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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Para download: Coleção História do Marxismo - coordenada por Eric Hobsbawm - 12 volumes em português



Historia do marxismo Volume 1
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 2
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 3
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Falta o volume 4

Historia do marxismo Volume 5
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 6
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 7
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 8
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 9
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 10
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 11
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia

Historia do marxismo Volume 12
Eric Hobsbawm (org)
Category: Historia


O link da pesquisa foi este: 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Para download: História do Marxismo vol. 1 em português

1º volume da coleção coordenada por Eric Hobsbawm - publicada no Brasil pela Ed. Paz e Terra.

HISTORIA DO MARXISMO - VOL. 1: O MARXISMO NO TEMPO DE MARX
Os ensaios deste primeiro volume indicam os temas que pontuam as reflexões sobre o marxismo no tempo de Marx: o socialismo antes do filósofo; o materialismo histórico; a crítica da economia política; evolução, revolução e Estado; a transição do capitalismo ao socialismo.

Link para download:


domingo, 11 de junho de 2017

Para download: "Historia del Siglo XX", del historiador Eric Hobsbawm

"Historia del Siglo XX" es un relato informado, ameno y bastante agudo de parte de uno de los científicos sociales más renombrados de los últimos años, el historiador Eric Hobsbawm. En él, el inglés cuenta a modo de pasajes los acontecimientos y procesos históricos más importantes a nivel de occidente, mostrando cómo las dinámicas centrales del mismo no coinciden netamente con su cronología, de tal forma que el que pasó fue un "siglo corto" que se inició con la Primera Guerra Mundial y terminó con la caída del Muro de Berlín. De referencia básica para todo aquel interesado en la actualidad.

Link de descarga:


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Para download: História Social do Jazz, do historiador Eric Hobsbawm

LINK PARA DOWNLOAD:

A "História Social do Jazz" é o clássico estudo do historiador inglês Eric Hobsbawm sobre o desenvolvimento histórico do gênero musical. Autor de uma série de livros sobre a história ocidental, como "A Era das Revoluções (1789-1848)" e "A Era dos Extremos (1914-1991)", Hobsbawm --um dos mais relevantes intelectuais da atualidade-- volta sua atenção para as origens do jazz e analisa sua inserção na cultura e na sociedade ao longo do tempo.
Hobsbawm enxerga o jazz como uma criação revolucionária dos negros e aponta a música como elemento de resistência às circunstâncias históricas às quais os negros foram submetidos. Ao falar do jazz, Hobsbawn oferece uma análise instigante sobre a industrialização e as transformações no padrão de consumo de negros e brancos, a relação do jazz com a indústria de discos e espetáculos, e os motivos que propiciaram a difusão e popularização do estilo musical. O livro tem prefácio do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

PARA DOWNLOAD: Los historiadores marxistas británicos

Harvey Kaye. Los historiadores marxistas británicos. Un análisis introductorio. Zaragoza: Prensas Universitarias, 1989
[primera edición inglesa, 1984] 

[Estudios sobre Maurice Dobb, Rodney Hilton, Christopher Hill, Eric Hobsbawm y Edward Thompson]

LINK PARA DOWNLOAD:
https://drive.google.com/file/d/0B5nBrmtP2CtkRXlxYUltSGZaUVk/view


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Para download: La independencia en el Perú

Una contribución al esclarecimiento del proceso de la Independencia, breve momento histórico en el cual se sancionó la ruptura política entre el Perú y su metrópoli español.

Ensayos de H. Bonilla, P. Chaunu, T. Halperin, E. Hobsbawm, K. Spalding, P. Vilar

LINK PARA DOWNLOAD:

 


terça-feira, 7 de julho de 2015

A “Era” Hobsbawm (1917-2012)


Por Marco Pestana

Em 1993, quando do falecimento de Edward P. Thompson, seu colega de longa data, Eric Hobsbawm, afirmou, em artigo para o The Independent, que “E.P. Thompson, historiador, socialista, poeta, ativista, orador, escritor – em seu tempo – da mais fina e polêmica prosa do século XX, provavelmente gostaria de ser lembrado pelo primeiro termo dessa lista”. Decorridos quase 20 anos da publicação daquele texto, chegada a vez do próprio Hobsbawm nos deixar nesse 1o de outubro de 2012, uma lista igualmente longa de adjetivos pode ser evocada para descrever os múltiplos elementos de sua personalidade: historiador, socialista, professor, crítico e amante de jazz, dentre outros. Não o tendo conhecido pessoalmente, não sou capaz de identificar por qual de suas facetas Hobsbawm gostaria de ser lembrado. Outros elementos, entretanto, me permitem afirmar com segurança que doravante ele será lembrado fundamentalmente como historiador – assim como ocorre ainda hoje com Thompson – por não menos que algumas décadas.

