em minha poesia. Um poeta que lê seus versos diante de 130 mil pessoas não continua sendo o mesmo nem pode escrever mais da mesma forma.”

Em 1960, ele e Vinicius viajariam de navio de Montevidéu até a França, consolidando a amizade. Escreveu Vinicius no livro História Natural de Pablo Neruda:
Minha vida, tua morte, nosso amor, nossa poesia.
Por acaso em 60 nos encontramos
Em Montevidéu e viajamos juntos de navio
Ocorreram poesias
Trocamo-nos sonetos de muito amor, amigo
Tu e eu escrevíamos nas tardes quietas
No convés vazio…

O livro foi uma homenagem do brasileiro ao chileno após sua morte, em 1973, apenas doze dias após o golpe que derrubou Salvador Allende. Saiu em edição artesanal pela Macunaíma, de Salvador, com apenas 300 exemplares, ilustrado com as xilogravuras de Calasans Neto. Em 2006, a Companhia das Letras relançou a obra, ainda disponível no catálogo da editora, com prefácio de Ferreira Gullar.


No volume que dedicou à viúva de Neruda, Matilde, Vinicius escreveu: “Com muito amor e dor”. O livro também se transformaria num espetáculo com Toquinho e Quarteto em Cy, no Tuca, em São Paulo, no mesmo ano. Era uma época em que poetas não tinham pudores de se dedicar poemas mutuamente. Vinicius se derramava em amores por Pablo:
Soneto a Pablo Neruda
Quantos caminhos não fizemos juntos
Neruda, meu irmão, meu companheiro…
Mas este encontro súbito, entre muitos
Não foi ele o mais belo e verdadeiro?

Canto maior, canto menor — dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o Cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro

E o seu amor — o amor que hoje encontramos…
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, Cantor Geral

Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!



E a paixão do brasileiro era correspondida:
A Vinicius de Moraes
No dejaste deberes sin cumplir;
Tu tarea de amor fue la primera;
Jugaste con el mar como un delfín
Y perteneces a la primavera.

Cuanto pasado para no morir!
Y cada vez la vida que te espera!
Por tí Gabriela supo sonreír
(Me lo dijo mi muerta compañera).

No olvidaré que en esa travesía,
Llevavas de la mano a la alegría
Como tu hermano del país lejano.

Del pasado aprendiste a ser futuro
Y soy más joven porque, en un dia puro,
Yo vi nacer a Orpheu de tu mano.



Como diria outro poeta: e quem há de negar que a amizade é superior ao amor?
Ouça Vinicius declamando em homenagem a seu grande amigo Pablo Neruda no show História Natural de Pablo Neruda (1974).


Breve consideração à margem do ano assassino de 1973
Que ano mais sem critério
Esse de setenta e três…
Levou para o cemitério
Três Pablos de uma só vez.
Três Pablões, não três pablinhos
No tempo como no espaço
Pablos de muitos caminhos:
Neruda, Casals, Picasso.

Três Pablos que se empenharam
Contra o fascismo espanhol
Três Pablos que muito amaram
Três Pablos cheios de Sol.
Um trio de imensos Pablos
Em gênio e demonstração
Feita de engenho, trabalho
Pincel, arco e escrita à mão.

Três publicíssimos Pablos
Picasso, Casals, Neruda
Três Pablos de muita agenda
Três Pablos de muita ajuda.
Três líderes cuja morte
O mundo inteiro sentiu.

Ôh ano triste e sem sorte:
– Vá pra puta que o pariu!
Nestes 100 anos do poeta brasileiro, não deixe de assistir também ao documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr. (2005). Saravá!

sábado, 5 de outubro de 2013

O Poeta e o Capitão: 115 anos de nascimento de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) e 40 anos da morte de Pablo Neruda (1904-1973)

Pablo Neruda lendo seu poema no Comício do Pacaembu, em julho de 1945.
Prestes é o terceiro da direita para a esquerda.


