segunda-feira, 31 de agosto de 2015

LIVROS E REVISTAS ONLINE!

Entre as diferentes seções do blog marxismo21, existe uma que divulga livros e revistas online. 
Relevantes livros dos autores clássicos do marxismo e de suas diferentes tradições são disponibilizados na seção. Igualmente revistas brasileiras e internacionais (online), de orientação marxista, são ali informadas. 

Vale a pena conhecer e divulgar a seção: 


sábado, 29 de agosto de 2015

Para download: La educación crítica y los desafíos en el siglo XXI

Primera edición: febrero 2015
Link para download:
http://www.rebelion.org/docs/198343.pdf


"El libro que usted tiene en las manos es una herramienta emancipadora, de autodefensa intelectual, en el combate sin tregua por una educación gratuita, crítica y humanista e independiente de cualquier interés privado o mercantil. Con sentido profundamente crítico, la educación como práctica revolucionaria posibilita la formación de conciencia histórica y potencializa la radicalidad de los sujeitos ante la bancarrota de los modelos educativos neoliberales. De las escuelas a las universidades, los maestros, las familias, los pueblos y las organizaciones que resisten a su manera a la voracidad del capitalismo tienen una intencionalidad liberadora: transformar las relaciones de poder y de explotación para el ejercicio de una democracia real, directa, participativa y comunitaria. Ante una educación deshumanizante que sirve a intereses ajenos y enajenantes, sólo es desde la insumisión que son eficientes las estrategias de lucha antisistémica cuando orientan los procesos educativos hacia la formación de personas críticas del poder dominante, pero también de sí mismos y de proyectos propios a nivel familiar, comunal y productivo." (fragmento del prólogo)


Valério Arcary no programa "Opinião", falando sobre a conjuntura política no Brasil (agosto de 2015)


"Muita gente honesta do povo de esquerda está se perguntando se não há perigo de golpe, e se a escalada do tom da oposição de direita não é muito parecida com o pré-1954 e o pré-1964.

A turbulência nas alturas aumentou muito, mas o impressionismo, um forma de hipocondria política, é mal conselheiro. Embora dividida diante da crise política, o que é um fato novo desta conjuntura pós-2014, a maioria da classe dominante não está inclinada a apoiar o impeachment de Dilma Roussef. O projeto de golpe “a la paraguaia”, como a destituição de Fernando Lugo em 2012 existe, mas é minoritário. 

Esta mudança da realidade fundamenta a tática do PT e PCdB, da CUT, do MST, e, mais criticamente, até do MTST e setores do PSOL, como a ala liderada pelo presidente do partido, Ivan Valente: todos consideram, ainda que com nuances, que o centro da tática é a defesa do mandato de Dilma, ou da legalidade. O perigo desta ideologia é posicionar uma parte importante da oposição de esquerda a reboque da defesa do governo Dilma Rousseff." (Valério Arcary, na sua página do Facebook)


«Contra o golpismo (UFRJ)».

Apoie este Abaixo-Assinado. Assine e divulgue. O seu apoio é muito importante.

Ler e assinar o abaixo-assinado: «Contra o golpismo (UFRJ)» no endereço 
http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR84355

Contra o golpismo (UFRJ) 

Para: UFRJ e demais pessoas solidárias à educação

A tradição golpista não se rende aos costumes democráticos. 

Perdedores em dis- eleitorais, concluído o processo, têm dificuldade em aceitar as regras do jogo e anseiam por interromper o fluxo de um sistema que, com defeitos e qualidades, é ainda o único que defende e assegura as liberdades individuais. Pode-se não gostar da constituição dos fatos, mas é preciso que os mesmos avancem em seu desdobramento natural para que então tenhamos condições para proceder a uma boa e autêntica avaliação. 

Greves não são dispositivos agradáveis. Os que a deflagram e sustentam a sua validade em circunstâncias precisas, não ignoram que tais instantes de intensa dedicação à causa das ideias e das instituições prejudicam o funcionamento da ‘normalidade cotidiana’ e os atingem pessoalmente. Eles o fazem conscientes de que alguém, com a força de uma coletividade, deve se erguer e interpor uma barreira de opiniões capazes de enfrentar, no ambiente das contradições, a energia de correntes antagônicas perniciosas para um funcionamento das organizações e das categorias profissionais, antes que as eliminem às vezes por completo. Isto é o que se passa no atual momento da vida universitária brasileira, de Norte a Sul. A pretexto de realizar economia na caixa do governo cortam-se drasticamente verbas destinadas à sustentação das atividades acadêmicas e retiram fatias inteiras de recursos para as equipes de limpeza, bolsas de estudo, assistência estudantil, segurança do trabalho e do patrimônio, intercâmbio de professores, etc. Alguns dos nossos docentes, voltados para o universo diminuto das suas preocupações, não percebem o fenômeno. Mas outros, mais atentos, sentem a crise e se movimentam. É motivo bastante para uma greve, que nos perdoem os indiferentes, mesmo que, diante da apatia dominante, a paralisação se prolongue como já aconteceu antes, inclusive no final da ditadura, e como está ocorrendo agora. 

Posições contrárias a essas medidas confrontaram-se aos que tomaram a sua defesa nas assembléias e perderam no voto a opção pela apatia. A juventude, apesar do preço a pagar, compareceu em peso, em apoio maciço à deflagração do protesto, em nível nacional. É ela, sem dúvida, a principal prejudicada pela interrupção das aulas e pela manutenção precária do calendário universitário com os arremedos da tal ‘normalidade’, que de normal só tem o nome, porque a falta de manutenção em todos os níveis se mostra mais do que visível. E felizmente temos estudantes. E temos também funcionários sensíveis ao processo de degradação e professores corajosos para sustentar a luta. 

