domingo, 24 de janeiro de 2021

“Cinema Soviético e Russo em Casa”



São 22 longas dos mais variados gêneros na programação deste semestre do projeto “Cinema Soviético e Russo em Casa", realização do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (CPC-UMES)

Filmes de importantes diretores como Serguey Eisenstein, Grigori Chukhray, Karen Shakhnazarov e Andrei Tarkovsky. As exibições serão a partir de matrizes restauradas pelo próprio Estúdio Mosfilm, o maior e mais importante estúdio de cinema da Rússia.

Cada filme estará disponível toda sexta feira a partir das 19h e poderá ser assistido até as 19h do domingo.

Para assistir o filme, basta acessar o canal CPC-UMES Filmes no Youtube no horário da exibição: https://www.youtube.com/channel/UCCGvnkD6zjL924JNX7GKWqA


Confira a programação do primeiro semestre de 2021:

Janeiro

22/01 – ANNA KARENINA. A HISTÓRIA DE VRONSKY

29/01 – UM ACIDENTE DE CAÇA


Fevereiro

05/02 – DERSU UZALA

12/02 – ALEKSANDR NEVSKY

19/02 – VÁ E VEJA

26/02 – A ASCENSÃO


Março

05/03 – A BALADA DO SOLDADO

12/03 – QUANDO VOAM AS CEGONHAS

19/03 – TIGRE BRANCO

26/03 – O CAMINHO PARA BERLIM


Abril

02/04 – AMIGOS VERDADEIROS

09/04 – ESTAÇÃO BIELORRÚSSIA

16/04 – A PRISIONEIRA DO CÁUCASO

23/04 – A VIDA É MARAVILHOSA

30/04 – O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES


Maio

07/05 – ELES LUTARAM PELA PÁTRIA

14/05 – CIDADE ZERO

21/05 – O MENSAGEIRO

28/05 – BORIS GODUNOV


Junho

04/06 – ANDREI RUBLEV

11/06 – SOLARIS

18/06 – STALKER


Sinopses dos filmes

ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY

2017 / COR / 138 MIN. / DRAMA
Direção: Karen Shakhnazarov / Roteiro: Alexey Buzin e Karen Shakhnazarov / Música: Yuri Poteenko

Sinopse: 1904. Guerra Russo-Japonesa. Manchúria. Hospital militar russo em um vilarejo chinês parcialmente destruído. Sergei Karenin, responsável pelo hospital, descobre que o Conde Vronsky, em recuperação ali, é o homem que arruinou a vida de sua mãe, Anna Karenina. Sem nutrir esperanças ou esperar respostas, Karenin faz a Vronsky a pergunta que o vem atormentando por toda a vida: o que fez sua mãe tirar a própria vida?

UM ACIDENTE DE CAÇA

1978 / COR / 107 MIN. / DRAMA
Direção: Emil Loteanu / Argumento Original: Anton Chekhov / Música: Eugen Doga

Sinopse: Adaptado da novela de Anton Chekhov, publicada como folhetim em 1884-85 e considerada precursora do romance policial psicológico, o filme penetra no vazio moral da aristocracia decadente ao narrar o drama da jovem Olga, filha de um servo, cobiçada por três homens de meia-idade.

DERSU UZALA

1975 / COR / 143 MIN. / DRAMA
Direção: Akira Kurosawa / Argumento Original: Vladimir Arsenyev / Música Original: Isaak Shwarts

Sinopse: Explorador e cartógrafo do exército russo mapeia a Sibéria no fim do século 19, com a ajuda de caçador nativo avesso aos padrões mercantis de conhecimento e relação com a natureza. Produzida pelo Mosfilm, a obra trouxe de volta às telas o mestre japonês, que tentara o suicídio em 1971. Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976.

ALEKSANDR NEVSKY

1938 / P&B / 108 MIN. / GUERRA
Direção: Serguey Eisenstein / Roteiro: Pyotr Pavlenko, Serguey Eisenstein / Música: Serguey Prokofiev

Sinopse: Na primeira metade do século 13, o príncipe Aleksandr Nevsky evita o confronto com os tártaros que impunham pesados tributos às cidades russas e concentra esforços na organização de um exército popular para derrotar uma ameaça mais perigosa: os temíveis Cavaleiros Teutônicos, que pretendiam se apossar do território russo, submetê-lo ao Sacro Império Romano-Germânico e erradicar sua cultura.

VÁ E VEJA

1985 / COR / 143 MIN. / GUERRA
Direção: Elem Klimov / Argumento e Roteiro: Ales Adamovich / Música: Oleg Yanchenko

Sinopse: Em 1943, o adolescente Floria, de uma aldeia bielorrussa, encontra um velho fuzil e se junta ao movimento guerrilheiro de resistência contra os nazistas. A ocupação da Bielorrússia foi de uma selvageria sem precedentes. Das 9.200 localidades destruídas na URSS durante a 2ª. Guerra Mundial, 5.295 estavam situadas na região. Mais de 600 vilas foram aniquiladas, e 2.230.000 soviéticos foram mortos lá durante os anos da invasão alemã.

A ASCENSÃO

1977 / P&B / 109 MIN. / DRAMA
Direção: Larisa Shepitko / Argumento Original: Vassil Bykov / Roteiro: Yury Klepikov e Larisa Shepitko / Música: Alfred Schnittke

Sinopse: No rigoroso inverno que assola a URSS durante a 2ª Guerra Mundial, dois partisans deixam seu acampamento a procura de alimentos para o grupo. A jornada é de provações e sofrimento. Capturados pelos nazistas, reagem diferentemente ao mesmo tratamento brutal. Adaptação do romance ‘Sotnikov’, do escritor Vassil Bykov, o filme ganhou o Urso de Ouro, no Festival de Berlim (1977).

A BALADA DO SOLDADO

1959 / P&B / 88 MIN. / GUERRA
Direção: Grigori Chukhray / Argumento original: Grigori Chukhray e Valentin Yezhov / Música: Mikhail Ziv

Sinopse: Durante a 2ª Guerra, o soldado Alyosha destrói dois tanques alemães. Ao invés de uma medalha, pede uma licença para visitar a mãe. Na jornada, o jovem compartilha com o povo os sacrifícios da vida na retaguarda. Premiado nos festivais de Cannes, São Francisco, Londres e Milão.

