segunda-feira, 21 de julho de 2014

MST realiza Feira da Reforma Agrária nesta quinta e sexta, no Rio



Nos dias 24 e 25 de julho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realiza no Largo da Carioca a V Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes. A feira acontece entre 8h00 e 18h00, e contará com um ato público de abertura no dia 24, às 16h30. Na ocasião, o MST pretende reafirmar junto à sociedade seu compromisso com a produção de alimentos saudáveis no projeto da Reforma Agrária Popular.

Assentados e assentadas de todo o estado do Rio de Janeiro trarão frutas legumes e verduras para serem comercializados no centro da cidade. Mas o objetivo da feira não é somente este: no evento, o MST pretende aproximar da cidade a necessidade da realização da Reforma Agrária Popular. Na visão do movimento, uma das formas de abordar o assunto é através da comida, conectando os camponeses e trabalhadores urbanos.

Mais uma vez, a Feira se dá num contexto de lentidão extrema da Reforma Agrária no Rio de Janeiro e no país. A demora em desapropriar terras improdutivas e estruturar os assentamentos tem relação direta com o aumento da violência no campo. Desde janeiro de 2013, já foram cinco assassinatos de assentados e assentadas em Campos dos Goytacazes. Um dos mortos foi Cícero Guedes, que dá nome a feira por ser um de seus idealizadores e uma grande referência em agroecologia.

Além dos alimentos frescos vindos das regiões Norte, Sul e Baixada Fluminense, a feira contará com outras atrações. No horário do almoço e no final do dia, atrações culturais pretendem animar o espaço. Haverá também uma feira de troca de sementes no dia 25, às 16h. O objetivo é valorizar as sementes enquanto um bem comum e público, que deve ser preservado livre de patentes. Hoje o Brasil é o segundo maior consumidor de sementes geneticamente modificadas, que são de propriedade de empresas que detêm o seu controle.


Junto com os transgênicos, outra ameaça à saúde dos brasileiros é o uso de agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor destes venenos no mundo. O MST participa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que estará na feira divulgando o filme O Veneno está na Mesa 2, do diretor Silvio Tendler, que trata sobre o assunto.

A feira contará ainda com a participação dos Setor de Saúde do MST, que mostrará a produção de fitoterápicos e cosméticos dos assentamentos.

Os pais e mães que quiserem contribuir com o Encontro dos Sem Terrinha podem levar livros infantis para doação. O Setor de Educação do movimento estará recolhendo o material para o evento que acontece em outubro. A principal pauta de reivindicação dos Sem Terrinha é o fim do fechamento das escolas do campo. Nos últimos 10 anos, 24 mil escolas rurais foram fechadas, e os alunos transferidos para escolas nas cidades, onde a educação se dá fora do seu contexto.


Além de agricultores e agricultoras do MST, a feira reúne camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores, e da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro. Em comum, a luta pela terra e a crença no projeto político da agroecologia, que estuda e pratica a agricultura em cooperação, sem venenos e em harmonia com a natureza. A agroecologia é vista como alternativa da agricultura familiar ao modelo do agronegócio, já que este se preocupa apenas em obter lucro com a terra produzindo soja, milho e algodão com agrotóxicos. Este lucro é o que tem viabilizado o superavit primário da economia brasileira, possibilitando o pagamento de juros aos bancos.

Para os movimentos sociais do campo, e até organismos internacionais com a FAO, a agroecologia é a única forma de alimentar o mundo de forma sustentável nos próximos anos. Hoje, 70% dos alimentos consumidos no Brasil vem da agricultura familiar.


domingo, 20 de julho de 2014

Fraude fiscal milionária da Globo começa a ser divulgada

Globo não pagou imposto pela aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. Valor total da dívida ultrapassa os 203 milhões de euros.


Por Rafael Zanvettor




Foram divulgadas, nesta quinta-feira (17) pelo blog O Cafezinho, 29 páginas do processo da Receita Federal contra a Rede Globo. O relatório divulgado comprova que as organizações Globo criaram um esquema internacional envolvendo diversas empresas em sedes por todo o mundo para mascarar a compra dos direitos da Copa do Mundo de 2002. O objetivo principal seria o de sonegar os impostos que deveriam ser pagos à União em pela compra dos direitos.

