quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Presente de natal para o agronegócio: Kátia Abreu como ministra da Agricultura


Da CPT

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), em nota, repudiou a nomeação de Kátia Abreu, líder da CNA, como Ministra da Agricultura. 

"A nomeação de Kátia Abreu é a sinalização clara e explícita de que para a Presidenta, neste novo mandato, os povos indígenas, as comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, os sem-terra em geral, continuarão a ser tratados como entraves que devem ser afastados de qualquer jeito para que o “desenvolvimento econômico” aconteça em nosso país."


Confira abaixo a nota na íntegra:

Presente de Natal

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da CPT se juntam aos povos indígenas, comunidades quilombolas, movimentos sociais do campo e a uma grande massa de brasileiros e brasileiras para expressar sua inconformidade e indignação em relação ao presente que lhes foi dado na antevéspera do Natal, pela presidenta da república Dilma Rousseff, com a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

Fazendo-se surda aos apelos que lhe foram feitos, a Presidenta manteve sua decisão, já há muito tempo anunciada, de nomear a senadora pelo Tocantins para este Ministério. Foi um sonoro tapa na cara em quem se empenhou para a sua reeleição, pois acreditavam que as posturas da presidenta no seu segundo mandato, diante dos movimentos do campo e indígenas, seriam diferentes.

Enganamo-nos todos.  A nomeação de Kátia Abreu é a sinalização clara e explícita de que para a Presidenta, neste novo mandato, os povos indígenas, as comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, os sem-terra em geral, continuarão a ser tratados como entraves que devem ser afastados de qualquer jeito para que o “desenvolvimento econômico” aconteça em nosso país.  

Como não entender assim, se a senadora junto com toda a bancada ruralista, sempre ferrenhamente se opôs ao reconhecimento dos territórios indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais; abertamente se mostra contrária aos movimentos que lutam pela conquista da terra; escancaradamente defende o agronegócio com seus monocultivos regados a agrotóxicos cada vez mais nocivos à saúde humana e do meio ambiente?

Os movimentos do campo que a apoiaram mereciam outra coisa. Podia até ser um ministro alinhado ao agronegócio, mas que não trouxesse em sua bagagem toda esta carga de confronto aberto, sobretudo em relação aos que, durante toda a história destes últimos cinco séculos, foram humilhados, esbulhados de seus territórios e de sua cultura. Nós da CPT, que há 40 anos caminha junto às mais diversas comunidades de camponeses e camponesas, de trabalhadores e trabalhadoras, milhares deles e delas submetidos às condições degradantes de trabalho análogo ao trabalho escravo, seguimos em frente. Faz escuro, mas eu canto, esse verso de Thiago de Mello que tomamos emprestado como lema de nosso IV Congresso, que vai se realizar em Porto Velho (RO) em julho de 2015, expressa bem o que vivemos e sentimos nesta hora.  Apesar de tudo temos esperança, pois a mudança em nosso país só poderá vir de baixo, da rebeldia de quem se nega a ser tratado simplesmente como estorvo e assume sua condição de cidadão construtor de sua dignidade e de seus direitos

Goiânia, natal de 2014.

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Plataformas 3D auxiliam no estudo de história antiga

Aplicativos do Laboratório de Arqueologia Romana Provincial da USP utilizam a realidade virtual para reconstruir a vida em Roma

Quem disse que as aulas de história antiga precisam ser monótonas e desinteressantes? Com um pouco de tecnologia, elas podem se tornar muito mais atraentes. Os dispositivos desenvolvidos pelo Larp (Laboratório de Arqueologia Romana Provincial) do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP são um exemplo disso. Utilizando tecnologia 3D, o aplicativo Roma 360 faz uma viagem pelo mapa da cidade no período de 360 d.C., apresentando uma reconstrução das estruturas urbanas da época. Ficou curioso para descobrir como era uma casa romana por dentro? O aplicativo Domus dá conta do recado.
“A ideia é fazer com que o professor e o aluno consigam explorar o mapa desse período, fazendo um paralelo com os dias de hoje”, explicou o idealizador Alex Martire, historiador e arqueólogo. Com o Roma 360, por exemplo, o usuário pode percorrer, de forma interativa, por edifícios públicos, religiosos e políticos da época, notando que existem semelhanças com as formas de organização das cidades atuais.