Hoje dispomos de uma Reitoria diversa de outras que, no passado, privilegiavam o faz-de-conta em lugar do olhar atento, enquanto exerciam até o fim os seus mandatos. O Professor Roberto Leher, eleito com margem expressiva de votos dentro das regras estabelecidas, não possui disposição de espírito para a insensibilidade. Não ignora que administrar uma instituição do tamanho da UFRJ representa uma tarefa hercúlea para a qual os movimentos sociais precisam se somar com a força de sua importância. Pela primeira vez talvez na história todos os segmentos de atuação universitária se somaram de uma forma ou de outra ao volume dos protestos. Somente assim, quem sabe, a burocracia estatal compreenda o valor fundamental do que está em curso em nome da universidade brasileira pública, gratuita e de qualidade, os postulados primeiros de nossa visão acadêmica, para que não caiamos nos modelos da privatização, este sim feroz no cumprimento de seus princípios da indiferença pelo outro e avessos à democratização do acesso ao conhecimento. 

Nós, abaixo-assinados, não aceitamos as medidas de intervenção, nem como denúncia. O debate, contra e a favor, tem de se travar entre nossos pares, dobrando-nos às posições vitoriosas. Dirigir-se diretamente ao ministro para indispô-lo contra o Reitor já representa golpismo (que nos perdoem a veemência da palavra), em nome de uma compreensão própria de como agir em fase de crise, além de uma irregularidade funcional. E golpismo, no país ou na instituição, nós não podemos aceitar. 

Ilustres professores eméritos, titulares, associados, adjuntos, assistentes, auxiliares, funcionários e estudantes, venham conosco defender a UFRJ!

Ronaldo Lima Lins – Professor Emérito da Faculdade de Letras da UFRJ. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Alunos criam software que formata textos conforme normas da ABNT






Três estudantes da pós-graduação em Computação da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) criaram uma software que organiza textos no formato exigido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O programa está disponível temporariamente de forma gratuita na internet.


Em entrevista para assessoria de imprensa da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), o estudante Yguaratã Cavalcanti explicou que o FastFormat foi pensado para facilitar a vida de estudantes e professores que produzem artigos de conferência e periódicos, trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações e teses. Além de Cavalcanti, Bruno Melo e Paulo Silveira passaram os últimos quatro anos desenvolvendo o software.

O programa possui um blog com tutoriais para facilitar a interação dos usuários. Lá é possível aprender a como fazer citações, escrever o resumo, entre outros. "Tivemos o cuidado de desenvolvê-lo de maneira que o usuário não se sinta preso a nossa solução. O documento produzido pelo FastFormat pode ser exportado para vários outros softwares, como Word, Open Office e LaTeX. Isso é um compromisso que assumimos desde o início", disse Cavalcanti.

Ainda em desenvolvimento, o programa deve passar a ser pago de acordo com o nível de utilização do usuário. O estudante ressalta que melhorias nas funcionalidades de revisão de textos e a possibilidade de criação de templates pelos usuários estão previstas.

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Assine o abaixo-assinado: «o Armazém da Utopia NÃO pode fechar!!»

Caro Amigo, leia e assine  o abaixo-assinado: «o Armazém da Utopia NÃO pode fechar!!» no endereço:

Ajude na sua divulgação.


o Armazém da Utopia NÃO pode fechar!!!
Para: Docas do Rio, Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Governo Federal

PÍER MAUÁ ESTÁ TENTANDO DESPEJAR O ARMAZÉM DA UTOPIA !!

Desde o início da ocupação em 2010, uma luta diária tem sido travada com o Píer Mauá para manter a ocupação e a administração do armazém 6. No Armazém da Utopia ocorrem inúmeras atividades culturais como festivais de música, cinema e teatro, exposições, palestras, estudos e espetáculos teatrais, além de oficinas de diversas naturezas (sempre gratuitas). Tais atividades, além de gerarem um total de 70 empregos diretos, devolvem à população um imóvel pertencente à União, que esteve abandonado por anos e que agora, destinado à cultura, já recebeu mais de 400 mil visitantes de classes e origens as mais diversas.

Vocês, amigos recentes, ou de longa data, conhecem o trabalho desenvolvido pela Ensaio Aberto enquanto companhia de teatro e instituição militante, na luta para construir uma arte que retrate e, principalmente, alcance a classe trabalhadora e as populações marginalizadas. O Armazém da Utopia tem viabilizado a concretização desse sonho. Já a Pier Mauá é uma instituição privada, que pretende usar o armazém 6 em benefício próprio, ou seja, com fins estritamente e largamente lucrativos.

Lutaremos com todas as forças.

Por isso amigos e companheiros, neste momento crítico e crucial, contamos com sua ajuda, seja de forma presencial e efetiva, ou através das redes sociais. Toda e qualquer manifestação a nosso favor, será de suma importância nesse momento decisivo.


