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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Davi Perez - Flor na trincheira (Lyric Vídeo)

"E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!"


Composta em 2012, é lançada agora uma nova versão de "Flor na trincheira", na voz de seu compositor, Davi Perez.

Excelente para trabalhar em sala de aula, abordando o protagonismo das mulheres, que se colocaram contra o status quo, articulado com várias temáticas dos conteúdos do ensino de História na educação básica (em especial, estudantes do 9° ano do ensino fundamental e do ensino médio).






Letra: Davi Perez

Vocal: Davi Perez

Instrumental: Rato Reverso

Mixagem e Masterização: Davi Perez


Flor na trincheira (Davi Perez)


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!


É uma força de Olga, de Anita, de Alexandra Kollontai

É o grito da Rosa que da memória não sai

Dandara contra o português, Juana contra o espanhol.

Buscando sua vez, o lugar de todos ao sol.


Bravura aguerrida que ninguém esquece

Ternura vivida sentida muito mais do que parece

Flor na trincheira não se contenta com jardim e parque

É a morte tão viva no grito de Joana Darc


E tantas vezes chegaram à vitória

Heroicas mulheres que juntas fazem a história

Bruxas do feitiço da emancipação humana

É na flor da nossa pele que o anseio emana


Se seguem dias, meses e anos de glória.

Quando se busca muito mais que uma vida simplória

Proletárias, operárias, solidárias, revolucionárias.

Incendiarias das capitanias hereditárias


Marchando e desabando igual avalanche

Mira e atira no inimigo tipo Célia Sanchez

O que importa se é de bota, de chinelo ou tamanco.

Em meio guerra é heroína da paz, Elisa Branco


Condutora do assalto ao céu

Pedagoga da comuna foi Louise Michel

Da laia das companheiras lutadoras de saia

Sem deixar que caia nossa pátria camarada Krupskaia


Não cai pro lado da contrarrevolução

Como Frida na cabeça e no coração

Enquanto no poder patriarca não se puser fim

A luta seguirá no exemplo de Clara Zetkin


Monstro verdugo não vai nos intimidar

A coragem de fibra é a súplica de Soledad

É comandante do povo, capacidade que não se mede.

É Tanja Nijmeijer, também é Leila Khaled


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!


É Lyudmila Pavlichenko exterminando vários nazis

Com o inimigo dos povos jamais faremos as pazes

Bravura aguerrida que ninguém esquece

Ternura vivida sentida muito mais do que parece


Contra o velho chorume burguês embebido nesse formol

Buscando sua vez, o lugar de todos ao sol.

Resistência na Síria, Palestina, Iraque.

Flor na trincheira não se contenta com jardim e parque


Vai marchando e desabando igual avalanche

Até que toda exploração e opressão se desmanchem

É Ângela Davis contra o império branco

E não importa se é de bota, de chinelo ou tamanco.


E tantas vezes chegaram à vitória

Heroicas mulheres que juntas fazem a história

Bruxas do feitiço da emancipação humana

É na flor da nossa pele que o anseio emana


Se seguem dias, meses e anos de glória.

Quando se busca muito mais que uma vida simplória

Proletárias, operárias, solidárias, revolucionárias.

Incendiarias das capitanias hereditárias


A burguesia já perdeu o sentido

No romance de Pagu reside o desejo aguerrido

Pelo que não tem censura, governo, juízo.

E será feito na terra, sem inferno nem paraíso.


As condutoras do assalto ao céu

Com seu arsenal farão do capital o verdadeiro réu

Não mais senhores, reis e nem patrões.

Somente humanas convivências e humanas paixões


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Para download: György Lukács – “A Evolução do Racismo: da teoria das raças ao nazifascismo“ (2023) [PDF]

Em distribuição digital gratuita, o site "TraduAgindo – Formação política para a emancipação humana!" lança o livro em PDF “A Evolução do Racismo: da teoria das raças ao nazifascismo“, de György Lukács, com textos originalmente publicados no livro “A Destruição da Razão” publicado pelo Instituto Lukács, em 2020, e prefácio de Aimé Cesáire, intitulado "Introdução ao Discurso contra o Colonialismo".


O livro contem os seguintes textos de György Lukács:

  • Os inícios da teoria das raças no século XVIII
  • Gobineau e a fundação da teoria das raças
  • O darwinismo social
  • H. St. Chamberlain como fundador da teoria moderna das raças
  • A “visão de mundo nacional-socialista” e a teoria das raças

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O LIVRO EM PDF:

https://traduagindo.files.wordpress.com/2023/05/gyorgy_lukacs_a_evolucao_do_racismo.pdf

Segundo Wenderson Ribeiro, na "Apresentação" do livro, as justificativas para se destacar esse texto, em que Lukács aborda o desenvolvimento histórico da teoria das raças, e publicá-lo isoladamente da obra original “A Destruição da Razão” seriam: 

"A primeira justificativa é que ele apresenta uma abordagem original e ainda possui validade analítica ao discutir as mudanças e transformações nas teorias das raças, de acordo com os interesses da burguesia."

"A segunda justificativa está relacionada com a tradição lukacsiana no Brasil. O psicólogo e professor Márcio Farias, em seu brilhante texto “Lukács: apontamentos críticos acerca do racismo“, aborda os limites de alguns seguidores de Lukács no debate sobre a questão racial. [...] Além disso, ele critica outros que ignoram a importância da questão racial para compreender a objetivação do capitalismo brasileiro ou tratam qualquer discussão sobre racismo como “identitária”. Segundo Márcio Farias, esses seguidores lukacsianos estão aquém da abordagem rigorosa sobre raça e racismo feita pelo mestre húngaro."





[CLIQUE AQUI PARA BAIXAR “A DESTRUIÇÃO DA RAZÃO” DE GYÖRGY LUKÁCS]


FONTETraduAgindo – Formação política para a emancipação humana!

