sexta-feira, 23 de setembro de 2016

MANIFESTO DO MOVIMENTO NACIONAL EM DEFESA DO ENSINO MÉDIO SOBRE A MEDIDA PROVISÓRIA

Não ao esfacelamento do Ensino Médio

O Governo Federal anunciou hoje (22/09/2016), por meio de Medida Provisória, uma reforma no Ensino Médio Brasileiro. Consideramos ilegítimo o uso da Medida Provisória para esse fim, o que se institui como forma absolutamente antidemocrática de promover mudanças no campo da educação. O Ensino Médio tem sido alvo de preocupações por parte de gestores, professores, pesquisadores e várias entidades da área, o que, por si só, justifica a necessidade de uma ampla discussão na sociedade brasileira, desde que considere os interesses e necessidades de todos os envolvidos, em particular de estudantes. Quanto ao conteúdo em si da referida Medida Provisória ressaltamos seus limites ao considerar apenas parcialmente as necessidades de mudanças, além do que as medidas anunciadas carregam em si perigosas limitações, dentre elas: o fatiamento do currículo em cinco ênfases ou itinerários formativo implica na negação do direito a uma formação básica comum e resultará no reforço das desigualdades de oportunidades educacionais, já que serão as redes de ensino a decidir quais itinerários poderão ser cursados; o reconhecimento de “notório saber” com a permissão de que professores sem formação específica assumam disciplinas para as quais não foram preparados institucionaliza a precarização da docência e compromete a qualidade do ensino; o incentivo à ampliação da jornada (tempo integral) sem que se assegure investimentos de forma permanente resultará em oferta ainda mais precária, aumentará a evasão escolar e comprometerá o acesso de quase 2 milhões de jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola ou que trabalham e estudam; a profissionalização como uma das opções formativas resultará em uma forma indiscriminada e igualmente precária de formação técnico-profissional acentuada pela privatização por meio de parcerias; a retirada da obrigatoriedade de disciplinas como Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física é mais um aspecto da sonegação do direito ao conhecimento e compromete uma formação que deveria ser integral – científica, ética e estética. Entendemos que, para alterar de fato a qualidade do que é oferecido e ampliar as possibilidades de acesso, permanência e conclusão do Ensino Médio seria necessário um conjunto articulado de ações envolvendo, para sua execução, as redes de ensino e esferas de poder em torno de uma ação conjunta. Dentre as ações necessárias destacamos: induzir a uma organização curricular que respeite as diferenças e os interesses dos jovens mas ao mesmo tempo assegure a formação básica comum e de qualidade; a consolidação de uma forma de avaliação no Ensino Médio que possibilite o acompanhamento permanente pelas escolas do desempenho dos estudantes com vistas à contenção do abandono e do insucesso escolar; a ampliação dos recursos financeiros com vistas à reestruturação dos espaços físicos, das condições materiais, da melhoria salarial e das condições de trabalho dos educadores; construção de novas escolas específicas para atendimento do Ensino Médio em tempo integral; indução à formação de redes de pesquisa sobre o Ensino Médio com vistas a produzir conhecimento e realizar um amplo e qualificado diagnóstico nacional; articulação de uma rede de formação inicial e continuada de professores a partir de ações já existentes como PARFOR e PIBID; fomento a ações de assistência estudantil com vistas a ampliar a permanência do estudante na escola; atendimento diferenciado para o Ensino Médio noturno de modo a respeitar as características do público que o frequenta; elaboração e aquisição de materiais pedagógicos apropriados, incluindo os formatos digitais; criação de uma rede de discussões para reconfiguração dos cursos de formação inicial de professores, envolvendo as várias entidades representativas do campo educacional, estudantes, professores e gestores; Desse modo, nos posicionamos contrários ao teor da Medida Provisória e conclamamos pela sua não aprovação pelo Congresso Nacional e abertura imediata de um amplo diálogo nacional. Mudar sim, mas para melhor!

Abaixo assinado contra a MP do atraso

Congresso Nacional: Impeça a aprovação da medida provisória que reformula o ensino médio – Clique aqui para aderir.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

A teoria leninista sobre o Imperialismo

Guia da luta dos Comunistas

Por Giorgos Marinos*   

Giorgos Marinos chama a atenção para a mudança de posição de alguns partidos comunistas. Em vez de lutarem pelo derrubamento do capitalismo, esses partidos adotam posições reformistas e defendem estratégias de recuperação da soberania e da independência no âmbito do capitalismo. Na América Latina apoiam governos que se intitulam de esquerda, mas são de gestão burguesa.

A cada dia que passa confirma-se que a complexidade dos desenvolvimentos económicos e políticos, a nível internacional e nacional, requere uma tentativa muito séria e sistemática de desenvolvimento do trabalho teórico por cada partido comunista e a formação de uma forte infraestrutura, com capacidade para apoiar a luta ideológica e política independente dos comunistas, a luta dentro dos sindicatos, dentro do movimento operário e popular.

Uma tarefa estável e permanente é estudar o desenvolvimento do sistema imperialista-capitalista e os seus escalões, os estados capitalistas, a avaliação exata de cada país no sistema imperialista, para que a formulação da estratégia e da tática revolucionárias sejam baseadas nos dados reais e objetivos que ressaltam na nossa época, época de transição do capitalismo ao socialismo.

Os Partidos Comunistas gozam de uma enorme vantagem, têm nas suas mãos a obra insubstituível de Marx, Engels e Lenine, têm como guia a cosmovisão marxista-leninista.

Esta valiosa vantagem também tem que ver com a obra de Lenine «O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo» escrita em 1916, dois anos depois de rebentar a 1ª Guerra Mundial Imperialista, que fazia uso de uma grande quantidade de dados sobre a trajetória do capitalismo e as suas contradições, das alterações provocadas pelo seu desenvolvimento. Especialmente as alterações provocadas pela crise de 1873 na concentração do capital e na criação de uma unidade superior, o monopólio, resultando em conclusões científicas sobre o novo período capitalista, a sua fase imperialista.

Com a mesma precisão científica, Lenine estudou questões políticas que surgem e prestou atenção à posição histórica do capitalismo na sua última fase imperialista, ensinando a necessária ligação da economia com a política, dando aos Partidos Comunistas e à classe operária recursos preciosos.

O QUE É O IMPERIALISMO?

Em primeiro lugar, o imperialismo é o capitalismo na época histórica que começou no final do século XIX, princípios do século XX e de acordo com a breve definição dada por breve dada por Lenine: «O imperialismo é a etapa monopolista do capitalismo», sublinhando que esta definição não é suficiente para dar uma resposta a todo o seu conteúdo.

Na sua obra «Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo», Lenine deu uma definição completa, destacando as caraterísticas económicas fundamentais em cinco pontos [Utiliza-se a tradução destes pontos das Obras Escolhidas em 6 volumes, Editorial Avante, Lisboa 1984]:
«1) Concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida económica;

2) a fusão do capital financeiro com o capital industrial e a criação, baseada nesse «capital financeiro», da oligarquia financeira»;

3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande;

4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas que partilham o mundo entre si:

5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes. O imperialismo é o capitalismo na fase de desenvolvimento em que ganhou corpo a dominação dos monopólios e do capital financeiro, adquiriu marcada importância a exportação de capitais, começou a partilha do mundo pelos trusts internacionais e terminou a partilha de toda a Terra entre os países capitalistas mais importantes.»

Sobre o tema mais importante, o que é o imperialismo?, há um intenso conflito no Movimento Comunista. No quadro de um retrocesso ideológico e de forte influência de conceções burguesas e oportunistas, uma série de Partidos Comunistas entendem o imperialismo (apenas) como a postura agressiva dos Estados Unidos e outros estados capitalistas contra outros estados com posições inferiores no sistema imperialista-capitalista em meios económicos, políticos e militares.