A expectativa é que os primeiros documentos viessem a público no domingo, pouco depois da final da Copa, mas, por questões de segurança, a divulgação aconteceu nesta quinta-feira.

Operação

A engenharia da Globo para disfarçar a operação envolveu dez empresas criadas em diferentes paraísos fiscais. Todas essas empresas pertencem direta ou indiretamente à Globo, segundo os documentos. O esquema funcionava de modo que o dinheiro para a aquisição dos direitos era pago através de empréstimos entre empresas pertencentes à Globo sediadas em outros países. Deste modo, a empresa brasileira TV Globo, não gastava dinheiro diretamente com a operação. Posteriormente, as empresas que detinham os direitos de transmissão eram compradas pela TV Globo.

“Essa intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo teve, por escopo, esconder o real intuito da operação que seria a aquisição pela TV Globo dos direitos de transmitir a Copa do Mundo de 2002, o que seria tributado pelo imposto de renda”, afirma em relatório do processo o auditor fiscal Alberto Sodré Zile.

Com o esquema, o sistema Globo incorre em simulação e evasão tributária, ou seja, sonegação. O imposto sobre importâncias remetidas ao exterior para aquisição de direitos de transmissão de evento esportivo são de 15%; no caso da empresa beneficiária estar sediada em paraísos fiscais, esta taxa passa a ser de 25%, caso da Globo.

Débito ao País

O cálculo do imposto de renda devido pela empresa chega  a 183.147.981, 20 milhões de reais com base no valor pago pela compra, de 732.591.924,140 milhões de reais. Além do imposto devido, a empresa também deve pagar uma multa, que por se tratar de caso que envolve sonegação, chega a 274.721.970,05 milhões de reais. A este valor podem ser acrescidos os juros de mora, como descrito em processo divulgado no ano passado, de 157.230.022,58 milhões de reais. Deste modo, o valor total do débito da Globo com a população brasileira chega ao valor de 615.099.957,16 milhões de reais, sem contar a correção.

Leiam o documento abaixo clicando no título:


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Provocación insólita

Por Fidel Castro 


Hoy por la mañana las informaciones cablegráficas estaban saturadas con la insólita noticia de que un avión de la línea Malaysia Airlines había sido impactado a  10 100 metros de altura mientras volaba sobre el territorio de Ucrania, por la ruta bajo el control del gobierno belicista del rey del chocolate, Petro Poroshenko.

Cuba, que fue siempre solidaria con el pueblo de Ucrania, y en los días difíciles de la tragedia de Chernobil atendió la salud de muchos niños afectados por las nocivas radiaciones del accidente y siempre estará dispuesta a seguir haciéndolo, no puede dejar de expresar su repudio por la acción de semejante gobierno antirruso, antiucraniano y proimperialista.


A su vez, coincidiendo con el crimen del avión de Malasia, el primer ministro de Israel Benjamín Netanyahu, jefe de un estado nuclear, ordenaba a su ejército invadir la Franja de Gaza, donde habían muerto ya en pocos días cientos de palestinos, muchos de ellos niños. El Presidente de Estados Unidos apoyó la acción, calificando el repugnante crimen como acto de legítima defensa. Obama no apoya a David contra Goliat, sino a Goliat contra David.

Como se conoce, hombres y mujeres jóvenes del pueblo de Israel, bien preparados para el trabajo productivo, serán expuestos a morir sin honor ni gloria. Ignoro cuál será la doctrina militar de los palestinos, pero conozco que un combatiente dispuesto a morir puede defender hasta las ruinas de un edificio mientras tenga su fusil, como demostraron los heroicos defensores de Stalingrado.

Deseo solo hacer constar mi solidaridad con el heroico pueblo que defiende el último jirón de lo que fue su patria durante miles de años.

Fidel Castro Ruz
Julio 17 de 2014
11 y 14 p.m.

