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quinta-feira, 5 de outubro de 2023

¡Cuba Vive y Resiste!

Campanha Pela Retirada de Cuba da Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo

Por mais de 60 anos, o governo dos Estados Unidos da América tem adotado uma política hostil contra Cuba, com a clara intenção política de sancionar e isolar o povo cubano.

Em meio à pandemia, o governo Trump tentou prejudicar ainda mais a economia cubana, não apenas reforçando o bloqueio, mas também incluindo Cuba na Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo.

Essa designação impediu que Cuba realizasse transações usando sistemas bancários internacionais e, por fim, adquirisse bens necessários no mercado internacional, como combustível, alimentos, materiais de construção, produtos de higiene e medicamentos.

Queremos alcançar um milhão de assinaturas para exigir da atual administração dos Estados Unidos a exclusão de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo e a eliminação incondicional do bloqueio, que é repudiado por toda a comunidade internacional.

ASSINE E COMPARTILHE - #CubaVive #ForaDaLista

Assine no link: https://pt.letcubalive.info/

Você também pode coletar assinaturas para o abaixo-assinado em papel. Seguem as orientações de como proceder:

ABAIXO-ASSINADO EM PAPEL

1. Faça o download dos abaixo-assinados em papel e colete assinaturas pessoalmente. 

Download do abaixo-assinado no link: 

https://static1.squarespace.com/static/64c032bf036eda58c60a4b88/t/64d55967c89b5301ad9c9825/1691703655594/PT_Petition.pdf

2. Faça o upload de imagens dos abaixo-assinados impressos preenchidos no link: https://pt.letcubalive.info/sign-on


domingo, 27 de agosto de 2023

Após 7 anos de censura a EBC disponibiliza Sonhos Interrompidos, série de Silvio Tendler

Série documental. Direção de Silvio Tendler e exibição na TV Brasil.

A obra revisita lutas pautadas por igualdade e justiça em movimentos libertários de diversas fases da História do Brasil e do Mundo, conectando os desejos de várias gerações pela partilha da terra, educação e saúde para todos. Passando pela Revolução Haitiana, a Comuna de Paris, a Revolução Russa, a luta das resistências francesas, italianas e gregas durante a Segunda Guerra Mundial, o surgimento do conceito de Terceiro Mundo, a Revolução Cubana e as lutas por independência da África.


Assista aos episódios clicando no link abaixo:

https://play.ebc.com.br/programas/498/sonhos-interrompidos




quarta-feira, 2 de agosto de 2023

A história da Coluna Prestes contada no teatro

Em agosto, o grupo de teatro Coletivo de Galochas apresenta o espetáculo Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança no Teatro Flávio Império, de 04 a 13/08, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h, com ingressos gratuitos. Todas as sessões de sextas-feiras contam com intérpretes de Libras e as de domingo com recursos de audiodescrição.

Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança é resultado do projeto de mesmo nome contemplado na 39ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. [CLIQUE AQUI para acessar a página do referido projeto]

Espetáculo: Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança

Ingressos: Gratuitos – Retirar na bilheteria 1h antes das sessões.

Duração: 90 min. Gênero: Drama musicado. Classificação: 14 anos.

Com Libras: sessões de sextas-feiras | Audiodescrição: sessões de domingos

Dias 04, 05, 06, 11, 12, 13 de agosto - Sexta e sábado, 20h. Domingo, 18h.

Local: Teatro Flávio Império

Rua Prof. Alves Pedroso, 600 - Cangaíba. SP/SP. Tel.: (11) 2621-2719. 206 lugares.

SOBRE A PEÇA, LEIA O TEXTO DE MATEUS MURADAS, CLICANDO NO TÍTULO A SEGUIR: "A história da Coluna Prestes contada no teatro


sexta-feira, 28 de abril de 2023

Em maio, na Alemanha, Olga Benario Prestes será celebrada como exemplo para a resistência antifascista no presente

"Olga foi uma vítima do fascismo entre milhares de outras e que seu martírio deve servir de exemplo para que não permitamos que tais horrores se repitam" (trecho do livro "Viver é tomar partido: memórias", de Anita Prestes, Boitempo, 2019, p. 26).




Diante da chocante reaparição de movimentos neonazistas no mundo em pleno século XXI, como a versão brasileira representada pelo bolsonarismo, lembrar da resistência das lutadoras e dos lutadores antifascistas que arriscaram suas vidas ao longo da história faz parte da luta e resistência dos combatentes antifascistas de hoje para fazer a coisa certa, derrotar as forças nazifascistas.

Na segunda semana de maio, a convite da Fundação Rosa Luxemburgo e da Galeria Olga Benario, a historiadora Anita Prestes vai a Berlim, na Alemanha, cumprindo uma série de compromissos, para apresentar seu livro Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung (Olga Benario Prestes. Uma abordagem biográfica), publicado no segundo semestre do ano passado editora alemã Verbrecher Verlag. A edição alemã é uma versão do livro “Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo”, publicado originalmente pela editora brasileira Boitempo em 2017.

De acordo com a página da Fundação Rosa Luxemburgo, a programação é a seguinte:



♦ 8. Mai 2023

DISCUSSÃO/PALESTRA

Anita Leocádia Prestes sobre Olga Benário Prestes. 

Uma abordagem biográfica

Dia 08/05/2023, 19h00 - 21h00, no Literaturforum im Brecht-Haus (Fórum de Literatura na Casa Brecht).

Além de falar sobre o livro, a Fundação Rosa Luxemburgo destaca também que será uma ocasião junto à palestrante para celebrar o dia 8 de maio, dia da vitória das forças aliadas sobre o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (12939-1945) e conversar sobre a importância da história para a resistência antifascista no presente e no futuro.

O evento será transmitido ao vivo.  

A conversa decorrerá em alemão e português e com tradução simultânea.

