terça-feira, 27 de julho de 2021

Anita Prestes no blog da Boitempo

Convidada para escrever uma coluna no blog da Boitempo, a historiadora Anita Prestes estreia nesta terça-feira, dia 27/7, com o texto "Bolsonarismo: uma ameaça fascista?".

"Não se deve descartar a possibilidade do estabelecimento de um regime de tipo fascista, meta implícita e explicitamente muitas vezes confessada por Bolsonaro – recurso extremo do qual o capital lança mão quando não consegue assegurar seu domínio através dos meios proporcionados pelo estado de direito burguês."


CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA LER O TEXTO NA ÍNTEGRA:

https://blogdaboitempo.com.br/2021/07/27/bolsonarismo-uma-ameaca-fascista/


Anita Leocadia Prestes, nascida em 27 de novembro de 1936 na prisão feminina de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha Nazista, é uma historiadora brasileira, filha dos militantes comunistas Olga Benario Prestes e Luiz Carlos Prestes. É doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada de UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes. Autora da ambiciosa biografia política Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (Boitempo, 2015) e do livro Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo (Boitempo, 2017). narra sua extraordinária trajetória de vida em Viver é tomar partido: memórias (Boitempo, 2019). Assina o artigo “Luiz Carlos Prestes e a luta pela democratização da vida nacional após a anistia de 1979” publicado no livro Ditadura: o que resta da transição? (Boitempo, 2014), organizado por Milton Pinheiro.







Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro 







Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo






Viver é tomar partido: memórias





sábado, 24 de julho de 2021

PRÉ-VENDA! Eleanor Marx: uma vida

Coleção Vida e Obra, História Geral, Editora Expressão Popular

Como resume a biógrafa Rachel Holmes: "Eleanor era uma escritora revolucionária; uma mulher revolucionária: uma revolucionária. Era uma pessoa de palavras e ação". 

O livro Eleanor Marx: uma vida é a primeira biografia da filha caçula da família Marx a ser publicada no Brasil. Foi traduzido com o principal objetivo de trazer à luz a trajetória desta mulher que ainda em vida foi uma grande referência para a classe trabalhadora, mas que segue relativamente desconhecida em nosso país.

Última filha de uma família incomum – a família de Karl e Jenny Marx –, concentra em sua trajetória o legado das lutas socialistas que a precederam e investigações próprias acerca do feminismo sob perspectiva socialista. Além disso, foi um exemplo de militante internacionalista.

A biografia tem uma escrita fluida e cativante, e nos apresenta a vibrante trajetória de uma militante que se envolveu de corpo e alma nas principais questões da esquerda à época, abrangendo uma multiplicidade de frentes de ação. Eleanor escreveu panfletos, traduziu assembleias, encontros e inclusive autores como Flaubert e Ibsen. Deu aulas, apostou no trabalho de base, organizou arrecadações de fundos para partidos e sindicatos, fortaleceu campanhas fundamentais como a de libertação dos mártires de Chicago e realizou uma imensidade de falas públicas sobre o mundo do trabalho e a perspectiva socialista. Por todas essas vias, Eleanor Marx teve um engajamento exemplar e original em relação à preservação e continuidade do legado de Karl Marx e Friedrich Engels.

Rachel Holmes nasceu em Londres e foi criada na África do Sul. Este é o primeiro livro dela traduzido ao português. Dedicada à história radical, também biografou Sylvia Pankhurst e Sarah Baartman, além de coeditar coletâneas feministas.

Capa: @zangadas_tatu 

* Pré-venda! Envios a partir de 5 de Agosto!

https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/eleanor-marx-uma-vida/

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Maria Aragão, Prestes e a luta pelo socialismo

 Live 30 anos sem Maria Aragão

Com a Professora Anita Prestes

Sexta-feira, dia 23/7/2021, às 17 horas.

Link para a live no YouTube: https://youtu.be/iMpv_vIk8Yg

Link para a live no Facebook: https://www.facebook.com/OiFranklin/


Professor Franklin: 5ª Roda de Conversa sobre Maria Aragão, maranhense, mulher, negra, médica e lutadora pelo socialismo, ao lado de Luís Carlos Prestes, falecida em 23 de julho de 1991. Nesta Live, a Professora Anita Prestes faz uma exposição sobre Prestes e Maria. Com comentários de João Otávio Malheiros e Rosário Braga, vídeo-performance de Maira Ethel e canções para Maria por Maria Mustafá




domingo, 11 de julho de 2021

Assista a "Brasil: democracia sob tutela militar"

 Roda de Conversa do Coletivo Cotonetes realizada no dia 8 de julho de 2021 

CLIQUE NO LINK PARA ASSISTIR:

Live com

- Anita Leocadia Prestes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro

- Jonas Duarte, da Universidade Federal da Paraíba

Participação de Genaro Ieno e Romero Antônio (Coletivo Cotonetes)

Na abertura, a Presidenta do PC do B, Gregória Benário, presta uma homenagem ao seu pai, Nilson Poeta, recentemente falecido.

Mediação: Carmélio Reynaldo

Link para artigo citado por Anita Prestes sobre militarismo na política brasileira: 

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/12089




sexta-feira, 2 de julho de 2021

BRASIL: A TRANSIÇÃO DA DITADURA MILITAR PARA UMA DEMOCRACIA TUTELADA PELOS MILITARES. CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E ENSINAMENTOS

ARTIGO DE ANITA PRESTES

 Revista Novos Rumos, v. 58 n. 1 (2021).

CLIQUE NO LINK PARA LER OU FAZER DOWNLOAD DO TEXTO:

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/12089/7353

Resumo

No artigo é feita uma análise sucinta do golpe civil-militar de 1964 no Brasil, da ditadura militar que se estabeleceu no país e de sua evolução para um regime de tipo fascista. É abordada a crise do regime ditatorial e a sua institucionalização iniciada nos anos 1970 e concluída com a promulgação da Constituição de 1988. São examinadas as causas e as consequências do regime de democracia tutelada pelos militares que se formou no país como resultado da institucionalização promovida sob a égide do Alto Comando do Exército. Registram-se a permanência dessa democracia tutelada nos governos do PT e os seus desdobramentos: a deposição do governo Dilma Rousseff pelo golpe jurídico-parlamentar de 2016, a eleição de Jair Bolsonaro e as dificuldades para o avanço da luta antifascista no país.