FONTE: Granma

A revista Outubro agora é uma publicação on-line


A partir de seu número 21 a revista Outubro será publicada exclusivamente on-line e terá seu acesso gratuito. Essa decisão foi intensamente discutida pelo seu Conselho Editorial. Acreditamos que dessa maneira a revista ganhará agilidade, garantirá sua periodicidade, manterá sua qualidade e ampliará seu público leitor.
Apesar das dificuldades encontradas pelas revistas marxistas no Brasil a revista Outubro soube manter, ao longo de seus já 16 anos de existência, sua independência financeira, política e intelectual. Foi a primeira revista marxista brasileira a publicar suas edições anteriores na internet e a primeira a ser indexada em bases de dados internacionais.
A decisão de tornar a revista on-line é mais um passo nessa trajetória irrequieta e inovadora da revista. Todos estão convidados a divulgar a revista em suas redes sociais.
Sumário
Dossiê: O que é a classe trabalhadora?
Ursula Huws

Marcel van der Linden

Marcelo Badaró Mattos

Artigos
Kevin Murphy

Mariano Vega Jara

Romulo Costa Mattos

Renato César Ferreira Fernandes

Fabio Mascaro Querido

Deni Ireneu Alfaro Rubbo

RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política. São Paulo: Unesp. 2010, por Daniela Vieira dos Santos
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, por Camila Massaro de Góes
HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo: Marx e o marxismo, 1840-2011. De São Paulo: Companhia das Letras, 2011, por Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos e Diana Patricia Ferreira de Santana
Referência: Revista Outubro, n. 21, julho de 2014.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sobre a questão do Estado

Por Miguel Urbano Rodrigues



A situação na Europa neste início do segundo milénio é muito diferente da existente na Rússia de 1917. Mas há lições da História que permanecem actuais. Em l967 Álvaro Cunhal pôs enfase numa delas ao recordar que sendo o Estado burguês «um instrumento de dominação de uma classe sobre outras classes», será preciso destrui-lo e substitui-lo por um Estado diferente, quando o povo, sem data no calendário, conquistar o poder.


Num texto de quatro dezenas de páginas, publicado em 1967 no Militante*, Álvaro Cunhal define a Questão do Estado como a Questão Central de Cada Revolução.
Nesse ensaio retoma uma tese leninista fundamental.

No final do seculo XIX, o social-democrata alemão Edward Bernstein sustentou que era possível derrotar a burguesia e transformar radicalmente a sociedade num quadro institucional (o bismarckiano) sem necessidade de uma revolução. Para Bernstein «o movimento (leia-se reformas) é quase tudo». Essa posição, denunciada como oportunista e capituladora por Rosa Luxemburgo e Lenin, assinalou o início de uma rutura com o marxismo de partidos e organizações que até então defendiam a tomada do poder pela classe operária pela via revolucionária.

A destruição do capitalismo na Rússia após a Revolução de Outubro, concebida e dirigida pelo Partido Bolchevique, não pôs fim à polémica em torno de uma questão fulcral: é possível construir o socialismo num país utilizando as instituições criadas pela burguesia para atingir os seus objetivos?

O golpe de estado de Pinochet (ideado nos EUA) como desfecho sangrento dos Mil Dias da Unidade Popular chilena foi uma resposta da História àqueles que insistiam em defender a «via pacífica» para a construção do socialismo utilizando o estado burguês.

Transcorrido um quarto de século, as sucessivas vitórias eleitorais de Hugo Chávez na Venezuela reatualizaram o debate sobre o tema. O falecimento prematuro do líder da Revolução bolivariana não somente, porem, confirmou que a sua evolução foi desde o início decisivamente condicionada pelo fator subjetivo como desaconselha previsões sobre o rumo do processo.

Álvaro Cunhal lembra no seu trabalho que Lenin insistia que, conquistado o poder, o proletariado não se pode limitar a tomar conta do aparelho do estado burguês, mas tem de destrui-lo e substitui-lo por um novo Estado.

É útil recordar que ao regressar à Rússia após a Revolução de Fevereiro, Lenin se pronunciou contra qualquer forma de colaboração com o governo do príncipe Lvov. Ao exigir nas Teses de Abril todo o Poder para os Sovietes, o grande revolucionário, num quadro de dualidade de poderes, imprimiu uma guinada na estratégia do Partido. Meses depois, ao escrever O Estado e a Revolução, aprofundou a crítica a ilusões de cooperação com a burguesia (o governo de Kerenski), retomando ensinamentos de Marx.