O evento é organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo e pela editora Verbrecher Verlag, em cooperação com Literaturforum im Brecht-Haus (Fórum de Literatura na Casa Brecht)

FONTERosa Luxemburg Stiftung _ Anita Leocadia Prestes über Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung




♦ 9. Mai 2023

DISCUSSÃO/PALESTRA

Em diálogo com Anita Prestes

Sobre a vida e a resistência. Contra o esquecimento.

Dia 09/05/2023, 14h00 - 16h30, na Biblioteca da Fundação Rosa Luxemburgo

Em uma roda de conversa com Anita, a proposta é dialogar com jovens multiplicadores da educação política de esquerda sobre por que devemos lidar com essas histórias de vida. As histórias tratam de revolução, resistência, inflexibilidade, comunismo e internacionalismo.

Infelizmente, os lugares são limitados. Contato e inscrição até 2 de maio de 2023 com Lucie Matting: matting@rosalux.org. As inscrições serão confirmadas  por e-mail.

FONTEhttps://www.rosalux.de/veranstaltung/es_detail/D86GU/im-dialog-mit-anita-prestes?cHash=0a8fd6bb74119948048e76d8578ba435




♦ 10. Mai 2023

LEITURA/CONVERSA

Leia contra o esquecimento

Relembrando a queima de livros há 90 anos

Dia10/05/2023, 17h00 - 18h30, no Bebelplatz (A praça é conhecida devido aos acontecimentos ocorridos na noite de 10 de maio de 1933, onde foi o cenário de uma grande fogueira na qual foram queimados milhares de livros de alguns autores censurados pelos nazistas, como Karl Marx, Heinrich Heine e Sigmund Freud.)

“Os eventos de 1933 a 1945 deveriam ter sido travados em 1928, o mais tardar. Mais tarde já era tarde. Não se deve esperar até que a luta pela liberdade seja chamada de traição." (Erich Kästner, Sobre a queima de livros, 10 de maio de 1953)

O evento homenageará os escritores cujos livros foram queimados publicamente há 90 anos em 22 cidades universitárias alemãs - começando na atual Bebelplatz em Berlim. Na ocasião ocorrerá leitura de trechos dos referidos livros, tendo os seguintes convidados:

  • Jens-Uwe Bogadtke, ator
  • Knut Elstermann, jornalista
  • Anita Prestes, historiadora, filha de Olga Benario Prestes
  • Christian Grashof, ator
  • Gregor Gysi, membro do Bundestag
  • Tania Concha Hidalgo, política chilena
  • Beate Klarsfeld, caçadora de nazistas
  • Anna Koellner, Laura Talenti, Jakob Guhring, alunos da Ernst Busch Academy of Dramatic Arts
  • Petra Pau, vice-presidente do Bundestag alemão
  • Alejandro Soto Lacoste, músico
  • Ingo Schulze, escritor
  • Robert Stadlober, ator
  • Moderador: Gesine Loetzsch, membro do Bundestag

Foram convidamos artistas e políticos chilenos para o 50º aniversário do golpe no Chile. Entre outras coisas, será lido o Canto Geral de Pablo Neruda – um dos livros queimados em massa pela junta militar chilena.

O evento é promovido por um grupo de esquerda no Bundestag (parlamento alemão) em cooperação com a Fundação Rosa Luxemburgo.

FONTE: https://www.rosalux.de/veranstaltung/es_detail/QJOII/lesen-gegen-das-vergessen?cHash=ba40c5d6152e4b229dda7dbb22a8bbe3




♦ 11. Mai 2023

Por ocasião da estreia da peça de teatro musical ICH HEB‘ DIR DIE WELT AUS DEN ANGELN [EU VOU LEVANTAR O MUNDO PARA VOCÊ] na Neuköllner Oper e da publicação da tradução alemã de uma biografia escrita por Anita Prestes sobre sua mãe Olga Benario, a Galeria Olga Benario apresenta, desde o dia 03/11/2022, a versão atualizada da sua exposição biográfica sobre Olga, agora intitulada OLGA BENARIO – Annäherungen an eine Revolutionärin [OLGA BENARIO – Abordagens de uma revolucionária]. E no dia 11 de maio de 2023, Anita Prestes será a convidada da Galeria Olga Benario!

FONTEhttps://galerie-olga-benario.de/










terça-feira, 18 de abril de 2023

"Cinedebate Direito em Tela": Exibição do filme "Olga'" marcará retorno do projeto

Parceria da OABRJ com o Centro Cultural da Justiça Federal reforça importância da cultura


Por Comunicação OABRJ | Caarj


Como parte do projeto 'Cinedebate - Direito em tela', a OABRJ e o Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) exibirão o filme 'Olga' no próximo dia 25, às 17h, no Plenário Evandro Lins e Silva, na sede da Seccional. Lançado em 2004, o longa trata da história da militante alemã Olga Benário que, após ser perseguida pela polícia, foge para Moscou, onde recebe treinamento militar. É, por isso, incumbida da missão de realizar a segurança de Luís Carlos Prestes no seu retorno ao Brasil, durante o governo de Getúlio Vargas. O filme brasileiro é estrelado por nomes celebrados do cinema nacional, como Camila Morgado e Fernanda Montenegro.


Além da exibição, o evento contará com um debate entre a doutora em História pela UFF e filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, Anita Leocadia Prestes, e o jornalista e escritor da trilogia Getúlio, Lira Neto. A discussão terá a mediação da pós-doutoranda em Direito na Uerj Clarissa Pires de Almeida Naback.


O encontro oferecerá quatro horas complementares de estágio para os estudantes que participarem. O Plenário Evandro Lins e Silva fica na Avenida Marechal Câmara, 150, 4º andar.


FONTEOABRJ





Livro escrito pela historiadora Anita Prestes reúne material inédito encontrada no arquivo da Gestapo, a polícia secreta nazista, de mais de dois mil documentos sobre sua mãe, a comunista revolucionária Olga Benario Prestes.

Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo

autor: Anita Leocadia Prestes

orelha: Fernando Morais

selo: Boitempo

páginas:144

publicação: 2017



sábado, 29 de outubro de 2022

Na Alemanha, lançamento de livro, inauguração de exposição e estreia de peça teatral sobre Olga Benario Prestes

Diante da chocante reaparição de movimentos neonazistas no mundo em pleno século XXI, como a versão brasileira representada pelo bolsonarismo, lembrar da resistência das lutadoras e dos lutadores antifascistas que arriscaram suas vidas ao longo da história faz parte da luta e resistência dos combatentes antifascistas de hoje para fazer a coisa certa, derrotar as forças nazifascistas.

Uma fotografia de Olga Benario Prestes na exposição "Mulheres de Ravensbruck - Retratos de Coragem", com curadoria de Rochelle Saidel para o Museu do Holocausto da Flórida. Obras de arte à direita por Julia Terwilliger

No ano em que se completa 80 anos do assassinato de Olga Benario Prestes (1908-1942) pelos nazistas no campo de concentração de Bernburg, em abril de 1942, três eventos resgatam a memória e a trajetória dessa comunista revolucionária e lutadora antifascista. Uma mulher que, na grande trincheira da luta de classes, se colocou ao lado das classes trabalhadoras, tendo a convicção do seu dever de contribuir para que os explorados e oprimidos um dia viessem a conquistar a hegemonia numa sociedade dividida pelos conflitos de classes e fossem postas, na oderm do dia,  as condições para que transformações profundas levassem à conquista de uma sociedade mais justa e mais igualitária e, portanto, comunista.

A GALERIA OLGA BENARIO - fórum contra o neofascismo, sexismo, racismo e imperialismo -, localizada em Berlim, na Alemanha, motivada pelo lançamento do livro e estreia da peça de teatro musical documental sobre Olga, resolveu apresentar novamente a exposição sobre esta lutadora antifascista desenvolvida desde 2011 - e em versão revisada. A inauguração da exposição OLGA BENARIO – Annäherungen an eine Revolutionärin [OLGA BENARIO – Abordagens de uma revolucionária] será no próximo dia 3 de novembro de 2022, com apresentação do livro "Olga Benario Prestes: Eine biografiische Annäherung", da historiadora Anita Leocadia Prestes, publicação da editora Verbrecher Verlag, versão da edição brasileira do livro "Olga Benario Prestes: Uma comunista nos arquivos da Gestapo" (Boitempo, 2017).


No dia 14 de dezembro de 2022, às 20h, na ÓPERA DE NEUKOELLNER, em Berlim, estreia a peça ICH HEB‘ DIR DIE WELT AUS DEN ANGELN [EU VOU LEVANTAR O MUNDO PARA VOCÊ], um teatro documentário sobre Olga Benario de Dariya Maminova (composição) e Kathrin Herm, Änne-Marthe Kühn e Marina Frenk (texto). Temporada de 14 de dezembro de 2022 a 28 de janeiro de 2023. Mais informações: https://www.neukoellneroper.de/performance/ich-heb-dir-die-welt-aus-den-angeln/



Olga Benario Prestes foi um exemplo de combatente antifascista. Apesar dos horrores vividos por ela e milhares de outras mulheres de diversos países que passaram pelo campo de concentração de Ravensbrück, "Olga manteve-se firme corajosa e solidária com suas companheiras, segundo os testemunhos existentes. Por mais de uma vez foi conduzida à sede da Gestapo em Berlim para novos interrogatórios, durante os quais jamais se prestou a delatar quem quer que fosse [Olga declarava em seus interrogatórios à Gestapo: "Se outros se tornaram traidores, eu não o serei".]. Em diversas ocasiões, devido às suas atitudes de rebeldia e defesa de companheiras mais fracas, foi severamente punida, mantida na escuridão de um calabouço no próprio campo de Ravensbrück, com privação da escassa ração destinada às prisioneiras, ou submetida a espancamentos e castigos corporais" (trecho do livro "Viver é tomar partido: memórias", de Anita Prestes, Boitempo, 2019, p. 25).

"Olga foi uma vítima do fascismo entre milhares de outras e que seu martírio deve servir de exemplo para que não permitamos que tais horrores se repitam" (trecho do livro "Viver é tomar partido: memórias", de Anita Prestes, Boitempo, 2019, p. 26).



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Arguição de Anita Prestes na defesa de tese "Trabalho e Proteção Social na Rússia Soviética"




Este vídeo é um recorte da banca de defesa de doutorado de Giovanny Simon Machado, intitulada "Trabalho e Proteção Social na Rússia Soviética (1917-1922): os anos formativos" e submetida ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFSC. Ocorrida no dia 25 de agosto de 2022, a banca contou com a arguição da profa. Anita Leocadia Prestes, cuja fala constitui o elemento principal desse vídeo. Além da profa. Anita, as profas. Sara Granemann, Angela Amaral e os profs. Ricardo Lara (presidente) e Paulo Pinheiro Machado (suplente) também compuseram a comissão examinadora.

Como a banca foi realizada remotamente, a gravação foi feita pelo próprio software de conferências online da UFSC. A edição é de Michele de Mello.



sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Ministra Cármen Lúcia reconhece que o STF precisa pedir perdão pela conivência com o crime praticado contra Olga Benario Prestes

No evento ocorrido na tarde desta sexta-feira, dia 19/08/2022, no Centro Cultural Justiça Federal, intitulado "O Caso Olga Benário: O Supremo Tribunal Federal e o Habeas Corpus nº 26.155/1936", a ministra Cármen Lúcia, em mensagem gravada em vídeo, especialmente para o evento, reconhece que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa pedir perdão. Segundo a ministra, é um "caso trágico porque houve a negativa da jurisdição". Ou seja, "o Supremo não tomou conhecimento deste Habeas Corpus, do qual dependia a vida de Olga Benario e até a vida da pessoa que ela trazia em seu ventre naquele momento, que hoje se apresenta Anita Leocadia". Prossegue a ministra: "Ainda que ineficaz do ponto de vista humana ou ainda que seja do ponto de vista jurídico, o Supremo precisa de perdir perdão...".

