sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Conexão Federal: Mulheres da família Prestes, com Anita Prestes


A UFSCar guarda, nas Coleções Especiais de sua Biblioteca Comunitária, a Coleção Luís Carlos Prestes, formada por documentos, recortes de jornais, objetos e outros materiais que contam a história deste que foi uma das principais figuras da história brasileira do Século XX.

Nesta edição de Conexão Federal, a filha de Prestes e Olga Benário - morta pelos nazistas na Alemanha em 1942, onde, em 1936, dera à luz Anita Prestes, separada da mãe aos 14 meses - conversa com a jornalista Mariana Pezzo em meio a cartas, fotografias e objetos de sua infância que fazem parte do acervo, trazendo à tona lembranças e reflexões que, mais que resgatar a memória do passado, nos ajudam a pensar sobre outros futuros possíveis. 

Mais informações sobre a Coleção Luís Carlos Prestes e a produção deste material: https://www.ufscar.br/noticia?codigo=...

Está com pressa? Vá direto ao tópico que te interessa!

14:15 - Anos de formação de Anita Prestes e sua relação com a mãe e o pai, através de correspondência hoje guardada na Coleção Luís Carlos Prestes

27:36 - Saiba mais sobre a Campanha Prestes pela libertação de presos políticos, que levou ao resgate de Anita Prestes, aos 14 meses de idade, pela avó Leocádia e a tia Lygia Prestes, e conheça detalhes da vida dessas mulheres combativas ao longo de toda as suas vidas

42:00 - Anita Prestes fala, de um lado, do comunismo como um ideal de sociedade e, de outro, do socialismo real e os caminhos trilhados, sobretudo, na Antiga União Soviética

52:47 Anita Prestes aborda o anticomunismo, o que classifica como mentiras sobre seu pai e, dentre elas, especialmente a de que teria apoiado Getúlio Vargas e apertado a sua mão


FONTE: Conexão Federal  UFSCar - Universidade Federal de São Carlos -- canal no YouTube


domingo, 21 de janeiro de 2024

Camarada Lênin, presente!!! Nos 100 anos de sua morte, a necessidade de conhecer e entender o legado de um dos maiores comunistas revolucionários da história

"O proletariado tem como única arma na luta pelo poder, a organização"

Vladímir Ilitch Lênin (22/4/1870 – 21/1/1924)


Escultura no Parque Lenin, em Havana, Cuba.

Como disse o historiador Valerio Arcary, "cem anos depois da morte de Lênin, nunca foi tão sentida a falta de leninistas" e adverte que passado todo esse tempo "não são muitos aqueles na esquerda que ainda hoje se definem como leninistas", sendo que o fato de Lênin não ser popular, "justiça seja feita, essa realidade nos diz mais sobre a maioria da esquerda contemporânea do que sobre Lênin" (em "Um leninismo para o século XXI", publicado em 19/01/2024 no Esquerda Online). 

Para se ter uma perspectiva efetivamente revolucionária, é incontornável e imprescindível conhecer e entender o legado de um dos maiores comunistas revolucionários da história, Vladímir Ilitch Uliánov "Lênin", que neste 21 de janeiro de 2024 completa-se 100 anos de sua morte. Todo seu legado está vinculado às dimensões políticas práticas de "mudar o mundo", unindo teoria e prática. Trata-se de um marxismo revolucionário aberto, não dogmático, porque é crítico sem ser doutrinário. Como afirma o historiador Tamás Krausz, autor da obra "Reconstruindo Lênin: uma biografia intelectual" (Boitempo, 2017), "sabemos que os revolucionários socialistas – pessoas cujas ações pretenderam lançar as bases de uma alternativa comunal-humanista ao capitalismo – não são tidos em grande estima pela historiografia moderna. O historiador pode ser tomado como o exemplar típico de 'intelectual servil'. Isso nos oferece amplas razões para nos aferrarmos à objetividade, da qual qualquer historiador precisará a fim de evitar seguir as opiniões em voga e também preservar uma abordagem crítica" (p. 12).

Assim, "pesquisas sobre o legado de Lênin foram deixados à margem da literatura acadêmica recente. Porém isso não significa que novos livros e estudos sobre Lênin, sua vida e sua obra não apareçam diariamente" (p. 12). Lênin é, certamente, uma figura incômoda aos donos do poder e ao grande capital, cujos intelectuais orgânicos preservam antigos equívocos e/ou acrescentam preconceitos de nossa época em relação às interpretações sobre Lênin. Trata-se de seguir a lógica da História Oficial de esquecer,   silenciar,   deturpar   e   combater as lideranças, os militantes, os ideais e as lutas dos setores, que não obtiveram êxito em seus propósitos revolucionários e transformadores e, muitas vezes, sofreram duras derrotas. Dessa  forma,  são  consagradas  inúmeras deformações históricas,  inúmeras inverdades  históricas  e  silenciados  numerosos  acontecimentos  da vida e da obra de Lênin que  não  são  do  interesse  dos  setores dominantes que sejam do conhecimento da grande maioria das pessoas e, em particular, das novas gerações. 

Ainda assim, na contramão dos intelectuais  orgânicos comprometidos com a burguesia que cumprem a função de produzir  tal  História  Oficial,  existem novos livros e estudos sobre Lênin, assim como novas edições dos escritos de Lênin. Merecem destaque as publicações das editoras Boitempo e LavraPalavra.

A Boitempo Editorial tem a coleção Arsenal Lênin, que já soma sete obras incontornáveis: o clássico O ESTADO E A REVOLUÇÃO; os preciosos CADERNOS FILOSÓFICOS, reunindo as famosas reflexões e estudos que o marxista russo fez sobre Hegel, às vésperas da Revolução Russa; e a coletânea DEMOCRACIA E LUTA DE CLASSES; O QUE FAZER?, publicado em comemoração aos 150 anos de nascimento de Lênin; IMPERIALISMO, ESTÁGIO SUPERIOR DO CAPITALISMO e DUAS TÁTICAS DA SOCIAL-DEMOCRACIA NA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA; e, recentemente, O DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO NA RÚSSIA, uma análise rigorosa da economia e da estrutura social da Rússia no período posterior à reforma de 1861, que aboliu a servidão do campesinato. 



