quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Escritos de Rosa Luxemburgo ganham nova edição acrescida de textos inéditos

Dividida em três volumes, a obra é a mais importante coletânea de textos da pensadora socialista alemã já publicada em português e agora incrementada com textos inéditos


"Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa de modo diferente", pontificou a pensadora socialista alemã Rosa Luxemburgo em seu A Revolução Russa, de 1918. Esse e outros escritos igualmente importantes compõem os três volumes de Rosa Luxemburgo: textos escolhidos, publicação organizada pela professora de Filosofia da Unesp Isabel Loureiro e que chega à segunda edição, numa parceria entre a Editora Unesp e a Fundação Rosa Luxemburgo, com um novo projeto gráfico e inclusão de novos textos.

"Os três volumes de Rosa Luxemburgo: textos escolhidos constituem a coletânea mais importante já publicada em português de escritos da socialista nascida numa região polonesa sob ocupação russa", anotam, na apresentação, Gerhard Dilger e Jorge Pereira Filho, da Fundação Rosa Luxemburgo. "Organizados [por] Isabel Loureiro, uma das principais estudiosas do pensamento luxemburguista na América Latina, os textos aqui selecionados apresentam uma formulação teórica comprometida com a causa revolucionária e o espírito democrático radical."

Apresentam-se nos dois primeiros volumes obedecendo à cronologia, desde traduções revisadas de clássicos como “Reforma social ou revolução?”, “Greve de massas, partido e sindicatos”, “A crise da social-democracia” e “A Revolução Russa”, até originais escritos em polonês que nunca antes haviam sido publicados em português, como “Credo” e “O que queremos?”.

Já o terceiro volume dedica-se a examinar as cartas produzidas por Rosa Luxemburgo, nas quais se observam características acentuadamente humanistas e literárias, como nesta passagem, em que a pensadora escreve, da prisão, a uma amiga: “No fundo eu me sinto muito mais em casa num pedacinho de jardim como aqui ou no campo entre as vespas e a relva do que num congresso do partido. Para você posso dizer tudo isso sem preocupação: você não vai farejar logo uma traição ao socialismo. Você sabe que eu, apesar de tudo, espero morrer a postos: numa batalha urbana ou na penitenciária”.

Se o mundo dual da Guerra Fria ficou para trás e o capitalismo "venceu", o que se apresenta hoje como modelo social e econômico está longe de solucionar múltiplas crises. Entretanto, ao olhar os textos de Rosa Luxemburgo reside, ainda, algo de atual. "Rosa, é claro, não tem as respostas para nossa época", escrevem Gerhard Dilger e Jorge Pereira Filho. "No entanto, para além da mitologia que envolve seu nome, sua produção teórica – amputada e adormecida por décadas pelos dirigentes do “socialismo real” – ainda contém uma potência transformadora capaz de inspirar gerações de inconformados e inconformadas mundo afora."

Autora: Rosa Luxemburgo
Organizadora: Isabel Loureiro 
Tradução Volume 1: Grazyna Maria Asenko da Costa, Stefan Fornos Klein, Pedro Leão da Costa Neto, Bogna Thereza Pierzynski
Tradução Volume 2: Isabel Loureiro 
Tradução Volume 3: Pedro Leão da Costa Neto, Mário Luiz Frungillo, Grazyna Maria Asenko da Costa
Número de páginas: 511 (v. 1); 413 (v. 2); 397 (v. 3)
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 80 (cada)
ISBN: 978-85-393-0676-3; 978-85-393-0677-0; 978-85-393-0678-7

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp


As concepções de educação nos editoriais da Folha de São Paulo e do Estadão

Via AVALIAÇÃO EDUCACIONAL – Blog do Freitas

Estudo de Maurício de Souza analisa 30 editoriais da Folha de São Paulo e do Estadão e mostra a serviço de quais concepções de educação eles estão.

Gerencialismo e perfomatividade: o único caminho para a escola pública de qualidade?

