sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Em Rio das Ostras é assim: se não der para escamotear os problemas da escola, jogue a culpa no professor

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro

Primeiramente, quero registrar meu total apoio e solidariedade com a professora envolvida no lamentável espetáculo patrocinado pela mídia, que ganhou repercussão nacional. Tenho a oportunidade de conviver com a referida professora ao longo dos oito anos em que exerço o magistério em Rio das Ostras. Posso afirmar que ela sempre procurou exercer o seu ofício com dignidade apesar das adversidades que nós professores estamos submetidos. Como, por exemplo, a baixa remuneração, que impõe a necessidade de jornadas de trabalho exaustivas e improdutivas, no intuito de se alcançar uma renda minimamente digna e, consequentemente, conduz a uma queda significativa na qualidade do trabalho educativo destes profissionais. Sem contar a perda de prestígio social da carreira de educador - talvez, por isso, muitos professores em cargos comissionados achem humilhante retornar para a sala de aula, que consideram um castigo, estar no próprio inferno. Dessa forma, fora de sala de aula fica muitíssimo fácil julgar o trabalho de quem está vivendo no "inferno".

O que se assiste neste vídeo http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=28217 é a promoção do linchamento público e de um julgamento sumário de um professor. Por quê? Infelizmente as pessoas, em sua esmagadora maioria, não procuram assumir uma postura crítica, para além das aparências, frente ao que ouvem ou vêem, simplesmente reproduzem o senso comum, como papagaio de pirata. Qual seja: a culpa de todos os problemas da educação é creditada aos professores. Ora, em nenhum momento se ouviu o outro lado, no caso o da professora. Esta suposta briga ocorreu a cerca de três semanas. E somente agora o vídeo foi postado na internet, gerando grande rebuliço na cidade de Rio das Ostras. 

Hoje, 31/08/2012, estive com a referida professora para transmitir o apoio e a solidariedade de diversos colegas de trabalho da rede municipal de ensino desta cidade, em especial os professores do Colégio Municipal Professora América Abdalla e da Escola Municipal Padre José Dilson Dórea. Ouvindo a versão da professora e de outras pessoas que testemunharam os acontecimentos, segue um relato do que de fato ocorreu. Ao final da aula, enquanto a professora fazia a chamada, os dois alunos começaram a se agredir. Infelizmente o vídeo não mostra a professora pedindo o auxílio da agente escolar (inspetora do corretor), que ao separar a briga levou um soco no braço esquerdo. Os alunos foram encaminhados à direção. Aliás, os alunos sairam de sala como se nada tivesse acontecido. Porém a diretora não estava na escola (parece que foi fazer a revisão do carro), assim nenhuma providência pôde ser tomada por parte da direção da unidade escolar e o assunto morreu. Os alunos retornaram para a aula do professor seguinte. Quando a diretora retornou, foi comunicada pela agente escolar do ocorrido. A diretora perguntou se já estava tudo bem e o assunto morreu. Não se tinha conhecimento que um aluno da turma filmou a tal briga. Nesta última terça-feira (28/8), começou a repercussão do vídeo postado na internet, que ganhou visibilidade na mídia, em especial nos programas jornalísticos da Rede Globo de Televisão. 


A partir daí, surgiram as versões apresentadas na reportagem: que a briga se deu por causa de um lápis (o que não é verdade); que a professora foi negligente; os depoimentos dos alunos sobre a conduta da professora (nenhum deles pertencem a turma em que ocorreu a briga); a diretora afirma ser um caso isolado, o que não é verdade (lecionei por oito anos seguidos no Colégio Municipal Professora América Abdalla, até o último dia 26 de abril); é explícita a tentativa da dirigente da unidade escolar em transferir para a professora a responsabilidade pelo ocorrido e assim tentando escamotear a constante violência presente nas escolas, em especial neste Colégio, pela falta de se garantir um mínimo de respaldo à autoridade dos professores.


Com o espetáculo promovido pela mídia, a direção do Colégio Abdalla apresentou uma série de medidas que seriam desenvolvidas, como consta em reportagem no jornal RJNEWS (31 de agosto a 06 de setembro). É impressionante como os alunos são bem assistidos - não pude evitar o sarcasmo.


O poder público propagandeia muito suas iniciativas e investimentos em educação, mas quase nada acontece efetivamente. É incapaz de se dirigir às causas que afligem a educação mas permanece aprisionado no círculo vicioso dos efeitos condenados. Os interesses pessoais daqueles "educadores" em cargos comissionados prevalecem sobre a demanda de se construir uma escola pública, gratuita, verdadeiramente democrática, laica, universal e de qualidade. Não surpreende, portanto, a recorrente tentativa de crucificar os professores para redimir a educação de seus pecados. É mais fácil culpá-los do que colocar o dedo na ferida dos reais problemas da educação. 

