quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Eleições 2014: O que está em jogo no segundo turno?

Movimentos e intelectuais da esquerda alertam para o retrocesso do que pode significar um retorno da política neoliberal do PSDB



Bruno Pavan,
Da Redação - Brasil de Fato

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) travam novamente a disputa, em segundo turno, para o principal cargo eletivo do país: a Presidência da República.

O azul dos tucanos e o vermelho do PT deixaram novamente a chamada “terceira via” distante do segundo turno das eleições presidenciais. O que parecia uma forte tendência de novos personagens inseridos no debate acabou se tornando o reforço da velha polarização.

Dilma Rousseff, defendendo sua reeleição e mais quatro anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Aécio Neves, que obteve mais de 30 milhões de votos no primeiro turno, é o candidato tucano que talvez tenha mais chances de vencer a eleição desde a derrota de José Serra em 2002.

Partidos com visões parecidas demais para alguns, um modelo diferente de desenvolvimento para outros, acontece que está na hora de se decidir: Dilma, Aécio ou nulo?

O Brasil de Fato fez essa pergunta para líderes de movimentos sociais e intelectuais da esquerda brasileira e a resposta foi unânime: reeleger Dilma Rous­seff para evitar um retrocesso maior com a volta dos tucanos ao poder.

É a opinião do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos que argumenta que seu voto em Dilma se dá não por avaliar que o PT tenha feito um governo de esquerda, mas que Aécio e o PSDB são opções à direita.

“Aécio representa o retrocesso conservador. Representa a retomada de pautas de precarização, ataques à previdência pública, privatização de setores estratégicos e criminalização das lutas populares”, apontou.

A militante da Marcha Mundial da Mulheres Nalu Farias aponta que é a hora de uma mobilização entre os movimentos organizados para que se impeça as manipulações da mídia tradicional nessa eleição e “garantir que o debate seja feito em igualdade de condições”.

“Para eleger Dilma é necessário ter uma campanha que explicite as diferenças de projetos, que dê seguimento ao que foi no primeiro turno em relação a politização do debate. É necessário também uma ampla mobilização, tanto das campanhas organizadas mas também do conjunto de movimentos sociais e organizações que têm um compromisso com a construção da justiça e da igualdade nesse país”, explicou.

Crítica

O apoio dos movimentos, porém, não apaga em nada a postura crítica que muitos têm dos 12 anos de governo do PT no país. A falta de reformas estruturais como a da mídia, a tributária e a política fazem com que alguns setores defendam o voto nulo no segundo turno. Os quatro representantes da esquerda no primeiro turno não declaram apoio formal a nenhum dos candidatos. Somente os deputados eleitos do PSOL lançaram carta em que defendem voto em Dilma Rousseff no segundo turno.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Pablo Ortellado reforça que seu voto em Dilma Rousseff não significa que um segundo governo teria novos avanços “mas a manutenção do que se conseguiu conquistar. Com Aécio teríamos um retrocesso imenso”.

A professora livre-docente da Universidade da São Paulo Deisy Ventura critica a realidade dos direitos humanos no Brasil, principalmente o cerco a manifestações populares e os ataques aos LGBTs, mas explica o seu voto em Dilma Rousseff por conta do diálogo.

“Aquilo que na perspectiva do governo dela é um erro, na perspectiva de Aécio Neves é um acerto. Eu prefiro brigar com a Dilma pelos direitos humanos do que a total falta de diálogo com o PSDB de Aécio Neves”, disse.

Pedro Mansan, da Pastoral da Juventude Rural, ainda reforça que Aécio defende projetos que vão piorar ainda mais a vida da população mais pobre do Brasil, como a redução de salários e a diminuição da maioridade penal, além de lembrar que, nos governos do PSDB, os movimentos sociais foram tratados como caso de polícia.

Mais luta para os movimentos

É quase uma unanimidade que os próximos quatro anos serão de muita luta para os movimentos sociais. Com um Congresso representado principalmente por empresários e ruralistas, somente mais mobilizações vão poder trazer as vitórias necessárias.

“Mesmo com Dilma eleita, a conjuntura do próximo período não será fácil, pois o Estado tem três poderes e dois deles são claramente conservadores, o Congresso que só piorou nessa eleição e o Judiciário que historicamente criminaliza as lutas do povo”, explicou Rosângela Piovizani, do Movimento de Mulheres Camponesas.

O irmão Marcelo Barros da Associação Ecumênica de Teólogos (as) do Terceiro Mundo (ASEET) cobra uma postura mais ativa dos movimentos, que exija de Dilma e de seus ministros um diálogo mais efetivo com os movimentos e um afastamento da cúpula do PMDB.

“Com esse novo Congresso eleito, mais conservador do que nunca, será ainda mais importante votar no governo Dilma pedindo e exigindo mesmo mudanças radicais no sentido de uma política mais justa e solidária com os povos indígenas, uma política que realize a reforma agrária justa e a partir dos lavradores e maior atenção à ecologia”.


Adriano Ferreira, do Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo, diz que apoia a petista, mas que os movimentos devem “traçar estratégias de enfrentamento ao que está posto na gestão atual do governo Dilma”.

