terça-feira, 28 de maio de 2013

A farsa da anistia


POR VLADIMIR SAFATLE


Motivada por afirmações de membros da Comissão da Verdade referentes à necessidade de reinterpretação da Lei da Anistia, esta Folha abriu mais uma vez espaço importante para o debate a respeito do problema. Artigos assinados e editoriais apareceram nos últimos dias mostrando como esta é uma discussão da qual o Brasil não pode escapar.

Neste momento, a Comissão da Verdade começa a desmontar antigas mentiras veiculadas pelo regime militar, como assassinatos travestidos de suicídios e desaparecimentos ou aquela afirmação patética de que as ações de tortura não eram uma política de Estado decidida pela alta cúpula militar. Ela também colocou à luz a profunda relação entre empresariado e militares na elaboração e gestão do golpe.

No entanto, uma das maiores mentiras herdadas daquele período é a história de que existiu uma anistia resultante de ampla negociação com setores da sociedade civil e da oposição. Aquilo que chamamos de "Lei da Anistia" foi e continua sendo uma mera farsa.

Primeiro, não ouve negociação alguma, mas pura e simples imposição das condições a partir das quais os militares esperavam se autoanistiar.

O governo de então recusou a proposta do MDB de anistia ampla, geral e irrestrita, enviando para o Congresso Nacional o seu próprio projeto, que andava na contramão daquilo que a sociedade civil organizada exigia.

Por não ter representatividade alguma, o projeto passou na votação do Congresso por míseros 206 votos contra 201, sendo todos os votos favoráveis vindos da antiga Arena. Ou seja, só em um mundo paralelo alguém pode chamar de "negociação" a um processo no qual o partido governista aprova um projeto sem acordo algum com a oposição. Há de se parar de ignorar compulsivamente a história brasileira.

Segundo, mesmo essa Lei da Anistia era clara a respeito de seus limites. No segundo parágrafo do seu primeiro artigo lê-se: "Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, de assalto, de sequestro e atentado pessoal". Por isso, a maioria dos presos políticos não foi solta em 1979, ano da promulgação da lei (por favor, leia a frase mais uma vez). Eles permaneceram na cadeia e só foram liberados por diminuição das penas.

Os únicos anistiados, contra a letra da lei que eles próprios aprovaram, foram os militares que praticaram terrorismo de Estado, sequestro, estupro, ocultação de cadáver e assassinato. A Lei da Anistia consegue, assim, a proeza de ser, ao mesmo tempo, ilegítima na sua origem e desrespeitada exatamente pelos que a impuseram.


FONTE: Folha de São Paulo, 28 de maio de 2013.

As últimas da Flor do Lácio


Por Walnice Nogueira Galvão

 

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, é rude e deloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “Meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Língua portuguesa, de Olavo Bilac)


Os jesuítas que catequizaram os índios distinguiam entre “língua travada”, vigente em zona circunscrita, a exemplo do bororo ou do kiriri, e “língua geral”, de trânsito livre por todo o território, privilégio da koiné que foi o tupi. Nestes tempos em que o inglês se tornou a língua geral do planeta, confirma-se que o português carrega nos ombros um destino de língua travada, com autores de mérito fora do cânone da literatura ocidental por culpa da língua em que escrevem, essa desconhecida. Olavo Bilac já se insurgira contra tal sina, observando no soneto Língua portuguesa que nosso idioma é uma mescla de “esplendor e sepultura”, ouro em latência nasprofundezas da terra.

O projeto de lei recentemente proposto que cuida de proibir o uso de palavras estrangeiras em eventos públicos, meios de comunicação, estabelecimentos e produtos, vem reacender uma velha polêmica, até hoje indecidível.

Poucos poderiam ser a favor de uma lei de escopo tão totalitário, ecoando um não tão remoto expurgo de vocábulos “não-arianos” da língua alemã. Alicerce nem sempre visível da identidade pessoal e étnica, a língua materna desperta as mais obscuras emoções. E ninguém se lembra de que, como mostra Sérgio Buarque de Holanda [1], falava-se tupi em São Paulo até meados do século XVIII. Os paulistas, sem acesso ao litoral e sem produtos que a Europa cobiçasse, amamelucaram-se de modo cabal, levando cerca de duzentos anos para voltar a falar português, para o que concorreu tanto a extinção do gentio quanto a chegada de levas fresquinhas de reinóis. Entregue a si mesmo, nada garante que o falante  mantenha o casticismo; e bem pode, como foi o caso de São Paulo, dar-se o contrário.

Em princípio, todos nós somos contra proibir. Mas talvez as coisas não sejam tão singelas quanto parecem à primeira vista, se pensarmos no vandalismo lingüístico universal que é obra do inglês “de computador”. Nosso alfabeto, o latino, tem apenas 26 letras, e já se defronta com o problema. Os chineses, ás voltas com seus 2.000 ideogramas do mandarim simplificado, adaptaram um sistema fonético que comanda o computador, dando-lhe as quatro alternativas dos quatro tons da língua chinesa, que ele “traduz” para o código digital.