Por favor enviem e-mails de apoio o quanto antes para:
Secretaria de Portos - Ministro Edinho Araújo - edinho.araujo@portosdobrasil.gov.br

Secretaria de Portos - Secretário Executivo Guilherme Penin - guilherme.penin@portosdobrasil.gov.br

Companhia Docas do Rio de Janeiro - Presidente Alexandre Gadelha -
alexandre.gadelha@portosrio.gov.br

Secretaria Geral da Presidencia - Ministro Miguel Rosseto - miguel.rosseto@presidencia.gov.br

Secretaria Geral da Presidência da República - Secretária Nacional de Articulação Social - Erika Borges
erika.borges@presidencia.gov.br

Secretaria Geral da Presidência da República - Assessor Gustavo Moura - gustavo.moura@presidencia.gov.br

Secretaria do Patrimônio da União - Cassandra Nunes- cassandra.nunes@planejamento.gov.br

Companhia de desenvolvimento do Porto do Rio - Presidente Alberto Silva -
alberto.silva@cdurp.com.br

Companhia de Desenvolvimento do Porto do Rio - Diretor Rogério Riscado - rogerioriscado@cdurp.com.br



Saudações,
Companhia Ensaio Aberto 



domingo, 23 de agosto de 2015

El síndrome de la negación histórica en la izquierda del siglo XXI

Por Francisco Díaz González






Una característica cada vez más común en las izquierdas que emergen en la actualidad,  es que se constituyen sobre el supuesto de que dado que la izquierda del siglo XX fue históricamente derrotada, nada de su experiencia teórica y práctica es significativa de ser rescatada para la izquierda del siglo XXI. Se trata de una perspectiva que se presenta a sí misma como innovadora, rupturista respecto al siglo XX, y consciente de la necesidad de construir un socialismo efectivamente democrático, pero que al carecer de continuidad con la tradición socialista, termina negando su historia en vez de encargarse de su pasado. En el mejor de los casos se debe a mera ignorancia o desinformación histórica. En el peor, se debe a la adopción –consciente o no– de una matriz categorial de tradición liberal en el despliegue de su pensamiento y praxis políticas.

Esta última situación se verifica no necesariamente en la existencia de argumentos o contenidos liberales en su discurso político, sino en la existencia de una perspectiva que abandona el análisis de clase para hacer política, de modo que se reemplaza la concepción crítica y transformadora del materialismo histórico por una que en sus efectos es legitimatoria de las condiciones actuales. La cuestión, entonces, es sobre la negación que hacen de aquellas categorías que no sólo le han otorgado identidad teórica a la izquierda, sino que permiten que en la praxis sea funcional a su horizonte estratégico: construir una sociedad sin clases. Lo problemático surge cuando esas izquierdas ni siquiera tienen consciencia del liberalismo con el que cargan y que, sumidas en los estrechos límites que su matriz categorial les permite, terminan tropezando una y otra vez en falsas dicotomías, desplegando tácticas incoherentes y desgastantes, y guiando su praxis irremediablemente hacia objetivos que lo alejan del horizonte por el que lucha.
Dos de las categorías fundamentales del discurso de la izquierda cuyo significado ha sido ampliamente liberalizado son las de lo político y lo social. Desde la perspectiva liberal, lo político remite al Estado y lo social a la sociedad civil en abstracto. A partir de esta concepción se asume que no hay otra forma exitosa de apropiarse de la política sino es entrando directamente en el único espacio donde creen que reside lo político, el Estado, pues fuera de él, en el espacio de la sociedad civil, sólo hay desagregación de demandas, cuya expresión colectiva pero fragmentada se comprueba en la existencia de múltiples movimientos sociales de diversa índole: feministas, indígenas, pobladores, estudiantiles, sindicales, etc. Se trata, por tanto, de que los distintos movimientos (parciales) de la sociedad civil ingresen agregados mediante representación al espacio de deliberación y decisión que permite el Estado, y en su interior se logre democratizar la sociedad a través de, por ejemplo, la protección efectiva de los derechos sociales de la ciudadanía.
Se busca, por tanto, hacer retroceder el carácter neoliberal del Estado desde adentro, para luego profundizar la democratización social hacia afuera, sostenido sobre un breve proceso anterior de politización social de baja intensidad que se limita a lo cívico-electoral y a la alianza instrumental con otros partidos afines. Por consiguiente, su centralidad, sea como sea que la declaren, termina en la práctica amarrada a la concepción fetichizada del Estado, y en vez de desplegar una política guiada por la dinámica de la lucha de clases, lo hacen supeditados al ritmo de las disputas electorales, optando para su éxito por abarcar la mayor cantidad de la población electoral a disposición, preocupados de conformar una mayoría políticamente artificial y supeditados inevitablemente al confuso sentido común del centro.
En esta línea, antes que transformar la sociedad a través del avance de un movimiento popular, su énfasis está puesto en la toma de la dirección del Estado. En vez de insistir en la ruptura a través de un frente de clase que debilite el origen de la dominación, buscan avanzar abarcando distintos sectores sociales a través de la suma y coordinación de cargos y autoridades de representación pública en todos los niveles. Las categorías de lo social y lo político así entendidas devienen –aunque su discurso sea altisonante y radical– en una política de izquierda liberal, es decir, progresista. El resultado, como se advierte, es la transformación progresiva de esta izquierda en un cuerpo de funcionarios renovados, pero que, desentendidos del anclaje de clase como garantía democrática y revolucionaria, se convierten a la postre en un esqueleto sin musculatura, en mera burocracia.
La anterior es una perspectiva que no supera sino que niega la concepción de izquierda de lo político y lo social. Una concepción coherente a la tradición materialista del socialismo, en cambio, entiende lo político como el grado de asociación en la acción de los sectores sociales por la lucha del poder, y se expresa para el caso de las clases populares en la construcción de largo aliento de un movimiento popular. Este último entendido como el movimiento unitario que el Pueblo, en tanto clase dominada autoconsciente, materializa bajo el más agudo grado de asociación entre las clases subalternas y, por tanto, de disociación y autonomía respecto a la elite, con el fin de transformar las estructuras que le dominan. Asimismo, para esta concepción, lo social debe comprenderse como el grado de desigualdad en la estructura social de un contexto específico y, por consiguiente, como la forma de dominación basada en la apropiación del valor de una clase sobre otra, desplegándose en la práctica a través de la lucha de clases.
Así, lo político no se cree que reside exclusivamente en el Estado, sino que aparece en todo espacio donde las clases populares desarrollan a través de sus organizaciones una acción asociativa y unitaria entre ellas y en antagonismo a la clase dominante (y no sólo dirigente), con el fin de hacer posible un proyecto de sociedad alternativo donde el poder y el valor estén radicalmente democratizados. Lo anterior, como se deduce, no implica que la política de izquierda no se desarrolle también al interior del Estado, pero lo hace consciente de que su centralidad está amarrada siempre a la configuración histórica de lo social, es decir, a la dinámica mediante la cual la clase dominante articula en el Estado su poder para desarticular a la clase trabajadora. Con esto, la izquierda actual evita estar expuesta a caer forzosamente en la falsa dicotomía liberal de decidirse o por la vía insurreccional (armas) o la vía institucional (votos) en la que muchas veces cayó durante el siglo XX, y así poner su esfuerzo en romper las relaciones sociales de producción del capitalismo donde sea que se desplieguen –desmantelando, por ejemplo, el Estado subsidiario– para reemplazarlas por otras que permitan la realización de los dominados.
Por eso, lo que define a la izquierda es que postula que entre lo político y lo social existe una inextricable relación de codeterminación, pues si deliberadamente se aislaran –como lo hizo en Chile el pacto de la transición–, entonces se disolvería progresivamente su identidad de izquierda. Para la izquierda, entonces, la tarea no consiste en hacer agregación de los movimientos sociales a través de la representación electoral, dándole satisfacción a cada demanda particular en los límites del espacio institucional del Estado, sino que su misión consiste en articularlos en base a un movimiento popular que los supera en tanto combate universalmente la causa central de la dominación: el capitalismo.
La izquierda del siglo XXI, en definitiva, debe autocomprenderse no solo como productor sino también como producto histórico. Por ello, haciendo análisis y síntesis de las manifestaciones espectrales de la dominación capitalista, debe poner su énfasis en la toma del poder, pero, a diferencia de la perspectiva progresista, ya no reducida a la coyuntura táctica que representa la toma de la dirección del Estado, sino como el resultado de un largo proceso de politización de alta intensidad de las clases populares, que asumen por horizonte el retroceso progresivo de la lógica mercantil del capitalismo y, por ende, el avance de la lógica democrática del socialismo.