O evento contou com a participação das historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga Benario e de Luiz Carlos Prestes, que afirmou a conivência do STF com o crime impetrado contra Olga Benario, cuja responsabilidade do crime foi do então presidente Getúlio Vasrgas, que assinou - juntamente com o então ministro da Justiça, o fascista, Vicente Rao - o decreto de expulsão do país de Olga Benario Prestes e de Elise Ewert, outra comunista alemã, barbaramente torturada pela polícia do famigerado Filinto Müller.

A historiadora Anita Prestes durante sua fala chamou a atenção para a importância de resgatar, criticamente, acontecimentos como o de Olga Benario Prestes, em que os culpados por esse crime e por muitos outros jamais foram punidos. Por duas vezes, Anita Prestes denunciou que os torturadores das décadas de 1960 e 1970 da Ditadura Militar até hoje nenhum deles foi punido, seguiram suas vidas tranquilamente e estão morrendo de velhice ou doença. 

Assista abaixo o vídeo do evento disponibilizado no canal do Centro Cultural Justiça Federal no YouTube:


O debate ocorreu na sala de sessões da antiga sede do Supremo Tribunal Federal, local em que se deu o julgamento do habeas corpus de Olga Benario Prestes, onde hoje funciona o Centro Cultural Justiça Federal.


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

DEBATE - O Caso Olga Benário: O Supremo Tribunal Federal e o Habeas Corpus nº 26.155/1936

Com a participação de Anita Prestes

Centro Cultural Justiça Federal


Link da transmissão - https://www.youtube.com/watch?v=uo2PvJEePPw

No mês em que se comemora o dia do advogado, o Centro Cultural Justiça Federal realiza um encontro para debater a histórica decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do habeas corpus  26.155/1936, impetrado pelo advogado Heitor Lima, em 1936, em favor de Olga Benário Prestes, com o propósito de obstar sua deportação para a Alemanha nazista. O habeas corpus foi negado e Olga, de origem judaica e grávida de sete meses, foi entregue ao governo alemão e mantida no cárcere, onde, após o nascimento de sua filha Anita Leocádia, foi executada. Para falar sobre o tema foram convidados a historiadora Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes; a Ministra do Supremo Tribunal Federal Carmén Lúcia; e Paulo Celso, Cientista Social, pesquisador e técnico do IBRAM, Arquivo do Museu da República.  A mediação será feita pela Diretora Geral do CCJF Simone Schreiber. O debate ocorrerá na sala de sessões da antiga sede do Supremo Tribunal Federal, local em que se deu o julgamento do habeas corpus de Olga Benário, onde hoje funciona o Centro Cultural da Justiça Federal.


Abertura e mediação : 

Desembargadora Federal Simone Schreiber - Diretora-Geral do Centro Cultural Justiça Federal e Professora da UNIRIO


Convidados:

Profa Dra Anita Prestes - Historiadora

Ministra Cármen Lúcia - Ministra do STF (a confirmar) 

Paulo Celso Corrêa - Cientista Social e Mestre em Ciência Política pela UFRJ, Setor de Arquivo, Museu da República. 


Dia 19 de agosto 

Horário: 14h - 15h20

Centro Cultural Justiça Federal


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Áudios dos anos 1970 de integrantes do Superior Tribunal Militar (STM) comprovam a prática de tortura durante a Ditadura Militar.

Conteúdo foi publicado neste domingo (17/4/2022) pela jornalista Míriam Leitão, colunista de 'O Globo'. Ao todo, são mais de 10 mil horas de gravações; áudios foram analisados pelo historiador Carlos Fico, que afirma: "A exposição desses áudios, dessas falas é uma assunção cabal do Estado brasileiro sobre tudo o que cometeu durante o regime militar."

— O Superior Tribunal Militar passou a gravar as sessões a partir de 1975, mesmo as secretas. Até 1985 são 10 mil horas. Em 2006, o advogado Fernando Augusto Fernandes pediu acesso. Não conseguiu. Foi ao Supremo, que mandou liberar. O STM não obedeceu. Em 2011, a ministra Cármen Lúcia determinou o acesso irrestrito aos autos. O plenário acompanhou a ministra. Em 2015, as centenas de fitas de rolo foram digitalizadas. Fernandes analisou apenas 54 sessões. Em 2017 consegui copiar a totalidade das sessões. Aprimorei o áudio e passei a ouvir — explica o historiador Carlos Fico, titular de História do Brasil da UFRJ. In: Áudios do Superior Tribunal Militar provam tortura na ditadura, blog Míriam Leitão, 17/04/2022 • 04:43, https://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/

No seu blog, a jornalista Miriam Leitão disponibiliza alguns dos trechos daquelas sessões, que ocorreram entre 1975 e 1985. São cerca de 36 minutos, cuja a transcrição é disponibilizada na postagem "Confira os áudios inéditos de sessões do STM, inclusive as secretas" (17/04/2022 • 04:38) [https://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/confira-os-audios-ineditos-de-sessoes-do-stm-inclusive-secretas.html]

Veja no link abaixo a matéria (em vídeo) apresentada pelo programa Fantástico, da TV Globo, disponível na página do G1:

https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/04/17/audios-do-superior-tribunal-militar-mostram-relatos-de-tortura-durante-a-ditadura.ghtml





terça-feira, 8 de junho de 2021

A DECISÃO CONIVENTE DO STF COM GETÚLIO VARGAS EM 1936 NO CASO DA EXTRADIÇÃO DE OLGA BENARIO PRESTES

ENTREVISTA DE ANITA PRESTES AO PROGRAMA JORNAL DA JUSTIÇA

A entrevista irá ao ar na TV JUSTIÇA, no dia 11/06/2021, 6a-feira, às 12h30min., no Jornal da Justiça - 1ª Edição. 