Vejam a fala da secretária de Educação de Rio das Ostras, ao tentar encontrar uma explicação para a queda do Ideb do município:



 "As aulas precisam ser motivadoras, depende muito da atuação do professor. Sabemos que as escolas estão equipadas para isso" (jornal RJNEWS, 24/8 a 30/8/2012)
Mais uma vez a culpa é do professor. Não sei se é pra rir ou pra chorar. Nas duas escolas onde trabalho não tem caneta de quadro branco para o professor. Sabe de quem é a culpa??? Do professor. Por quê??? Ele não tem o compromisso suficiente para tirar do próprio bolso e adquirir uma caneta. Esta é a lógica da Secretaria de Educação: se não der para escamotear os problemas das escolas, jogue a culpa no professor.


Parabéns aos professores do Colégio Municipal Professora América Abdalla, que se posicionaram de maneira firme e enérgica em defesa da professora envolvida no lamentável espetáculo midiático. Tenho orgulho de ter pertencido a esse corpo docente. Como também estou orgulhoso de compor a equipe combativa de professores da Escola Municipal Padre José Dilson Dórea, que não vacilou em declarar imediatamente apoio à professora e aos companheiros do Abdalla nesta luta incessante em defesa da dignidade da categoria.




LEIA TAMBÉM

Nota Pública do Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu: Conflito entre alunos em escola municipal de Rio das Ostras coloca às claras a precariedade da rede




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

UMA NOVA ARMA NA TENTATIVA DE BANALIZAR A IMAGEM DE LUIZ CARLOS PRESTES



                                                                                        Por Anita Leocadia Prestes*

Já se passaram mais de 20 anos do desaparecimento de Luiz Carlos Prestes. Sua coerência com os ideais revolucionários a que dedicou toda sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, sempre despertou o ódio dos donos do poder, levando-os à falsificação da História e das posições assumidas por Prestes para melhor poder caluniá-lo.

 Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os poderosos deste país, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo exemplo pode servir de inspiração aos jovens de hoje.

Atualmente tornou-se pouco convincente recorrer aos antigos expedientes para satanizar os comunistas: acusá-los de “comer criancinhas assadas na brasa”, de defender a “coletivização das mulheres”, de renegar a família, de desrespeitar as freiras, etc. etc. Hoje os expedientes são outros, mais de acordo com os novos tempos. No caso de Prestes - o mais conhecido e o mais respeitado comunista brasileiro -, por tantos anos caluniado ou silenciado, uma nova tática de desmoralização foi adotada pelos grandes meios de comunicação, comprometidos com os interesses das classes dominantes. Na impossibilidade de questionar sua reconhecida honestidade, assim como sua fidelidade aos princípios revolucionários por que sempre pautou sua existência, o novo expediente consiste na banalização de sua imagem.

Procura-se desviar a atenção do público do legado político e revolucionário de Luiz Carlos Prestes, chamando a atenção para aspectos de sua vida privada, tentando apresentá-lo apenas como um homem comum e inofensivo, que deixou, portanto de representar uma ameaça aos interesses do grande capital. Assim foi há alguns anos atrás, com a ampla divulgação do filme “O Velho”, que apresentava Prestes como um comunista fracassado e dedicado apenas a cultivar roseiras. Agora os inimigos de classe de Prestes e dos comunistas revolucionários que se alinhavam - e continuam se alinhando com suas posições revolucionárias – encontraram uma nova arma. Trata-se de um livro lançado pela sua viúva – um livro eivado de mentiras -, que, segundo a mídia que o tem divulgado, cumpriria o papel de “humanizar” a imagem do “Cavaleiro da Esperança”. Não deixa de ser revelador dos objetivos inconfessáveis de tal “humanização” o fato dessa publicação ter um lançamento promovido pela Embaixada da Colômbia em Brasília. O governo do Sr. Juan Manuel Santos - conhecido por ser a ponta-de-lança do imperialismo na América Latina, por ser um governo que permite a presença de 7 bases norte-americana em seu território, por ser um governo que tortura, faz desaparecer e promove o assassinato de milhares de comunistas e de democratas – patrocina o lançamento de um livro que pretende “humanizar” a imagem de Luiz Carlos Prestes!

Frente à nova arma que vem sendo empregada na tentativa de banalizar a imagem de Prestes, de esvaziá-lo do seu conteúdo revolucionário, é necessário que todos aqueles, homens e mulheres, comprometidos com a luta pelo socialismo em nossa terra, reforcem a vigilância de classe e contribuam para que o legado desse grande brasileiro se torne acessível aos jovens de hoje, aos futuros combatentes de amanhã.


*Anita Leocadia Prestes é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.







quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Teatro maia de 1.200 anos é descoberto no México


O INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História do México) encontrou um teatro maia desativado há mais de mil anos em Ocosingo, no Estado de Chiapas. O anúncio da descoberta foi realizado nesta terça-feira (28/08).
Segundo o diretor do projeto de investigação no sítio arqueológico, Luis Alberto Martos López, apenas a elite da sociedade maia tinha acesso ao teatro, que poderia receber até 120 pessoas.
“Era um local exclusivo, pois foi encontrado a 42 metros de altura em relação às praças do complexo”, afirmou Martos López.