Francisco Díaz González es Licenciado en Historia de la Universidad de Chile; Profesor de Historia de la UDP; y actualmente estudiante de doctorado en Historia Latinoamericana, Universidad Libre de Berlín.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

LANÇAMENTO: "Ensaios sobre a escola politécnica", de Moisey M. Pistrak

Coleção em Pedagogia Socialista, da Editora Expressão Popular

Já na livraria virtual (apenas R$20):
https://www.expressaopopular.com.br/node/9405/




Este é o terceiro livro de Moisey Mikhailovich Pistrak publicado pela Expressão Popular. O primeiro foi Fundamentos da Escola do Trabalho, em maio de 2000, a partir da edição em português da editora Brasiliense de 1981; o segundo, A Escola-Comuna, que teve Pistrak como organizador, foi traduzido direto do russo e publicado pela primeira vez em português no mês de outubro de 2009.


Como os anteriores, o livro Ensaios sobre a Escola Politécnica - também pela primeira vez publicado em língua portuguesa - representa uma importante contribuição à Pedagogia Socialista, com formulações pedagógicas feitas no calor da prática e dos debates teóricos da revolução russa de 1917. Pistrak foi um dos líderes ativos das duas primeiras décadas de construção da escola soviética e do desenvolvimento da pedagogia marxista na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.


Este livro continua o debate entre o autor e V. Shulgin, condensado em Rumo ao Politecnismo, publicado pela Expressão Popular em 2013. Aqui o debate se volta para a questão da escola politécnica, não apenas da incorporação do trabalho na escola, mas da incorporação do trabalho de natureza politécnica que representa desde as primeiras formulações de Marx, no século XIX, uma fase superior do vínculo entre o ensino e o trabalho na perspectiva de formar os trabalhadores para conduzir o processo de superação das relações sociais capitalistas.


O leitor encontrará nesta síntese contribuições importantes para se repensar a lógica de organização do plano de estudos da escola básica de modo que o vínculo entre trabalho e estudo se converta em chave metodológica para tornar prática a concepção de conhecimento do materialismo histórico e dialético na escola, pensando na formação escolar das novas gerações.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Entidades patronais preparam documento de apoio ao governo: Dilma e o PT a reboque de setores das classes dominantes

Cada dia está mais difícil alimentar ilusões de que a Dilma pode fazer uma política voltada para o povo, quando na realidade ela e o PT cada vez mais vão para a direita e fazem compromissos com o grande capital.

Embora haja setores que preferem o afastamento de Dilma e do PT do governo, o grande capital internacionalizado, que é quem manda no Brasil, não quer isso. Basta ver o grande acordo feito na semana passada com a Agenda Brasil e as declarações do Trabuco, presidente do Bradesco, as posições da FIESP e da FIRJAN, edital do New York Times, etc. As classes dominantes já se entenderam entre si e não estão interessadas em dar golpe nenhum nem em derrubar a Dilma. A burguesia está muito feliz com ela e o seu governo. Basta fazer os devidos "ajustes" - leia-se medidas anti-povo e a favor do capital.