Novedades editoriales: "Crónicas de Turín" (Antonio Gramsci)

Cuadernos de la Cárcel (Antonio Gramsci), via Facebook



"Si bien Antonio Gramsci fue uno de los autores más citados del siglo XX y su influencia en las ciencias sociales y políticas todavía persiste, muchos de los artículos aparecidos en sus primeros años de militancia socialista en periódicos como Il Grido del Popolo y el Avantil aún no han sido traducidos al español. Las Crónicas de Turín recogen justamente estos artículos. Se trata de una obra históricamente clave pues puede ser concebida como el testimonio de una época en la que Italia transita el camino de la neutralidad a la beligerancia. En ese contexto histórico, el joven socialista expresa su mirada crítica sobre el proteccionismo, denuncia los intentos del catolicismo de acercarse al socialismo, se enfrenta a Tasca por su defensa de la "neutralidad absoluta" y asume un rol activo en la manifestación obrera del 9 de junio de 1914, durante la famosa "semana roja".

Los artículos seleccionados corresponden al período 1914-1917 y se incluye además uno de los primeros escritos del pensador sardo, "Oprimidos y opresores", que data de 1910. Con esta selección se intenta dar cuenta de los intereses del joven Gramsci y se busca delimitar el horizonte teórico y práctico que ofició como punto de partida de las problemáticas que años más tarde ocuparán al autor de los Quaderni del carcere."


Ficha: Antonio Gramsci, "Crónicas de Turín", Buenos Aires, Editorial Gorla, 2014, 224 páginas.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Blog Convergência entrevista Gregório Duvivier: “o humor pode ser anárquico e revolucionário”


Na mesma semana na qual foi atacado por um radical de direita no Rio de Janeiro, o artista Gregório Duvivier concedeu uma entrevista exclusiva para o blog Convergência. Nela fala de humor e política, da industria cultural e do conservadorismo na sociedade brasileira. 

Blog Convergência – O “Porta dos fundos” se caracteriza por um humor crítico, muito diferente do que se encontra em outros espaços da indústria cultural brasileira, marcados por um forte preconceito de classe e reprodutores de várias formas de opressão (machismo, homofobia, racismo etc.). Como você enxerga isso?
Gregório Duvivier– Acho que todo humor vem junto com um posicionamento. Você está sempre rindo de algo ou de alguém. Os alvos tradicionais do humor são também os alvos principais da sociedade: mulheres, homossexuais, negros, judeus. É importante sair desse ciclo de repetição e renovar nossas piadas. Os alvos podem ser os mais diversos, a começar pelos poderosos, passando por nós mesmos. A auto-ironia é o primeiro passo para um humor menos preconceituoso, e menos raivoso.
Blog Convergência – Quais as relações entre arte e política na contemporaneidade, em especial no Brasil? É possível pensar ainda a estética surrealista (incorporada pelo “Porta dos fundos”) e o humor político (também presente no programa) como ferramentas de crítica à ordem burguesa?
Gregório Duvivier– Uma piada é uma arma química poderosíssima e, se usada contra a opressão, pode mudar tudo. O humor pode ser anárquico e revolucionário, quando usado de baixo pra cima. Para isso, é importante se desvencilhar dos velhos esquemas de produção. Não dá pra mudar tudo de dentro de uma corporação tão comprometida. Quanto à arte no Brasil, acho que tem de tudo. Muitos artistas evitam se meter com política, o que é compreensível porque a classe política no Brasil é em sua imensa maioria desprezível- mas falta perceber que o posicionamento político é inevitável e não se meter com política é impossível.
Blog Convergência – Como você analisa o atual ambiente cultural brasileiro, em especial no que diz respeito às conexões, outrora tão presentes no país, entre o papel do artista e o do crítico social (vide nomes como Lima Barreto, Graciliano Ramos, Gláuber Rocha, Gianfracesco Guarnieri, Chico Buarque, entre muitos outros). É possível encontrar espaços de produção de uma cultura crítica, antissistêmica, por dentro da “indústria cultural” brasileira?
Gregório Duvivier – Acho que dá para cavar espaços. A indústria é esperta e tem visto que o público não quer mais do mesmo. A internet mostrou para a indústria de entretenimento que o público não está mais interessado nos mesmos velhos produtos repetidos eternamente. A televisão tem duas opções: abrir os olhos e mudar tudo ou tapar os ouvidos e seguir tocando a mesma música, produzindo remakes de novelas dos anos 1970, reciclando piadas da Era do Rádio.
Blog Convergência – Você observa o crescimento do conservadorismo na sociedade brasileira, principalmente entre os setores médios?
Gregório Duvivier – O fato do governo atual estar supostamente mais à esquerda dá a impressão aos conservadores de que existe alguma novidade ou alguma coragem em se dizer de direita. Não há coragem nenhuma em se dizer conservador. O conservador é por definição um medroso. As mudanças que o Brasil está sofrendo, mesmo que muito tardias em relação ao resto do mundo, apavoram muita gente, o mesmo tipo de gente que ficou apavorado com a Lei Áurea e as primeiras legislações trabalhistas. O processo civilizatório no Brasil sempre ocorreu a passos muito lentos, e à revelia de uma classe média ultra-conservadora, ultra-medrosa e com um terrível ódio de classe. Basta lembrar que o golde de 1964 ocorreu com grande aprovação popular.