O primeiro aplicativo desenvolvido pelo Larp foi o Roma 360. O projeto teve ligação com o doutorado em cyberarqueologia, realizado por Martire com a orientação da professora Maria Isabel Fleming, coordenadora do laboratório. A intenção era unir os recursos digitais com a arqueologia.  Para isso, foram retiradas referências bibliográficas e imagéticas de fontes como o atlas histórico de Willian Shepherd, datado de 1923. A reconstrução da cidade foi desenvolvida com o apoio dos softwares Autodesk Maya, responsável pela modelagem dos objetos, e o Unity, que permitiu a interação do usuário e a rotatividade 360 graus pela plataforma.
O período de 360 d.C. foi escolhido pela proximidade com o fim do Império e a possibilidade de trabalhar com uma época mais recente. “Quanto mais antigo, mais difícil conseguir material e vestígios arqueológicos”,  contou Martire. Segundo ele, ao vivenciar esse período e ter a possibilidade de adentrar em um universo com recursos tridimensionais, os estudantes conseguem passar por uma experiência de aprendizado mais completa. “A realidade virtual fortalece o processo cognitivo dos alunos.”
Para o pesquisador, além dos recursos tecnológicos, outro fator que proporciona um ensino mais amplo é a possibilidade de trabalhar com dados levantados a partir da arqueologia, que vai muito além dos documentos escritos que são reproduzidos nos livros didáticos. “Os documentos costumam mostrar apenas a história dos vencedores. Por outro lado, a arqueologia consegue apresentar um panorama de como eram as organizações sociais e as cidades da época”, pontuou.
Conhecendo uma casa romana
Após desenvolver o Roma 360, a equipe do Larp começou a trabalhar na criação do Domus, outro aplicativo que utiliza recursos tridimensionais para aumentar o conhecimento sobre história antiga. Com uma interface semelhante à utilizada em games, o dispositivo permite que o usuário navegue pelo interior da casa de uma família da elite romana.

Passando por cômodos como a cozinha, o banheiro e o escritório, é possível interagir, manipular objetos e ler textos interativos que trazem uma explicação sobre os espaços visitados. Em cada quarto da casa é possível observar a decoração de um período artístico romano. No primeiro estilo arquitetônico, por exemplo, a decoração utiliza blocos ou painéis de pedras coloridas do século 2 a. C..
No aplicativo também é possível encontrar materiais de apoio com galerias de imagens, que mostram objetos reais encontrados em escavações arqueológicas, e textos de apoio para educadores, que apresentam conteúdos didáticos para auxiliar no entendimento de temas como religião e arquitetura.
Atualmente os dois aplicativos estão disponíveis gratuitamente na internet e podem ser baixados para acesso offline. A equipe do Larp está trabalhando no desenvolvimento de uma versão Android para ser utilizada em aparelhos móveis.

FONTE: Porvir

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Capitalismo criou ser humano adequado ao consumo", diz filósofa sobre burguesia


Ester Vaisman, organizadora de "Lukács: Estética e Ontologia", diz que manipulação do capital atravessa relações humanas, apoiando conservadorismo


O ano de 1848 marca, na Europa, a emergência de um novo sujeito histórico: a classe trabalhadora. A partir daí, o pensamento da direita, enraizado no capital, entra em declínio, no que é considerada a decadência ideológica burguesa. Essa é a análise de Ester Vaisman, professora de filosofia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Organizadora do livro Lukács: Estética e Ontologia, ela cita o filósofo húngaro György Lukács para exemplificar como o capital mostrou no decorrer dos últimos séculos “uma sobrevida, uma capacidade de autoperpetuação e reprodução inimagináveis”.