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Imperialismo, relações étnico-raciais e lutas anticoloniais

Dossiê da nova edição da revista Germinal: marxismo e educação em debate (volume 14, número 2, de agosto de 2022)


Link da nova edição: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/issue/view/2315

A revista Germinal,neste número, expõeum conjunto de reflexões que analisa o combate ao racismo pelo viés da construção permanente e intransigente da revolução socialista. Convictos de que o caminho  até  a  revolução  brasileira  é  germinado  pela  filosofia  da  práxis –questionada quanto  às  suas possibilidades  de  contribuição  ao  aniquilamento  das  opressões,  especialmente  pela  ação  burguesa penetrada  nas  lutas  sociais,  via  ação  ultraliberal  e  conservadora  no  Estado  brasileiro,  empenhado  no anticomunismo  e  na  fragilização  das  lutas  pelo  pacote  de  contrarreformas,  hasteando  a  bandeira  do empreendedorismo –,apresentamos  um  material  de  pesquisa  que  reafirma  a  atualidade  da  categoria classe  social  paraa  interpretação  das  opressões  étnico-raciais,  especialmente  quando  partimos  da premissa de que raça e gênero informam a classe sobre quem ela é, e como se movimenta. Isto nos faz afirmar  não  ser  possível  ler  a  classe  trabalhadora  sem  o  debate  étnico-racial,  o  colocando  na centralidade da luta de classes. (Primeiro Parágrafo do Editorial do volume 14, número 2, de agosto de 2022)



domingo, 26 de junho de 2022

Especial Clementina de Jesus Rainha Quelé (Documentário)

Pelo direito à memória. Pelo direito à perpetuação do patrimônio cultural brasileiro chamado Clementina de Jesus

Clementina de Jesus da Silva (Valença, 7 de fevereiro de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987) foi uma cantora brasileira. Também era conhecida como Tina ou Quelé. Deixou um grande legado no resgate dos cantos negros tradicionais e na popularização do samba, além de ser vista como um importante elo entre a cultura do Brasil e da África. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.)



Clementina de Jesus



Especial Clementina de Jesus Rainha Quelé - Parte 01




Especial Clementina de Jesus Rainha Quelé - Parte 02



domingo, 20 de fevereiro de 2022

O Circo (1936) - Filme Soviético - Legendado, colorido e em qualidade 4K







Descrição por ComunaFlix

O Circo é um filme feito pela União Soviética em 1936 durante o governo de Josef Stalin (inclusive é seu filme preferido!) e a promugação da nova constituição, a primeira constituição anti-racista do mundo, por isso esse filme é tão especial.

O filme é uma crítica ao racismo dos EUA e Alemanha daquela época, onde os EUA eram regidos por um "regime de segregação racial" e a Alemanha pelo Nazismo.

Vale lembrar que o Nazismo só acabou na Alemanha quando os comunistas soviéticos tomaram Berlim e implementaram a "Desnazificação". Já o regime de segregação racial só "acabou" nos EUA por volta de 1970, mas nós conhecemos bem o racismo institucional dos EUA, Black Lives Matter que o diga. MAS a União Soviética em 1936 não era simplesmente "não racista", ela já era ANTI-RACISTA!

SINÓPSE: Nossa heroína é Marion Dixon, uma famosa atriz branca estadunidense. Seu número mais famoso é o "Flight to the Moon" (Voando para a Lua), a qual ela é atirada de dentro de um canhão. A carreira de Marion ia bem, até que ela teve um filho com um homem preto. De acordo com o críterio estadunidense "no blood drop" (nem uma gota de sangue), todo filho (ou neto, bisneto, etc.) de preto é considerado preto. Logo Marion estava infringindo o regime de segregação racial dos EUA misturando "raças". Então eles soltaram um notícia no jornal contando que ela teve um filho com um preto e a população perseguiu ela e seu filho, que por um milagre conseguiram fugir em um trem, sem maiores ferimentos. O filme não conta o que aconteceu com seu parceiro, mas fica subintendido que ele foi morto. Marion então encontra um empresário dentro do trem, onde ela pede ele para cuidadar dela e seu filho, e guardar seu "segredo" (que ela tem um filho preto). O empresário então os leva para fazer uma turnê mundial, começando pela União Soviética. Mas o que Marion não esperava é que ele iria usar seu "segredo" para chantagear ela. O resto da história vocês ficam sabendo vendo o filme.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Lançamento de novo E-book gratuito: RACISMO, ETNIA E LUTAS DE CLASSES NO DEBATE MARXISTA

E-book publicado por marxismo21. Organizadores: Danilo Enrico Martuscelli e Jair Batista da Silva.

São publicados 23 artigos que analisam, a partir da teoria marxista, a questão étnico-racial e sua relação com as lutas de classes. 

ACESSE NO LINK ABAIXO:

https://marxismo21.org/racismo-etnia-e-luta-de-classes-no-debate-marxista/

Racismo, etnia e lutas de classes no debate marxista [livro eletrônico] / organização Danilo Enrico Martuscelli, Jair Batista da Silva. -- Chapecó, SC: Ed. dos Autores, 2021. -- (Coleção marxismo21). PDF.




terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

"Paulo da Portela: O Teu Nome não Caiu no Esquecimento"

 Cine Macunaíma debate Paulo da Portela

Assista ao documentário:

"Paulo da Portela: O Teu Nome não Caiu no Esquecimento", dirigido por Demerval Neto.



Assista ao debate promovido pelo Cine Macunaíma, realizado nesta terça-feira de Carnaval - 16/02/2021


Cine Macunaíma debate Paulo da Portela 



Foto de Paulo da Portela. Tribunal Popular, 22/12/1945, p. 6.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Documental "Cuba, Una Odisea Africana"

Cuba, en su compromiso sin contrapartida contra el Imperialismo y el apartheid


Amílcar Cabral y Fidel Castro


En 1991, Nelson Mandela comienza por Cuba su periplo fuera de África para agradecer a quienes contribuyeron a abolir el apartheid. Durante 25 años, Castro y otros 500.000 cubanos participaron en las guerras de liberación africanas. Una realidad desconocida, olvidada, que esclarece todo un episodio de la Historia africana.

Una realidad desconocida, intencionadamente olvidada fuera de África, que esclarece todo un episodio de la Historia africana y cubana: la independencia de Namibia y de Angola, o el fin del Apartheid en Sudáfrica, no se pueden entender sin el decisivo aporte internacionalista del pueblo cubano.


Cuba, Una Odisea Africana PARTE 1



Cuba, Una Odisea Africana PARTE 2



Título original

Cuba, une odyssée africaine (TV)

Año

2007

Duración

187 min.

País

Francia Francia

Dirección

Jihan El-Tahri

Música

Freres Guissé

Fotografía

Frank-Peter Lehmann

Reparto

Documental

Productora

Arte, BBC Films, Independent Television Service

Género

Documental | África

Sinopsis

Durante la Guerra fría, cuatro adversarios con intereses opuestos se enfrentaron en el continente africano. Los soviéticos querían extender su influencia, Estados Unidos deseaba apropiarse de las riquezas naturales de África, los antiguos imperios sentían vacilar sus potencias coloniales y las jóvenes naciones defendían su recién adquirida independencia. Jóvenes revolucionarios como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral o Agostinho Neto pidieron a los guerrilleros cubanos que les ayudaran en su lucha. Cuba tuvo un papel central en la nueva estrategia ofensiva de las naciones del Tercer Mundo contra el colonialismo. Desde Che Guevara en el Congo a Cuito Cuanavale en Angola, esta película relata la historia de aquellos internacionalistas cuya saga explica el mundo de hoy en día: ganaron todas las batallas, pero acabaron perdiendo la guerra. (FILMAFFINITY)

Nelson Mandela y Fidel Castro


domingo, 4 de outubro de 2020

Marx, Engels e a guerra civil nos Estados Unidos

Por Literatura Marxista


O livro Escritos sobre a Guerra Civil Americana, de Marx e Engels, compila 52 artigos comentados (a grande maioria inédita em português) escritos por ambos os autores, em inglês e alemão, enquanto atuavam como correspondentes internacionais do New-York Daily Tribune (dos EUA), Die Presse (da Áustria), Der Sozial-Demokrat (Alemanha) e demais veículos de mídia.