Trata-se de um problema muito sério que leva Partidos Comunistas à incapacidade de analisar os desenvolvimentos com dados reais já que o sistema capitalista e as suas leis, na nova fase, superior e imperialista, são tratados como apenas por um elemento, apenas pela política externa agressiva, de estados capitalistas poderosos que – como se diz – conduz ao debilitamento ou à perda da soberania dos estados mais pequenos, à perda da independência.

Esta abordagem, que não pode ver o sistema imperialista (capitalista) como um conjunto tendo como escalões dos estados capitalistas que não são «idênticos» não são «iguais», mas, devido à desigualdade e ao seu poder económico, militar e político tem uma posição diferente – no sistema – na pirâmide imperialista, não pode compreender a questão fundamental, que os países capitalistas na época do imperialismo, os que têm uma base económica monopolista se encontram na etapa imperialista.

Isto não quer dizer que a Grécia seja o mesmo que a Alemanha, nem que o México seja o mesmo que os EUA. Tampouco significa uma identificação de objetivos políticos de cada estado e aliança capitalista e que cancela manobras, compromissos que se podem fazer num ou noutro momento histórico, sempre com um objetivo permanente que é a promoção dos interesses dos monopólios.

A desigualdade capitalista e a desigualdade nas relações económico-políticas são leis básicas do capitalismo e cada estado burguês serve os interesses dos monopólios a partir de uma tal posição mais forte, superior ou inferior.

Além disso, a própria burguesia elege o caminho da cessão de direitos de soberania, por exemplo, numa aliança imperialista, seja a UE ou a NATO, ou inclusivamente nas relações interestatais para salvaguarda dos seus interesses gerais de classe, para encontrar apoios e perpetuar o seu poder. É por isso que as «questões de soberania» têm uma base de classe e a sua eliminação está ligada à eliminação das causas que as geram, com o derrube do poder burguês.

A identificação do imperialismo (apenas) pela política externa agressiva dos estados capitalistas fortes e o desvincular a político do económico (monopólio) conduz à profundamente errada separação da luta anti-imperialista da luta anticapitalista.

Leva ainda ao «embelezamento» do papel da burguesia dos «estados mais pequenos».

O problema mais grave é a mudança do objetivo dos Partidos Comunistas. Em vez da luta pelo derrube do capitalismo, o imperialismo passa a entrar na utópica procura de estratégias de recuperação da soberania e independência dentro do capitalismo, com formações políticas transitórias, chamadas governos «de esquerda», «progressistas» de gestão burguesa com consequências negativas para o progresso da luta de classes e fortalecimento do campo capitalista.

No caso de estados da América Latina é caraterístico, pelo constitui uma importante contribuição para a luta do Movimento Comunista a análise que faz o Partido Comunista do México ao revelar o dano provocado pelo chamado «progressismo» e o chamado «socialismo do século XXI», que se movimentam em capitalismo, conservam o poder burguês, a lei do lucro dos monopólios, a anarquia capitalista que conduz às crises.

Tendo em conta a gravidade do problema é extremamente importante a advertência de Lenine que assinala enfaticamente que: «Se as raízes económicas deste fenómeno (do imperialismo) não forem compreendidas, se não se avalia a sua importância política e social, não se pode avançar no sentido da solução das tarefas práticas do movimento comunista?».

Em segundo lugar, Lenine estudou e revelou, sobre a base da essência económica e dos contrastes do imperialismo, as suas caraterísticas políticas. Fundamentando que o imperialismo é a última fase do capitalismo, à beira da revolução socialista.

A importância fundamental da socialização da produção e do trabalho

Lenine disse em 1916 que: «O capitalismo na sua fase imperialista conduz diretamente à socialização mais conjuntural da produção… A produção torna-se social, mas a apropriação continua a ser individual…

Quando a grande empresa se torna enorme e organiza de forma planificada, segundo o cálculo preciso de uma enorme quantidade de dados, o fornecimento de matéria-prima em dimensões de 2/3 ou 3/4 da quantidade total necessária para dezenas de milhões de pessoas»

* Giorgos Marinos é membro da Comissão Política do CC do Partido Comunista da Grécia.

Este texto foi escrito para El Machete, revista teórica do Partido Comunista do México.

Tradução de José Paulo Gascão

FONTE: ODiario.Info

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Cuba: Vem aí o Congresso Internacional de Pedagogia [2017]



Por Maria Leite

O Congresso Pedagogia, será realizado entre os dias 30 de janeiro a 03 de fevereiro de 2017 no Palácio das Convenções de Havana - Cuba.

Cada um desses temas centrais será discutido em simpósios e fóruns, e serão abordados nos cursos (pré-congresso e paralelo ao evento), desenvolvidos por professores cubanos.

Os simpósios serão organizados em conferências, mesas redondas, painéis, apresentações de cartazes e orais, como formas de integrar o conteúdo das questões centrais e fomentar o debate científico. 

O programa inclui visitas especializadas aos centros educacionais e instituições científicas em Havana.

O prazo limite do envio de trabalhos para apresentação é 31 de outubro.


TEMAS DO CONGRESSO


1 - Educação valores e cidadania por uma cultura de paz;

2 - O desempenho profissional dos professores no desenvolvimento e transformação dos sistemas de ensino;

3 - Desafios e perspectivas na formação de professores.

4 - As políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

5 - Tecnologia informação e comunicação na educação e sua contribuição para a cultura e para o desenvolvimento sustentável.

6 - A avaliação da qualidade para uma educação inclusiva e equitativa no âmbito da Agenda de Educação 2030

7 - A educação ambiental para o desenvolvimento sustentável e prevenção de acidentes

8 - Cultura, educação e sociedade.

9 - A educação física, esporte e saúde nas instituições de ensino.

10 - Assistência integral para a infância e adolescência.

11 - Orientação no processo de ensino e  aprendizagem.

12 - Vocação, formação profissional e orientação profissional, de acordo com as demandas sociais.

13 - Organização  e gestão das instituições de ensino.

14 - Contribuições das Ciências da Educação no desenvolvimento da prática educativa.

15 - Integração escolar - família - comunidade de desenvolvimento humano sustentável.

16 - A alfabetização e educação de jovens e adultos.

17 - O pensamento de José Martí e Fidel Castro na obra educativa cubana.

18 - Pensamento educativo da América Latina.

19 - Desafios e Perspectivas na formação de profissionais em uma universidade inovadora.

20 - Influência dos sindicatos e associações de professores no desenvolvimento sustentável do ensino.

21 - Educação inclusiva, equitativa, e a qualidade educacional e aprendizado ao longo da vida;

22 - Educação para os povos indígenas e do setor rural, políticas inovadoras para o desenvolvimento humano sustentável.

23 - Qualidade da formação técnica e profissional e sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico dos países

Maiores informações sobre o congresso: http://www.pedagogiacuba.com/es/convocatoria

Passagem Aérea

COPA via Panamá

AVIANCA via Panamá:

A hospedagem poderá ser em casas de cubanos autorizados a alugar para estrangeiros.

FONTE: Solidários

Para download: José Martí - Obras Completas (edición crítica)


CLACSO (Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales) presenta ​la Edición Crítica de las Obras ​C​ompletas​ ​de José Martí (1853-1895)​, una iniciativa del Centro de Estudios Martianos y del Ministerio de Cultura de la República de Cuba.

La colección, compuesta de 25 volúmenes en acceso abierto y gratuito,​ recoge los manuscritos e impresos de José Martí conocidos hasta hoy: proclamas, discursos, manifiestos, comunicaciones, dedicatorias, cartas, correspondencias periodísticas, crónicas, artículos, ensayos, narraciones, obras de teatro, poemas, semblanzas biográficas, traducciones, dibujos, borradores, fragmentos de escritos y cuadernos de apuntes.

Descargue desde aquí las Obras Completas en acceso abierto:

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ENTREVISTA DE ANITA PRESTES PARA A REVISTA "INITIATIVE COMMUNISTE"

Journal mensuel du Pôle de Renaissance Communiste  en  France   (PRCF) 

ATENÇÃO: Nesta postagem, o texto publicado em francês é seguido de sua versão em português.