Resumo: Este texto apresenta uma pesquisa sobre editoriais de dois dos principais jornais impressos e de maior circulação e alcance no Brasil: “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”. São analisados os editoriais que se referem à relação entre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a gestão escolar, publicados entre os anos de 2007 e 2016. A partir dos conceitos: performatividade e gerencialismo, desenvolvidos por Stephen Ball, utilizados para analisar as reformas educacionais ocorridas nas últimas décadas na Europa, e que resultaram na introdução dos valores do mundo do mercado, na definição da qualidade, sendo essa obtida através da competição, da eficiência, do desempenho e da responsabilização dos profissionais. Como consequência destas reformas, temos a desqualificação da gestão do serviço público, em especial, da educação. Utilizando-se da análise do discurso como metodologia, foram estudados 30 editoriais, e, verificamos que assim como na Europa, a educação pública brasileira é de má qualidade, pois o desempenho dos alunos nas avaliações externas nacionais e internacionais é muito baixo. Assim, considera-se que o caminho para a melhoria da qualidade da educação pública, seria reformar a gestão escolar de maneira eficiente e competitiva. Dessa forma, os editoriais analisados deixam claro que uma educação de qualidade é aquela que qualifica os estudantes para o mercado de trabalho e não para uma transformação social, na perspectiva de uma qualidade social da educação, valorizando a formação integral do ser humano.

Acesse o artigo aqui.


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Filmes sobre a Revolução de Outubro de 1917

Por Miguel Gonçalves Trujillo Filho



Organizei uma lista de filmes disponíveis na web para quem quer estudar, conhecer mais ou aprofundar os conhecimentos sobre esse importante momento da história do Século XX e um dos mais brilhantes da história dos povos em luta.

1.     Outubro
Obra prima de Sergei Eisenstein, que reproduziu, em 1929, os acontecimentos anteriores ao levante de 25 de outubro de 1917.

2.     A Revolução Russa e o adeus a Lenin (Imagens raras)

3.     Do Czar a Lênin
Lançado em 1937 (Nova Iorque) e dirigido por Herman Axelbank. O filme foi tratado como uma versão trostskista da história.
Legendas em português.

4.     Encouraçado Potenkin
Outro filme clássico do diretor Sergei Eisenstein. Nesse filme ele retrata uma rebelião de marinheiros em 1905


5.     Requiem para Lenin ou As três canções para Lenin.
Direção de Dziga VERTOV, (1934) é uma grande obra do diretor soviético responsável nesse trabalho, que apresenta três canções anônimas sobre Lenin, com muita propaganda, especialmente sobre as mudanças da vida na Rússia pela Revolção através dos olhos do campesinato. Esse foi tratado e recebido como parte da propaganda pró Stalin.


6.     Eles se atreveram - A Revolução Russa de 1917
Documentário realizado por Contraimagem em colaboração com o Instituto do Pensamento Socialista Karl Marx, dedicado aos 90 anos da Revolução Russa de 1917. Uma história com uma visão mais próxima de Trotsky, mas não cai na disputa acima do suportável. É MUITO bom, mesmo.


7.     Lenin em Outubro
Neste clássico de Mikhail Romm, retratando 1917, desde a Frota do Báltico e unidades do Exército sublevadas contra o governo Kerenski, os operários e camponeses que exigem paz à construção da insurreição e o processo da contra revolução até o triunfo.
Mikhail Romm (1937), 108 min.


8.     Dez Dias que Mudaram o Mundo
Belas imagens e um pequeno documentário sobre os fatos que desencadearam no levante de outubro de 1917.
Dublado.
Vídeo de 41':54", sobre a Revolução Russa. Produzido pelo Partido Operário Socialista Espanhol (POSI) e com legendas e áudio em português. Com imagens originais, mostra o período que antecede a Revolução Russa de 1917.