Os franceses, de firmes convicções democráticas fincadas na história, e há séculos dedicados à “défense et illustration de la langue française”, mantêm, por incrível que pareça, uma Comissão de Terminologia, adida ao Primeiro Ministro, para a naturalização do léxico estrangeiro, que examina e decide caso por caso. Não deu para impedir que parking e week-endfossem enxertados, sem adaptação e sem similar. Mas conseguiram, com rara originalidade, impor o nome de “ordinateur” para o computador, tornando seu idioma um dos poucos que têm um termo próprio não derivado daquele. Não utilizam software mas sim “logiciel”. Criaram “courriel” para e-mail, mas estão aceitando a versão mel, como aliás pronunciam.

No Brasil, a virada de século, que assistiu a assomos de frivolidade, também viu os beletristas proporem formas sucedâneas para os mais comuns galicismos, decompondo-os e substituindo-os mediante um retorno às raízes greco-latinas. Honrosa tarefa, e fadada ao fracasso. Ludopédio (jogo+pé) ou futebol (pé+bola)? Lucivelo (luz+velar) ou abajur (quebrar+luz)? Tetéia ou bibelô? Paredro, cartola ou mandachuva? Cá entre nós, cinesíforo (movimento+portador), em vez de chofer, era intragável – e hoje todo mundo já deixou cair o chofer em favor do motorista. Mas cardápio pegou, ao substituir o francêsmenu, embora em Portugal seja usual ementa. Nessa voga, até o anglicismo piquenique vacilou perante convescote.

Outra criadora de neologismos é Emília, de Monteiro Lobato. Emília pratica, e teoriza sobre, o neologismo – portanto fornece argumentos contra esta lei. Jamais temeu o estrangeirismo, de que se apossa sem cerimônia, com notável graça. Assim, por exemplo, apropriou-se de uma palavra inglesa legítima, passando a dispor dela a toda hora: os bilongues, para designar seus pertences. Nas páginas de Emília no país da gramática, que transforma o idioma numa cidade imaginária, vamos encontrar o léxico rotineiro sediado no centro urbano, enquanto neologismos e arcaísmos se localizam na periferia: metaforicamente, ainda não adquiriram ou já perderam o direito de cidade. Os arcaísmos vivem no Bairro do Refugo, onde se encontram personificadas palavras como Bofé e Ogano. Numa das margens de um braço de mar fica Portugália, a cidade velha, e na outra Brasilina, a cidade nova, filhote daquela mas de vocabulário em expansão. Escreve Monteiro Lobato, em veia de oráculo: “No começo isto por aqui não passava dum bairro humilde e mal visto na cidade velha; mas com o tempo foi crescendo e ainda há de acabar uma cidade maior que a outra”.

Num arrabalde maltratado, brincam moleques maltrapilhos, que constituem a Gíria. Entre eles Otário, vivo atualmente, e Cuera ou valentão, que Mário de Andrade tanto empregou e que desapareceu. Vizinho deles fica Bobo, e este unicamente na acepção de “relógio”, assim alcunhado em jargão de gatuno porque trabalha de graça. As palavras da Gíria, como Cuera, têm uma reflexão bem articulada, que assim se manifesta: “Ajudo os homens a exprimirem as suas idéias, exatamente como fazem todas as palavras desta cidade. Sem nós, palavras, os homens seriam mudos como peixes, e incapazes de dizer o que pensam. Eu sirvo para exprimir valentia. Quando um malandro de bairro dá uma surra num polícia, todos os moleques da zona utilizam-se de mim para definir o valentão. `Fulano é um cuera!`, dizem. Mas como a gente educada não me emprega, tenho que viver nestes subúrbios, sem me atrever a pôr o pé lá em cima”.

Não longe da Gíria moram os imigrantes, conhecidos como Barbarismos ou Estrangeirismos. Emília, que às vezes é meio pedestre (logo indagou se Dona Benta e Tia Nastácia eram arcaísmos), ponderou que essas palavras assim se chamavam por dizerem barbaridades. Mas o Visconde esclarece que não, e, defendendo-os, ataca os gramáticos, a quem chama de “policiais da língua”, porque consideram criminosos os Estrangeirismos e “tratam os coitados como se fossem leprosos.” Mais ou menos o que a nova lei se propõe como programa.

Entre os Barbarismos, representam a divisão nacional francesa os galicismos, exemplificados com Desolado e Elite, de há muito perfeitamente aclimatados, e Soirée, que caiu em desuso. Ou melhor, diria Monteiro Lobato, transferiu-se para o Bairro do Refugo – isto, se fosse uma palavra de boa cepa portuguesa, o que não é o caso. Por coincidência, sendo Soirée chamada para figurar numa frase proferida no centro urbano, está colocando em torno de si um par de aspas, “como se fossem asinhas”, enquanto Bouquet é obrigada a usar grifo.