Palavras-chave: Golpe civil-militar; ditadura militar; fascismo; tutela militar; poder militar.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Lançamento | História da Comuna de 1871

Coleção Assim Lutam os Povos


A Editora Expressão Popular, em parceria com a Adunirio – filiada ao Andes-SN –, acaba de publicar o livro A história da Comuna de 1871, de Hippolyte Prosper-Olivier Lissagaray. A obra é um clássico e teve sua primeira edição no Brasil em 1991, publicada pela Editora Ensaio na ocasião dos 120 anos da Comuna.  

Na apresentação, já é possível entender sua relevância por contar uma história que tenta ser apagada a todo custo, como destaca o professor Paulo Douglas Barsotti: “as classes dominantes capitalistas sempre cobriram com um manto de obscurantismo a história dos trabalhadores e, em especial, de seus movimentos revolucionários. A Comuna de Paris de 1871 é um capítulo exemplar dessa ‘conspiração do silêncio’, que ignora a primeira revolução vitoriosa dos trabalhadores e tenta jogá-la na vala comum do esquecimento. Evento histórico banido da maior parte dos livros de história no Brasil e no mundo, ou, quando muito, referido em poucas linhas como a ‘revolução horrenda’ e minimizada sua importância”. 

Já para Eleanor Marx Aveling, filha de Karl Marx, no texto de Introdução à primeira edição inglesa, em 1886, esta “é a única história autêntica e confiável que já foi escrita do movimento mais memorável dos tempos modernos". E completa: “é tempo de as pessoas compreenderem o verdadeiro significado desta Revolução; e isto pode ser resumido em poucas palavras. Significou o governo do povo pelo povo. Foi a primeira tentativa do proletariado se autogovernar”.  

Deu vontade de ler e conhecer mais essa história? Você já pode garantir sua edição no site da Expressão Popular: https://bit.ly/historia_comuna1871

Vamos juntos e juntas compartilhar esse capítulo da história escrito pelo povo!

FONTE: https://www.facebook.com/ed.expressaopopular/photos/a.301967666592328/3864212233701169/


sexta-feira, 18 de junho de 2021

Anita: “Prestes denunciava tutela militar e deram pouca importância”

Entrevista de Anita Prestes ao PROGRAMA FAIXA LIVRE (17/6/3021)

A presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes e professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Anita Prestes ressaltou que seu pai já alertava, nos anos 1980, mesmo após o fim da ditadura, a influência das Forças Armadas na institucionalidade, algo que se dá de maneira evidente na gestão do presidente Jair Bolsonaro, comentou a atuação da esquerda em meio aos retrocessos atuais e falou a respeito das cartas recuperadas por ela, enviadas pelos seus familiares a Luiz Carlos Prestes enquanto ele estava preso.

Clique no link abaixo para ouvir a entrevista de Anita Prestes:

http://www.programafaixalivre.com.br/noticias/anita-prestes-denunciava-tutela-militar-e-deram-pouca-importancia/

domingo, 13 de junho de 2021

Izquierda capitalista x ultra derecha facista son las venas abiertas del Brasil?

Programa Venas Abiertas de América Latina

Com la historiadora Anita Prestes

17 de Junio

8:00 pm Santiago del Chile

21h Brasil



El programa Venas Abiertas de América Latina de esta semana tendrá como tema el gigante dormido - Brasil.

El dilema actual del país en su situación política es una izquierda capitalista versus una ultra derecha capitalista fascista que abrió aún más las venas del gigante latinoamericano.

Y para comentar todo lo desastroso que vive Brasil tendremos una Camarada muy especial.

Historiadora comunista, hija de uno de los más importantes revolucionarios de este país, Luiz Carlos Prestes y de la revolucionaria ejecutada por el gobierno nazi fascista de Alemania en 1942 Olga Benario, Camarada Anita Leocádia Prestes.

Tramsmissión YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=h9QpiNHWyMw


terça-feira, 8 de junho de 2021

A DECISÃO CONIVENTE DO STF COM GETÚLIO VARGAS EM 1936 NO CASO DA EXTRADIÇÃO DE OLGA BENARIO PRESTES

ENTREVISTA DE ANITA PRESTES AO PROGRAMA JORNAL DA JUSTIÇA

A entrevista irá ao ar na TV JUSTIÇA, no dia 11/06/2021, 6a-feira, às 12h30min., no Jornal da Justiça - 1ª Edição. 

A entrevista também poderá ser assistida no YouTube (ficará gravada): https://youtu.be/sTUeEzTtnJw






segunda-feira, 7 de junho de 2021

Filha de Prestes emociona-se ao ler a carta de sua mãe Olga Benario

A emoção não foi somente da filha ao ler fragmentos da carta de Olga, sua mãe, como de todos que a assistiam e também compartilhavam da intensidade das palavras escritas pela revolucionária comunista semanas depois que conseguiu entregar sua filha a avó.


PUBLICADO EM JUNHO 7, 2021 | POR ESTADOS GERAIS DA CULTURA



A voz dela tremeu um pouco e embargada pela emoção fez a leitura da carta de Olga Benario Prestes para seu marido Luiz Carlos Prestes: “Que Anita Leocádia seja a representante do nosso amor e da nossa solicitude junto a nossa mãe”.


Com essa frase Olga Benário Prestes encerra a primeira carta dirigida ao líder comunista, Luiz Carlos Prestes, datada de 12 de fevereiro de 1938, escrita logo após a entrega da filha Anita Leocádia para sua avó paterna, uma grande conquista da alemã-judia Olga, que se encontrava numa prisão nazista e precisava proteger seu bebê do encaminhamento a um orfanato na Alemanha, no qual seria criado na época de acordo com os interesses de Hitler.