Sur la situation au Brésil : Entretien avec Anita Leocadia Prestes (Sobre a situação do Brasil: entrevista com Anita Leocadia Prestes)

Alors qu’un coup d’état parlementaire a destitué la présidente Dilma Rousseff, Anita Prestes – prestigieuse figure du  mouvement communiste brésilien – a accepté de répondre aux question d’Initiative communiste, journal du PRCF

A la tête de la Marche de la Colonne à laquelle allait être attribué son nom, Luiz Carlos Prestes a dirigé dans les années 1920 une épopée militaire qui l’a conduit sur 25 000 km du Sud au Nord et de l’Est en Ouest de Brésil pour brandir le drapeau de la liberté. Apogée du « tenentismo » (mouvement dirigé par la jeunesse militaire d’opposition au pouvoir oligarchique qui existait dans le pays jusqu’en 1930), la Colonne Presto est restée connue sous le nom de Colonne invaincue, car les troupes gouvernementales ne purent jamais la mettre en déroute. La misère des travailleurs ruraux que Prestes, le « Cavalier de l’espérance », a rencontrés durant ce périple l’a poussé à trouver d’autres chemins pour l’émancipation du peuple brésilien, renforçant ainsi la qualité de la direction communiste au Brésil durant tout le XXe siècle.

À frente da Marcha da Coluna, à qual seria atribuído seu nome, Luiz Carlos Prestes liderou na década de 1920 uma epopeia militar ao percorrer 25 mil quilômetros de Sul a Norte e de Leste a Oeste do Brasil empunhando a bandeira da liberdade. Momento culminante do tenentismo – movimento liderado pela juventude militar de oposição ao poder oligárquico existente no país até 1930 -, a Coluna Prestes também ficou conhecida como Coluna Invicta, pois as tropas governistas não a conseguiram derrotar. A miséria dos trabalhadores rurais com a qual Prestes, o Cavaleiro da Esperança, se deparou durante esse périplo o levou a buscar outros caminhos para a emancipação do povo brasileiro, contribuindo para que se tornasse a maior liderança comunista do Brasil durante todo o século XX. 

Anita Leocadia Prestes est la fille de Luiz Carlos Prestes et d’Olga Benario Prestes. Née le 27 novembre 1936 à Berlin, dans une prison de femmes, où sa mère était détenue, après que Getulio Vargas l’eut livrée à l’Allemagne nazie, où elle a été assassinée dans une chambre à gaz du camp de concentration de Bernburg.

Anita Leocadia Prestes é filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes. Nascida em 27/11/1936, em Berlim (Alemanha), numa prisão de mulheres, onde estava presa sua mãe, entregue pelo governo de Getúlio Vargas à Alemanha nazista, onde foi assassinada numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. 

Anita a été militante communiste, affiliée au Parti Communiste Brésilien (PCB). En 1973, elle fut condamnée par contumace à quatre ans et demi de prison et à la privation de ses droits politiques. Elle s’est éloignée du PCB en même temps que son père, à la fin des années 1970

Anita foi militante comunista, filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1973 foi condenada à revelia a 4 anos e meio de prisão e teve os direitos políticos cassados. Afastou-se do PCB juntamente com seu pai, no final da década de 1970.

Anita a publié 12 livres liés à l’activité politique de Luiz Carlos Prestes et des militaires au Brésil ainsi qu’à l’histoire du PCB. Elle a publié également des chapitres de livres et des articles dans des journaux et revues spécialisées. Son dernier livre, une biographie politique de Luiz Carlos Prestes, a été publié en 1015 : Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (Ed. Boitempo). Elle est actuellement professeur du Programme post-doctoral en Histoire comparée de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro (UFRJ) et présidente de l’Institut Luiz Carlos Prestes  (www.ilcp.org.br).

Anita publicou 12 livros relacionados com a atuação política de Luiz Carlos Prestes e dos militares no Brasil, assim como sobre a história do PCB. Também tem publicados capítulos de livros e artigos em revistas especializadas e jornais. Seu último livro, uma biografia política de Luiz Carlos Prestes, foi publicado em 2015:  Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (Ed. Boitempo). Atualmente é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes (www.ilcp.org.br).

Initiative Communiste : quel bilan tirez-vous de la présence au pouvoir de Lula puis de Dilma?

Anita Leocadia Prestes : Je suis d’avis, en accord avec mon père, Luiz Carlos Prestes, décédé en 1990, que le PT n’a jamais été un parti de gauche. Au contraire, depuis qu’il a accédé à la présidence de la République en 2003, il ne s’est pas démarqué des politiques néo-libérales de ses prédécesseurs. Lula comme Dilma ont mis en pratique lesdites « politiques compensatoires » pour favoriser dans une certaine mesure, les secteurs les plus pauvres de la population, en accord avec les avis de la BID (Banque inter-américaine de développement). Ces politiques ne se sont pas attaquées aux graves problème structurels qui touchent la société brésilienne et accentuent la domination impérialiste sur le Brésil. Entre-temps, l’adoption de certaines mesures allant en contradiction avec les intérêts de l’impérialisme, et en particulier des USA, comme l’adhésion aux BRICS, ont fait que des secteurs de la droite, comptant avec le soutien probable et la participation du gouvernement étasunien, ont déclenché le « coup d’Etat parlementaire » contre la présidente Dilma. Nos sommes confrontés à une grave atteintes aux libertés démocratiques au Brésil.

Question 1:
Defendo a opinião, que coincide com a que tinha meu pai, Luiz Carlos Prestes, falecido em 1990, que o PT nunca foi um partido de esquerda. Pelo contrário, desde que assumiu a presidência da República em 2003, caracterizou-se por dar continuidade às políticas neoliberais dos seus antecessores. Tanto Lula quanto Dilma puseram em prática as chamadas “políticas compensatórias” para favorecer em alguma medida os setores mais pobres da população, de acordo com os ditames do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Tais políticas não enfrentaram os graves problemas estruturais que afetam a sociedade brasileira e acentuaram a dominação imperialista do Brasil. Entretanto, a adoção de algumas medidas contraditórias com os interesses do imperialismo e, em particular, dos Estados Unidos, como a adesão aos BRICS, contribuíram para que setores da direita, contando com o provável apoio e participação do governo norte-americano, desfechassem o recente golpe parlamentar contra a presidente Dilma. Estamos diante de um grave atentado às liberdades democráticas no Brasil.

Initiative Communiste : Etant donné le bilan très contestable du PT, le mouvement populaire et les communistes doivent-ils se désintéresser de la résistance démocratique actuelle au retour en force de la réaction brésilienne, avec ses conséquences négatives probables sur le mouvement progressiste latino-américain et mondial ?

Anita Leocadia Prestes : Bien sûr, face à la situation créée dans le pays avec le « coup d’Etat parlementaire » qui a déposé la présidente Dilma (une farce injustifiable vu que l’accusation de prétendu crime de « responsabilité fiscale » n’a pas été confirmée), il faut mobiliser toutes les forces populaires et démocratiques dans la lutte contre la réaction et pour la garantie des droits démocratiques et des conquêtes des travailleurs. En ce sens, comme Prestes l’a toujours défendu, il faut rassembler des forces pour faire avancer l’organisation populaire dans la lutte pour ses revendications, contribuer à faire émerger de nouvelles directions, aptes à répondre aux aspirations populaires et capables d’impulser le renforcement et la formation d’organisations révolutionnaires qui conduisent notre peuple sur le chemin de son émancipation économique, sociale et politique, c’est-à-dire sur le chemin de la conquête d’un avenir socialiste. C’est cela qui devrait être la contribution principale des forces progressistes brésiliennes pour les luttes des peuples frères d’Amérique latine.