Narizinho protesta, dizendo que se este país recebe oriundos de todas as plagas, deveria coerentemente acolher quaisquer palavras, sem estigmatizá-las com grifos ou aspas. E afirma que, se fosse ditadora, abriria as portas a todas as línguas. O rinoceronte Quindim, um sábio gramático, afirma: “... muitas palavras estrangeiras vão entrando e com o correr do tempo acabam naturalizando-se. Para isso basta que mudem a roupa com que vieram de fora  e sigam os figurinos desta cidade. Bouquet, por exemplo, se trocar essa sua roupinha francesa e vestir um terno feito aqui, pode andar livremente pela cidade. Basta que vire buquê”. E foi o que aconteceu, porque, quem ainda usa o sinônimo castiço ramalhete?

Já os neologismos são submetidos a provações e, “se não morrerem de sarampo ou coqueluche e se os homens virem que eles prestam bons serviços”, serão absorvidos pelo centro. Nesse grupo figuram Chutar, Encrenca, e Bilontra, que desapareceu.

Emília, favorável à simplificação ortográfica, arremete contra os ph e th, as consoantes duplas, etc., afirmando que o uso elimina a complicação, como regra em qualquer língua – o que não é exato. Se é verdade para muitas das línguas latinas, inclusive a nossa, já o alemão e o inglês resistem, continuando a respeitar grafemas mudos e inúteis. Deve-se a esse fator a atenção dada nas escolas norte-americanas ao  “Spelling”, em que os alunos usualmente soçobram.

Guimarães Rosa foi recuperador de arcaísmos e cunhador de neologismos. Como Emília, não só praticava como doutrinava a respeito, o que fez especialmente nos quatro prefácios de Tutaméia – Terceiras estórias. Ali, em particular no prefácio para o qual forjou o título de “Hipotrélico”, o escritor examina, zombando de ambos, os dois eixos que resumem as hipóteses de renovação autônoma das línguas: a autoria anônima ou a autoria individual submetida ao crivo coletivo. Admirador, como é, da verve lingüística e da gíria (nesse mesmo prefácio, elogia gamado e aloprado),  mostra como seria ingenuidade, senão ignorância, acreditar que o povo é a fonte de toda criação. Faz questão de assinalar que muitas das palavras mais indispensáveis e familiares foram invenções com autor e data: “ao modo como Cícero fez qualidade (“qualitas”), Comtealtruísmo, Stendhal egotismo, Guyau amoral,  Bentham internacional,Turguêniev niilista, Fracastor sífilis, Paracelso gnomo, Voltaire embaixatriz (“ambassadrice”), Van Helmont gás, Coelho Neto paredro, Rui Barbosa egolatria, Alfredo Taunaynecrotério”. Acrescente-se morfologia, que devemos a Goethe. O escritor certamente apreciaria o sabor de certas aclimações  felizes, como o esplêndido Xburger – pois o nome da letra xis não é homófono do vocábulo cheese? -, bem como a difusão demótica do genitivo inglês, estampado por todo o território nacional, nos inúmeráveis estabelecimentos chamados Chico’s, Dito’s, Mucama’s, Iracema’s, etc.Luís Fernando Veríssimo diz que um dia quer ter um bar com o letreiro Apóstrofo’s.

Completando os argumentos de Guimarães Rosa, é bom lembrar que a cada ampliação do campo do conhecimento ou avanço tecnológico, mostra-se necessário fabricar, de propósito e o mais artificialmente possível, ou seja, sem nenhuma espontaneidade popular, um novo léxico específico, em geral buscando étimos e afixos nas próprias fontes grecolatinas. Medicina, Botânica, Zoologia, Física, Química, assim procedem usualmente. Os astrônomos nisso são contumazes há séculos, e a eles somos gratos por invadirem o nosso imaginário com as galas da mitologia grega. Quem não sente desatar-se a fantasia ao ver  que as luas de Marte se chamam Deinos e Fobos, ou o Horror e o Medo, do nome dos dois cavalos que puxavam o carro do deus? Ou que, afora os anéis, Saturno possua vinte satélites, dos quais o maior é Titã?   

Embora se trate do mesmo procedimento artificial de recurso às raízes castiças, e nada tenha a ver com o estro inconsciente, já nem nos sobressaltamos quando falamos em eletricidade, automóvel, telegrama, ônibus, geladeira, rádio, fax, táxi, avião, aeroplano, aeroporto, pára-quedas, míssil, submarino, átomo, bicicleta e motocicleta, astronauta, etc. Ninguém estranha nem protesta. Dentre os idiomas europeus, o alemão foge ao padrão, traduzindo o grecolatino para raízes germânicas e adaptando componente por componente, com resultados como Fernsehen (longe+ver), para televisão. E todos sabem que foi assim que o consumo moderno entrou na língua japonesa, através de terebi (televisão), bira (cerveja), biro (fatura), etc.