Parece que mais uma vez, o Prefeito de Rio das Ostras demonstra o seu desrespeito com os servidores públicos municipais.

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro*


Começou a circular, via redes sociais, nesta segunda-feira (20/10), a notícia de que o prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino, encaminhou à Câmara Municipal proposta de aumento salarial de 35% para os procuradores do Município e, que tal proposta, será colocada em votação na sessão parlamentar desta terça-feira (21/10), marcada para o horário de 17:30.

Se tal notícia procede, mais uma vez o prefeito demonstra o seu menosprezo pelos servidores públicos de Rio das Ostras, como fez no ano passado recusando-se a negociar um acordo coletivo de trabalho, mesmo havendo cinco categorias ganhando menos de um salário mínimo.

O prefeito nos vem passando, desde o início do seu mandato, um quadro caótico dos cofres públicos. Recentemente, em várias ocasiões, na presença de servidores, o prefeito tem repetido não saber como pagará o funcionalismo público.

A frase atribuída ao nazista Joseph Goebbels — uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade— tem sido a resposta preferida do prefeito Sabino e sua equipe diante de críticas, das demandas salariais e de condições de trabalho dos servidores públicos e das reivindicações da população. O problema é quando a verdade, repetida mil vezes, continua sendo verdade, sem contraponto ou contraditório capaz de desmenti-la.

E a verdade está escancarada para os servidores e a população. Em vez do princípio da soberania popular – “O governo do povo, pelo povo e para o povo” (Abraham Lincoln) – , os chamados “donos do poder”, isto é, a oligarquia que domina o município, tendo, atualmente, como representante dela, no governo municipal, o senhor Alcebíades Sabino, não querem uma administração pública orientada no atendimento das demandas populares. Os políticos de Rio das Ostras, sejam da facção “verde” ou da “laranja”, defendem com unhas e dentes – e mandando matar também, de acordo com o histórico desta cidade – a plutocracia aqui existente. [Plutocracia: sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico.] Querem manter as coisas como elas estão. Isto é, nas eleições, a margem de escolha popular se reduz a decidir quem entre os representantes dos ricos será o encarregado de aplicar as políticas que seguirão beneficiando os próprios ricos. Em vez de soberania popular, defendem o governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.

A proposta de aumento salarial para os procuradores do município é mais uma verdade que desmente a retórica alarmista do sr. Prefeito – e replicada, a exaustão, pelo seu secretariado e pela turma ocupante de cargos comissionados ou funções gratificadas.

Em verdade, o que o prefeito Sabino reserva aos servidores públicos municipais é uma austera política de arrocho salarial, de precarização das condições de trabalho e de um quadro de humilhação e opressão econômica.

Diante da política de pilhagem a que estão sendo submetidos os servidores públicos de Rio das Ostras, A LUTA É MAIS DO QUE JUSTA. Não se pode aceitar o argumento de equilíbrio das contas públicas para justificar a violação dos direitos, mais do que legítimos, dos servidores. Não se pode aceitar a regra dos donos do poder de “socialização dos prejuízos”, afetando seriamente os serviços públicos que assistem à população mais pobre (educação e saúde).

Conforme salienta o jornalista português e militante comunista Miguel Urbano Rodrigues:

A história ensina que na vida dos povos vítimas de uma opressão intolerável, as grandes lutas fermentam por tempo variável até que eles se levantam em explosões sociais vitoriosas. Então exercem o direito de resistência e à rebelião - direito que é antiquíssimo e consta do artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão promulgada pela Revolução Francesa de 1789. É o direito à resistência contra a opressão econômica e social, direito que, após os horrores da Segunda Guerra Mundial, foi incluído na Declaração Universal dos Direitos do Homem (artigos 22 a 25).

A Constituição da Republica Federativa do Brasil menciona-o no artigo 9. Como consta abaixo:

Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Ora, o direito de greve é uma das formas de se exercer, ainda que parcialmente, o direito à resistência contra a opressão econômica. Opressão a que estão sendo submetidos os servidores públicos de Rio das Ostras.

Onde há luta tudo é conquistável e potencialmente perdível. Mas onde não há luta a derrota é certa.

Transformar a indignação e o inconformismo passivo numa atmosfera de combatividade crescente dos servidores públicos será um avanço. Será um golpe importante na engrenagem da máquina pública municipal, assentada no mandonismo, no clientelismo, no nepotismo e na repressão (de várias ordens). Será um passo importante para forçar a democratização das relações poder público X cidadãos no município de Rio das Ostras.


