quinta-feira, 24 de março de 2022

Entrevista de Anita Prestes ao Programa Faixa Livre

 Na véspera do centenário do PCB, Anita Prestes defende autocrítica

A presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes (www.ilcp.org.br) e professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Anita Prestes exaltou os 100 anos do Partido Comunista Brasileiro, celebrados na próxima sexta-feira (25), destacou os principais momentos da história do Partidão, o papel do PCB na atualidade, realçou a importância do seu pai, Luiz Carlos Prestes, nesta trajetória e defendeu um balanço autocrítico sobre a atuação política da legenda.

Ouça a entrevista de Anita Prestes ao Programa Faixa Livre, clicando no link abaixo:

http://www.programafaixalivre.com.br/noticias/na-vespera-do-centenario-do-pcb-anita-prestes-defende-autocritica/?fbclid=IwAR0OPGR49LsMBVuoP3NpvdGnjz2SgO7xm6IJ9u5VUoqPKWkkACaCgCMBxTc




sábado, 19 de março de 2022

domingo, 6 de março de 2022

A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA, AS LUTAS DE CLASSE E A EDUCAÇÃO ESCOLAR *

Texto interessante de Dermeval Saviani para contribuir nos debates e no aprofundamento  teórico, que se disponham a possibilitar  uma melhor compreensão da educação e da sociedade e contribuir para a superação do atual estado de coisas e da  educação,  bem  como produzir uma  nova  humanidade,  uma  humanidade  efetivamente  emancipada  e humana. 

Como nos aponta Saviani na conclusão do texto: 

Na  luta  dos  trabalhadores  cumpre  ampliar  o  máximo  possível  o  espectro  de  abrangência  das forças  sociais  mirando-nos,  porém,  no  exemplo  dos  clássicos  do  marxismo  (Marx,  Engels,  Lênin, Gramsci)  que procuraram  sempre  mover-se  no  âmbito  de  dois  princípios:  1)  a  diferenciação  entre  a perspectiva proletária e aquela dos burgueses e pequeno-burgueses progressistas; e 2) a firme união entre as forças que buscam expressar e fazer avançar a luta dos trabalhadores.

O advento da presente crise estruturaldo capitalismo, que irrompe exatamente quando o capital estende seu domínio sobre todo o planeta, coloca a exigência de sua superação abrindo uma nova era que podemos denominar  de transição  ao  socialismo. Nessa nova era torna-se necessário  que os movimentos sociais  populares  ascendam  à  condição  de  movimento  revolucionário,  realizando  a  passagem  das  lutas conjunturais à luta unificada da classe trabalhadora pela transformação estrutural da sociedade.

Nesse  processo,a  educação  desempenha  papel  estratégico  e  indispensável  porque,  se  a  crise estrutural  propicia  as  condições  objetivas  favoráveis  à  transição,  para  operar  nessas  condições  não deixando escapar a oportunidade histórica de transformação estrutural, impõe-se preencher as condições subjetivas  que  implicam  uma  aguda  consciência  da  situação,  uma  adequada  fundamentação  teórica  que permita uma ação  coerente e uma satisfatória instrumentalização  técnica que possibilite uma ação  eficaz. Ora, é exatamente esse o âmbito de incidência do trabalho educativo que, consequentemente, deverá estar ancorado  numa  sólida  teoria  pedagógica  que  elabore  e  sistematize  os  elementos  garantidores  dos  três aspectos    mencionados:    aguda    consciênciada    realidade,    fundamentação    teórica    coerente    e instrumentalização técnica eficaz.

Enfim,  no  que  se  refere  ao  tema  específico  desta  conferência, Pedagogia  histórico-crítica,  luta  de classes  e  educação  escolar,  podemos  concluir  quea  pedagogia  histórico-crítica  vem  sendo  construída  como umateoria pedagógica empenhada em elaborar as condições de organização e desenvolvimento da prática educativa escolarcomo um instrumento potencializador da luta da classe trabalhadora pela transformação estrutural  da  sociedade  atual.  Dizendo  de  outra  maneira:  o  que  a  pedagogia  histórico-crítica  se  propõe  é articular a educação escolar com a luta da classe trabalhadora pela superação do capitalismo e implantação do socialismo.


Link do texto completo:

 https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/9697/7085

Palavras-chave: pedagogia histórico-crítica, violência e filosofia, luta de classes e educação escolar.

Resumo

Após introduzir a abordagem da relação entre educação e luta de classes na sociedade atual, este artigo trata do significado do conceito de violência evidenciando a condição atual de um mundo regido pela violência que encontra justificativa no fascismo, definido como metafísica da violência. Em seguida aborda o problema da erradicação da violência na práxis social nas perspectivas do personalismo cristão (metafísica da não-violência), do existencialismo (concepção subjetiva da violência) e do marxismo (concepção objetiva da violência e da não-violência). Com base nessas análises explicita, na conclusão, a relação entre luta de classes e educação escolar na perspectiva histórico-crítica.


