domingo, 30 de julho de 2017

Rio sob ilegal intervenção federal e falsa GLO

por Jorge Rubem Folena de Oliveira*


Foto: Tania Regô - Agência Brasil
O estado do Rio de Janeiro está sob uma intervenção federal branca e a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), decretada por Temer em 28 de julho de 2017, está em desacordo com a Constituição e a lei de emprego das Forças Armadas (FFAA).

O governador do Estado do Rio de Janeiro deve ser imediatamente afastado de suas funções, uma vez que permitiu uma intervenção federal no Rio de Janeiro. Para ser autorizada a decretação da GLO, como fez Temer, era necessário que o governador Pezão declarasse formalmente, por decreto, que as forças de segurança do Rio de Janeiro são incapazes de combater o aumento da violência no Estado; restando, desta forma, esgotado os requisitos do artigo 144 da Constituição (quanto ao uso das forças de segurança pública) para autorizar o emprego da GLO, prevista no artigo 142 da Constituição.

Caso tal declaração tivesse sido feita, os militares poderiam ser empregados, por tempo determinado e com atuação em áreas delimitadas,  como apoio para a garantia da lei e da ordem.

Mas o que de fato ocorreu foi que Pezão, pressionado por Temer e Meirelles, e com a finalidade de entregar/vender a CEDAE, permitiu que Temer (de forma disfarçada e jogando para a plateia) utilizasse as FFAA como polícia para atuar nas ruas do Rio de Janeiro até o final do ano de 2017.

A Constituição Federal diz que pode ser decretada a intervenção federal em caso de “comprometimento da ordem pública” (artigo 35, III). Neste caso, deverá ser nomeado, por decreto, um interventor federal a ser submetido ao Congresso Nacional, no prazo de 24 horas (artigo 36, § 1.º).

No caso, Temer, usando de subterfúgio para fugir das rígidas regras da intervenção federal, nomeou o Ministro da Defesa, com o auxilio dos ministros do Gabinete de Segurança Institucional e da Justiça, como interventor no Rio do Janeiro.

A Garantia da Lei e da Ordem está sendo utilizada de forma indevida pelo governo federal, como tem denunciado o Comandante do Exército em várias oportunidades. Não é papel constitucional das FFAA servir de guarda pretoriana de governos impopulares nem de polícia, pois isto pode expor demasiadamente os militares, para o caso de haver mortes ou repressões além da medida.

No caso do Rio de Janeiro, como nos demais Estados brasileiros, o aumento da violência urbana está ligada ao aumento da pobreza e ao corte de verbas públicas, patrocinadas pelo desgoverno Temer neste último ano.

Além disso, não existe uma efetiva política de combate aos negócios relacionados com o tráfico internacional de armas e entorpecentes, que exigem grande movimentação de capitais e lavagem de dinheiro, que não são fiscalizadas adequadamente pelas autoridades monetárias e fiscais do governo federal. Diga-se de passagem que, quem controla a movimentação financeira são os bancos (mercado financeiro), cuja fiscalização é atribuição do Banco Central.

O Brasil retornou para o mapa da miséria, de onde tinha saído. Logo, a violência tende a aumentar cada vez mais, tendo em vista a situação econômica atual, com um quadro superior a quinze milhões de desempregados. As causas do aumento da violência são políticas, econômicas e sociais, e os militares não terão como eliminá-las.

O decreto da GLO, de 28 de julho de 2017, contém erro crassos, como a ausência da indicação de área específica para a atuação dos militares, o que contraria o artigo 15, § 4.º, da Lei Complementar 97/99. Ou seja, foi conferida ao Ministro da Defesa a delegação de empregar as FFAA por todo o Estado do Rio de Janeiro, quando deveriam ser especificados os locais em que os militares poderiam atuar, como ocorreu anteriormente nos complexos do Alemão e Maré.

Ademais, o planejamento das ações dos militares foi delegado para autoridades como os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, da Justiça e da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Porém, a Lei Complementar 97/99, no seu artigo 15, estabelece que esta atribuição caberá exclusivamente ao Ministro da Defesa, a quem os militares estão subordinados, nos termos da referida lei.

Ou seja, um Ministro da Defesa – que tem sua competência questionada por Temer – é o interventor do desgoverno no Rio, uma vez que a GLO foi a forma jurídica (inconstitucional e ilegal) utilizada para realizar uma intervenção no Estado do Rio de Janeiro, sem promover diretamente o afastamento do fraco governador do Estado do exercício de suas funções.

Enquanto isso, em Brasília, Meirelles acelera o processo de destruição do segundo Estado mais importante da Federação, ao reter as verbas próprias do Estado do Rio de Janeiro, que não têm sido repassadas e que são necessárias para o pagamento dos servidores, aposentados e pensionistas, e também para a realização de investimentos nas atividades públicas essenciais do Estado, como segurança, saúde e educação.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro necessita se pronunciar com urgência sobre esta indevida intervenção, por suposto “comprometimento da ordem pública”, e também sobre o afastamento de Pezão de suas funções, para, assim, desautorizar qualquer ato de venda da CEDAE, que só interessa ao mercado financeiro.

A intervenção no Estado do Rio de Janeiro é apenas um ensaio e, sem dúvida, eles partirão para os outros Estados, pois os militares, mais uma vez – como em 1964 – poderão estar sendo manipulados para instaurar um estado de exceção contra o povo brasileiro.

Está mais do que estabelecido que Temer e seus sócios não entregarão facilmente o poder, pois, se isto ocorrer, eles deverão ser processados e  poderão  ser condenados e presos.

O golpe de 2016 foi muito caro para a nossa incipiente democracia e está matando o Brasil. Além disso, tendo em vista a manipulação política com vistas ao recrudescimento do estado de exceção, mediante a utilização das forças militares, pode-se cogitar que a realização de eleições em 2018 é uma incógnita.

*Jorge Rubem Folena de Oliveira é advogado e cientista político

FONTE: Jornal GGN

sábado, 29 de julho de 2017

"A pele que habito". Com a palavra, Diva Guimarães.

Flip 2017 - Território Flip/Flipinha: Diva Guimarães

"As pessoas falam bem de Curitiba, dizem que é uma cidade europeia, vai ver como é para os negros que moram na periferia." Diva Guimarães, de 77 anos, professora aposentada negra, durante a mesa "A pele que habito", no terceiro dia da 15ª Flip, que reuniu o ator Lázaro Ramos e a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques.




sexta-feira, 28 de julho de 2017

A CIA e a contra-revolução na Venezuela

por Atilio A. Borón [*]

A sociedade capitalista tem como um dos seus traços principais a opacidade. Se nos antigos modos de produção pré-capitalistas a opressão e a exploração dos povos saltava à vista e adquiria inclusive uma expressão formal e institucional com hierarquias e poderes, no capitalismo prevalece a obscuridade e, com ela, o desconcerto e a confusão. Foi Marx que com a descoberta da mais-valia descobriu o véu que ocultava a exploração a que eram submetidos os trabalhadores "livres", emancipados do jugo medieval. E foi ele também que denunciou o fetichismo da mercadoria numa sociedade onde tudo se converte em mercadoria e portanto tudo se apresenta de modo fantasmagórico perante os olhos da população. 