Quanto a isso, é impossível não destacar a vastidão de temas abordados em seus livros e artigos publicados ao longo de mais de seis décadas de intensa produção intelectual, desde suas pesquisas iniciais acerca do que denominou “rebeldes primitivos” – no bojo das quais cunhou o polêmico conceito de movimentos sociais “pré-políticos”. Não menos notável foi sua capacidade de estabelecer interpretações de conjunto para extensos e atribulados períodos históricos, como evidencia sua trilogia (Era das Revoluções, Era do Capital e Era dos Impérios) devotada ao exame do “longo século XIX”, publicada entre as décadas de 1960 e 1980. Nem mesmo uma de suas principais paixões pessoais, o jazz, escapou de ser examinada sob uma perspectiva histórica, cristalizada no livro História social do jazz, inicialmente publicado sob o pseudônimo de Francis Newton.

Já nos anos 1990, sua erudição e capacidade de síntese foram novamente mobilizadas para a produção de outra obra de grande envergadura, Era dos extremos, em que defendia que o embate entre os sistemas sociais socialista e capitalista seria o fio condutor das principais transformações históricas características do “breve século XX” (fim do eurocentrismo, consolidação da escala global dos processos e dissolução dos antigos padrões de sociabilidade em favor de um individualismo exacerbado), por ele situado nos anos 1914-1991. Originalmente publicado em 1994, o livro destacou-se ainda por abordar um período histórico quase totalmente coincidente com o tempo de vida de Hobsbawm, bem como eventos que tiveram forte significação ao longo de sua trajetória pessoal. Não por acaso, grande parte desses eventos foi tratada sob uma perspectiva mais pessoal em sua autobiografia, Tempos interessantes, como o imperialismo inglês na África, que levou seu pai à cidade de Alexandria, no Egito, onde Eric nasceu em 1917; a ascensão do nazismo em 1933, que fez com que sua família deixasse Berlim para residir na Inglaterra; a Segunda Guerra Mundial, da qual tomou parte como membro do exército inglês, dentre muitos outros.

Vivenciado todos esses importantes processos, Hobsbawm jamais se colocou como um observador ou cronista dos acontecimentos pretensamente neutro. Muito pelo contrário, uma das marcas mais significativas de sua produção historiográfica foi seu permanente engajamento político, sempre ao abrigo das tradições do marxismo e do socialismo. Ainda antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, sob o impacto inspirador da Revolução Russa de 1917, Hobsbawm se tornou membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha (PCGB).

Como militante do PCGB, participou do que ficou conhecido como Grupo de Historiadores do Partido Comunista, o qual funcionou entre 1946 e 1956, reunindo alguns dos mais brilhantes historiadores do século XX, como o já mencionado Edward Thompson, Christopher Hill, Rodney Hilton, entre outros, sob a inspiração do decano Maurice Dobb. A conexão entre as discussões coletivas no âmbito do Grupo e as pesquisas individualmente conduzidas por seus membros foram decisivas para a articulação de um dos mais influentes e profícuos veios da moderna historiografia, a chamada História Social Inglesa. A partir dos esforços de resgate da história e da ação histórica dos grupos subalternizados como passo incontornável para uma explicação mais acurada da dinâmica da totalidade social, os pioneiros da História Social Inglesa desenvolveram profundas inovações teórico-metodológicas – relativas ao uso de determinados tipos de fontes, ao burilamento de conceitos centrais para a tradição do materialismo histórico e, até mesmo, à forma de se conceber o estatuto da própria história-disciplina –, para as quais Hobsbawm contribuiu diretamente com duas seminais coletâneas de artigos, intituladas, respectivamente, Trabalhadores e Mundos do Trabalho.