Qual a solução a ser levada a cabo pelas esquerdas? Preparar as forças sociais e políticas capazes de levarem o processo revolucionário brasileiro a avançar no caminho de constituir um poder popular capaz de implementar medidas progressistas. É uma tarefa a longo prazo, de acumulação de forças para que seja possível aos trabalhadores influir nos acontecimentos.

Entidades patronais preparam documento de apoio ao governo

Em Brasília   18/08/2015

Um grupo de entidades patronais está fechando os últimos detalhes de uma carta em apoio ao governo. Segundo uma fonte que participa da elaboração do documento, a carta não deve dizer claramente que é contra o impeachment, mas pedirá que se cumpra a Constituição.
"Partindo-se do pressuposto de que nenhum crime ocorreu, será pedido que se cumpra a Constituição, ou seja, não cabe impeachment", disse um dos coordenadores do movimento.
O apoio, contudo, não é incondicional. O documento não será omisso aos problemas e ao cenário político e econômico. "A ideia é morder e assoprar", ponderou essa fonte.
O empresariado e as entidades resistem a uma declaração que se coloque tão explicitamente favorável ao governo porque havia se instaurado um clima de que todos eram obrigados a aderir ao movimento de apoio. "Ninguém queria ser obrigado a nada", observou.
O documento deve ser divulgado por volta das 11h de amanhã (19/08) e envolverá entidades como OAB, que na última sexta-feira divulgou nota na qual afirma que a presidente Dilma Rousseff "precisa pedir desculpar ao Brasil" por ter apresentado uma realidade econômica "inexistente" no período de campanha eleitoral.
Também participarão do manifesto a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Confederação Nacional de Transportes (CNT).

FONTE: UOL notícias

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"Tecnologia não adianta sem boas forças sociais", afirma Kentaro Toyama

O cientista criou o conceito de Lei da Amplificação no qual a tecnologia apenas expande as mudanças sociais em curso

POR 
Toyama conversa com crianças de uma escola da aldeia Kotra, no Rajastão, na Índia - Arquivo Pessoal


RIO — O japonês Kentaro Toyama usa há dez anos o mesmo celular, que apenas liga e manda mensagens de texto. Formado por Harvard, com PhD em Yale e ex-funcionário da Microsoft, ele se intitula um “geek herético”, por ir na contramão da opinião geral sobre novas tecnologias: “é preciso usá-las de forma sábia, e isso, às vezes, significa simplesmente não usá-las”, prega ele.

Atualmente professor da Universidade de Michigan e membro do Centro Dalai Lama de Ética e Valores Transformadores do MIT, Toyama fundou, em 2005, o Centro de Pesquisas da Microsoft na Índia. Por nove anos, ele desenvolveu em terras indianas projetos para aumentar o desenvolvimento social do país a partir de tecnologia. De forma prática, descobriu, no entanto, que isso não funciona. Pelo menos, não quando se aposta todas as fichas na tecnologia.

Seu livro é taxativo ao dizer que não há solução tecnológica para a pobreza. Por que afirma isso?

Em todo o mundo, vemos um incrível progresso tecnológico. Em algum momento deste ano, é provável que o número de contas de celular vá superar o número de pessoas. Esse tipo de mudança é rápido, mas não traz uma mudança social igualmente rápida. Esta só acontece quando as pessoas se tornam melhores versões de si mesmas. E a tecnologia pode mediar ou ampliar isso, mas não é a causadora da mudança. Em um mundo em que já existe tanta tecnologia, não precisamos de mais gadgets. O que nós precisamos é de pessoas e de sociedades mais maduras.


Que experiências lhe mostraram que a tecnologia é superestimada?

Na Índia, eu supervisionei mais de cinquenta projetos em que o objetivo era usar alguma forma de tecnologia eletrônica para diminuir a pobreza. Fizemos projetos nas áreas de agricultura, saúde, microfinanças, governança e educação. Dentro desta última, criamos o MultiPoint, que permitiu que muitos estudantes interagissem com um único computador usando vários dispositivos de mouse. Mas, quando levamos essa tecnologia para outras escolas, imediatamente tivemos problemas. Os professores tinham medo de usá-la, porque não tinham treinamento, nem tempo para planejar as aulas incorporando os computadores. E nenhuma das escolas tinha pessoal técnico para dar suporte, então os próprios professores tinham que configurar os aparelhos. Lembro-me de alguns casos em que eles levavam 20 minutos para configurar o computador, o que significa a perda de quase a metade do tempo de aula. Mesmo uma boa tecnologia não funciona a menos que as forças sociais sejam igualmente bem-intencionadas e capazes. Isso segue o que eu chamo a Lei da Amplificação: a tecnologia amplifica as forças humanas subjacentes. Se essas forças são boas, a tecnologia pode tornar as coisas melhores. Se essas forças são ruins, a tecnologia não ajuda. Em alguns casos, ela pode até piorar as coisas.

Como a tecnologia chega a piorar algumas situações?

Há um consenso entre pediatras americanos de que a tecnologia digital inibe o desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças pequenas. Introduzir crianças a softwares — sejam jogos de lazer ou aplicativos educativos — é como dar “doces cognitivos”. Eles dão um prazer barato e rápido que elas logo aprendem a desejar. Isso as faz perder o apetite para atividades mais nutritivas.