Curta Documentário sobre Neruda e Prestes


Poema escrito por Pablo Neruda e lido por ele no Comício do Pacaembu (julho de 1945)





Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes e Jorge Amado

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

À memória do poeta chileno: 40 anos sem Pablo Neruda

"Cuando yo muera, quiero que lo que amo siga vivo"
Pablo Neruda.
(12/7/1904 - 23/9/1973)

Veja o especial da Telesur: "Pablo Neruda: 40 años sin el poeta luchador":
 http://exwebserv.telesurtv.net/secciones/afondo/especiales/PabloNeruda/


A palavra 
Por Pablo Neruda

... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.
*Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.)

Do livro "Confesso que Vivi — Memórias", Difel — Difusão Editorial — Rio de Janeiro, 1978, pág. 51, traduzido por Olga Savary, extraímos o texto acima.

Pablo Neruda
, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman. Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética. Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: "La canción de la fiesta", "Crepusculario", "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", "Tentativa del hombre infinito", "Residencia en la tierra" e "Oda a Stalingrado". Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: "Canto General", "Odas elementales", "La uvas y el viento", "Nuevas odas elementales", "Libro tercero de las odas", "Geografía Infructuosa" e "Memorias (Confieso que he vivido — Memorias)". Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.


sábado, 14 de setembro de 2013

A segunda morte e a eterna vida de Neruda


O cidadão Ricardo Eliecer Nefataí Reyes Basoalto (seu nome de batismo) morreu em circunstâncias suspeitas em 1973. Pablo Neruda, este, é eterno. Homenageá-lo, neste quadragésimo ano de sua morte, é também homenagear a eterna sombra dos que com ele caíram – sem se vergar – perante a ditadura de Pinochet.



  • A morte de Pablo Neruda, dias após o golpe que derrubou o governo da Unidade Popular no Chile, e levou o Presidente Salvador Allende ao suicídio, depois de heróica resistência, está sob suspeição.



Neruda estava doente, com câncer. Alguns dias depois do golpe, foi levado para um hospital de Santiago, onde faleceu. Há dúvidas que apontam para a possibilidade de que tenha sido envenenado. Seus restos mortais foram exumados na sua casa em Isla Negra, e foram colhidas amostras para exame. Se confirmado o assassinato, será sua segunda morte, e mais um testemunho de sua eterna vida.



Neruda hoje é uma unanimidade no Chile. Mas nem sempre foi assim. 


Em primeiro lugar, ele era odiado pela direita. A tal ponto que, ameaçado de prisão quando era senador comunista, promoveu uma fuga discreta mas espetacular, em 1949, atravessando a cavalo a Cordilheira dos Andes na altura de Valdívia para a Argentina. Deste país viajou com documentos falsos para a França e só depois de algum tempo conseguiu regularizar sua situação na Europa.


A morte de Neruda foi simbólica. Ele morreu com o país que ajudou a criar, o Chile de uma mais suposta que verdadeira tradição democrática, mas que, enfim, tinha esta tradição como objetivo e apanágio. Foi um dos mais entusiastas aderentes à luta da Unidade Popular. Abriu mão de sua candidatura à presidência para que ele e o Partido Comunista Chileno pudessem apoiar a de Salvador Allende.

Salvador Allende e Pablo Neruda



O Chile hoje é outro, um país de memória torturada e por vezes tortuosa, cujos cidadãos ainda se dividem quanto à herança de uma das ditaduras mais nefastas da América Latina, entre as múltiplas nefastas que esta amargou.



Mas sobre e para além delas paira a palavra única, ímpar, de Pablo Neruda.