De qualquer modo, a linguagem do computador já mandou para o Bairro do Refugo alguns sinônimos, mesmo sem necessidade. Foi o que ocorreu com o verbo deletar, que suplantou apagar, delir, obliterar. O barbarismo é injustificado; mas já virou vernáculo, está nos dicionários e em todas as bocas. Talvez cause estranheza por ser recente, pois ninguém mais se lembra de que o nobre esporte bretão foi um foco infeccioso de anglicismos, desde seu próprio nome de futebol até esporte, gol, goleiro, beque, chutar, chuteira, time, escrete, driblar, finta, pênalti, etc.

Entre nós, há precedente no afã de confecção lexical nas brilhantíssimas traduções oitocentistas do maranhense Odorico Mendes, que passou para nosso idioma nada menos que a Ilíada, Odisséia e aEneida. Topando o desafio do verso, quando tantos preferem a solução mais fácil da prosa, encarniçou-se em dar conta da índole sintetizadora de línguas declináveis como o grego e o latim, esforçando-se para que em português coubessem na medida original. Viu-se a braços com os epítetos homéricos - formulares, portanto convencionais e mil vezes repetidos ao longo do texto –, os quais, devido ao cunho analítico das línguas vernáculas, enfraqueciam a conferição de atributos, tornando-se extensos, enquanto no original não ultrapassam os limites de um único vocábulo.Tratou então de permutar os étimos gregos pelos latinos, menos rebarbativos aos ouvidos da lusofonia.

Ao enfrentar Eos rododactylos não teve dúvida, ou se teve, superou-a: em vez de anotar “Aurora, a dos dedos de rosa”, arriscou Dedirrósea Aurora. Não é uma beleza? A esposa de Zeus, Hera ou Juno, “a que se assenta num trono de ouro” e “a dos olhos de vaca” de tantas versões ao pé da letra, tornou-se Auritrônia e Olhitáurea. Nessa craveira, Minerva ou Palas Atena é Olhicerúlea, a mesma que, em páginas alheias, ostenta olhos glaucos ou azuis. Um chuço de cinco pontas é “quinquedentado”; a ilha natal de Ulisses, Ítaca, é “circunflua”, ou cercada pelas ondas; e assim por diante, sempre a bem de um encolhimento que não desmereça a concisão original e caiba no verso.

O que se perde em nitidez ganha-se em opulência de significantes. Ao expressar seu apreço pelas traduções de Píndaro feitas por Hölderlin, Walter Benjamin observaria que, em vez de germanizarem o grego, elas helenizam o alemão. E poderíamos acrescentar que, se veio a ser fabricado um triciclo infantil  usurpador de um epíteto homérico, tornado substantivo, foi uma infelicidade, e Odorico Mendes não pode ser responsabilizado pela degradação do Velocípede Aquiles, maneira que encontrou de sintetizar o atributo “o dos pés velozes” que qualifica o maior dos heróis gregos.

Outro maranhense, Sousândrade, exerceu a poliglossia muito à vontade em seu  volumoso poema em 13 cantos, O Guesa.Ali, o poeta utiliza várias línguas, as quais eventualmente até faz rimar. Em certos casos, como no Canto 10o, que contém o episódio do Inferno de Wall Street, a dicção é  recheada de termos ingleses: “- Por que, Grant, à penitenciária/ Amigos vos vão um por um?/ Forgeries, rings, wrongs;/ Ira’s songs/ Cantar vim no circo Barnum!”, diz D. Pedro II ao Presidente Grant. O Canto 2º , no episódio do Tatuturema, apela para o tupi: ”- Sonhos, flores e frutos, / Chamas do urucari! / Já se fez cáe-á-ré, / Jacaré!/ Viva Jurupari!” E não deixou de homenagear Odorico Mendes, a quem envia uma farpa no Canto 12º, ao versificar: “Odorico, é pai rococó”.

Um dos mais férteis períodos para a renovação da língua literária no Brasil foi o Modernismo, quando a incorporação do coloquial e do regional se alçou a missão artística, erigindo-se em virtude o anti-academicismo do discurso. Esse é um mote que percorre de começo a fim a monumental correspondência entre Mário de Andrade e Manuel Bandeira [2], perpétuo motivo de discussão apaixonada entre duas das figuras de proa do movimento. Foi então que Mário de Andrade idealizou umaGramatiquinha da fala brasileira, para brandir contra os adversários.

Pouco vem à memória das pessoas – ao contrário da confiança no aleatório plebeu para criar a língua - que os escritores são notáveis neologistas, e o papel que Camões e Shakespeare tiveram no enriquecimento tanto vocabular quanto sintático de seus idiomas deveria ser mais enfatizado. E homenagem mesmo é a que James Joyce recebeu postumamente, quando cientistas cultos transformaram em termo da Física o belo nome de quark, por ele cunhado numa frase do Finnegans wake: “Three quarks for Muster Mark”. Como os quarks da teoria dos quanta se apresentam sempre em tríades, não se discute a pertinência do batismo.