QUANDO VOAM AS CEGONHAS

1957 / P&B / 96 MIN. / DRAMA
Direção: Mikhail Kalatozov / Argumento e Roteiro: Viktor Rozov / Música: Moisey Vaynberg

Sinopse: Veronika e Boris, um jovem casal de namorados, é separado pela convocação do rapaz para o Exército Vermelho durante a 2ª Guerra Mundial. Ansiosa por notícias do front, a moça é acolhida pela família de Boris quando sua casa é destruída por um bombardeio, e acaba forçada a se envolver com o primo do rapaz, com quem resignadamente se casa, mas continua a esperar por Boris. Palma de Ouro no Festival de Cannes (1958).

TIGRE BRANCO

2012 / COR / 104 MIN. / GUERRA
Direção: Karen Shakhnazarov / Argumento Original: Ilya Boyashov / Música Original: Yuri Poteenko e Konstantin Shevelyov

Sinopse: Encontrado quase morto entre destroços no campo de batalha, o tanquista Ivan Naidionov tem uma recuperação surpreendente, que desafia a capacidade de compreensão dos médicos. Mais misteriosa se torna a história quando ele revela que foi atingido pelo Tigre Branco, indestrutível tanque alemão que surge e desaparece por encanto, deixando um rastro de destruição e morte.

O CAMINHO PARA BERLIM

2015 / COR / 82 MIN. / GUERRA
Direção: Serguei Popov / Argumento Original: Emmanuil Kazakevich e Konstantin Simonov / Música: Roman Dormidoshin

Sinopse: Condenado, por covardia, ao fuzilamento, tenente russo tem várias oportunidades de escapar, enquanto cruza a estepe escoltado por soldado cazaque até o posto de comando. Baseado em escritos de Konstantin Simonov e Emmanuil Kazakevich, o filme foi lançado por ocasião do 70º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre o fascismo.

AMIGOS VERDADEIROS

1954 / COR / 100 MIN. / COMÉDIA
Direção: Mikhail Kalatozov / Argumento original: Aleksandr Galich / Música: Tikhon Khrennikov

Sinopse: Era uma vez três garotos que moravam em um subúrbio de Moscou. Borka tornou-se um famoso cirurgião; Sashka, professor de pecuária; e Vaska, doutor em arquitetura. Lembrando-se da promessa dada um ao outro quando crianças, eles partem em uma jangada pelo rio Volga e passam por muitas aventuras.

ESTAÇÃO BIELORRÚSSIA

1971 / COR / 100 MIN. / DRAMA
Direção: Andrey Smirnov / Argumento: Vadim Trunin / Música: Bulat Okudzhava e Alfred Shnitke

Sinopse: Quatro veteranos da 2ª Guerra Mundial se encontram 25 anos depois, no funeral de um ex-camarada de armas que permanecera no exército. Antes de retornarem a seus afazeres, vivem um dia repleto de recordações e situações inesperadas.

A PRISIONEIRA DO CÁUCASO

1966 / COR / 80 MIN. / COMÉDIA
Direção e Argumento original: Leonid Gayday / Música: Aleksandr Zatsepin

Sinopse: Em viagem de pesquisa ao folclore do Cáucaso, o jovem estudante Shurik se apaixona pela atlética, belíssima e politizada Nina. Mas a garota é sequestrada pelo homem mais poderoso da região, que planeja impor a ela um casamento arranjado. Mais uma comédia em que Gayday ultrapassou a marca dos 76,4 milhões de ingressos vendidos.

A VIDA É MARAVILHOSA

1979 / COR / 116 MIN. / DRAMA
Direção: Grigory Chukhray / Argumento Original: Giovanni Fago / Música: Armando Travajoli

Sinopse: O piloto Antonio Murillo foi expulso do Exército por se recusar a abrir fogo contra uma embarcação que transportava mulheres e crianças em fuga. Seu principal objetivo agora é viver sem complicações, dirigindo seu táxi, mas ao envolver-se com Mary, garçonete de um café local, terá que fazer uma escolha. A história se passa num país sem nome, situado na Europa, governado por uma Junta Militar.

O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES

1987 / COR / 97 MIN. / COMÉDIA
Direção: Alla Surikova / Argumento original: Eduard Akopov / Música: Gennady Gladkov

Sinopse: Na alvorada do século 20, Mr. Johnny First chega ao Oeste Selvagem com um projetor e alguns rolos de filme. O título dessa deliciosa sátira ao western way of life é uma alusão ao Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, onde os Irmãos Lumière encantaram as plateias com sua maravilhosa invenção.

ELES LUTARAM PELA PÁTRIA

1975 / COR / 157 MIN. / GUERRA
Direção: Serguei Bondarchuk / Argumento original: Mikhail Sholokhov / Música: Vyacheslav Ovchinnikov

Sinopse: Reconstituição dos três dias de retirada de um regimento do Exército Vermelho em direção à Stalingrado, sob a ótica de três soldados de origens diferentes — um engenheiro agrônomo, um mecânico e um mineiro. Baseado em romance do Nobel de literatura Mikhail Sholokhov, foi indicado à Palma de Ouro de 1975.

CIDADE ZERO

1988 / COR / 101 MIN. / COMÉDIA
Direção: Karen Shakhnazarov / Argumento e Roteiro: Aleksandr Borodyansky e Karen Shakhnazarov / Música: Eduard Artemev

Sinopse: Durante a perestroika, quando tudo parece estar de cabeça para baixo, Aleksei Varakin, representante de uma indústria de Moscou, é enviado a uma pequena cidade para tratar com um fornecedor de máquinas de ar condicionado. O que era uma viagem de negócios corriqueira se transforma em pesadelo, à medida que Varakin se envolve em situações bizarras.