Você também ressalta que o aumento dos investimentos em tecnologia nos últimos anos não significou um progresso humano real.

Exato. Ao longo das últimas quatro décadas, os Estados Unidos têm vivido uma idade de ouro da inovação digital. Mesmo as pessoas muito pobres têm smartphones e contas no Facebook. No entanto, durante esse mesmo período, a taxa de pobreza no país aumentou, a mobilidade social estagnou e a desigualdade cresceu. Assim, qualquer ideia de que a tecnologia por si só resolve esses problemas é obviamente um equívoco. Os Estados Unidos não estão focados em acabar com a pobreza. Por isso, a tecnologia não ajuda.

À medida que você vem pesquisando o assunto, tem se interessado menos pelas tecnologias em si?

Sim. Acho importante usá-las sabiamente — o que muitas vezes significa simplesmente não usá-las. Meu celular é muito simples porque acho que me faz bem não estar disponível o tempo todo para as outras pessoas e para o trabalho.

Como podemos “amplificar” o poder de as pessoas fazerem mudanças sociais?

Um caminho é trabalhar com as forças humanas que já estão fazendo coisas positivas, e usar a tecnologia para amplificar seu impacto. Outra frente é se concentrar em “nutrir” as pessoas, enquanto indivíduos e enquanto sociedades. Como a tecnologia amplifica as forças humanas, é preciso se certificar de que elas estão apontadas na direção certa.

Você apoia as escolas que resolvem banir computadores?

Eu não acho que devamos ser ideológicos sobre esse assunto. Por exemplo, é obviamente necessário ter computadores em sala para ensinar programação de computador, aprendizado cada vez mais interessante e útil de se ter. Mas isso não significa que precisamos de computadores em todas as salas de aula.


FONTE: O Globo, 17/8/2015.

domingo, 16 de agosto de 2015

Libros de de Atilio Boron para descargar gratis

Atilio A. Boron

sociólogo y politólogo argentino


EL TERRORISMO DE ESTADO EN LA ARGENTINA 

Un texto imprescindible para estudiar lo que fue la dictadura genocida cívico-militar de 1976-1983.

ESTADO, CAPITALISMO Y DEMOCRACIA EN AMÉRICA LATINA.
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0Bx2YC3gJbq2TYjIyNmQ1MTQtNGRkOC00OTljLTk4ZGUtMWM2ODJlNTExMzM5&hl=es
Un libro agotado hace largos años después de múltiples ediciones en lengua castellano. La única que todavía existe es la que publicara Ediciones Hiru en España.
 
TRAS EL BÚHO DE MINERVA.
 
Un estudio filosófico-politico sobre la mal llamada "democracia burguesa".
 
IMPERIO & IMPERIALISMO
Una lectura crítica de Michael Hardt y Antonio Negri
 
http://bit.ly/uEqKhQ
 

Aos 70 anos do fim da II Guerra Mundial - O Mundo em Guerra - série em 26 vídeos

Leiam sobre esta série aqui:  https://pt.wikipedia.org/wiki/The_World_at_War


Aqui, os vídeos legendados em português:



Aqui, no original em inglês:

https://www.youtube.com/playlist?list=PL3H6z037pboEKhZaLYS879YMuDG8mGuQI   26 vídeos

A sociologia da literatura de Lucien Goldmann


Lucien Goldmann

Por Ricardo Musse.

 
A sociologia da literatura de Lucien Goldmann, apesar de pouco citada atualmente, situa-se inegavelmente entre as mais profícuas contribuições a essa área de estudos. Na confluência de algumas vertentes decisivas do pensamento do século XX – o marxismo, a sociologia do conhecimento, o estruturalismo –, tornou-se ponto de referência quase incontornável. No Brasil, em especial, seu impacto pode ser detectado na obra dos principais historiadores e críticos do fenômeno literário.

Sem descuidar do aspecto epistemológico, Goldmann prioriza o fator histórico – genético, em sua terminologia – na abordagem do fenômeno literário. Destaca, por exemplo, que a compreensão e a interpretação da obra ficcional exigem enfoques distintos, conforme a época do objeto em análise. Seus textos estabelecem uma clivagem bem nítida entre a arte produzida durante a vigência do Antigo Regime e a situação posterior à Revolução de 1789.

Para ele, a hipótese de uma homologia entre as estruturas das obras literárias e as estruturas mentais de determinados grupos sociais aplica-se com mais exatidão a sociedades estáticas, como a França do século XVII. Na vertente aberta por Wilhelm Dilthey – apoiando-se ainda nos desdobramentos oriundos das teorias do jovem Lukács e de Karl Mannheim –, Goldmann procura determinar uma tipificação sistemática das visões de mundo (mentalidades) predominantes nesse período, associando-as aos cinco grupos principais da sociedade de então: os grandes senhores, a nobreza da corte, a magistratura, o terceiro estado enriquecido e o povo.

A complexidade da dinâmica social posterior à Revolução Francesa, leva Goldmann a deixar em segundo plano essa homologia e a concentrar-se no enfrentamento da “reificação” – desdobrando a reativação feita por Lukács, em História e consciência de classe, do conceito de “fetichismo da mercadoria”, presente em O capital. Desloca também sua atenção de gêneros estabilizados (como “o drama”) para o romance, forma esta mais aberta e indefinida.

O autor de Sociologia do romance acompanha a dialética entre reificação e romance, ou melhor, a mediação que insere a estrutura e a mentalidade reificada no tema e no âmago da forma romance, a partir do quadro histórico e social resultante dos desdobramentos da sociedade capitalista.