A entrevista também poderá ser assistida no YouTube (ficará gravada): https://youtu.be/sTUeEzTtnJw






quinta-feira, 1 de abril de 2021

ATÉ AONDE A DITADURA CIVIL MILITAR NOS DEIXOU MARCAS?

Live com a historiadora Anita Prestes e o teólogo Leonardo Boff

Encerrando a programação da Semana da Memória, Verdade e Justiça, promovida pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) de Petrópolis, ocorrerá no dia 6/4, terça-feira, às 20h, uma live com a participação da historiadora Anita Prestes e do teólogo Leonardo Boff, transmitida pela página do Facebook do CDDH (https://www.facebook.com/cddhpetropolis).


Veja a matéria "Ato em frente à Casa da Morte marca início da programação da Semana da Memória, Verdade e Justiça", do jornal Tribuna de Petrópolis. de 31/03/2021, clicando no link: 

https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/ato-em-frente-a-casa-da-morte-marca-inicio-da-programacao-da-semana-da-memoria-verdade-e-justica/




segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

(Livro Virtual) "O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais"

Lançamento da Editora Expressão Popular. DISPONÍVEL EM PDF GRATUITO (link no final da postagem)

Nogueira, Leonardo. O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais / Leonardo Nogueira, Maysa Pereira, Rafael Toitio.-- 1.ed.-- São Paulo : Expressão Popular, Fundação  Rosa Luxemburgo, 2020.

O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais contribui para a reflexão, sob perspectiva marxista, sobre os principais desafios enfrentados pelas mulheres e LGBT+s, suas principais conquistas e projetos de futuro no que se refere à construção e efetivação da igualdade de direitos. Os autores partem da recuperação histórica sobre sexualidade e gênero no mundo e no Brasil para, na sequência, situar, pela perspectiva dos movimentos sociais, alguns elementos centrais da luta.

Com esta panorâmica, é possível perceber os diversos caminhos para o reconhecimento destas pautas pelo conjunto dos brasileiros interessados no fim das desigualdades, superando o identitarismo e também o preconceito em relação ao que se denomina pauta identitária.

Uma obra fundamental para qualificar o debate sobre gênero e sexualidade na luta geral pela emancipação humana, voltada para mulheres e LGBT+s, pesquisadores, militantes populares, estudantes, professores, e sociedade brasileira de forma geral.

TRECHO DO LIVRO

“Este livro se insere na batalha das ideias com o objetivo de evidenciar a relevância de uma abordagem que considere gênero e sexualidade como elementos indivorciáveis da sociabilidade humana e, portanto, elementos que não podem ser mecanicamente excluídos das análises sobre a sociedade em seus aspectos estruturais e conjunturais. […] A diversidade sexual e de gênero precisa ocupar um espaço coerente na reflexão e na ação política, evitando o engodo de encará-la como subproduto de uma ‘cortina de fumaça’. Para tanto, é necessário recuperar o lugar e o papel, na nossa sociedade, da sexualidade e das relações patriarcais de gênero (entendidas aqui, inicialmente, como as relações nas quais os homens exercem, predominantemente, o poder e as funções de autoridade moral, política, social e econômica, e todas as consequências que esta situação desigual acarreta). Essa recuperação pode se dar com base nos fundamentos históricos do desenvolvimento do ser social, dos debates sobre a particularidade da formação social brasileira e das análises de conjuntura política. Também se torna fundamental investigar como o imperativo do heterossexismo (ou seja, a heterossexualidade como única forma de desejo sexual) e da cisgeneridade (quando a única identidade de gênero aceita é a que corresponde à atribuída no nascimento) se articulam com as determinações de classe, raça/etnia e gênero”. (Leonardo Nogueira, Maysa Pereira, Rafael Toitio)


Você pode baixar de forma gratuita diretamente CLICANDO AQUI ou seguir com a compra do livro digital e contribuir com o projeto editorial popular da Expressão Popular, clicando no link:

https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/livro-virtual-brasil-fora-do-armario-o-diversidade-sexual-genero-e-lutas-sociais/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Documental "Cuba, Una Odisea Africana"

Cuba, en su compromiso sin contrapartida contra el Imperialismo y el apartheid


Amílcar Cabral y Fidel Castro


En 1991, Nelson Mandela comienza por Cuba su periplo fuera de África para agradecer a quienes contribuyeron a abolir el apartheid. Durante 25 años, Castro y otros 500.000 cubanos participaron en las guerras de liberación africanas. Una realidad desconocida, olvidada, que esclarece todo un episodio de la Historia africana.

Una realidad desconocida, intencionadamente olvidada fuera de África, que esclarece todo un episodio de la Historia africana y cubana: la independencia de Namibia y de Angola, o el fin del Apartheid en Sudáfrica, no se pueden entender sin el decisivo aporte internacionalista del pueblo cubano.


Cuba, Una Odisea Africana PARTE 1



Cuba, Una Odisea Africana PARTE 2



Título original

Cuba, une odyssée africaine (TV)

Año

2007

Duración

187 min.

País

Francia Francia

Dirección

Jihan El-Tahri

Música

Freres Guissé

Fotografía

Frank-Peter Lehmann

Reparto

Documental

Productora

Arte, BBC Films, Independent Television Service

Género

Documental | África

Sinopsis

Durante la Guerra fría, cuatro adversarios con intereses opuestos se enfrentaron en el continente africano. Los soviéticos querían extender su influencia, Estados Unidos deseaba apropiarse de las riquezas naturales de África, los antiguos imperios sentían vacilar sus potencias coloniales y las jóvenes naciones defendían su recién adquirida independencia. Jóvenes revolucionarios como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral o Agostinho Neto pidieron a los guerrilleros cubanos que les ayudaran en su lucha. Cuba tuvo un papel central en la nueva estrategia ofensiva de las naciones del Tercer Mundo contra el colonialismo. Desde Che Guevara en el Congo a Cuito Cuanavale en Angola, esta película relata la historia de aquellos internacionalistas cuya saga explica el mundo de hoy en día: ganaron todas las batallas, pero acabaron perdiendo la guerra. (FILMAFFINITY)

Nelson Mandela y Fidel Castro


domingo, 8 de novembro de 2020

“Descalço sobre a terra vermelha” - Filme sobre D. Pedro Casaldáliga

“Descalço sobre a terra vermelha” retrata a vida de Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020) e as imensas injustiças sofridas pelo povo pobre do Araguaia, mas que poderia ser de qualquer canto do Brasil.