Os artigos selecionados por Felipe Silva e Muniz Ferreira trazem análise importantes sobre a Guerra Civil estadunidense durante todo o período em que durou, de 1861 a 1865. Esta foi a guerra em que os estados do sul dos EUA se separaram da União em um ato de reivindicação do direito de manter a escravidão em seus territórios. Além de uma guerra permeada por óbvios interesses financeiros, deu início ao questionamento acerca de questões humanitárias e raciais que perduram na história dos EUA até hoje, e cujo desfecho foi a abolição da escravatura naquele país. Essa abolição, junto da abolição haitiana de meio século antes, inspirou movimentos antiescravistas em Cuba, Brasil e demais países latino-americanos significantemente, e por isso são de interesse também para nós.


Ademais, aqui encontramos escritos valiosos para pensarmos na abordagem marxiana da questão do racismo. É um erro grosseiro dizer – como se ouve por aí – que Marx e Engels não se preocuparam com a questão racial. Na verdade, foi por falta de tradução: os textos em que trataram do tema não estavam disponíveis em português. Até agora. A acurada edição ainda conta com prefácio assinado por August Nimtz, posfácio dos organizadores, mapas, índice onomástico e linhas do tempo sobre os principais eventos históricos da Guerra Civil.


Ficha técnica

Título: Escritos sobre a Guerra Civil Americana

Autores: Karl Marx e Friedrich Engels

Tradutores: Felipe Vale da Silva e Muniz Ferreira

Editora: Aetia e Peleja

Ano da publicação: 2020

Páginas: 340

Preço: R$ 60,00


FONTE: Literatura Marxista

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Para download: "Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo" (Edição rara de 1955)

Formato digital da primeira edição (1955) de "Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo", livro organizado por Roger Batiste e Florestan Fernandes, disponibilizado na edição v. 6, n. 12 (2015/02) da revista Estudos Políticos.

Além  do "inestimável valor para as ciências sociais brasileiras em geral e para os estudos da questão racial no país, em particular", colocando "em circulação novas interpretações sobre o lugar do preconceito racial no Brasil",  a disponibilização da primeira edição de Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo, como ressalta  Luiz Augusto Campos, é "uma obra que pode nos ajudar a elucidar aspectos ainda turvos da história da própria sociologia brasileira", uma vez que "todas as demais reedições da obra, republicadas a partir de 1959, trouxeram apenas as contribuições de Bastide e Fernandes, suprimindo, portanto, os capítulos de Virginia Bicudo, Aniela Ginsberg e Oracy Nogueira", de modo que "o leitor que hoje comprar uma das edições posteriores do livro só terá acesso a uma versão incompleta da obra que influenciou tantas discussões sobre a questão racial entre as décadas de 1950 e 1980" (Ver o texto "Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo: a história de uma edição", de Luiz Augusto Campos, na revista Estudos Políticos, v.6, n. 12, 2015).


BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan (orgs.). Relações raciais entre negros e brancos em São Paulo: ensaio sociológico as origens, as manifestações e os efeitos do preconceito de côr no município de São Paulo. São Paulo: Editora Anhembi, 1955.

LINK PARA DOWNLOAD DO LIVRO:

https://periodicos.uff.br/revista_estudos_politicos/article/view/39814/22902






domingo, 5 de julho de 2020

Luiz Carlos Prestes falando sobre a condição histórica do negro no Brasil

Participação de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) no documentário "Abolição", de Zózimo Bulbul, 1988. Produzido durante o Centenário da Abolição da Escravatura, o documentário tende a averiguar a vida do negro no Brasil social, histórica e culturalmente. O longa reúne declarações de grandes figuras públicas e de cidadãos brasileiros. Misturando imagens de arquivo, entrevistas e encenações, o longa é assertivo ao denunciar que, mesmo após o famoso episódio da assinatura da Lei Áurea, a população negra brasileira continuou desamparada, e, cem anos depois, as feridas causadas por séculos de escravidão estavam longe de cicatrizadas. O documentário ganhou os prêmios de melhor roteiro e fotografia no Festival de Brasília, em 1988, e de melhor documentário no Festival Latino de Cinema de Nova York, em 1990.



1988 / 2h 33min / Documentário

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Museu Afro Brasil abre seu acervo em exposições online

O Museu Afro Brasil está oferecendo uma série de exposições virtuais nesta época de isolamento social, onde as instituições de cultura estão fechadas por conta da epidemia de Covid-19 (novo coronavírus).

Desenvolvido junto com o Google Arts&Culture, a plataforma dá um vislumbre dos mais de sete mil objetos e obras que fazem parte de um dos maiores museus dedicados à arte africana e afro-brasileira.

São 7 histórias online que mergulham nas exposições físicas disponíveis no Museu Afro Brasil.







4.  Espírito da África – os Reis Africanos, do fotógrafo austríaco Alfred Weidinger






7. Museu Afro Brasil (Trabalho e Escravidão, As Religiões Afro-Brasileiras, O Sagrado e o Profano, História e Memória e Artes Plásticas: a Mão Afro Brasileira.)





sexta-feira, 27 de março de 2020

Para download gratuito: 5 mini livros da Boitempo Editorial

Para download gratuito, cinco mini livros com conteúdos exclusivos de publicações da Boitempo Editorial. Aproveite!