Question 2:
Certamente, diante da situação criada no país com o golpe parlamentar que depôs a presidente Dilma – uma farsa injustificável, pois não se confirmou a acusação de suposto crime de “responsabilidade fiscal” -, é necessário mobilizar todas as forças populares e democráticas na luta contra a reação e pela garantia dos direitos democráticos e das conquistas dos trabalhadores. Nesse sentido, conforme sempre foi defendido por Prestes, é necessário somar forças para fazer avançar a organização popular na luta pelas suas reivindicações mais sentidas, contribuindo para o surgimento de novas lideranças, comprometidas com os anseios populares e capazes de impulsionar o fortalecimento e a formação de organizações revolucionárias que conduzam nosso povo pelo caminho da sua emancipação econômica, social e política, ou seja, no caminho da conquista de um futuro socialista. Esta deverá ser a principal contribuição das forças progressistas brasileiras para as lutas dos povos irmãos da América Latina.

Initiative Communiste : Que proposent les communistes brésiliens et leurs amis pour mettre la classe ouvrière et la paysannerie à la tête des luttes pour l’indépendance nationale, la démocratie et le socialisme?

Anita Leocadia Prestes : Le mouvement communiste au Brésil est divisé et il y a de nombreux communistes, dont je fais partie, qui ne sont membres d’aucun parti. Je considère, de façon générale, que le chemin qu’il faut frayer est ce dont nous avons parlé pour répondre à votre deuxième question, ce qui était prôné par Prestes dans les années 1980, après son retour d’exil.

Question 3:
O movimento comunista no Brasil está dividido e há muitos comunistas, entre os quais eu me incluo, que não fazem parte de nenhum partido. Considero que, em linhas gerais, o caminho a ser trilhado é o exposto na question 2, o qual era defendido por Prestes nos anos 1980, após seus retorno do exílio.

Interview réalisée depuis Rio de Janeiro, 3/9/2016 – traduction AM pour www.initiative-communiste.fr depuis le portugais



terça-feira, 13 de setembro de 2016

VI Jornada Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores

Educação de Jovens e Adultos da Classe Trabalhadora em Tempos Fraturados

Universidade Federal Fluminense (UFF)
Faculdade de Educação
Programa de Pós-Graduação em Educação


Angela Davis: “Raza, género y clase son elementos entrelazados”

Hablamos con la histórica activista e investigadora sobre feminismo, racismo y sistema penitenciario.

Maria Colera Intxausti, Barcelona
08/09/16 


Maria Colera entrevista a Angela Davis, filósofa, profesora de Historia de la Conciencia en la Universidad de California, histórica dirigente del Partido Comunista de EE.UU., ex miembro de las Panteras Negras e investigadora especializada en feminismo, marxismo, abolicionismo del sistema penitenciario, teoría crítica y estudios afroamericanos.

En el ensayo '¿Están las prisiones obsoletas?' (Democracia de la abolición. Prisiones, racismo y violencia. Editorial Trotta 2016), hablas del encarcelamiento masivo de los pobres y de los migrantes ilegales. El capitalismo considera a estas personas como seres prescindibles pero los utiliza como mano de obra esclavizada barata al mismo tiempo que los convierte en consumidores cautivos del excedente de producción, excedente que se sitúa en el origen mismo de una crisis económica que, la vez, genera pobreza y migración, en un bucle perfecto. ¿Observas algún paralelismo entre estas políticas de encarcelamiento y el proceso desarrollado durante la transición del feudalismo al capitalismo, en el que millones de personas fueron expulsadas de las tierras que hasta entonces habían sido su medio de reproducción y fueron forzadas a la esclavitud del salario?

Ciertamente, existen paralelismos entre ambas épocas, pero lo que quizá es más importante es constatar que también hay diferencias considerables entre los dos períodos. En la transición del capitalismo al feudalismo, tal como Marx la describió, los cercamientos y otros procesos de desposesión privaron a la gente de las tierras que constituían su fuente de subsistencia y, de manera simultánea, generaron una clase de personas a quienes no les quedó nada más que su fuerza de trabajo. Así, pues, se convirtieron en la mano de obra necesaria para que el capitalismo naciente pudiera incrementar su riqueza. Aquellas personas fueron liberadas de los constreñimientos del feudalismo, pero se vieron forzadas a cambiar una forma de opresión por otra.

Si bien es cierto que suele resultar inútil hacer un ranking de las diferentes formas de opresión, se puede afirmar que, a pesar de que el capitalismo depende total y absolutamente de la explotación, el hecho de dejar atrás la esclavitud y el feudalismo supuso cierto grado de progreso. Algunos trabajadores al menos encontraron su camino hacia el empleo, por degradante que fuera y siga siendo el trabajo.

Por otra parte, el complejo penitenciario industrial global es ciertamente rentable, pero su rentabilidad reside en las tecnologías destinadas a relegar ingentes cantidades de personas a unas vidas marginales, improductivas y cargadas de violencia. El encarcelamiento masivo de personas negras, de color e inmigrantes en EE UU, Australia y partes de Europa, junto con la persistencia de un racismo y una xenofobia estructurales, son prueba del fracaso absoluto del capitalismo global a la hora de responder a las necesidades de personas reales en todo el mundo.

Se podría argumentar, igualmente, que ello también es la prueba más convincente de la necesidad de concebir un sistema socioeconómico más allá del capitalismo. Así, pues, el movimiento abolicionista contemporáneo, en su llamamiento a desmantelar el complejo penitenciario industrial, se presenta como un movimiento anticapitalista que exige igualdad racial, puestos de trabajo con salarios vivibles, vivienda asequible, sanidad y educación gratuitas y justicia medioambiental para todos los seres vivos.

Abogas por la justicia restaurativa, en lugar de la punitiva. ¿Cómo se restauran la desigualdad y la injusticia causadas por el proceso de acumulación primitiva que conforman la base del capitalismo? En otras palabras, ¿qué forma tendría una justicia restauradora destinada a reparar el 'pecado original' de explotación y acumulación que se encuentra en el origen de las desigualdades de redistribución de nuestras sociedades?

Efectivamente, a menudo he utilizado el término 'justicia restauradora', junto con otros, como 'justicia reparadora' y 'justicia transformadora', como alternativas a la justicia punitiva o retributiva. De hecho, prefiero el término 'justicia transformadora', ya que no presupone la existencia de un estado ideal que sea necesario restaurar.

Respondiendo a tu pregunta, me gustaría destacar la importancia de la memoria histórica, especialmente en cuanto a la necesidad que hay hoy en día de un análisis explícitamente anticapitalista. "La llamada acumulación originaria" es uno de los capítulos más importantes de El capital, precisamente porque desenmascara la expropiación, injusticia y violencia que marcaron el inicio del capitalismo y que, aunque pudiera parecer que ya no es así, siguen en el centro del proceso capitalista. A finales del siglo XX, el complejo penitenciario industrial comienza a mostrar el grado en que las sociedades capitalistas continúan basándose en ideologías racistas y coloniales a la hora de fabricar tecnologías de violencia, reflejo, a su vez, de la violencia histórica ligada a la esclavitud y a la colonización.

Has hablado de nuestra problemática reacción automatizada con que a menudo respondemos al crimen y al delito, recurriendo a las instituciones jurídico-policiales, en vez de diseñar soluciones desde dentro de la comunidad. En el caso concreto de la violencia sexual, abogas por la autodefensa, lo cual nos lleva al tema de las mujeres y la violencia. En '¿Están las prisiones obsoletas?' haces referencia a la «necesidad de cuestionar las premisas imperantes según las cuales la única relación posible entre las mujeres y la violencia implica que las mujeres sean víctimas». ¿Qué opinas del uso disuasorio y disciplinandor de la violencia feminista como mecanismo dirigido a defendernos a nosotras mismas? ¿Qué es la autodefensa feminista para ti?

Siempre he tenido un cuidado especial en la manera en que utilizo el término 'violencia'. Como estudiosa de la teoría crítica, siempre me recuerdo a mí misma que las herramientas conceptuales que decido utilizar podrían estar haciendo un trabajo que, en realidad, contraviene lo que pretendo expresar. Así, pues, trato de no equiparar 'autodefensa' y 'violencia contra el agresor'. Y mi apuesta por la formación en autodefensa se inserta en un contexto más amplio, basado en un análisis que vincula la violencia misógina con los sistemas de dominación de raza, género y clase, dentro de una estrategia que pretende purgar nuestras sociedades de toda forma de explotación y violencia.