O que acaba de ser dito vem a propósito da negação do papel da CIA na vida política dos países latino-americanos, ainda que não só neles. O seu activismo permanente é inevitável e não pode passar desapercebido diante de um olhar minimamente atento. Apesar disso, quando se fala da crise na Venezuela – para tomar o exemplo que agora nos preocupa – e das ameaças que pairam sobre esse país irmão, nunca se nomeia a "Agência", salvo poucas e isoladas excepções. A confusão que com a sua opacidade e seu fetichismo gera a sociedade capitalista faz novas vítimas no campo da esquerda. Não deveria surpreender que a direita encoraje este encobrimento da CIA. A imprensa hegemónica – na realidade, a imprensa corrupta e canalha – nunca a menciona. É um tema tabu para estes impostores seriais. Nem a ela, a CIA, nem a nenhuma das outras quinze agências que constituem em conjunto o que nos Estados Unidos se denomina amavelmente como "comunidade de inteligência". Eufemismos à parte, é um terrível conglomerado de dezasseis bandos criminosos financiados com fundos do Congresso dos Estados Unidos e cuja missão é dupla: recolher e analisar informação e, sobretudo, intervir activamente nos diversos cenários nacionais com uma amplitude acção que vai desde o manejo e a manipulação da informação e o controle dos meios de comunicação até a captação de líderes sociais, funcionários e políticos, a criação de organizações de fachada dissimuladas como inocentes e insuspeitas ONGs dedicadas a causa humanitárias inobjectáveis até ao assassinato de líderes sociais e políticos incómodos e a infiltração – e destruição – em toda classe de organizações populares. Vários arrependidos e enojados ex-agentes da CIA descreveram tudo isto com todo pormenor, com nomes e datas, o que me dispensa de discorrer sobre o tema. [1] 

Que a direita seja cúmplice do encobrimento do protagonismo dos aparelhos de inteligência dos Estados Unidos é compreensível. Faz parte do mesmo bando e protege com um muro de silêncio seus apaniguados e sicários. O que é absolutamente incompreensível é que representantes de alguns sectores da esquerda – nomeadamente o trotsquismo –, o progressismo e certa intelectualidade presa nos embriagantes vapores do pós-modernismo inscreva-se neste negacionismo em que não só a CIA desaparece do horizonte da visibilidade como também o imperialismo. Estas duas palavras, CIA e imperialismo, nem por sombras irrompem nos numerosos textos escritos por personagens daquelas correntes acerca do drama que hoje se desenvolve na Venezuela e que, diante dos seus olhos, parece ter como único responsável o governo bolivariano. Aqueles que se inscrevem nessa errónea – insanavelmente errónea – perspectiva de interpretação esquecem-se também da luta de classes, que brilha pela sua ausência sobretudo nas análises de supostos marxistas que não são senão "marxólogos", isto é, cultos doutores embriagados pelas palavras, como por vezes dizia Trotsky, mas que não compreendem a teoria nem muito menos a metodologia na análise marxista e por isso, diante dos ataques que sofre a revolução bolivariana, exibem uma gélida indiferença que, de facto, converte-se em complacência com os planos reaccionários do império. 

Toda esta horrível confusão, estimulada como dizíamos a princípio pela própria natureza da sociedade capitalista, dissipa-se quando se recorda as infindáveis intervenções criminosas que a CIA executou na América Latina (e onde fosse necessário) para desestabilizar processos reformistas ou revolucionários. Uma enumeração sumária a voo de pássaro, inevitavelmente incompleta, destacaria o papel sinistro desempenhado pela "Agência" na Guatemala, em 1954, ao derrubar o governo de Jacobo Arbenz organizando uma invasão dirigida por um coronel mercenário, Carlos Castillo Armas, o qual, depois de fazer o que lhe fora ordenado, foi assassinado três anos depois no Palácio Presidencial. Continuemos: o Haiti, em 1959, sustentando o então ameaçado regime de François Duvalier e garantindo a perpetuidade e o apoio a essa dinastia criminosa até 1986. Nem falemos do envolvimento intenso da "Agência" em Cuba, desde o princípio das Revolução Cubana, actividade que continua até o dia de hoje e que regista como um dos seus feitos principais a invasão de Playa Girón em 1961. Ou no Brasil, em 1964, assumindo um papel activíssimo no golpe militar que derrubou o governo de João Goulart e afundou esse país sul-americano numa ditadura brutal que perdurou por duas décadas. Em Santo Domingo, República Dominicana, em 1965, apoiando a intervenção dos marines lutando contra os patriotas dirigidos pelo coronel Francisco Caamaño Deño. Na Bolívia, em 1967, organizando a caça do Che e ordenando a sua execução covarde depois de caído ferido e capturado em combate. A CIA permaneceu no terreno e diante da radicalização política que se verificava na Bolívia conspirou para derrubar o governo de Juan J. Torres em 1971. No Uruguai, em 1969, quando a CIA enviou Dan Mitrione, um especialista em técnicas de tortura, para treinar os militares e a polícia a arrancar confissões aos Tupamaros. Mitrione foi justiçado por estes em 1970, mas a ditadura instalada pela "embaixada" desde 1969 perdurou até 1985. No Chile, desde princípios dos anos sessenta e intensificando a sua acção com a cumplicidade do governo democrata-cristão de Eduardo Frei. Na mesma noite em que Salvador Allende ganhou as eleições presidenciais de 4 de Setembro de 1970 o presidente Richard Nixon convocou com urgência o Conselho Nacional de Segurança e ordenou à CIA que impedisse por todos os meios a posse do líder chileno e, no caso de isso ser impossível, não poupar esforços nem dinheiro para derrubá-lo. "Nem um parafuso nem uma porca para o Chile" disse esse labrego que a seguir seria despejado da Casa Branca por um julgamento político. Na Argentina, em 1976, a CIA e a embaixada foram colaboradores activos da ditadura genocida do general Jorge R. Videla, contando inclusive com a ajuda descarada e o conselho do então secretário de Estado Henry Kissinger. Na Nicarágua, sustentando contra ventos e maré a ditadura somozista e, a partir do triunfo do sandinismo, organizado os "contra" recorrendo inclusive ao tráfico ilegal de armas e drogas a partir da própria Casa Branca para alcançar seus objectivos. Em El Salvador, desde 1980, para conter o avanço da guerrilha da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional, envolvendo-se activamente durante os doze anos que durou a guerra civil a qual deixou um saldo de mais de 75 mil mortos. Em Granada, liquidando o governo marxista de Maurice Bishop. No Panamá, 1989, invasão orquestrada pela CIA para derrubar Manuel Noriega, um ex-agente que pensou poder tornar-se independente dos seus chefes, provocando pelo menos 3.000 mortos na população. No Peru, a partir de 1990, a CIA colaborou com o presidente Alberto Fujimori e seu chefe do Serviço de Inteligência, Vladimiro Montesinos, para organizar forças paramilitares a fim de combater o Sendero Luminoso, deixando um saldo fúnebre de milhares de vítimas. Dados estes antecedentes, alguém poderia pensar que a CIA permaneceu de braços cruzados diante da presença das FARC-EP e do ELN na Colômbia, onde os Estados Unidos contam com sete bases militares para a instalação das suas forças? Ou que não actua sistematicamente para corroer as bases de sustentação de governos como os de Evo Morales e, na altura, de Rafael Moreno e hoje de Lenin Moreno. O que se retirou para quartéis de inverno e deixou de actuar na Argentina, Brasil e em toda esta imensa região constituída pela América Latina e o Caribe, considerada como justa razão como a reserva estratégica do império. Só por um cúmulo de ignorância ou ingenuidade poderia pensar-se em tal coisa. 