A hipótese elaborada pelos arqueólogos é a de que uma dinastia assumiu o governo da região por volta de 800 d.C. e buscou a sua legitimidade, entre outras formas, por meio do teatro político.


De acordo com Martos López, “tudo indica que a dinastia não conseguiu se estabelecer por muito tempo e a cidade foi abandonada com violência” cerca de 200 anos depois.


Além de ser menor que os outros teatros maias, a principal diferença desse espaço é que ele se encontra dentro de um palácio. “As peças não eram só artísticas, mas também simbólicas e religiosas. As sociedades maias foram classificadas como ‘estados teatrais’, porque os governantes aproveitavam essas ocasiões para exercer seu poder publicamente.”



O local das escavações começou a ser ocupado por volta de 150 a.C, segundo a equipe de investigação do INAH.



FONTE: Opera Mundi

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PARTIDO E REVOLUÇÃO (1848-1989)

Resenha de Partido e Revolução - 1848-1989, publicada no Brasil de Fato



Após o fim do chamado “socialismo real”, em 1989, com o início da “longa noite” do movimento operário instaurou-se uma época contrarrevolucionária que perdura até os dias atuais e é interpretada como o definitivo triunfo do projeto capitalista e da democracia ocidental burguesa sobre as demais formas societárias até então conhecidas.Com a disseminação ideológica da ideia de “fim da história”, das ideologias, das lutas de classe, da impossibilidade de novos movimentos revolucionários etc., vive-se, como assinala o próprio autor,”uma vaga histórica pouco propícia para se reconstruir uma projeção societária assentada em valores radicalmente antagônicos aos burgueses” .E é precisamente nesse quadro histórico desalentador que Marcelo Braz  resolveu enfrentar o desafio de contribuir para a revitalização teórica e política da possibilidade de revolução como emancipação humana, plenamente consciente de que atingir esse objetivo “requer uma renovação teórica que procure realizar uma articulação entre as fontes clássicas da tradição marxista e as contribuições da tradição teórico-política que delas se derivaram e a elas se associaram no curso da trajetória do movimento socialista e comunista” e que essa articulação “ deve se dar em função e a partir dos enormes desafios postos pela contemporaneidade das lutas de classe”. O resultado :um livro essencial.
Nele conjugam-se a pesquisa extremamente cuidadosa, o pleno domínio da bibliografia, o conhecimento dos processos históricos analisados, a fundamentação segura na teoria marxiana e um profundo conhecimento das questões exploradas ao longo de todo o texto.Demais, vale sublinhar a maneira densa e  ousada como são analisadas e interpretadas questões  como o saldo teórico-político do stalinismo,a questão nacional, o “socialismo num só país” tendo sido, ao mesmo tempo,obra teórica de Stalin e demanda real das contradições internas na Rússia e do fracasso da revolução no ocidente, a ideia de um Estado socialista, do tipo proletário,assentado numa unidade operário-camponesa, com uma forma específica – predominantemente estatal- de controle social da produção como a mais apropriada para identificar o governo bolchevique, entre outras.
O exame crítico das contribuições de Togliatti e Trotsky , a avaliação do eurocomunismo, as pertinentes ressalvas às análises de Mandel e Claudin , as observações sobre os equívocos de interpretação da Internacional Comunista sobre o fascismo como possível forma final do capitalismo, o problema da dificuldade que a unidade de ação em torno das frentes antifascistas provocou nas forças do campo revolucionário constituem sólida contribuição para uma reavaliação de interpretações históricas ainda predominantes.
Retomo o ponto de partida de Marcelo Braz para destacar, uma vez mais, a relevância e a profundidade de sua contribuição teórico-política[1]: a crise que as esquerdas vivem hoje é, acima de tudo, uma crise de suas expressões mais avançadas (os movimentos socialista e comunista), ou seja, nos partidos políticos revolucionários.Logo, estudá-los “é estudar as próprias possibilidades de transformação social; discutir a falência de algumas de suas formas históricas é imprescindível para problematizar as alternativas possíveis à superação da crise; realizar uma viagem de volta às mais importantes experiências revolucionárias que existiram efetivamente é decisivo para lançar luzes sobre o debate atual” (p.22).Debate, aliás, marcado por uma convicção da definitiva superação do partido como instrumento político e organizador da classe proletária e, ao mesmo tempo, por uma fetichizada concepção dos “novos” movimentos sociais e das organizações que integram o Terceiro Setor.O livro alicerça-se na vertical investigação das revoluções proletárias desenvolvidas ao longo do século 20, que se caracterizaram por dois aspectos determinantes: ou tiveram os partidos políticos (socialistas ou comunistas) como seus principais protagonistas desde a preparação do processo revolucionário, passando pelo desenlace decisivo e se prolongando pela sua afirmação e consolidação posteriores, ou os engendraram ulteriormente como desdobramento político e os tiveram como principais condutores.Também se orienta pela constatação de que a partir das próprias revoluções se consolidou, no âmbito da tradição marxista, toda uma tradição teórico-política voltada para o debate em torno da concepção de revoluçãoe da noção de partido revolucionário, tradição que deu continuidade – aprofundando, inovando, revisando ou deformando – aos debates que se iniciaram na segunda metade do século 19 , daí a análise das obras de Kautsky, Lênin, Rosa Luxemburgo, Bernstein, Trotsky e Stalin.Estudo empreendido, conforme adverte (e realiza) o autor, com uma impecável contextualização histórica.
Registre-se a leitura crítica das noções de partido e de revolução inauguradas pelo Manifesto do Partido Comunistadesenvolvida no Capítulo 1(p.29 a 45) e na conclusão (p.305 a 309) e, sobretudo, a refinada análise da importância política e do legado teórico de Lênin que ilumina substancialmente o texto e permite ao autor observar, quando estuda a relação entre o programa do partido e a prática política concreta que “(...)o processo revolucionário impõe ao partido um permanente acompanhamento dos fatos e uma contínua análise da conjuntura na qual se inserem as classes sociais em disputas com seus projetos e seus interesses.Ainda que o partido não necessite abandonar suas teses centrais, nas quais, em geral, se vislumbram horizontes macrossocietários de maior lapso temporal, não implica que elas não possam ser subordinadas,estrategicamente,às necessidades político-conjunturais mais prementes” (p.109)
O livro de Marcelo Braz, escrito de forma elegante, clara e muito expressiva, enriquecido por notas de rodapé sempre oportunas, elucidativas e com referências indispensáveis, revela-se essencial e deve ser lido com a maior atenção, especialmente porque evidencia, com argumentação sólida, consistente e com suporte histórico que as experiências revolucionárias por ele estudadas, possibilitam afirmar que, até hoje,” o partido foi a organização política do proletariado que, como instrumento de mediação universal, tornou possível historicamente a realização da síntese fundamental das diversas lutas numa luta política – ou, noutros termos,tornou possível a própria revolução como emancipação humana”(p.308)[grifos do autor]