Uma outra indicação de livro da Boitempo é Reconstruindo Lênin: uma biografia intelectual, do historiador húngaro Tamáz Krausz, resultado de quatro décadas de pesquisas.



A editora LavraPalavra apresenta uma série de publicações dos escritos de Lênin, a saber: 

Escritos de Juventude de Lênin – volumes 1 e 2 Edição: 2020 (Atualmente, não mais reeditados pela editora)

A emancipação das mulheres e a revolução proletária – V. I. Lênin Edição: 2021

O centralismo democrático de Lênin: a luta pela organização revolucionária Edição: 2021

Lênin e a religião (coletânea) Edição: 2022

Estratégia e tática da hegemonia proletária, por Lênin Edição: 2023

Quem são os “amigos do povo” e como lutam contra os social-democratas?, por Vladímir Ilitch Lênin Edição: 2023

Um passo à frente, dois passos atrás Edição: 2024

O Pensamento de Lênin – Henri Lefebvre Edição: 2020

Meus dias com Lênin, por Máksim Górki Edição: 2021

Lênin e a filosofia: materialismo, dialética e a crise nas ciências Edição: 2023



Vale destacar um lançamento da editora Autonomia Literária. Trata-se do livro "Lênin anticolonial: as lutas dos povos colonizados contra o imperialismo", edição 2024, autoria de Vladímir Ilitch Ulianov Lênin; organização de Pedro Silva; prefácio de Jones Manoel.



Recomenda-se a leitura do artigo de Anita Prestes no blog da Boitempo, intitulado "V. I. Lênin (22/4/1870 – 21/1/1924), a luta pelo poder revolucionário e as 'esquerdas' no Brasil de hoje"No 152° ano de nascimento de Vladímir Ilitch Lênin, o grande artífice da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, a historiadora Anita Prestes analisa, em artigo no blog da Boitempo, as ideias mestras das transformações revolucionárias elaboradas por Lênin, destacando como estes ainda são ensinamentos valiosos para as forças de “esquerda” no Brasil de hoje.

CLIQUE NO LINK PARA LER O TEXTO DE ANITA PRESTES NO BLOG DA BOITEMPO:

https://blogdaboitempo.com.br/2022/04/22/v-i-lenin-22-4-1870-21-1-1924-a-luta-pelo-poder-revolucionario-e-as-esquerdas-no-brasil-de-hoje/


Dossiê "Vladimir Ilitch Ulianov – Lenin – 150 anos!"

Edição da revista Germinal: Marxismo e Educação em Debate (v. 12, n. 2, 2020).

https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/issue/view/1999


Coleção raríssima: Obras Completas de Lênin (55 volumes), em espanhol

Em 1981, a Editora Progresso (soviética) iniciou a publicação da mais ampla compilação das Obras Completas de Lênin - são 55 volumes, reunindo todos os livros, folhetos, artigos, rascunhos e esboços, cartas escritas por Lênin. A edição é muito bem cuidada, com muitíssimas notas explicativas e biografias de personagens citados. 

LINK para download dos 55 volumes: https://archive.org/details/@gianferdinand?and[]=subject%3A%22obras+completas%22 (clique sobre cada volume e escolha sempre PDF, à direita, abaixo)  scan de boa qualidade.


Dossiê "Vladimir Illitch Lênin: 150 anos" – Marxismo21

A Editoria de Marxismo21 valeu-se do amplo material publicado nos Marxists Internet Archive e levantou textos de intérpretes da obra de Lênin, brasileiros e do exterior, Vídeos de debates e de cursos recentes sobre a obra do revolucionário russo também integram este extenso dossiê.

https://marxismo21.org/vladimir-illitch-lenin/


Lenin em vida (documentário raro)

Todos os filmes com Lenin que restaram no tempo, reunidos em documentário de 1969 por Mikhail Romm: "Живой Ленин" [Zhivoi Lenin] - "Lenin vivo" ou "Lenin em vida". Postos em ordem cronológica e acrescidos de comentários, formam material indispensável ao estudioso do comunismo, da União Soviética e do século XX.

Clique no link: https://www.fishuk.cc/2016/01/lenin-vivo.html


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Davi Perez - Flor na trincheira (Lyric Vídeo)

"E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!"


Composta em 2012, é lançada agora uma nova versão de "Flor na trincheira", na voz de seu compositor, Davi Perez.

Excelente para trabalhar em sala de aula, abordando o protagonismo das mulheres, que se colocaram contra o status quo, articulado com várias temáticas dos conteúdos do ensino de História na educação básica (em especial, estudantes do 9° ano do ensino fundamental e do ensino médio).






Letra: Davi Perez

Vocal: Davi Perez

Instrumental: Rato Reverso

Mixagem e Masterização: Davi Perez


Flor na trincheira (Davi Perez)


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!


É uma força de Olga, de Anita, de Alexandra Kollontai

É o grito da Rosa que da memória não sai

Dandara contra o português, Juana contra o espanhol.

Buscando sua vez, o lugar de todos ao sol.


Bravura aguerrida que ninguém esquece

Ternura vivida sentida muito mais do que parece

Flor na trincheira não se contenta com jardim e parque

É a morte tão viva no grito de Joana Darc


E tantas vezes chegaram à vitória

Heroicas mulheres que juntas fazem a história

Bruxas do feitiço da emancipação humana

É na flor da nossa pele que o anseio emana


Se seguem dias, meses e anos de glória.