9.     Batalha da Rússia (Porque lutamos?)
Filme norte americado produzido como peça de propaganda para convencer o povo das razões da entrada na Guerra em 1942. O diretor produziu 5 filmes a pedido do Departamento de Estado Produzido. Essa é a parte 5 e ganhou o Oscar em 1943. Nele, os EUA, após passar duas décadas atacando a URSS, ao se aliar a URSS contra o eixo (Alemanha, Itália e Japão) foi obrigado e fazer um filme para mostrar uma “outra” Russia.
O conjunto de filmes foram intitulado Porque Lutamos (Why we fight) e esse sobre a Rússia é o A Batalha da Russia. Bem interessante sobre a história da Russia.


domingo, 10 de dezembro de 2017

PEC do Teto dos Gastos inviabilizou a educação pública no país, diz Dermeval Saviani

Em entrevista ao Brasil de Fato, o filósofo e pedagogo critica as medidas de Temer e aponta caminhos para a resistência


Mauro Ramos
Brasil de Fato | São Paulo (SP), 8 de Dezembro de 2017 


Dermeval Saviani. São Paulo, 25 de novembro de 2017.
Dermeval Saviani, tem 73 anos. Ele é considerado o criador da chamada Pedagogia Histórico-Crítica, que visa, segundo expressa o próprio autor no livro A pedagogia no Brasil: história e teoria (2008, Autores Associados), que o ponto de referência da educação seja o compromisso de transformação da sociedade em vez de sua manutenção ou perpetuação. 

Autor de diversas obras sobre a questão educativa no Brasil, Saviani tem uma visão crítica sobre as políticas que vem sendo implementadas sob o governo golpista de Michel Temer (PMDB).

Em entrevista ao Brasil de Fato, Saviani afirmou, por exemplo, que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, conhecida como PEC do Teto dos Gastos, que congela os investimentos públicos durante 20 anos, inviabilizou o Plano Nacional de Educação (PNE), criado em 2014 pelo governo da presidenta Dilma Rousseff. O PNE previa aumentar o valor dos investimentos na educação pública gradativamente em um período de dez anos. 

O pedagogo, que é professor emérito da Universidade de campinas (UNICAMP), também criticou a reforma do Ensino Médio decretada neste ano pelo governo Temer através da lei n.º 13.415, e cuja implementação pode ocorrer entre 2019 e 2020. Para Saviani, a reforma significa um retrocesso que nos levaria para a década de 1940, já que as atuais mudanças propostas são comparáveis às leis orgânicas criadas nessa época, que previam um ensino secundário diferenciado para “elites condutoras”, e outro para "o povo conduzido", conforme explica.

Durante a entrevista, Saviani ainda falou sobre a iniciativa chamada de “Escola Sem Partido”, a qual considera “uma proposta que procura se sintonizar com a visão fundamentalista das seitas religiosas”, e apontou caminhos para a construção de resistências às políticas de retrocessos que estão impactando na educação brasileira. 

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Em sua fala recente, você citou diversos retrocessos do governo golpista de Michel Temer. Um deles é a inviabilização do Plano Nacional de Educação de 2014. Por que ele ficou inviabilizado e quais as consequências?

Dermeval Saviani: Um dos pontos chaves que provocou o golpe foram os interesses econômicos do sistema financeiro, daí o foco na dívida e nas contas públicas, para fazer caixa, para fazer o superávit primário, para o pagamento dos bancos. Isto levou àquela emenda constitucional, a chamada PEC do Fim do Mundo, que congelou por 20 anos os gastos públicos, limitada apenas à inflação do ano anterior. 

Então, isto inviabiliza o Plano Nacional de Educação (PNE) porque as metas do plano estão vinculadas aos recursos financeiros. Uma das metas principais, a meta 20, que determinava atingir 7% do PIB [para o investimento na educação] nos primeiros cinco anos, chegando a 10% ao final do período de dez anos. Como o plano foi aprovado em 2014, então a meta de 10% do PIB, deveria ser atingida até 2024.

Com a aprovação da emenda constitucional por 20 anos, impedindo investimentos públicos, e iniciando-se a partir de 2017, isto conduz essa limitação até 2037. Como o plano vence em 2024, as metas ficaram inviabilizadas; algumas delas que deveriam ser atingidas no prazo de 2 anos, portanto em 2016, já venceram e não foram atingidas, e aquelas cujo vencimento se estende até 2024, também estão inviabilizadas por conta dessa PEC.