Portanto, será alguém se pode surpreender com o protagonismo que a CIA está a ter hoje na Venezuela, o "ponto quente" do hemisfério ocidental? Podem os dirigentes norte-americanos – os reais, o deep state como dizem seus observadores mais lúcidos, não as carrancas de proa que despacham na Casa Branca – ser tão ineptos que se desinteressem da sorte que possa correr a luta colocada contra a Revolução Bolivariana no país que conta com a maiores reservas provadas de petróleo do mundo? Pode ser que para o trotsquismo latino-americano e outras correntes igualmente extraviadas na estratosfera política o MUD e o chavismo "sejam as mesma coisa" e [por isso] não provoque nessas correntes senão uma indiferença suicida. Mas os administradores imperiais, que sabem o que está em jogo, estão conscientes de que a única opção que têm para apoderar-se do petróleo venezuelano – objectivo não declarado mas excludente de Washington – é acabar com o governo de Nicolás Maduro deixando de lado qualquer escrúpulo a fim de obter esse resultado, desde queimar pessoas vivas a incendiar hospitais e infantários. Sabem também que a "mudança de regime" na Venezuela seria um triunfo extraordinário do imperialismo norte-americano porque, ao instalar em Caracas seus peões e lacaios, os mesmos que se orgulham da sua condição de lambe botas do império, esse país se converteria de facto num protectorado norte-americano, montando uma farsa pseudo-democrática – como a que já existe em vários países da região – que só uma nova onda revolucionária poderia chegar a desbaratar. E diante dessa opção, império versus chavismo, não há neutralidade que valha. Não nos é indiferente, não pode nos ser indiferente uma coisa ou a outra! Porque por mais defeitos, erros e deformações que haja sofrido o processo iniciado por Chávez em 1999; por mais responsabilidade que tenha o presidente Nicolás Maduro em evitar a desestabilização do governo, os acertos históricos do chavismo superam amplamente seus desacertos e pô-lo a salvo da agressão norte-americana e dos seus serventuários é uma obrigação moral e política inescapável para aqueles que dizem defender o socialismo, a autodeterminação nacional e a revolução anti-capitalista. E Isto, nada menos que isto, é o que está em jogo nos próximos dias na terra de Bolívar e de Chávez e, nesta encruzilhada, ninguém pode apelar à neutralidade ou à indiferença. Seria bom recordar a advertência que Dante colocou à entrada do Sétimo Círculo do Inferno: "Este lugar, o mais horrendo e ardente do Inferno, está reservado para aqueles que em tempos de crise moral optaram pela neutralidade". Tomar nota. 

26/Julho/2017

[1] Ver John Perkins, Confesiones de un gángster económico. La cara oculta del imperialismo norteamericano (Barcelona: Ediciones Urano, 2005). Edição original: Título original: Confessions of an Economic Hit Man First publicado por Berrett-Koehler Publishers, Inc., San Francisco, CA, USA. O livro de Perkins pode ser descarregado em resistir.info/livros/livros.html . Ver também o texto pioneiro de Philip Agee, de 1975, Inside the company, publicado na Argentina sob o título La CIA por dentro. Diario de un espía (Buenos Aires: Editorial Sudamericana 1987) 

[*] Sociólogo, argentino. 


Anita Prestes nas cidades paulistas de Cubatão e Santos

Lançamento do livro "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo" (Boitempo, 2017)

EM CUBATÃO

Olga Benario Prestes: histórias de luta e resistência
Dia 03/08/2017 às 19:00
IFSP-Cubatão (auditório)
Rua Maria Cristina 50, Jardim Casqueiro
Cubatão-SP
Realização:
GRAMSCHE-IFSP
Associação Cultural José Martí - Baixada Santista

EM SANTOS

Encontro com Anita Leocadia Prestes + Lançamento do livro
Dia 04/08/2017 às 20:00
Associação Cultural José Martí - Baixada Santista
Rua Joaquim Távora, 217
Santos-SP
Realização:
Ass. Cult. José Martí-BS
Boitempo Editorial



quinta-feira, 27 de julho de 2017

O livro de Anita Leocadia Prestes que recupera a história de luta e resistência de Olga Benario

Filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes, aos 81 anos, é autora do livro que mergulha no "Processo Benario" produzido pela Gestapo.

Por Andréa Martinelli
Editora no HuffPost Brasil

Emma Kruger foi o nome adotado por Olga Benario durante suas atividades clandestinas na França e na Bélgica no ano de 1931.

"Muitas vezes fico triste quando minhas companheiras recebem cartas a respeito de seus filhos e ali, ao lado delas, penso: 'o que ainda sei de minha filha?. Mas, sabes, não deixaremos a coragem esmaecer", Olga Benario Prestes, em carta para Luiz Carlos Prestes, em abril de 1941.

A escrita como ferramenta para recuperar uma história silenciada pela repressão e cravá-la na memória. Talvez essa seja a intenção de Anita Leocadia Prestes, 81 anos, historiadora e filha da revolucionária comunista Olga Benario, ao mergulhar nos arquivos da Gestapo e trazer à tona parte da trajetória desconhecida de sua mãe no livro Olga Benario Prestes: Uma comunista nos arquivos da Gestapo (Boitempo, 2017).

No livro, a historiadora recupera o que Olga viveu até sua morte, em 1942, a partir dos arquivos da polícia alemã, que, disponibilizados recentemente, permitiram o encontro entre uma Olga até então desconhecida com a historiadora Anita.

"Embora no Arquivo da Gestapo haja muitos documentos inéditos, a vida e o comportamento da minha mãe já eram, no fundamental, do meu conhecimento", conta Anita em entrevista ao HuffPost Brasil. "Mas, sem dúvida, ao ler essa documentação, houve para mim momentos de grande emoção", revela.

Nascida em 27 de novembro de 1936 em uma prisão feminina em Berlim, na Alemanha nazista, Anita Leocadia Prestes carrega no nome a força de duas mulheres: a revolucionária Anita Garibaldi e de sua avó materna, Leocadia Prestes.

Ela é a criança que nasceu do relacionamento entre Luiz Carlos Prestes e Olga Benario, durante o governo de Getúlio Vargas, e que marcou a imagem de Olga, na iminência de ser extraditada do País, aguerrida, mulher e mãe, ao bradar: "estou grávida de Luiz Carlos Prestes e quero ter o meu bebê aqui no Brasil", cena retratada no filme Olga (2004), baseado no livro homônimo de Fernando Morais, publicado em 1985.

"A memória dos meus pais sempre esteve viva em minha mente. Escrevo sobre eles para que as novas gerações tomem conhecimento do seu exemplo. É muito importante que elas conheçam o horror que foi o fascismo e, ao mesmo tempo, saibam que sempre é possível resistir", aponta a escritora.

Mas o que mais chamou a atenção da escritora ao mergulhar em cartas e outros documentos confiscados pela Gestapo já não era novidade. "Principalmente a coragem e a intrepidez dela [Olga], que, como dizia meu pai, era fruto da convicção da justeza da causa do socialismo por eles abraçada à época", diz.



A coragem e a intrepidez de Olga se fazem presentes nas páginas do livro em diversos momentos. Em um dos destacados por Anita, está uma carta de fevereiro de 1938 de Reinhard Heydrich, oficial nazista da Polícia de Segurança alemã, para o diretor da prisão onde ela estava presa:

"Estou de pleno acordo com as decisões tomadas, foram absolutamente necessárias em função da conhecida esperteza dessa comunista fanática [...]. Benario se encontra em prisão preventiva e não em um sanatório, em virtude de não ser politicamente confiável, o que já se provou evidente. Benario terá de arcar com medidas mais rígidas e com revogação de todos os benefícios, caso não se esforce em evitar comportar-se de modo insolente."

A "comunista fanática" citada pelo oficial é Olga, presa em Berlim, e as reclamações e pedidos dela porque sua filha, Anita Leocadia Prestes, aos 14 meses de idade havia sido tirada de perto dela, foi transformada em "insolência". Mas uma Olga forte e resistente também aparece em carta de março de 1937 para Prestes, na qual ela relata:

"Já se passaram quase quatro meses desde que a pequena Anita Leocadia nasceu. Apesar de eu ter ficado muito doente depois do parto, agora estamos bem, na medida do possível nas condições atuais. Estamos na ala da enfermaria de uma prisão. Eu mesma amamento a pequena, e por isso ela pode permanecer comigo até quando eu estiver em condições de fazê-lo. Depois de tudo o que passei, é realmente de admirar que nossa filha tenha uma saúde como esta. [...] Vou encontrar forças para aguardar o feliz dia em que novamente estaremos juntos."

Os arquivos "esquecidos" da Gestapo contêm, no total, 2,5 milhões de documentos, entre cartas, relatórios, fotos e memorandos, divididos entre 28 mil dossiês que, separados em outros 50 catálogos, guardam informações sobre ações da polícia secreta nazista, ativa entre 1933 e 1945.

A abertura dos documentos, batizados de Trophäendokument (documentos-troféu, em tradução livre do alemão), só foi possível pela parceria entre institutos de pesquisa russos, a Fundação Max Weber e o Instituto Histórico Alemão de Moscou. O material está disponível online e foi aberto à consulta pública em 2015. A digitalização total dos documentos está prevista para 2018.