* Professor de História da Rede Municipal de Ensino Público de Rio das Ostras. Matrícula: 6273-1. Lotado na Escola Municipal Padre José Dilson Dórea, bairro Âncora, Rio das Ostras.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"New York Times": a impressionante atuação de Cuba contra o ebola

Profissionais médicos de Cuba são exaltados por jornal norte-americano por se colocarem na linha de frente do combate ao vírus

Por Vinicius Gomes


Editorial do New York Times desse domingo (19) destaca que o envio de profissionais médicos faz com que Cuba “tenha o papel mais robusto entre os países procurando conter o vírus ebola”. Segundo o jornal, Cuba possui “uma longa tradição” de enviar médicos, médicas, enfermeiros e enfermeiras para áreas de desastre em diversos lugares do mundo, como nos terremotos do Paquistão e do Haiti.  Ao citar esse outro país caribenho, o New York Times reconhece a coragem dos cubanos, relembrando que o estafe médico da ilha foi quem tomou a dianteira no tratamento de pacientes haitianos com cólera, com alguns deles retornando doentes ao país – no que resultou no primeiro surto de cólera em Cuba em maisde 100 anos.

Enquanto os EUA e outros países ricos se contentam em enviar fundos – com esse primeiro preferindo inclusive enviar militares –, “apenas Cuba e algumas organizações não governamentais estão oferecendo aquilo que de fato é mais necessário: profissionais médicos no campo”.

Quando duas enfermeiras norte-americanas foram contaminadas com o vírus ebola em um hospital de Dallas, no Texas, ao tratarem de um paciente que contraiu a doença na Libéria – sendo esses os dois primeiros casos de ebola em solo estadunidense –, Fidel Castro ofereceu ajuda ao país vizinho que há 50 anos impõe um bloqueio comercial à pequena ilha ao sul da Flórida.

Tal situação já havia acontecido nove anos atrás, após o furacão Katrina ter destruído a cidade de New Orleans: o governo cubano criou uma unidade médica de resposta rápida à crise e se ofereceu para enviar seus profissionais à cidade. “Os EUA, sem surpresa, não aceitaram a oferta de Havana”, lembrou o periódico.


O editorial afirma ainda que tal situação deveria servir com um “lembrete urgente” à administração Obama que os “benefícios de restaurar as relações diplomáticas com Cuba são de longe muito maiores que seus revezes”. Em artigo publicado no jornal estatal cubano, o Granma, intitulado “A hora do dever”, Fidel Castro escreveu que ambos os países deveriam colocar de lado suas diferenças, “ainda que apenas temporariamente, para combater um flagelo mortal” como o ebola.

A esquerda e o segundo turno das eleições no Brasil

Dilma Rousseff e Aécio Neves no debate da Rede Record deste domingo (19/10)



Por Atilio A. Boron


Versão original em espanholLa izquierda y el balotaje en Brasil
Tradução de Renato Kilpp e Gabriel Eduardo Vitullo


Obedecendo a uma ordem direta de Adolf Hitler, em 18 de Agosto de 1944, Ernst Thälmann morria fuzilado pelas SS no campo de concentração de Buchenwald. Seu corpo foi imediatamente cremado, para que não sobrasse qualquer vestígio de sua passagem por este mundo. Thälmann havia chegado a este tétrico lugar depois de passar onze anos de sua vida na prisão de Bautzen, para onde fora enviado quando a Gestapo o deteve – assim como a milhares de seus camaradas – pouco depois da ascensão de Hitler ao poder, em 1933. Nesta prisão foi submetido a um regime de confinamento solitário, cumprindo a pena que lhe foi imposta pelo imperdoável delito de ter sido o fundador e o dirigente máximo do Partido Comunista Alemão. Thälmann era também um dos líderes da Terceira Internacional, que em seu VI Congresso – realizado em Moscou em 1928 – havia aprovado uma linha política ultra-esquerdista, de “classe contra classe”. Esta orientação política se traduzia na absoluta proibição de estabelecer acordos com os partidos socialdemocratas ou reformistas, caracterizados como “socialfascistas” e considerados como sendo a ala esquerda da burguesia. Nem sequer o mortal perigo que representava o irresistível avanço do nazismo na Alemanha e a estabilização do regime fascista na Itália conseguiram mudar esta diretriz. León Trotsky se opôs a ela e a condenou imediatamente. Antonio Gramsci, na prisão, confessava a um prisioneiro socialista, Sandro Pertini, que este lema que debilitava a resistência ao fascismo “era uma estupidez”. Tanto o revolucionário russo quanto o fundador do PCI eram conscientes de que o sectarismo dessa tática expressava um temerário desprezo pelas urgências da conjuntura e que sua aplicação terminaria por abrir as portas aos horrores do nazismo, comprometendo por muito tempo as perspectivas da revolução socialista na Europa. A Terceira Internacional abandonou essa postura em seu VII e último Congresso, em 1935, para adotar as teses das frentes populares ou frentes únicas antifascistas. Mas já era tarde demais. 