O senhor critica o fato da reforma do Ensino Médio ter sido feita sem diálogo com os atores principais da educação. Quais os problemas que apresenta esta reforma?

Essa é uma reforma que, na verdade, implica um retrocesso para a década de 1940, quando estava delimitada a formação profissional de um lado e a formação das elites de outro. Então, em 1942, o decreto que é conhecido como Lei Orgânica do Ensino Secundário, determinava que o ensino secundário se destinava às elites condutoras, e nesse mesmo ano de 1942, foi baixado um outro decreto, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Industrial, regulando o ensino industrial, com o mesmo período de duração do ensino médio, quatro anos de primeiro ciclo, chamado ginásio, e três anos do segundo ciclo, o colegial, para formar os chamados técnicos de nível médio. Se o ensino secundário era destinado às elites condutoras, infere-se que o ensino profissional era destinado ao povo conduzido. Em 1942 foi a Lei Orgânica do Ensino Industrial, e em 1943 a do Ensino Comercial, depois em 1946 saiu a do Ensino Agrícola.

No caso dessa reforma atual, eles preveem cinco itinerários: os quatro primeiros correspondem àquelas áreas do antigo ensino secundário, e o último é o ensino profissional. Argumenta-se que esses itinerários são para flexibilizar o curso e permitir a escolha dos alunos. Mas isso é um outro absurdo porque estariam atribuindo a adolescentes de 15 anos, a responsabilidade de definirem o seu percurso, os seus projetos de vida.

Como é que um adolescente de 15 anos vai ter um projeto de vida para poder escolher já entre os cinco itinerários, àquele que corresponde ao que ele pretende desenvolver na sociedade? Nós sabemos que os jovens de 18, 20 anos que ingressam no ensino superior não têm clareza ainda da opção.

Então, na verdade, isto por um lado é uma justificativa falsa porque a tendência é que a maioria vá para esse itinerário profissional; inclusive, segundo a justificativa que normalmente se apresenta com esse itinerário ele teria imediatamente a chance de ter um emprego, enquanto que nos outros itinerários ele dependeria de ir para o ensino superior. De outro lado, não há garantia de que as escolas ofereçam os cinco itinerários. Então, a tendência vai ser oferecer dominantemente o quinto itinerário de formação profissional, e algum dos outros de forma mais restrita.

Por detrás disto está o entendimento de que a grande maioria vai para aquelas profissões de caráter não-intelectual, que implica maior precariedade e salários mais baixos. Então, a diferença entre as elites condutoras e a população trabalhadora de modo geral, proclamada lá na reforma de 1942, tende a se acentuar com uma proposta como essa. 

Você têm afirmado que a proposta da "Escola Sem Partido" é, na verdade, uma proposta de Escola de Partidos, ao ser uma iniciativa de partidos da direita. Quais são os riscos de propostas como esta?

Quando esse movimento de Escola Sem Partido procurou traduzir em projetos de lei, tanto no Congresso Nacional, como nas Assembleias e nas Câmaras Municipais, [percebeu-se que] trata-se de uma proposta visando a cercear a formação crítica dos alunos por parte dos professores. Uma proposta que visa a cercear a liberdade de pensamento, que é prevista como um direito na Constituição. Uma proposta que procura se sintonizar com a visão fundamentalista das seitas religiosas, pretendendo que os professores nas escolas, se limitem a uma formação isenta de criticidade e de capacidade analítica dos alunos. Então, se trata de uma proposta que visa, em última instância, a conformar a população à ordem estabelecida, e nesse sentido, é uma proposta conservadora e mais do que isso, reacionária. 

Por último, o senhor vem falando da necessidade de "resistências ativas" no âmbito educativo. O que já está sendo feito nesse sentido e quais elementos devem ser levados em conta no futuro próximo para fortalecer estas resistências?