◢ A mulher negra como teórica social crítica, de Patricia Hill Collins

◢ Uma breve biografia de Karl Marx, de Friedrich Engels

◢ A história oculta da fofoca, de Silvia Federici




VEJA MAIS 

E-BOOKS GRATUITOS PARA A QUARENTENA!!!
De 23 de março a 01 de maio, 10 títulos gratuitos e descontos de 20% em todo o catálogo de e-books da Boitempo.


sábado, 8 de fevereiro de 2020

Para download: NECROPOLÍTICA, de Achille Mbembe

Biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte


Título Necropolítica
Autor Achille Mbembe
Ano 2018 | 1ª edição
Nº de páginas 80 

LINK PARA DOWNLOAD:




Neste ensaio, propus que as formas contemporâneas que subjugam a vida ao poder da morte (necropolítica) reconfiguram profundamente as relações entre resistência, sacrifício e terror. Tentei demonstrar que a noção de biopoder é insuficiente para dar conta das formas contemporâneas de submissão da vida ao poder da morte. Além disso, propus a noção de necropolítica e de necropoder para dar conta das várias maneiras pelas quais, em nosso mundo contemporâneo, as armas de fogo são dispostas com o objetivo de provocar a destruição máxima de pessoas e criar “mundos de morte”, formas únicas e novas de existência social, nas quais vastas populações são submetidas a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”. Sublinhei igualmente algumas das topografias recalcadas de crueldade (plantation e colônia, em particular) e sugeri que o necropoder embaralha as fronteiras entre resistência e suicídio, sacrifício e redenção, mártir e liberdade. [Achille Mbembe]

Achille Mbembe é considerado um dos mais agudos pensadores da atualidade. Leitor de Fanon e Foucault, com notável erudição histórica, filosófica e literária, vira do avesso os consensos sobre a escravidão, a descolonização e a negritude. É um dos poucos teóricos que consegue pensar o contexto mundial contemporâneo a partir da provincialização da Europa. Nascido nos Camarões, é professor de História e Ciências Políticas na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, bem como na Duke University, nos Estados Unidos. É autor, entre outros, de Crítica da razão negra, De la postcolonie, Sortir de la grande nuit e Politiques de l´inimitié.


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Palestra "Intelectuais negros e História da Educação"

Mais uma palestra do Ciclo de Debates do Ehelo 2019, com a professora Surya Pombo, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Promoção: Grupo de pesquisa "Estudos de História da Educação Local" (Ehelo) e Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPG/ECC)
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF)
UERJ-Caxias

Data: 22/10/2019, às 19:30
Endereço: R. Gen. Manoel Rabelo, s/n - Vila São Luis, Duque de Caxias - RJ, 25065-050, Brasil


domingo, 22 de setembro de 2019

O que Marx entendia sobre a escravidão

Marx, como gerações de socialistas, viu o caráter particularmente capitalista da escravidão no Novo Mundo – e o elo inextrincável entre a emancipação dos escravizados e a libertação de toda a classe trabalhadora.
Escultura do artista plástico Sergio Romagnolo, utilizada na capa do livro Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais(Boitempo, 2019), de Kevin B. Anderson.



Por Kevin B. Anderson.*

Este ano marca o 400º aniversário da chegada dos primeiros africanos escravizados à Virgínia. Embora esse evento funesto esteja sendo atualmente discutido de maneiras profundas e penetrantes, poucos na grande mídia estão dando atenção para o caráter particularmente capitalista da forma moderna de escravidão do Novo Mundo – um tema que atravessa a crítica ao capital de Marx e suas extensas discussões sobre capitalismo e escravidão.


Marx não via a escravização em larga escala dos africanos pelos europeus, iniciada no começo do século XVI no Caribe, como uma repetição da escravidão Romana ou Árabe, mas como algo novo. Ela combinava formas antigas de brutalidade com a forma genuinamente moderna de produção de valor. A escravidão, escreveu ele em um rascunho de O capital, atinge “sua forma mais odiosa . . . em uma situação de produção capitalista”, na qual “o valor de troca se torna o elemento determinante da produção”. Isso leva à extensão da jornada de trabalho além de qualquer limite, fazendo pessoas escravizadas literalmente trabalharem até a morte.

Seja na América do Sul, no Caribe ou nas plantations do sul dos Estados Unidos, a escravidão não era um elemento periférico, mas central do capitalismo. Como o jovem Marx teorizou essa relação em 1846 em A miséria da filosofia, dois anos antes do Manifesto comunista:

“A escravidão direta é o eixo da indústria burguesa, assim como as máquinas, o crédito etc. Sem escravidão, não teríamos o algodão; sem o algodão, não teríamos a indústria moderna. A escravidão deu valor às colônias, as colônias criaram o comércio universal, o comércio universal é a condição da grande indústria. Assim, a escravidão é uma categoria econômica da mais alta importância.”

Tais conexões entre capitalismo e escravidão estão por toda parte nos escritos de Marx. Mas ele também abordou como várias formas de resistência à escravidão poderiam contribuir para a resistência anticapitalista. Esse foi especialmente o caso antes e durante a Guerra Civil estadunidense, quando ele apoiou fervorosamente a causa antiescravista.

Uma forma de resistência abordada por Marx foi a dos afro-americanos escravizados. Por exemplo, ele levou muito a sério o histórico ataque de 1859 a um arsenal em Harpers Ferry, Virgínia, realizado por militantes antiescravistas, tanto negros quanto brancos, sob o comando do abolicionista radical John Brown. Ainda que o ataque tenha falhado em desencadear a insurreição de escravos que os militantes esperavam, Marx concordou com os abolicionistas de que esse foi um evento importante, depois do qual a situação não seria mais a mesma. Mas ele acrescentou uma comparação internacional com os camponeses russos e a ênfase na ação autônoma dos afro-americanos escravizados em seu potencial contínuo de insurreição em massa:

“A meu ver, a coisa mais importante que está acontecendo no mundo hoje é, de um lado, o movimento entre os escravos na América, iniciado pela morte de Brown, e o movimento entre os escravos na Rússia, de outro . . . Acabei de ver no Tribune que houve uma nova revolta de escravos no Missouri, naturalmente reprimida. Mas o sinal já foi dado.”

Nesse momento, Marx parecia perceber uma insurreição em massa dos escravos como a chave para a abolição, e talvez algo mais no que tange ao desafio da própria ordem capitalista. Logo depois, quando o Sul declarou sua secessão e a Guerra Civil eclodiu, ele declarou seu apoio à causa do Norte, não obstante os ataques abrasadores a Lincoln por sua hesitação inicial em defender, sem mencionar levar a cabo, a abolição da escravidão e o alistamento de tropas negras.

Durante a guerra surgiu uma segunda forma de resistência ao capitalismo e à escravidão, não nos Estados Unidos, mas na Inglaterra. Enquanto as classes dominantes do país ridicularizavam os Estados Unidos como um experimento fracassado de governo republicano e até atacavam o plebeu Lincoln por sua falta de sofisticação, as classes trabalhadoras britânicas viam as coisas de maneira diferente. Ainda lutando por seus direitos diante da necessidade de comprovar exorbitantes qualificações de propriedade os trabalhadores viam os Estados Unidos como a forma mais ampla de democracia que existia na época, especialmente depois que o Norte se comprometeu com a abolição.