                                   Ronaldo Coutinho
                                   (Livre-Docente/Doutor em Sociologia;Professor da UFF e da UERJ-aposentado)



[1] Afinal, o livro ora resenhado não é um texto meramente acadêmico, mas sobretudo um texto de combate

Brasil de Fato, edição 491, 26 de julho-01 de agosto
Partido e Revolução – 1848-1989
Marcelo Braz
Editora Expressão Popular: 2011



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lei da Sobrevivência - O RAPPA

Eu não quero ficar esperando o tempo passar




As novas contradições da dissidente cubana Yoani Sánchez


Enquanto dizia ter dificuldade financeira para comer, blogueira recebeu para fazer tour gastronômico



Por Salim Lamrani (*)

No período de alguns anos, a dissidente cubana Yoani Sánchez se converteu na principal figura da oposição ao governo de Havana. Ninfa egrégia dos meios informativos ocidentais, no entanto, a blogueira não escapa às suas próprias contradições.
Yoani tem uma visão bastante peculiar de seu país, que compartilha em seu blog Generación Y, criado em 2007. O ponto de vista é áspero e sem nuances. A realidade cubana aparece descrita de modo apocalíptico e ela conta sua vida cotidiana composta por sofrimentos e privações. Critica duramente o governo de Havana e o faz responsável por todos os males.
“Meu filho me pergunta se terá almoço hoje”
“Meu filho me pergunta se terá almoço hoje”, escreve em uma crônica no dia 29 de junho de 2012, em “uma sociedade em que cada gestão está rodeada de obstáculos e impedimentos, se produz muito mais de forma independente”. [1] “Uma dessas cenas recorrentes é a de perseguir os alimentos e outros produtos básicos em meio ao desabastecimento crônico de nossos mercados”, queixa-se. [2] Afirma que luta diariamente contra “os obstáculos da vida”. [3]
Ela afirma inclusive ter dificuldades para alimentar seu próprio filho “diante da verticalidade de um governo totalitário” [4], que usa como pretexto “uma eterna ameaça estrangeira para desqualificar os incômodos”. [5] Segundo ela, “com alguns centavos que se somam a um alimento, o termômetro da angústia cotidiana dispara, os graus de inquietude se incrementam”. [6]
Contradições
Ao ler essas linhas, parece que a jovem dissidente cubana passa fome e se encontra em total desamparo. Mas suas informações dificilmente resistem à análise.