* O texto Pedagogia  histórico-crítica,  luta  de classes  e  educação  escolar foi a Conferência da Abertura da XI Jornada do HISTEDBR. Cascavel, 23 de outubro de 2013. Publicado em Germinal: Marxismo e Educação em Debate (v. 5, n. 2, p. 25-46, dez. 2013). Mais recentemente, publicado como o quinto texto do livro Conhecimento Escolar e Luta de Classes: a Pedagogia Histórico-Crítica Contra a Bárbarie, dos autores Dermeval Saviani e Newton Duarte (Autores Associados, 2021).


“O livro de Dermeval Saviani e Newton Duarte expressa a concepção de conhecimento escolar mais avançada que interessa à classe trabalhadora na luta contra a barbárie e a desumanização, que negam ou anulam direitos universais básicos, e, portanto, interessa na luta pela superação do sistema capitalista que estruturalmente as produziu. Um livro certamente indispensável na formação de professores nas licenciaturas das universidades e dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, mas não só. Indispensável na formação de quadros dos movimentos sociais e culturais da classe trabalhadora do campo e da cidade, na formação sindical e dos partidos políticos. Os quinze capítulos podem ser discutidos em conjunto num curso ou separadamente, em seminários, pois cada um trata de aspectos que incidem sobre o conhecimento que interessa na luta de classe. No fim da apresentação, os autores indicam que o caminho proposto pela pedagogia histórico-crítica implica decidir-se entre a escolha de 'se submeter ao ilusoriamente mais cômodo jugo da ignorância ou assumir os riscos da busca de conhecimento sobre o mundo, a vida e sobre si mesmo'. Trata-se de uma proposta a ser construída coletivamente pari passu com a luta de classe nos pequenos e grandes desafios. A Comuna de Paris, 150 anos depois, não foi e não será em vão!” [trecho do Prefácio, redigido por Gaudêncio Frigotto]

sábado, 5 de março de 2022

Coleção raríssima: Obras Completas de Lênin (55 volumes)

Em 1981, a Editora Progresso (soviética) iniciou a publicação da mais ampla compilação das Obras Completas de Lênin - são 55 volumes, reunindo todos os livros, folhetos, artigos, rascunhos e esboços, cartas escritas por Lênin. A edição é muito bem cuidada, com muitíssimas notas explicativas e biografias de personagens citados. 

LINK para download dos 55 volumes: https://archive.org/details/@gianferdinand?and[]=subject%3A%22obras+completas%22 (clique sobre cada volume e escolha sempre PDF, à direita, abaixo)  scan de boa qualidade.

FONTE: blog Universidade Popular






quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Centenário do PCB: Luiz Carlos Prestes, Antonio Gramsci e José Carlos Mariátegui – a construção do partido comunista

 Artigo de Anita Prestes no blog da Boitempo

“Ao apreciar as ideias desenvolvidas por três lideranças revolucionárias, Luiz Carlos Prestes, Antonio Gramsci e José Carlos Mariátegui, que viveram e atuaram no século XX empenhadas na criação de um partido revolucionário destinado a dirigir a luta dos trabalhadores pelo socialismo e o comunismo, podemos observar significativas coincidências. Trata-se de ideias que talvez valha a pena levar em consideração por quem busca hoje novos caminhos para a revolução socialista em nosso país.”


Anita Leocadia Prestes no Blog da Boitempo, confira clicando no link abaixo:

https://blogdaboitempo.com.br/2022/02/22/centenario-do-pcb-luiz-carlos-prestes-antonio-gramsci-e-jose-carlos-mariategui-a-construcao-do-partido-comunista/




domingo, 20 de fevereiro de 2022

O Circo (1936) - Filme Soviético - Legendado, colorido e em qualidade 4K







Descrição por ComunaFlix

O Circo é um filme feito pela União Soviética em 1936 durante o governo de Josef Stalin (inclusive é seu filme preferido!) e a promugação da nova constituição, a primeira constituição anti-racista do mundo, por isso esse filme é tão especial.

O filme é uma crítica ao racismo dos EUA e Alemanha daquela época, onde os EUA eram regidos por um "regime de segregação racial" e a Alemanha pelo Nazismo.

Vale lembrar que o Nazismo só acabou na Alemanha quando os comunistas soviéticos tomaram Berlim e implementaram a "Desnazificação". Já o regime de segregação racial só "acabou" nos EUA por volta de 1970, mas nós conhecemos bem o racismo institucional dos EUA, Black Lives Matter que o diga. MAS a União Soviética em 1936 não era simplesmente "não racista", ela já era ANTI-RACISTA!

SINÓPSE: Nossa heroína é Marion Dixon, uma famosa atriz branca estadunidense. Seu número mais famoso é o "Flight to the Moon" (Voando para a Lua), a qual ela é atirada de dentro de um canhão. A carreira de Marion ia bem, até que ela teve um filho com um homem preto. De acordo com o críterio estadunidense "no blood drop" (nem uma gota de sangue), todo filho (ou neto, bisneto, etc.) de preto é considerado preto. Logo Marion estava infringindo o regime de segregação racial dos EUA misturando "raças". Então eles soltaram um notícia no jornal contando que ela teve um filho com um preto e a população perseguiu ela e seu filho, que por um milagre conseguiram fugir em um trem, sem maiores ferimentos. O filme não conta o que aconteceu com seu parceiro, mas fica subintendido que ele foi morto. Marion então encontra um empresário dentro do trem, onde ela pede ele para cuidadar dela e seu filho, e guardar seu "segredo" (que ela tem um filho preto). O empresário então os leva para fazer uma turnê mundial, começando pela União Soviética. Mas o que Marion não esperava é que ele iria usar seu "segredo" para chantagear ela. O resto da história vocês ficam sabendo vendo o filme.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