Na fase inicial do capitalismo industrial, caracterizada economicamente pela concorrência e politicamente pela disseminação do ideário liberal (um padrão que Goldmann visualiza até os primórdios do século XX), o lamento e o protesto contra a reificação configuram-se no predomínio de personagens descritos – na chave de A teoria do romance, de Lukács – como “heróis-problemáticos”. O embate desse herói com a sociedade reificada reflete-se na própria estrutura – precária e problemática – do gênero romance.

Na fase dita imperialista, o aprofundamento da reificação social, seu avanço sobre a subjetividade burguesa, modifica a configuração da personagem romanesca. A tipificação do herói problemático é substituída por múltiplos e diferentes processos de dissolução do herói romanesco, como é o caso das obras literárias de Kafka, Joyce, Musil etc.

No “capitalismo de organização”, como Goldmann nomeia o Welfare State, registra-se o predomínio incontestável das estruturas reificantes e a quase nula resistência a esse avanço. O sintoma mais característico desse estado de coisas configura-se no noveau roman, descrito como uma modalidade de “fechamento da linguagem sobre si mesma pela ruptura com o referente”.

Uma crítica imanente dessa teoria, indicando suas aporias, não pode deixar de ressaltar dois aspectos: (1) a prevalência de uma concepção de grupo social excessivamente estática, na análise do século XVII francês, e (2) uma insuficiente compreensão do teor ambivalente da forma romance no capitalismo, em sua capacidade em ser ao mesmo tempo – como bem entenderam os teóricos da Escola de Frankfurt –, foco e resistência, expressão e negação da estrutura reificante.

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Nos anos 1960 e 1970, a obra de Goldmann tornou-se bibliografia essencial na Universidade francesa, e também na brasileira. Seu livro Ciências humanas e filosofia foi adotado por toda uma geração como uma introdução obrigatória à sociologia. Na passagem do século, no entanto, as marcas de seu trabalho foram desaparecendo. Salvo engano, a última reedição de uma de suas obras, no Brasil, data de 1993. Ausente dos currículos, das livrarias, sua obra deixou de ser referência e mesmo objeto de pesquisas acadêmicas.

A novidade, neste início de século – ainda insuficiente para retomar as necessárias reedições de sua obra – consistiu na publicação de dois livros sobre ele. Michael Löwy (seu orientando de doutorado), com a colaboração de Sami Naïr, editou pela Boitempo, Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade, uma apresentação geral de sua vida intelectual, acompanhada de uma seleção de textos. Celso Frederico, em Sociologia da cultura: Lucien Goldmann e os debates do século XX (Cortez) discute, numa chave crítica, a sua obra em relação às linhagens predominantes na França, na segunda metade do século XX: existencialismo, marxismo e estruturalismo.

Além disso, traduziu-se um notável artigo sobre Goldmann na coletânea de Raymond Williams, Cultura e materialismo (Unesp). Nele, o crítico inglês compara a situação da sociologia da cultura na Inglaterra e na França, tecendo considerações sobre a gênese, o substrato e o alcance da sociologia da cultura, tendo como mote e norte a sociologia de Goldmann.

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Ricardo Musse é professor no departamento de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Doutor em filosofia pela USP (1998) e mestre em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992). Atualmente, integra o Laboratório de Estudos Marxistas da USP (LEMARX-USP) e colabora para a revista Margem Esquerda: ensaios marxistas, publicação da Boitempo Editorial. 

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sábado, 15 de agosto de 2015

Basil Davidson e «O Fardo do Homem Negro»

Por Miguel Urbano Rodrigues 

A África foi até muito recentemente um continente sem História escrita. Cabe a Basil Davidson o mérito de nos seus livros ter iluminado o passado esquecido da África que em plena Idade Media construiu estados multinacionais organizados, mais extensos do que as grandes potências da época.


Fui amigo de Basil Davidson (1914-2010) e li quase todos os seus livros. 

Desconhecia a existência de O Fardo do Homem Negro, cuja tradução em português foi publicada em Luanda no ano 2000*.

Creio ser dos mais importantes. O título é uma réplica irónica ao Fardo do Homem Branco, do escritor inglês Rudyard Kipling, epígono do imperialismo.

Davidson combateu na segunda guerra mundial como oficial do exército britânico. Bateu-se na Jugoslávia e na Itália ao lado dos guerrilheiros que enfrentavam os ocupantes alemães.

Foi uma personagem fascinante sobre a qual escrevi muitas páginas. Trocamos correspondência durante o meu exílio brasileiro, mas só o conheci em Lisboa, após o 25 de Abril. A admiração que me inspirava foi prólogo de uma grande amizade.

A sua paixão pela África nasceu tarde, mas cresceu torrencialmente. Fez dele, como assinalou a New York Review of Books, «o mais ilustre conhecedor da África Negra».

A leitura da sua obra de historiador é hoje indispensável ao conhecimento do doloroso processo de descolonização da África Subsaariana.

Não assumiu uma posição de distanciamento. Como escritor, historiador e professor (em Universidades da Inglaterra, dos EUA e da África) tomou partido pelos que lutavam no Continente pela liberdade e pela independência dos seus povos.

Que eu saiba foi o único europeu a ser guindado pelos governos de antigas colónias portuguesas a herói da Guiné Bissau, de Cabo Verde, de Angola, de Moçambique.

Nas páginas de O Fardo do Homem Negro sintetiza uma parcela do saber que adquiriu no estudo de um continente humilhado e saqueado.

O Fardo do Homem Negro empurra o leitor para uma reflexão profunda sobre a tragédia de um Continente que durante séculos exportou escravos para a América. 