Olga Guttmann Benario nasceu em 1808 em Munique, na Alemanha, e foi uma das figuras revolucionárias mais destacadas do século XX. Integrante do Partido Comunista da Alemanha, em 1934 foi encarregada de fazer a segurança de Luiz Carlos Prestes, fundador da Coluna Prestes e um dos símbolos de oposição ao governo de Getúlio Vargas -- que flertava com o fascismo europeu à época. Ambos chegaram clandestinamente ao Brasil e, em 1936, foram presos separadamente. Na prisão, Olga descobriu que estava grávida e, mesmo assim, foi deportada já com sete meses de gravidez por ser considerada uma ameaça ao Brasil. Na prisão Barninmstrasse, em Berlim, em novembro de 1936, nasceu Anita. Em 1939, Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg e, depois, para o então recém-inaugurado campo de concentração para mulheres em Rasvenbruck. Em 1942, foi assassinada em uma câmara de gás.

Com ajuda de tradutores, Anita debruçou-se sobre esses papéis e encontrou o "Processo Benario", que contém oito dossiês e cerca de 2 mil folhas, para compor a narrativa sobre sua mãe. Eles revelam novos episódios sobre a trajetória de Olga desde o momento que ela foi extraditada do Brasil até sua morte. "Qualquer pesquisador se sentiria diante de uma mina de ouro ao deparar com o acervo histórico que deu origem a este livro", escreve Fernando Morais no prefácio do livro.



O que os documentos trazem de novo

A vida de Olga Benario já havia sido tema de uma biografia escrita por Fernando Morais (lançada em 1985 e reeditada em 1994), adaptada para o cinema, em 2004. No filme, dirigido por Jayme Monjardim, a revolucionária é interpretada pela atriz Camila Morgado. Para Anita, a versão já conhecida não tem lacunas -- mas os arquivos da Gestapo trazem fatos que complementam uma história, muitas vezes, vista como inacabada por ela.

"O livro de Fernando Morais trata-se de um trabalho sério de pesquisa, o qual, embora seja possível apontar algumas imprecisões, era considerado muito bom pelo meu pai", diz. "Entretanto, a disponibilização recente dos arquivos da Gestapo permite que se conheçam documentos inéditos, aos quais Fernando Morais não teve acesso quando escreveu sua obra", completa.

Os documentos trazem informações novas e preenchem lacunas. Entre elas:

A comprovação da resistência de Olga. Para a epígrafe do livro, Anita escolheu uma frase simbólica de sua mãe: "Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei". No livro, é possível observar a resistência contínua de Olga na prisão e nos campos de concentração. Ela passou por diversos interrogatórios e questionamentos, mas, em nenhum momento, colaborou com o regime nazista. Segundo os documentos da Gestapo, ela nega, mais de uma vez, participação ou envolvimento com as ações da Internacional Comunista, tanto na Europa, quanto no Brasil.

As cartas inéditas entre Olga e Prestes. O livro recupera a troca de dezenas de cartas entre Olga, Prestes e familiares, que até então era desconhecida. No material, é possível observar um esforço de Olga, mesmo presa, para manter-se informada sobre sua filha e a vida de Prestes, que estava preso no Brasil à época. O livro reproduz nove cartas de Olga para Prestes e oito de Prestes para Olga.

Uma gravidez e uma extradição. Os documentos da Gestapo comprovam que o consulado alemão no Rio de Janeiro concedeu um passaporte para Olga, em setembro de 1936, pouco antes de sua extradição. Ela tentava provar que havia se casado com Prestes (porém, como clandestinos, o casal nunca conseguiu selar o matrimônio) e que tinha que ficar no Brasil, pois ia dar à luz um filho brasileiro. A emissão do passaporte seguia o trâmite burocrático da época para que Olga fosse extraditada. No documento descoberto recentemente, está anotado que ela recusou a assiná-lo.

A luta pela proximidade com a filha. Em 1938, Olga escreveu uma carta significativa ao chefe da Polícia de Segurança alemã, ligada à Gestapo, protestando por terem retirado a filha de sua companhia. No documento, Olga reclama e faz três pedidos: a revisão de sua prisão e, se caso fosse negada, exigia a revogação da prisão solitária; a permissão para receber cartas de sua sogra e a autorização para receber visitas. Todos os pedidos foram negados pelo chefe da polícia, como mostra carta reproduzida no livro.

O olhar da Gestapo sobre Olga. Em agosto de 1937, Heinrich Himmler, o comandante da SS (braço militar nazista que supervisionava a Gestapo), recebeu um detalhado relatório sobre Olga. Ela é descrita como uma "comunista perigosa e obstinada" e que "durante o interrogatório realizado não relatou nada sobre sua atividade comunista", além de justificar sua prisão por "interesse da segurança do Estado".

Para ler mais:

Olga, de Fernando Morais

Ravensbrück: A história do campo de concentração nazista para mulheres, de Sarah Helm

A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch

Luiz Carlos Prestes - Um comunista brasileiro, de Anita Leocadia Prestes



O caminho de Anita

Foi graças aos esforços da avó paterna, Leocadia Prestes e de sua tia Lygia -- que encabeçaram a campanha pela libertação de Olga e Prestes no Brasil -- que Anita foi resgatada aos 14 meses de idade e afastada em definitivo de sua mãe. Assim, foi criada em exílio por ambas. Mas foi em 1945 que voltou ao Brasil, aos nove anos de idade, e passou a morar com seu pai.

Anita Leocadia Prestes se formou em química industrial em 1964 pela Escola Nacional de Química da antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pelo seu envolvimento no já clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi perseguida pelo regime militar brasileiro e condenada a mais de quatro anos de prisão.



Fugindo da repressão, em 1973 ela se exilou na União Soviética, onde doutorou-se em economia e filosofia pelo instituto de Ciências Sociais de Moscou. Em 1979, sua sentença foi anulada e conseguiu regressar ao País, graças à primeira Lei de Anistia no Brasil.

Hoje, Anita é doutora em história social pela Universidade Federal Fluminense e professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ. Ela dedicou boa parte de sua vida à investigação rigorosa e preservação da memória do trabalho de seu pai, Luiz Carlos Prestes, de quem foi assessora pessoal até a sua morte, em 1990. Autora de vasta obra sobre a atuação política de Prestes e a história do comunismo no Brasil, Anita é presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

O próximo passo? Escrever, literalmente, sua própria história: "Estou tentando produzir um livro com as minhas memórias, o que, em certa medida, se justifica pelo fato de durante a minha já longa trajetória de vida ter enfrentado as vicissitudes das perseguições movidas contra meu pai e nossa família", conta.



Em entrevista por e-mail ao HuffPost Brasil, Anita falou sobre o novo livro, sua relação com a história de seus pais e o atual momento da política brasileira:

HuffPost Brasil: Em seu novo livro, você recupera o que Olga Benario passou até sua morte a partir de arquivos inéditos da Gestapo que foram disponibilizados online recentemente. Como foi entrar em contato com esses documentos e encontrar uma Olga que talvez você ainda não conhecesse?

Anita Leocadia Prestes: Embora no Arquivo da Gestapo haja muitos documentos inéditos, a vida e o comportamento da minha mãe já eram, no fundamental, do meu conhecimento. Sem dúvida, ao ler essa documentação, houve para mim momentos de grande emoção.

Existe algo que mais te chamou a atenção ou até emocionou ao mergulhar nos documentos que expõe tanto o sofrimento, quanto a resistência de sua mãe?

Principalmente a coragem e a intrepidez de Olga, que, como dizia meu pai, era fruto da convicção da justeza da causa do socialismo por eles abraçada.

Para você, qual a importância desses documentos estarem disponíveis atualmente?

É muito importante que as novas gerações conheçam o horror que foi o fascismo e, ao mesmo tempo, saibam que sempre é possível resistir.