Em suma: tudo indica que nos encaminhamos para uma nova koiné. A época helenística conheceu a koiné propriamente dita, um grego de passe com vocabulário mínimo e sintaxe tosca servindo de língua internacional, ou segunda língua para os falantes, que não abdicavam da sua. Mais tarde, o latim reinaria em seu lugar durante séculos. Em nosso país, nos tempos da colônia, a chamada língua geral derivada do tupi desempenhava esse papel. A contragosto, talvez sejamos obrigados a admitir que tenha chegado a vez do inglês, uma espécie de inglês básico e primário, globalizado e reconhecido em todas as outras línguas, decorrente dos códigos do computador. E não seria uma lei desastrada que conseguiria deter o processo. Ainda mais quando constatamos que os caminhos da evolução das línguas se apresentam bem mais diversificados e cheios de meandros do que se pensa, com a balança pendendo ora para o espontâneo ora para o fabricado. O conhecido fenômeno de que no Brasil há leis que não pegam poderia se verificar neste caso. E, a exemplo da pretensa troca de galicismos por termos impronunciáveis, obra vã dos beletristas da virada de século, restará só o travo do vexame.


[1] Sérgio Buarque de Holanda, Caminhos e fronteiras, São Paulo, Companhia das Letras, 1995, 3ª ed.
[2] Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira, Marcos Antonio de Moraes (Org.), São Paulo, Edusp, 2000.


K. Marx e F. Engels: Textos sobre educação e ensino (download gratuito)


Textos sobre Educação e Ensino / Karl Marx e Friedrich Engels
Campinas, SP: Navegando, 2011. 


O livro está no formato ebook.

Para acessar o ebook, basta entrar no link abaixo:




SUMÁRIO 
Introdução
1. Os textos ........................................................................................................................... 6
2. Os temas ........................................................................................................................... 9 
3. Alguns temas polêmicos .......................................................................................... 17 
4. Marx e Engels como ponto de partida ............................................................... 20 
Nota sobre a presente edição ...................................................................................... 23
I. Sistema de Ensino e Divisão do Trabalho .................................................. 25
II. Educação, Formação e Trabalho ................................................................. 41
III. Ensino, Ciência e Ideologia .......................................................................... 64
IV. Educação, Trabalho Infantil e Feminino ................................................. 83
V. O Ensino e a Educação da Classe Trabalhadora .................................... 111
Bibliografia ......................................................................................................... 141

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dia Nacional de Combate ao Glaucoma

26 de Maio
Dia Nacional de Combate
ao Glaucoma

 
O que é glaucoma?

O glaucoma é um distúrbio no qual a pressão do globo ocular aumenta, lesando o nervo óptico e causando perda da visão. Tanto a câmara anterior quanto a câmara posterior do olho são preenchidas por um líquido fino denominado humor aquoso. Normalmente, o líquido é produzido na câmara posterior, passa através da pupila para a câmara anterior e, a seguir, drena para fora do olho através dos canais de saída. Quando ocorre uma interrupção do fluxo do líquido, normalmente por uma obstrução que impede a saída do líquido da câmara anterior, a pressão aumenta. Normalmente, o glaucoma não tem uma causa conhecida. No entanto, ele algumas vezes ocorre em famílias.
 
Bem Familiar
Como é diagnosticado o glaucoma?

O diagnóstico do glaucoma só pode ser feito pelo médico oftalmologista durante a consulta, por meio dos seguintes exames:
• Tonometria (medida da pressão intraocular);
• Gonioscopia (para verificar a amplitude do ângulo da câmara anterior: aberto ou fechado);
• Fundoscopia (avaliação da papila do nervo óptico).
Havendo suspeita de glaucoma pela consulta, outros exames são solicitados, como:
• Campimetria;
• Paquimetria;
• Estereofoto de papila.
Laboratório de PesquisaAlimentação Saúdavel

Como é feito o tratamento do glaucoma ?

• O medicamento deve ser instilado conforme orientação médica;
• Existem diversas classes de soluções oftálmicas que podem ser associadas conforme a necessidade de valores menores de pressão;
• Algumas associações podem ser em um único frasco;
• Há formulações sem conservantes que diminuem a agressão à superfície ocular.

Quais são os cuidado s que o paciente com glaucoma deve ter?

• Uso correto dos colírios;
• Retorno para consultas e exames, conforme a orientação do oftalmologista;
• Relato ao médico de problemas de saúde e medicações em uso;
• Nunca se automedicar, inclusive com colírios, pois alguns remédios e colírios podem interferir no tratamento do glaucoma.