Como Marx relatou em vários artigos, as reuniões de massas organizadas pelos trabalhadores britânicos ajudaram a bloquear as tentativas do governo de intervir a favor do Sul. Nesse exemplo magnífico do internacionalismo proletário, os trabalhadores britânicos rejeitaram as tentativas de vários políticos de fomentar a animosidade em relação ao Norte com base no fato de que os bloqueios da União haviam reduzido o fornecimento de algodão, criando assim desemprego em massa entre os trabalhadores têxteis de Lancashire. Como Marx entoou em um artigo de 1862 para o New York Tribune,

“Quando grande parte das classes trabalhadoras britânicas sofre direta e severamente com as consequências do bloqueio sulista; quando outra parte é indiretamente afetada pelos cortes com o comércio estadunidense, devido, como é dito, à egoísta “política protecionista” dos Republicanos [dos EUA] . . . em tais circunstâncias, a mais simples justiça exige que se preste homenagem à sensata atitude das classes trabalhadoras britânicas, mais ainda quando contrastada com a conduta hipócrita, intimidatória, covarde e estúpida do John Bull oficial e bem-de-vida.”

Em 1864, a Primeira Internacional era formada, com muitos dos seus primeiros militantes sendo provenientes dos quadros organizadores dessas reuniões antiescravistas. Nesse sentido, um movimento antiescravista da classe trabalhadora ajudou a formar a maior organização socialista que Marx lideraria durante sua vida.

Com o fim da guerra, uma Reconstrução Radical estava em pauta nos Estados Unidos, incluindo a perspectiva de dividir as antigas plantations escravistas para viabilizar as doações de quarenta acres e uma mula para as pessoas anteriormente escravizadas. No prefácio de 1867 a O capital, Marx comemorou os seguintes desenvolvimentos: “Após a abolição da escravidão, uma transformação radical nas atuais relações de capital e propriedade da terra está em pauta”. O que não ocorreu, pois a medida foi bloqueada pelas forças moderadas no Congresso estadunidense.

No rescaldo da Guerra Civil, Marx discutiu o surgimento, novamente Estados Unidos, de uma terceira forma de resistência ao capitalismo e à escravidão, bem como ao racismo. Na sua visão, séculos de trabalho negro escravo convivendo com trabalho branco formalmente livre tinham criado enormes divisões entre os trabalhadores, tanto urbanos quanto rurais. A Guerra Civil varreu parte da base econômica dessas divisões, criando novas possibilidades. Novamente em O capital, ele discutiu essas possibilidades com evidente apreço, quando também pôs no papel sua frase mais notável sobre a dialética entre raça e classe, aqui destacada em itálico:

“Nos Estados Unidos da América do Norte, todo movimento operário independente ficou paralisado durante o tempo em que a escravidão desfigurou uma parte da república. O trabalho de pele branca não pode se emancipar onde o trabalho de pele negra é marcado a ferro. Mas da morte da escravidão brotou imediatamente uma vida nova e rejuvenescida. O primeiro fruto da guerra civil foi o movimento pela jornada de trabalho de 8 horas, que percorreu, com as botas de sete léguas da locomotiva, do Atlântico até o Pacífico, da Nova Inglaterra à Califórnia. O Congresso Geral dos Trabalhadores, em Baltimore (agosto de 1866), declarou: ‘A primeira e maior exigência do presente para libertar o trabalho deste país da escravidão capitalista é a aprovação de uma lei que estabeleça uma jornada de trabalho normal de 8 horas em todos os Estados da União americana. Estamos decididos a empenhar todas as nossas forças até que esse glorioso resultado seja alcançado.”

De fato, os líderes sindicais de 1866 estavam dispostos a pôr o capitalismo diretamente na mira, algo que posteriormente não seria visto com muita frequência nos Estados Unidos. No entanto, o sonho de Marx de solidariedade de classe com transversalidade racial não foi alcançado naquele momento devido à relutância dos sindicatos brancos em incluir trabalhadores negros como membros. O tipo de solidariedade com transversalidade racial que Marx vislumbrava pôde ser vista em larga escala algumas vezes desde então, principalmente na sindicalização em massa na década de 1930.

Quatrocentos anos após a chegada dos africanos escravizados na Virgínia, os afro-americanos continuam a experienciar o legado da escravidão nas condições de encarceramento em massa, no racismo institucionalizado tanto das políticas habitacionais como de emprego, e na crescente desigualdade de riqueza.

Ao mesmo tempo, somos confrontados com o governo mais reacionário e antitrabalhadores de nossa história, um governo que fomenta e se alimenta das mais odiosas formas de racismo e misoginia para obter apoio entre setores da classe média e das classes trabalhadoras. Sob esse prisma, a declaração de Marx, “o trabalho de pele branca não pode se emancipar onde o trabalho de pele negra é marcado a ferro”, continua sendo um lema tão relevante quanto era há 150 anos.

* Publicado originalmente na revista Jacobin, por ocasião dos 400 anos da chegada de escravizados aos EUA. A tradução para o português é de Allan M. Hilani e Pedro Davoglio, para a Jacobin Brasil.

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Kevin B. Anderson é professor de sociologia e ciência política na Universidade da Califórnia-Santa Bárbara. Ele é autor de Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais (Boitempo, 2019), Lenin, Hegel, and Western Marxism, (sem tradução) e, com Janet Afary, de Foucault e a revolução iraniana: as relações de gênero e as seduções do islamismo (É Realizações, 2011). Também editou livros sobre Raia Dunaiévskaia e Rosa Luxemburgo, e um volume sobre os cadernos etnológicos de Marx, ainda no prelo.

terça-feira, 4 de junho de 2019

De negros de Cuba a cubanos negros




Fernando Martínez Heredia
La Tizza

Comunicación leída en el Taller de Resultados 2017 del Instituto Cubano de Investigación Cultural Juan Marinello, el 13 de marzo de 2017. El autor la revisó y anotó para este Anuario, y le añadió una sucinta bibliografía. En Cultura: debate y reflexión, Caridad Massón Sena (comp.). Instituto Cubano de Investigación Cultural Juan Marinello, 2017. pp. 16–23.


Los problemas y la tesis que expondré constituyen solamente un corolario dentro de una investigación acerca de clases y grupos sociales y nación, en relación con la dominación y la rebeldía, en el transcurso de la historia de Cuba. Comencé a trabajar aspectos de ese tema en los años sesenta; desde hace veinticinco años proyecté la investigación y trabajo sistemáticamente en ella, en la medida del tiempo disponible.