O MENSAGEIRO

1986 / COR / 89 MIN. / DRAMA
Direção: Karen Shakhnazarov / Roteiro: Karen Shakhnazarov e Aleksandr Borodyanskiy / Música: Eduard Artemev

Sinopse: Vivendo durante a era Gorbachev numa sociedade à deriva, rapaz sem noção consegue emprego de office boy. Através de uma das entregas, ele conhece o professor Kuznetzov e sua filha Katya. Para irritar o professor, ele afirma ter engravidado Katya. Para sua surpresa, ela confirma a sua história.

BORIS GODUNOV

1986 / COR / 140 MIN. / DRAMA
Direção e roteiro: Serguey Bondarchuk / Música: Vyacheslav Ovchinnikov

Sinopse: Com a morte do czar Ivan, o Terrível, Boris Godunov se torna regente e 13 anos mais tarde, em 1598, assume o trono, com aparente relutância, assombrado por rumores de que fora responsável pelo envenenamento do legítimo herdeiro de Ivan, o filho Dimitry. Alguns anos depois, um pretendente posa como o príncipe perdido e lidera uma revolta para derrubar Boris.

ANDREI RUBLEV

1966 / P&B / 182 MIN. / DRAMA
Direção: Andrei Tarkovsky / Roteiro: Andrei Konchalovsky e Andrei Tarkovsky / Música: Vyacheslav Ovchinnikov

Sinopse: No verão de 1400, Andrei Rublev deixa o monastério onde foi criado e vai a Moscou para pintar os afrescos de uma catedral do Kremlin. Lá é confrontado com a violência e as dificuldades a que o povo russo era submetido na época. O filme é dividido em histórias curtas que desenham uma visão dos caminhos que levaram o monge, canonizado em 1988, a se tornar o maior pintor de ícones da escola medieval russa.

SOLARIS

1972 / COR / 167 MIN. / FICÇÃO CIENTÍFICA
Direção: Andrei Tarkovsky / Argumento Original: Stanislaw Lem / Música Original: Eduard Artemyev

Sinopse: Cientista enviado para investigar fenômenos ocorridos na estação espacial que orbita Solaris, reencontra ali a esposa, que se matara há 10 anos. Depois de ser bombardeado com raios-x, o oceano que cobre o planeta parece dotado de poderes para penetrar no íntimo dos seres humanos e materializar suas memórias, tornando-as reais. Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes (1972).

STALKER

1979 / COR / 162 MIN. / FICÇÃO CIENTÍFICA
Diretor: Andrei Tarkovsky / Roteiro: Arcady Strugatsky e Boris Strugatsky / Música: Eduard Artemyov

Sinopse: Num futuro indefinido, um guia (stalker) conduz dois homens conhecidos como Escritor e Professor a uma área proibida, a “Zona”. Dentro dela há uma usina desativada com um aposento que possui a propriedade de realizar os desejos de quem entrar nele. Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes (1980).


FONTE: Hora do Povo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A intelectual Maria Yedda Leite Linhares [1921-2011]: memórias e diálogos

Texto de Sheila Cristina Monteiro Matos, Universidade Católica de Brasília, e Lia Ciomar Macedo de Faria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, publicado na Revista Brasileira de Educação, v. 24, 2019.

RESUMO

O texto analisa a atuação da intelectual Maria Yedda, secretária municipal de Educação no Rio de Janeiro (1983 a 1986). Primeira professora catedrática concursada no Brasil, como secretária, Maria Yedda teve papel preponderante na formulação e implementação do Centro Integrado de Educação Pública, oferecido para cerca de mil alunos em tempo integral no espaço escolar. O trabalho segue uma metodologia histórico-dialética, apresentando cunho qualitativo e memorialista. O estudo evidencia que, tanto na esfera política como na cultural, Maria Yedda construiu um trabalho edificante, cuja tessitura buscou referenciar novas perspectivas na concepção do processo educacional, lutando contra o analfabetismo crônico e zelando por alternativas de ingresso de crianças pobres ao mundo letrado.


CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO NA ÌNTEGRA: https://www.scielo.br/pdf/rbedu/v24/1809-449X-rbedu-24-e240045.pdf


MATOS, Sheila Cristina Monteiro; FARIA, Lia Ciomar Macedo de. A intelectual Maria Yedda Leite Linhares: memórias e diálogos. Rev. Bras. Educ.,  Rio de Janeiro ,  v. 24,  e240026,    2019 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782019000100218&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em  21  jan.  2021. 







quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Para download: "A escola pública em crise: inflexões, apagamentos e desafios"

 


A escola pública em crise:  inflexões, apagamentos e desafios.  / Organizadores Carlota Boto, Vinício de Macedo Santos, Vivian Batista da Silva, Zaqueu Vieira Oliveira. São Paulo: FEUSP, 2020. 385 p.

Universidade de São Paulo. Faculdade de Educação

LINK PARA DOWNLOAD:

http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/564/499/1938-1

Sinopse

Com o propósito de pensar a política e a educação nos tempos que correm e refletir sobre o lugar social da escola pública no momento presente, esta obra contempla temas e ideias discutidas no "I Seminário Internacional de Educação: a escola pública em crise – inflexões, apagamentos e desafios" e centrou-se especificamente no estudo e no debate de referências educativas clássicas e atuais. Os organizadores entendem que o campo da Educação e a escola pública mais particularmente vivem uma crise sem precedentes na história de nosso país. Quisemos interpelar esse problema. O conjunto de textos do livro traz diferentes abordagens acerca dos vários pontos propostos para o debate durante o seminário, compondo um rico painel de reflexões sobre a escola de nosso tempo. Trata-se de pensar sobre os projetos de educação para todos, desde seus tempos embrionários, passando pela consolidação das ações do Estado, com todas as conquistas e contradições ainda presentes nos dias atuais, quando continuam em pauta os desafios para se efetivar uma escola que seja, de fato, democrática.