O que eu venho propondo é a retomada dos Fóruns em Defesa da Educação Pública, tanto no âmbito local, como no regional, no nível dos estados, e no nível nacional. Esses fóruns são uma experiência que já aconteceu, como o Fórum em Defesa da Escola Pública na Constituinte, que as propostas dos educadores para figurar no capítulo da educação na Constituição foram apresentadas, e, de fato, conseguiu-se que praticamente a totalidade fosse incorporada à Constituição.

Depois, esse fórum se manteve na discussão da LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional], e isto possibilitou alguns avanços na tramitação na Câmara dos Deputados. Entre 1989, quando começou a tramitação, o projeto foi encaminhado como uma novidade porque, tradicionalmente, os projetos de lei de educação são de iniciativa do Executivo, mas nesse caso, em dezembro de 1988, deu entrada na Câmara Federal, o projeto de LDB oriundo do movimento dos educadores.

E aí tramitou de 1989 até 1994, quando foi aprovado na Câmara dos Deputados, com idas e vindas, havia o Centrão lá fazendo resistência, impedindo, por exemplo, que o título de Sistemas Nacionais de Educação fosse introduzido, então mudou-se para Organização da Educação Nacional, mas com alguns avanços importantes. Só que aí, passando para o Senado, veio a nova legislatura com o governo FHC [Fernando Henrique Cardoso], que assumiu em março de 1995, e todo esse trabalho foi posto de lado e apresentado um substitutivo, de iniciativa do senador Darcy Ribeiro, articulado com o MEC [Ministério da Educação e Cultura], sendo aprovado e resultando na atual LDB que, do ponto de vista dos educadores, apresenta vários limites. E aí a mobilização continuou com os Congressos Nacionais de Educação que elaboraram uma proposta de Plano Nacional de Educação, que também se antecipou do governo.

Então, esse é um movimento de resistência que avança em alguns momentos, em outros momentos acaba não conseguindo muitos avanços, mas que é necessário para evitar os retrocessos e retomar os avanços que os educadores vêm defendendo já há várias décadas como necessários para o desenvolvimento da educação pública e o atendimento das necessidades educacionais da população.

É importante não só retomar, mas ampliar, não ser fóruns organizados apenas para as entidades do campo educacional, mas incorporando também as entidades do campo sindical, dos sindicatos dos trabalhadores e dos movimentos sociais populares, para reforçar essa mobilização e, nesse sentido, fazer reverter as medidas retrógradas que o atual governo vem tomando. 

Edição: Simone Freire



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Honduras: el “golpe blando preventivo”

Por Atilio A. Boron

La interminable epidemia de “golpes blandos” propiciada por la Casa Blanca se ha ensañado una vez más con Honduras. Fue allí, en el año 2009, donde por vez primera se aplicó esta metodología una vez que fracasara el golpe militar tradicional ensayado un año antes en Bolivia. A partir de ese momento los gobiernos indeseables de la región serían barridos por un letal tridente conformado por la oligarquía mediática, el poder judicial y los legisladores, cuyo “poder de fuego” combinado supera el de cualquier ejército de la región. José Manuel “Mel” Zelaya fue su primera víctima, a quien seguirían en el 2012 Fernando Lugo en Paraguay y en 2016 Dilma Rousseff en Brasil. Bajo ataque se encuentran los gobiernos de Bolivia, Venezuela y, va de suyo, Cuba, mientras que en Ecuador el viejo recurso del soborno y la traición unidos a la técnica del “golpe blando” parecen haber detenido el rumbo de la Revolución Ciudadana de Rafael Correa. El objetivo estratégico de Washington con sus “golpes blancos” es regresar América Latina a la condición neocolonial imperante en la noche del 31 de diciembre de 1958, un día antes del triunfo de la Revolución Cubana.