Anita Leocádia Prestes hoje tem 84 anos. Vive no Brasil, é escritora, professora e historiadora. Sua vida foi marcada pela trajetória revolucionária dos pais e graças ao poder da literatura e da arte, pode contar a história de seus pais, um casal que em nenhum momento desistiu de lutar pela igualdade e liberdade de um povo


A leitura das cartas dos dois revolucionários foi um presente a todos que assistiram o encontro promovido pelos Estados Gerais da Cultura, num fim de tarde dominical, um dos mais emocionantes debates, entre os maravilhosos já realizados, que nos trouxe alguns fragmentos de uma história desumana e injusta sobre equívocos do poder e abusos cometidos pelos homens em nome de causas políticas, inserido no tema Teatro Remoto e Resistência Artística.


Luiz Carlos Prestes foi um militar e político brasileiro, comunista e uma das personalidades políticas das mais influentes no Brasil durante o século XX. Olga Benario, sua companheira, foi militante política alemã-judia da Internacional Comunista, juntos tiveram uma filha Anita Leocádia, cujo parto foi feito numa prisão na Alemanha.


A primeira carta lida por Anita foi a de Luiz Carlos Prestes dirigida à sua mãe Leocádia, que estava no México, em novembro de 1940. Uma preciosidade histórica, na qual Prestes revela de si uma tenacidade fora do comum e um espírito de humildade e esperança. Em nenhum momento percebe-se palavras de desalento e a vontade de desistir. Ele tinha sido condenado já por 16 anos e oito meses de prisão e quando escreve a carta soube de uma nova sentença que lhe condenava a cumprir mais 30 anos, num total 46 anos de prisão.


“Quero que tenha a certeza de que apesar que tudo que há de triste e desagradável na situação em que me encontro não me sinto absolutamente infeliz e não há nada que consiga a levar ao desespero. Cada vez compreendo mais, claro e nitidamente os acontecimentos e isso me dá uma grande força. Além do mais, tudo que me acontece na vida. por mais que negativo que nos pareça, tem sempre seu lado positivo e é sobre ele que devemos refletir quando nada mais podemos fazer. Esta última condenação, pela própria brutalidade de sua grandeza muito me tem feito pensar. Seja ela definitiva ou transitória eu bem sinto que marcou definitivamente a minha vida. Parece que assim como a morte, esta grande niveladora que a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, a todos nos iguala. Esta sentença livrou-me agora do resto do orgulho e ou de vaidade que certamente ainda possuía e atirou-me definitivamente no mar imenso dos mais humildes e desprotegidos. E isto sinceramente não me desagrada.


A primeira carta de Olga Prestes depois da entrega do bebê, a mãe Leocádia, um mês depois, expõe a mulher forte e determinada que foi essa alemã-judia em sua militância, sobretudo o grande amor que unia o casal. Anita Leocádia saiu da prisão em 21 de janeiro de 1938 e Olga escreveu a carta em 12 de fevereiro do mesmo ano. É uma carta que se lê deixando lágrimas escorrerem livremente pela face, tal é a intensidade de sentimentos misturados com o afeto pelo marido e pela filha, expressa na mensagem. Olga escreve que o período mais negro de sua vida foi de março de 1936 a fevereiro de 1938, período da prisão dos dois. Mal ela sabia, que ainda viveria por mais quatro anos suportando todo o tipo de tortura praticados nos campos de concentração nazistas, na Alemanha, contra os judeus.


“Certamente já sabe há muito tempo, pela nossa querida mãe, que a nossa pequenina não está mais comigo. Posso afirmar, com certeza, que de 5 de março de 1936 a 21 de janeiro de 1938, atravessei o período mais negro de minha vida. Entende certamente, o quanto um homem pode compreender o que se passou em mim e o que se percebe e o que significa ser mãe. Diante de tais acontecimentos tem-se a seguinte alternativa: o bem se é quebrado ou  bem se endurece. Tu sabes que somente a segunda alternativa pode a mim colocar-se. Para isso sou ajudada firmemente pelo fato de que ainda sou capaz de distinguir entre pouco significado do que diz respeito a uma pequena pessoa em particular e os acontecimentos que interessam em geral a todos e ao inverso. Mas já imaginaste alguma vez, como são extraordinários os azares do destino. Nós dois estamos atrás dos muros de uma prisão em dois continentes diferentes. Da nossa vida em comum nasceu um pequeno ser e agora este ser encontra-se seguro nos braços da nossa querida mãe. Que Anita Leocádia seja a representante do nosso amor e da nossa solicitude junto a nossa mãe”.


Como é para você Anita revendo este passado dos seus pais, como é para você que continua na luta que eles tiveram?


Desde muito pequena fui educada pelas minha avó e minha tia. Desde a mais tenra infância, dentro do entendimento de uma criança, eu sabia da história dos meus pais que estavam numa prisão, um no Brasil e outro na Alemanha e tinha uma ideia simplificada do que era o nazismo, o fascismo- no olhar de uma criança. Mas sempre me orgulhei da luta deles empenhados num futuro melhor para todas crianças do mundo.


Eu sempre fui criada numa família comunista, minha avó e minha tia. Eu fui criada neste clima de muita solidariedade. Os exemplos de meus pais sempre orientaram a minha vida. Nunca pretendi ser igual a eles, evidentemente, mas seguir o exemplo. E sempre tive e continuo tendo muita admiração por eles. E hoje em dia que já estou com muita idade, 84 anos, às vezes relembro estas cartas e as coisas que eles escreveram e realmente relendo aqueles textos agora, os entendo de maneira diferente. Compreendo-os com mais profundidade, a grande profundidade dos sentimentos, do sofrimento e mesmo da firmeza destes dois revolucionários. Acima de tudo, o Prestes e a Olga já eram revolucionários. O Prestes antes de ser comunistas já era revolucionário. A Olga desde os 15 anos já tinha saído de casa para participar dos movimentos revolucionários na Alemanha. Eu fui educada neste ambiente e hoje relendo esses documentos, essas cartas, claro que frequentemente me emociona, apesar de já conhecer a história de longa data, me surpreendo com a firmeza deles. Este meu último livro, a comunista Olga nos arquivos da Gestapo, foi para complementar o livro de Fernando Moraes, com essa documentação que estava desconhecida. Uma documentação riquíssima que traz informações sobre Olga que nós não tínhamos. Ela não saiu do campo de concentração como outras colegas conseguiram sair para países que ofereciam asilo político porque ela nunca concordou em delatar os companheiros da Internacional Comunista e os dela .Tem vários depoimentos dela e a Gestapo pressionava neste sentido. “Se outros se tornaram traidores eu jamais serei”. Por isso não saiu da Alemanha, e por isso que foi assassinada em abril de 1942 numa câmara de gás. Então, essa firmeza deve ser um exemplo para novas gerações. Por isso, procuro aproveitar os espaços para que estas informações cheguem as novas gerações. Acho muito importante teatro, cinema, arte, trabalhos culturais, porque é uma forma de levar para as grandes massas, para juventude, o conhecimento. O conhecimento chega de forma muito mais palatável, muito mais compreensível, através da arte, de um bom filme, do teatro, da música, muitas mais do que como nós, historiadores, escrevemos longos tratados. Isso não quer dizer que uma coisa invalida a outra. Mas a forma de chegar ao povo, às grandes massas, que a cultura a arte permitem, é insubstituível. Não é por acaso que um governo que caminha para o fascismo como este do Bolsonaro, atinge, grandemente, em grande parte, prioritariamente, a cultura e a arte. O cerco é de desmantelar. Depoimento de Anita Leocádia.