Veja a matéria no Jornal da USP: "Livro propõe reflexões sobre a educação no Brasil"

Entrevista Histórica: "Poder militar é a única força organizada no Brasil", disse Luiz Carlos Prestes à Folha em 1986

 

Luís Carlos Prestes em foto de maio de 1986 - Rogério Carneiro/Folhapress


A atuação militar na república, mesmo após a redemocratização, preocupava uma das figuras históricas da esquerda do Brasil. Em entrevista à Folha em maio de 1986, Luís Carlos Prestes (1898-1990) afirmou não haver "Nova República" com a abertura política e disse que o poder militar continuava inalterado após a ditadura. "As Forças Armadas, em qualquer democracia burguesa, são um instrumento do Estado. Aqui no Brasil é o contrário. Elas tutelam os poderes do Estado. O poder militar é a única força organizada no Brasil", afirmou Prestes. 


'Poder militar é a única força organizada no Brasil', disse Prestes à Folha em 1986

Líder comunista foi além dos temas políticos e contou ao jornal sobre sua vida pessoal

FSP 19.jan.2021 às 23h15


A eleição de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018 teve como consequência uma expansão da presença de militares em cargos do governo.

Levantamento da Folha publicado em julho de 2020 mostrou que, em apenas um ano e meio de gestão, Bolsonaro expandiu o número de integrantes das três Forças Armadas em cargos comissionados em 33%. Eram 2.558, em ao menos 18 órgãos, entre eles Saúde, Economia, Família e Minas e Energia.

Os apoiadores e o grupo político do presidente expuseram em diversos momentos sua visão radical sobre o papel das Forças Armadas em relação ao estado brasileiro.

A atuação militar na república, mesmo após a redemocratização, preocupava uma das figuras históricas da esquerda do Brasil. Em entrevista à Folha em maio de 1986, Luís Carlos Prestes (1898-1990) afirmou não haver "Nova República" com a abertura política e disse que o poder militar continuava inalterado após a ditadura.

"As Forças Armadas, em qualquer democracia burguesa, são um instrumento do Estado. Aqui no Brasil é o contrário. Elas tutelam os poderes do Estado. O poder militar é a única força organizada no Brasil", afirmou.

Figura influente desde sua participação no tenentismo (movimento de jovens oficiais críticos às oligarquias que comandavam o país), nos anos 1920, o militar nascido em Porto Alegre ganhou mais notoriedade ao comandar a Coluna Prestes, legião que enveredou pelos confins do país tentando despertar a população para a luta política.

O responsável pelo texto que ocupou uma página da editoria de Política (hoje Poder) foi João Batista Natali. Aos 72 anos, ele conta que se aproximou de membros do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que estavam exilados na França quando foi correspondente da Folha em Paris. Essas conexões facilitaram o contato e a realização da entrevista.

"Apesar de todo o poder que teve dentro da esquerda brasileira, Prestes sempre foi uma pessoa extremamente humilde. Falava baixinho, quase cochichava as coisas para você como se estivesse em uma conversa íntima", lembra o jornalista.

Natali recorda-se de ter embarcado logo cedo em São Paulo para realizar a entrevista, que ocorreu no Rio de Janeiro. “O bairro do prédio onde ele vivia era bom, mas o prédio, meia-boca. Ele próprio abriu a porta, me convidou para sentar, e a dona Maria [sua segunda esposa] trouxe um cafezinho”. Era um apartamento emprestado pelo amigo Oscar Niemeyer.

Durante a conversa, o ex-senador (foi empossado em 1946, mas teve o mandato cassado) contou como se via isolado na esquerda brasileira.

Fiel à União Soviética, Prestes chegou a relativizar o desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido na Ucrânia em 26 de abril, uma semana antes da entrevista. Chamou de "estardalhaço malicioso" a forma como o incidente era retratado no Brasil. Àquela altura, ainda eram poucas as informações divulgadas sobre o desastre.

Para Natali, o ponto alto da entrevista aconteceu quando falaram sobre a biografia de Olga Benário (primeira esposa do entrevistado, entregue por Getúlio Vargas aos campos de extermínio nazista), escrita por Fernando Morais. No livro, Morais conta que, antes de se casar com ela, Prestes não havia tido relações sexuais com nenhuma outra mulher.

"Ele riu. Disse que o Fernando Morais exagerava, mas não desmentiu. Depois ainda deu razão, ao dizer que o pai dele morreu quando ele tinha 10 anos e que ele se tornou chefe de família. Conta isso para dizer que tinha outras coisas para pensar, que não podia pensar na sua sexualidade", lembra Natali.

Prestes também discorreu sobre assuntos com música e cinema. Disse não compreender o rock ("músicas modernas e barulhentas norte-americanas") e afirmou não ter comprado um videocassete por ser "muito caro".

Confira a seguir a íntegra da entrevista com Prestes. Também é possível conferir o texto no Acervo Digital da Folha.


***

["Aos 88, Prestes mantem idolatria pela União Soviética". Entrevista exclusiva. Por João Batista Natali. Folha de São Paulo, 4 de maio de 1986, 1º Caderno - Politica, p. 14]



Luís Carlos Prestes, 88, com seu currículo de controvertida militância política iniciado com o tenentismo, em 1922, deu provas na última quinta-feira [1º de maio] que ainda possuía combustível e motivação para permanecer em evidência.

Conseguiu fazer um curto discurso pelo Dia do Trabalho na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, num palanque que lhe fora vetado pela CGT (Central Geral dos Trabalhadores), hoje integrada por seus ex-companheiros de Partido Comunista Brasileiro. Veto que, ironicamente, foi apoiado pela CUT, central sindical que Prestes, em manifesto distribuído por seus poucos e fiéis correligionários, elogiava de maneira inequívoca.

Seis horas antes do incidente, o ex-senador (cassado juntamente com o registro de seu partido, em 1947) dizia à Folha estar disposto a repetir o mesmo roteiro do comício pelas Diretas na avenida Presidente Vargas, em 1984, quando acabou discursando, apesar do veto explicitamente oposto do governador do Rio, Leonel Brizola. A diferença entre os dois atos públicos é que desta vez cortaram o microfone.