Quando se busca muito mais que uma vida simplória

Proletárias, operárias, solidárias, revolucionárias.

Incendiarias das capitanias hereditárias


Marchando e desabando igual avalanche

Mira e atira no inimigo tipo Célia Sanchez

O que importa se é de bota, de chinelo ou tamanco.

Em meio guerra é heroína da paz, Elisa Branco


Condutora do assalto ao céu

Pedagoga da comuna foi Louise Michel

Da laia das companheiras lutadoras de saia

Sem deixar que caia nossa pátria camarada Krupskaia


Não cai pro lado da contrarrevolução

Como Frida na cabeça e no coração

Enquanto no poder patriarca não se puser fim

A luta seguirá no exemplo de Clara Zetkin


Monstro verdugo não vai nos intimidar

A coragem de fibra é a súplica de Soledad

É comandante do povo, capacidade que não se mede.

É Tanja Nijmeijer, também é Leila Khaled


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!


É Lyudmila Pavlichenko exterminando vários nazis

Com o inimigo dos povos jamais faremos as pazes

Bravura aguerrida que ninguém esquece

Ternura vivida sentida muito mais do que parece


Contra o velho chorume burguês embebido nesse formol

Buscando sua vez, o lugar de todos ao sol.

Resistência na Síria, Palestina, Iraque.

Flor na trincheira não se contenta com jardim e parque


Vai marchando e desabando igual avalanche

Até que toda exploração e opressão se desmanchem

É Ângela Davis contra o império branco

E não importa se é de bota, de chinelo ou tamanco.


E tantas vezes chegaram à vitória

Heroicas mulheres que juntas fazem a história

Bruxas do feitiço da emancipação humana

É na flor da nossa pele que o anseio emana


Se seguem dias, meses e anos de glória.

Quando se busca muito mais que uma vida simplória

Proletárias, operárias, solidárias, revolucionárias.

Incendiarias das capitanias hereditárias


A burguesia já perdeu o sentido

No romance de Pagu reside o desejo aguerrido

Pelo que não tem censura, governo, juízo.

E será feito na terra, sem inferno nem paraíso.


As condutoras do assalto ao céu

Com seu arsenal farão do capital o verdadeiro réu

Não mais senhores, reis e nem patrões.

Somente humanas convivências e humanas paixões


E que não seja só no 8 de março

O protagonismo das mulheres no compasso

O seu papel não será secundário

Vai ser na linha de frente do bloco revolucionário!

sábado, 6 de janeiro de 2024

Editora alemã publica escrito de Olga Benario sobre a Juventude Comunista de Berlim

A editora alemã Verbrecher Verlag publicou, recentemente, um livro raro de autoria da própria Olga Benario Prestes (1908-1942) e publicado pela editora "Jovem Guarda" na União Soviética em 1929. No livreto original intitulado "Trablho e dias de KIM", Olga relata as atividades desenvolvidas pela Juventude Comunista Internacional (KIM - Kommunisti International Molodoi), durante os anos de sua militância na Alemanha.

A edição alemã, com tradução do russo por Kristine Listau e prefácio de Anita Prestes, recebeu o título Berliner Kommunistische Jugend (Juventude Comunista de Berlim), tem encadernação em capa dura e possui o total de 128 páginas.

“Já são dez e meia. Alguém sugere ‘sair juntos para tomar sorvete!’ Todos concordam. Há um pequeno café na Bergstrasse onde uma porção de sorvete custa dez pfennigs. A turma toda vai para lá. O sorvete é maravilhoso! Mas uma tempestade está chegando. O dono do café paga aos seus funcionários taxas mais baixas do que o acordo coletivo de trabalho. Quando ficamos sabendo disso, decidimos boicotá-lo. O boicote dura uma semana até que o empresário desista por medo de perder seus clientes mais importantes conosco. Os funcionários recebem seus salários de acordo com o acordo coletivo e voltamos a visitar o restaurante.”

Aos 21 anos, Olga Benario escreve isto em Moscou, para onde fugiu após a sensacional libertação de Otto Braun. Seu livro, que descreve a vida cotidiana da Juventude Comunista em Berlim, foi publicado em Moscou, em russo, em 1929.

Dado que há muito pouca literatura sobre a organização e os métodos de trabalho da KJVD e as histórias de Olga Benario sobre os cartazes noturnos, a angariação de fundos ou os escritórios do partido são tão bonitas quanto perspicazes, este livro é um testemunho importante. E por último, mas não menos importante, o tom muito próprio de Benario, que oscila entre o orgulho e a auto-ironia, irá encantar todos os leitores. (Da página da editora: https://www.verbrecherverlag.de/shop/berliner-kommunistische-jugend/. Traduzido por Google Tradutor)



Existe um exemplar original em russo deste livreto escrito por Olga Benario Prestes no acervo da Coleção Luiz Carlos Prestes (LCP) das Coleções Especiais e Obras Raras da Biblioteca Comunitária da UFSCar (COLESP BCo/UFSCar).




No segundo semestre de 2022, a editora a Verbrecher Verlagseu publicou o livro Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung (Olga Benario Prestes. Uma abordagem biográfica), de autoria da historiadora Anita Prestes A edição alemã é uma versão do livro “Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo”, publicado originalmente pela editora brasileira Boitempo em 2017. Em maio de 2023, Anita Prestes esteve na Alemanha para uma série de atividades relacionadas com o lançamento do seu livro Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung. Sobre essas atividades, saiba mais em: "Anita Prestes é capa do jornal alemão Berliner Zeitung"; "Olga Benário é exemplo de resistência contra o fascismo", "Vídeo do evento 'Anita Leocádia Prestes sobre Olga Benário Prestes. Uma abordagem biográfica', no Literaturforum im Brecht-Haus (Fórum de Literatura na Casa Brecht)".



quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Libros para descargar del sello editorial del Insituto Cubano de Investigación Cultural Juan Marinello

El sello editorial del Insituto Cubano de Investigación Cultural Juan Marinello ha publicado varios libros en 2023. Puede conocerlos a través de la sección Librería 📚 del sitio web, donde se encuentra la información y la posibilidad de descargarlos.