Obviamente que a situação na Europa neste início do segundo milénio é muito diferente da existente na Rússia de 1917. Mas há lições da História que permanecem atuais. Álvaro Cunhal pôs ênfase numa delas em l967 ao recordar que sendo o Estado burguês «um instrumento de dominação de uma classe sobre outras classes», será preciso destruí-lo e substitui-lo por um Estado diferente, quando o povo, sem data no calendário, conquistar o poder.

Não se desatualizou o lúcido ensaio do saudoso secretário-geral do PCP.

Transcorrido quase meio seculo, numa Europa dominada pelo grande capital, quando muitos partidos comunistas se social-democratizaram, persistem em forças e organizações progressistas ilusões sobre a chamada democracia representativa. Condenam o imperialismo e o capitalismo, mas, perante a inexistência a medio prazo de condições subjetivas para o surgimento de situações pré-revolucionárias, adotam estratégias reformistas, integradas no sistema. Sem o reconhecerem, atuam como se através das instituições pudessem um dia chegar ao governo. O Partido da Esquerda Europeia e partidos como o Syriza grego são na prática inofensivos para o Estado burguês e servem os seus objetivos. Praticam uma forma de oportunismo que se manifesta inclusive na linguagem política dos dirigentes. Admitir por exemplo que as ditaduras da burguesia europeias de fachada democrática são formas de democracia política é um grave erro.

Obviamente que os partidos que se batem pelo socialismo devem participar nos parlamentos e lutar neles por reformas revolucionarias. Já Lenine atribuía importância a esse tipo de intervenção. Mas sem ilusões. A sua função deve ser o combate ao sistema, sem a perspetiva de eventual cooperação com partidos burgueses no parlamento e fora dele. As reformas de conteúdo revolucionário são, aliás, inviáveis no âmbito de instituições controladas pelo capital.

MARX E A QUESTÃO DO ESTADO

Em entrevista recente a uma web basca, Boltxe (in La Haine,18.5.14), comentando a crise estrutural do capitalismo, chamei a atenção para o explosivo renascimento do marxismo. Contrariando profecias dos intelectuais anticomunistas, multiplicam-se hoje, na Europa e na América, os Congressos e seminários sobre a obra e o pensamento de Karl Marx. Em França - um exemplo - o curso sobre Marx na Sorbonne, promovido pelo filósofo e historiador Jean Salem é um êxito, acompanhado na Internet por mais de 30 000 pessoas.

Esse interesse das novas gerações pelo marxismo confirma a sua vitalidade como ideologia criadora e dinâmica, tal como a concebeu Marx - um instrumento revolucionário indispensável à compreensão do mundo atual e à sua transformação através de lutas contra o capitalismo do seculo XXI, diferente daquele que inspirou o autor de O Capital, mas para o qual, hoje como ontem, a exploração do homem é condição da sua sobrevivência. Sendo o capitalismo pela sua essência desumano, não vejo para ele outra alternativa que não seja o socialismo.

Como comunista estou consciente de que a palavra socialismo é suscitável de muitas interpretações. As lições da derrota da União Soviética e a transformação da Rússia num pais capitalista trazem-nos, aliás, a certeza de que o desaparecimento do capitalismo não dará origem a um modelo único de socialismo.

Nos últimos anos surgiram obras muito importantes de filósofos marxistas revolucionários. Citarei entre outros cujos trabalhos merecem estudo atento, o italiano Domenico Losurdo e o francês Georges Labica.

Ambos, sublinho, coincidem com Marx e Álvaro Cunhal na conclusão de que é indispensável, quando um partido marxista-leninista toma o poder, destruir pela raiz o Estado burgues. O desfecho da experiência chilena - nunca é demais recordar essa evidência – demonstrou com clareza meridiana a impossibilidade de se utilizar com êxito o aparelho de Estado criado pela burguesia para impor um sistema incompatível com os objetivos desta. O rumo dos acontecimentos na Venezuela bolivariana e na Bolívia também está a confirmar que a chamada «via pacifica para o socialismo» é uma tese romântica.

A EXTINÇÃO DO ESTADO

É porem ilusório e ingénuo crer que por si só a destruição do aparelho do Estado burguês resolve o problema da construção, função e natureza do Estado socialista. Lenin, logo após a vitória da Revolução de Outubro, alertou o Partido para os tremendos desafios da transição no futuro imediato.