 

“A decadência ideológica se manifesta, primeiro, na afirmação de uma impotência do ser humano, não só de conhecer a realidade, mas de mudar e transformar o mundo. Portanto, qualquer ideia de libertação ou emancipação é considerada como uma utopia, ou uma recaída tardia às tendências socialistas, de constituição de um mundo onde todas as pessoas possam viver bem em todos os níveis, não só no material, mas também no cultural”, analisa. “O capital não é algo material. Pelo contrário, é uma relação social. Porém, ele ganha uma autonomia, como se tivesse uma vontade própria, construindo um ser humano adequado a ele. Portanto, o fato de um shopping center se tornar um lugar de lazer no fim de semana é um símbolo maior dessa alienação que se dá no nível do consumo. Logo, a alienação não se dá apenas na fábrica, na indústria: ela atinge a todos, mesmo os que não atuam, no chão de uma fábrica”, analisa.

Ao superar a concepção do capitalismo apenas na relação de trabalho, Vaisman argumenta que, atualmente, sofremos um processo de manipulação em um nível mais amplo, não só como consumidores, mas na família, nas relações de amizades e amorosas. Nesse cenário, o pensamento de direita se prolifera.

“A manipulação [do capital] é um processo que atravessa todas as relações humanas. Por isso, o pensamento de direita tem galvanizado tantas atenções e tem obtido tanto apoio ao redor do mundo. Com a derrota soviética no leste europeu, não se vê uma perspectiva à esquerda. E a única alternativa que está posta para muitas pessoas é ditadura, é a direita.  [...] O culpado é sempre o imigrante, o culpado é o ocidente, o islã. Sempre uma busca por um bode expiatório. É impressionante como essa faceta da história se repete”, conclui.

Serviço

Lukács: Estética e Ontologia
Editora: Alameda
Número de Páginas:376

FONTE: Opera Mundi

Teoría y práctica de la revolución

El tren alemán y el Teorema de la Revolución


Por Atilio Borón



Leo en Rebelión del 19 de Diciembre de 2014, que un conocido “Inspector de Revoluciones”, Guillermo Almeyra, acusa a Claudio Katz de haber incurrido en “un peligroso traspié histórico, político y teórico - explicable pero no justificable- por el contagioso ‘atilioboronismo’ que padece una parte de la izquierda y de los sectores académicos en Argentina.” [1] Ya Katz se encargará de refutar con su habitual rigurosidad las falacias contenidas en la nota de Almeyra. Concentraré en cambio mi atención en analizar el nuevo virus descubierto, seguramente que luego de sesudas investigaciones, por mi crítico.


Lo primero que quiero decir es que me causa gracia la importancia que le atribuye a mi modesta obra, capaz de “contagiar” a una parte de la izquierda y de la academia en la Argentina. Pese al empeño puesto en acrecentar el impacto (negativo) de mis ideas su apreciación guarda poca relación con la realidad. Me preocupa, eso sí, el uso de la palabra “contagio” para calificar la circulación de ideas. Es un término que usaban los jerarcas, ideólogos y publicistas de la dictadura cívico-militar argentina (y en general todos los regímenes fascistas de los años setentas) en su cruenta cruzada anticomunista. Me sorprende y me decepciona que un hombre de su larga experiencia política apele a esa palabreja para caracterizar la difusión que puedan alcanzar ciertas tesis y propuestas al interior del campo revolucionario. No entiendo las razones que llevaron a Almeyra a pensar de esa manera, pero no creo que valga la pena indagar sobre las raíces psicológicas de esta actitud.