Você nasceu em uma prisão feminina na Alemanha nazista e foi afastada de sua mãe com 14 meses; depois, só conheceu o pai aos nove anos e manteve uma relação muito estreita com ele tanto que, um dos textos mais completos sobre a trajetória dele é escrita por você. Escrever sobre Prestes e agora, sobre Olga, é uma forma de manter a memória deles viva não só para o Brasil, mas também na sua mente?

A memória dos meus pais sempre esteve viva em minha mente. Escrevo sobre eles para que as novas gerações tomem conhecimento do seu exemplo.

Em texto para a Boitempo, você escreve que "Olga foi uma vítima do fascismo entre milhares de outras e que seu martírio deve servir de exemplo para que não permitamos que tais horrores se repitam". Como é ser filha de Olga Benario, uma mulher que, de certa forma, se tornou símbolo para muitas outras?

Minha avó paterna Leocadia e minha tia Lygia, que me criaram e educaram, me ensinaram que eu deveria me fazer por mim mesma, sem me considerar "especial" por ser filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, dois personagens emblemáticos da história do século XX.

No Brasil não houve condenação de torturadores de períodos ditatoriais, diferentemente de outros países da América Latina. Na sua visão, isso contribui para discursos extremistas, que pedem a volta das Forças Armadas no Brasil?

O fato da Lei da Anistia de 1979 não ter permitido a condenação dos torturadores de períodos ditatoriais contribui não só para discursos extremistas, como também para justificar a prática da tortura, manter impunes numerosos torturadores, entre os quais muitos continuaram a exercer cargos públicos, e colaborar com a manutenção de práticas autoritárias em nosso país.

A luta de ampliação de direitos humanos pelas vias institucionais, como mudanças legais, está fadada ao fracasso? A senhora acredita mais em avanços via organizações da sociedade civil?

Penso que a luta pela garantia das liberdades democráticas, incluindo os direitos humanos, avançará na medida em que também avançar a organização popular em nosso país, a qual, por enquanto, ainda é insuficiente.

A aproximação do governo Temer com militares, como o fato de nomear um deles para a Funai, evitar a reforma na aposentadoria dos militares e chamar o Exército após um protesto contra o presidente é preocupante, na sua visão? Por quê?

Sem dúvida, pois confirma algo que Luiz Carlos Prestes destacou às vésperas da aprovação da Constituição de 1988: a supremacia do poder militar em nosso país, segundo o artigo 142 dessa Constituição, em que se atribui aos militares a função de "garantirem a lei e a ordem", atribuição que nem ao presidente da República ou aos outros dois poderes do Estado é tão expressamente concedida. Prestes considerava que o artigo 142 da Constituição contraria "conhecido preceito da tradição constitucional de nosso país, que sempre afirmou serem os três poderes do Estado autônomos, mas harmônicos entre si, não podendo, portanto, nenhum deles tomar qualquer iniciativa isoladamente".

Então, qual seria o impacto para o País de eleições indiretas, no caso da saída de Michel Temer, considerando a crise de credibilidade pela qual o Congresso passa?

A meu ver, seria a manutenção do estado de coisas atual: uma política voltada para a liquidação de grande parte das conquistas dos trabalhadores, alcançadas como resultado de décadas de lutas. Uma política de continuidade dos resultados obtidos pelo grande capital nacional e internacional com a realização do golpe parlamentar-jurídico que entregou a presidência a Michel Temer, um usurpador que não foi eleito pelo povo.

Como você vê o avanço do conservadorismo no Brasil e no mundo? Você acha que essa movimentação é algo que afeta a participação das mulheres na política diretamente?

Afeta todos os setores da população atingidos pela exploração do capital e, em grande medida, as mulheres. A solução definitiva para os problemas que afetam hoje a humanidade é o socialismo, pois o capitalismo nada mais tem a oferecer aos trabalhadores e aos oprimidos.


terça-feira, 25 de julho de 2017

CIA afirma que trabaja con Colombia y México para derrotar al gobierno venezolano (+ Video)



Mike Pompeo, director de la Central de Inteligencia de los Estados Unidos (CIA) aseguró en el Foro de Seguridad, convocado por el Aspen Institute, en Colorado, que “está intentando ayudarles (a México y Colombia) a entender las cosas que podrían hacer” para derrotar al gobierno de Nicolás Maduro.

Utilizando la peor retórica de la Guerra Fría, el funcionario respondió una pregunta de la venezolana Vanessa Neumman, presidenta de la empresa Asymmetrica, quién le pidió una evaluación sobre la amenaza de Venezuela “a los intereses estadounidenses”.

Mike Pompeo. Foto tomada de PBS.
Cada vez que tienes un país tan grande, y con la capacidad económica de un país como Venezuela, estamos trabajando duro para hacer eso”, respondió Pompeo en el Foro celebrado el pasado 20 de julio, aludiendo al derrocamiento del gobierno constitucional de Nicolás Maduro.

Acto seguido, hizo un guiño a la necesidad de la CIA de utilizar la discreción en sus prácticas injerencistas en la región, “yo siempre tengo cuidado, cuando hablamos de Sur y Centroamérica y la CIA. Hay muchas historias”.

La CIA ha jugado un papel nefasto en América Latina, cuyos países han sido víctimas de intervenciones armadas en el cuartel general de Langley, Virginia, para imponer los intereses de los gobiernos estadounidenses, desde la intervención en Guatemala para derrocar al gobierno de Jacobo Arbenz (1954), la invasión a Cuba por Playa Girón (1961), el derrocamiento del gobierno de Salvador Allende en Chile (1973) y el golpe de Estado contra el Presidente Hugo Chávez en Venezuela (2002), entre muchas otras páginas de horror.

Pompeo añadió que “estamos muy optimistas de que puede haber una transición en Venezuela” favorable a los intereses norteamericanos, y “la CIA está haciendo lo mejor de sí para entender la dinámica allá”, enfatizó.

Para ejecutar este mandato él personalmente viajó a principios de julio a Bogotá y a Ciudad México, lugares a los que denomina “rincones del mundo”, apropiándose de la desafortunada definición de George W. Bush con la que identificó a los países condenados a ser intervenidos durante la cruzada antiterrorista tras el ataque contra las Torres Gemelas, en Nueva York del 2001.

Pompeo aseguró que viajó para discutir con los gobiernos de Colombia y México “este tema precisamente”.

Luego añadió una de las frases más descaradas que ha emitido la administración de Trump, célebre por su retórica altisonante y sus meteduras de pata:

“Estamos intentado ayudarles (a Colombia y México) a entender las cosas que podrían hacer para lograr un mejor resultado para su rincón del mundo y nuestro rincón del mundo”.




Aspen Institute es una organización internacional creada en Estados Unidos y financiada principalmente por fundaciones vinculadas a la élite corporativa estadounidense, como la Corporación Carnegie, el Fondo de los Hermanos Rockefeller, la Fundación Gates, la Fundación Lumina y la Fundación Ford.

Se dedica a promocionar “las democracias participativas”, desde la visión de la derecha neoliberal. El instituto tiene su sede en Washington y cuenta con campus en Aspen, Colorado (su lugar de origen).

Intercambio entre Neumann y Pompeo

Vanessa Neumann, presidenta de la empresa Asymmetrica a Mike Pompeo: Tengo doble ciudadanía, estadounidense y venezolana. Así que aquí va mi pregunta, porque no estamos cubriendo nada relacionado con el hemisferio occidental en este foro. Estoy interesada en su evaluación cierta sobre los intereses estadounidenses en, o las amenazas de, Venezuela, y cuáles, claro, son los intereses rusos, iraníes, etc, para la región.

Mike Pompeo: Agradezco la pregunta. Cada vez que tienes un país tan grande, y con la capacidad económica de un país como Venezuela, estamos -estamos trabajando duro para hacer eso. Yo siempre tengo cuidado, cuando hablamos de Sur y Centroamérica y la CIA. Hay muchas historias. (RISAS).

Así que -así que quiero tener cuidado con lo que digo, pero basta señalar que estamos muy optimistas de que puede haber una transición en Venezuela, y nosotros -la CIA-, está haciendo lo mejor de sí para entender la dinámica allá para que podamos comunicársela a nuestro Departamento de Estado y otros, los colombianos. Acabo de estar en Ciudad de México y en Bogotá, la semana antepasada, hablando sobre este tema precisamente, intentado ayudarles a entender las cosas que podrían hacer para lograr un mejor resultado para su rincón del mundo y nuestro rincón del mundo.