Losurdo coloca concretamente uma questão teórica fundamental sobre a transição do capitalismo para uma sociedade socialista humanizada, sem exploradores nem explorados. Em Marx não se encontra resposta a essa questão crucial.

Losurdo não critica diretamente a tese marxista da extinção gradual do Estado. Mas recorda, com alguma frustração, as respostas que a História deu ao tema em sociedades nas quais partidos comunistas, tomado o poder, iniciaram a construção do socialismo. O Estado burguês, destruído, foi neles substituído, num contexto de luta de classes exacerbada, por um Estado de transição. A meta, distante, era o comunismo após a construção do socialismo.

Mas em nenhuma dessas experiências revolucionárias o novo Estado edificado pelo Partido sobre as ruinas do Estado burgues preexistente se encaminhou com o tempo para a extinção, como previa Marx. Ocorreu o contrário. O Estado, por motivos muito diferentes, em circunstâncias históricas dissemelhantes, fortaleceu-se continuamente. Isso ocorreu concretamente na União Soviética, em Cuba, no Vietnam. Não creio que os erros e desvios cometidos pelos partidos comunistas desses três países - e foram muitos e graves - possam ter sido a causa determinante da não redução do papel e da dimensão do Estado socialista. Assistiu-se, pelo contrário, a uma hipertrofia do Estado.

A explicação desse fenómeno político, social e económico, algo não previsto por Marx, encontramo-la – admito - no homem, na resistência do ser humano a transformar-se, mesmo em benefício próprio.

A humanidade realizou conquistas prodigiosas no domínio da ciência e da técnica. A vida é hoje totalmente diferente do que era na Atenas de Péricles. Mas o homem do Século XXI não é melhor nem mais inteligente do que eram - apenas dois exemplos - Platão e Aristóteles. O homo sapiens contemporâneo, com as suas virtudes, vícios e aspirações, não difere muito na sua capacidade de amar, sentir e lutar do ateniense do seculo V A.C., ou do cidadão de Jerusalém da época de Jesus.

O homem novo, por ora, continua a ser uma aspiração, um ser mítico, utópico. O aparecimento rapidíssimo na Rússia de Ieltsin de milhões de homens antigos, com todos os estigmas do capitalismo, requer reflexão.

A transição do capitalismo para o socialismo será muito mais lenta do que Karl Marx previu.

Na monstruosa engrenagem a serviço do capital que é hoje a União Europeia a probabilidade de ruturas revolucionarias nos países periféricos, imperializados, é mínima na atual conjuntura, mesmo naqueles onde existem condições objetivas favoráveis.

Essa convicção não implica que os comunistas baixem os braços na luta contra o capitalismo.

A opção comunista exige uma disponibilidade permanente para o combate contra o capitalismo como inimigo da humanidade.

A advertência de Rosa Luxemburgo sobre a antinomia socialismo ou barbárie não perdeu atualidade. Está nas mãos da Humanidade optar pela sua continuidade ou extinção.


As revoluções não são pré-datadas. Tive o privilégio de ser testemunha de algumas e participei modestamente na luminosa e breve saga do 25 de Abril e na luta pela defesa das suas conquistas.

Sei que a minha vida útil se aproxima do fim. Mas o meu compromisso como comunista não é com o calendário e sim com os princípios e valores pelos quais me bati – o ideário que conferiu sentido à minha aventura existencial.

Vejo como ingénua a esperança de que as revoluções futuras sejam obra dos movimentos sociais. O espontaneismo não faz história profunda. A luta de classes continua a ser o motor da História. E é ao partido revolucionário marxista-leninista de novo tipo que cabe liderá-la como vanguarda.

No momento não estão criadas as condições subjetivas para revoluções socialistas no futuro imediato. Mas o capitalismo não tem soluções para salvar da destruição o seu monstruoso projeto de dominação universal. Está condenado a desaparecer. Entrou já num lento processo de implosão.

A maré da luta de classes sobe. E a convergência de muitas lutas em muitos países será fatal para o capitalismo.