Lo que sí quiero examinar, en cambio, es la concepción de la revolución que subyace en los diferentes escritos de Almeyra a lo largo de muchos años y que se manifiesta, de modo hiperbólico, en el texto objeto de este comentario. Pese a su adhesión al marxismo su teoría de la revolución nada tiene que ver con él. Es tributaria, en cambio, de una perspectiva “vulgohegeliana” que la concibe como una proyección de las ideas de algunos sujetos -a los cuales la verdad les ha sido revelada- sobre el devenir de la historia. Muy lejos se encuentra esta perspectiva de las tesis de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Mao, Fidel, el Che y tantos otros, que invariablemente concibieron a la revolución como un proceso histórico y, por eso mismo, surcado por contradicciones y conflictos que hoy aceleran su marcha, mañana lo detienen y que jamás sigue un curso linealmente ascendente hacia el cielo prístino de la sociedad comunista. Bajo el influjo de los vapores embriagantes del “vulgohegelianismo” la teoría presuntamente marxista de sus mentores se volatiliza hasta convertirse en un teorema, como los de la geometría, indiferente ante los avatares de la lucha de clases, con sus avances y retrocesos y sus siempre provisorios y cambiantes resultados; impasible también ante la asfixiante presencia del imperialismo, elementos ambos que si bien brillan por su ausencia en esta corriente teórica condicionan de modo decisivo el movimiento de la historia real. De acuerdo con este teorema la revolución deja de ser el desenlace de un largo proceso histórico para cristalizarse como una imperturbable esencia ontológica, a la que se arriba en virtud de la potencia creadora del silogismo. Primera premisa: el capitalismo es explotador, injusto, inhumano y predatorio; segunda premisa: los explotados y demás víctimas son conscientes de lo que se plantea en la premisa anterior y arden en deseos de cambiar el sistema; y luego un feliz e inexorable corolario: la epifanía de la revolución. La secuencia posee una coherencia lógica incuestionable, y si la revolución no estalla es debido a la maligna intervención de villanos, líderes o partidos, que sabotean -por cobardía o por mezquinos intereses subalternos- las infalibles leyes de movimiento establecidas en el teorema y que garantizan el feliz final del proceso.


Es debido a esta concepción metafísica de la revolución como el despliegue de una idea, como un vuelo libre de fricciones (o como un proceso mental, diría el joven Marx mirando de reojo a Hegel) que la ardorosa y sangrienta fragua de las revoluciones “realmente existentes” desencanta sin remedio a los cultores del teorema y los hace víctimas de una lamentable metamorfosis que requeriría de un nuevo Kafka para describir sus grotescos matices. Producto de esta sorprendente mutación los profetas de la “Revolución Teoremática” retroceden horrorizados sobre sus pasos ante la visión de una revolución concreta, de carne y hueso, de sangre y barro, con sus certezas y desaciertos, y rápidamente se convierten en inapelables censores y acérrimos enemigos de esos procesos que se desenvuelven en el mundo real. Alguien que jamás pretendió ser un “Inspector de la Revolución” sino un líder revolucionario dijo una vez que “una revolución verdadera, una revolución profunda, ‘popular’, según la expresión de Marx, es un proceso increíblemente complicado y doloroso de agonía de un régimen social caduco y de alumbramiento de un régimen social nuevo, de un nuevo modo de vida de decena de millones de personas. La revolución es la lucha de clases y la guerra civil más enconadas, más furiosas, más encarnizadas. En la historia no ha habido ni una sola gran revolución sin guerra civil.” [2] En ese mismo texto, escrito en vísperas de la revolución de Octubre, Lenin critica a quienes aceptarían “la revolución social si la historia nos llevase a ella de una manera tan pacífica, tan serena, tan suave y cuidadosa como un tren expreso alemán llega al andén de una estación. El mozo de tren, muy digno, va abriendo las portezuelas del coche y exclama ‘Estación Revolución Social. Todo el mundo debe apearse’.” [3] Pero las revoluciones reales no son así, no son un tren alemán. Las clases sociales existen, la lucha de clases es una realidad, tanto como el imperialismo y sus infinitos tentáculos. Es en este ambiente “increíblemente complicado” en que las revoluciones se desenvuelven, desafiando y desmintiendo la pulcritud de los teoremas políticos pergeñados desde la apacible soledad del pensamiento.


Tal como lo analizáramos en detalle en un trabajo de más largo aliento, existe en el imaginario de una cierta izquierda la idea de que la revolución es un “acto”, emblematizado en la conquista violenta del poder político y perdiendo de vista el proceso -prolongado, complejo, lleno de marchas y contramarchas- que conduce a la victoria.[4] En el célebre discurso pronunciado por Fidel en la Universidad de Concepción, durante su visita a Chile a fines de 1971, decía que “la revolución tiene distintas fases. Nuestro programa de lucha contra Batista no era un programa socialista ni podía ser un programa socialista, realmente, porque los objetivos inmediatos de nuestra lucha no eran todavía, ni podían ser, objetivos socialistas. Estos habrían rebasado el nivel de conciencia política de la sociedad cubana en aquella fase; habrían rebasado el nivel de las posibilidades de nuestro pueblo en aquella fase. Nuestro programa, cuando el Moncada, no era un programa socialista. Pero era el máximo de programa social y revolucionario que en aquel momento nuestro pueblo podía plantearse.” [5]