Confiram mais no vídeo:



quinta-feira, 3 de junho de 2021

Teatro Remoto e Resistência Artística.

Os Estados Gerais da Cultura recebem a historiadora Anita Prestes, filha dos revolucionários comunistas Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes

Domingo, dia 06/06, às 17h. Transmissão pelo YouTube (https://www.youtube.com/c/EstadosGeraisdaCultura ou Facebook (https://www.facebook.com/EstadosGeraisDaCultura/)




Os Estados Gerais da Cultura reúnem um grupo exemplar na produção de arte como militância em política e questões sociais, para falar sobre Teatro Remoto e Resistência Artística. Será um encontro memorável com a filha de Luiz Carlos e Olga Prestes, que carrega na sua trajetória parte relevante da história do comunismo no Brasil e junto com ela três nomes do mundo artístico, Fernanda, Vera e Fábio, que colocam em primeiro plano a poética da vida refinada pela arte.


Anita Leocadia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936 na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista, filha dos revolucionários comunistas Luiz Carlos Prestes, brasileiro, e Olga Benario Prestes, alemã. Autora de vasta obra sobre a atuação política de Luiz Carlos Prestes e a história do comunismo no Brasil, é doutora em história social pela Universidade Federal Fluminense, professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes. Publicou, pela Ed. Boitempo Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (2015), Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo (2017) e Viver é tomar partido: memórias (2019).


Vera Novello é atriz, autora, produtora e professora. Há 26 anos à frente da Lúdico Produções, realizou mais de 130 projetos de teatro, ballet, ópera, patrimônio. Em 2019 produziu e atuou em “Vianinha conta o último combate do homem comum” – dir. Aderbal Freire Filho no Sesc 24 de maio (SP). Escreveu em parceria com Ana Velloso o premiado musical infantil “O Choro de Pixinguinha”, que circulou no SESC Rio também em 2019. Durante a pandemia produziu espetáculos online como “Segredo de Justiça” inspirada no livro da Juíza Andréa Pachá; “The And”, de Isabel Cavalcanti de Cláudio Gabriel, a partir da obra de Beckett; “Mãe-De-Ninguém” projeto do grupo Yonis Magníficas; entre outras. Em 2021, atuou e produziu “Atlântida – uma radionovela”, em cartaz no Canal Sesc /Youtube.


Fábio Ferreria é diretor teatral, dramaturgo, tradutor e professor universitário. Escreveu crítica teatral em publicações como o Jornal do Brasil/Caderno B, Revista Bravo!, Revista Gesto e Revista Questão de Crítica. Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC Rio/ Universidade de Copenhagen. Professor da PUC Rio/Artes Cênicas e Letras, atuando também no Curso de Especialização em Arte e Filosofia, do Departamento de Filosofia, da PUC Rio. É diretor artístico da Cia Bufomecânica junto com Claudio Baltar. Criou os Festivais Rio Cena Contemporânea e ArtCena: Processos de Criação. É curador internacional de artes da cena. Pesquisador do Grupo de Estudos sobre Samuel Beckett, da USP/CNPq.


Fernanda Azevedo é atriz, professora e pesquisadora teatral. Mestre em teatro pela Unesp. Integrante Movimento de Teatro de Grupo de São Paulo e do Coletivo Comum.


O encontro contará com a dupla musical da Associação Zona Franca, Alejandra e Bruno Menagatti, uma Pensata na voz de Eduardo Tornaghi, abertura pelo cineasta Silvio Tendler, e mediadores.


FONTE: ESTADOS GERAIS DA CULTURA


quinta-feira, 27 de maio de 2021

Triunfo da esquerda no Chile: foram abertas “as grandes avenidas”

 Por Atilio Boron   


Nas eleições do passado fim de semana no Chile as forças populares e democráticas obtiveram um grande sucesso. Serão largamente maioritárias na Convenção Constitucional, e a direita nem sequer conseguiu o terço de representantes com que contava para bloquear uma nova constituição que ponha fim ao pinochetismo. As grandes lutas de massas (quase insurreccionais) de Outubro de 2019 tiveram expressão determinante na votação popular.


No seu último discurso, em 11 de Setembro de 1973, e enquanto a aviação bombardeava o La Moneda, Salvador Allende expressou a confiança em que, mais cedo do que tarde, se abririam «as grandes avenidas» pelas quais os chilenos marchassem para construir uma sociedade melhor. Decorreu mais tempo do que todos esperávamos, mas finalmente no domingo elas começaram a abrir-se e a sua consequência foi uma vitória categórica da esquerda e uma derrota esmagadora da direita. Naquilo que todos consideravam como “a mãe de todas as batalhas”, a eleição da Convenção Constitucional, os “Outubristas”, filhas e filhos das grandes jornadas insurreccionais que se iniciaram em 18 de Outubro de 2019, alcançaram maioria que fez ir pelos ares o ferrolho da cláusula armadilhada do “terço de bloqueio”.