Serpa e Vila Nova de Gaia, julho de 2014
_____
*Editado em brochura em 1967 e reeditado em 2007, com um prefácio de José Casanova

FONTE: ODiario.Info

Sobre o pensamento e contribuição teórica de Florestan Fernandes


DOSSIÊ

Florestan Fernandes e a Consolidação das Ciências Sociais no Brasil – Da Antropologia e Sociologia à Ciência PolíticaPDF
Thiago Pereira da Silva Mazucato03
Florestan Fernandes: Questão Racial e DemocraciaPDF
Rafael Marchesan Tauil12
Ecos de Fanon em Florestan Fernandes: abordagens preliminaresPDF
Erik Barbosa23
Florestan Fernandes, Um Sociólogo SocialistaPDF
Heloísa Fernandes33
Teoria Social e Mudança Política em Florestan FernandesPDF
Vera Alves Cepêda51
Florestan Fernandes e a Profissionalização da Sociologia – Algumas ConsideraçõesPDF
Jacob Carlos Lima57
O Retorno dos Ancestrais, ou Alguma Coisa Que Sei Sobre o Florestan dos AntropólogosPDF
Felipe Vander Velden62
Um Breve DepoimentoPDF
Maria Arminda do Nascimento Arruda71
Sobre Florestan FernandesPDF
Fernando Henrique Cardoso72




domingo, 13 de julho de 2014

FRIDA KAHLO: "Espero alegre a minha partida - e espero não retornar nunca mais." (últimas palavras de seu diário)

60 anos da morte de Frida Kahlo



Frida Kahlo (6/7/1907-13/7/1954) es la pintora latinoamericana más famosa del siglo XX y figura fundamental del arte mexicano. Conoció a Pablo Picasso y André Bretón; fue amiga del revolucionario ruso León Trotsky y del poeta Pablo Neruda. Su casa recibió a escritores, artistas, directores de cine, médicos, políticos, fotógrafos. Diego Rivera, el artista más reconocido del muralismo mexicano y esposo de Frida, la calificó así: “Tu genio […] está en el cuadro y en tu imagen. Decididamente no hay ningún pintor viviente que pueda hacer lo que tú. Te has echado al pico a toda la raza pintante."

Frida expuso en vida en la Julien Levy Gallery, en Nueva York (1938); en la Galerie Renou et Colle, en París (1939); en la Galería de Arte Mexicano de Inés Amor, en la Ciudad de México (1940); en la Exhibición Internacional de Surrealismo, y en la Galería de Arte Contemporáneo de Lola Álvarez Bravo (1953).
Lee el texto completo de la biografía de Frida Kahlo:

LINK  de la llamada Casa Azul Museo Frida Kahlo:


sábado, 12 de julho de 2014

Barbárie em Gaza

“Tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pelo Ocidente – para nossa vergonha infinita”
Por Noam Chomsky | Tradução: Antonio Martins
Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calma, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas [o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo o Guardian] haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.
É importante entender como se vive em Gaza, mesmo quando o comportamento de Israel é “moderado”, no intervalo entre crises fabricadas, como esta. Um bom retrato está disponível num relatório da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) preparado por Mads Gilbert, o corajoso médico norueguês que trabalhou extensivamente em Gaza, mesmo durante os ataques mortíferos de Israel. A situação é desastrosa, por todos os ângulos. Gilbert narra: “As crianças palestinas em Gaza sofrem imensamente. Uma vasta proporção é afetada pelo regime de desnutrição imposto pelo bloqueio israelense. A prevalência de anemia entre menores de dois anos é de 72,8%; os índices registrados de síndrome consuptiva, nanismo e subpeso são de 34,3%, 31,4% e 31,45%, respectivamente”. E estão piorando.
Quando Israel está em fase de “bom comportamento”, mais de duas crianças palestinas são mortas por semana – um padrão que se repete há 14 anos. As causas de fundo são a ocupação criminosa e os programas para reduzir a vida palestina a mera sobrevivência em Gaza. Enquanto isso, na Cisjordânia os palestinos são confinados em regiões inviáveis e Israel tomas as terras que quer, em completa violação do direito internacional e de resoluções explícitas do Conselho de Segurança da ONU – para não falar de decência.
E tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pela Europa – para nossa vergonha infinita.
FONTE: Outras Palavras´