[Pré-venda] Antonio Gramsci: escritos escolhidos (1915-1920)

Seleção, tradução e introdução de Anita Helena Schlesener e Ana Paula Schlesener

Ano de lançamento: 2022

Editora Lutas Anticapital

Link para adquirir o livro em pré-venda: 

https://lutasanticapital.com.br/products/antonio-gramsci-escritos-escolhidos


Os escritos escolhidos para a tradução, a partir da vasta produção gramsciana efetuada entre 1915 e 1920, foram selecionados a partir de interesses específicos, como o breve reconhecimento do contexto histórico e os objetivos de Gramsci com a formação política e cultural da classe trabalhadora. Neles podemos identificar uma metodologia educativa na repetição do argumento, na crítica sarcástica e irônica aos intelectuais da época, na articulação entre teoria e prática.

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Este livro apresenta um pequeno esboço do que foi a experiência de um novo jornalismo que visava a um esforço contínuo de formação da classe operária, num processo de autoeducação que se constrói na organização política e na valorização dos meios associativos que permitam lançar as bases de um movimento revolucionário.



Sumário

Introdução

Características do Estado Italiano

 Armênia  

A máscara e o rosto  

Labirinto  

Caráter italiano  

Para esclarecer as ideias sobre reformismo burguês  

A política do “Se”  

O regime dos paxás  

A derrota  

Um Programa de Governo  

Giolitti no poder  

O Estado Italiano  


A Censura

A divina língua  

Rabiscos  

O Progresso no Índice de Ruas da Cidade  

A censura (4)  

Sua Majestade, a Segurança Pública  

Se questiona a censura  

A censura  

Consciência censora  

Verboten! (Proibido!)  

A reação italiana  


A Liberdade

 Ano Novo  

Pietro Gavosto  

A senha da liberdade  

Individualismo e coletivismo  

A liberdade de divertir-se  

O critério da liberdade  

A sua herança  


Organização Política

 A Indiferença  

A História  

A ideia territorial  

Três princípios, três ordens  

O relojoeiro  

Uma verdade que parece um paradoxo 

Filantropia, boa vontade e organização  

Elogio da cor vermelha  

A passividade  

A Comuna  


A Revolução Russa

Notas sobre a Revolução Russa  

A revolução contra o “Capital”  

Constituinte e Soviet  

Um ano de história 

Para conhecer a Revolução Russa  

A educação política na Rússia 

A medida da história  


Educação e Cultura

 A luz que se apagou  

A escola do trabalho  

A escola e a oficina  

Simplesmente  

Os jornais e os operários

A máscara que cai  

A Universidade Popular  

Cadáveres e Idiotas 

A primeira pedra  

A escola e o jardim  

O problema da escola (no contexto de uma política socialista) 

Crônicas de L’ordine Nuovo  


Referências

Sobre as autoras e tradutoras

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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Olga Benario Prestes (1908-1942): 114 anos do nascimento de uma comunista revolucionária convicta e de uma lutadora contra o fascismo

“Acima de tudo ela foi uma comunista convicta e abnegada, disposta a dar a própria vida pela causa da revolução, que abraçara desde muito jovem” (Anita Leocadia Prestes, filha de Olga com Luiz Carlos Prestes)



À memória de uma revolucionária e ao compromisso de sermos dignos de sua memória, o Blog Prestes A Ressurgir reune abaixo uma série de links com postagens do mesmo  relacionados com a nossa homenageada. Confira abaixo:

Olga Benário: a história da uma militante comunista - podcast com Anita Prestes

Revolucionária, sem perder a ternura

A entrega de Olga Prestes [Por Graciliano Ramos]

Olga Benario Prestes e a "questão democrática" [Artigo da historiadora Anita Leocadia Prestes na nova edição da revista "Germinal: Marxismo e Educação em Debate" (v. 12, n. 1, 2020), dedicada às contribuições das mulheres ao marxismo.]

Filha de Prestes emociona-se ao ler a carta de sua mãe Olga Benario

Escrito pela filha, livro traz carta inédita em que Olga revela gravidez a Prestes

Olga Benário Prestes: A alemã que lutou contra o fascismo, até a morte

30 fatos sobre a vida de Olga Benario Prestes por ocasião dos 110 anos do seu nascimento

HOMENAGEM À OLGA BENARIO PRESTES, MINHA MÃE. (Por ocasião do 80º aniversário da sua extradição para a Alemanha nazista)

O que se sabe de novo sobre a história de Olga Benario Prestes




"Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei" (Olga Benario Prestes) [Texto de Fernando Morais para a orelha do livro “Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo” (Boitempo Editorial, 2017)




Visite o site do Instituto Luiz Carlos Prestes e saiba mais sobre Olga:




domingo, 6 de fevereiro de 2022

Camilo Cienfuegos, presente!!! Num dia como hoje, completaria 90 anos.