Longe de se ver em estado de precariedade, Yoani Sánchez goza de condições de vida materiais privilegiadas quando comparadas às da imensa maioria de seus compatriotas. Na edição de 23 de julho de 2012 do jornal espanhol El País [seis dias antes do post sobre a fome, foto à esquerda], descobrimos que a blogueira fez uma reportagem sobre “os 10 melhores restaurantes da renovada cozinha cubana”. [7]

Convertida em gastrônoma e crítica de culinária, Sánchez estabelece uma classificação dos dez melhores restaurantes da capital cubana e descreve com muitos detalhes os suculentos cardápios propostos por um preço médio de “20 euros”, ou seja, o equivalente a um mês de salário em Cuba. Dessa forma, o Café Laurent, o Decamerón, o Habana Chef, La Casa, La Mimosa, La Moneda Cubana, Le Chansonnier, Mamma Mía, Rancho Blanco e Río Mar conseguem seus votos.

Inevitavelmente, surgem várias perguntas. Para poder estabelecer uma classificação minimamente séria, a jovem opositora teve que visitar pelo menos uns cinquenta restaurantes de Havana cujos cardápios custam em torno de 20 euros como média. Como Yoani Sánchez – que afirma ter dificuldades para alimentar seu próprio filho – poderia supostamente gastar 1.000 euros – quantia que equivale a quatro anos de um salário médio em Cuba! – para visitar os restaurantes mais seletos da capital cubana? Por que uma pessoa que afirma se interessar pela sorte de seus concidadãos realiza uma reportagem sobre os restaurantes de luxo em Cuba, que poucos cubanos podem frequentar?
O verdadeiro nível de vida de Yoani Sánchez
Na verdade, Yoani Sánchez não sofre nenhum problema de ordem material. Desde que integrou o universo da dissidência, sua vida mudou de modo considerável. No período de alguns anos, a jovem opositora recebeu múltiplas distinções, todas financeiramente remuneradas. Assim, desde a criação de seu blog, em 2007, a blogueira foi retribuída com a quantia de 250 mil euros no total, isto é, uma importância equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como a França, quinta potência mundial.
O salário mínimo mensal em Cuba é de 420 pesos, quer dizer, 18 dólares ou 14 euros, o que faz com que Yoani Sánchez tenha conseguido o equivalente a 1.488 anos de salário mínimo cubano em sua atividade de opositora.

Jamais nenhum dissidente em Cuba – talvez no mundo – conseguiu tantas distinções internacionais em tão pouco tempo. Por outro lado, o jornal El País abriu suas páginas às crônicas de Sánchez por uma remuneração que oscila entre 150 dólares por artigo, ou seja, uma soma equivalente a oito meses de salário mínimo em Cuba. [8]

Yoani Sánchez, nova figura da oposição cubana, está longe de viver em total desamparo. Ao contrário, dispõe de um ritmo de vida que nenhum outro cubano pode se permitir e, ao contrário do que afirma, seu filho não sofre nenhuma carência alimentar. A dissidente, que primeiro emigrou à Suíça antes de escolher voltar a Cuba, é bastante sagaz para compreender que adotar certo tipo de discurso agradaria a poderosos interesses contrários ao governo e ao sistema cubanos. Estes, por sua vez, sabem ser generosos com ela.
(*) Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor responsável por cursos na Universidade Paris-Sorbonne-Paris IV e na Universidade Paris-Est Marne-la-Valée e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.

Referências bibliográficas:
[1] Yoani Sánchez, "À distância de um clic", Generación Y, 28 de junho de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[2] Yoani Sánchez, "Maiorista vs minorista", Generación Y, 5 de junho de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[3] Yoani Sánchez, "O futuro comMariela Castro", Generación Y, 28 de maio de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[4] Yoani Sánchez, "Fuenteovejuna", Generación Y, 13 de junho de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[5] Yoani Sánchez, "¿Boa vontade?", Generación Y, 12 de junho de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[6] Yoani Sánchez, "Porco na 'caixinha'", Generación Y, 16 de maio de 2012. http://www.desdecuba.com/generaciony/ (site acessado em 26 de julho de 2012).
[7] Yoani Sánchez, "Os novos chefs de Havana. Os 10 melhores restaurantes da renovada cozinha cubana", El País, 23 de julho de 2012. http://elviajero.elpais.com/elviajero/2012/07/23/actualidad/1343057020_608376.html (site acessado em 26 de julho de 2012).
[8] Yoani Sánchez, "Prêmios". http://www.desdecuba.com/generaciony/?page_id=1333 (site acessado em 26 de julho de 2012).


FONTE: Opera Mundi

sábado, 25 de agosto de 2012

Conferência de Abertura do IX Seminário Nacional do HISTEDBR

Assista ao vídeo da conferência de abertura (31 de Julho de 2012) do Seminário Nacional do HISTEDBR (João Pessoa, Paraíba). Conferência proferida pelo Professor Newton Duarte.