En 'Mujeres, raza y clase' (Akal, 2004) desmontas el mito del violador negro y explicas que «fue una invención claramente política», propaganda construida con el fin de consolidar y justificar los linchamientos, como método de 'contrainsurgencia' destinado a evitar que los negros alcanzaran sus derechos. El pasado fin de año asistimos al despliegue de este mismo mito en Colonia, en este caso en los cuerpos de hombres "de apariencia árabe o norteafricana", en un nuevo ejemplo de 'purple washing' o utilización de una supuesta defensa de las mujeres para criminalizar a los solicitantes de asilo y a los residentes ilegales, de una manera que parece estar lanzando el mensaje de que "a nuestras mujeres sólo las podemos violar nosotros". ¿Cómo interpretas esta utilización de los derechos de las mujeres (velo, violador negro, opresión de las mujeres afganas ...) para otras cruzadas?

En su libro 'Arrested Justice: Black Women, Violence, and America's Prison Nation' [La justicia bajo arresto: mujeres negras, violencia y la nación prisión de América], Beth Richie expone los peligros de confiar en tecnologías de criminalización como supuestas soluciones a los problemas de la violencia de género. Su argumento es que el movimiento antiviolencia predominante en EE UU dio un giro peligrosamente equivocado cuando comenzó a apoyar la represión policial y el encarcelamiento como principales estrategias destinadas a proteger a las «mujeres» de la violencia masculina. Era fácilmente previsible que quienes más estarían el punto de mira de estas iniciativas destinadas a garantizar la seguridad de las «mujeres» serían los hombres de comunidades ya sometidas a una hipervigilancia de la policía y que ya contribuían de manera desproporcionada al incremento de la población penitenciaria.

Resulta, sin embargo, que el uso generalizado de la categoría 'mujer' escondía una racialización clandestina operativa dentro de esta categoría, según la cual 'mujeres' en realidad significaba 'mujeres blancas' o, aún más concretamente, 'mujeres blancas acomodadas'.

El caso de Colonia y el discurso sobre el violador árabe, que pretende consolidar aún más las representaciones colonialistas de los hombres árabes como agresores sexuales, nos recuerdan la importancia de las teorías y prácticas feministas que cuestionan la instrumentalización racista de los 'derechos de las mujeres' y enfatizan la interseccionalidad de las luchas por la justicia social.

En las últimas décadas, hemos experimentado lo que Nancy Fraser define como "desacoplamiento de las llamadas 'políticas identitarias' de las políticas de clase", en lo que se ha convertido en una lucha por el reconocimiento, en lugar de por la redistribución, con un desplazamiento del sujeto colectivo hacia uno individual(ista). Tú, en cambio, siempre has defendido las 'comunidades de lucha', al considerar que "las comunidades son siempre proyectos políticos". ¿Qué opinas sobre las políticas identitarias y cuáles son, en tu opinión, las luchas y los proyectos políticos que deberían situarse en el centro, en la actual era de hegemonía neoliberal?

Lo que encuentro más problemático de las políticas identitarias es la manera en que las identidades muy a menudo se naturalizan y no son consideradas como un producto de la lucha política, de modo que no se sitúan en relación con las luchas de clase y antirracistas.

Recientemente, el movimiento trans, por ejemplo, se ha convertido en un importante territorio donde luchar por la justicia. Con todo, hay una diferencia fundamental entre las representaciones dominantes de las cuestiones trans, que habitualmente hacen hincapié en la identidad individual, y los movimientos trans interseccionales, que consideran que tanto la raza como la clase son elementos fundamentales en las luchas de las personas trans. En vez de centrarse en el derecho de la persona a 'ser' él mismo, ella misma, o ell@ mism@, estos movimientos trans afrontan la violencia estructural (en manos de la policía, la prisión, el sistema sanitario, el sistema de la vivienda, el ámbito laboral, etc.) que las mujeres trans de color tienen más probabilidades de experimentar que ningún otro grupo de la sociedad. En otras palabras, luchan por unas transformaciones radicales de nuestras sociedades en contraposición a la asimilación en un estado de cosas determinado e inamovible.

Continuando con el tema de la identidad, por lo que dices sobre la interseccionalidad, entiendo que apuestas por una confluencia de luchas (Ferguson, Palestina), más que por una conjunción de identidades diferentes, diversas y múltiples, en un momento en que gran parte de las defensoras de las políticas interseccionales afirman y naturalizan las identidades, en vez de cuestionarlas, ignorando a menudo el contexto material e histórico que rodea estas identidades. ¿Cómo entiendes la interseccionalidad y en qué términos resulta productiva hoy en día?

El concepto de interseccionalidad, tal como yo la entiendo, tiene una genealogía muy interesante, que se remonta al menos al período de finales de los años 1960 y principios de los 1970. Como ahora no puedo entrar en gran detalle, me limitaré a mencionar alguno de los elementos fundamentales que me gustaría destacar: la creación de la organización Alianza de Mujeres Negras, como respuesta a la voluntad de plantear un debate sobre cuestiones de género dentro del Comité de Coordinación Estudiantil No Violento (SNCC), principal organización juvenil del Movimiento por la Libertad del Sur.

La Alianza planteaba que no era posible entender el racismo en toda su complejidad sin incorporar un análisis del sexismo y, para sustentar esta tesis, en 1970 Fran Beale escribió un artículo que tuvo gran difusión, titulado "Double Jeopardy: To Be Black and Female" [Riesgo doble: ser negra y mujer]. Poco después de la publicación del artículo, de resultas del hecho de tener conocimiento de luchas como las de las mujeres puertorriqueñas contra la esterilización forzosa, la Alianza de Mujeres Negras se convirtió en Alianza de Mujeres del Tercer Mundo y publicó un periódico titulado Triple Jeopardy, en referencia al racismo, el sexismo y el imperialismo. Aquello implicaba una militancia sobre el terreno que abordaba de manera simultánea el racismo, la misoginia y la guerra imperialista.

Es con el espíritu de aquellos esfuerzos intelectuales orgánicos de comprender las categorías de raza, género y clase como elementos conectados, entrelazados y entrecruzados que entiendo actualmente los conceptos feministas de interseccionalidad.

En un ciclo de conferencias recientemente celebrado en el Centre de Cultura Contemporània de Barcelona, con el título "La frontera como centro. Zonas de ser y de no ser [migra y colonialidad]", la representante del partido Indigènes de la République Houria Bouteldja afirmó lo siguiente: "No sé quién es blanco, pero la policía francesa lo sabe perfectamente. Nunca se equivoca a la hora de decidir a quién discriminar y a quien apalear". Igualmente, la feminista vasca Itziar Ziga, en una entrevista en Argia, decía que "Soy una mujer porque es así como he sido violentada física, afectiva, económica y simbólicamente... Proclamo que soy mujer, pero no por lo que tengo entre las piernas". En estos dos casos, el sujeto se define políticamente para/desde el locus de opresión y, por tanto, de lucha. En este sentido, ¿qué es para ti ser mujer y qué ser negra?

Ambas categorías se han ensanchado y expandido más allá de cualquier límite que hubiera podido imaginar en anteriores fases de mi vida. De modo que, si pretendiera aferrarme a modos de ser históricos, continuaría sintiéndome obligada a basarme en definiciones políticas del género y la raza en ambos casos, tal y como planteas en tu pregunta, tanto desde el punto de vista de las estructuras de dominación y sus ideologías asociadas como desde el punto de vista de los movimientos colectivos que buscan desmantelar estas estructuras y hacer frente a estas ideologías.

Al mismo tiempo, siempre he insistido en la prioridad de la práctica radical por encima de la identidad pura y simple. Importa más qué haces para facilitar la transformación radical que cómo te imaginas que eres. Y, claro, como ya he indicado, las categorías de género y raza, al igual que la sexualidad y la clase, sólo son significativas dentro de unas interrelaciones más complejas.