De lo anterior quisiéramos llamar la atención sobre dos cuestiones: primero, que la revolución no es un acto súbito y único que desciende desde los cielos para incendiar la pradera popular, para usar una metáfora cara al joven Marx. Se trata de un proceso, que, recordaba Fidel, “tiene fases” signadas por avances y retrocesos, lo que hace saltar por los aires los teoremas que la conciben como un acontecimiento sencillo, “químicamente puro”, incontaminado por las circunstancias históricas concretas que la tornan posible. [6] Por eso Lenin siempre aconsejaba a los revolucionarios que estuvieran muy atentos para descifrar los signos premonitorios de un posible comienzo de una revolución, que casi invariablemente se pone en marcha a partir de circunstancias a primera vista carentes de significación “histórico-universal”, para aludir al Hegel verdadero. Un tumulto por el aumento del precio del pan en un barrio parisino desencadena una serie de procesos que culmina en la gran Revolución Francesa; la represión de una pacífica marcha obrera organizada por el cura Gapón en Enero del 1905 en San Petersburgo termina en el llamado “Domingo Sangriento” y el comienzo de una serie de reformas políticas que madurarían doce años después con el derrocamiento del zarismo; un desembarco –un naufragio, diría con sorna el Che- en las costas de Cuba de un grupo de guerrilleros a bordo del Granma da comienzo a la guerrilla de Sierra Maestra y años más tarde a la instauración del socialismo en Cuba. Estos ejemplos bastan para persuadirnos de que la marcha de la revolución es más trabada e incierta de lo que ansían los “vulgohegelianos”, lo que provoca su impaciencia primero, su ira después y finalmente su irreconciliable oposición, para beneplácito de la derecha y el imperialismo. Segundo, que el nivel de conciencia política de las masas y sus posibilidades reales de lucha no son atributos fijos, deducibles lógicamente de las contradicciones del modo de producción capitalista, sino resultados contingentes que reflejan el grado de organización del campo popular, el desarrollo de la conciencia revolucionaria y la eficacia de la estrategia y tácticas empleadas por los partidos y las organizaciones populares de izquierda para acumular fuerza política y capacidad de movilización. Ergo, son productos históricos y no abstracciones silogísticas que pueden asumirse como existentes a partir de supuestos apriorísticos.