Como condição para aceitar a convocação para a Convenção Constituinte, a direita tinha imposto a regra dos dois terços para o quórum e para aprovar os conteúdos da nova constituição. Piñera e seus comparsas estavam seguros de que as urnas renderiam um resultado que lhes garantiria esse poder de veto, ao obter uns 35 ou 40 por cento do voto popular. Mas os cidadãos decidiram o contrário.

Castigaram o seu governo e seus aliados por três razões: a gestão desastrosa da crise da Covid-19 (tão admirada pelos sicários mediáticos da Argentina e pelos dirigentes do Juntos por el Cambio), a brutalidade da repressão aos protestos populares e a súbita tomada de consciência do saque a que o povo chileno fora submetido durante décadas pelo neoliberalismo governante, principalmente por obra de um perverso regime orçamental e do endividamento exorbitante a que foram condenadas milhões de famílias caídas abaixo do limiar da pobreza. Resultado: a pior eleição da direita desde 1965. Particularmente desastroso foi o resultado da outrora poderosa Democracia Cristã, que apenas contará com três dos 155 convencionalistas que compõem esse corpo.

A derrocada da direita também se verificou para além dos resultados da Convenção Constitucional.

Houve outras derrotas igualmente emblemáticas, como a experimentada num bastião tradicional (e estratégico) como a Prefeitura de Santiago, nada menos, que consagrou para o cargo Irací Hassler, uma jovem comunista que derrotou o anterior titular Felipe Alessandri, neto do ex-presidente conservador Jorge Alessandri, que se havia candidatado à reeleição. Ou a vitória esmagadora de Daniel Jadue, prefeito comunista da comuna da Recoleta, ao norte de Santiago, que venceu com 65 por cento dos votos e se perfila como um dos candidatos melhor posicionados para as eleições presidenciais que terão lugar em Novembro do corrente ano.

Em Valparaíso, Jorge Sharp, da Revolución Democrática/Frente Amplio, foi reeleito. Mas os seus companheiros arrebataram nada menos que a aristocrática Viña del Mar às forças conservadoras mais reaccionárias e conquistaram também as comunas de Ñuñoa, Maipú e Valdivia, na região de Los Lagos, onde foi eleita uma ex-dirigente estudantil e membro da Revolución Democrática, Carla Amtmann.

Foram também disputados cargos de Governadores das dezasseis regiões, uma novidade no Chile. Não têm muitas atribuições num país historicamente unitário, mas ainda assim houve situações ilustrativas dessa mudança no clima político transandino. O Frente Amplio venceu o governo de Valparaíso na primeira volta, e outras forças de oposição fizeram o mesmo no extremo sul: Aysén e Magallanes. Nas outras 13 regiões haverá segunda volta e as estimativas anteriores indicam que será muito improvável que a direita consiga mais de duas governações.

Em Santiago, travar-se-á uma grande batalha entre o democrata cristão Claudio Orrego, filho de um dirigente histórico dessa força (e encarniçado opositor do governo de Salvador Allende, estreitamente ligado à embaixada dos Estados Unidos, como demonstram documentos desclassificados da CIA) e Karina Oliva, do Partido Comunes, uma nova agrupação popular que conta com o apoio de outras forças de esquerda. Oliva está nos antípodas de Orrego, uma família pertencente à casta política tradicional do Chile, e define-se como “mãe solteira de Emilia, feminista e mulher popular, cientista política, frente-amplista e militante do Partido Comunes”.

Resumindo: a situação político-eleitoral mudou para melhor no Chile e isto alimenta expectativas promissoras não só para aquele país, mas para toda a América Latina. O projecto neoliberal, do qual o Chile era o navio almirante, está esgotado, e na eleição do passado fim de semana, foi carimbado o primeiro registo da sua certidão de óbito oficial. O segundo e último será conhecido no que resta do ano. Entretanto, na Argentina, ainda há alguns que anseiam imitar o “exitoso” modelo chileno e seu exemplar controlo da pandemia e da crise económica.

Também eles terão um rude despertar.

FONTE: ODiario.info

domingo, 16 de maio de 2021

Neta de Leocádia Prestes critica escola cívico-militar no RS: "Temos que combater"

Prefeito de Porto Alegre (RS) e deputado estadual Tenente-Coronel Zucco indicam escola sem a adesão do conselho escolar

Katia Marko

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) | 16 de Maio de 2021 às 18:48


Anita Leocádia Prestes, ao lado da foto de sua mãe Olga Benário, lembra que sua avó era professora e antimilitarista e educou os filhos assim também - Arquivo pessoal

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Leocádia Felizardo Prestes, que fica na Cohab Cavalhada, zona sul de Porto Alegre, foi centro de uma polêmica na semana que passou. Na última segunda-feira (10), o deputado Tenente-Coronel Zucco (PSL) lançou um vídeo nas suas redes sociais anunciando que a escola seria a primeira de Porto Alegre a adotar o modelo cívico-militar. O deputado estadual é autor da Lei 15401, de 17/12/2019, que estabelece o Programa Estadual das Escolas Cívico-militares.


Dois dias depois, na tarde de quarta-feira (12), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, esteve em Porto Alegre para receber das mãos do deputado a medalha da 55ª Legislatura da Assembleia Legislativa, “uma honraria em reconhecimento ao apoio decisivo do MEC na implementação do modelo de escolas cívico-militar no RS”.


Antes da solenidade, o ministro foi recebido pelo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, no Paço Municipal. O prefeito, então, encaminhou a indicação da Escola Leocádia Felizardo Prestes, como a primeira a fazer parte do projeto de escolas cívico-militares na Capital gaúcha.


No entanto, a indicação não foi “combinada com os russos”, ou seja, a direção e o conselho escolar não estavam sabendo da indicação. Em uma nota de esclarecimento divulgada na sexta-feira (14), a diretoria da instituição informou que nunca aderiu à proposta. O diretor da escola, Aldemir do Nascimento, disse que recebeu um formulário da Secretaria Municipal de Educação e preencheu. “Minha intenção era oferecer à comunidade escolar a possibilidade de avaliar, entender a proposta e decidir. Não decido nada sem o conselho escolar, por isso manifestei interesse em conhecer as diretrizes.”