Aquí puede ver el video con intervención de Mike Pompeo en Aspen Institute:



FUENTE: Cubadebate

domingo, 23 de julho de 2017

Historiador contratado pela Volks confirma participação da empresa na repressão a trabalhadores na ditadura

Redação | São Paulo - 23/07/2017

Opera Mundi acompanha o caso desde o início das investigações da Comissão Nacional da Verdade, que já havia apontado a montadora como um "braço" da repressão da ditadura brasileira

Montadora alemã participou de violações de direitos humanos durante a ditadura militar, afirma historiador

A filial brasileira da Volskwagen colaborou ativamente com a ditadura no Brasil na repressão a trabalhadores. A informação foi confirmada pelo historiador Christopher Kopper, contratado pela montadora, na Alemanha, para investigar as relações da empresa com o aparato repressivo brasileiro, e divulgada neste domingo (23/07) pelo jornal Süddeutsche Zeitung e pelas emissoras NDR e SWR.

“Eu posso dizer que havia uma colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime”, afirmou Kopper aos veículos, e citou que a Volkswagen “autorizou prisões” dentro do complexo.

"O departamento de segurança atuou como um braço da polícia política dentro da fábrica da VW", apontou. A investigação feita pelo historiador abrange os arquivos da montadora na Alemanha.

Segundo o jornal e as emissoras, a filial brasileira espionou seus trabalhadores e suas ideias políticas, e os dados acabaram em "listas negras" em mãos da polícia política. Os afetados lembram como foram torturados durante meses, após terem se unido a grupos opositores.

A sede da empresa, em Wolfsburg, não se pronunciou sobre as afirmações de Kopper, que é vinculado à Universidade de Bielefeld e tem até o final deste ano para apresentar suas conclusões finais.

CNV

Opera Mundi acompanha o caso extensivamente há mais de três anos, desde que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) passou a investigar os arquivos brasileiros da Volkswagen.

Um relato detalhado do ocorrido na fábrica da montadora alemã consta no relatório final da CNV, documento com mais de 3.000 páginas publicado em 2014 que revelou a existência de um aparato repressivo militar-empresarial, na qual as firmas monitoravam funcionários, repassando informações e fazendo denúncias ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

"Estava trabalhando e chegaram dois indivíduos com metralhadora, encostaram nas minhas costas, já me algemaram. Na hora em que cheguei à sala de segurança da Volkswagen, já começou a tortura, já comecei a apanhar ali, comecei a levar tapa, soco", contou Lúcio Bellentani, funcionário da Volkswagen de São Bernardo do Campo, à CNV.

Nazista


No capítulo dedicado à repressão aos operários, intitulado ‘Violações de direitos humanos dos trabalhadores’, a CNV escreve que Stangl, preso no Brasil em 1967 e extraditado para a Alemanha, foi o “funcionário da Volkswagen do Brasil responsável pela montagem do setor de vigilância e monitoramento” da unidade do ABC paulista. O aparato acompanhava de perto o dia a dia da fábrica e, especialmente atento às atividades sindicalistas consideradas “subversivas”, estava em constante contato com órgãos da repressão do governo brasileiro na ditadura.

“Existe uma profusão de documentos que comprovam a cooperação da empresa [Volkswgen do Brasil] com órgãos policiais de segurança do Dops”, afirma o texto final da CNV. Uma das provas citadas pela comissão é um relatório enviado ao Dops por este setor de segurança interna da multinacional relatando a atividade sindical. O documento, encontrado nos arquivos da polícia política paulista, apresenta “um resumo” informativo, comunicando, por exemplo, a realização de um comício na portaria da Volkswagen, em 26 de março de 1980 — mais de dez anos depois de Stangl ter sido capturado no Brasil.

No documento, o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva alertava os próprios metalúrgicos sobre o monitoramento ao qual estavam sujeitos na montadora alemã. “Dentro da Volks, a segurança fica de olho em vocês através de um circuito de televisão. Tomem cuidado, porque os tenentes do Exército que trabalham aí têm um circuito fechado de televisão onde conseguem ver vocês dentro da sessão”, dizia o futuro presidente da República no comício sindical.

FONTE: Opera Mundi

quinta-feira, 20 de julho de 2017

João José Reis: "Poder público e setor privado têm dívida com a escravidão"

Historiador baiano, que recebe hoje Prêmio Machado de Assis, considera ‘tímidas’ as iniciativas pela preservação da memória da herança africana

João José Reis, referência mundial no estudo da escravidão no Brasil - Guito Moreto / Agência O Globo


POR BOLÍVAR TORRES

RIO - Nesta tarde, a partir das 17h, o baiano João José Reis, referência mundial para o estudo da história da escravidão no século XIX, professor da Universidade Federal da Bahia e Doutor pela Universidade de Minnesota, recebe o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, uma das principais honrarias do país, em cerimônia no Salão Nobre do Petit Trianon. A recompensa ao autor de livros como “Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês” (Companhia das Letras) acontece em um momento especialmente turbulento nas discussões em torno da memória da escravidão.

Localizado na Zona Portuária e recém-reconhecido pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, o Cais do Valongo, cujas ruínas compõem os únicos vestígios materiais de desembarque de africanos escravizados nas Américas, chama a atenção pelo abandono e pela deterioração. Ao mesmo tempo em que os planos da construção de um museu da escravidão no local dividem ativistas, outro ícone da preservação da memória da região, o Instituto Pretos Novos, reclama da falta de recursos e ameaça fechar.


O historiador, que também é convidado da próxima Flip (participa no sábado, dia 29, às 12h, de uma mesa com a escritora Ana Miranda), conversou com O GLOBO por e-mail.

A história da escravidão é hoje um dos assuntos mais estudados da historiografia brasileira. Isso tem levado a um melhor entendimento das desigualdades contemporâneas?

Isso merecia uma pesquisa à parte. Não é somente a historiografia que tem tratado da escravidão com muita intensidade nos últimos anos. Além da produção acadêmica, e muitas vezes por ela informada, hoje se fala muito sobre o assunto, em filmes, minisséries, novelas etc. Isso deveria criar um elo positivo entre História e atualidade, resultando numa visão crítica e mesmo no declínio tanto do racismo episódico dos ataques pessoais quanto do racismo estrutural das desigualdades. Não vejo acontecer. Talvez seja preciso ainda mais informação, ao lado de mais políticas públicas, além das cotas raciais nas universidades e em setores do serviço público.

Houve alguma iniciativa pública positiva nos últimos anos?

Uma boa medida recentemente terminada pelo governo federal foi a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afro-brasileiras. Poderia ter se tornado um poderoso antídoto ao racismo, pelo esclarecimento de crianças e jovens em formação, e não apenas focando o passado escravista, mas no presente da discriminação. Nunca esse tipo de informação foi mais necessária, porque a internet e as redes sociais, pelo anonimato que possibilitam, incentivam os racistas de plantão a saírem do armário.

Recentemente, um restaurante chamado Senzala foi vandalizado por manifestantes em São Paulo. Como vê a utilização de palavras como “senzala” e “casa grande” para batizar restaurantes, condomínios e motéis pelo país?

Indica a desinformação que leva à naturalização do racismo através da manipulação de elementos da História. Os militantes negros e antirracistas estão certos em ver isso como um escárnio. Daqui a pouco teremos boate chamada tumbeiro, se é que isso já não existe. Se quem bota esses nomes em seus negócios não aprender do que se trata, é preciso ir à porta dos estabelecimentos protestar e perturbar a clientela, que também devia saber por onde anda. Isso também é método de educar.

O senhor defende a construção de um museu da escravidão no Pelourinho. A proposta de um museu semelhante no Rio vem sendo criticada. Muitos preferem um museu da herança africana, por exemplo...