En el caso hondureño el golpe funciona preventivamente, a través de un escandaloso fraude electoral que sólo ha suscitado la crítica de algunos pocos observadores enviados por la Unión Europea. En cambio, la misión de la OEA, presidida por un demócrata de credenciales tan impecables como el boliviano Jorge “Tuto” Quiroga, ha consentido todas y cada una de las violaciones de la legislación electoral y las normas constitucionales del Gobierno de Juan Orlando Hernández, heredero del golpe del 2009. Claro que Quiroga no las tiene todas consigo porque el Tribunal Constitucional de Honduras ha declarado que la reelección es un derecho constitucional que no puede ser conculcado por ninguna norma de rango inferior lo que, aplicado al caso de Bolivia, consagra la legitimidad de la aspiración del presidente Evo Morales de presentarse a una nueva contienda presidencial.

Pero regresando al meollo de nuestra argumentación, el fraude perpetrado en Honduras remeda al que inaugurara en 1988 el PRI mexicano para birlar a Cuauhtémoc Cárdenas de la victoria que estaba claramente obteniendo en las urnas. En medio del recuento de votos se produjo un apagón que afectó a gran parte de la Ciudad de México y cuando finalmente el fluido eléctrico regresó se verificó un verdadero milagro, equivalente moderno al de la multiplicación de los panes y los peces de nuestro señor Jesucristo. En este caso los que se multiplicaron en medio del apagón fueron los votos de Salinas de Gortari, el candidato priísta, mientras que Cárdenas era relegado a un triste segundo lugar. En Honduras acaba de ocurrir exactamente lo mismo, lo que prueba que a la Santa Madre Iglesia le asiste la razón cuando afirma que los milagros existen y se producen casi a diario. Salvador Nasralla, el candidato del frente opositor llevaba cinco puntos porcentuales de ventaja al escrutarse algo más de la mitad de los sufragios y las tendencias eran muy claras. En ese momento el Presidente del Tribunal Superior Electoral declara que no se puede anunciar ningún resultado porque falta escrutar el resto de las actas, pese a que el candidato del tercer partido, Luis Zelaya, reconoce el triunfo de Nasralla. El TSE retoma el conteo selectivo de las actas en distritos en donde se presume que el candidato oficialista tiene alguna ventaja al paso que, simultáneamente, aparecen recurrentes desperfectos en el centro de cómputos del TSE y los consabidos apagones. Una vez subsanados los guarismos van ofreciendo una pequeña ventaja al presidente Juan Orlando Hernández, aunque las sospechas aumentan porque el Ministerio Público allanó una oficina del partido gobernante sorprendiendo a sus ocupantes en la preparación de actas comiciales falsas. Lo interesante del caso es que este fraude es tan rudimentario que dio pie a otro milagro sin precedentes en la historia política mundial: después de los desperfectos y los apagones subían los votos de Hernández en la candidatura presidencial, pero no así los de los alcaldes y diputados del oficialismo que se mantenían en sus registros anteriores. Todo esto, repetimos, ante el cómplice mutismo de la misión de la OEA encabezada por Quiroga, cuyo adn político reaccionario hacía que mirase con buenos ojos esta burla a la voluntad popular. No es de sorprenderse entonces que las bases sociales de los partidos de la oposición hayan ganado las calles exigiendo el respeto a la voluntad de la ciudadanía. Y que el Gobierno fascista de Hernández, el mismo que ha prohijado junto a la “Embajada” el baño de sangre que se produjo en Honduras desde el golpe de 2009 y que el caso de Berta Cáceres es apenas el más conocido, haya declarado toque de queda entre las 6 de la tarde y las 6 de la mañana y estado de sitio. Ya suman unos diez los muertos por las protestas en Honduras pero el Gobierno continúa su marcha impertérrito, con la abierta complicidad del “Canalla Mayor” de las Américas, Luis Almagro y sus enviados y el tácito aval de la “Embajada” que jamás consentiría que un opositor llegara al palacio presidencial.

Es que Honduras es una pieza de gran valor estratégico en el diseño geopolítico de Washington. Limita con dos países como El Salvador y Nicaragua que tienen gobiernos considerados como “enemigos” de los intereses norteamericanos y la base aérea Soto Cano, ubicada en Palmerola, tiene una de las tres mejores pistas de aviación de toda Centroamérica y, además, es escala obligada para el desplazamiento del Comando Sur hacia Sudamérica. Además, la base Soto Cano es la que alberga a la Fuerza de Tarea Conjunta “Bravo” compuesta por unos quinientos militares de EEUU dispuestos a entrar en combate en cuestión de horas. 