Convite da Casa da América Latina para solenidade de entrega da medalha Abreu e Lima a Luiz Carlos Prestes





Convite

A Casa da América Latina, na comemoração do seu 5º aniversário, concede a Medalha Abreu e Lima a Cinco Internacionalistas, que contribuem ou que tenham contribuído para a Solidariedade ,a Integração Soberana e Progressista dos Povos , nações e países latino-americanos.
Para o ano de 2012, elegemos como agraciados:

Eduardo Galeano
Grupo Tortura Nunca Mais
Luiz Carlos Prestes (in memoriam)
Mauricio Azedo
Osny Duarte Pereira (in memoriam)

A solenidade será no dia 04 de setembro de 2012,terça-feira, a partir das 17:30h, na sede do SEAERJ( Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro),  Rua do Russel, nº 1, bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Contamos com sua ilustre presença.

A Diretoria. 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O compromisso do historiador com a evidência

Entrevista de Anita Prestes publicada na Revista Casa de las Américas, n. 267.

CLIQUE NO LINK ABAIXO (em espanhol):

http://www.casa.cult.cu/publicaciones/revistacasa/267/entrevista.pdf



Árvore Genealógica da Humanidade




A história do mundo começa na África

Falar em história da África é falar sobre a história humana. Afinal, foi lá que surgiu o Homo sapiens, cerca de 160 mil anos atrás. Portanto, a humanidade desenvolveu-se primeiro no continente africano e, progressivamente e por levas sucessivas, foi povoando o planeta inteiro. De lá, partiram os habitantes que constituíram os primeiros núcleos urbanos na Europa mediterrânea, América, Ásia e Oceania. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A imprensa operária no Brasil: esboço de uma história de lutas

Download da palestra proferida por Astrojildo Pereira sobre a imprensa operária no Brasil, que veio a ser publicada na revista Novos Rumos.

CLIQUE NO LINK ABAIXO

A imprensa operária no Brasil

O texto foi editadooriginalmente na Revista Estudos - publicação clandestina do PCB, no início da década de 1970 - n. 4, de junho de 1972, a partir de manuscritos de Astrojildo Pereira. Estes manuscritos constituem o roteiro preparado por Astrojildo para uma conferência que pronunciou na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, em julho de 1947, com o objetivo de angariar fundos para a imprensa comunista, promovida pelo Movimento de Auxílio à Tribuna Popular (diário do PCB).







segunda-feira, 20 de agosto de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

O compromisso social e político do Historiador/Professor de História


Por Anita Prestes


A seguir reprodução de trechos do discurso proferido pela historiadora Anita Prestes na ocasião da formatura da turma de 2001 do então Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ).

 [...]
O professor de História – mais do que qualquer outro, justamente porque conhece a História – deve mostrar aos seus alunos que os problemas hoje enfrentados pela humanidade (fome, miséria, desemprego, falta de perspectiva, etc.) não serão resolvidos através da aplicação das tão decantadas políticas neoliberais, como a própria prática o está mostrando seja no Brasil, seja na Argentina, seja em outros continentes. Ao contrário, estamos presenciando a agravação das condições de vida de contingentes cada vez mais numerosos de homens e mulheres, de crianças, jovens e idosos no mundo todo.
[...]
Vivemos na atualidade uma situação em que, de um lado, o colapso do socialismo no Leste Europeu e, de outro, a hegemonia mundial norte-americana, com a pretensão de impor a todos os povos as políticas neoliberais, parecem indicar não existir para a humanidade a possibilidade de um futuro melhor, livre de guerras, de terrorismo, de miséria, de fome e de desemprego. Estaríamos, segundo algumas previsões conhecidas, vivenciando o “fim da história”.

Entretanto, há, nos dias atuais, quem pense de outra maneira, quem considere que é possível mobilizar-se para agir, influindo nos acontecimentos seja em nosso país seja na arena mundial. [...]

Como historiadores que somos, não devemos estar ausentes desse movimento de reação, de caráter internacional, que se opõe às políticas impositivas dos grandes grupos econômicos e financeiros que hoje dominam o mundo, levando milhões e milhões de pessoas a sobreviverem em condições cada vez mais precárias, enfrentando todo tipo de carências e dificuldades, que os aproximam crescentemente de um estágio próximo à barbárie, em contraste gritante com o progresso científico e tecnológico do mundo atual.

Como professores de História, temos o dever de contribuir para a formação de homens e mulheres participantes e conscientes, capazes de saberem reagir criticamente às pressões das ideologias consumistas que lhes são impostas pelos meios de comunicação a serviço dos grupos dominantes. O professor de História deverá incutir nos jovens a compreensão de que a mentalidade consumista constitui uma fuga dos problemas reais enfrentados pelo povo do seu país e pela humanidade, ou seja, pela maioria das pessoas que nos cercam.

O professor de História não pode limitar-se a “ensinar” História, pois a História é uma disciplina de caráter social. Não existe uma História neutra, mesmo quando alguns pensam que conseguem manter uma aparente neutralidade e imparcialidade. Aqueles professores que se omitem diante da História, na prática estão assumindo uma postura de aceitação acrítica da História Oficial, sempre fabricada, com maior ou menor sofisticação, pelos donos do poder.