"Foi um episódio de luta de classes, que não me deixou pessoalmente magoado", disse ele anteontem [sexta-feira, 2 de maio]. Pouquíssimas de suas decisões públicas são objeto de arrependimento. Ele ainda hoje acredita ter agido corretamente ao apoiar Vargas em 1945, ainda que o chefe do Estado Novo tivesse entregue anos antes sua primeira mulher, a alemã Olga Benário, aos campos de extermínio nazista.

De um dinamismo quase irrequieto, sem a mínima sequela aparente da cirurgia que sofreu em janeiro para a extração de dois tumores benignos do abdômen, ele afirma, com um humor quase irônico, não se importar com seu atual isolamento político.

Foi excluído do PCB, em 1979, depois de exercer por 37 anos a secretaria-geral com um estilo que os atuais dirigentes do partido dizem ter sido personalista e autoritário. Aproximou-se do PDT e do PT, com eles compartilhando as críticas —de aceitação minoritária— ao Plano Cruzado do presidente Sarney.

Diz acreditar que os militares permanecem no comando da vida pública brasileira, inexistindo, por isso mesmo, qualquer "Nova República". E, por fim, mantém inalterada sua antiga idolatria pela União Soviética, numa postura que pouquíssimos comunistas continuam a ter com idêntico vigor.

Prestes mora num apartamento modestamente mobiliado na Gávea, zona sul carioca, onde, trajando calças cinzas e uma camisa social branca, mangas curtas e colarinho aberto, discorreu das 10h às 11h15 dessa quinta-feira sobre política e sua vida pessoal, campos que percorre com idêntico desprendimento e invejável fluência.

Senador, o senhor criticou de forma categórica as medidas econômicas que o governo decretou em fins de fevereiro [Plano Cruzado, que, entre outras medidas, alterou a moeda, congelou os preços e liberou um abono salarial], argumentando que elas resultavam num confisco salarial. O senhor se mantém nessa posição?

Mantenho, e na época eu disse mais: que se tratava de um ato político com o objetivo de ludibriar a classe operária. Em dezembro, o pacote anterior, eminentemente inflacionário, previa uma sobretaxa de imposto de renda que deveria produzir alguns trilhões de cruzeiros em recursos. Ora, os empresários não diminuíram seus lucros, e quem acabou pagando essa sobretaxa foi o consumidor.

Os preços subiram em janeiro e fevereiro aceleradamente, sendo então congelados. E enquanto isso o salário mínimo, conforme observou o governador Brizola, passava a ser, em termos reais, o mais baixo desde 1941.

Mas é inegável que houve, nesses últimos dois meses, um reaquecimento do consumo. O fenômeno não contradiz a tese de confisco salarial?

Não. O que ocorre é a falta de confiança em que os preços permaneçam congelados, consumindo-se, assim, mais produtos industriais de certa duração, como automóveis novos, disponíveis só com o pagamento de um ágio considerável, num mercado acessível só à pequena burguesia mais avançada.

Mas aumentou também o consumo de carne.

É verdade, está se comendo melhor. Com os preços previamente fixados, o trabalhador pode gastar um pouco mais. O salário mínimo aumentou, embora insuficientemente, pois defasado em dois terços do que deveria ser, segundo estudos do Dieese. Essa é que é a verdade.

O senhor mencionou há pouco o governador Leonel Brizola. O senhor não se sente, senador, incomodamente acompanhado ao compartilhar das críticas que ele também faz ao plano cruzado?

Absolutamente. No documento que preparei para a entrevista coletiva que dei no mês de março, faço inclusive um elogio ao senhor Brizola porque foi o único governador a assumir uma posição firme contra o pacote.

O senhor possui algum prazer íntimo ao se ver como uma espécie de cavaleiro solitário?

Não. Eu estou muito habituado a isso. Já muitas vezes fiquei completamente isolado. Em 1930, todos os meus colegas da Coluna e do tenentismo apoiaram a candidatura do Sr. Getúlio Vargas, e eu fui contra. Eles haviam feito de mim, quando eu estava em Buenos Aires, chefe militar da Revolução, em substituição ao marechal Isidoro, que estava muito idoso.

Depois eu fiquei um general sem soldados porque eles passaram todos para o Getúlio.

No ano passado, o senhor declarou-se equidistante de Tancredo Neves e Paulo Maluf como candidatos à Presidência no Colégio Eleitoral. Manteria hoje essa posição?

Perfeitamente. Eu me opunha ao Colégio Eleitoral por questão de princípios. O senhor sabe que o senhor Ulysses Guimarães dizia às massas, durante a campanha das diretas, que o Colégio era uma instituição espúria e ilegítima. Quando ele viu mais de seis milhões de pessoas nas ruas, aparentemente se assustou.

Mesmo tendo desembocado na "Nova República", não valeu a pena?

Não há "Nova República" nenhuma. Está tudo igual como antes. No dia seguinte da escolha dos senhores Tancredo e Sarney, os jornais, inclusive a Folha, diziam: reconquistamos a democracia, acabou o militarismo e temos uma República nova. São três mentiras.

O poder militar continua intacto. O senhor Sarney é talvez mais obediente a ele que o senhor Figueiredo. As Forças Armadas, em qualquer democracia burguesa, são um instrumento do Estado. Aqui no Brasil é ao contrário. Elas tutelam os poderes do Estado. O poder militar é a única força organizada no Brasil. O senhor conhece outro? Os sindicatos são uma força débil, reunindo apenas de cinco a dez por cento dos assalariados de cada categoria. A Igreja não tem força consistente…

Mas o senhor não acredita, para citar um exemplo, que há uma sofisticação dos mecanismos de pressão empresariais, para influir nas decisões da administração pública? Os empresários não dependem dos militares.

Eles não estão suficientemente organizados, mesmo porque, entre os empresários, não pode deixar de haver contradições. Nas Forças Armadas não há contradição; há disciplina.

Senador, um assunto inevitável: o Partido Comunista Brasileiro. O senhor considera-se uma pessoa rancorosa, criticando tanto seus ex-companheiros de militância?