O Grupo de Historiadores, no entanto, se desfez em 1956, como consequência da saída da maioria de seus membros das fileiras do PCGB em protesto contra a invasão da Hungria por tropas soviéticas no mesmo ano. Embora tenha criticado a intervenção  militar – assim como faria em relação à repressão imposta, em 1968 e também sob o comando dos soviéticos, à Primavera de Praga –, Hobsbawm divergiu de seus colegas historiadores e optou por permanecer filiado ao PCGB. Ao longo dos anos 1970, Hobsbawm deslocou-se progressivamente para o campo da perspectiva reformista encarnada pelo Eurocomunismo, desenvolvido sobretudo pelo PC italiano. Sua dívida com o comunismo italiano, entretanto, era muito anterior, tendo seu ponto alto na obra do sardo Antonio Gramsci, que figurou, inclusive, como peça-chave em diversos dos ensaios do último livro publicado por Hobsbawm em vida, intitulado Como mudar o mundo.

A aproximação em relação ao reformismo não o impediu de, no decênio seguinte, se contrapor decisiva e publicamente às políticas conduzidas pelo gabinete conservador de Margareth Thatcher. Ao publicar o conjunto de textos Estrategias para uma esquerda racional, apontou claramente para a especificidade histórica do regime econômico e social inaugurado por aquele governo, se contrapondo a outros pensadores da esquerda que insistiam em equipará-lo às administrações conservadoras anteriores. Ainda ao longo da década de 1980, as imbricações entre suas posições políticas e suas preocupações intelectuais e profissionais se expressaram também por meio de seu esforço de organização da mais completa coletânea de História do Marxismo, que traz, em seus 12 volumes, textos de variados autores debatendo as mais diversas vertentes de pensamento e atuação marxista desde sua fundação no século XIX.

Ao contrário do que sugerem muitas abordagens conservadoras acerca da relação entre política e pesquisa, sua perspectiva permanentemente engajada jamais serviu de justificativa para que Hobsbawm deixasse de lado os rigorosos procedimentos metodológicos característicos desse tipo de investigação. Em diversas ocasiões, como em numerosos textos reunidos no livro intitulado Sobre História, o próprio autor tomou para si a tarefa de combater determinados ataques à disciplina histórica materializados sob a forma de concepções narrativistas que a equiparam a construções literárias e/ou instrumentalizações políticas indevidas, que apartam determinados grupos sociais das totalidades históricas em que se inserem.

Para Hobsbawm, em suma, tanto quanto a profunda erudição jamais se tornou escusa para um enclausuramento em arquivos e bibliotecas, deixando de lado a necessidade de intervir nos acontecimentos de seu próprio tempo, a militância política nunca se assentou em bases meramente voluntaristas, prescindindo de um profundo movimento de reflexão para sustentá-la. Em sua trajetória, análise do passado e transformação do presente apareceram sempre como dimensões indissociáveis da prática do historiador, orientada para a criação de um “(…) mundo no qual os trabalhadores possam fazer sua própria vida e sua própria história, ao invés de recebê-las prontas de terceiros, mesmo dos acadêmicos”.
(Artigo publicado originalmente no blog Convergência, em 2 de outubro de 2012.)

FONTE: blog Junho

terça-feira, 21 de abril de 2015

16 libros de Eric Hobsbawm en PDF

Eric J. Hobsbawm (1917-2012) es considerado uno de los grandes historiadores del siglo XX.

Los libros en PDF
Hobsbawm, Eric – 1990 – Naciones y Nacionalismo Desde 1780.pdf
Hobsbawm, Eric – 1994 – Historia del siglo XX.pdf
Hobsbawm, Erik – 2011 – Como cambiar el mundo.pdf
Hobsbawm, Eric – 1990 – Los ecos de la Marsellesa.pdf
Hobsbawm, E. y Marx, K. – Formaciones económicas precapitalistas [10ª ed., Pasado y Presente, 1982].pdf
Hobsbawm, E. – Revolucionarios. Ensayos contemporáneos [1973] [ed. Crítica, 2010].pdf
Hobsbawm, Eric – 1959 – Rebeldes Primitivos.pdf
Hobsbawm, Eric – 1969 – Bandidos.pdf
Hobsbawm, Eric – 1969 – y Rudé, George – Revolución industrial y revuelta agraria. El capitán Swing.pdf
Hobsbawm, Eric – 1971 – En torno a los origenes de la Revolucion Industrial.pdf
Hobsbawm, Eric – 1975 – La Era Del Capital, 1848-1875.pdf
Hobsbawm, Eric – 1983 – La invención de la tradición.pdf
Hobsbawm, Eric – 1983 – Marxismo e Historia Social.pdf
Hobsbawm, Eric – 1987 – La Era Del Imperio, 1875-1914.pdf
Hobsbawm, Eric – 1989 – Industria e Imperio.pdf
Eric-Hobsbawm-La-Era-de-Las-Revoluciones-1789-1848.pdf