O suposto subjacente da tese do “socialfascismo” era que todos os partidos, à exceção dos comunistas, constituíam uma massa reacionária e que não havia distinções significativas entre elas. Chama a atenção o profundo desconhecimento que esta doutrina evidenciava em relação ao que Marx e Engels haviam escrito no Manifesto Comunista. Em seu capítulo II dizem, por exemplo, que “os comunistas não formam um partido à parte, oposto a outros partidos operários... Os comunistas só se distinguem dos demais partidos proletários quando, por um lado, nas diferentes lutas nacionais dos proletários, destacam e fazem valer os interesses comuns a todo o proletariado, independentemente da nacionalidade; e, por outro lado, quando, nas diferentes fases do desenvolvimento pelas quais passam as lutas entre o proletariado e a burguesia, representam sempre os interesses do movimento em seu conjunto”. Lenin, por sua vez, durante o curso da Revolução Russa, reiteradamente ressaltou a necessidade de que todos os bolcheviques elaborassem uma política de alianças com outras forças políticas, que, preservando a autonomia e a identidade política dos comunistas, pudesse, em certas circunstâncias, levar à prática ações e iniciativas concretas que fizessem avançar o processo revolucionário. Havia, tanto nos fundadores do materialismo histórico como no líder russo, uma clara ideia de que poderia haver partidos operários, ou representantes de outras classes ou grupos sociais (a pequena burguesia é o exemplo mais corrente) com os quais se poderia forjar alianças transitórias e pontuais e que nada poderia ser mais prejudicial para os interesses dos trabalhadores que subestimar essa possibilidade e, desse modo, abrir as portas à vitória das expressões mais recalcitrantes e violentas da burguesia. Voltaremos a este tema mais adiante.


Os parágrafos anteriores vem à mente porque nos últimos días muitos companheiros e amigos do Brasil me fizeram chegar mensagens onde anunciavam suas intenções de abster-se no segundo turno de 26 de outubro, ou de votar em branco ou nulo, com o argumento de que tanto Aécio quanto Dilma eram o mesmo, e que para a causa popular seria a mesma coisa a vitória de um ou de outro. O povo brasileiro, diziam estas mensagens, sofrerá os rigores de um governo que, em qualquer caso, estará a serviço do grande capital e contra os interesses populares. O motivo destas linhas é demonstrar o grave erro em que incorreria se assim fosse. Da mesma forma que a desastrosa política do “socialfascimo”, que pavimentou o caminho de Hitler ao poder, a tese de que Aécio e Dilma “são o mesmo” vai provocar, caso triunfe o primeiro, terríveis consequências para as classes populares do Brasil e de toda a América Latina, para além da obviedade de que Aécio não é Hitler e de que o PSDB não é o Partido Nacional Socialista Alemão.

A análise marxista ensina que, em primeiro lugar, resolver os desafios da conjuntura exige, como tantas vezes dissera Lenin, uma “análise concreta da situação concreta” e não somente uma manipulação abstrata de categorias teóricas. Dizer que Aécio e Dilma são políticos burgueses é uma caracterização tão grosseira como dizer que o capitalismo brasileiro é o mesmo que existe na Finlândia ou na Noruega – os dois países mais igualitários do planeta e com maiores índices de desenvolvimento humano, segundo diversos informes produzidos pelas Nações Unidas – para, a partir daí, extrair um lúcido “guia para a ação” que oriente a política das forças populares. Nenhuma análise séria do capitalismo, ao menos da perspectiva marxista, pode limitar seu exame ao plano das determinações essenciais que o caracterizam como um modo de produção específico. Muito menos quando se trata de analizar uma conjuntura política. Cometer esse erro é cair no que Gramsci criticou como um exemplo do “doutrinarismo pedante” do infantilismo esquerdista que proliferou na Europa nos anos 20 e 30 do século passado. Por esta mesma razão dizer que Hitler e León Blum eran dois políticos burgueses não permitiu avançar um milímetro sequer na compreensão da dinâmica política da crise geral do capitalismo na Europa, por não falar da capacidade para enfrentar eficazmente a ameaça fascista. Em um caso tratava-se de um déspota sanguinário, fervoroso anticomunista, que submeteria seu país e toda a Europa a um banho de sangue; no outro caso, tratava-se de um primeiro ministro socialista da França, líder da Frente Popular, que acolhia os alemães e os italianos que fugiam do fascismo e que se opôs, sem sucesso para a desgraça da humanidade, aos planos de Hitler. Era evidente que ambos não eram o mesmo, apesar de sua condição de políticos burgueses. Mas o sectarismo ultra-esquerdista passou por cima destas supostas ninharias e, com sua miopia política, facilitou a consolidação dos regimes fascistas na Europa.

Em segundo lugar, qualquer um minimamente informado sabe muito bem que, por suas convicções ideológicas, por sua inserção em um partido como o PSDB e por sua trajetória política, Aécio Neves representa a versão dura do neoliberalismo: imperio irrestrito dos mercados, desmantelamento do “nefasto intervencionismo estatal”, redução dos investimentos sociais, “permissividade” ambiental e apelo à força repressiva do estado para manter a ordem e contera os revoltados. Foi por isso que nada menos que o Clube Militar – um antro de golpistas reacionários, nostálgicos da brutal ditadura de 1964 – decidiu brindar-lhe com seu apoio, dado que, segundo seus integrantes, o ex-governador de Minas Gerais possui “as credenciais necessárias para interromper o projeto de poder do PT, que marcha para à sovietização do país”. Fora o desvario que manifestam os proponentes deste disparate, seria um gesto de imprudência que a esquerda não perceba o crescente processo de fascistização de amplos setores das camadas médias e o clima macartista que satura diversos ambientes sociais e que, em consequência, subestimasse a transcendência do que significa o explícito apoio a Aécio de parte dos militares golpistas, o setor mais reacionário (e muito poderoso) da sociedade brasileira. Que depois da vergonhosa capitulação de Marina, Aécio tenha prometido assumir como própria a “agenda social e ecológica” dela é apenas uma manobra propagandística que somente espíritos incuravelmente ingênuos podem levar a sério.