He investigado eventos y procesos diversos sucedidos entre la octava década del siglo XVIII y alrededor de 1965, un intervalo histórico ciertamente muy dilatado. Desde una perspectiva que privilegia la interpretación, he trabajado tanto con resultados de investigación existentes y bibliografía atinente a los temas y problemas que investigo, como con fuentes primarias.

Mi objetivo es buscar la comprensión del proceso histórico desde los elementos generales que mencioné al inicio, atendiendo tanto a los conflictos sociales como a los sistemas que han funcionado durante el período. La producción y la publicación de monografías ha sido y sigue siendo para mí, por consiguiente, de resultados que aspiran a tener valor en sí mismos, pero que deben desempeñar funciones en la indagación de comprensiones más generales que sus asuntos. Ruego tener esto en cuenta.

Debo prescindir en este acto de consideraciones acerca de teorías y métodos utilizados, por lo que aclaro que el manejo eficaz de esas dimensiones es para mí indispensable en el trabajo de ciencia social. Ello está implícito en mis exposiciones de resultados, y a veces lo hago explícito.
La frase del título quiere sintetizar un proceso social que se fue integrando a lo largo del siglo XIX, pero con solo algunos avances significativos, mientras que sufrió una transformación brusca en el último quinquenio del siglo y plasmó una nueva identidad, a un grado que implicó un cambio cualitativo para los grupos sociales de Cuba y para las representaciones que se tienen de ellos, cambio que ha permanecido vigente hasta hoy.
Me refiero a la identidad predominante en un grupo social determinado, constituido por individuos no blancos criollos de la isla, que se modificó rápidamente, de sentirse ante todo negros a sentirse ante todo cubanos. Y al hecho de que no se trató de una lenta construcción cultural, aunque ella estaba en la base de su identidad de negro de Cuba, sino de la agudización y el completo dominio de la escena social por parte de un conflicto que podía haber sido secundario para ellos: el de la colonia con su metrópoli. Este sobredeterminó primero al conflicto social básico que afectaba a los negros de Cuba, la nueva esclavitud masiva que rigió en el país desde fines del siglo XVIII al inicio de los años ochenta del XIX. La revolución desatada en 1895 logró sobredeterminar también a la identidad de no blanco en su conjunto, y dentro de ella a la de negro de Cuba.

Como no cabe aquí ofrecer síntesis interpretativas de cuestiones previas, a pesar de que resultan necesarias al abordar este tema, me limitaré a mencionar las que me parecen principales. La nueva esclavitud instaurada por la segunda formación económico-social de nuestra historia creó un grupo social por inmigración forzada de un millón de personas en menos de noventa años, al que he denominado nueva masa de esclavos.[1] Esto deterioró mucho la situación social de todas las personas consideradas no blancas, perjuicio agravado por el descomunal racismo antinegro que fue promovido por los dominantes y se generalizó en la sociedad de la isla. Los esclavos fueron marcados como ‘negros’ para disfrazar aquel crimen colosal; así se escamoteaba el carácter social de la esclavitud y se la presentaba como consecuencia de un orden natural.

Esa inferioridad naturalizada se extendió en un grado muy alto a los negros y mulatos llamados de color libres. Pero en cuanto a estos resultó muy compleja y contradictoria, porque durante la primera formación social colonial –siglos XVI al XVIII– habían sido parte notable en la formación de las comunidades, las relaciones sexuales y familiares, los oficios y la defensa militar del país. Su lugar social y su papel en la hegemonía de la metrópoli se deterioraron, pero todos los ideólogos del “blanqueamiento” de Cuba durante el XIX fracasaron ante aquella realidad y la necesidad que había de los no blancos, en la colonia cuya economía crecía sin cesar y que asumía vertiginosamente la modernidad.

Todavía el conflicto social en que se enmarcó la conspiración de José Antonio Aponte en 1812 –el primer intento de derrocar el dominio colonial– buscaba en la dimensión africana sustento para una parte de su ideología. Pero en el curso del siglo la cultura material e ideal se centró en relaciones, medios, representaciones y nociones del Occidente capitalista, y el dinero, la individualización completa, la moral burguesa y otros aspectos de ese sistema eran determinantes o muy influyentes. Para los libres no blancos, África fue cada vez menos un referente válido; la opresión racial lo hacía no deseable y la vida en la isla era demasiado diferente a las representaciones de aquel continente. Al mismo tiempo, identificarse como negro o mulato sin avergonzarse de serlo era una forma de identidad factible, que contenía elementos de resistencia cultural. El grupo social que he llamado negro de Cuba aparece muy definidamente en gran cantidad de fuentes del siglo XIX, con diferencias en cuanto a situación económica, oficios y regiones, pero con un denominador común.
Está claro que esta sociedad que experimentaba una colosal expansión económica y demográfica estaba muy lejos de asumir una identidad nacional, y que tampoco tendía a unificar las diversas culturas que existían en ella. Cuba pudo haber quedado escindida respecto a sus componentes étnicos y regionales, como ha sucedido con otros países del Caribe y del mundo que fue colonizado.
Ese era el cuadro, referido demasiado en breve, de Cuba hasta 1868. No intento analizar aquí la primera revolución cubana, que sucedió entre 1868 y 1880, solo apunto que transformó en gran medida los datos principales del problema y que creó una semilla subversiva que se enfrentaría con eficacia a ulteriores soluciones de la cuestión colonial mediante arreglos de clases dominantes y potencias extranjeras. Aquella revolución se vio precisada a ser abolicionista para ser independentista, es decir, tuvo que incluir una solución revolucionaria a la principal contradicción social del país para que fuera viable su aspiración nacional. Su final sin victoria abrió paso a una tímida modernización política de la colonia de Cuba que se propuso evitar otra revolución –con un modo de producción plenamente capitalista–, pero también hizo patente el paso del liderazgo subversivo de un sector de la clase propietaria del este y el centro del país a personas procedentes del pueblo, formadas en la guerra revolucionaria.