Neste 6 de fevereiro de 2022 marca o 90º aniversário do nascimento de Camilo Cienfuegos (1932-1959), um dos pilares da Revolução Cubana gestada na Sierra Maestra.



#CamiloCienfuegos90


O Comandante Camilo Cienfuegos caminha em direção à concentração popular onde fará seu último discurso em Havana, em 26 de outubro de 1959. Foto: Fundos do Instituto de História de Cuba/Cubadebate.






Último discurso do Comandante Camilo Cienfuegos, em 26 de outubro de 1959. Foto: Fundos do Instituto de História de Cuba/Cubadebate.



Conferência de imprensa do Comandante Camilo Cienfuegos em Ciudad Libertad, em 24 de setembro de 1959. Foto: Fundos do Instituto de História de Cuba/Cubadebate.


Camilo Cienfuegos: La imagen del pueblo

El homenaje que hiciera el programa televisivo Mesa Redonda (28/10/2020) al Héroe de Yaguajay, a partir de testimonios y grabaciones inéditas, atesoradas por el Instituto de Historia de Cuba. 



sábado, 5 de fevereiro de 2022

Eu fui Gregório Bezerra



Anita Prestes, Roberto Arrais, Jones Manoel e Diego Miranda em podcast da Revolushow sobre a vida e militância do comunista Gregório Bezerra (1900-1983).

LINK do Podcast:

https://open.spotify.com/episode/0GUy57DnQQ8urpyPXY36mm?si=rOK2NcR0SPaYXZ-ivg-QCg&utm_source=whatsapp&nd=1


Leia no link abaixo o texto "Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil", escrito pela historiadora Anita Prestes como apresentação do livro Memórias (Boitempo, 2011), autobiografia do revolucionário comunista Gregório Bezerra.

http://prestesaressurgir.blogspot.com/2011/07/gregorio-bezerra-personificou-os.html


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Julio Antonio Mella, ou o perfil do jovem comunista

A existência de Mella deixa para o presente a certeza de que a juventude não é o futuro de um país, mas seu presente; e para as fileiras comunistas, o exemplo de militar e ao mesmo tempo criar e de defesa das ideias com coragem, beleza e ímpeto

Foto tirada de cubahora.cu/




Por Yeilén Delgado Calvo | internet@granma.cu  | janeiro 10, 2022 07:01:02


Era no México. Ele estava caminhando ao lado de Tina Modotti, a fotógrafa revolucionária a quem estava unido por uma paixão flamejante. As balas, não menos inesperadas, perfuraram o corpo de um homem forte e belo, com uma juventude sem objeções de 25 anos.


Julio Antonio Mella desmaiou, nascido sob o nome de Nicanor Mac Partland. Mella caiu e, diante da dor e da fraqueza, não disse à Tina o adeus de que talvez ela precisasse. Ele escolheu uma frase de denúncia, ao mesmo tempo em que um testamento político: «Eu morro pela Revolução».


Esta passagem de 10 de janeiro de 1929 tem, como toda a vida de Julio Antonio Mella, substância para o mito; mas limitar-se ao choque da anedota seria ignorar o fato de que os assassinos enviados pelo ditador Machado cortaram — nas palavras de Fidel — «aquele talento extraordinário, aquela vida frutífera».


"Os funerais de Julio Antonio Mella", El Universal Ilustrado, 17 de janeiro de 1929, p. 15. Foto tirada de eluniversal.com.mx/



Mella (cuja vida foi «tão breve, tão dinâmica, tão combativa») representa uma daquelas gerações cujo sacrifício levou ao projeto nacional que germinou em 1959.


O Comandante-em-chefe, em um de seus discursos, referindo-se à figura do «extraordinário combatente revolucionário», disse: «Um dia você disse que depois da morte somos úteis, porque servimos como bandeira. E assim tem sido! Você sempre foi a bandeira de nossos trabalhadores e nossa juventude nas lutas revolucionárias, e hoje você é uma bandeira encorajadora, exemplar, vitoriosa e invencível da revolução socialista cubana!».


A existência de Mella deixa para o presente a certeza de que a juventude não é o futuro de um país, mas seu presente; e para as fileiras comunistas, o exemplo da militar criando e da defesa das ideias com coragem, beleza e ímpeto.


É impressionante, por reflexão, que Julio Antonio tenha sido o fundador de três instituições vitais para o capital ideológico da Revolução: o primeiro Partido Comunista de Cuba, a quase centenária Federação Estudantil Universitária, e a revista Alma Mater.


Pois se ele estava comprometido com a ação, ele o fazia com base no pensamento; um não vale nada na luta sem o outro. Estudar sua excitante vida, mas também suas ideias, é fundamental para aqueles que, como ele, encontram no comunismo o horizonte para os sonhos de Cuba e do mundo.


Mella, eternamente jovem, nos exorta a tornar a condição revolucionária um destino.


FONTE: Granma




domingo, 9 de janeiro de 2022

Luiz Carlos Prestes e o movimento comunista brasileiro

Comentário de  Lincoln Secco, professor do Departamento de História da USP, sobre o livro de documentos da fase final da luta política de Luiz Carlos Prestes.

Gustavo Koszeniewski Rolim (org.). Herança, esperança e comunismo – Luiz Carlos Prestes e o movimento comunista brasileiro – documentos (1980-1995). Marília, Lutas Anticapital, 2020.