Não há rancor. A divergência é política. Durante dez anos, desde dezembro de 1967, nossas discordâncias estavam evidenciadas. A crise em nosso partido teve uma dimensão inédita em todo o movimento comunista internacional. O secretário-geral, que deveria falar em nome do Comitê Central, por sua vez, se negou a reconhecer seus erros. O Brasil é um país capitalista há muitos anos, e nós negávamos essa verdade, com base no seguinte raciocínio: enquanto não acabarem o latifúndio e a dominação imperialista, o capitalismo não terá condições de surgir. Dávamos à revolução um caráter nacional e libertador, mas como o Brasil é capitalista, a revolução deveria ser necessariamente socialista.

Já em 1945, quando saí da prisão, negávamos esse caráter capitalista a um país que já estava construindo Volta Redonda. De qualquer modo, não temos ainda uma análise científica da sociedade brasileira, baseada no marxismo-leninismo. O que há são contribuições esparsas mas importantes, de Florestan Fernandes ou Celso Furtado.

Celso Furtado não se considera marxista.

Não é necessário ser marxista para se fazer uma análise da realidade, mesmo que seja do ponto de vista dele mesmo.

Como o senhor reage às críticas que o PCB faz hoje, de que o senhor impôs um estilo caciquista na direção do partido?

Acredito que eles dizem isso para fugir à crítica que nunca fizeram de si próprios. Lancei uma Carta aos Comunistas, defendendo posições políticas definidas, que até hoje permanece sem resposta. Atacam-me por eu ter sido supostamente golpista, autoritário, caudilho. Mas isso são palavras.

Em 1971, sob o pretexto de segurança, o Comitê Central decidiu que uma terça parte de seus integrantes deveria se refugiar no exterior. Eu era uma presença incômoda, e assim mandaram-me para um exílio dourado em Moscou.

Foi, de certa maneira, bom porque consegui aprofundar minha autocrítica. O PCB estava preso ao equívoco das teses aprovadas pelo Comintern em 1928, em que a noção de "países coloniais e semi-coloniais" aplicava-se à África e à Ásia, mas não à América Latina. O Brasil não tinha vice-rei indicado pelo Salazar. Já estávamos desde o século 19 a caminho do capitalismo, que por sua vez não dá margens para a solução de seus próprios problemas.

Há exagero seu. Em que sentido o senhor diz isso?

Veja, por exemplo, a questão da terra. Ela não será solucionada pelo plano do senhor Sarney, já que os interesses do latifúndio não serão contrariados. É necessário combater o monopólio da terra, limitar a propriedade.

Mas o senhor não acredita que esse problema pode avançar no Congresso constituinte?

Só se o senhor tiver alguma ilusão com a Constituinte que vem aí. Eu não tenho. Creio que ela será muito mais reacionária do que a Constituinte de que eu participei, em 1946.

Como o senhor tem posições definidas, por que então não recuar de sua decisão de não se candidatar e obter com isso a possibilidade de, no Congresso, dispor de uma tribuna para seus contatos com a opinião pública?

Não me candidato justamente por não ter qualquer ilusão. Minhas prioridades, hoje, são outras. Trabalho para que o Brasil e a classe operária brasileira disponham de um partido verdadeiramente revolucionário.

Desde 1979, quando da ruptura do senhor com a direção do PCB, o senhor tem acalentado esse projeto, mas até agora esse partido não existe.

Não existe e por quanto não pode existir. Não há quadros marxistas no Brasil. Nunca se estudou marxismo. Até os intelectuais do PCB, que estudaram na União Soviética, são hoje anti-soviéticos. Ser anti-soviético, para mim, é o mesmo que ser anticomunista.

O senhor acredita, senador, que se pode atribuir ao atraso tecnológico da União Soviética o acidente ocorrido esta semana com a usina nuclear perto de Kiev [Chernobyl]?

Acidentes como esse são quase inevitáveis. Eles têm ocorrido nos Estados Unidos, no Japão e em outros países. O que se está fazendo no Brasil é um estardalhaço malicioso. Ainda hoje li nos jornais afirmações de que teria morrido mais gente que em Hiroshima, quando o que dizem turistas estrangeiros, que estavam em Kiev e chegaram em Moscou, é que tudo está calmo.

Eu apoio a União Soviética porque ela é, a meu ver, o centro da revolução mundial. Eu não a critico mesmo por seus erros porque acho que eles devem ser apontados pelos próprios soviéticos.

Uma provocação inevitável, senador. O senhor pronunciou-se contra a censura imposta, no Brasil, ao filme "Ave Maria", de Jean-Luc Godard. O senhor criticaria com a mesma veemência a censura na União Soviética?

Há censura na União Soviética, e ela se justifica porque a União Soviética é o ponto focal para onde se dirige a luta ideológica do imperialismo contra o socialismo. Todo governo tem a obrigação de defender a sua Constituição. E a Constituição Soviética obedeceu a critérios de elaboração bem mais democráticos do que em qualquer país capitalista.

A Constituição diz: "O regime aqui é socialista", e todos aqueles que combatem o socialismo devem ser censurados.

Desviando, agora, para questões pessoais. O senhor ficou assustado antes de extrair dois pólipos do intestino grosso, em fins de janeiro? O senhor teve medo de morrer?

Não tenho a mínima preocupação com a morte, até mesmo porque um dia eu terei que morrer (ri). Pode ser num acidente desses.

Mas o senhor não gostaria de viver ainda muitos anos para tocar adiante seus projetos políticos?

Não, não. Eu trato é de usar bem os anos que me restam de vida. Tenho certeza de estar fazendo o possível para esclarecer a classe operária e a juventude.

O senhor leu o livro "Olga", do Fernando Morais? Ele é fiel à vida de Olga Benário?

Li e, no fundamental, ele é fiel, apesar de numerosos pequenos erros. Ele havia prometido que, antes de mandar o livro ao prelo, o submeteria a minha apreciação e à de minha filha, mas isso não foi possível. Na essência, o livro é verídico e ele, como repórter, foi muito feliz.