Hay que hacerles preguntas a los hechos. Por ejemplo, estudié el caso de Yaguajay, el último valle que se abrió a la gran producción azucarera con esclavos, en 1847. En 1868 la mayoría de los vecinos eran recientes: esclavos estrujados en su trabajo y sus vidas, un buen número de pobres venidos de España, culíes chinos y empresarios ambiciosos. Pero en una sociedad tan opresora e incipiente, la insurrección contó con un gran número de soldados y una fuerte base social. ¿Qué los motivó, los decidió y los hizo persistir en las peores circunstancias? ¿Cómo pudo formularse en el campo revolucionario una ideología unificadora de las demandas, los sentimientos e intereses, las identidades y visiones del mundo de grupos tan heterogéneos? ¿Cómo pasaron tantos negros y mulatos esclavos y libres de sus formas propias de vida y resistencia a la participación masiva en una revolución? ¿Cuáles fueron las representaciones que los llevaron a ser revolucionarios? ¿Cómo relacionaron sus representaciones de libertad y vida digna con un ideal político general de independencia nacional?[2]

Porque la consigna de Cuba Libre, el Ejército Libertador, el patriotismo nacionalista y la República en Armas expresaban propósitos e ideas políticas mucho más generales que sus representaciones. Estos rebeldes tuvieron que asumir una noción general de libertad en la que cabría la libertad personal de cada uno, una organización político-militar como el instrumento eficaz, un proyecto de Estado nacional del cual ellos serían ciudadanos y una futura legalidad que consagraría sus reclamos en forma de derechos.
La primera revolución le dejó varios legados muy fuertes a la cultura revolucionaria: a) debe pelearse por no menos que la independencia total y la soberanía nacional; b) Cuba es una nación por encima de sus componentes humanos y sus diferentes regiones, y es singular respecto a todos los demás pueblos del planeta; c) los nacidos en ella solamente se llaman cubanos y están orgullosos de serlo; y d) todos los seres humanos son iguales.
La política colonial hacia la “gente de color” en los años ochenta-noventa dio un gran espacio a permitir, legalizar y tratar de controlar sus expresiones organizadas, las que debían adecuarse a los cánones de la “civilización” y los requerimientos del orden establecido. Era una política obligada después de la Revolución del 68 y sus finales pactados, incluido el de la esclavitud, y ante el lugar que ocuparían los “de color” en un sistema capitalista de trabajo libre generalizado. Esa política favorecía el control estatal mediante una modernización, pero también permitía la asociación de sectores bajos y medios-bajos (al menos urbanos) caracterizados por sus lugares sociales y sus aspiraciones propias, los cuales aprovecharon ese espacio.

Esas no fueron “donaciones”, y lo principal es que no fueron consideradas así por los beneficiarios. Terminó la división entre esclavos y libres, y el mismo cese de la esclavitud fue atribuido por muchos al esfuerzo guerrero de una multitud de patriotas que incluía a negros y mulatos. Los héroes sobrevivientes eran un estímulo y un símbolo. Veteranos no blancos gozaban de gran prestigio, y Antonio Maceo trascendía a las razas como héroe epónimo del patriotismo y como líder político. La epopeya había comenzado a tender un puente entre blancos y no blancos del país, y era la vía idónea hacia una Cuba libre, un objetivo que sólo podría conquistarse mediante un nacionalismo popular. La política colonial era, en realidad, de riposta y antisubversiva. El descontento ante su insuficiencia revela el fuerte desarrollo de una cultura de lucha social y política, tanto como el rápido auge que tuvo el asociacionismo.

¿Cómo se ligó aquel primer nacionalismo a las luchas por derechos civiles de los años ochenta-noventa? ¿Cómo estas llegaron a reconocer la independencia como el ideal general en que cabrían las demandas particulares? ¿Qué peso tuvo la aceptación de esa fórmula por la gente humilde no organizada –que era la mayoría–, para la cual el patriotismo sería entonces la formulación factible de un ideal cívico que acompañara a una elevación individual? Propongo la hipótesis de que las fuertes luchas por derechos civiles de la “gente de color” constituyen uno de los prólogos de la Revolución del 95. Identidades, intereses y luchas de raza y clase se relacionaron profundamente con el nacionalismo: sólo así pueden entenderse esfuerzos, capacidades, voluntades y sacrificios tan gigantescos y masivos como los desplegados entre 1895–1898 y hasta 1902.

Si esto es así, el nacionalismo popular deja de ser un “milagro patriótico” y es posible analizar su alcance, su riqueza, sus tensiones y sus contradicciones. Puede entenderse que existió una política de los humildes, y no sólo una política de los próceres; que aquella fue un motor de la participación masiva en un movimiento que estaba obligado a ser una revolución; y que eso permitió que se sostuvieran los ideales comunes hasta las últimas consecuencias. Esto nos permitiría también hacer más comprensible la verdadera procedencia y la grandeza de José Martí y su proyecto.

La conspiración que preparó la Revolución del 95 fue multirracial, un hecho poco estudiado. Activistas, contactos y jefes eran de todos los colores; entre ellos el Directorio Central de Sociedades de Color, volcado a la actividad subversiva. Lo mismo sucedió en los alzamientos, a partir del 24 de febrero.

Los negros y mulatos se fueron en masa a la guerra; se ha estimado que no fueron menos del 60% de los combatientes. Para ellos, la Revolución del 95 fue el acontecimiento principal que cambió sus vidas: entraron a ella como negros cubanos y en ella conquistaron con sus méritos una identidad nacional que nadie les donó, y de la que fueron tan creadores como los revolucionarios blancos. La insurrección los reconoció como jamás lo hubiera hecho la vida social vigente, y su actividad política fue un enorme salto respecto a sus escasas experiencias cívicas previas y al alcance que habían tenido sus demandas.

Su comportamiento fue extraordinario. Rivalizaron en disciplina, valentía, sacrificios y renuncia a hacer exigencias sectoriales. En pos del ideal general de la independencia de Cuba se sometieron a la rígida disciplina mambisa y compartieron los esfuerzos sobrehumanos y las penalidades de la más terrible guerra total, que provocó la muerte a cientos de miles de personas y la devastación del país. Pronto se distinguieron, junto a los veteranos, jóvenes oficiales y jefes negros y mulatos en el Ejército Libertador, el primero que realmente fue plurirracial a nivel de los mandos en este continente. Después de la guerra y durante varias décadas existió una figura cívica de enorme prestigio en Cuba: el veterano. Por primera vez en nuestra historia reunía, por el mérito conquistado y el reconocimiento social, a blancos, mulatos y negros, e incluía a personas muy pobres.

Entre otros hechos trascendentales, la Revolución del 95 transformó al negro de Cuba en un cubano que es, también, negro. Ese orden identitario nunca ha cambiado. Por eso considero erróneo calificar de afrocubana o de afrodescendiente a la parte de la población de Cuba que tiene antepasados africanos. Además del obvio costado de minusvalía que contiene esa noción en el caso cubano: nunca se le ha llamado eurodescendiente a ningún grupo social en este país.

En las dos décadas previas se había sostenido en Cuba la inferioridad del negro, en parte por la continuidad del tremendo racismo promovido por el apogeo de la esclavitud durante el siglo XIX –sedimentado como uno de los elementos constitutivos del inicio de una cultura propiamente cubana–, y en parte por la reciente aceptación en Occidente de la supuesta fundamentación que aportaban el evolucionismo y la ideología de la ciencia a la creencia general en la supremacía de la llamada raza blanca dentro de la especie humana. En la isla, una pregunta relevante entre los científicos de mente colonizada era si los negros eran inferiores por causas sociales o por causas biológicas, y se afirmaba que los negros tenían una propensión particular a ser criminales.