En relación con el panorama político estadounidense, has destacado "el reto de complicar el discurso", en vista de que "la simplificación de la retórica política facilita la adopción de posturas extremistas". En los últimos años, en Europa, hemos sido testigos de la aparición de la autodenominada 'nueva política', que se opone a 'los de arriba', con miras a provocar una 'revolución democrática' por la vía de la 'revolución de las sonrisas'. ¿Qué significa para ti la democracia en esta era del populismo despolitizador y de los significantes vacíos?

Está claro que los que nos situamos a la izquierda en Estados Unidos, y no sólo a la izquierda, sino también en algunos círculos conservadores, asistimos totalmente estupefactos a la creciente influencia de Donald Trump, el cual se está aprovechando la atracción que importantes sectores de las comunidades de clase trabajadora blanca sienten por este tipo de retórica política simplista, extremista y de tendencia fascista. Esto también ocurre con la peligrosa atracción hacia personajes y partidos de extrema derecha que está habiendo en Austria, Francia, Polonia y otros lugares de Europa, crisis masiva de los refugiados —la cual pone de manifiesto el impacto que la historia de esclavitud y colonialismo de Europa sigue teniendo—, ha hecho prosperar el populismo de extrema derecha, alrededor del racismo antinegros y antiinmigrantes, y ha reactivado la islamofobia, con espectáculos que traen a la memoria racismos del pasado.

No será posible hacer frente al populismo de extrema derecha y generar un diálogo sobre futuros democráticos –enfoques sustantivos y transformadores que desplacen el foco político de la representación neoliberal del individuo hacia las necesidades y aspiraciones de las comunidades–, si no somos capaces de construir movimientos potentes contra el racismo y la xenofobia en el mundo.

Preguntada por tu posición ante las elecciones presidenciales de EE.UU., recientemente has destacado la necesidad de un partido nuevo. ¿Por qué motivo? ¿Qué tipo de partido tienes en mente? Como ex candidata a la vicepresidencia por el Partido Comunista de EE UU, ¿qué similitudes y qué diferencias con el PC debería tener este partido nuevo? En cuanto a su programa, ¿consideras que sigue vigente el Programa de 10 puntos del Partido de las Panteras Negras? ¿Y cuál sería la base electoral de este nuevo partido?

La política electoral norteamericana lleva muchos años siendo rehén del sistema bipartidista. Tanto el Partido Demócrata como el Republicano están absolutamente encadenados al capitalismo. Necesitamos una estructura política alternativa que no capitule ante las estructuras empresariales, sino que represente, en primer lugar, las necesidades de los trabajadores, de la gente pobre y de las personas de color. Esto es evidente desde hace muchos ciclos electorales, y cuando hace muchos años participé de manera directa en la política electoral, como candidata a la vicepresidencia por el Partido Comunista, fue precisamente para visibilizar esta necesidad de declarar la independencia respecto al sistema bipartidista.

Dada la respuesta que ha obtenido Bernie Sanders, ha quedado claro que hay un número considerable de personas que quieren una alternativa al capitalismo. Cada vez más gente está reflexionando seriamente sobre la necesidad de un partido que represente la clase trabajadora, los movimientos antirracistas, las cuestiones feministas y LGBTQ, las reivindicaciones contra la guerra y la justicia medioambiental.

En cuanto al Partido de las Panteras Negras, está claro que el Programa de 10 puntos está profundamente arraigado en las condiciones históricas de mediados del siglo pasado, pero, al mismo tiempo, todos y cada uno de sus puntos tienen un profundo vínculo con luchas radicales contemporáneas.

Continuando con las Panteras Negras, fueron pioneras en su política de womanism, que puso la lucha por los derechos de las mujeres al mismo nivel que la lucha de clases y racial, apoyó el derecho al aborto, organizó cuidados de niñas y niños durante sus reuniones, fomentó el modelo tradicional africano de familia extensa en contraposición a la familia nuclear burguesa, el diario del partido estuvo dirigido por mujeres, y hasta un 70% de su militancia era femenina. ¿Cómo se logró todo ello, más allá de que los hombres estaban siendo asesinados o encarcelados? ¿Qué lecciones pueden sacar los movimientos de liberación, y especialmente las feministas de estos movimientos, de la experiencia del Partido de las Panteras Negras?

En realidad, no debería sorprendernos excesivamente saber que la mayoría de militantes de las Panteras Negras eran mujeres, de la misma manera que no deberíamos sorprendernos por el papel fundamental que las mujeres jugaron dentro del Movimiento por la Libertad del Sur. Lo que sí resulta sorprendente es que medio siglo más tarde sigamos cautivos de visiones históricamente obsoletas sobre el liderazgo carismático masculino.

Históricamente, los paradigmas asociados al liderazgo de las mujeres –desde Ella Baker hasta Ericka Huggins– han tendido a enfatizar el liderazgo colectivo por encima del individualista. Los jóvenes de los actuales movimientos radicales están priorizando el liderazgo de las mujeres, el liderazgo queer y el liderazgo de las colectividades.

Como fuiste alumna de Marcuse, me gustaría hacerte una pregunta que él ya planteó en su Un ensayo sobre la liberación: "¿Cómo puede [el individuo] satisfacer sus necesidades sin [ ...] reproducir, a través de sus aspiraciones y satisfacciones, su dependencia de un aparato explotador que, al satisfacer sus necesidades, perpetúa su servidumbre?". En otras palabras, ¿cómo podemos liberarnos de la mercantilización de nuestros sentimientos?

A estas alturas, no estoy segura de si es posible eludir completamente las consecuencias del deseo mercantilizado, ya que es esa la naturaleza del deseo contemporáneo; el capitalismo ha invadido hasta tal punto nuestras vidas interiores que nos resulta extremadamente difícil separar capitalismo y deseo. Sin embargo, creo que sigo la tradición filosófica de Marcuse cuando afirmo que deberíamos tratar de desarrollar una conciencia crítica sobre las maneras en que, en parte, estamos implicados en la propia reproducción del capitalismo, a través de la mercantilización de nuestros sentimientos. Es a través de este tipo de reflexiones negativas que podemos empezar a vislumbrar posibilidades de liberación.

Durante tu visita al País Vasco estuvimos hablando sobre la importancia del arte y la literatura como esferas donde expandir los límites de lo inteligible, desmontar los paradigmas del sentido común hegemónico, confrontar la camisa de fuerza de la verosimilitud, derribar el monopolio de la realidad y traducir, dar forma y ensayar nuestras nociones políticas. ¿Cómo se concreta todo esto?

Especialmente ahora que la posibilidad de liberación parece ser descartada por las mismas luchas políticas que pretenden mostrarnos vías hacia futuros mejores, podemos aprovechar lo que Marcuse llama 'dimensión estética' y Robin Kelley, 'sueños de libertad' o 'imaginación radical'. Lo que el reino del capitalismo ha sofocado completamente es nuestra capacidad colectiva de imaginar una vida que no esté repleta de mercancías. Es por esta razón que necesitamos el arte, la literatura, la música y otras prácticas culturales, para educar nuestra imaginación de manera que consiga liberarse de las restricciones impuestas por la privatización.

Durante aquella visita, te organizaron un concierto de homenaje en Bilbao, donde hiciste mención de una canción preciosa de Nina Simone titulada 'I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free' [Ojalá supiera qué se siente al ser libre ], y que dice así: "I wish I could break all the chains holdin' me, I wish I could say all the things that I should say, say 'em loud, say 'em clear for the whole 'round world to hear" [Ojalá pudiera romper todas las cadenas que me retienen, ojalá pudiera decir todo lo que debería decir, decirlo todo bien alto, decirlo para todo el mundo lo oiga] .¿Qué significa ser libre para ti, y cuáles son las cadenas que tenemos que romper?