Em nota pública, a diretoria da instituição informou que nunca aderiu à proposta / Divulgação



Segundo o diretor, após responder à secretaria, duas representantes da prefeitura visitaram o colégio acompanhadas da vereadora Nádia Gerhard (DEM) e do deputado Tenente-Coronel Zucco (PSL), ambos apoiadores de Bolsonaro. Aldemir sentiu certa pressão – reforçou, então, que precisava dividir a ideia com pais de alunos, professores e estudantes.


A implantação das escolas cívico-militares é uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Defesa. O critério de escolha das instituições leva em conta regiões de vulnerabilidade social, com extrema violência e indicadores de desempenho abaixo da meta. As escolas devem atender acima de 400 alunos, do 1º ao 9º ano de ensino fundamental, nos turnos da manhã e tarde. Critérios nos quais a EMEF não se enquadra, já que atende a Educação Infantil e EJA.


Em entrevista ao Brasil de Fato, a neta de Leocádia e filha de Luís Carlos Prestes, Anita Leocádia Prestes afirma que a escolha da escola não parece casualidade. “Eu não sei quantas escolas têm em Porto Alegre, mas é uma imensidão de escolas, uma quantidade enorme de escolas públicas. Por que exatamente essa? Parece uma provocação.”


Prestes nasceu em Porto Alegre, no dia 3 de janeiro de 1898. Filho de Antônio Pereira Prestes e de Maria Leocádia Felizardo Prestes, foi militar, político e líder da grande marcha pelo interior do país conhecida como Coluna Prestes. Comandou o Partido Comunista Brasileiro por mais de 50 anos.


Brasil de Fato: Como a senhora vê essa proposta de escolas cívico-militar?


Anita Prestes : A gente tem que combater. Eu sou professora também, e os educadores, especialistas em educação têm se pronunciado, mostrando que isso é uma militarização da escola. É transformar nossas crianças e jovens em robôs para cumprir ordens, uma disciplina militarizada. E não é a disciplina que forma cidadãos. A escola pública deve ter essa missão.


Isso já vem desde os anos 1930, com a escola nova. Essa ideia já foi divulgada e amplamente debatida. Tivemos o educador Paschoal Lemme que teve uma importância muito grande, além de vários outros educadores. A escola pública tem um importante papel, não só de transmitir conhecimento, mas de formar cidadãos brasileiros, pensantes, conscientes.


Essa militarização estilo Bolsonaro é para o pessoal cumprir ordem unida, prestar continência, cantar o hino. Tudo bem que cante o hino, isso eu não tenho nada contra, é bom que saibam o hino nacional, mas isso não pode estar associado a uma ideia de disciplina militar, educar através do castigo, quer dizer, fez alguma coisa que o professor acha que não é correto, vai castigar. Não é assim que se educa as crianças e jovens.


O programa deve ter participação, saber quais são os problemas que essa criança na escola está vivendo, ainda mais escolas de periferia, ter contato com as famílias, para ajudar a criar um ambiente propício justamente pra educar cidadãos. Essa era a mentalidade da minha avó, que foi professora, imagina, lá no início do século passado...


Na sua opinião, como sua avó receberia essa proposta?

Leocádia foi casada com um militar, o meu avô era capitão do Exército, morreu cedo, mas era capitão, serviu em várias unidades, inclusive no Rio Grande do Sul, em Alegrete, Ijuí, vários lugares, e aqui no Rio de Janeiro também.

E ela acompanhando como esposa, ficava indignada, o meu pai conta isso, eu incluí na biografia. Quando eu falo na Leocádia, eu transcrevo um depoimento dele, em que diz que ela era indignada com a forma como ela tinha presenciado os oficiais tratarem os soldados, inclusive com castigos corporais naquela época. Também a corrupção, a roubalheira, a luta por cargos, por promoções dentro do Exército. Então ela era muito antimilitarista.

O meu pai só foi servir no Exército para fazer esse colégio de escola militar por falta de opção. Ele ficou órfão, e a única escola que tinha gratuidade sendo órfão de militar, era o colégio militar e a escola militar. Então por isso que ele foi ser militar, que não era a opção dele de jeito nenhum. E ele sempre contava isso, que tinha sido educado no antimilitarismo, ela era profundamente indignada e contrária ao militarismo.

E minha vó educou os cinco filhos, meu pai e mais quatro irmãs, para serem bons cidadãos brasileiros, participantes da vida política, da vida social, cultural, mesmo na maior dificuldade, que passaram muitas dificuldades, sempre liam os jornais, debatiam os problemas nacionais e internacionais. Ela era uma pessoa participante, e educou os filhos assim também.

Então, é um acinte à memória dela isso, transformar essa escola, que é uma escola bonita... Eu já visitei essa escola três vezes, estive na inauguração que foi em março de 1987, onde meu pai teve presente. Fomos eu e duas das irmãs dele também, a Eloísa e a Lygia. Inclusive tem notícia nos jornais de Porto Alegre, do dia 6 de março de 1987. Foi na gestão do prefeito Alceu Collares. E depois eu voltei duas vezes, a última vez em 1997.

A diretora da época e as professoras faziam um esforço grande no sentido de educação cívica, de cidadãos, daqueles garotos e garotas. Eu me lembro que tinha uma cozinha muito boa, eu até almocei lá com eles, faziam uma comida com muito cuidado, e havia um trabalho interessante. Inclusive eu me lembro que tinha um quadro sobre a vida da Leocádia...

E por que colocaram o nome dela na escola?

A Leocádia foi professora aqui no Rio, na escola pública. Ela veio cedo com o marido doente, veio se tratar aqui no Rio, aí ela ficou aqui. E ela conseguiu ser professora. Inclusive dava aula em escolas em subúrbios distantes aqui do Rio de Janeiro, e pra mulheres donas de casa, empregadas domésticas, comerciárias. Era esse tipo de mulheres que frequentavam as aulas dela que eram noturnas.

O prefeito Alceu Collares e a secretária de Educação na época, que era esposa do prefeito, a dona Neusa, lembraram que ela era uma mulher gaúcha, combativa, e tinha sido professora, então acharam interessante que merecia homenagem. E aí convidaram o Prestes e a família para comparecer, e nós comparecemos.

Livros de Anita Prestes trazem ampla pesquisa sobre a história de seus pais e avós / Divulgação



E a sua vó Leocádia era comunista?