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Download O Mundo de Ponta-Cabeça – Christopher Hill

O MUNDO DE PONTA-CABEÇA - Idéias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640
Christopher Hill

LINK PARA DOWNLOAD:

Dentro da revolução inglesa do século XVII, que resultou no triunfo da ética protestante - a ideologia da classe proprietária - houve a ameaça de uma outra revolução, completamente diferente. Seu sucesso poderia ter estabelecido a propriedade comunal e uma democracia mais ampla, poderia ter derrubado a Igreja estatal e rejeitado a ética protestante. Os grupos radicais que apresentaram essas propostas -diggersranterslevellers, quacres e outros - eram formados por homens e mulheres pobres, sem sofisticação ou educação, e, talvez por isso, raramente suas opiniões foram consideradas a sério. Porém muitas de suas exigências, tradicionalmente descartadas como fantasias impraticáveis, aproximam-se do radicalismo do nosso próprio tempo. O mundo de ponta-cabeça é um retrato não da revolução burguesa que ocorreu na Inglaterra do século XVII, mas dos impulsos para uma radical reviravolta da sociedade, violentamente desejada e temida.






"Christopher Hill iluminou um século", diz Hobsbawm


SYLVIA COLOMBO
Editora-adjunta da Ilustrada



"Era um historiador repleto de humanismo, discernimento e charme". Foi com essas palavras que o também historiador inglês Eric Hobsbawm, 85, descreveu o colega Christopher Hill (1912-2003), morto no último dia 24 de fevereiro, aos 91 anos.


Em entrevista à Folha de S.Paulo, por e-mail, Hobsbawm disse que os estudos e as opiniões de Hill influenciaram a historiografia inglesa e o comportamento político dos intelectuais de sua geração.


"De um ponto de vista amplo, Christopher Hill foi, junto com Maurice Dobb [1900-1976], a figura mais importante na formação da escola de pensamento marxista dentro da historiografia britânica. Os debates que levaram à constituição do influente Grupo de Historiadores do Partido Comunista (composto por mim, Hill, Rodney Hilton, E.P.Thompson , V.G.Kiernan e outros) começou com seu pequeno ensaio "The English Revolution" ["A Revolução Inglesa de 1640]", publicado em 1940. Hill era um pouco mais velho que o restante do nosso grupo, e, por isso, se tornou nosso líder. Também fundou e presidiu nosso periódico, "Past & Present'", diz Hobsbawm.


No Brasil, a obra de Hill, que só contava com dois títulos traduzidos ("O Eleito de Deus" e "O Mundo de Ponta-Cabeça", ambos editados pela Companhia das Letras), ganha em agosto um reforço. A Record lança "A Bíblia Inglesa e a Revolução do Século 17".


No livro, Hill analisa o impacto que a Bíblia exerceu na sociedade de seu país no período, enfatizando sua utilização com propósitos políticos e literários e sua influência nas colonizações.


Em geral, os estudos de Hill se ocuparam em fazer uma revisão da história da Inglaterra no século 17. O historiador via o período entre os anos de 1640 e 1660 como impregnados de um espírito revolucionário e atacava a idéia tradicional de que a Revolução Inglesa havia sido uma espécie de aberração dentro do processo histórico pelo qual passava o país.


"Do ponto de vista exclusivamente britânico, Christopher Hill foi o maior historiador da Inglaterra no século 17 e do que eram constituídas as ideologias revolucionárias do protestantismo puritano. Transformou a idéia geral que se fazia do país durante o período que chamou de "O século da Revolução", quando a Inglaterra julgou e executou o seu rei -a primeira vez que algo do gênero acontecia na Europa- transformando-o, pouco depois, em uma República", explica Hobsbawm.


A Revolução Inglesa teve lugar durante o reinado da dinastia Stuart, no século 17, em que uma grave crise de poder entre o rei e o Parlamento levou o país a uma guerra civil e, logo depois, ao fim do absolutismo. Entre os trabalhos de Hill sobre o período, destaca-se também uma biografia do líder antimonarquista Oliver Cromwell (1599-1658).