"Poucas personalidades no Brasil têm a grandeza política e moral de Luiz Carlos Prestes. Nele confluem diferentes camadas históricas numa síntese única. Como o cubano Julio Mella ele foi um jovem inconformista dos anos 1920. Como o italiano Palmiro Togliatti e o búlgaro Georg Dimitrov foi um dos símbolos da Revolução Mundial e da Internacional Comunista nos anos 1930. Como a espanhola Dolores Ibárruri, que depois de se tornar La Pasionaria sobreviveu longos anos ao seu próprio tempo, Prestes foi muito além do Cavaleiro da Esperança."


LEIA A ÍNTEGRA DO TEXTO CLICANDO NO LINK A SEGUIR:

https://aterraeredonda.com.br/luiz-carlos-prestes-e-o-movimento-comunista-brasileiro/?utm_term=2022-01-08&doing_wp_cron=1641728934.7797141075134277343750


FONTEA terra é redonda


O livro Herança, Esperança e Comunismo: Luiz Carlos Prestes e o Movimento Comunista Brasileiro – Documentos (1980-1995) encontra-se disponível para DOWLOAD GRATUITO na página da editora Lutas Anticapital É só clicar como se fosse uma compra, como o preço está zerado, ele abre para o download. 

LINK para dowload:

https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/heranca-esperanca-e-comunismo-luiz-carlos-prestes-e-o-movimento-comunista-brasileiro-documentos-1980-1995-pdf




sábado, 8 de janeiro de 2022

Para download: 100 voces (y una carta) para Paulo Freire

Descargar en PDF: 

https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/123456789/15175/3/100voces.pdf

Coordinador: Nicolás Arata.

Paulo Freire cumple 100 años. ¿Qué celebramos en torno a esta conmemoración? La presencia viva y vital del extraordinario legado político-pedagógico del genial educador brasileño. Recordar es hacer presente, y este texto colectivo busca —convocando cien voces de educadores y educadoras de todo el continente—, dialogar con Paulo Freire y entre nosotros y nosotras, sobre los múltiples significados y alcances de su legado y la imperiosa necesidad de mantenerlo vivo y actualizado ante los ínéditos desafíos sociales y educativos que nos plantea el siglo XXI. CLACSO y la Secretaría de Educación de Bogotá han aunado esfuerzos para hacer posible este libro que, esperamos, circule de mano en mano y entre educadores y educadoras con la misma pasión y convicción con la que Freire nos enseñó a dialogar con los otros y las otras para transformar el mundo.


Colección Red de Posgrados en Ciencias Sociales.

ISBN 978-987-813-052-1

CLACSO. Secretaría de Educación de Bogotá.

Buenos Aires.

Noviembre de 2021


100 voces y una carta para Paulo Freire / Karina Batthyány ... [et al.]. - 1a ed. - Ciudad Autónoma de Buenos Aires : CLACSO, 2021. Libro digital, PDF - (Red CLACSO de posgrados)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Para download gratuito: Herança, Esperança e Comunismo: Luiz Carlos Prestes e o Movimento Comunista Brasileiro – Documentos (1980-1995) [pdf]

Gustavo Koszeniewski Rolim, organizador do livro lançado pela Editora Lutas anticapital, decidiu colocá-lo disponível para download gratuito, entendendo que sua circulação em PDF não compromete a venda do livro, mas,na verdade, até ajuda, uma vez que se a pessoa gosta do livro, tendo acesso, ela pode se planejar pra comprá-lo, em sua versão física. 

É só clicar como se fosse uma compra, como o preço está zerado, ele abre para o download.

https://lutasanticapital.com.br/collections/ebooks/products/heranca-esperanca-e-comunismo-luiz-carlos-prestes-e-o-movimento-comunista-brasileiro-documentos-1980-1995-pdf

Este livro, já na sua 2a edição, é uma coletânea de documentos de caráter político-partidário e demais textos de semelhante tonalidade, cujo ponto de partida é a ruptura de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1980. Em seus dez últimos anos de vida, Prestes dedicar-se-ia a esclarecer suas posições, delineadas em exílio desde meados dos anos 1970, em intenso conflito com o restante do Comitê Central do PCB.


Deste acúmulo, esforço e embate, nasceram posições teóricas e organizacionais, como a emblemática “Carta aos Comunistas”, de 1980 e o texto de Anita Prestes “A que herança devem os comunistas renunciar”, do mesmo ano. A partir de sua ruptura, estabeleceu-se intenso movimento entre seus correligionários: diversos militantes e núcleos de base, além de personalidades de destaque dentre o movimento comunista, como Gregório Bezerra e Maria Aragão lançaram-se a tarefa de disputar o PCB, retomá-lo e, posteriormente, lançar as bases para uma nova organização comunista revolucionária.