LINK: https://icic.cult.cu/novedades/libro

Algunos de los títulos son:

👉🏾La Educomunicación orientada a la infancia y a la adolescencia. Propuesta para el análisis de experiencias de educación audiovisual. Beatriz Drake Tapia - Eileen Sanabria Herrera - Ivonne Sánchez Noroña - Yanet Moya Torres

➡️Identidades y diversidades de adolescentes y jóvenes. Revelaciones del contexto cubano actual. Coordinadora Elaine Morales Chuco

🔈Públicos y Casas de Cultura. Un estudio Nacional. Yisel Rivero Baxter - Pedro Emilio Moras Puig - Honey Piedra Sarría

✨Antropología sociocultural y construcción nacional en Cuba y Haití. Antología crítica e historia comparada (1884-1959). Kali Argyriadis, Emma Gobin, Maud Laëthier, Niurka Núñez y Jhon P. Byron

📄Antropología Sociocultural en Cuba. Revisiones históricas e historiográficas. Tomo I y II. Edición y compilación: Niurka Núñez González.



Insituto Cubano de Investigación Cultural Juan Marinello

Ave. Independencia, nro. 63, entre Bruzón y Lugareño, Plaza de la Revolución, La Habana, Cuba.


domingo, 5 de novembro de 2023

Documentário "Anita no acervo de Prestes - histórias que viajam no tempo"

O documentário "Anita no acervo de Prestes - histórias que viajam no tempo" traz trechos da entrevista da historiadora Anita Prestes concedida à jornalista Mariana Pezzo, Diretora do Instituto da Cultura Científica da UFSCar, imagens da Coleção Luiz Carlos Prestes da Biblioteca Comunitária (BCo) da UFSCar e, também, depoimentos de gestora e profissionais que vêm trabalhando no acervo, sobre a relevância desses materiais e o impacto que podem ter não somente na melhor compreensão do passado, mas muito especialmente na construção do futuro.



Leia a matéria "Histórias contadas vão de uma infância à transformação social no Brasil", da jornalista Mariana Pezzo, no link: https://www.ufscar.br/noticia?codigo=15768&id=historias-contadas-vao-de-uma-infancia-a-transformacao-social-no-brasil


Contatos das Coleções Especiais-Biblioteca Comunitária da UFSCar, para mais informações sobre a Coleção Prestes: https://www.bco.ufscar.br/acervos/col...


Site do Instituto Luiz Carlos Prestes, para mais informações históricas: https://www.ilcp.org.br/prestes/


Documentário evidencia potencial do acervo (Divulgação)


sábado, 4 de novembro de 2023

Sobre anões e genocidas

Neste texto, publicado nas páginas da Fundação Maurício Grabois e do Blog A Terra é Redonda, o professor João Quartim de Moraes escreve sobre o genocídio na Palestina.


“'Quantas vidas serão perdidas até passarmos à ação?'. Se depender de Menachem Biden, protetor de Benjamin Netanyahu, quantas forem necessárias para esvaziar o ghetto de Gaza."


Sobre anões e genocidas


Por JOÃO QUARTIM DE MORAES*


Argumentar com genocidas é perder tempo: eles só acreditam no “argumento” da força


Em 24 de julho de 2014, furibundo porque o governo brasileiro condenara “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”, convocando para consultas o embaixador em Tel Aviv, o ministério israelense das Relações Exteriores replicou classificando o Brasil de “anão diplomático”. Além de insolente, a réplica cometeu a baixa grosseria de usar uma contingência biológica (nanismo e distúrbio de crescimento infantil) como insulto.

Não obstante, houve e segue havendo por aqui sicofantas da extrema direita que aplaudiram a “diplomacia” do país do “apartheid” e atacaram a nossa… O mais conhecido é o abominável Sérgio Moro, que segue grasnando seu apoio ao aniquilamento dos palestinos de Gaza pelos criminosos de guerra israelenses.

O comunicado de Tel Aviv continha um enfático apelo: “Israel espera o apoio de seus amigos na luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países ao redor do mundo”. Por “muitos países” entendem, obviamente, o império estadunidense e seus vassalos, dos quais o próprio Israel é vassalo-mor. O comunicado omite, cinicamente, o apoio dos serviços secretos de seu país à formação do Hamas para dividir a resistência palestina, debilitar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), reconhecida pela Liga Árabe em outubro de 1964 como “única representante legítima do povo palestino” e eliminar Yasser Arafat, seu principal dirigente histórico.





Haaretz, o mais importante jornal israelense, publicou provas confirmando que Benjamin Netanyahu, decidido a impedir por todos os meios a viabilização do Estado palestino, admitiu em reunião reservada de seu partido Likud, em 2019, que “quem quiser impedir o estabelecimento de um estado palestino tem de apoiar o fortalecimento do Hamas e a transferência de dinheiro para o Hamas. Isso faz parte da nossa estratégia”. (cf. Intercept Brasil, 11/10/2023).


Os palestinos enfrentam simultaneamente dois genocídios. O primeiro teve início em 1948, quando a ONU criou o estado de Israel e deixou para depois o estado palestino. Um depois que, até agora, transcorridos 75 anos, não aconteceu. O segundo, tão terrível quanto privar um povo de espaço para viver, é tentar transformá-lo em “inimigo”, “sanguinário”, “terrorista” e “perigo para a humanidade”, como tem sido feito pela mídia corporativa internacional e brasileira desde então, com o clímax sendo alcançado após os ataques do Hamas a Israel.