Fernando Morais narra com muito respeito detalhes íntimos de sua convivência conjugal. Diz, por exemplo, que antes de se casar com Olga Benário o senhor não tinha tido relações com nenhuma outra mulher. É verdade?

Aquilo foi um pouco de exagero dele. Isso é uma questão pessoal, particular. Não seria nenhum mérito nem nenhum defeito. Eu estava com 36 anos, era solteiro, já que, desde a morte de meu pai, quando eu tinha dez anos, trasformei-me em chefe de família.

Senador, como um homem de 88 anos de idade e ainda bastante dinâmico vive sua rotina? O senhor dorme bastante, alimenta-se bem?

Alimento-me muito normalmente, sem nenhuma dieta ou cuidado especial. Dormir, continuo dormindo pouco, por hábito de quando era oficial do Exército.

E o que o senhor mais gosta de comer?

Eu como de tudo. Não tenho predileção por nada. O sentido menos agudo que eu tenho é o paladar. Fui educado comendo comida do Colégio Militar e da Escola Militar, na base de feijão com arroz e um ensopado de carne, e como sobremesa uma laranja ou uma banana.

O senhor não fuma?

Não. Nunca fumei.

O senhor gosta de tomar um aperitivo antes das refeições?

Eu bebo quando é necessário. Em 1980, por exemplo, estive em Brasília e visitei as embaixadas da União Soviética, Bulgária, Alemanha Democrática e Tchecoslováquia. Em cada uma delas ofereciam-me um cálice de conhaque, e eu aceitava.

E o senhor não gosta de beber?

Não gosto de cachaça. Nisso não sou nem um pouco brasileiro. Prefiro esporadicamente um cálice de vinho do porto.

O que o senhor está lendo agora, de ficção?

Comecei há pouco um romance de Thomas Mann, "Doutor Fausto". Mas leio bem mais coisas de política. Ainda ontem recebi o último número da Revista Internacional e estou com o informe do camarada Gorbachev ao 27º Congresso do PC Soviético, com sua apreciação autocrítica sobre o atraso técnico da União Soviética.

Que tipo de música o senhor gosta de ouvir?

Ah, eu gosto só de música clássica. Acompanho também música popular. Gosto dos sambas do Noel Rosa.

O senhor gosta de rock?

Para falar a verdade, eu não compreendo essas músicas modernas e barulhentas norte-americanas.

Qual foi o último filme que o senhor assistiu?

É muito difícil dizer. Foi há alguns meses. Agora estava interessado em ver "A História Oficial", esse filme argentino sobre a tortura.

O senhor tem videocassete em casa?

Não, não tenho. É um equipamento muito caro e decidimos, ainda, não comprar.

O senhor tem como única fonte de renda a aposentadoria de capitão reformado do Exército?

Não, não tenho nada a ver com as Forças Armadas. Fui expulso duas vezes. Aliás, a chamada anistia de 1945 não foi verdadeiramente uma anistia. Foi uma soltura de presos políticos, inclusive minha, já que passei nove anos em regime de absoluto isolamento. Eu nunca reivindiquei coisa nenhuma.

Qual então a fonte de renda do senhor?

Eu vivo única e exclusivamente de contribuições que me são feitas por meus amigos. Esse apartamento foi cedido por Oscar Niemeyer, e o automóvel foi dado também por amigos, no meu aniversário, em 1983.

O senhor se considera um homem feliz?

Sou, isso sou. Sempre me considerei um homem feliz. Todo revolucionário deve ter certa parcela de estoicismo. A felicidade consiste em desejar que as coisas aconteçam exatamente como elas acontecem.

Mas o senhor não conseguiu fazer a revolução no Brasil, senador. Isso não o deixa, aos 88 anos, absolutamente frustrado?

A verdade é que não existiram condições para isso. Antes de se fazer a revolução, será preciso levar a democracia para as massas. No Brasil, a democracia é para uma elite, e mesmo assim no litoral. No interior, o camponês não tem a quem se queixar porque o promotor e o delegado de polícia estão todos a serviço do fazendeiro.

Veja, por exemplo, o congresso dos camponeses em Curitiba, denunciando que nos últimos dois anos foram assassinados 267 dirigentes sindicais. A Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura] revela, por sua vez, que até março deste ano foram mortos outros 38. O primeiro direito do cidadão a ser respeitado deveria ser o da inviolabilidade do lar. A polícia não o respeita.

Veja o senhor as violências cometidas contra os líderes dos bóias-frias pela polícia do senhor Montoro, arrancando-os de casa para chicoteá-los. É talvez por isso que o senhor Fernando Henrique Cardoso perdeu as eleições no ano passado em São Paulo.

O senhor já foi assaltado?

Não. Minha filha uma vez foi roubada. Mas eu não fiquei indignado. Vejo isso com muita frieza. O fenômeno é inevitável numa sociedade com distribuição de rendas tão injusta como o Brasil.

Veja o relatório que o senhor Hélio Jaguaribe apresentou para o senhor Sarney. O estudo surpreendeu muito o senhor Sarney, mas a mim não surpreende. São 77 milhões os brasileiros vivendo em miséria absoluta. Os governos não se interessam por isso, por mais que a nação seja o próprio povo.

O senhor acredita numa transição pacífica do Brasil ao socialismo?

A forma da revolução é secundária. O importante é uma tática justa. Não creio que se possa descartar uma revolução sem conflitos do tipo guerra civil ou luta armada. De qualquer forma, haverá violência.

Acredito que, com a concentração da classe operária no eixo São Paulo-Rio-Belo Horizonte, e na medida em que ela se organize e conquiste a democracia, é inevitável que ela forme o bloco revolucionário, juntamente com os camponeses e a pequena burguesia urbana.

Esse bloco lutaria contra o latifúndio, o imperialismo como inimigo externo e os monopólios nacionais e estrangeiros como inimigo interno. Estaremos então com o caminho aberto para o socialismo.

Se o senhor fosse eleitor em São Paulo, em quem votaria entre esses três candidatos: Orestes Quércia, Eduardo Suplicy e Antônio Ermírio de Moraes?