Os documentos aqui trazidos e publicados referem-se justamente a este movimento de tentativa de renovação do movimento comunista brasileiro, abarcando publicações como o Ecos à Carta de Prestes, o Voz Operária e o Jornal Avançando.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Luiz Carlos Prestes, presente!!! 124 anos do nascimento do Cavaleiro da Esperança

Uma trajetória política como patriota, revolucionário e comunista

No dia 3 de janeiro de 1898, nascia, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Prestes. "Desempenhou papel decisivo à frente da Coluna Invicta [1924-1927], que percorreu o Brasil durante mais de dois anos, preparando as condições para a derrubada da República oligárquica em 1930. Prestes foi a liderança mais destacada do movimento antifascista no Brasil nessa década e, a partir dos anos 1940, se transformou no líder comunista mais importante do país.  Mais tarde, convencido de que os objetivos revolucionários do PCB haviam sido abandonados e substituídos pelo reformismo, Prestes não vacilou em romper com a direção partidária, tornando pública sua 'Carta aos comunistas' de março de 1980 e dedicando os últimos dez anos de vida à luta pela formação de um partido revolucionário em nosso país." (Anita Leocadia Prestes, "Luiz Carlos Prestes:um comunista brasileiro", Boitempo, 2015, p. 19.)


"Luiz Carlos Prestes não foi do comunismo à revolução. Saltou da revolução ao comunismo." (Florestan Fernandes, "A contestação necessária: retratos intelectuais de incorfomistas e revolucionários", 2 ed., Expressão Popular, 2015, p.141.)


"A relevância da figura de Luiz Carlos Prestes na história do Brasil do século XX tornou-se indiscutível. Sua participação na vida política nacional abrangeu um período de  setenta anos, o qual coincide com o 'breve século XX" definido e analisado por Eric Hobsbawm. Caluniado ou silenciado pelos donos do poder enquanto viveu, após seu falecimento [ em 1990, aos 92 anos] Prestes teve sua história falsificada por quem pretende legitimar interesses políticos que ele sempre combateu. Diversos exemplos poderiam ser mencionados, todos contribuindo para que se torne particularmente sentida a ausência de uma biografia do Cavaleiro da Esperança, líder da Coluna que adotou seu nome e do movimento antifascista de 1935 e dirigente máximo do Partido Comunista durante quase quatro décadas." (Anita Leocadia Prestes, "Luiz Carlos Prestes:um comunista brasileiro", Boitempo, 2015, p. 15.)


Um dos momentos mais marcantes na vida de Luiz Carlos Prestes foi conhecer pela primeira vez em outubro de 1945  sua filha Anita Leocadia, fruto do seu amor por Olga Benario Prestes. Desde então, pai e filha estabeleceram um relacionamento estreito, tanto afetivo como de identificação político-ideológica, como mostrado, por exemplo, no cartão que escreveu por ocasião do aniversário da filha Anita:

Salve 27-XI-1981

Minha querida filha.

Sempre fui de opinião que os pais, a partir de certa idade, devem saber aprender com os filhos. Só assim poderão corrigir seus erros e a natural tendência ao anacronismo.  É certo que nem sempre é viável. Mas no meu caso tive a felicidade de encontrar em ti, na tua firmeza revolucionária, na tua solidariedade e ajuda, aquilo que mais necessito. Sei que estou ferindo tua modéstia, mas, nesta data, em que meu pensamento se volta para o martírio de tua mãe,  espero que possas ver nestas linhas a expressão do meu carinho e dos votos que formulo pela sua saúde e felicidade.  Beija-te o teu Pai. (In: Anita Leocadia Prestes, "Viver é tomar partido: memórias", Boitempo, 2019, p. 249.)

 Para conhecer mais sobre a vida de Luiz Carlos Prestes (1898-1990), visite o site do Instituto Luiz Carlos Prestes: www.ilcp.org.br/prestes


domingo, 2 de janeiro de 2022

Para download: DEL MATERIALISMO HISTÓRICO _ Antonio Labriola

Via Fanpage "La lectura es la fábrica de la conciencia revolucionaria"

La aproximación de Labriola al marxismo está importantemente influenciado por Hegel y Herbart, por lo que fue más abierta que la aproximación de marxistas ortodoxos como Karl Kautsky. Él vio al marxismo como una esquematización final y autosuficiente de la historia, pero sobre todo como una colección de indicadores para entender las relaciones humanas. Era necesario que estos indicadores fuesen en alguna manera imprecisos si el marxismo quería considerar la complejidad de los procesos sociales y la variedad de fuerzas operantes en la historia. El marxismo debía ser entendido, por tanto, como una teoría ‘crítica’, en el sentido que ésta no dicta verdades eternas y que está lista para desechar las propias convicciones si la experiencia demuestra otra cosa. Su descripción del marxismo como filosofía de la praxis volvería a aparecer en los Cuadernos de la cárcel de Gramsci.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Live com a historiadora Anita Prestes falando sobre a Coluna Prestes

Live Preparatória para a 1ª Marcha e Acampamento da Coluna Invicta.

Dia 03/01/2022, às 19:30, quando se celebra os 124 anos de nascimenmto de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança.

Transmissão atravésa da Fanpage Canal Caminhos Revolucionários.