O filme, de quase 3 horas de duração, está dividido em 3 partes.

Para assistir as 3 partes do filme acesse os links abaixo:

Parte 1: Do vaticano ao Araguaia - Duração 54:42

https://tvbrasil.ebc.com.br/descalcosobreaterravermelha/episodio/do-vaticano-ao-araguaia


Parte 2: Por uma igreja da Amazônia - Duração 55:05

https://tvbrasil.ebc.com.br/descalcosobreaterravermelha/episodio/por-uma-igreja-da-amazonia


Parte 3: Ameaça de morte - Duração 54:41

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Descalço sobre a Terra Vermelha

Direção: Oriol Ferrer

Produção: Minoria Absoluta, Raiz Produções, TV3, TVE, TV Brasil

Elenco: Eduard Fernández, Sergi López, Babu Santana, Eduardo Magalhães

Formato: minissérie

Gênero: drama, história

Ano: 2012,

País de origem: Espanha/Brasil

Classificação indicativa: 14 anos




terça-feira, 15 de setembro de 2020

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Para download: NECROPOLÍTICA, de Achille Mbembe

Biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte


Título Necropolítica
Autor Achille Mbembe
Ano 2018 | 1ª edição
Nº de páginas 80 

LINK PARA DOWNLOAD:




Neste ensaio, propus que as formas contemporâneas que subjugam a vida ao poder da morte (necropolítica) reconfiguram profundamente as relações entre resistência, sacrifício e terror. Tentei demonstrar que a noção de biopoder é insuficiente para dar conta das formas contemporâneas de submissão da vida ao poder da morte. Além disso, propus a noção de necropolítica e de necropoder para dar conta das várias maneiras pelas quais, em nosso mundo contemporâneo, as armas de fogo são dispostas com o objetivo de provocar a destruição máxima de pessoas e criar “mundos de morte”, formas únicas e novas de existência social, nas quais vastas populações são submetidas a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”. Sublinhei igualmente algumas das topografias recalcadas de crueldade (plantation e colônia, em particular) e sugeri que o necropoder embaralha as fronteiras entre resistência e suicídio, sacrifício e redenção, mártir e liberdade. [Achille Mbembe]

Achille Mbembe é considerado um dos mais agudos pensadores da atualidade. Leitor de Fanon e Foucault, com notável erudição histórica, filosófica e literária, vira do avesso os consensos sobre a escravidão, a descolonização e a negritude. É um dos poucos teóricos que consegue pensar o contexto mundial contemporâneo a partir da provincialização da Europa. Nascido nos Camarões, é professor de História e Ciências Políticas na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, bem como na Duke University, nos Estados Unidos. É autor, entre outros, de Crítica da razão negra, De la postcolonie, Sortir de la grande nuit e Politiques de l´inimitié.


domingo, 22 de setembro de 2019

O que Marx entendia sobre a escravidão

Marx, como gerações de socialistas, viu o caráter particularmente capitalista da escravidão no Novo Mundo – e o elo inextrincável entre a emancipação dos escravizados e a libertação de toda a classe trabalhadora.
Escultura do artista plástico Sergio Romagnolo, utilizada na capa do livro Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais(Boitempo, 2019), de Kevin B. Anderson.



Por Kevin B. Anderson.*

Este ano marca o 400º aniversário da chegada dos primeiros africanos escravizados à Virgínia. Embora esse evento funesto esteja sendo atualmente discutido de maneiras profundas e penetrantes, poucos na grande mídia estão dando atenção para o caráter particularmente capitalista da forma moderna de escravidão do Novo Mundo – um tema que atravessa a crítica ao capital de Marx e suas extensas discussões sobre capitalismo e escravidão.


Marx não via a escravização em larga escala dos africanos pelos europeus, iniciada no começo do século XVI no Caribe, como uma repetição da escravidão Romana ou Árabe, mas como algo novo. Ela combinava formas antigas de brutalidade com a forma genuinamente moderna de produção de valor. A escravidão, escreveu ele em um rascunho de O capital, atinge “sua forma mais odiosa . . . em uma situação de produção capitalista”, na qual “o valor de troca se torna o elemento determinante da produção”. Isso leva à extensão da jornada de trabalho além de qualquer limite, fazendo pessoas escravizadas literalmente trabalharem até a morte.

Seja na América do Sul, no Caribe ou nas plantations do sul dos Estados Unidos, a escravidão não era um elemento periférico, mas central do capitalismo. Como o jovem Marx teorizou essa relação em 1846 em A miséria da filosofia, dois anos antes do Manifesto comunista:

“A escravidão direta é o eixo da indústria burguesa, assim como as máquinas, o crédito etc. Sem escravidão, não teríamos o algodão; sem o algodão, não teríamos a indústria moderna. A escravidão deu valor às colônias, as colônias criaram o comércio universal, o comércio universal é a condição da grande indústria. Assim, a escravidão é uma categoria econômica da mais alta importância.”

Tais conexões entre capitalismo e escravidão estão por toda parte nos escritos de Marx. Mas ele também abordou como várias formas de resistência à escravidão poderiam contribuir para a resistência anticapitalista. Esse foi especialmente o caso antes e durante a Guerra Civil estadunidense, quando ele apoiou fervorosamente a causa antiescravista.