Como professores de História, não podemos deixar de contribuir para que os jovens venham a compreender as grandes linhas do desenvolvimento das sociedades humanas e, para tal, considero indispensável a adoção de uma concepção teórica de caráter global que nos permita alcançar o entendimento do funcionamento dessas sociedades. Como ressalta E. Hobsbawm, se o historiador “tenta responder de algum modo a qualquer das questões realmente significativas sobre as transformações históricas da sociedade, ele também deve ter subjacente um modelo teórico de sociedades e de transformações” (Mundos do Trabalho, p. 35).

Mas o esforço para que os jovens adquiram uma melhor compreensão do mundo em que vivemos não será efetivo se não estiver presente, conjugada com uma visão teórica da dinâmica das sociedades humanas, a preocupação com o papel transformador do homem. Quando estudamos ou pesquisamos os acontecimentos históricos, não o fazemos por diletantismo. Buscamos o conhecimento e a compreensão do passado e do presente para poder, de alguma maneira, agir sobre esse presente, transformando-o ou, parafraseando a conhecida escritora chilena Marta Harnecker, procurando “tornar possível o impossível” (Tornar possível o impossível).

Em outras palavras, como professores de História, devemos incutir em nossos alunos a rejeição de qualquer postura contemplativa diante da História, incentivando-os a encontrar os caminhos que lhes permitam contribuir para o aperfeiçoamento das sociedades em que vivem, na busca da construção de um mundo melhor, em que estejam presentes os grandes valores humanísticos de justiça social, democracia, igualdade e liberdade.

Como historiadores, não podemos ficar indiferentes às versões da História que, como é destacado pelo historiador espanhol Josep Fontana, são sempre produzidas com “uma função social – geralmente a de legitimar a ordem estabelecida –”, ainda que tenham tendido a mascarar a História, “apresentando-se com a aparência de uma narração objetiva de acontecimentos concretos” (História: análise do passado e projeto social, p. 15). Ou, como escreve E. Hobsbawm, ao abordar a questão do nacionalismo: “O passado legitima. O passado fornece um pano de fundo glorioso de um presente que não tem muito o que comemorar” (Sobre a História, p. 17).


FONTE: Historiando. Informativo mensal do Centro Acadêmico Manoel Maurício de Albuquerque (CAMMA) – História, UFRJ, fevereiro-março/2002. Suplemento Especial.


A pressão dos Estados Unidos para que Assange seja extraditado para a Suécia


Rede Globo e o Criança Esperança: falsa filantropia




O QUE ESTÁ POR TRÁS DO CRIANÇA ESPERANÇA?
Você está pagando o imposto da Rede Globo!


Quando a Rede Globo diz que a campanha Criança Esperança não gera lucro é MENTIRA!
Porque no mês de Abril do ano seguinte ela (TV Globo) entrega o seu imposto de renda com o seguinte desconto:
"Doação é feita à UNESCO no valor de >>...<< aqui vem o valor arrecadado no Criança Esperança. Ou seja, a Rede Globo já desconta pelo menos 20 e tantos MILHÕES do imposto de renda graças à ingenuidade dos doadores!

Agora se você vai colocar seu imposto de renda que doou 7, 15, 30 ou mais pro Criança Esperança, não pode, sabe porquê?
Porque o Criança Esperança é uma marca e não uma entidade beneficente. Já a doação feita com o seu dinheiro para a UNESCO é aceito. E não há crime nenhum. 
Aí você doou à Rede Globo um dinheiro que realmente foi entregue à UNESCO, porém, porque descontar na Receita Federal como doação da Rede.

FONTE: Rede Esgoto de Televisão (Página no Facebook)

Contra as mentiras ardilosas dos meios de comunicação

O cartaz abaixo está circulando pelo Facebook em repúdio às manipulações sórdidas dos grandes meios de comunicação contra a historiadora Anita Leocádia Prestes.



Manipulação dos meios de comunicação: o caso de Anita Prestes e o escândalo do "Mensalão"





Assange quebra silêncio na Embaixada do Equador e pede que EUA parem de perseguir WikiLeaks


O australiano Julian Assange, 41, fundador do WikiLeaks, quebrou o silêncio neste domingo (19) ao falar publicamente da sacada da Embaixada do Equador, em Londres. Assange refugiou-se na embaixada no dia 19 de junho para evitar sua extradição à Suécia. Assange é requerido pela justiça sueca por acusações de agressão sexual que ele nega ter cometido.
O fundador do WikiLeaks disse que a organização está sob ameaça e pediu ao presidente dos EUA, Barack Obama, que não processe ou persiga colaboradores. "Eu peço para o presidente Obama fazer a coisa certa, os Estados Unidos devem renunciar a sua caça às bruxas contra o WikiLeaks." O site revelou milhares de documentos secretos de países, principalmente dos Estados Unidos.   
Assange pediu a liberdade do soldado americano Bradley Manning que foi preso acusado de colaborar com a divulgação de documentos. “Ele é um herói e um exemplo para todos nós”, afirmou.
Manning é acusado de ter transmitido ao WikiLeaks, entre novembro de 2009 e maio de 2010, documentos militares americanos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e 260 mil telegramas do Departamento de Estado, que a organização criada por Julian Assange publicou posteriormente em seu site, gerando uma tempestade diplomática internacional. 