Referências Bibliográficas
 
Manual Merck. Seção 20, Capítulo 226. Distúrbios do Olho - Glaucoma. Disponível em: http://goo.gl/Ek7zw . Acesso em maio de 2013. 
 
Esta publicação é fornecida como um serviço de MSD aos pacientes. Os pontos de vista aqui expressos refletem a experiência e as opiniões dos autores. Não tome nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico, pode ser perigoso para sua saúde. 
 

Gramsci no Limiar do Século XXI (download gratuito)



A Editora Librum e a Navegando Publicações lançam o livro Gramsci no Limiar do Século XXI.
O livro está no formato ebook.
Para acessar o ebook, basta entrar no link abaixo:
http://eventohistedbr.com.br/editora/wp-content/uploads/2013/05/gramsci_ebook_completo2.pdf

Gramsci no Limiar do Século XXI

José Claudinei Lombardi, Lívia D. Rocha Magalhães e Wilson da Silva Santos (orgs.)
O pensamento de Gramsci não se restringiu à Itália. Suas concepções são discutidas por toda parte e influenciam todos aqueles que reivindicam por princípios democráticos na educação, na cultura, na política e na economia. Assim, este livro proporcionará análises que buscam compreender a recepção de Gramsci no Brasil, nos últimos 30 anos, e a sua contribuição categorial para analisar a educação, a política, a história, a economia, enfim, a sociedade brasileira no século XXI. Compreendemos que essas contribuições nos remetem a pensar formas de emancipação humana como estratégia para a construção de uma nova ordem social, econômica e política. Podemos dizer que pensar o Brasil numa perspectiva gramsciana é desvendar uma sociedade enredada num contexto de luta, de contradição, inserida num movimento social determinado e determinante historicamente.
SUMÁRIO
Apresentação ......................................................................................7
Introdução: sobre a recepção de Gramsci na educação brasileira
Dermeval Saviani ......................................................................11
Por linhas tortas: controvérsias marxistas sobre a leitura e  recepção de Gramsci no Brasil
Carlos Zacarias de Sena Júnior..................................................17
Controvérsias marxistas sobre a leitura e recepção de Gramsci na educação brasileira
Paolo Nosella.............................................................................45
Gramsci e a educação no Brasil
Dermeval Saviani.......................................................................60
A construção do bloco histórico: via jacobina e o “debate” com  Georges Sorel nos Cadernos do cárcere
Leandro de Oliveira Galastri .....................................................80

Uma leitura gramsciana: subjetividade, sujeito e formação ético-política
Wilson da Silva Santos............................................................102

Intelectuais: para que e para quem?
Edmundo Fernandes Dias........................................................118

Sobre os autores ............................................................................141

domingo, 26 de maio de 2013

Marxismo e Educação em Debate: Imperialismo, Crise e Educação


Lançamento de Germinal: Marxismo e Educação em Debate, V. 4, N 1, de junho de 2012, com o tema Imperialismo, Crise e Educação. 

Germinal Marxismo e Educação em Debate encontra-se disponível em http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/germinal/index


Giovanni Semeraro

Além dos temas mais conhecidos sobre hegemonia, intelectuais, partido, classe operaria e das questões sociais, culturais e políticas vinculadas à Itália e à Europa, Gramsci dedica parte considerável das suas reflexões aos “grupos sociais subalternos” e aos fermentos que ocorrem nas “periferias” do sistema. Neste texto, portanto, se procura analisar esse universo, não apenas para chamar a atenção sobre um assunto pouco considerado pelos estudiosos de Gramsci, mas principalmente para resgatar elementos de grande valor e originalidade que podem contribuir ao debate que hoje se trava em torno dos numerosos movimentos de insurgência nas periferias e do significado das prementes reivindicações que as manifestações dos “subalternos” levantam em diversas partes do mundo.

Em um quadro de crise estrutural – no qual os ataques aos direitos dos trabalhadores e às políticas sociais evidenciam a ferocidade com que o capital trava a luta de classes, expropriando sem limites os cofres públicos com o fim de expandir-se – urge explicar os nexos entre crise estrutural, capital especulativo, imperialismo e a expressão desta conjuntura na reestruturação do trabalho e na formação da classe trabalhadora. Para este número, Germinal elege Quartim de Moraes para nos ajudar a dar conta desta tarefa.


Por que estádio João Saldanha? “Sai Havelange, entra João Saldanha”


Raul Milliet Filho


O “Megafone do Esporte” vem a público manifestar seu apoio ao projeto de lei apresentado pelos vereadores do Rio de Janeiro Paulo Pinheiro, Renato Cinco e Eliomar Coelho, do PSOL, propondo que o Engenhão passe a ser Estádio Olímpico João Saldanha, e convida todos para a audiência pública e debate no plenário da Câmara dos Vereadores – RJ, no dia 27 de maio, às 18 horas. 