Em terceiro lugar, a indiferença de um setor da esquerda brasileira diante do resultado do segundo turno reedita o otimismo suicida com que Thälmann enfrentou, da prisão, a estabilização do regime nazista: “depois de Hitler” - dizia a seus companheiros de infortúnio, tratando de consolá-los - “viremos nós”. Equivocou-se tragicamente. Alguém pode pensar que depois de Aécio florescerá a revolução no Brasil? O mais certo é que se inicie um ciclo de longa duração onde as alternativas à esquerda, inclusive de um processo “light” como o do PT, desapareçam do horizonte histórico brasileiro por longos anos, como ocorreu depois do golpe de 1964. É ilusório pensar que, sob Aécio, as classes e camadas populares irão dispor de condições mínimas para reorganizar-se depois do fracasso experimentado pelas políticas suicidas do PT; também é ilusório imaginar que novos movimentos sociais poderão surgir e atuar com um certo grau de liberdade numa esfera pública, cada vez mais controlada e limitada pelos aparelhos repressivos do estado; ou ainda supor que novas forças partidárias poderão irromper para disputar, a partir das ruas ou das urnas, a supremacia da direita.

Em quarto lugar, é óbvio que a opção com que irá se deparar o povo brasileiro no próximo 26 de outubro não passa por reação ou revolução. Passa pela restauração conservadora que representa Aécio Neves ou pela continuidade de um neodesenvolvimentismo atravessado por profundas contradições mas levado ao Planalto por aquele que, na época, foi o mais importante partido de massas da esquerda na América Latina. Em que pese a sua lastimável capitulação perante as classes dominantes do Brasil, sua incapacidade para compreender a gravidade da ameaça imperialista que paira sobre o seu país – o país mais cercado por bases militares norte-americanas de toda a América Latina! – e o abandono de seu programa original, o PT conserva ainda a fidelidade de um segmento majoritário dos condenados da terra no Brasil e um certo compromisso, poucas vezes cumprido mas mesmo assim presente, com as aspirações emancipatórias das classes populares que em 1980 o fizeram nascer. Por isso, e diante da desaceleração da reforma agraria no Brasil, Dilma pelo menos tem que sair e explicar ao MST as razões do seu comportamento e prometer a adoção de algumas medidas para modificar essa situação. Já Aécio não tem nada a ver com o MST nem com os camponeses brasileiros, e frente aos seus reclamos responderá com a polícia militarizada.

Em quinto e último lugar, é bom ressaltar que o anterior não implica qualquer exaltação do PT, que na sua triste involução passou de uma organização moderadamente progressista a ser um típico “partido da ordem” e que sequer lhe serve adequadamente o adjetivo reformista. Também não se desprende da nossa argumentação a necessidade ou a conveniência de que as forças de esquerda estabeleçam uma aliança com o PT ou selem acordos programáticos com ele de olho para o futuro. Mas na atual conjuntura, definida pelo fato institucional das eleições residenciais e não pela iminência de uma insurreição popular revolucionária, o voto em Dilma é o único instrumento disponível no Brasil para evitar um mal maior, muito maior. Os companheiros que advogam pela neutralidade ou pela indiferença deveriam, para serem honestos, assinalar qual é a outra força política que poderia impedir a vitória do Aécio, e qual é a estratégia política para tal fim, seja eleitoral (que não existe) ou extra-institucional ou ainda insurrecional, algo que ninguém consegue enxergar no horizonte. Portanto não há outra arma para impedir a vitória de Aécio e a esquerda não pode se refugiar numa pretensa neutralidade. E caso se consiga derrotar a reação conservadora liderada pelo PSDB (como muitos na América Latina e no Caribe esperamos ferventemente) caberá aproveitar os quatro anos que vem pela frente para reorganizar o campo popular desorganizado, desmoralizado e desmobilizado pelas políticas do PT. E submeter o segundo governo de Dilma a uma crítica implacável, empurrando-a, a partir “de baixo”, dos movimentos sociais e das novas formas partidárias, a adotar as políticas necessárias para um ataque a fundo contra a pobreza e a desigualdade, contra a prepotência dos oligopólios e contra as chantagens das classes dominantes aliadas ao imperialismo. No plano internacional o trunfo dos tucanos teria gravíssimas consequências porque colocaria no Planalto a uma força política submetida por completo aos ditames da Casa Branca; sabotaria os processos de integração supranacional em andamento como o Mercosul, a UNASUL e a CELAC; serviria como ponta de lança para atacar a Revolução Bolivariana e os governos de esquerda e progressistas da região; para isolar a Revolução Cubana e para oferecer apoio material e humano do Brasil para as infinitas guerras do império. Este não se engana, e não por nada tem lançado, junto aos seus aliados locais, uma fortíssima campanha para que seu candidato, Aécio, triunfe no próximo domingo. Ninguém na esquerda pode ignorar que, se tal coisa chegasse a acontecer, uma longa noite cairia sobre a América Latina e o Caribe, abrindo um funesto parêntese que sabe lá quanto tempo demoraríamos em fechar. Sem exagerar nas analogias históricas, conviria meditar sobre a sorte corrida por Thälmann e seus camaradas comunistas graças à adoção de uma tese que sustentava a igualdade essencial de todos os políticos burgueses.