 (https://www.facebook.com/caminhosrevolucionarios)



segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

América Latina, experiências socialistas e educação

Uma nova edição foi publicada de Germinal: marxismo e educação em debate 





Em um dos ensaios que compõe sua Defensa del marxismo(1929), José Carlos Mariátegui (1988) diz em certo momento: “enquanto o capitalismo não tiver sido destruído definitivamente, o cânone de Marx segue sendo válido”. Não por acaso este cânone e a tradiçãodaí derivada se enraizou –e segue presente –de  diferentes  formas  por  todo  o  mundo,  e  na  América  Latina  e  Caribe  deixou  uma  gama  profunda  de história, com suas expressões, mais ou menos unitárias e coerentes, em termos teóricos e políticos. Analisar essahistória  é  tarefa  fundamental  para  a  compreensão  transformadora  da  realidade  atual,  sobretudo  se consideramos o eurocentrismo, com suas fortes influências sobre o pensamento crítico no Brasil, e também se pensamos que mesmo dentro da tradição marxista aberta às experiências de luta em Nuestra América ainda falta muito a conhecer. Este número da Germinal busca contribuir um pouco neste sentido, trazendo textos que articulam a educação com a América Latina e Caribe e suas experiências socialistas. [trecho do Editorial]

Link para acessar a revista:

https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/issue/view/2075


Índice

Editorial

América Latina, experiências socialistas e educação

Fernando Correa Prado, Giselle Modé Magalhães, Mario Mariano Ruiz Cardoso, Hélio da Silva Messeder Neto

1-5

Entrevista

Paulo Freire, alfabetização e lutas sociais na América Latina

Micaela Ovelar, Catherine Murphy

6-13

Debate

Partido Comunista da Venezuela (PCV): a confluência Bolívar-Marx e a revolução bolivariana

Túlio C.D. Lopes

14-29

O Partido Comunista do Brasil e seus intelectuais na luta pela democratização da educação e cultura entre os anos 1945-1947

Marta Loula Dourado Viana

30-53

O espectro de Mariátegui: história, presente e horizonte

João Rafael Chió Serra Carvalho

54-65

Violência e a práxis da psicologia: contribuições de Ignácio Martín-Baró

Mariana Lins e Silva Costa, Prof.ª Dr.ª Sonia Shima

66-86

O modelo educativo plurinacional da Bolívia: educação regular e organização curricular

Thiago Matias de Sousa Araújo, Amarílio Ferreira Júnior

87-108

O internacionalismo como prática pedagógica na Escola Nacional Florestan Fernandes

Fábio Tomaz Ferreira da Silva, Rosana Cebalho Fernandes

109-124

Da erradicação do analfabetismo nos territórios à territorialização da agroecologia: o que nos ensina a educação socialista cubana?

Lia Pinheiro Barbosa

125-143

Paulo Freire y la revolución cubana: paralelos y confluencias. La contribución que precisamos

Felipe de J. Pérez Cruz

144-169

Pedagogia histórico-crítica e pedagogia da libertação: aproximações e distanciamentos

Dermeval Saviani

170-176

Artigos

Os métodos de investigação e exposição em Marx e a pesquisa no campo educacional

Hedgard Rodrigues Silva, Jorge Fernando Hermida

177-195

Pressupostos para a concepção de educação no pensamento de Marx: um estudo de 1844 a 1848

José Salvador Almeida, FREDERICO JORGE FERREIRA COSTA

196-209

Escola Única do Trabalho: a interpretação soviética de uma educação marxista

Diego Becker

210-219

Estado regulador e mercado educador: raízes burguesas da mercantilização da educação

Naara Queiroz de Melo, Melânia Mendonça Rodrigues

220-237

A reprodução das relações de produção e a educação escolar capitalista

Paulo Henrique de Vasconcelos, Maria Cristina dos Santos

238-258

A questão do Estado e os prismas da pedagogia histórico-crítica na transição do capitalismo para o socialismo/comunismo

Danielle do Nascimento Rezera, Walson Lopes

259-274

As propostas "bolsolavistas" para a educação brasileira

Lucas Carneiro Costa, Caroline Duailibi Felício, Francis Dávila Souza Costa, Débora Rezende do Carmo Azevedo

275-305

Mulher, escolarização e tendências em curso

Ana Cristina Furtado Pereira, Neide de Almeida Lança Galvão Favaro, Priscila Semzezem

306-323

A brincadeira/brincar problematizada e fundamentada em períodicos científicos da educação física no período de 2014 a 2019

Marcos Natali, Márcia Morschbacher

324-337

Marx e o pensamento invertido: sobre a questão da contingência política

Henrique Coelho

338-355

Filosofia de direita no Brasil durante o período entre ditaduras: o Instituto Brasileiro de Filosofia e o pensamento de Miguel Reale (1949-1964)

Rodrigo Jurucê Mattos Gonçalves

356-371

Extensão universitária e Terceira Via: a “solidariedade” como ideologia

Raphael Carmesin Gomes, Damião Bezerra Oliveira

372-384

Clássico

O intelectual e o trabalhador

Manuel González Prada; Adriano Nascimento

385-390

América Latina: 200 anos de fatalidade

Bolívar Echeverría; Thays Fidelis

391-397

Paulo Freire em Cuba

Paulo Freire, Esther Pérez, Fernando Martínez Heredia

398-411

Resenhas

Trabalho docente sob a lógica privatista empresarial [Amanda Moreira da Silva]

Nelma Bernardes Vieira

412-415

Para a crítica dos fundamentos da formação de professores no Brasil: o problema da prática [Elza Margarida de Mendonça Peixoto]

Maria de Fátima Rodrigues Pereira

416-419

Por uma educação crítica e participativa [Frei Betto]

Mike Ceriani de Oliveira Gomes

420-425

A luta em defesa da educação pública no Brasil (1980-1996): obstáculos, dilemas e lições à luz da História [Lucelma Braga]

Marcia Salete Wisniewski Schaly, Anita Helena Schlesener

426-430

domingo, 26 de dezembro de 2021

“La escuela debe enseñar a pensar”

Texto de 1964 de Evald Iliénkov, filósofo soviético, sobre la escuela. El texto argumenta que la inteligencia, lejos de ser el don de unos pocos, es producto de la asimilación activa de la cultura intelectual de la época. 