Uma forma de resistência abordada por Marx foi a dos afro-americanos escravizados. Por exemplo, ele levou muito a sério o histórico ataque de 1859 a um arsenal em Harpers Ferry, Virgínia, realizado por militantes antiescravistas, tanto negros quanto brancos, sob o comando do abolicionista radical John Brown. Ainda que o ataque tenha falhado em desencadear a insurreição de escravos que os militantes esperavam, Marx concordou com os abolicionistas de que esse foi um evento importante, depois do qual a situação não seria mais a mesma. Mas ele acrescentou uma comparação internacional com os camponeses russos e a ênfase na ação autônoma dos afro-americanos escravizados em seu potencial contínuo de insurreição em massa:

“A meu ver, a coisa mais importante que está acontecendo no mundo hoje é, de um lado, o movimento entre os escravos na América, iniciado pela morte de Brown, e o movimento entre os escravos na Rússia, de outro . . . Acabei de ver no Tribune que houve uma nova revolta de escravos no Missouri, naturalmente reprimida. Mas o sinal já foi dado.”

Nesse momento, Marx parecia perceber uma insurreição em massa dos escravos como a chave para a abolição, e talvez algo mais no que tange ao desafio da própria ordem capitalista. Logo depois, quando o Sul declarou sua secessão e a Guerra Civil eclodiu, ele declarou seu apoio à causa do Norte, não obstante os ataques abrasadores a Lincoln por sua hesitação inicial em defender, sem mencionar levar a cabo, a abolição da escravidão e o alistamento de tropas negras.

Durante a guerra surgiu uma segunda forma de resistência ao capitalismo e à escravidão, não nos Estados Unidos, mas na Inglaterra. Enquanto as classes dominantes do país ridicularizavam os Estados Unidos como um experimento fracassado de governo republicano e até atacavam o plebeu Lincoln por sua falta de sofisticação, as classes trabalhadoras britânicas viam as coisas de maneira diferente. Ainda lutando por seus direitos diante da necessidade de comprovar exorbitantes qualificações de propriedade os trabalhadores viam os Estados Unidos como a forma mais ampla de democracia que existia na época, especialmente depois que o Norte se comprometeu com a abolição.

Como Marx relatou em vários artigos, as reuniões de massas organizadas pelos trabalhadores britânicos ajudaram a bloquear as tentativas do governo de intervir a favor do Sul. Nesse exemplo magnífico do internacionalismo proletário, os trabalhadores britânicos rejeitaram as tentativas de vários políticos de fomentar a animosidade em relação ao Norte com base no fato de que os bloqueios da União haviam reduzido o fornecimento de algodão, criando assim desemprego em massa entre os trabalhadores têxteis de Lancashire. Como Marx entoou em um artigo de 1862 para o New York Tribune,

“Quando grande parte das classes trabalhadoras britânicas sofre direta e severamente com as consequências do bloqueio sulista; quando outra parte é indiretamente afetada pelos cortes com o comércio estadunidense, devido, como é dito, à egoísta “política protecionista” dos Republicanos [dos EUA] . . . em tais circunstâncias, a mais simples justiça exige que se preste homenagem à sensata atitude das classes trabalhadoras britânicas, mais ainda quando contrastada com a conduta hipócrita, intimidatória, covarde e estúpida do John Bull oficial e bem-de-vida.”

Em 1864, a Primeira Internacional era formada, com muitos dos seus primeiros militantes sendo provenientes dos quadros organizadores dessas reuniões antiescravistas. Nesse sentido, um movimento antiescravista da classe trabalhadora ajudou a formar a maior organização socialista que Marx lideraria durante sua vida.

Com o fim da guerra, uma Reconstrução Radical estava em pauta nos Estados Unidos, incluindo a perspectiva de dividir as antigas plantations escravistas para viabilizar as doações de quarenta acres e uma mula para as pessoas anteriormente escravizadas. No prefácio de 1867 a O capital, Marx comemorou os seguintes desenvolvimentos: “Após a abolição da escravidão, uma transformação radical nas atuais relações de capital e propriedade da terra está em pauta”. O que não ocorreu, pois a medida foi bloqueada pelas forças moderadas no Congresso estadunidense.

No rescaldo da Guerra Civil, Marx discutiu o surgimento, novamente Estados Unidos, de uma terceira forma de resistência ao capitalismo e à escravidão, bem como ao racismo. Na sua visão, séculos de trabalho negro escravo convivendo com trabalho branco formalmente livre tinham criado enormes divisões entre os trabalhadores, tanto urbanos quanto rurais. A Guerra Civil varreu parte da base econômica dessas divisões, criando novas possibilidades. Novamente em O capital, ele discutiu essas possibilidades com evidente apreço, quando também pôs no papel sua frase mais notável sobre a dialética entre raça e classe, aqui destacada em itálico:

“Nos Estados Unidos da América do Norte, todo movimento operário independente ficou paralisado durante o tempo em que a escravidão desfigurou uma parte da república. O trabalho de pele branca não pode se emancipar onde o trabalho de pele negra é marcado a ferro. Mas da morte da escravidão brotou imediatamente uma vida nova e rejuvenescida. O primeiro fruto da guerra civil foi o movimento pela jornada de trabalho de 8 horas, que percorreu, com as botas de sete léguas da locomotiva, do Atlântico até o Pacífico, da Nova Inglaterra à Califórnia. O Congresso Geral dos Trabalhadores, em Baltimore (agosto de 1866), declarou: ‘A primeira e maior exigência do presente para libertar o trabalho deste país da escravidão capitalista é a aprovação de uma lei que estabeleça uma jornada de trabalho normal de 8 horas em todos os Estados da União americana. Estamos decididos a empenhar todas as nossas forças até que esse glorioso resultado seja alcançado.”