Manning, ex-analista de inteligência no Iraque, foi formalmente acusado no fim de fevereiro deste ano de "conluio com o inimigo", entre um total de 22 acusações, e corre o risco de ser condenado à prisão perpétua.

"O FBI deve acabar com esta investigação", disse Assange. O fundador do WikiLeaks teme que a Suécia possa ser somente uma passagem antes de uma posterior extradição aos Estados Unidos, onde é acusado de espionagem devido à publicação de milhares de documentos secretos do Departamento de Estado Americano.
Assange também agradeceu ao presidente do Equador, Rafael Correa, e a apoiadores de diversas partes do mundo. "Eu agradeço ao presidente [Rafael] Correa pela coragem que mostrou ao considerar e me conceder asilo político", disse. O australiano foi aplaudido diversas vezes por uma multidão que acompanhou seu discurso. 
Assange afirmou que a polícia britânica tentou entrar na embaixada na quarta-feira passada, mas desistiu diante da presença de seus simpatizantes e da imprensa. "Escutei uma equipe de policiais que entrou através da saída de emergência, mas eles sabiam que existiriam testemunhas", disse o australiano, para quem graças à presença da imprensa "o mundo estava olhando" para o que ocorre na embaixada. "Se o Reino Unido não jogou fora a Convenção de Viena é porque o mundo estava olhando."

Asilo no Equador


Na última quinta-feira, Assange teve seu pedido de asilo concedido pelo Equador, sob a alegação de que pode ser vítima de perseguição política. Entretanto, o Reino Unido se negou a dar salvo-conduto para a saída do australiano rumo ao Equador –com isso, ele pode ser detido pela polícia britânica assim que pisar fora da embaixada equatoriana.
Protocolos internacionais estabelecem que territórios diplomáticos não podem ser violados pela polícia local.
Mais cedo, o advogado de Assange, Baltasar Garzón, disse que ele está "disposto a responder pelas acusações" que enfrenta na Suécia, mas quer "garantias" de que não será extraditado aos EUA. Garzón também declarou que encontrou Assange "com um estado de espírito combativo". "Ele agradece aos equatorianos e, particularmente, ao presidente Rafael Correa por ter concedido asilo a ele”, afirmou
Também o número 2 do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, se manifestou. "Seria uma boa base para negociar, uma maneira de encerrar este assunto, se as autoridades suecas declarassem sem nenhuma reserva que Julian nunca será extraditado da Suécia aos Estados Unidos", afirmou."Posso garantir que ele [Assange] quer responder às perguntas do promotor sueco há muito tempo, há quase dois anos”, finalizou.

Invasão


Na semana passada, o governo do Equador denunciou que as autoridades britânicas ameaçaram entrar em sua embaixada em Londres para deter Assange. 
Reunidos no sábado (18) para discutir a questão, na cidade equatoriana de Guayaquil, os chanceleres da Alba (Aliança Bolivariana para os países de Nossa América) afirmaram que a eventual entrada da polícia britânica na embaixada teria "graves consequências no mundo".
"Advertimos o governo do Reino Unido sobre as graves consequências no mundo todo em caso de agressão direta à integridade territorial da República do Equador em Londres", afirmou o comunicado lido pelo chanceler venezuelano Nicolás Maduro ao término do encontro.
"Rejeitamos as ameaças intimidadoras proferidas por porta-vozes do governo do Reino Unido pela violação dos princípios de soberania e integridade territorial das nações", afirma outra parte da declaração.
O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, entretanto, já negou a possibilidade de invasão. (Com agências internacionais)


Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas


Nos dias 20 a 22 de agosto organizações sociais do campo realizam Encontro Nacional Unitário dos Trabalhadores (as), Povos do Campo, da Águas e das Florestas, no Parque da cidade em Brasília. Mais de 5 mil delegados de todo o Brasil participarão do encontro que relembra o primeiro Congresso Camponês, realizado em 1961. 




"O significado deste Encontro e do processo que  este pretende desencadear é de três dimensões: política, no sentido da unidade dos movimentos sociais agrários em torno de agenda comum na luta pela terra, superando a fragmentação que permite ao governo federal ignorar sistematicamente demandas legítimas desta base social; social, no sentido da auto defesa contra as ameaças concretas de destruição social, cultural e física dos campesinatos brasileiros; histórica, no sentido de evocar e homenagear o meio século decorrido deste o I Congresso Camponês, de caráter nacional, ocorrido em Belo Horizonte em 1961." (Documento-base: "Pela construção de um modelo alternativo de agricultura")