“La escuela debe enseñar a pensar”

 Por Evald Vasilievich Iliénkov

De esto a nadie le cabe la menor duda. Mucho más, cada pedagogo dirá: ¿cada uno puede responder qué significa esto? ¿Qué significa pensar y qué es el pensamiento? La pregunta está lejos de ser sencilla y, en determinado sentido, es capciosa.

Con mucha frecuencia confundimos el desarrollo de la capacidad de pensar y el proceso de adquisición de los conocimientos establecidos por los programas. Y estos dos procesos, sin embargo, no coinciden automáticamente, aunque son imposibles uno sin el otro. “El mucho saber no enseña inteligencia”. Esta idea, expresada hace más de dos milenios, por el sabio Heráclito de Éfeso, no ha envejecido hoy día.

La inteligencia o la capacidad, la habilidad de pensar, el “mucho conocimiento” por sí mismo, en la realidad no la enseña. ¿Y qué es lo que enseña? ¿Y, en general, se puede enseñar la inteligencia, aprenderla?

Está lejos de carecer de fundamento la opinión de acuerdo con la cual la inteligencia, la capacidad de pensar, el “talento” viene de “Dios” y en una terminología más ilustrada “de la Naturaleza”; del padre y la madre. En realidad, ¿se puede inculcar en el hombre la inteligencia en forma de sistema de reglas exactamente elaboradas, de esquemas, de operaciones; resumiendo: en forma de lógica?

Hay que reconocer que no se puede. Es conocido que las mejores reglas y recetas, cuando caen en una cabeza tonta, no hacen a esta cabeza más inteligente, en cambio, ellas de transforman en un absurdo.

El filósofo Immanuel Kant escribió que “La escuela puede sólo dar un razonamiento limitado, algo así como meter en él todas las reglas logradas por la comprensión ajena, pero la capacidad de utilizarlas correctamente debe pertenecer al propio educando y en caso de carencia de este don natural ninguna regla puede asegurar su correcta utilización. La insuficiencia de la capacidad de juicio es propiamente aquello que llaman tontería; contra esta insuficiencia no hay medicina”. Aparentemente justo. Lenin, muy compasivamente, como “gracioso”, citó el planteamiento de Hegel acerca del “prejuicio” de que la lógica enseña a pensar: “esto se parece a si dijeran que gracias al estudio de la anatomía y la fisiología nosotros aprendemos por primera vez a digerir el alimento y a movernos.”

Pero, ¿cómo hacer en este caso con el llamamiento publicado en calidad de título del artículo? ¿No demuestra el propio autor que realizar esta consigna es imposible, que la inteligencia es un “don natural” y no una habilidad adquirida?

Esto no es así. Es cierto que la capacidad, la habilidad de pensar es imposible “meterla”, convertirla en una suma de reglas, de recetas; como se dice ahora: de algoritmos se puede “meter” en su cabeza sólo una inteligencia de una computadora, pero no la inteligencia de un matemático.

Las consideraciones expuestas al comienzo del artículo, con todo, no agotan la posición del filósofo idealista Kant en relación con la inteligencia, mucho menos la posición materialista. Es falso que la inteligencia sea un “don natural”. El hombre sólo le debe a la naturaleza el cerebro, el órgano del pensamiento: la capacidad de pensar con ayuda de este cerebro, no solo se desarrolla, se perfecciona, sino que surge sólo junto con el contacto del hombre con la cultura general de la humanidad, con los conocimientos, como la capacidad de andar en dos pies que el hombre no posee de la naturaleza. Esta es una habilidad como todas las capacidades humanas restantes. Cierto que el andar erguido es fácil de enseñar por cualquier madre, pero utilizar el cerebro para pensar no sabe enseñarlo cada pedagogo profesional, aunque éste tiene un conjunto de ayudantes: al pensamiento del pequeño le enseña toda su vida circundante.

Las representaciones acerca del surgimiento innato, natural, de la capacidad (o incapacidad) de pensar es sólo una cortina que oculta al pedagogo intelectualmente haragán aquellas situaciones y condiciones realmente muy complejas que prácticamente despiertan y forman la inteligencia, la capacidad de pensar independientemente. Con estas representaciones justifican frecuentemente su incomprensión de tales condiciones, el poco deseo de adentrarse en ellas y tomar para sí el trabajo nada fácil de su organización.


Ensayo publicado en la revista “Educación popular”, 1964, No. 6 (suplemento)

Traducido por: Eduardo Albert.

Revisado por: Rafael Plá León.

FUENTE: Marxismo Crítico