O frio descaramento de Benjamin Netanyahu e de seu entorno na execução dessa estratégia se inscreve numa longa sequência de morticínios que pavimentaram a formação e a expansão do Estado de Israel. Um dos primeiros ocorreu em 22 de julho de 1946, antes mesmo da malfadada partilha da Palestina. O grupo terrorista Irgun, comandado por Menachem Begin, introduziu pesada carga de explosivos na cozinha do hotel King David, em Jerusalém, onde residiam com suas famílias os funcionários do Mandato Britânico da Palestina (estabelecido pela Sociedade das Nações em 1923, após o colapso do Império Otomano).

A explosão estremeceu a velha Jerusalém: 91 mortos, entre os quais 28 britânicos, 41 árabes e 17 judeus e mais de uma centena de feridos. O objetivo imediato era destruir os arquivos britânicos, que continham ampla documentação sobre o terror sionista, mas eles queriam também apavorar a população palestina, constrangendo-a a fugir de suas casas. Comemorando, em julho de 2006, este feito que de que o facho sionismo se orgulha, Benjamin Netanyahu e seus asseclas colocaram no hotel King David uma placa comemorativa em homenagem aos terroristas do Irgun.

É longa e tenebrosa a lista de atentados sionistas contra os palestinos. Alguns dos mais atrozes ocorreram durante os meses que precederam o final do mandato britânico, fixado pela ONU para o dia 15 de maio de 1948. Decididos a conquistar o máximo de terreno para o Estado israelense que pretendiam proclamar naquela data, os sionistas, utilizando a fundo a superioridade de sua organização militar, ampliaram a escala de sua ofensiva. Entre dezembro de 1947 e março de 1948, muitas aldeias árabes (Beld Shaikh, Sasa, Karf etc.) foram varridas do mapa pela Haganah, a principal organização armada clandestina sionista e pelos agrupamentos Stern e Yrgun, dois esquadrões da morte especializados nas formas mais sórdidas e covardes de ação terrorista, nos quais os futuros primeiros-ministros Begin e Shamir aprimoraram suas peculiares carreiras militantes.

Decididos a ultrapassar a Haganah na caça ao árabe, eles atacaram de surpresa na madrugada de sexta-feira 9 de abril de 1948 a aldeia de Deir Yassin, cuja população indefesa foi chacinada numa orgia de bestialidade que sequer poupou mulheres grávidas, cujo ventre foi aberto a facadas. Duzentos e cinquenta e quatro palestinos foram trucidados; dezenas de meninas foram estupradas.[1]

Em dezembro de 1948, quando Menachem Begin, chefe máximo do Irgun, foi recebido por seus correligionários de Nova Iorque, membros eminentes da comunidade judaica, entre os quais Albert Einstein, lançaram um manifesto em que se dissociavam firmemente dos algozes de Deir Yassine: “[…]os terroristas [dos grupos Stern e Irgun] atacaram esta aldeia tranquila (Deir Yassin).[…] Massacraram […]a quase totalidade dos habitantes, deixando alguns vivos para exibi-los como prisioneiros nas ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com este ato. […] Mas os terroristas […] mostraram-se orgulhosos do massacre, convidando todos os correspondentes estrangeiros[…] para ver os cadáveres amontoados[…]”.

Anos depois, em carta a seu amigo Haim Ghori, datada de 15 de maio de 1963, Ben-Gurion, patriarca do sionismo social-democrata e principal fundador do Estado de Israel, assim caracterizou Menachem Begin: “[…] é um personagem talhado da cabeça à planta dos pés à imagem do modelo hitleriano. Está disposto a eliminar todos os árabes para completar as fronteiras do país. […]. Considero-o um grande perigo para Israel[…]”. Se chegar ao poder, prossegue Ben-Gurion, colocará “criminosos de sua espécie à frente da polícia e do exército”. E concluiu: “Não duvido de que Begin deteste Hitler, mas este ódio não prova que ele seja diferente de Hitler”. Sessenta anos depois, é certamente o caso de dizer de Benjamin Netanyahu o que Ben-Gurion disse de Menachem Begin.


Nunca mais. Outra vez!



Sob nossos olhos desfilam os insuportáveis horrores da “diplomacia” facho sionista em Gaza, aquela mesma que chamou o Brasil de “anão diplomático”. Argumentar com genocidas é perder tempo: eles só acreditam no “argumento” da força. Em vez disso, em 30 de outubro, exercendo a presidência do Conselho de Segurança, o ministro Mauro Vieira honrou a diplomacia brasileira ao expressar o consenso majoritário dos 120 países membros da ONU que votaram a favor de um cessar fogo imediato na faixa de Gaza, perguntando: “Quantas vidas serão perdidas até passarmos à ação?”. Se depender de Menachem Biden, protetor de Benjamin Netanyahu, quantas forem necessárias para esvaziar o ghetto de Gaza.

*João Quartim de Moraes é professor titular aposentado do Departamento de Filosofia da Unicamp. Autor, entre outros livros, de A esquerda militar no Brasil (Expressão Popular) (https://amzn.to/3snSrKg).

Nota

[1] Um dos relatos mais objetivos da chacina de Deir Yassin, está no livro Ô Jerusalém, escrito pelos jornalistas Dominique Lapierre e Larry Collins, na edição francesa, Paris: Laffont, 1971, pp.363-369.

Os depoimentos dos poucos sobreviventes e os relatórios de policiais ingleses com mandato da ONU foram reunidos por Sir R. C. Catling, diretor-geral adjunto do Criminal Investigation Department na pasta “secreta e urgente” nº 179/11017/65.


FONTE: Blog A Terra é Redonda




quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Divulgação | História da educação do Recôncavo da Guanabara à Baixada Fluminense

Lançamento do livro "História da educação do Recôncavo da Guanabara à Baixada Fluminense", em conjunto com a comemoração de aniversário de 10 anos do Grupo Estudos de História da Educação Local (Ehelo) da UERJ. O livro foi organizado por Angélica Borges e Amália Dias, professoras da UERJ, e contou com a participação de 30 autores. O lançamento será dia 19/10 às 18h30 na FEBF-UERJ (Campus Caxias). 