No teatro


Para Hobsbawm, o mais influente livro de Hill é "O Mundo de Ponta-Cabeça" (1972). Curiosamente, a obra fez tanto sucesso que chegou a ser adaptada para o teatro e fez temporada no tradicional National Theatre de Londres, algo pouquíssimo usual para um ensaio acadêmico.

"Trata-se de um amplo e completo estudo sobre os ultra-radicais e os utópicos da Revolução Inglesa. Na época, lembro-me de que Hill recebeu inspiração do radicalismo estudantil que havia no meio universitário dos anos 60. Diferente de outros marxistas de minha geração, ele manteve contato e seguiu interessado no radicalismo de 1968", diz Hobsbawm.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Hobsbawm, o Marxismo e os intelectuais*

Por Miguel Urbano Rodrigues

O renascimento do interesse por Marx e o marxismo é um fenómeno social e político de âmbito mundial, inseparável da consciência de que o capitalismo está condenado a desaparecer e que a única alternativa é o socialismo.

Reli há dias o último livro de Eric Hobsbawm: «Como Mudar o Mundo - Marx e o Marxismo,1840-2011».** Publicado pouco antes do seu falecimento, é uma coletânea de ensaios, conferências e artigos escritos entre 1956 e 2009.

Distancio-me como comunista de parte da obra do historiador inglês. A discordância de muitas das suas opiniões, nomeadamente a reflexão sobre o desaparecimento da União Soviética e a agressão imperialista ao povo afegão, não me impede de aconselhar a leitura de «Como Mudar o Mundo». O seu mérito maior é o balanço que apresenta do legado de Karl Marx e da sua profunda repercussão nos seculos XIX e XX e neste início do XXI. Tal como assinala no prefácio, «o marxismo foi durante os últimos 130 anos, um tema importante no contexto intelectual do mundo moderno e, através da mobilização de forças sociais, uma presença crucial, e em alguns períodos decisiva, na história do seculo XX».

A devastadora crise de civilização que hoje enfrentamos demonstra que o capitalismo não tem solução para os problemas da humanidade e terá de ser erradicado. Marx é, hoje como ontem, atualíssimo: ajuda a compreender o presente e abre as alamedas do futuro.

DO ENTUSIASMO À DESERÇÃO

Lenin afirmou que sem teoria revolução alguma pode vencer e ter longa vida. Enunciou uma evidência confirmada pela História.

Daí a importância dos intelectuais revolucionários como produtores e divulgadores de ideologia.

A obra de Marx, a principiar pelo Manifesto Comunista, não teria alcançado projeção mundial, cumprindo um papel insubstituível como guia para a ação revolucionária, se sucessivas gerações de intelectuais não a houvessem divulgado, transmitindo às massas uma nova compreensão da História, da economia, da política.


Mas, ao comentá-la e interpretá-la, muitos autores também a desfiguraram.

O livro de Hobsbawm contém uma informação densa e valiosa sobre a lenta divulgação de Marx ao longo da segunda metade do século XIX e das primeiras décadas do seculo XX.

Neste desambicioso artigo apenas chamarei a atenção para alguns aspetos da difusão do marxismo antes e depois da segunda guerra mundial e da influência que as posições assumidas por autores que comentaram e interpretaram Marx, deformando-lhe o pensamento, tiveram no rumo de partidos operários tradicionais e de grandes lutas sociais contemporâneas.

Nos anos 20 e 30 do seculo passado, a ascensão do fascismo na Itália e na Alemanha provocou um interesse crescente dos intelectuais pelo marxismo. Escritores como HG Wells, Anatole France, Bernard Shaw, André Malraux, Aragon, entre outros, assumiram a defesa da União Soviética e, na Europa Ocidental e nos EUA, os debates sobre a obra de Marx ganharam atualidade. Três prémios Nobel de Literatura, Aragon, Roger Martin du Gard e André Gide aderiram ao PCF. A ameaça fascista condicionava o futuro da Humanidade. Após a II Guerra Mundial, o interesse pelo marxismo aumentou. O papel decisivo da URSS na derrota do Reich nazi contribuiu muito para a adesão maciça de milhares de intelectuais aos partidos comunistas. Filósofos como Bertrand Russell e Jean Paul Sartre assumiram frontalmente a solidariedade com o povo soviético e os movimentos em defesa da Paz. Nas universidades, professores que não eram marxistas aderiram ao partido comunista.