Não há estatísticas credíveis, mas os demógrafos admitem que 19 milhões de homens e mulheres foram arrancados das suas aldeias africanas e transportados como mercadoria para o outro lado do Atlântico. Mais de um terço pereceu durante a travessia nos porões infectos dos navios negreiros.

Terminado o tráfico infamante, a África foi partilhada em l884 na Conferência de Berlim como se fosse um gigantesco parque zoológico. Disraeli e Bismark, ao atribuírem territórios densamente povoados a países europeus, retalharam o Continente quase a régua e compasso, traçando fronteiras que separaram povos com origens, tradições e línguas comuns.

Essas fronteiras, artificiais, não refletem regiões naturais nem os limites de diferentes grupos étnicos.

Os capítulos do Fardo do Homem Negro sobre a descolonização, o nacionalismo e o tribalismo contribuem para desmentir a historiografia africana dos colonizadores europeus, iluminando uma África desconhecida, muito diferente da apresentada por aqueles que a oprimiram e devastaram.

Foi inesperado no após guerra o vendaval da descolonização, iniciado com a independência de Gana em 1957 e da Guiné Conakry em 1958.

A resistência das burocracias britânica e francesa aos movimentos independentistas foi forte. Em l959,o secretário do Colonial Office declarava em Londres: «não é ainda possível perspectivar uma época em que seja possível a um governo britânico transferir as suas responsabilidades finais pelo destino e pelo bem-estar do Quénia”. O governador da colónia, sir Philips Mitchell, escreveu então: “Como é primitivo o estado destas pessoas (…) como é deplorável o caos espiritual, moral e social em que se encontram». 

Mas os quenianos conquistaram a independência em 1963 após a insurreição armada dos Mau Mau cujo chefe, Jomo Kenniatta, foi o primeiro presidente da Republica.

Em l957,o governador do Tanganika, sir Edward Twining, definiu como agitador «um tal Julius Nyerere», sugerindo aos funcionários superiores da administração que evitassem contactos com ele e «não o recebessem». Essa a opinião que formara do homem que seria um dos maiores dirigentes africanos da segunda metade do século XX.

A Historia desmentiu esses admiradores de Rudyard Kipling.

O Tanganica proclamou a independência em 1961, Uganda em l962,o Malawi e Zâmbia em 1964.

A França, envolvida em guerras coloniais no Magreb, acreditou que poderia resistir no Sul à vaga independentista. Projetou criar duas grandes federações que agrupariam as doze colónias da África Ocidental e Equatorial no âmbito da União Francesa. Esse sonho utópico logo se desvaneceu. Todas essas colónias e Madagáscar proclamaram a independência em l960.

A independência económica não acompanhou, porem, a política. 

Ao colonialismo tradicional sucedeu nas jovens repúblicas africanas um neocolonialismo cujos mecanismos de exploração, menos transparentes, não são menos cruéis.

Atualmente a África Subsaariana continua a ser exportadora da riqueza produzida. O volume de capitais saído é muito superior ao total da ajuda recebida, como Davidson lembra no seu livro, apoiado em documentação oficial.

Os governantes africanos que sucederam aos procônsules do colonialismo foram inicialmente, com raras exceções, dirigentes formados em universidades europeias. Essa elite tudo fez para implantar nos seus países os modelos da «democracia representativa» britânica e francesa. Ora nas sociedades africanas inexistiam as classes sociais que na Europa são teoricamente a fonte dos partidos políticos. 

Essa opção pelos dirigentes «instruídos e civilizados» ignorou as chefias tradicionais e a riqueza das culturas étnicas africanas, definidas pelos políticos educados em Londres e Paris como tribalistas e retrógradas, incompatíveis com o progresso.
Tremendo erro esse.

A África foi até muito recentemente um continente sem História escrita. Cabe a Basil Davidson o mérito de nos seus livros ter iluminado o passado esquecido da África**que em plena Idade Media construiu estados multinacionais organizados, mais extensos do que as grandes potências da época. Entre outros, Gana, Mali, Songhay e Kanem.

É conhecido o desfecho das fracassadas caricaturas de democracias de modelo ocidental: guerras civis como as da Libéria e Serra Leoa e a de Biafra na Nigéria, e ditaduras sanguinárias lideradas por tiranos como Mobutu, Bokassa e Idi Amin.

A tentativa de implantar em África o socialismo, esboçada pelos movimentos revolucionários do MPLA, da FRELIMO e do PAIGCV, também fracassou. Quando os guerrilheiros que haviam combatido com heroísmo o colonialismo português e o imperialismo saíram do mato para as cidades ficou transparente que o projeto programático de partidos que pretendiam aplicar o marxismo na transformação de sociedades arcaicas era utópico. Hoje, a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique estão plenamente integrados no sistema capitalista. Com uma peculiaridade: nos três o capitalismo implantado justifica o qualificativo de «selvagem», diferenciado das fontes que o inspiraram.

Faço minha a opinião do historiador britânico Eric Hobsbawm: O Fardo do Homem Negro «é um livro de importância maior (…) não é só da África que fala, mas também de etnicidade, de nações e de problemas da vida em sociedade em qualquer parte do mundo.»

*Basil Davidson, O Fardo do Homem Negro, Editora Caxinde, Luanda, 2000.
* *Basil Davidson, A Descoberta do Passado da África, Sá da Costa, Lisboa,1981.


 
Basil Davidson: Bristol, 9 de Novembro de 1914 – Londres, 9 de Julho de 2010