A campanha “Sai Havelange, entra João Saldanha” foi lançada pelo Núcleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania (embrião do “Megafone do Esporte”), em 13 de julho de 2012, com apoio do blog do Juca Kfouri. E os seus frutos estão sendo colhidos agora. 


João Saldanha, em toda a sua vida, não foi apenas o jornalista esportivo com atuação em rádio, jornal e televisão. Como diretor de futebol e técnico campeão do Botafogo em 1957, foi o maior responsável pela montagem do time que vive até hoje na memória de cariocas e brasileiros, do qual faziam parte Nilton Santos, Didi, Mané Garrincha e Quarentinha. Uma equipe que foi a base do bicampeonato mundial conquistado pelo Brasil em 1958 e 1962. Fato que poucos sabem é que, nessas duas jornadas, o preparador físico da seleção brasileira foi também do Botafogo: Paulo Amaral.


Em 1969, João resgatou a autoestima do futebol brasileiro como técnico e comandante da seleção que viria a ser tricampeã no México. Escalou e definiu as “feras do Saldanha”: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Gerson, Jairzinho, Tostão e Pelé. Até ser demitido por não aceitar interferências diretas da ditadura militar, através do então presidente Médici, e por ter denunciado torturas e assassinatos no Brasil a jornais e revistas de todo o mundo. 

No link a seguir, uma entrevista de Saldanha em Porto Alegre, 20 dias antes de sua demissão da seleção: 


Ao lado de outros grandes jornalistas esportivos, inovou com seu estilo coloquial a cultura e a linguagem da imprensa especializada.


João Saldanha tinha no humor seu principal ponto de apoio. Um humor onde a alegria e o sorriso maroto de João, extensão de sua própria vida, não eram inventados, mas vividos, gostados e praticados. O humor de João pode ser situado na linha do historiador e linguista russo Bakhtin. Um humor que se transmuta em riso como forma de bater no fígado do discurso oficial, impedindo que o sério se imponha com a prepotência de gala dos dominadores.


Uma pequena amostra desse espírito irreverente, durante o jogo Brasil x Venezuela, nas eliminatórias da Copa de 1970, pode ser visto no link: 


Em contrapartida, tinha um temperamento explosivo, um pavio curto, o que lhe trouxe muitos problemas, como no episódio da invasão da concentração do Flamengo, para tomar satisfações do técnico Yustrich, que o ofendera em algumas entrevistas. Situações como essas o prejudicaram ao longo da vida, servindo de pretexto para seus adversários.


Ainda jovem, atuou em São Paulo e Paraná defendendo e organizando operários em greve e camponeses ameaçados de expulsão de suas terras.


Quando do planejamento do Aterro do Flamengo, foi o responsável, junto com Raphael de Almeida Magalhães, pela inclusão dos campos de pelada, esquecidos no projeto original. Mesmo sendo adversário político do lacerdismo, representado naquela conjuntura por Raphael, não hesitou em estabelecer essa parceria pontual, que redundou na construção de uma das maiores áreas para a prática esportiva na cidade.


Em 1985, convocado por Marco Maciel, primeiro ministro da Educação da Nova República, a apresentar um projeto de política de esporte para o país, formou uma comissão composta por Juca Kfouri, Fernando Menezes, José Antônio Gerheim, com a assessoria do Núcleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania.
 

Logo na primeira reunião, Saldanha, Juca e José Antônio decidem assumir como seu o documento “Uma Política de Estado para o Esporte no Brasil”, formulado pelo Núcleo Esporte e Cidadania, fruto de um longo trabalho de pesquisa e de projetos implantados na periferia do Rio de Janeiro nos anos 70.


As linhas gerais do documento são mais atuais do que nunca: “em um país como o Brasil, o esporte deve ser mais um instrumento na resolução da questão social, articulando-se com a educação, saúde e política alimentar”.


E vai adiante o documento: “uma política de esportes no país deve priorizar investimentos de pequeno e médio porte, mais condizentes com o perfil de uma sociedade cuja maior tarefa é diminuir as distâncias que separam a miséria e a pobreza do fausto arrogante de projetos suntuosos, de um Brasil que antes de pretender transformar-se em potência olímpica, deve almejar garantir o acesso de sua população a padrões mínimos de vida, sem os quais torna-se impossível construir uma política de esportes democrática.”


Não é preciso dizer que Marco Maciel engavetou o projeto. Foi preciso que o Núcleo Esporte e Cidadania articulasse com o Ministério da Previdência para por em prática essas diretrizes, o que só foi possível com a pressão e o apoio aberto de João Saldanha, como pode ser constatado nas crônicas abaixo, de 1985 e 1986.


Daí surgiu o Programa Recriança, que atendeu a mais de 500 mil crianças e adolescentes em todo o país. Uma iniciativa que, realizada pelo Ministério da Previdência em parceria com prefeituras, deixou frutos em dezenas de municípios brasileiros. 