De fato, os líderes sindicais de 1866 estavam dispostos a pôr o capitalismo diretamente na mira, algo que posteriormente não seria visto com muita frequência nos Estados Unidos. No entanto, o sonho de Marx de solidariedade de classe com transversalidade racial não foi alcançado naquele momento devido à relutância dos sindicatos brancos em incluir trabalhadores negros como membros. O tipo de solidariedade com transversalidade racial que Marx vislumbrava pôde ser vista em larga escala algumas vezes desde então, principalmente na sindicalização em massa na década de 1930.

Quatrocentos anos após a chegada dos africanos escravizados na Virgínia, os afro-americanos continuam a experienciar o legado da escravidão nas condições de encarceramento em massa, no racismo institucionalizado tanto das políticas habitacionais como de emprego, e na crescente desigualdade de riqueza.

Ao mesmo tempo, somos confrontados com o governo mais reacionário e antitrabalhadores de nossa história, um governo que fomenta e se alimenta das mais odiosas formas de racismo e misoginia para obter apoio entre setores da classe média e das classes trabalhadoras. Sob esse prisma, a declaração de Marx, “o trabalho de pele branca não pode se emancipar onde o trabalho de pele negra é marcado a ferro”, continua sendo um lema tão relevante quanto era há 150 anos.

* Publicado originalmente na revista Jacobin, por ocasião dos 400 anos da chegada de escravizados aos EUA. A tradução para o português é de Allan M. Hilani e Pedro Davoglio, para a Jacobin Brasil.

***

Kevin B. Anderson é professor de sociologia e ciência política na Universidade da Califórnia-Santa Bárbara. Ele é autor de Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais (Boitempo, 2019), Lenin, Hegel, and Western Marxism, (sem tradução) e, com Janet Afary, de Foucault e a revolução iraniana: as relações de gênero e as seduções do islamismo (É Realizações, 2011). Também editou livros sobre Raia Dunaiévskaia e Rosa Luxemburgo, e um volume sobre os cadernos etnológicos de Marx, ainda no prelo.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Anita Prestes visita Casa da Morte em Petrópolis, RJ, e defende criação de memorial

Filha dos militantes Luís Carlos Prestes e Olga Benário esteve no local na tarde desta terça-feira (11) onde falou para estudantes sobre um dos principais centros clandestinos de torturas durante a ditadura militar.

Por Aline Rickly, G1 — Petrópolis

Anita Prestes visitou a Casa da Morte, em Petrópolis, RJ, na tarde desta terça-feira (11) — Foto: Aline Rickly / G1

Aos 82 anos, a historiadora Anita Prestes visitou pela primeira vez a Casa da Morte em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, na tarde desta terça-feira (11).

A visita foi realizada em apoio ao movimento para a criação de um memorial no imóvel, que é conhecido por ter abrigado um dos principais centros clandestinos de torturas no período da ditadura militar.

Filha dos militantes Luís Carlos Prestes e Olga Benário, Anita falou para alunos da rede pública de ensino sobre a casa, que fica no bairro Caxambu.

"Aqui nesta casa, eles [os militares] tinham o seguinte objetivo: ou a pessoa - que geralmente era comunista ou de esquerda, de uma maneira geral - resolvia, aceitava colaborar com eles, com a polícia e com o Exército para pegar mais gente ou, se não aceitava, era morte certa. A maioria saiu daqui morta e de forma bárbara", disse Anita.

A única sobrevivente da Casa da Morte foi Inês Etienne Romeu. A militante, que denunciou a existência do imóvel e as torturas que sofreu no local, morreu em 2015 em sua casa, na cidade de Niterói.

Amigos de Anita também foram levados para a casa na época, como o militante David Capistrano, que era do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que a historiadora conhecia desde criança.

"As pessoas sumiam sem deixar rastro. Imaginávamos que tinham sido assassinadas, mas só confirmamos a partir do depoimento do pastor Claudio Guerra", disse referindo-se ao ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que aponta os nomes de militantes políticos que estiveram na casa no livro "Memórias de uma Guerra Suja".

Para Anita, é essencial que os fatos ocorridos nesse período sejam preservados para que não se repitam.

"Que a casa seja transformada em lugar de memória, em que se possa fazer exposições permanentes e para que a população possa visitar e tomar conhecimento dessa página trágica da história do Brasil. Que as pessoas possam saber disso. Que as novas gerações conheçam o que aconteceu porque muita gente ainda não sabe", afirma a historiadora.

Anita Prestes conversou com alunos da rede pública de ensino na tarde desta terça-feira (11) em Petrópolis, no RJ — Foto: Aline Rickly / G1


Os alunos que participaram do encontro ficaram surpresos, como a empregada doméstica Solange Mello, de 46 anos, que está cursando o 1º ano do ensino médio. "Estou muito feliz em agregar esse conhecimento. Eu não sabia que essa casa existia", disse.

José Carlos Pires, de 60 anos, é pintor e está terminando o Ensino Médio. Ele contou que já conhecia essa parte da história, mas nunca tinha ido até o local. Morador da área rural do Caxambu, ele concorda que o imóvel deve ser preservado: "Para todo mundo lembrar o que foi a ditadura militar e para que o que ocorreu naquela época não aconteça mais", disse.


Após a visita, Anita Prestes participou de um evento no Centro de Defesa e Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH), onde falou sobre a história das lutas populares em Petrópolis.

Campanha de arrecadação

Casa da Morte de Petrópolis, RJ, foi tombada em dezembro de 2018 — Foto: Aline Rickly / G1


Um grupo de instituições se uniu e lançou uma campanha para arrecadar R$ 1,5 milhão e desapropriar e transformar a Casa da Morte em um museu. A campanha do Grupo Pró-Memorial foi lançada pelo CDDH.

A campanha está sendo divulgada nas redes sociais e qualquer valor pode ser doado.

A Casa da Morte foi tombada pela Prefeitura em dezembro de 2018. No início deste ano, ela foi transformada em imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação.

Planta desenhada por Inês Etienne Romeu foi apresentada pela CNV em 2014 durante audiência pública — Foto: Divulgação/ Comissão Nacional da Verdade