Manifestantes fizeram assembleia popular e pediram que Congresso aprove consulta para decidir entre monarquia parlamentar e república
Apenas cinco dias após a abdicação do rei Juan Carlos, a capital espanhola registrou neste sábado (07/06) a sua segunda grande manifestação a favor de um referendo sobre a monarquia. Ao contrário da primeira concentração, realizada na última segunda-feira e organizada por redes sociais, o ato deste final de semana foi convocado pelos principais partidos de esquerda do país, principalmente o Equo e o IU (Esquerda Unida), e reuniu ainda mais pessoas.
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Campanha a favor da realização de uma consulta popular a respeito da continuidade da monarquia ganha adeptos na Espanha |
Às 18h30, meia hora antes do horário marcado, a Praça de Cibeles, local de início do protesto, já estava tomada por bandeiras vermelhas, amarelas e roxas, cores da Segunda República Espanhola (1931-1939). Quando o relógio da sede da prefeitura de Madri marcou 19h, as ruas próximas à concentração foram fechadas pela polícia e os manifestantes começaram a caminhar em direção à Praça Puerta del Sol, no centro da cidade.
Pelo caminho, turistas e desavisados se uniram à marcha aos gritos de “Espanha amanhã será republicana” e “Ninguém votou em Felipe”, em referência ao Príncipe de Astúrias, que será proclamado rei no próximo dia 19 e se converterá em Felipe VI.
Já na Praça Puerta del Sol, destino final da marcha, os manifestantes realizaram uma assembleia popular e pediram, com gritos de ordem, que o Congresso de Deputados vote a favor da realização de um referendo popular que os permita escolher se preferem seguir em uma monarquia parlamentar ou se querem fundar uma nova república.
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Pelo menos 88 mil vítimas do franquismo continuam sepultadas em valas comuns |
Um momento marcante da assembleia foi a chegada de parentes de vítimas do franquismo ao local. As milhares de pessoas que lotavam a praça se levantaram e aplaudiram durante vários minutos os senhores e senhoras de idade que buscam na Justiça argentina a investigação dos crimes realizados pelo Estado espanhol durante a regime do ditador Francisco Franco (1939-1975).
Projeto de lei
Na próxima quarta-feira (11/06) o Congresso de Deputados irá votar em sessão única o projeto de lei que regula a abdicação do rei Juan Carlos. Os grupos de esquerda (liderado pelo IU) e misto (coalizão de diversos partidos nacionalistas) pediram ao presidente da casa que o voto seja nominal, assim, cada deputado deverá ser chamado a declarar publicamente se é a favor ou contra o projeto.
Além do procedimento do voto, o IU também apresentou na última sexta-feira uma proposta de emenda ao texto elaborado pelo governo do presidente Mariano Rajoy (Partido Popular). Nela, o partido liderado pelo deputado Cayo Lara propõe que um referendo sobre a monarquia seja organizado dentro de três meses.
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Manifestações ocorreram em diversas cidades espanholas; em Pamplona e Valência, mais de 30 mil foram às ruas |
A alteração do procedimento do voto deve ser aceita pela mesa do Congresso, mas a emenda não deve ter sucesso. O PP conta atualmente com a maioria absoluta na câmara e, por isso, deve vetar qualquer modificação ao texto apresentado.
Após a possível aprovação do projeto que estabelece os critérios da sucessão pelo Congresso, o texto segue para o Senado, que também deve aprová-lo sem grandes problemas. A Casa Real espanhola trabalha com a hipótese que a proclamação do atual Príncipe de Astúrias deva ocorrer no próximo dia 19 de junho.
FONTE: Opera Mundi
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