A primeira edição de seu livro "Veinte poemas de amor y uma canción desesperada", em 1924, é saudada até hoje por muitos críticos como um dos marcos do “salto” da poesia hispano-americana para a modernidade do século XX. Ao longo de sua trajetória, Neruda cantou o amor, a história épica das lutas de libertação e sofrimento do nosso continente, e as simplicidades do cotidiano, revestidas de uma solene contemplação da natureza, como em seu inesquecível poema “Oda a la cebolla”:


“Bajo la tierra
fue el milagro
y cuando apareció
tu torpe tallo verde,
y nacieron
tus hojas como espadas en el huerto,
la tierra acumuló su poderío
mostrando tu desnuda transparencia,
y como en Afrodita el mar remoto
duplicó la magnolia
levantando sus senos,
la tierra
así te hizo,
cebolla,
clara como un planeta,
y destinada
a relucir,
constelación constante,
redonda rosa de agua,
sobre
la mesa
de las pobres gentes”.



Mas o livro que o consagrou como um poeta do continente foi mesmo seu Canto General, publicado no México em 1950 com ilustrações de David Alfaro Siqueiros e Diego Rivera, cujos orginais semi-prontos ele levara consigo em sua fuga através da Cordilheira, em 1949. Ali se lê, por exemplo, em “Alturas de Macchu Picchu”:


“Ésta fue la morada, éste es el sitio: 
aquí los anchos granos del maíz ascendieron 
y bajaron de nuevo como granizo rojo. 



Aquí la hebra dorada salió de la vicuña 
a vestir los amores, los túmulos, las madres, 
el rey, las oraciones, los guerreros. 



Aquí los pies del hombre descansaron de noche 
junto a los pies del águila, en las altas guaridas 
carniceras, y en la aurora 
pisaron con los pies del trueno la niebla enrarecida, 
y tocaron las tierras y las piedras 
hasta reconocerlas en la noche o la muerte. 



Miro las vestiduras y las manos, 
el vestigio del agua en la oquedad sonora, 
la pared suavizada por el tacto de un rostro 
que miró con mis ojos las lámparas terrestres, 
que aceitó con mis manos las desaparecidas 
maderas: porque todo, ropaje, piel, vasijas, 
palabras, vino, panes, 
se fue, cayó a la tierra. 



Y el aire entró con dedos 
de azahar sobre todos los dormidos: 
mil años de aire, meses, semanas de aire, 
de viento azul, de cordillera férrea, 
que fueron como suaves huracanes de pasos 
lustrando el solitario recinto de la piedra”.



O tom épico dado pelos versos longos lembra o Drummond de “A flor e a náusea”, ou seja, de A rosa do povo. São consanguíneos, o mineiro de Itabira e o chileno de Parral, ambos, ao modo de cada um, cidadãodo mundo.


Em 1971 ganhou o prêmio Nobel de literatura. Mas ele foi maior do que qualquer prêmio.


Diplomata de carreira desde sua nomeação, ainda jovem, para o cargo de cônsul em Rangoon, na Birmânia, Neruda teve o ápice desta sua faceta profissional ao ser nomeado Embaixador do Chile em Paris, em 1971, pelo governo da Unidade Popular, cargo que ocupou até o começo de 1973, tendo renunciado por razões de saúde.


Amigo de Garcia Lorca, acompanhou de perto, em suas funções consulares, a Guerra Civil Espanhola, não escondendo sua simpatia pelos republicanos, embora fosse repreeendido até pelo embaixador, que o desejava mais neutro.

Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes e Jorge Amado. Rio de Janeiro, julho de 1945.



Também amigo de Luiz Carlos Prestes, veio ao Brasil saudá-lo em histórica jornada no Estádio do Pacaembú, em São Paulo, diante de milhares de pessoas. Neruda nunca fugiu de seus compromissos, nem calou sua palavra.



O cidadão Ricardo Eliecer Nefataí Reyes Basoalto (seu nome de batismo) morreu em circunstâncias suspeitas em 1973. Pablo Neruda, este, é eterno.


Homenageá-lo, neste quadragésimo ano de sua morte, é também homenagear a eterna sombra dos que com ele caíram – sem se vergar – perante a ditadura de Pinochet.




Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

FONTE: Carta Maior