Recordé esa canción de Nina Simone no tanto porque quisiera dar a entender que medio siglo o más después yo tenga una respuesta definitiva a la cuestión subyacente a su anhelo de saber qué es sentirse libre, sino más bien porque seguimos rigiéndonos por este deseo de poner nombre y experimentar la libertad. En los EE.UU., este objetivo nos resulta mucho más complicado hoy en día que a mediados del siglo XX. De hecho, parece que, cuanto más nos acercamos a lo que originariamente habíamos imaginado como 'libertad', más nos damos cuenta de que se trata de algo mucho más complicado, de algo con un alcance mucho mayor...

FUENTE: Diagonal

domingo, 11 de setembro de 2016

Atílio Borón analisa semelhanças entre o Chile de 1973 e o Brasil de 2016

Pensador argentino analisa os limites do Estado burguês na América Latina e as semelhanças dos dois golpes de Estado

María Julia Giménez
São Paulo (SP), 11 de Setembro de 2016

Borón: "Argentina, Brasil e Colômbia têm continuado transitando pelas vias da institucionalidade democrática própria do liberalismo. E essa é a fonte de muitos problemas" / Reprodução/IELA


Após 43 anos do golpe de Estado que derrubou ao governo de Salvador Allende no Chile, o pensador latino-americano Atilio Borón conversou com Brasil de Fato para ler, à luz do processo chileno, os recentes acontecimentos que violentam a ordem democrática da América Latina.

Segundo o sociólogo argentino, as mudanças constitucionais empreendidas pelos governos de Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, criaram uma nova ordem institucional que permitiu aos líderes fazerem as reformas necessárias para melhorar a qualidade de vida da população.

Contudo, a vitória eleitoral de Macri na Argentina e o recente impeachment da presidenta Dilma Rousseff marcam as fraquezas dos processos desses países, que mantiveram a estrutura do Estado burguês. Essas fragilidades foram aproveitadas pelos Estados Unidos na tentativa de recobrar a sua posição no cenário internacional. 

"Eu acho que Lula caiu vítima de sua postura tecnocrática. Ele mandou o povo para suas casas e, quando os lobos foram atacar Dilma, ela abriu a janela e não tinha ninguém. Confiou e fez alianças com setores do poder que claramente iam traí-los. Até um cego poderia ver", avaliou.

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato - Que ensinamentos deixou o golpe no Chile em setembro de 1973? Como a experiência chilena nos ajuda a pensar o processo atual que vivemos na América Latina? E como os processos de hoje nos ajudam a repensar a nossa história como povo latino-americano?

Atilio Borón - Eu acho que o golpe no Chile foi uma tragédia que de algum jeito anunciou o que aconteceu depois em quase todos os demais países da América Latina . Brasil já tinha tido o golpe em 64, a Argentina também, em 66. Mas o do Chile, em 73, foi outra coisa. Foi um experimento radical de terapia de choque que seria aplicado no resto dos países da America Latina e, também, em alguns países do capitalismo avançado.

A experiência chilena foi uma experiência muito desigual, em relação a outras da região. O governo de Salvador Allende fez tudo mantendo o marco institucional do Estado burguês. Ou seja, não houve reforma da Constituição. Simplesmente houve um debate em torno da possível interpretação de certas cláusulas da Constituição que impediam o governo de Allende de avançar em políticas de nacionalização, controle de preços e intervenção dos mercados.

Mas [Allende] não fez o que fizeram os venezuelanos, bolivianos e equatorianos. Eles criaram uma nova ordem constitucional, uma nova institucionalidade, introduzindo as reformas necessárias para melhorar a qualidade de vida da população.

O que podemos aprender? Em princípio, um Estado burguês com uma Constituição burguesa, com relações capitalistas de produção, com peso de grandes corporações e com a presença de grandes empresas multinacionais ou transnacionais, impõe limites muito estreitos. E, quando as mudanças transcendem, vão além dos limites, o processo democrático entra numa zona de risco e rapidamente é eliminado pelos agentes da conservação social, ou seja, as classes dominantes.

Em contextos econômicos muito complexos, inevitavelmente, geram-se esses processos, porque a burguesia provoca sabotagens permanentes, as 'greves da burguesia'. Eles deixam de investir, começam as fugas de capitais e se entorpece o processo produtivo em todos os níveis, provocando um grande mal estar da população. Eventualmente, prepara-se a base social para uma revolta fascista.

Essa foi a reação chilena em 1973. E eu acho que foi aprendida por Chávez e, depois dele, por Evo e por Correa. Porque a primeira coisa que eles fizeram foi ampliar o marco institucional dos processos transformadores na Venezuela, Bolívia e Equador. Foi muito significativo, muito importante. Introduziram inovações que potenciaram o protagonismo popular, o referendo revogatório, até o reconhecimento, no caso da Bolívia, das formas de governo dos povos originário.

Então, eu acho que sim, há certo aprendizado. Mas não em todos os países. Argentina, Brasil e Colômbia continuaram transitando pelas vias da institucionalidade democrática própria do liberalismo. E essa é a fonte de muitos problemas.

Então, em termos regionais, podemos dizer que este avanço da direita desde o golpe em Honduras até ao recente impeachment da Dilma, nos encontra melhor posicionados?

Olha a experiência chilena foi única, porque, naquele momento, a Argentina estava regressando ao peronismo, que teve vida muito curta e terminou em um grande cataclismo.

Houve um repique na Bolívia –lembre que, no ano de 1971, a Bolívia inaugura um breve processo de radicalização popular sob o comando de Juan José Torres e da Assembleia Popular Boliviana, mas Torres termina deposto rapidamente e é assassinado em Buenos Aires. Também mataram o general Carlos Prats Gonzalez no Chile. Ou seja, era um contexto muito diferente ao atual.

Os processo atuais se dão num momento em que se acentua o processo de decadência do imperialismo norte-americano. Na segunda metade da década de 90, alguns falavam do início de um novo século americano. E, longe disso, foi o início de uma lenta e persistente decadência dos Estados Unidos.

Alguns de nós tínhamos advertido esta decadência, mas éramos desestimados por questões ideológicas. Hoje, quando você consulta a literatura especializada dos geoestrategistas, dos pensadores dos impérios, entre os quais os mais importantes são [Henry Alfred] Kissinger e [Zbigniew Kazimierz] Brzezinski, os dois argumentam que os Estados Unidos já não é a potência que foi no passado.

Os prognósticos econômicos levam a concluir que, em 2030, a economia norte-americana representará apenas 18% do produto bruto mundial, e a da China, 28%. E esta decadência se vê também na crescente impotência dos Estados Unidos. Isso se mostra quando um pequeno pais de América do Sul, como o Equador, dá asilo diplomático ao cara de Wikileaks [Julian Assange] e, além disso, obriga a retirada das tropas inglesas de sua embaixada!

No passado, isso teria provocado a invasão dos marines ao Equador, e teriam prendido e assassinado o presidente Rafael Correa, como fizeram em 1982, com Maurice Bishop, na ilha de Granada.

Logo, o enfraquecimento dos Estados Unidos é um dado inocultável. Hoje, eles têm inimigo tão fortes quanto a URSS – a Rússia por um lado e a China, pelo outro. Então, que acontece? Cada vez que os Estados Unidos se encontra em problemas no contexto mundial, ele retrocede para reafirmar sua dominação sobre a América Latina. Isso passou nos anos 70 e está passando agora.

Os Estados Unidos que frear o ciclo dos governos progressistas e avançar na conformação de uma nova America Latina, totalmente blindada, onde não exista nenhum governo que dispute a sua hegemonia. Enquanto isso, os prognósticos do pentágono se preparam para vinte ou trinta anos mais de guerra. Logo, está assegurada a retaguarda.

E, por isso, lançou-se a fomentar a destituição destes governos, a criar uma nova direita na América Latina. Na Argentina, o fez muito claramente, e, no Brasil, tem fortalecido os vínculos com o PSDB. Neste processo, Fernando Henrique Cardoso teve um papel fundamental.

Qual o significado do Brasil em termos geopolíticos? Por que tivemos um golpe?