domingo, 19 de outubro de 2014

Conferência Dermeval Saviani - 36ª ANPED

Sistema Nacional de Educação e Participação Popular: Desafios para as Políticas Educacionais
36ª ANPED - Campus Samambaia/UFG - 29/09 a 02/10/2013

Conferência de abertura da 36ª Reunião Nacional da ANPED, com o professor Dermeval Saviani, realizada no dia 29 de setembro de 2013 em Goiânia (GO).

Conferência Dermeval Saviani - 36ª ANPED (parte 1)

Conferência Dermeval Saviani - 36ª ANPED (parte 2)


Exposição de Mafalda virá ao país em dezembro

São Paulo ganha exposição sobre o incrível mundo da personagem Mafalda

por Redação Hypeness


Quem vai dar as caras no Brasil numa exposição bem legal, que celebra seus 50 anos, é a querida Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino. Em dezembro, a menina de apenas seis anos de idade estará por todos os cantos da Praça das Artes, em São Paulo, na mostra “O Mundo de Mafalda“.

Cheia de dúvidas e inquietudes sobre a vida, que por incrível que pareça continuam bem atuais, a adorável personagem marca até hoje a infância, juventude e vida adulta de muita gente, e terá todo seu universo compilado na mostra interativa, com desenhos originais, reproduções de cenários de suas histórias – sim, tem o apartamento da Mafalda -, fotografias e vídeos, divididos em salas temáticas.

A estreia aconteceu na terra natal da Mafalda, a Argentina, seguindo depois para México, Chile e Costa Rica. As histórias da menina precoce, preocupada com questões existenciais e a paz mundial, surgiram entre 1964 e 1973, se espalhando por mais de 30 países e fazendo sucesso principalmente na América Latina e na Europa. A personagem foi tão importante que ganhou até uma praça com seu nome na cidade de Buenos Aires, capital portenha.

As tirinhas carregam em si muitas críticas e analogias, como é o caso da tartaruguinha de Mafalda, chamada de Burocracia, nome dado por conta de o animal ser tão vagaroso. Abaixo um pouco do muito que poderá ver por Sampa em dezembro:













O Mundo de Mafalda @ Praça das Artes
Avenida São João, 281 – Sé
Telefone: (11) 3397 0327

A mostra acontece em dezembro, ainda com data à definir.


A hora do dever

Por Fidel Castro

Nosso país não demorou um minuto em dar resposta aos órgãos internacionais perante a solicitação de apoio à luta contra a brutal epidemia desatada na África Ocidental.

VERSÃO EM ESPANHOLArtículo de Fidel: La hora del deber



É o que sempre fez nosso país sem excluir ninguém. O Governo já tinha dado as instruções apropriadas para mobilizar com urgência e reforçar o pessoal médico que prestava seus serviços nessa região do continente africano. Ao pedido das Nações Unidas também foi dada resposta rápida, como sempre fazemos frente a uma solicitação de cooperação.

Qualquer pessoa consciente sabe que as decisões políticas que significam riscos para esses trabalhadores, altamente qualificados, implicam um alto nível de responsabilidade por parte de quem os convoca a cumprir uma tarefa perigosa. É mais difícil ainda que a [tarefa] de enviar soldados a combater e inclusive morrer por uma causa política justa, o que também sempre foi feito como um dever.

O pessoal médico que viaja a qualquer lugar para salvar vidas, ainda com risco de perder a sua, é o maior exemplo de solidariedade que o ser humano pode oferecer, principalmente quando não está movido por interesse material algum. Seus familiares mais próximos também contribuem com essa missão [ao dar] uma parte do que é para eles o mais querido e admirado. Um país curtido por longos anos de luta heroica pode compreender bem o que aqui se expressa.

Todos compreendemos que, ao cumprir esta tarefa com o máximo de preparação e eficiência, estamos protegendo nosso povo e os povos irmãos do Caribe e da América Latina, ao evitar que se alastre, já que infelizmente foi introduzido e poderia se expandir pelos Estados Unidos, que tantos vínculos pessoais e intercâmbios mantém com o resto do mundo. Com prazer cooperaremos com os funcionários estadunidenses nessa tarefa, e não em busca da paz entre os dois Estados que têm sido adversários durante tantos anos, mas, em qualquer caso, pela Paz para o Mundo, um objetivo que pode e deve ser buscado.

Na segunda-feira 20 de outubro, a pedido de vários países da região, será realizada uma reunião em Havana com a participação de importantes autoridades desses países que expressaram a necessidade de dar os passos apropriados para impedir a extensão da epidemia e combatê-la de forma rápida e eficiente.

Os caribenhos e latino-americanos estaremos enviando também uma mensagem de alento e de luta aos demais povos do mundo.

Chegou a hora do dever.