A partir dos anos 50, houve uma autêntica enxurrada de livros e debates sobre o marxismo. Mas, como sublinha Hobsbawm, «a grande maioria dos intelectuais marxistas nesse período era constituída de marxistas recentes para os quais o próprio marxismo era coisa tão nova quanto, digamos, o jazz, o cinema e a literatura policial» tinham sido para as gerações anteriores.

O marxismo dos europeus era, porém, até à morte de Stalin, com poucas exceções, o divulgado pelas publicações da Academia das Ciências da URSS.

As interpretações alternativas da teoria marxista somente surgiram após as polémicas desencadeadas pelo XX Congresso do PCUS.

Os textos dos filósofos da Escola de Frankfurt, de Adorno, Horkheimer e Marcuse, porta-vozes do chamado «marxismo ocidental», são na época tema de apaixonados debates nos campus universitários, coincidindo com as campanhas dos grandes media contra Stalin. A palavra stalinismo, criada pela burguesia, entra no léxico politico.

Para muitos intelectuais, a URSS, na qual durante décadas viam a pátria do socialismo, o país que construíra uma sociedade símbolo do progresso e do humanismo, tornou-se, no auge de campanhas anticomunistas, a imagem da tirania e da desumanização da vida.

Os livros de Gramsci, até então pouco conhecidos fora da Itália, conhecem difusão mundial, extravasando dos meios académicos. Mas a leitura da “mensagem” da obra do autor dos «Cadernos do Carcere» difere muito, mesmo no âmbito dos Partidos Comunistas do Ocidente.

A própria teoria da Hegemonia – a dominação da cultura de uma classe sobre o conjunto da sociedade - foi submetida a múltiplas interpretações, algumas incompatíveis. Em França, na Itália, em Espanha, gramscianos entusiastas utilizaram-na para desvalorizar a luta de classes. Desvirtuado, Gramsci, um marxista original - inclusive um «leninista» na polémica opinião de Hobsbawm - foi bandeira do eurocomunismo. No Brasil e em Cuba destacados comunistas também o invocaram, distorcendo-lhe o pensamento.

Paradoxalmente, as campanhas contra a URSS e o «socialismo real» não afetaram a difusão do marxismo.

O anti- sovietismo, sobretudo apos os acontecimentos da Checoslováquia em l968, marcou a opção revisionista de influentes partidos comunistas do Ocidente, mas não impediu a expansão do marxismo em escala mundial.


A ruptura entre Moscovo e Pequim, a Revolução Cubana, a opção pelo socialismo da maioria dos movimentos de libertação africanos, a ampla difusão das teses de Frantz Fanon, a disseminação do Eurocomunismo criaram uma atmosfera de confusão ideológica.

Os estruturalistas, nomeadamente Althusser e Poulantzas, fizeram escola, semeando discípulos em dezenas de países. O primeiro foi, aliás, membro do Comité Central do Partido Francês.

Textos de Che Guevara também foram utilizados, com frequência e má-fé, por intelectuais que, deturpando-lhe o pensamento, assumindo-se como marxistas, utilizaram o eurocomunismo como alavanca de combate à União Soviética.


Dirigentes e académicos dos partidos comunistas da França e da Itália que aderiram desde o início à perestroika não hesitaram em glorificar Gorbatchov e acompanharam com entusiasmo o processo de destruição da União Soviética. Das críticas a Stalin passaram rapidamente à crítica de Lenin.

O revisionismo de alguns partidos operários evoluiu em poucos anos para posições ostensivamente anticomunistas.


Um secretário-geral do PCF, Robert Hue, saudou como acontecimento positivo a desagregação da URSS, afirmando que tudo no país da Revolução de Outubro tinha sido negativo.

A VAGA REVISIONISTA

A ofensiva revisionista precedeu, aliás, a perestroika.

As obras dos ideólogos da Escola de Frankfurt foram amplamente publicadas nos EUA e saudadas pelas «novas esquerdas» americanas como contribuição revolucionaria ao marxismo. Nas grandes universidades, os epígonos de Marcuse condenaram em bloco os partidos comunistas existentes, revisionistas ou não, qualificando-os de traidores da causa socialista.

Os livros de Marx voltaram a ser amplamente editados e debatidos. “O Capital”, entretanto, foi tratado como se fosse quase uma obra de epistemologia. Segundo Hobsbawm, “ a pesquisa e a análise do mundo real esconderam-se atrás do exame generalizado das suas estruturas e mecanismos, ou até atrás da investigação ainda mais genérica de como ele devia ser apreendido. Os teóricos eram tentados a passar de um exame dos problemas e perspetivas específicos de sociedades reais para um debate sobre a «articulação» dos «modos de produção» em geral”.