João Saldanha e seus parceiros acreditavam que, em uma política de esporte e cidadania, o esporte social – o esporte cidadão, voltado ao atendimento das camadas mais pobres da população, praticado em escolas, clubes e bairros populares – e o esporte de alto rendimento – o que busca desempenho e conquista de medalhas e campeonatos – não são excludentes, ao contrário, se complementam.


Entendiam que o poder público em um país como o Brasil tinha obrigação de investir a maior parte de seus recursos no Esporte Social. 


Após a experiência do Programa Recriança, ficou patente que investimentos no esporte social têm uma capacidade de geração de emprego cinco vezes maior (custo per capita) do que no alto rendimento. Nesse caso, os recursos devem ser investidos quase que exclusivamente em custeio: pessoal (professores, estagiários, pedagogos etc.), material esportivo e alimentação. 


Todos os levantamentos realizados apontam para uma subutilização das áreas esportivas existentes, que, em sua maioria, demandam, quando muito, pequenas reformas, solucionáveis com investimentos locais insignificantes. 


Pois bem, só com o dinheiro gasto no Maracanã, no estádio Mané Garrincha e em Manaus, seria possível atender 1,5 milhões de crianças e jovens, três vezes por semana, em articulação com as escolas, em um programa esportivo, cultural, profissionalizante, oferecendo uma segunda merenda escolar. 


E o governador Sérgio Cabral Filho sabe disso muito bem, pois conheceu de perto os resultados positivos do Programa Recriança. 


Dar ao Engenhão o nome de João Saldanha não significa apenas firmar uma postura ética em relação a um importante estádio público, mas deixar claro uma oposição frontal a esta política dos megaeventos (Copa e Olimpíadas), que distancia o esporte da educação, elitiza o acesso aos estádios e dificulta a democratização da prática esportiva. 


João Saldanha combateria enfaticamente esse estado de coisas, desancando a privatização do Maracanã entregue a interesses contrários àqueles que ele sempre defendeu em vida. 


Sérgio Cabral Filho, Eduardo Paes, Eike Batista, Marin e Nuzman não escapariam de suas críticas afiadas e contundentes. 


Como é possível entregar de bandeja a interesses poderosos um estádio que custou 1,2 bilhões de reais? Como é possível espalhar pelo Brasil uma manada de elefantes brancos? 


O maior desperdício de recursos públicos reside exatamente na definição equivocada de prioridades. E tudo isso teve início quando o governo federal elegeu como ponto central de sua política de esportes a realização dos megaeventos, transformando a cidade e o esporte em mercadorias intercambiáveis, subtraindo o potencial gregário e educativo da prática desportiva. 


O Estádio Olímpico João Saldanha é uma bandeira fincada na luta pela ética e democratização do esporte e não se restringe às quatro linhas, a um clube ou a um partido político. É uma homenagem ao papel que a cultura popular representa na construção da autoestima de um povo, de uma nação, ao potencial gregário e educativo do esporte.


Após a conquista da Copa do Mundo do México, Saldanha escreveu uma crônica, “A Vitoria da Arte”, onde dizia: 


“antes de mais nada, quero dizer que a vitória extraordinária do Brasil foi a vitória do futebol... fazendo da arte de seus jogadores a sua força maior... é pela vitória da arte, que continua sendo dentre as mais variadas concepções do futebol moderno, a verdadeira razão de se encherem os estádios e a identificação mais sólida e decisiva do futebol do Brasil”. 

Pouco tempo antes escrevera outra crônica onde afirmava: 


“Minha concepção para Copa do Mundo era de que poderíamos batê-los, aos grandalhões, com arte e habilidade. Jamais na força física. Convoquei Zé Carlos do Cruzeiro, pois já tinha ali no meio Pelé, Tostão, Dirceu Lopes e Rivelino...
Pelé e Tostão demonstraram amplamente ser a dupla certa. Jogando bola no chão desde as eliminatórias até as finais, fizemos cerca de 50 gols e só um de cabeça. Tudo por baixo, como sabe jogar o futebol brasileiro.” 

Quando da inauguração da estátua de João Saldanha no Maracanã, em dezembro de 2009, sua irmã Elza Saldanha Milliet disse ao ex-presidente Lula diante de vários jornalistas: “presidente, se o João fosse vivo não gostaria nada de ver toda esta dinheirama gasta aqui no Maracanã. Tenho certeza que iria criticar.” 


Vida que segue.


Texto completo das crônicas:

A segunda merenda escolar, de João Saldanha (JB, 11/05/1985)

Um gol da Previdência, de João Saldanha (JB, 29/07/1986) 



*Raul Milliet Filho – é botafoguense, mestre em História Política pela UERJ, doutor em História Social pela USP. Como professor, pesquisador e autor prioriza a cultura popular. Gestor de políticas sociais, idealizou e coordenou o Recriança, projeto de democratização esportiva para crianças e jovens. 


FONTE: Carta Maior