Um museu da escravidão trataria da herança africana se for concebido sob inspiração da produção historiográfica recente. Os historiadores têm estudado aspectos essenciais da vida dos escravos com um olho na cultura trazida pelos africanos, no que diz respeito à família, a resistência cotidiana, a revolta e a formação de quilombos, a religiosidade etc. Por outro lado, um museu da herança africana terá que tratar de como os aportes culturais africanos se transformaram no Brasil escravista. Então não importa qual nome será dado a um museu que contemple, vamos dizer, a história do negro no Brasil em suas várias dimensões. Seu sucesso como instrumento de formação e transformação vai depender de como será concebido. Ultimamente penso mesmo que um museu da história afro-brasileira ou um museu da história do negro pudesse ser ainda mais interessante.

Algum outro museu poderia servir de referência?

O monumental museu recentemente inaugurado em Washington, nos EUA. Um museu dessa espécie no Brasil representaria superar a impressão de que a história do negro que interessa encerra com a escravidão e que a herança africana é a única forma cultural de expressão dos negros. Um museu dessa espécie seria uma oportunidade para esclarecer o visitante sobre as desigualdades raciais, a discriminação sutil e o racismo explícito, a repressão social e cultural no período pósabolição, e ao mesmo evidenciar a vida cotidiana dos trabalhadores negros e a formação de suas comunidades e manifestações culturais no campo e na cidade, suas organizações identitárias e políticas. Um museu que não represente o negro apenas como vítima, mas como pessoa inteira e complexa, que reage, luta, conquista espaços na sociedade. O Museu Afro Brasil em São Paulo, aliás, já faz muito disso.

Como vê o Cais do Valongo ser eleito Patrimônio da Humanidade pela Unesco ao mesmo tempo em que um dos poucos espaços dedicados à memória da escravidão no local, o Instituto Pretos Novos, corre o risco de fechar?

Conheço o Instituto dos Pretos Novos e o Cais do Valongo. Acho ambos tímidos para representar a magnitude do mal representado pelo tráfico de escravos, ainda mais considerando que o Rio foi o porto negreiro nas Américas onde mais desembarcaram cativos africanos. O reconhecimento do Valongo deveria servir de incentivo para a construção de algo mais significativo nos arredores, talvez o museu que antes discutimos. É uma dívida do poder público e mesmo do setor privado, pois muitas fortunas no Brasil devem sua origem ao dinheiro ganho com o tráfico e a escravidão. Aliás, essa é uma pesquisa específica a ser feita.

A escravidão no Brasil foi democrática, já que negros e pardos podiam ser donos de escravos. Uma de suas descobertas curiosas é que houve também escravos donos de escravos. Como isso era possível?

Embora existisse no meio rural, na Bahia, em Pernambuco (onde existem estudos específicos de outros pesquisadores), no Rio de Janeiro etc, o fenômeno era mais comum na cidade. Minha pesquisa por enquanto se limita a Salvador. Aqui, a posse de escravo por outro escravo estava ligada ao sistema de ganho, no qual o ganhador, ou a ganhadeira, saía às ruas em busca de trabalho remunerado e o resultado era dividido com o senhor, que naturalmente ficava com a maior parte. Muitos ganhavam o suficiente para poupar e, depois de alguns anos, usavam essa poupança para comprar bens, inclusive escravos, ou se alforriar; às vezes fazer as duas coisas. Acontecia amiúde o escravo usar seu escravo para comprar a alforria. O sistema funcionava como uma forma de controle senhorial, pois se o direito costumeiro permitia tais arranjos, caso o escravo saísse da linha o senhor podia a qualquer hora revindicar, segundo o direito positivo, tudo que pertencesse ao escravo. Ressalve-se, no entanto, que no conjunto da população escrava, a possibilidade a compra de um escravo ou da alforria não era generalizada. Na sua grande maioria os escravos morriam escravos sem escravos.

Hoje, mais de 60 % dos presos no Brasil são negros. A OAB chegou a comparar as prisões atuais com as senzalas, no sentido de que a política de encarceramento atual remete às condições vividas pelos negros na época da escravidão. Concorda com essa comparação?

Eu acho que, na média, as prisões brasileiras são piores do que foram, na média, as senzalas. Pense bem, os escravos eram propriedade, tinham valor monetário, precisavam ser preservados. Os presos pobres são descartáveis, essa é a impressão que fica. Não falo dos presos brancos de colarinho branco, que são alojados em celas especiais. Aliás, você conhece quantos pretos de colarinho branco presos? Tem algum nos cárceres da Lava Jato? Eis mais um índice, embora enviesado, da desigualdade racial no Brasil.

FONTE: O Globo

Entrevista de Anita Prestes ao Tecendo em Reverso

Anita Leocadia Prestes

Em Curso do mundo o poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856) escreveu:

Quem tem muito,logo,logo,
Muito mais vai ter ainda.
Quem tem pouco, até o pouco
Perde e fica na berlinda.

Contemporâneo de Karl Marx (1818-1883) o “último dos românticos” soube bem dissecar em sua poética o traço amargo característico dos exploradores.

Nesta mesma Alemanha nasceria em 1908 a futura líder comunista Olga Benario, posteriormente Olga Benario Prestes. A juventude na República de Weimar burilou seu senso de luta e a fez encampar a revolução proletária. Veio ao Brasil junto com o também comunista Luiz Carlos Prestes. Em 1936 foi extraditada para a Alemanha nazista, à época grávida.

Anita Leocadia Prestes (filha de Olga e Luiz Carlos) é graduada em Química Industrial na Escola Nacional de Química da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1966 recebeu o título de mestre em Química Orgânica.

Sua atuação política clandestina no Partido Comunista Brasileiro (PCB) fez com que a pesquisadora sofresse perseguição por parte do regime militar brasileiro. Assim sendo, exilou-se na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1973.

Em 1975 doutorou-se em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ciências Sociais de Moscou.

Em 1979 volta ao Brasil. Anita durante muitos anos foi assessora de seu pai atuando nas lutas políticas.

Atualmente a pesquisadora é professora do programa de pós-graduação em História comparada na UFRJ.

Ao Tecendo em Reverso a autora falou sobre a temática do seu mais novo livro lançado pela Boitempo Editorial: Olga Benario Prestes: Uma comunista nos arquivos da Gestapo.



Tecendo em Reverso – Desde o domínio pelos soviéticos dos dossiês da Gestapo em 1945 a comunidade acadêmica não tinha notícias de detalhes relevantes sobre a Alemanha nazista. Como se deu o processo de consulta destes documentos disponibilizados em 2015 para a escrita deste livro?

ANITA LEOCADIA PRESTES – Essa documentação atualmente está disponível na Internet, o que me permitiu consultá-la e, após sua tradução do alemão, trabalhar com ela, chegando a produzir o livro “Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo” publicado recentemente pela editora Boitempo.

Tecendo em Reverso - Olga Benario foi uma jovem excepcional para sua época. De que forma sua atuação política fomentou a luta numa Alemanha tomada pela efervescência da República de Weimar?

ANITA LEOCADIA PRESTES – Olga Benario Prestes foi uma jovem que encarnou em grande medida os anseios da juventude trabalhadora da Alemanha nos anos 1920. Influenciada pelo ambiente revolucionário então presente nesse país, Olga tornou-se uma comunista atuante e disposta a dar a vida pela revolução socialista.

Tecendo em Reverso – Num momento politicamente complicado da história brasileira Olga Benario foi extraditada para a Alemanha de Hitler. Qual a sua análise hoje das justificativas políticas que desencadearam esta atitude nefasta por parte do governo brasileiro?

ANITA LEOCADIA PRESTES – Em 1936, após a derrota dos levantes antifascistas de novembro de 1935, o governo de Getúlio Vargas desencadeara violenta repressão contra todos os democratas e antifascistas, incluindo os comunistas. Meus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, foram presos e, enquanto Prestes era mantido incomunicável no Rio de Janeiro, Olga foi extraditada para a Alemanha nazista no sétimo mês de gravidez, medida ilegal e que teve como objetivo principal submeter meu pai à tortura psicológica.