Hay que recordar que el ejército hondureño fue refundado por el embajador estadounidense John Negroponte y que, en los hechos, es un comando especial de las fuerzas armadas de Estados Unidos más que un ejército nacional hondureño. Todo esto es lo que está en juego en la elección presidencial de Honduras. Por ello Washington alentó el golpe contra “Mel” Zelaya y, en la actualidad, convalida la maniobra fraudulenta del presidente Hernández. La oposición jamás reconocerá la legalidad y la legitimidad de este proceso electoral, viciado desde sus raíces. La última aberración fue hace instantes comunicada por el TSE: procederá a contar los votos de las actas faltantes sin la presencia de los representantes de los partidos opositores. Es decir, el Gobierno contará los votos y proclamará su fraudulenta victoria al margen de cualquier instancia de control independiente. Ante la monstruosidad de esta farsa electoral la oposición deberá exigir el llamado a nuevas elecciones pero bajo supervisión internacional porque está visto que el TSE es un apéndice del Gobierno y que ni siquiera garantiza el correcto recuento de los votos, para ni hablar del entero proceso electoral. 

Y los gobiernos democráticos de Nuestra América deberán encolumnarse sin hesitar detrás de los reclamos de las fuerzas de la oposición para impedir la consumación de un “golpe blando preventivo” como el que está actualmente en curso hundiendo aún más a Honduras en una tremenda crisis nacional general. Por último, habrá que notificar al “Canalla Mayor” de las Américas que algunas anomalías están ocurriendo en el proceso electoral hondureño, sacándolo de su bien pagada obsesión por monitorear y desprestigiar al Gobierno de Maduro y las elecciones venezolanas.

FUENTE: Rebelión

Povo da cidade de Santiago de Cuba rende homenagem ao líder histórico da Revolução Cubana

Neste dia 4 dezembro de 2017, quando se completa exatos um ano da cerimônia em que as cinzas de Fidel Castro foram depositadas no Cemitério Patrimonial de Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, o povo dessa cidade rendeu homenagens ao líder histórico da Revolução Cubana, falecido em 25 de novembro do ano passado.

Milhares de pessoas tomaram parte de uma caminhada até o Santa Ifigenia para render tributo a Fidel.








Cerimônia em homenagem a Fidel Castro no Santa Ifigenia, presidida pelo presidente cubano Raúl Castro Ruz





FONTE: Cubadebate

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lançamento Virtual do Samba do Comuna Que Pariu! 2018

Bloco Carnavalesco Revolucionário do Proletariado


COMUNA 2018
O desfile será no dia 12 de fevereiro de 2018, segunda de Carnaval.


 Compositor@s: Alisson Martins, Belle Lopes, Bil-Rait “Buchecha”, Guilherme Sá, Letícia, LG, Nina Rosa, Tiago Sales e Thiago Kobe

Eu vim daqui, eu vim dali, eu vim de lá
¨Foratemer¨ e Crivella , tô na rua pra lutar
Além da dor, também nos une o amor
Chegou Comuna, bando de trabalhador

Lá vai em cada isopor 
O sonho, o suor, feijão e arroz do camelô   
Que tá cansado de vender 
Pra quem não cansa de comprar 
E camelô representa todo mundo que não vai se aposentar
A gente é o rato que roeu a roupa do rei de Roma
Supremo é ter o povo no poder
Dá cá o nosso, se não der a gente toma

A Maluca me embalou (Me embalou)
A Comuna que pariu (Que Pariu!)
Revolução e carnaval
É coisa nossa, nossa classe construiu

E agora, Maria? E agora, José? 
Roubaram teu sono, venderam tua fé
Futuro, promessa, passaram a mão
Na bunda da população
Vambora Maria, vambora José
Viver pra mudar nossa história
Vermelha vitória, desbanca burguês
Ó nós aqui outra vez