Muitos intelectuais, sobretudo os estruturalistas, esforçaram-se, na exegese da obra de Karl Marx, por opor os escritos do jovem Marx aos do Marx da maturidade. Dezenas de livros foram editados tendo por tema supostas e insanáveis contradições entre «Os Manuscritos de 1844» e «O Capital». Forjar imaginárias contradições entre Marx e Engels e opor ambos a Lenin foi outra modalidade de anticomunismo cultivada por marxólogos anti-soviéticos.

Esse cosmopolitismo marxizante somente deixou de fascinar os académicos das grandes universidades do Ocidente quando a URSS se desagregou e um capitalismo selvagem se implantou na Rússia, durante o consulado de Ieltsin.

O desaparecimento da União Soviética - uma tragédia para a Humanidade, festejada no Ocidente como vitória histórica da democracia - atuou como terramoto em partidos comunistas que já tinham optado por um reformismo transparente. Muitos dirigentes apressaram-se a renegar o marxismo. Entre os intelectuais a debandada foi imediata; alguns invocaram a revolução técnico-científica para romper com o passado de comunistas.

O marxismo foi varrido das universidades e das livrarias.

Nos EUA, Francis Fukuyama,um funcionário do Departamento de Estado, anunciou com alegria o «Fim da História», a morte do comunismo e a vitória do neoliberalismo como a ideologia para a eternidade.

PRESENÇA DE MARX

A profecia foi, porém, rapidamente desmentida.

Marx volta hoje a ser editado, lido e o seu pensamento e obra debatidos. Na Europa, na América, na Asia, na Africa, Congressos e Seminários Internacionais são promovidos para o recordar e estudar.

Em Paris Jean Salem promove na Sorbonne desde 2005 um Seminário semanal sobre «Marxismo no seculo XXI» em que participam em média 200 pessoas e que é acompanhado na Internet por dezenas de milhares.

O «Manifesto Comunista» é reeditado em dezenas de países, tal como as obras de Marx e Engels.


Como as causas que estão na origem das grandes revoluções não desapareceram e a crise do capitalismo se tornou estrutural, o renascer do interesse pelo marxismo é hoje uma realidade, não obstante a perda de influência dos partidos comunistas.

A cada ano aumenta o número de Congressos e Seminários Internacionais dedicados a Marx e à sua obra. Essas iniciativas mobilizam porém intelectuais que se situam em quadrantes ideológicos muito diferentes. Era inevitável. Emmanuel Wallerstein criou a expressão «os mil marxismos» em comentário a essa heterogeneidade.

Muitos marxianos interessam-se por Marx numa perspetiva exclusivamente académica. Ignoram a praxis.

Outros, embora afirmando a necessidade da luta contra o capitalismo e o imperialismo, concentram-se apenas em questões teóricas, distanciados de qualquer tipo de militância em organizações politicas.

Não esqueci o comentário ouvido do historiador Albert Soboul quando um comunista, professor da Universidade de São Paulo, no Brasil, expressou uma grande admiração pela contribuição do filósofo Henri Lefèbvre como eminente marxista.


«É verdade – disse - ele escreveu livros importantes. Mas creio que nunca entrou numa fábrica, temo que nunca tenha falado com um operário».

Em Encontros sobre Marx participam também marxianos, sobretudo de tendência trotskista, cujos trabalhos estão mais orientados para a crítica ao «socialismo soviético» do que propriamente para a exegese do pensamento do autor de «O Capital». Recordo o livro de uma historiadora portuguesa que, na tentativa frenética de responsabilizar Álvaro Cunhal pelo desfecho negativo da Revolução de Abril, o define como um menchevique português que teria impedido a luta revolucionária da classe operária…

Atitudes como essas não ocultam uma evidência: o renascimento do interesse por Marx e o marxismo é um fenómeno social e político de âmbito mundial, inseparável da consciência de que o capitalismo está condenado a desaparecer e que a única alternativa é o socialismo.

Reler os clássicos do marxismo, sobretudo Marx, tornou-se uma exigência das grandes lutas da humanidade contemporânea. Para preparar o futuro, como lembra Jean Salem.