Para resumir: los cultores del Teorema de la Revolución padecen de una pertinaz miopía para tomar nota de la lucha de clases en su convulsionada concreción y de una incurable ceguera para percibir -¡ni digamos explicar!- el fenómeno del imperialismo y su profunda, insoslayable, inserción en la dinámica económica, social y política de los países de Nuestra América. Esto hace que estos modernos Torquemadas descarguen toda su furia contra las revoluciones, pasadas y presentes, que en sus recorridos y en sus desempeños no guardan relación alguna con lo que ellos imaginaran. Eso termina convirtiéndolos en implacables enemigos de la revoluciones en Rusia, China, Vietnam, Cuba, Nicaragua y, más tarde, de los procesos revolucionarios en curso en Bolivia, Ecuador y Venezuela, llevando agua al molino de la reacción y el imperialismo que por supuesto aprovechan de sus servicios para escarnecer y atacar, desde posturas supuestamente de izquierda, a quienes tratan de crear un mundo mejor. Mientras tanto, a los Inspectores se les escapa la vida en interminables elucubraciones sobre la coherencia lógica de sus silogismos políticos, lo que origina toda suerte de reyertas doctrinarias y polémicas interpretativas que precipitan un torrente interminable de cismas y fraccionamientos en partidos, sindicatos y todo tipo organizaciones, todos causadas, en última instancia, por la rebeldía de la historia que no se ajusta a sus especulaciones pseudorevolucionarias. Su absoluta esterilidad en la producción de acontecimientos históricos y su espectacular inasistencia en todos los procesos revolucionarios desde 1917 hasta la fecha no es óbice -a causa de la soberbia intelectual que suele acompañar quienes cultivan esta clase de pensamientos- para sentirse con autoridad moral y política para “enseñarles” a hacer la revolución a quienes la están haciendo, la hicieron o intentaron hacerla. Pero las revoluciones reales, no las imaginadas, nada tienen que ver con aquel tren expreso alemán que marcha sobre rieles, no encuentra obstáculos en su trayectoria y la llegada a destino se cumple tal cual estaba cronometrado. No hay rieles, los obstáculos son interminables y la llegada a destino está signada por la incertidumbre y la indeterminación. Es en las revoluciones donde se corrobora la verdad de aquella afirmación de Marx que decía que la violencia era la partera de la historia. Violencia, porque tanto las clases dominantes como el imperialismo jamás van a aceptar de brazos cruzados que los “condenados de la tierra” pretendan cambiar el orden social y como lo prueba hasta la saciedad el registro histórico –especialmente en América Latina- apelarán a todos los métodos posibles, por más crueles y criminales que sean, para asegurar la defensa de sus intereses y la preservación de sus privilegios. Pero quienes viven apresados en las brumas del “vulgohegelianismo” creen que sí, que la revolución es como ese viaje en un tren alemán y que si ellas no son como fueron imaginadas es por la traición del maquinista. Por su “doctrinarismo pedante”, como lo llamaba Antonio Gramsci, creen que desde el Olimpo en el que habitan pueden darles lecciones de revolución a Fidel y a Raúl; al Che y a Chávez; a Lenin y a Ho Chi Minh; a Mao y a Lumumba; a Evo y a Correa; a los sandinistas y a Allende, y lo que los habilita también para erigirse en sus inapelables inquisidores. En su tiempo tanto Marx como Engels tuvieron que vérselas con esta clase de revolucionarios. El segundo les ofreció varios consejos, entre ellos uno muy importante: “no conviertan su impaciencia en un argumento teórico.” Nunca lo escucharon. Almeyra tampoco.



Notas

[1] Ver sus “Notas a la¨"Epopeya Cubana" de Claudio Katz” en Rebelión, 19 Diciembre 2014, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=193372
[2] V. I. Lenin, “Se sostendrán los bolcheviques en el poder”, en Obras Escogidas en Doce Tomos (Moscú: Editorial Progreso, 1973), Tomo VII, pg. 128-129. La referencia a Marx se encuentra en su Carta a Ludwig Kugelman, del 2 de Abril de 1871.
[3] Ibid . Pg. 130.
[4] Ver nuestro largo ensayo introductorio titulado “Rosa Luxemburgo y la crítica al reformismo socialdemócrata” en la nueva edición de Rosa Luxemburgo, ¿Reforma Social o Revolución? (Buenos Aires: Ediciones Luxemburg, 2010), pp. 9-90.
[5] Cf. Fidel en Chile (Santiago: Editorial Quimantú, 1972), pg. 89.
[6] Una incisiva reflexión actual sobre la dinámica de las revoluciones la ofrece la obra de Álvaro García Linera en Las tensiones creativas de la revolución. La quinta fase del proceso de cambio en Bolivia (Buenos Aires: Ediciones Luxemburg, 2012)  


FUENTE: Atilio Boron

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domingo, 28 de dezembro de 2014

O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas


Michel RauscherO cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas é um pintor francês, autodidata, nascido em Alsace.
Grande viajante, ele leva sua infinita curiosidade para as regiões que o fascinavam. Lá ele busca cor, luz e autenticidade. Como mostram as imagens abaixo, sua predileção para o continente Africano.
Os poemas que intercalam as obras foram selecionados por Nara Rúbia Ribeiro e representam a voz da poesia feminina africana.