Tecendo em Reverso – A prisão de Olga desencadeou uma série de movimentos ancorados na luta pela libertação dela e, posteriormente pela sua também. De que forma este apelo internacional mobilizou as autoridades alemãs?

ANITA LEOCADIA PRESTES – Após a prisão dos meus pais, iniciou-se campanha internacional pela libertação dos presos políticos no Brasil, encabeçada por minha avó paterna Leocadia Prestes. Na medida em que Olga e Elise Ewert foram extraditadas para a Alemanha e, depois, deu-se o meu nascimento numa prisão de Berlim, a campanha se estendeu a nós. Sua importância foi enorme para melhorar as condições carcerárias tanto dos presos no Brasil quanto de Olga e Elise na Alemanha e, principalmente, para garantir a minha libertação quando tinha 14 meses de idade.

Tecendo em Reverso – Segundo algumas pesquisas o judiciário de Weimar mantinha características parciais em relação aos julgados. Para a elite todos os benefícios possíveis e para a classe trabalhadora e a esquerda todas as penas cabíveis com requinte de crueldade. Esta situação desdobra-se agora em vários países. Qual a sua avaliação sobre o judiciário brasileiro na atualidade? Quais as mudanças ocorridas da época de Olga até hoje?


ANITA LEOCADIA PRESTES – Quando Olga foi presa no Brasil e estava ameaçada de extradição para a Alemanha, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido de habeas-corpus impetrado pelo seu advogado. Penso que hoje o judiciário brasileiro não atua de maneira muito diferente do que naquela época, o que nos revela o perigo permanente do autoritarismo e das tendências fascistas presentes no mundo atual. 



segunda-feira, 17 de julho de 2017

A última viagem do Mouro

Por Marcello Musto, professor de teoria sociológica na York University, Toronto, Canadá.

Artigo publicado na nova edição de Marx e o Marxismo, Revista do NIEP-Marx, v.5, n.8, jan/jun 2017.

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA LER O ARTIGO ESTA EDIÇÃO DA REVISTA:

Resumo
Apoiando-se nas correspondências de Marx, Engels, seus familiares e amigos, o artigo descreve as circunstâncias e acontecimentos dos dois últimos anos de vida de Marx. Destaca-se, particularmente, a viagem de Marx à Argélia, motivada por tratamento médico, cuja importância muitas vezes é negligenciada mesmo em renomadas biografias. O estudo revela preocupações de Marx com a reconstituição da história universal, com a condição dos árabes, com as possibilidades revolucionárias da Rússia e com a sequência de seu trabalho teórico (O Capital).

Palavras-chave: Marx; história; biografia.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Palestra da historiadora Anita Prestes em Porto Alegre (11 julho de 2017)



Lançamento do Livro "Olga Benário Prestes: Uma comunista nos arquivos da Gestapo" com a presença da autora Anita Prestes. Realizada em 11 de julho de 2017, na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS (Porto Alegre/RS). O evento foi organizado pelo Projeto de Extensão CESPRI Debate, com o apoio da Linha de Cultura Política do PPG de Ciência Política da UFRGS.




Autobiografia de Pablo Neruda é relançada no Chile com textos inéditos

Nova edição de "Confieso que he vivido" ("Confesso que vivi") celebra 113 anos do autor e traz, entre outros achados, anotações sobre relação de Neruda com um de seus melhores amigos, o escritor espanhol Federico García Lorca

A Fundação Pablo Neruda lançou no Chile uma nova edição da autobiografia "Confieso que he vivido" ("Confesso que vivi") nesta quarta-feira (12/07) com 18 textos e notas inéditas do mais famoso escritor do país.

O lançamento ocorreu na data da celebração dos 113 anos do dia do seu nascimento.

Neruda começou a escrever a autobiografia em agosto de 1972 e que queria publicá-la em 1974 para celebrar os seus 70 anos. No entanto, a morte prematura do escritor, 12 dias após o golpe de Estado de setembro de 1973, impediu que a obra fosse finalizada.

Sua esposa, Matilde Urrutia, levou os textos para a Venezuela e, com a ajuda do escritor Miguel Otero Silva, terminou a obra em 1974 - que foi levada "clandestinamente" para o Chile.

Os materiais inéditos do Nobel de Literatura de 1971 foram encontrados nos arquivos da Fundação Pablo Neruda e foram compilados pelo diretor da instituição, Darío Osses.

Entre os achados, estão um caderno fechado em junho de 1973 com anotações manuscritas sobre os temas que deveria incluir no livro e o relato de seu regresso à Temuco, cidade onde passou a infância. Também foram encontradas anotações sobre a relação que tinha com um de seus melhores amigos, o escritor espanhol Federico García Lorca.

De acordo com Osses, uma das anotações que lhe chamou a atenção, foi um papel em que estava escrito "este artigo foi escrito para ser incluído nas Memórias".

"No entanto, Pablo teve dúvidas por ter que falar, inevitavelmente, sobre o tema da homossexualidade do autor do 'Romancero Gitano'. Ele se perguntava 'está o público suficientemente desprovido de preconceitos para admitir a homossexualidade de Federico sem manchar seu prestígio'", disse Osses sobre a anotação.

Para a Editorial Planeta, que reeditou a obra no Chile, o livro de mais de 500 páginas contribui para aprofundar e apresentar em grande quantidade as "confissões" da vida de Neruda, desde a narração sequencial de alguns feitos como a crônica de viagens e as reflexões do escritor.

"Neruda foi um autor privilegiado de toda a história do século 20 e um poeta de muitas vidas, que se passam pela amplitude do mundo, que transitam no meio da multidão e na intimidade", disse a editora.

FONTE: Opera Mundi


terça-feira, 11 de julho de 2017

Para download: "EL SIGLO DE LA REVOLUCION: UNA HISTORIA DEL MUNDO DE 1914 A 2017", del historiador Josep Fontana (Crítica, Barcelona, 2017)

El libro es un original enfoque de las historia del mundo desde 1914 hasta la actualidad.

«Toda la historia de la sociedad humana, hasta la actualidad —escribían Karl Marx y Friedrich Engels en 1848— es una historia de luchas de clases. Libres y esclavos, patricios y plebeyos, barones y siervos de la gleba, maestros y oficiales; en una palabra, opresores y oprimidos, frente a frente siempre, empeñados en una lucha ininterrumpida, velada unas veces, y otras franca y abierta.»


FONTANA, Josep - "El siglo de la revolución - Una historia del mundo desde 1914"

LINK PARA DOWNLOAD:

Nº de páginas: 808 págs.
Editorial: CRITICA
Lengua: CASTELLANO
ISBN: 9788416771509

Sinopsis de El siglo de la revolución:

El periodo que va de 1914 a nuestros días ha sido un siglo de luchas de liberación, de un gran enfrentamiento de clases. La revolución que se inició en Rusia en 1917 ha marcado el siglo entero. La amenaza de subversión del orden establecido determinó la evolución política de los demás, empeñados en combatirlo y, sobre todo, en impedir que se extendiera por el mundo. La culminación de esta dinámica se produjo después de la segunda guerra mundial, cuando, tras la derrota del fascismo, se organizó por una parte la guerra fría, mientras, por otra, los avances sociales del estado de bienestar servían como antídoto para evitar la penetración de sus ideas en las sociedades del mundo desarrollado. Fue así como se alcanzó aquella situación excepcional de los años que van de 1945 a 1975, cuando en los países desarrollados se registraron las mayores cotas de igualdad hasta entonces conocidas.
A lo largo de los años setenta, sin embargo, al tiempo que se hundía el poder soviético y que el comunismo dejaba de ser una amenaza interna, esa trayectoria cambió para dar paso a la reconquista del poder por las clases dominantes y a una fase de retroceso social que nos ha llevado al triunfo actual de la desigualdad. El siglo no ha sido, pues, un «siglo revolucionario», puesto que las propuestas de 1917 acabaron derrotadas, pero ha sido «el siglo de la revolución», en la medida en que estas propuestas, en su doble papel de esperanzas para unos y de amenazas para otros, han marcado toda su historia.