Só com 60 e tantos anos ela se transformou em comunista. E nesse sentido foi muito importante a estada dela na União Soviética. Ela foi acompanhando o meu pai quando ele foi trabalhar como engenheiro em 1931 na União Soviética. Foram ela e as quatro irmãs. Aqui no Brasil e na Argentina não tinha condições de sobreviver.

Lá na União Soviética era extremamente difícil na época, estava no período inicial da revolução, muita dificuldade. No início ela ficou bem chocada, depois ela ficou impressionada com a coragem, a disposição de luta e de trabalho do trabalhador soviético, isso impressionou profundamente, e aí ela resolveu virar comunista. Inclusive aprendeu datilografia, que tinha uma filha que era excelente datilógrafa, para poder ajudar a copiar os documentos do partido.

Então ela era uma mulher muito combativa, você sabe que ela saiu lá da União Soviética acompanhada pela Lygia, a filha mais moça, para dirigir a campanha internacional de solidariedade aqui pela libertação dos presos políticos do Brasil. O resultado dessa campanha é que ela conseguiu me resgatar da prisão, tinha uma pressão internacional muito grande, e para ela isso foi muito difícil, porque embora fosse muito participante, nunca tinha participado diretamente assim da política. Apoiava o filho, mas diretamente participar de uma campanha internacional, dar entrevistas, todas essas atividades foram muito pesadas pra ela, já doente, com idade, mais de 60 anos.

Além disso, estava muito golpeada com a prisão do filho aqui no Brasil. No primeiro ano não tinha notícia nenhuma, não sabia o que estava acontecendo com ele. E logo depois a Olga, minha mãe, foi extraditada para a Alemanha. Eu nasci na Alemanha, e no início foi uma dificuldade muito grande. Eu já tinha mais de um ano quando ela conseguiu me resgatar. Mas isso fruto de uma pressão internacional muito grande.

Eu fiz uma pesquisa para o meu livro “Olga Benário Prestes: uma comunista na Gestapo”. E essa documentação é muito interessante, os alemães são muito organizados, tudo estava lá informado. A quantidade de telegramas, cartas, moções do mundo inteiro que chegavam para as autoridades alemãs, exigindo melhores condições para Olga e a minha libertação e a libertação da Olga. Foi uma pressão muito grande e levou as autoridades alemãs a chegarem a conclusão que era melhor se livrar de mim, já que tinha essa avó que estava lá batendo na porta e querendo me levar. Depois disso, minha mãe ainda viveu quatro anos.

Eu nasci numa prisão em Berlim. Após a minha libertação, ela foi transferida para os campos de concentração. Aí era outra barra muito pior, ela ainda passou quatro anos em campos de concentração até ser assassinada. E eles escreviam nos documentos que ela não podia ser libertada de jeito nenhum, enquanto não delatasse os companheiros, isso ela sempre se recusou. Tem até uma frase lá no depoimento dela, que diz: “se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei”. Ela nunca se submeteu a delatar quem quer que fosse. Com isso, a barra foi muito pesada, acabou sendo assassinada numa câmara de gás. Não foi só ela, teve muitos outros. Eles diziam que ela era uma comunista perigosa, que não tinha jeito, não tinha correção. As informações que trazem essa documentação são muito importantes, por um lado a barbárie do nazismo, por outro lado, a coragem, a honra de outros companheiros também, que resistiram, mesmo nas condições mais terríveis em campos de concentração.

O que lhe pareceu o deputado ir fazer esse vídeo justamente na escola Leocádia Prestes, mesmo sem a confirmação da direção?

Não parece casualidade, né? Eu não sei quantas escolas têm em Porto Alegre, mas é uma imensidão de escolas, uma quantidade enorme de escolas públicas. Por que exatamente essa? Parece uma provocação.

Mas a nota dos diretores da escola é interessante, eles deixam muito claro que não foram convidados, eles não estão sabendo de coisa nenhuma, isso foi uma imposição e muito desagradável. A nota diz que começaram a usar, inclusive vídeo dos professores, sendo que os professores não foram consultados, e a comunidade muito menos.

Aliás, como diz na nota, a escola tem educação infantil e EJA, não podia ser transformada em escola cívico-militar. Parece que uma das normas para transformar a escola em cívico-militar é que não tenha nem educação infantil, nem EJA. Eles alegam isso aí. Então já por isso não poderia ser. Ora, em primeiro lugar não foi consultada a comunidade, em segundo, é uma atitude de capitulação.

Um dos argumentos para esse modelo é acabar com a violência. Na sua visão essa é a melhor forma?

A Cavalhada é um bairro da periferia, parece que tem muita violência lá, aliás como em toda a parte, em todas as periferias. Mas a maneira de combater essa violência não é criando escola cívico-militar. Aqui no Rio teve a experiência dos CIEPs com Leonel Brizola, que realmente revelou isso. Esse modelo de escolas de dia inteiro, onde a criança ia de manhã e passava lá o dia inteiro recebendo não só aula e fazendo o programa escolar, como pesquisas, esportes, várias atividades culturais, alimentação... A criança já chegava em casa de noite de banho tomado, alimentado.

Então isso é o que iria propiciar, se tivesse prosseguido, tirar essas crianças da rua, transformar essas crianças em cidadãos. E a assistência que também era dada pelo CIEP às famílias dessas crianças, isso era muito importante. Tinha no Rio o CIEP Olga Benário, que até o meu pai inaugurou. A gente visitou na inauguração e voltamos um ano depois. A diferença que a gente sentiu naquelas crianças era emocionante, porque as crianças estavam mais bem dispostas, todas com seus uniformes, fazendo pesquisa, tinham microscópios, e todas animadas fazendo pesquisa. Levaram meu pai para ver os laboratórios que eles tinham. Olha, realmente em um ano as crianças eram outras.

Não é a escola cívico-militar que vai tirar essas crianças da rua e do crime. Aqui esses morros do Rio de Janeiro, agora o Jacarezinho, qual é a perspectiva que tem esses garotos, às vezes pequenos, de 10, 11, 12 anos. Escola, não presta, né. Trabalho também não tem. Então, o que sobra para eles é justamente o tráfico, onde eles vão ganhar dinheiro e vão poder comprar coisas que eles aspiram, que a televisão mete na cabeça deles, tênis não sei como, camiseta também de modelo tal...