Por vários motivos. Primeiro, o Brasil é o pais com maior peso da região da América Latina e Caribe, e isso nos permite dizer que, para onde se inclina o Brasil, inclina-se a América Latina.

Em segundo lugar, porque o Brasil sempre foi um aliado estratégico dos Estados Unidos. Não se esqueça que o Brasil foi o escolhido pelos Estados Unidos para desenvolver empresas siderúrgicas após a Segunda Guerra Mundial, com crédito aprovado por eles.

E, em terceiro, porque o Brasil é um empório de recursos naturais. Os Estados Unidos têm muito interesse em controlar a Amazônia e o aquífero Guarani e, para isso, precisam ter presença no país. Agora, também vão ter presença na Argentina e de lá pretendem controlar a parte sul do aquífero Guarani.

Sem contar o petróleo. Sabe quando se mobilizou a 4° Tropa dos Estados Unidos, que estava desativada há mais de 50 anos? Duas semanas após Lula anunciar o descobrimento do pré-sal. Você acha que isso é consequência? Não! É reação. Então, claro que o Brasil importa muito.

E, ademais, perseveram as fraquezas do consenso progressista, ou seja, os erros cometidos pelos governos do PT que, por exemplo, não avançou no aprofundamento da Reforma Agrária num país com uma estrutura agrária absolutamente anacrônica. Foram governos que desmobilizaram sua base popular.

Ora, Maduro [presidente da Venezuela] não cai simplesmente porque, quando ele grita, tem um monte de gente na rua. E isso numa situação econômica muito mais complexa que a do Brasil.

Eu acho que Lula caiu vítima de sua postura tecnocrática. Ele mandou o povo para suas casas e, quando os lobos foram atacar Dilma, ela abriu a janela e não tinha ninguém. Confiou e fez alianças com setores do poder que claramente iam traí-los. Até um cego poderia ver.

Edição: Camila Rodrigues da Silva


EVENTO NA UFRJ: 80 ANOS DO TRIBUNAL DE SEGURANÇA NACIONAL E DA EXTRADIÇÃO DE OLGA BENARIO PRESTES

Em setembro de 1936 foi criado pelo Governo Vargas o Tribunal de Segurança Nacional (TSN), tribunal de exceção para julgar os implicados nos levantes antifascistas de novembro de 1935.
No dia 23/09 foi extraditada Olga Benario Prestes para ser assassinada na Alemanha nazista.
Para que tais fatos não se repitam é necessário lembrá-los.

Dia: 29/9/2016
Horário: 10h
Local: Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Largo São Francisco de Paulo - Centro - Rio de Janeiro

PALESTRANTES
Anita Leocadia Prestes, Lincoln de Abreu Penna e Sérgio Murillo Pinto

COORDENAÇÃO
Elina da Fonte Pessanha

Lançamento do livro de Sérgio Murillo Pinto
Exército e política no Brasil
Origem e transformação das intervenções militares (1831 - 1937) 





Rio recebe a mostra "Picasso: mão erudita, olho selvagem"

Depois de ser exibida com estrondoso sucesso no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, a mostra “Picasso: mão erudita, olho selvagem” será inaugurada no dia 13 de setembro, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro.

A exposição apresenta pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas e fotografias pertencentes ao Musée National Picasso-Paris. Organizada pelo Instituto Tomie Ohtake em conjunto com o Musée National Picasso-Paris, a mostra tem curadoria de Emilia Philippot, também curadora da instituição francesa.

As obras traçam um percurso cronológico e temático em torno de conjuntos que seguem as principais fases do artista desde os anos de formação, com o óleo sobre tela “L'Homme à la casquette” (1895), até os últimos de produção, como na gravura em metal “Couple: femme et hommechien. Avec femme à la fleur” (1972).

A exposição possibilita uma rara imersão do público no universo do artista espanhol, que viveu grande parte de sua vida na França. Das 138 obras, 109 são de Picasso: 27 pinturas, 42 desenhos, 20 gravuras e 20 esculturas, incluindo 12 cerâmicas, em sua quase totalidade nunca vistas no Brasil. Também integram a mostra 22 fotografias feitas por Andres Villers (1930-2016) em parceria com Picasso, e três fotografias feitas por Pierre Manciet durante as filmagens de "La vie commence demain" (1949), de Nicole Védrès, no ateliê do artista em Fournas, Vallauris, na França.

O filme, de 89 minutos, também poderá ser visto pelo público, junto com dois outros: “Guernica” (1950), de Alain Resnais e Robert Hessens, com 13 minutos, que aborda a obra-prima de Picasso, entre pinturas, desenhos e esculturas feitas por ele entre 1902 e 1949; e “Le Mystère Picasso” (1956), de Henri-Georges Clouzot, com 78 minutos, que revela seu processo criativo.

A curadora Emilia Philippot destaca o fato de que as obras expostas revelam para o público a ligação íntima e pessoal que alimenta toda a produção de Picasso, presente nos retratos íntimos da mãe do artista ou de seu primeiro filho, Paul, na celebração apaixonada da sensualidade feminina de Marie-Thèrèse Walter, e nas denúncias intransigentes dos males causados pelos conflitos contemporâneos, da Guerra Civil Espanhola ou da Ocupação da França pelas tropas alemãs.

“Escolhemos aproveitar o caráter específico da coleção para esboçar um retrato do artista que questiona sua relação com a criação, entre fabricação e concepção, implantação e pensamento, mão e olho”, afirma Emilia Philippot. Estão presentes nos trabalhos as experiências vividas por Picasso. “Os laços afetivos do amante, as dúvidas do homem, as alegrias do pai de família, os compromissos do cidadão: tudo se introduzia em sua arte”, completa.

Uma característica importante da exposição é que o acervo é composto por obras selecionadas e mantidas pelo artista ao longo de sua vida. São trabalhos que estiveram ao seu lado e pertencem ao Musée National Picasso-Paris, um dos mais importantes do mundo sobre o artista, formado por doações sucessivas dos herdeiros do pintor, em 1979 e 1990.

“Picasso: mão erudita, olho selvagem” fica em cartaz até 20 de novembro. A Caixa Cultural Rio de Janeiro fica na Av. Almirante Barroso, 25, Centro. Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h. Entrada gratuita.


FONTE: ArtRio



Para download: Bartolomé de Las Casas: "Historia de las Indias" (3 tomos)

En esta monumental Historia de las Indias, que totaliza 1655 páginas en tres tomos, fray Bartolomé evidencia sus excelentes dotes de escritor, así como sus cualidades de historiador.

Bartolome de Las Casas

Biblioteca Ayacucho Digital (Ministerio del Poder Popular para la Cultura/Gobierno Bolivariano de Venezuela)

Bartolomé de Las Casas: "Historia de las Indias", vol. I [PDF]


Bartolomé de Las Casas: "Historia de las Indias", vol. II [PDF]


Bartolomé de Las Casas: "Historia de las Indias", vol. III [PDF]


El sacerdote dominico fray Bartolomé de Las Casas (España, 1474-1566) dedicó 52 de los 91 años de su vida a una exaltada defensa de los indios americanos. Antiguo estudiante de Salamanca, llegó a América en 1502 y se estableció como colono en La Española. Un célebre sermón del dominico fray Antonio de Montesinos, en 1511, movió su vocación religiosa. Entró en la orden y desde entonces entabló una viva lucha por la causa que abrazó fervorosamente. El gran teólogo jurista chocó, naturalmente, con los conquistadores y con los más eminentes doctores de la Iglesia. Las Casas resaltó el carácter espiritual de las bulas de Alejandro VI, sosteniendo que eran títulos para predicar el Evangelio a los indios y no para sojuzgarlos. En esta monumental Historia de las Indias, que totaliza 1655 páginas en tres tomos, fray Bartolomé evidencia sus excelentes dotes de escritor, así como sus cualidades de historiador. La presente edición, singular desde todo punto de vista y un modelo en la bibliografía lascasiana, al igual que los estudios preliminares y notas que acompañan la obra han estado a cargo del distinguido especialista André Saint-Lu.