O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Éramos tu e eu
Éramos eu e tu
Dentro de mim
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos.
Mãos agarradas
Pulsos acariciados
Um afago nas faces.
Éramos tu e eu
Dentro de nós
Suores inundavam os olhos
Alagavam lençóis
Corriam para o mar.
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga.
Éramos tu e eu
Dentro de nós.
As contracções cada vez mais rápidas
O descontrolo
A emoção
A ciência atenta
O oxigénio
A mão amiga
De repente a grande urgência
A Hora
A Violência
Éramos nós libertando-nos de nós.
É nossa a dor.
São nossos o sangue e as águas
O grito é nosso
A vida é tua
O filho é meu.
Os lábios esquecem o riso
Os olhos a luz
O corpo a dor.
A exaustão total
O correr do pano
O fim do parto.
Dina Salústio
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Infelizmente jamais
No instintivo temor das ruas
Maria hesitava nos passeios
até não pressentir
o mais fugaz
presságio.
Contorno de sombra
à berma de uma além –asfalto
fatal presságio da rua
infelizmente já não
a intimida.
Cumprido o funesto prenúncio
já atravessava uma avenida
infortunadamente já nenhum risco
intimida o espírito
de Maria.
Doentiamente eu amaria ver
Maria ainda amedrontada
e nunca como depois
em que já nada a intimida.
Noémia de Sousa
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro…
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda…
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus…
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada…
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor…
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora…
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua…
Alda Lara
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Adorno
Toda a noite chorei na casa velha
Provei, da terra, as veias finas,
Um nome um nome a causa das coisas
Eu terra eu árvore eu sinto
todas as veias da terra
em mim e
o doce silêncio da noite.
Ana Paula Tavares
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Meu Moçambique
Minha África suburbana.
Eu sei-me Moçambique,
cisterna no pecúlio dos deuses.
Um Zambeze inteiro escala a língua
escorre-me pelas pernas
ramifica nos canhoneiros,
laça os peixes inquietos nas sementes
engolfa-se nos mpipis bêbados nas timbilas.
Eu sei-me Moçambique,
no cume das árvores, na sede incontinente
da minha falange, do Rovuma ao Incomati,
no xigubo terrestre dos pés descalços
e em todos os tambores que surdem
das mãos coloridas nos braços em chaga.
Tânia Tomé
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Minha casa, minha Africa
Lembra-me Africa
O sol escaldante queimando a pele negra dos homens nos campos
O rosto reluzente das crianças, a cada sorriso branco refletido no olhar delas, correndo pela imensidão do mundo lançado papagaios(pipa)
Lembra-me Africa
Aquelas mulheres lavrando a terra, com os seus filhos atados ao colo
Elas buscando agua a milhas de distancia
Lembra-me Africa
As historias contadas pelos avos a volta da fogueira, ao cair da noite
As danças rítmicas ao som do tambor, corpos suados, espíritos dançantes no centro da roda
Lembra-me África
Aquele o chilrear dos pardais, o roncar dos galos, a morte do milho no pilao ao beijar da alvorada
Lembra-me África
Aqueles mistos, negros, albinos, brancos, num abraco fraterno de manter a união
Bebendo água ardente para estreitar suas relações diplomáticas
Lembra-me Africa
A unica casa de onde as raízes permanecerão vivas no sangue
Hera de Jesus
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Construção Horizontal
Na tangente horizontal do olhar escrevo a matéria
num ápice desdobro o silêncio das coisas
e sem me levantar no tempo
moldo os cometas.
Hirondina Joshua
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Motivo
Tudo o que vês
não é nada:
ou uma nuvem
ou uma palavra.
Tudo o que ouves
nada mais é:
o vento é lesto
e corre breve.
O que não vês
nem sabes mesmo
é que importava
se houvesse tempo.
Glória de Sant’Anna
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
NOVEMBER WITHOUT WATER
Olha-me p´ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes de lixo.
Olha-me estas crianças
transporte
animais de cargas sobre os dias
percorrendo a cidade até os bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.
*
Chegas
eu digo sede as mãos
fico
bebendo do ar que respiras
a brevidade
assim as águas
a espera
o cansaço.
Ana Paula Tavares
O cotidiano da África na pintura de Michel Rauscher e na voz de poetisas africanas
Michel Rauscher
Seleção de imagens Josie Conti.
+ Michel Rauscher- página oficial
FONTE: CONTI outra 