Link para o site da editora: 

https://editoraappris.com.br/produto/historia-da-educacao-do-reconcavo-da-guanabara-a-baixada-fluminense/



História da Educação do Recôncavo da Guanabara à Baixada Fluminense é uma obra destinada a reunir e divulgar os estudos sobre História da Educação deste território, sobretudo as pesquisas desenvolvidas no grupo de pesquisa Estudos de História da Educação Local (Ehelo), fundado em 2013 na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).




HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO RECÔNCAVO DA GUANABARA À BAIXADA FLUMINENSE

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO: O EHELO E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA BAIXADA FLUMINENSE
Amália Dias e Angélica Borges, Líder e vice-líder do grupo de pesquisa Ehelo, Professoras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

PARTE I
PROCESSOS DE ESCOLARIZAÇÃO E PROJETOS EDUCACIONAIS NO SÉCULO XIX: ENTRE ENGENHOS, QUILOMBOS E CAPELAS


1 DIFUSÃO DA ESCOLARIZAÇÃO NO RECÔNCAVO DA GUANABARA: INSTALAÇÃO E AMPLIAÇÃO DA MALHA ESCOLAR PRIMÁRIA NO PERÍODO DO IMPÉRIO
Angélica Borges

2 “BENEFÍCIO INDISPENSÁVEL À CLASSE POUCO FAVORECIDA DA FORTUNA”: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO DERRAMAMENTO DA INSTRUÇÃO NA VILA DE ESTRELA (1846-1889)
Beatriz Souza dos Santos

3 A INSTRUÇÃO DA INFÂNCIA NO RECÔNCAVO DA GUANABARA: UMA ANÁLISE DA INSTRUÇÃO E DO MAGISTÉRIO FEMININO NO MUNICÍPIO DE MAGÉ (1839-1889)
Kimberly Araujo Gomes Pereira

4 SUJEITOS, INSTITUIÇÕES E NORMAS: ASPECTOS DA ESCOLARIZAÇÃO EM IGUAÇU NO ÚLTIMO DECÊNIO DO IMPÉRIO (1879-1889)
Aline de Morais Limeira, Ana Carolina de Farias Miranda

PARTE II
PROCESSOS DE ESCOLARIZAÇÃO E PROJETOS EDUCACIONAIS NO SÉCULO XX: ENTRE REORDENAÇÕES GEOPOLÍTICAS E DISPUTAS EDUCACIONAIS

5 “VISTES QUE DA VERDADE A ESCOLA É UM TEMPLO”: EDUCAÇÃO E DOUTRINA ESPÍRITA NO ENSINO SECUNDÁRIO EM IGUAÇU (1930-1945)
Ana Paula da Silva Esteves

6 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NAS ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS (1947-1955)
Angélica de Sá de Oliveira Bauer Rodrigues

7 DUQUE DE CAXIAS, CIDADE INDUSTRIAL: PROJETOS DE EDUCAÇÃO E DISCIPLINARIZAÇÃO DE TRABALHADORES NA FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES (1942-1970)
Maissi de Cássia Julião Alves, Angélica Borges

8 O PATRONATO SÃO BENTO E AS ESCOLAS INSTALADAS EM SEU TERRITÓRIO (1950-1969)
Márcia Spadetti Tuão da Costa

9 OS COMITÊS POPULARES DEMOCRÁTICOS NA BAIXADA FLUMINENSE (1945-1947): EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO POPULAR
Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro, Vitor da Silva Batista, Láiza Bianca Luna de Souza de Oliveira

PARTE III
PROFISSÃO DOCENTE NA BAIXADA FLUMINENSE


10 DOCÊNCIA E ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS NEGRAS (FORMAIS E INFORMAIS) DE INSERÇÃO SOCIAL NO RECÔNCAVO DA GUANABARA
Lucimar Felisberto dos Santos, Jessica Tomaz Ferreira, Angélica Borges

11 AGENTES DA INSTRUÇÃO PÚBLICA ESTADUAL EM IGUAÇU: EXPERIÊNCIAS DE FUNCIONARIZAÇÃO DOCENTE NA DÉCADA DE 1890
Isabela Bolorini Jara

12 LUGARES DE MAGISTÉRIO NO CENTENÁRIO DE IGUAÇU (1933)
Amália Dias, Sara Cristina Gomes Barbosa da Silva, Mariana Hapuque Raphael da Silva,
Cristiane Gonçalves de Araújo
13 NAS PÁGINAS DE O INFANTIL: O CAPITAL SOCIAL DOCENTE EM BELFORD ROXO (1939/1940)
Kátia Maria Soares
14 FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA BAIXADA FLUMINENSE: PATRIMÔNIO EDUCACIONAL COMO DESAFIO
Icléa Lages de Melo, Amália Dias

PARTE IV
MEMÓRIA E PATRIMÔNIO NO CAMPO DA EDUCAÇÃO


15 PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA ORAL: MEMÓRIA, RESISTÊNCIA E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM DUQUE DE CAXIAS
Cristiane Dias Nunes, Marcia Montilio Rufino, Márcia Spadetti Tuão da Costa,
Marluce Souza de Andrade, Renata Spadetti Tuão, Thays Rosalin de Araujo

16 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA BAIXADA FLUMINENSE NA DITADURA CIVIL-MILITAR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DE PESQUISAS
Alzira Batalha Alcântara, Marlucia Santos de Souza

17 INSTITUTO HISTÓRICO: A FUNÇÃO EDUCATIVA NA CONSTRUÇÃO DE MEMÓRIAS NA CIDADE DE DUQUE DE CAXIAS (2001-2008)
Eliana Santos da Silva Laurentino