Fidel Castro Ruz
17 de Outubro  de 2014

FONTE: Diário Liberdade

sábado, 18 de outubro de 2014

Presidentes da América Latina declaram apoio à Dilma


Nesta semana, após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras, vários presidentes da América Latina declararam apoio à Dilma e dizem que ficaram perplexos ao saber que a presidente poderia não ser reeleita. 


Todos dizem conhecer Dilma por todo seu trabalho no Brasil e conhecem ela de perto e que esperam que tudo termine bem. Cada apoio veio através de coletivas, cartas e perguntas da imprensa local como mostrou cada jornal do país. Confira a seguir alguns dos presidentes que declararam apoio a presidente Dilma:


Cristina Kirchner disse que Dilma e o governo Brasileiro foi exemplo pro governo dela e toda a Argentina. 





Evo Morales (Presidente reeleito da Bolívia) disse em coletiva de sua reeleição que Dilma sempre foi um grande exemplo de combate aos males que amedrontam á América e que Dilma merece mais do que muito ser reeleita. 



José Mujica (Presidente do Uruguai) disse em carta pra presidente não desistir que sua vitória seja eminente e que independente do que aconteça ela sempre estará no coração de todos os uruguaios pelo seu caráter e firmeza de governo. 




Michelle Bachelet (Presidente do Chile) disse em uma coletiva de imprensa que Dilma merece todo seu apoio pelo seu compromisso com todos os chilenos e seu modo exemplar de governar.



Rafael Correa (Presidente do Equador) falou em esperança para que Dilma se reeleja e ele espera anciosamente pelo resultado e que seja positivo por tudo o que ela fez e o apoiou em seu governo merece respeito e que os brasileiro façam uma boa escolha e a elejam novamente. 


Todos os presidentes que declararam publicamente apoio a presidente dizem estar indignados por saber que ela corre o risco de não ser reeleita e que aguardam ansiosamente pelo resultado do segundo turno. 

Fonte: O politico (Argentina) | American Express (Estados Unidos) | Bolivia agora (Bolivia) | Equador noticiário (Equador) | Chile local (Chile) | 
Tradução: Portal Metrópole

Confira o artigo original no Portal Metrópole: 


Vaticano elimina "boas-vindas" a gays em documento final do Sínodo


A versão final do documento do Vaticano foi radicalmente revista na referência sobre os homossexuais, eliminando linguagem anterior mais positiva. 

O resultado é uma derrota para o papa Francisco, que vinha defendendo que a igreja adotasse uma posição mais includente tanto aos homossexuais quanto aos católicos divorciados ou que voltaram a se casar.

O papa Francisco chega à sessão do Sínodo, encontro de bispos que debate a abordagem de questões familiares, no Vaticano


O Vaticano eliminou a expressão "boas-vindas aos homossexuais" do relatório final do Sínodo dos Bispos sobre a família convocado pelo papa Francisco. O documento foi aprovado neste sábado (18), após duas semanas de reuniões.

A versão final do documento do Vaticano foi radicalmente revista na referência sobre os homossexuais, eliminando linguagem anterior mais positiva.

O resultado é uma derrota para o papa Francisco, que vinha defendendo que a igreja adotasse uma posição mais includente tanto aos homossexuais quanto aos católicos divorciados ou que voltaram a se casar.

Ao todo, 183 religiosos participaram da votação de cada um dos 62 parágrafos. Para que fosse aprovado, cada capítulo deveria receber dois terços de votos favoráveis. Três não atingiram essa maioria -- dois sobre os homossexuais e um sobre o acesso dos divorciados que voltaram a se casar aos sacramentos da igreja.

Após uma primeira versão lançada na segunda-feira (13), os bispos conservadores prometeram alterar o texto, dizendo que houve confusão entre fiéis e ameaçou prejudicar a "família tradicional".

Os dois parágrafos finais do documento que tratam dos homossexuais foi intitulado "atenção pastoral para com as pessoas com orientações homossexuais". A versão anterior, de três parágrafos, era chamada de "boas-vindas aos homossexuais."

A versão anterior falava em "aceitar e valorizar orientações sexuais (dos homossexuais)" e dar-lhes "uma casa acolhedora". A versão final eliminou essas frases.

A nova versão usa um termo mais vago, repetindo declarações anteriores da igreja de que os gays "devem ser acolhidos com respeito e sensibilidade" e que a discriminação contra gays "deve ser evitada".

A versão final sublinhou ainda que "não há fundamento absoluto" para comparar o casamento homossexual ao casamento heterossexual, chamando o casamento heterossexual "plano de Deus para o matrimônio e da família".

Segundo o cardeal Gianfranco Ravasi, o papa Francisco vai decidir se o documento será "divulgado imediatamente". Até o momento, o papa não se pronunciou sobre o assunto, "apesar de seu estilo ser de difusão de documentos", acrescentou o cardeal, chefe da comissão que elaborou a mensagem do Sínodo.


O documento foi aprovado com 158 votos a favor, de um total de 174, ressaltou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.   Neste domingo (19) será encerrado oficialmente o encontro, que reuniu no Vaticano 253 bispos e membros da Igreja Católica. (Com agências internacionais)