Assista o filme "Rosa Luxemburgo"




“Friedrich Engels y la teoría marxista de la política”

Por Atilio Borón


La ortodoxia “anti-engelsiana”

El centenario de la muerte de Friedrich Engels ofrece una oportunidad inmejorable para re-examinar y reivindicar la figura y los legados teóricos de quien fuera el alter ego intelectual y político de Karl Marx durante cuarenta años. Reexamen y reivindicación que no pueden hacerse en términos puramente conceptuales, como si se tratara de la obra de un geómetra como Euclides a un siglo de su muerte, sino que deben ser hechos a la luz de lo efectivamente acontecido en el siglo que concluye, es decir, teniendo como telón de fondo el marco ofrecido por el desenvolvimiento histórico de las sociedades capitalistas en sus transformaciones y en sus luchas sociales. Un siglo especial, cuya “densidad” se proyecta en el doloroso tránsito que va desde las iniciales revoluciones mexicana y rusa, la revolución china al promediar el siglo, la descolonización de la India y de Asia y África, la revolución cubana, la derrota norteamericana en Vietnam y el ignominioso “cierre” que le pone la contrarrevolución neoliberal de los años ochenta y noventa en cualquiera de sus variantes, desde los originales forjados por Ronald Reagan y Margaret Thatcher hasta la vergonzante copia representada por la “tercera vía” de Tony Blair y Gerhardt Schröeder y la gaseosa y anodina “centroizquierda” latinoamericana. La ventajosa perspectiva que ofrece la culminación de un siglo tan “marxista” como el actual, según viéramos en el capítulo anterior, crea el ámbito propicio para intentar una evaluación objetiva del legado teórico de Friedrich Engels.

Claro está que de partida es fundamental es tablecer algunos deslindes y precisiones sustantivas. Engels fue un intelectual cuya amplitud de conocimientos e intereses abarcaba desde la filosofía y la historia hasta la antropología y la sociología, pasando por la política y la economía (Mayer, 1978). Va de suyo que en estas páginas ni se nos ocurriría emprender una tarea de semejantes dimensiones, que intentara extraer un balance de las aportaciones de Engels en cada uno de esos campos. El eje de nuestra preocupación, por eso mismo, se encuentra en el terreno de la teoría política. Las contribuciones efectuadas por Engels en otros campos, muchas de ellas polémicas, no serán tema de indagación en nuestro trabajo.

Difícilmente podría exagerarse la importancia que para el desarrollo de la teoría marxista de la política adquiere la concreción de la tan largamente demorada “reparación teórica” de Engels. Como sabemos, éste fue menoscabado y escarnecido desde las más distintas posturas político-intelectuales. En el repudio a Engels coinciden arrogantes “marxólogos”, rencorosos “ex marxistas”, pensadores burgueses de los más diversos colores y los supremos inquisidores que –en una flagrante violación al espíritu y la letra de la obra de Marx y Lenin– pergeñaron el reseco e indigesto “marxismo-leninismo” que tanto perjudicara el desarrollo teórico del marxismo. “Marxólogos” y renegados concuerdan en sus acusaciones: Engels habría sido apenas un mediocre “divulgador” de la obra teórica de Marx, a la que simplificó y distorsionó al popularizarla en clave positivista y evolucionista debido a su radical ineptitud para comprender la dialéctica y para captar las  profundidades del pensamiento marxiano. En cierta historiografía de inspiración liberal, por su parte, Engels aparece como poco más que un bondadoso mecenas del iracundo filósofo de Tréveris, pero insanablemente huérfano de ideas propias. Por último, para los burócratas de las academias de ciencias de los “socialismos” del Este el destino de Engels estuvo sellado desde el vamos: la desaparición. Su legado teórico no podía correr una suerte distinta de la que le cupo a aquella inquietante imagen de Trotsky junto a Lenin, plasmada en una indiscreta fotografía tomada en los fragores de Octubre. Los diligentes cortesanos del poder retocaron oportunamente la fotografía para, con la “desaparición” de Trotsky, facilitar el ascenso de Stalin al poder absoluto. De este modo, el nombre de Engels se desvaneció en la larga noche del dogmatismo.