18 “ENTÃO, COMO TRABALHAR A HISTÓRIA DA CIDADE, SE A HISTÓRIA DA CIDADE ESTÁ SENDO APAGADA AOS POUCOS?”: SENSIBILIDADES E EXPERIÊNCIAS NO ENSINO DA HISTÓRIA LOCAL DOS JOVENS MUNICÍPIOS DA BAIXADA FLUMINENSE
Claudia Patrícia de Oliveira Costa

SOBRE OS AUTORES 

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Seminário Elos do Magistério na Baixada Fluminense





quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Salário de professores pesa mais na qualidade do ensino do que formação profissional

Leia este esclarecedor artigo do professor Luciano Mendes de Faria Filho, na coluna Cidades das letras no Brasil de Fato MG, abordando a questão do mito da (má) formação docente

Artigo | Profissão docente: o mito da formação

Por Luciano Mendes de Faria Filho


O leitor já deve ter notado que, de um modo geral, quando se fala dos problemas da saúde no Brasil e da precariedade do transporte público nas grandes cidades, raramente ou nunca se imputa o problema à insuficiente formação da classe média ou das pessoas que trabalham na organização do trânsito.

O mesmo não ocorre, no entanto, em relação à educação escolar. Nesta, quase sempre quando se fala da suposta falta de qualidade da escola, imediatamente se argumenta que o principal problema é a falta de formação docente.

Nesta semana em que se comemora o Dia da Professora, é preciso combater o mito de que o principal problema da escola pública brasileira decorre da precária formação de seus profissionais. Essa é uma condição fundamental para que possamos, de fato, atacar os problemas estruturais para que a escola pública básica brasileira possa ter a qualidade socialmente referenciada que todas as nossas crianças, adolescentes e jovens têm direito e merecem.

Este verdadeiro mito sobre a “má formação docente como sendo a causa de todos os males da escola pública” vem de longe e é reiteradamente atualizado nos mais diversos discursos, inclusive daquelas pessoas que, bem-intencionadas, acabam por repeti-lo sem notar o desserviço que prestam à causa.

Há, inclusive, muitos programas atuais de melhoria da qualidade da escola pública que se baseiam, fundamentalmente, nessa premissa.

Problema não está na formação

A primeira razão da força do mito é sua fundação e sua reiteração. Ele vem de longe. Surge no século XIX, momento em que se percebia o “atraso” brasileiro no concerto das nações e buscava-se expandir a escola; porém, não havia dinheiro suficiente. Há quase 150 anos, Rui Barbosa, uma grande referência para políticos, juristas e educadores afirmava a necessidade de duas reformas: “a reforma dos métodos e a reforma do mestre: eis, numa expressão completa, a reforma escolar inteira”.

A segunda razão, possível de vislumbrar já no texto de Rui Barbosa, é que sistematicamente, se escolhe, em política pública para a educação no Brasil, o que é mais barato em detrimento ao que é mais fundamental ou estruturante. Reformar métodos e o mestre é a coisa mais barata em educação. O difícil mesmo é criar condições de salário, carreira e trabalho que garantam as boas condições do exercício da profissão.

Não por acaso, dizia o Secretário do Interior de Minas Gerais, pasta responsável pela instrução pública, em 1906: “O regulamento estabelece a preferência da professora para o ensino primário [por] que a professora com mais facilidade sujeita-se aos reduzidos vencimentos com que o Estado pode remunerar o seu professorado”.

Em terceiro lugar, a reiteração do mito é generificada, ou seja, a centralidade da formação advém do fato de que os discursos e as representações sobre a docência, como se pode ver acima, não representam vozes das mulheres que passaram a ocupar, a partir do final do século XIX, a sala de aula. Ele é sistematicamente atualizado na voz cada vez mais potente dos homens que, não estando na escola, dirigem os “negócios da educação”.

Não por acaso, como lembravam Zeila Demartine e Fátima Antunes em um estudo clássico sobre o tema:   o magistério é uma profissão feminina, mas uma carreira masculina. Talvez, neste sentido, não seja por acaso que a gente não tenha tido, até hoje, nenhuma Ministra da Educação durante o regime democrático.

Ainda relacionado à generificação das análises e das políticas defendidas para o magistério, em que se sobrelevam as vozes em defesa de uma maior e melhor formação das mestras, está o fato de que, até hoje, perdure a errônea representação de que o salário das mulheres professoras é para complementar o salário dos maridos.

Ainda que o movimento sindical das professoras tenha buscado desmascarar este mito, ele persiste na cabeça de boa parte do parlamento brasileiro – majoritariamente masculino – que legisla sobre as carreiras e salários docentes.

Uma quinta razão para a permanência no mito é que ele é realimentado, continuamente, pelas próprias instituições de formação de professores, as quais, como forma de justificar e sua permanência e centralidade, não poupam esforços para oferecer razões para que o mito permaneça.

Hoje, boa parte das pessoas “qualificadas” para participar do debate sobre o tema se encontrem nas universidades e não se sentem cúmplices fundamentais de suas colegas que atuam na educação básica. Um sintoma disso é que, por exemplo, são raras as instituições de formação que celebram a Semana da Professora ou que têm o dia 15 de outubro como feriado.

Sendo claramente um mito, este da falta de formação docente como o aspecto central da educação brasileira, por que ele permanece e é reiteradamente atualizado nas políticas públicas, inclusive de governos ditos de “esquerda”?

Formação x salário e condições de trabalho

E por que ganha tamanha centralidade no debate educacional, ocupando, por exemplo, o lugar que deveria ser do debate sobre salário, carreira e condições de trabalho?