Como pensaba Martí, fue la violencia revolucionaria organizada la que constituyó una gigantesca escuela de creación de valores, capacidades y ciudadanía para los participantes, los colaboradores y las familias de patriotas. El desarrollo que alcanzaron en la contienda los que comenzaban a ser cubanos resultó muy superior a lo que hubiera logrado una larga evolución, y muy diferente. Las prácticas, los sentimientos y las ideas de la guerra revolucionaria hicieron retroceder el racismo en una enorme proporción y por medios muy superiores a los evolutivos. La revolución fue una explosión que negó súbitamente el mundo ideal previo y dejó maltrecho el edificio del racismo. A partir de ella se vivió una nueva etapa de la construcción social de las razas y el racismo en Cuba, que rigió durante más de tres décadas.[3]

El racismo no había desaparecido en el curso de la Revolución. Continuó existiendo dentro de su campo, y se expresó como menosprecio, doble rasero y manifiestas injusticias; cierto número de insurrectos fue culpable, otros lo toleraron. Sin dudas se debió al carácter cultural del racismo establecido en Cuba, pero también tuvo relación con el conservadurismo social y político que existió dentro del campo heterogéneo de la insurrección, y que logró contrapesar al ala radical durante el curso de la guerra. En todo caso, tuvo que ser un racismo vergonzante, en una República en Armas que prohibía toda referencia a las personas que no fuera la de ‘ciudadano’. Toda revolución implica permanencias, y no sólo cambios.

Pero sucedieron dos transformaciones muy trascendentes que han permanecido hasta la actualidad: a) la doble autosubestimación que engendran el colonialismo y el racismo en las personas que no son consideradas blancas fue quebrantada por las prácticas y por las nuevas visiones del mundo promovidas por la revolución. Los negros y mulatos asumieron un orgullo proveniente de su participación en la guerra y en la creación de la nación y la república; y b) los fundamentos institucionales, el sistema, las organizaciones y las ideas políticas republicanos, ciertas organizaciones sociales y las representaciones de la nación fueron definidamente integracionistas.

La emancipación de la esclavitud solo se había completado en 1886, bajo el régimen colonial, pero solo dieciséis años después el nuevo Estado asumió formalmente los logros del período revolucionario. El arsenal simbólico nacional asociaba la gesta mambisa y la república cubana con la igualdad racial, y existía un espacio práctico donde bregar por el reconocimiento efectivo de los derechos y por obtener ascenso social.

Ambas transformaciones fueron posibles mediante un movimiento político de liberación nacional, no de lucha racial, y fueron hijas de la subversión mediante la práctica revolucionaria, esa palanca eficaz para romper las prisiones de la estructura económica, social e ideológica de la dominación, como afirmara Federico Engels. Por sus acontecimientos y sus realidades cotidianas, y por el protagonismo guerrero de una gran masa de participantes en su mayoría iletrados, la Revolución del 95 fue el apogeo de la acción. El pueblo naciente fue el que perfiló sus símbolos, su imagen y la formulación primera de su gesta. El combatiente y el veterano fueron los nuevos personajes ejemplares de la sociedad, muy lejos de los próceres de la primera mitad del siglo XIX, y tuvieron un peso que equilibraba el que alcanzaron los doctores de la segunda mitad de la centuria. El ejercicio de la ciudadanía como un derecho de iguales nació en la guerra, no en el padrón electoral autonomista, ni en el del interventor extranjero. La democracia cubana fue una conquista de la guerra revolucionaria, no una reforma de políticos sagaces alimentada por intelectuales de gabinete; sus prácticas de 1899 en adelante no fueron de ningún modo un regalo, sino una victoria popular y una obligación contraída por las clases dominantes.

Sin perder su especificidad, la comprensión de la cuestión racial en Cuba ha necesitado desde entonces tener en cuenta otras dimensiones sociales en las cuales está inscrita. La revolución impactó a blancos, negros y mulatos de sectores humildes, al menos en cuatro direcciones: 1) aumento de las capacidades personales y estímulos para buscar ascenso social; 2) cambios muy positivos en la autoestima, un valor antirracista y anticolonial de la mayor importancia; 3) cambios en las actitudes respecto a la naturaleza y la omnipotencia del orden vigente, y en las ideas acerca de los sistemas políticos y sociales; y 4) capacidad de autoidentificación, tanto como ciudadano como de pertenencia a grupos sociales, incluida la identificación del otro y de enemigos potenciales.

Los esfuerzos y sacrificios tremendos requeridos por las acciones populares colectivas emprendidas y mantenidas durante los tres años y medio que duró la guerra fueron la base fáctica de la memoria que se conservó de esa Revolución, y el hecho de que ella consiguió la victoria político militar frente a España y el triunfo ideológico de materializar el ideal nacionalista de fundar una nación reforzó la tendencia a la permanencia de esa memoria. Pero pienso que, además de aquellos triunfos, lo decisivo fue haberse ligado la insurrección a ansias inmensas de libertad y justicia de sectores mayoritarios, a representaciones colectivas muy trascendentes y a un proyecto compartido que fue identificado como el destino nacional.
Tanto raza como nación son nociones muy resistentes al tiempo, que suelen referir su explicación y su legitimidad al pasado, ya sea de eventos y procesos de la sociedad que han sido registrados –es decir, considerados históricos–, o de sucesos y acumulaciones designados como culturales. No parecen registrar cambios, aparentan permanencia. Esos rasgos suyos deben ser muy tenidos en cuenta por quienes comprendemos a ambas como construcciones sociales determinadas por unas relaciones sociales y un momento histórico precisos. También es necesario no olvidar que ambas nociones se viven como ideologías, característica que debe encontrar su lugar en el conocimiento al que aspiran las investigaciones de casos, los conceptos y las elaboraciones teóricas.
Notas:

[1] Fernando Martínez Heredia. Problemas de interpretación de la historia de Cuba. Curso de Posgrado, Centro de Investigación y Desarrollo de la Cultura Cubana Juan Marinello, 1998.

[2] Ver La Revolución del 95 en Yaguajay: participación, impacto, memoria, Fernando Martínez Heredia, Historias cubanas, Sancti Spíritus, Ediciones Luminaria, 2011, pp. 53–68.

[3] Fernando Martínez Heredia. Nacionalismo, razas y clases en la Revolución del 95 y la primera república cubana. En Andando en la historia, La Habana, ICIC Juan Marinello / Ruth Casa Editorial. pp. 82–125.

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