Depoimentos de garotos de 16, 17, 18 anos, menores de idade, que sabem que vão morrer cedo no crime, mas enquanto estão vivos eles estão aproveitando, compram as coisas que eles querem. É uma coisa trágica. E não é a maneira de resolver o problema da violência. Isso que eu acho que inclusive é importante esclarecer às populações, porque às vezes as pessoas estão mal informadas, e acompanham essa propaganda que através de escolas militarizadas, disciplina rigorosa, que isso é que vai resolver. Não vai resolver. A experiência internacional tem escrito a respeito, não resolve, não é com a violência que se resolve. É com educação, com boa educação.

Na sua campanha eleitoral, o Bolsonaro dizia que ele ia destruir tudo, ia acabar com tudo. É isso que ele está tentando fazer, acabando com a cultura, com a educação, com a saúde, com todos os aspectos importantes da vida do ser humano.


terça-feira, 11 de maio de 2021

As cartas de Luiz Carlos Prestes que iriam a leilão

Por Anita Leocadia Prestes

No artigo são relatados os fatos relacionados com o aparecimento de mais de 300 cartas dirigidas a Luiz Carlos Prestes que iriam a leilão em novembro de 2018. Após dois anos de diligências na Justiça, as cartas foram entregues a quem de direito: Anita Leocadia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes. São destacados aspectos marcantes da personalidade dos personagens envolvidos nessa correspondência: Olga Benario Prestes, Leocadia Prestes, Ermelinda Felizardo, Lygia Prestes.


CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA LER O ARTIGO NA ÍNTEGRA:

  <https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/43191>.


PRESTES, Anita Leocadia. As cartas de Luiz Carlos Prestes que iriam a leilão. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, Salvador, v. 13, n. 1, p. 653-661, mai. 2021. 


A historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga Benario Prestes e Luiz Carlos Prestes, recebeu as 319 cartas endereçadas ao seu pai por familiares. Depois de 2 anos de luta na Justiça, Anita ganhou o processo. Foto de 22/10/2020.


sexta-feira, 30 de abril de 2021

DEBATE "Anarquistas e comunistas no movimento operário na Primeira República"

Com Anita Prestes, José Luiz Del Roio, Marco Aurélio Santana.

Quando: 05/05/2021

Horário: 19h

Transmissão ao vivo nas páginas do Facebook:

@amorjufrj

@noticiasdaterraredonda

@netsufrj

Transmissão ao vivo no canal do YouTube "Notícias da Terra Redonda": https://www.youtube.com/watch?v=vCdkqn7m0hE






quinta-feira, 22 de abril de 2021

Assista à live da historiadora Anita Prestes

Tema: “A transição da ditadura militar para uma democracia tutelada pelos militares e o fenômeno Bolsonaro”

Live realizada no último dia 18/04/2021 e promovida pelo “Jornal Rumo à Vitória”, da Frente Patriótica Luiz Carlos Prestes (FPLCP).



https://www.youtube.com/watch?v=qzqQi8ENivc






quarta-feira, 21 de abril de 2021

"Um bate papo sobre encadernação e restauro: a Coleção de Luiz Carlos Prestes"


No dia 29 de abril, às 9h, a Unidade Multidisciplinar de Memória e Arquivo Histórico da UFSCar (UMMA) promove a live "Um bate papo sobre encadernação e restauro: a Coleção de Luiz Carlos Prestes" com Elisandra Lavínia Pinto, que é encadernadora e restauradora há quase 30 anos. Apreciadora das artes, principalmente de música e livros, foi professora de Encadernação Básica e Avançada no Senai Theobaldo de Nigris, referência em Artes Gráficas por 11 anos, passou por diversas empresas de renome na área e recentemente teve a oportunidade de lecionar também na ABER (Associação Brasileira de Encadernação e Restauro). Lavínia realizou no último ano o restauro do Acervo Pessoal de Luiz Carlos Prestes e possui um ateliê próprio na Cidade de São Paulo, onde realiza trabalhos na área e também ministra algumas aulas.


Link da live: youtube.com/watch?v=vG19zJ5jcDE


FONTEhttps://www.instagram.com/p/CNX7MEuAX5M/?igshid=6icpel4mp4mk


sábado, 17 de abril de 2021

Para download: "El partido una revolución en la Revolución. Selección Temática 1960-2001"

En este libro se han compilado en forma total o en fragmentos las ideas del Comandante en Jefe, Fidel Castro, en relación al Partido Comunista de Cuba entre los años 1960 y 2001.


El partido una revolución en la Revolución. Selección Temática 1960-2001

Autor: Castro Ruz, Fidel

Editorial:  Editora Política. La Habana

Fecha: 2003


Descargue el libro en formato PDF: 

http://www.fidelcastro.cu/sites/default/files/fichero_libros/El--Partido.pdf




quinta-feira, 15 de abril de 2021

Live com a historiadora Anita Prestes - Debate Virtual - Dia 18/04/2021, às 18h

“A transição da ditadura militar para uma democracia tutelada pelos militares e o fenômeno Bolsonaro”

Neste domingo (18/04/2021), às 18h, o debate virtual promovido pelo “Jornal Rumo à Vitória”, da Frente Patriótica Luiz Carlos Prestes (FPLCP), tem a honra de receber a professora Anita Leocadia Prestes para um debate urgente a respeito das movimentações dos militares dentro do Estado Brasileiro, chegando a ocupar, além de importantes ministérios, aproximadamente 7 mil cargos da atual estrutura do Governo Federal.

Anita Leocadia Prestes (1936) é mestre em Química Orgânica e doutora em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ciências Sociais da cidade de Moscou, capital da Rússia. É também doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É autora de diversos livros, sendo o último "Viver é tomar partido", lançado pela editora Boitempo em 2019.


Debate Virtual: “A transição da ditadura militar para uma democracia tutelada pelos militares e o fenômeno Bolsonaro”, por Anita Leocádia Prestes

Quando: Domingo, 18/04/2021

Horário: 18h

Link de acesso: https://meet.jit.si/JornalRumoàVitória