Em um texto de 1985, o professor Miguel Arroyo perguntava: “Quem de-forma o profissional do ensino?”. Em resposta à sua própria pergunta Arroyo respondia: as próprias condições de trabalho em que estes profissionais atuam. E este tem sido a resposta também do movimento sindical das docentes da educação básica, que, felizmente, teimam em não cair no conto do vigário.

Mas, continuo perguntando, por que os políticos, jornalistas, profissionais das fundações privadas e até mesmo pesquisadores continuam repetindo o mantra da falta de formação? Por que não ouvem as professoras dizendo que o problema da educação brasileira não é a falta de formação do seu professorado e sim a precariedade de suas condições reais de existência?

Talvez possam ser trazidos aqui mais dois elementos importante para entendermos a questão: a primeira, o esquecimento; a segunda, a falta de cumplicidade com a luta das mulheres trabalhadoras da educação.

O esquecimento: quem conhece a história da universidade pública no Brasil sabe que, até final dos anos de 1960, elas eram quase exclusivamente instituições de ensino. O que as tornou uma potência na produção científica nas décadas seguintes, não foi o apelo à formação de seus quadros: foi a instituição de salários, carreiras, dedicação exclusiva... ou seja, a profissionalização.

A busca por uma maior formação foi uma consequência das exigências e dos benefícios da carreira, e não o contrário. Quem defende que a (boa) formação vem antes de salários e carreiras querem, na verdade, colocar o carro à frente dos bois (ou enganar a patuleia).

Falta de cumplicidade

Não é de hoje que se sabe que a profissão docente na escola básica brasileira vem sendo exercida nas últimas décadas por trabalhadoras pobres e, cada vez mais negras. Em contraste, as pessoas que dizem publicamente da profissão e legislam sobre a mesma são, majoritariamente, masculinas e brancas.

Então, este dia 15 de outubro – Dia da Professora - é ocasião, mais uma vez, de nos perguntarmos: com quais discursos e razões nos identificamos? Por que nos toca mais saber que as professoras brasileiras são mal formadas do que saber que recebem o pior salário do mundo? Quais os mitos abraçamos?

A quem prestamos nossa solidariedade e emprestamos a nossa cumplicidade?


Luciano Mendes de Faria Filho é pedagogo e doutor em Educação e Professor Titular da UFMG. Publicou, dentre outros, “Uma brasiliana para a América Hispânica – a editora Fondo de Cultura Econômica e a intelectualidade brasileira” (Paco Editorial, 2021)


quinta-feira, 5 de outubro de 2023

¡Cuba Vive y Resiste!

Campanha Pela Retirada de Cuba da Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo

Por mais de 60 anos, o governo dos Estados Unidos da América tem adotado uma política hostil contra Cuba, com a clara intenção política de sancionar e isolar o povo cubano.

Em meio à pandemia, o governo Trump tentou prejudicar ainda mais a economia cubana, não apenas reforçando o bloqueio, mas também incluindo Cuba na Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo.

Essa designação impediu que Cuba realizasse transações usando sistemas bancários internacionais e, por fim, adquirisse bens necessários no mercado internacional, como combustível, alimentos, materiais de construção, produtos de higiene e medicamentos.

Queremos alcançar um milhão de assinaturas para exigir da atual administração dos Estados Unidos a exclusão de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo e a eliminação incondicional do bloqueio, que é repudiado por toda a comunidade internacional.

ASSINE E COMPARTILHE - #CubaVive #ForaDaLista

Assine no link: https://pt.letcubalive.info/

Você também pode coletar assinaturas para o abaixo-assinado em papel. Seguem as orientações de como proceder:

ABAIXO-ASSINADO EM PAPEL

1. Faça o download dos abaixo-assinados em papel e colete assinaturas pessoalmente. 

Download do abaixo-assinado no link: 

https://static1.squarespace.com/static/64c032bf036eda58c60a4b88/t/64d55967c89b5301ad9c9825/1691703655594/PT_Petition.pdf

2. Faça o upload de imagens dos abaixo-assinados impressos preenchidos no link: https://pt.letcubalive.info/sign-on


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Memórias e emoções de Olga Benario Prestes em sua última noite de vida

Conforme matéria de Keila Moreira, no Acústica FM, o premiado espetáculo teatral "Olga", estreado pela primeira vez em 2018, tem agenda de apresentações em teatros do Sesc/RS a partir de 21 de setembro. O espetáculo teatral passará por Camaquã (21/09), Ijuí (27/09), Santa Rosa (28/09) e Gravataí (05/10). Os ingressos custam a partir de R$ 10,00 e podem ser adquiridos pelo site ou em qualquer Unidade Sesc/RS. A classificação etária do espetáculo é a partir de 14 anos.



Recriando fragmentos da vida da revolucionária comunista Olga Benario Prestes (1908-1942), assassinada num campo de concentração na Alemanha nazista, a peça foi concebida pela atriz Edelweiss Ramos, que estrela o monólogo, e conta com direção de Camila Bauer. O texto é assinado por ambas, ao lado de Pedro Bertoldi, com autorização e acompanhamento de Anita Prestes, filha de Olga Benario Prestes.

Produção intimista, porém repleta de detalhes, em que o cenário de Ronaldo de Almeida e Diego Stefani situa a personagem em um espaço fechado de 2m x 2m, cercado de pilares e arames farpados que remetem a um campo de concentração. 

O figurino de Liane Venturella foi inspirado no uniforme utilizado pelas presas no campo de concentração de Ravensbrück, que aproveitava sobras de uniformes usados por prisioneiras já eliminadas. 

A iluminação de Ricardo Vivian foi pensada para compor parte da cenografia. Já a trilha sonora de Álvaro Rosa Costa foi criada com base em pesquisas sobre os sons existentes nos campos de concentração, propondo um mergulho nos sons da incerteza perante a barbárie. 

A produção dá o tom às memórias e emoções de Olga, em sua última noite de vida. 

FONTEAcústica FM