*Publicado no numero 3 de «El Machete, revista de teoria y politica» do Partido Comunista do México, Outubro de 2013
**Eric Hobsbawm, «How to Change the World - Marx and Marxism, 1840-2011», London 2011

FONTE: ODiario.Info

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Marx e marxismos (muitos livros para download)

Karl Marx, Antonio Gramsci, G. Lukács, V. Lenin, E. P. Tompson, Eric Hobsbawm, Bakhtin, I. Mészáros, Trotsky, Raymond Williams, Perry Anderson, Zizek, Marshall Berman

Clique no link abaixo para acessar os títulos para download



terça-feira, 4 de junho de 2013

"Tempos Fraturados: cultura e sociedade no século XX": novo livro de Eric Hobsbawm



Hobsbawn, Eric J., 1917-2012
Tempos fraturados / Eric Hobsbawn ; tradução Berilo Vargas
São Paulo : Companhia das Letras, 2013.
Título original: Fractured Times.


Eric Hobsbawm foi um dos principais intérpretes da era moderna. Morto em 2012, ele deixou uma obra vasta capaz de dar sentido a um conjunto importante de transformações políticas e sociais, da Revolução Francesa aos dias de hoje. Os 22 textos reunidos em "Tempos Fraturados" são reflexões abrangentes sobre arte e política que ecoam algumas de suas obras clássicas, como A era dos extremos e Sobre história.

Em ensaios inéditos, resenhas sobre livros de ciência e economia ou conferências em festivais literários, o autor acompanha o florescimento da belle époque, as vertentes do capitalismo moderno na Europa e nos Estados Unidos, a consolidação da sociedade de consumo. Não há aspecto relevante da cultura burguesa que ele não tenha examinado com brilho e elegância. O rumo das artes na atualidade, cultura e política na virada no milênio, Karl Kraus, os judeus e a vida intelectual, economia, ciência, art nouveau, arte pop, caubóis, religião, todos são temas abordados no livro.

A coletânea, finalizada pouco antes da morte do autor, reúne em sua maioria textos escritos a partir dos anos 1990. É o caso de "Os intelectuais: papel, função e paradoxo", de 2011, que lamenta o desaparecimento do intelectual público: nos dias que correm, argumenta Hobsbawm, eles não têm como fazer frente a Bono Vox. É também o caso de "A perspectiva da religião pública", publicado pela primeira vez, que discute a religião no século xx como força política, em oposição ao papel que já exerceu como força intelectual. Mas talvez o texto mais surpreendente da coletânea seja "O caubói americano: um mito internacional?". A partir de um tema do imaginário pop, o historiador discute como uma subclasse empobrecida da região rural americana pôde dar origem a um símbolo de identificação nacional, fato que não se repetiu em outros países. "Tempos fraturados" é um testamento à altura do autor, um dos mais brilhantes intelectuais do século XX.

SUMÁRIO
Agradecimentos .................................... 7
Prefácio ........................................... 9
1. Manifestos ....................................... 17
PARTE I: a difícil situação da “cultura erudita” hoje
2. Para onde vão as artes? ................................. 27
3. Um século de simbolismo cultural? .................. 39
4. Por que realizar festivais no século xxi? ............... 54
5. Política e cultura no novo século .................... 64
PARTE II: a cultura do mundo burguês
6. Iluminismo e conquista: a emancipação do talento
judeu depois de 1800 ................................... 83
7. Os judeus e a Alemanha ................................ 101
8. Destinos Mitteleuropeus .......................... 109
9. Cultura e gênero na sociedade burguesa europeia 
de 1870-1914 ..................................... 121
10. Art nouveau. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
11. Os últimos dias da humanidade ..................... 158
12. Herança ......................................... 172
PARTE III: incertezas, ciência, religião
13. Preocupar-se com o futuro .......................... 189
14. Ciência: função social e mudança do mundo .......... 200
15. Mandarim com barrete frígio: Joseph Needham ....... 216
16. Os intelectuais: papel, função e paradoxo ............. 226
17. A perspectiva da religião pública .................... 237
18. Arte e revolução ................................. 259
19. Arte e poder ...................................... 266
20. Os fracassos da vanguarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 278
PARTE IV: de arte a mito
21. O artista se torna pop: nossa cultura em explosão ...... 299
22. O caubói americano: um mito internacional? ......... 310
Notas ............................................. 331
Índice remissivo .................................... 341