Por enquanto, não tenho uma posição a respeito. A situação ainda está aparentemente muito confusa, e essa será uma eleição de grandes fortunas, como a do senhor Ermírio.

E em termos de Rio de Janeiro, como o senhor vê a candidatura de Fernando Gabeira pelo PT?

É um direito dele. Qualquer cidadão brasileiro tem o direito de ser candidato.

Se ele pedir seu apoio, o senhor o dará?

Não. Acho que os únicos partidos que tendem a crescer, por não estarem comprometidos com o governo federal, são o PT e o PDT. Mas aqui no Rio o PT tem uma presença insignificante. Eu não gosto de votar para ser derrotado.

Então sua preferência iria para o pedetista Darcy Ribeiro?

A situação ainda não está muito definida. O senhor Darcy Ribeiro só será candidato depois da convenção.

Este texto faz parte da série Entrevistas Históricas, que lembra conversas marcantes publicadas pela Folha.

FONTE: Folha de São Paulo


domingo, 17 de janeiro de 2021

Entrevista com Lukács

Entrevista filmada com György Lukács na Hungria socialista. Concentra-se, principalmente, no período entre 1918-1929 de sua vida. Na república soviética húngara (1919), ele trabalhou como comissário do povo para a educação pública e depois como comissário político do exército vermelho. Depois que os romenos derrotaram a república soviética, ele fugiu para Viena, mas voltou à Hungria para uma missão secreta de organizar o partido comunista banido em 1929. Tradução para o português de Ronaldo Vielmi Fortes a partir da transcrição para o inglês estabelecida por Silajlita Jariso.




sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Neste vídeo, Nicolás Maduro faz um bom resumo do que aconteceu na Venezuela nos últimos 5 anos

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em encontro realizado no Palácio Miraflores com convidados internacionais na instalação da nova Assembleia Nacional (AN), fez um bom resumo dos últimos cinco anos de lutas e desafios que a Revolução Bolivariana enfrentou, marcados por tentativas de golpes e assassinatos, ataques à economia, guerras psicológicas e outros. As delegações estrangeiras presentes no encontro atuaram como observadoras das últimas eleições venezuelanas.




El presidente venezolano Nicolás Maduro saludó a los invitados internacionales que asistieron a la instalación de la Asamblea Nacional. | Foto: Prensa Presidencial


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

(Livro Virtual) "O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais"

Lançamento da Editora Expressão Popular. DISPONÍVEL EM PDF GRATUITO (link no final da postagem)

Nogueira, Leonardo. O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais / Leonardo Nogueira, Maysa Pereira, Rafael Toitio.-- 1.ed.-- São Paulo : Expressão Popular, Fundação  Rosa Luxemburgo, 2020.

O Brasil fora do armário: diversidade sexual, gênero e lutas sociais contribui para a reflexão, sob perspectiva marxista, sobre os principais desafios enfrentados pelas mulheres e LGBT+s, suas principais conquistas e projetos de futuro no que se refere à construção e efetivação da igualdade de direitos. Os autores partem da recuperação histórica sobre sexualidade e gênero no mundo e no Brasil para, na sequência, situar, pela perspectiva dos movimentos sociais, alguns elementos centrais da luta.

Com esta panorâmica, é possível perceber os diversos caminhos para o reconhecimento destas pautas pelo conjunto dos brasileiros interessados no fim das desigualdades, superando o identitarismo e também o preconceito em relação ao que se denomina pauta identitária.

Uma obra fundamental para qualificar o debate sobre gênero e sexualidade na luta geral pela emancipação humana, voltada para mulheres e LGBT+s, pesquisadores, militantes populares, estudantes, professores, e sociedade brasileira de forma geral.

TRECHO DO LIVRO

“Este livro se insere na batalha das ideias com o objetivo de evidenciar a relevância de uma abordagem que considere gênero e sexualidade como elementos indivorciáveis da sociabilidade humana e, portanto, elementos que não podem ser mecanicamente excluídos das análises sobre a sociedade em seus aspectos estruturais e conjunturais. […] A diversidade sexual e de gênero precisa ocupar um espaço coerente na reflexão e na ação política, evitando o engodo de encará-la como subproduto de uma ‘cortina de fumaça’. Para tanto, é necessário recuperar o lugar e o papel, na nossa sociedade, da sexualidade e das relações patriarcais de gênero (entendidas aqui, inicialmente, como as relações nas quais os homens exercem, predominantemente, o poder e as funções de autoridade moral, política, social e econômica, e todas as consequências que esta situação desigual acarreta). Essa recuperação pode se dar com base nos fundamentos históricos do desenvolvimento do ser social, dos debates sobre a particularidade da formação social brasileira e das análises de conjuntura política. Também se torna fundamental investigar como o imperativo do heterossexismo (ou seja, a heterossexualidade como única forma de desejo sexual) e da cisgeneridade (quando a única identidade de gênero aceita é a que corresponde à atribuída no nascimento) se articulam com as determinações de classe, raça/etnia e gênero”. (Leonardo Nogueira, Maysa Pereira, Rafael Toitio)


Você pode baixar de forma gratuita diretamente CLICANDO AQUI ou seguir com a compra do livro digital e contribuir com o projeto editorial popular da Expressão Popular, clicando no link:

https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/livro-virtual-brasil-fora-do-armario-o-diversidade-sexual-genero-e-lutas-sociais/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Documental “Los agradecidos te acompañan”

Una crónica audiovisual de 57 minutos de duración que repasa, a grandes rasgos, hitos del liderazgo histórico de Fidel en su entrañable relación con el pueblo.



Fidel Castro, el Che Guevara y Camilo Cienfuegos vencieron el 1 de enero. Siete días tardaron en llegar a la capital de Cuba, entrando triunfalmente a La Habana el 8 de enero. | Foto: Radio Angulo


Para download: "Marx, 200 años. Presente, pasado y futuro". CLACSO, 2020.

Las páginas de Marx, 200 años conforman una producción colectiva extraordinariamente potente en torno al pensamiento del hombre que desarrolló la teoría política, filosófica y sociológica más influyente del siglo XX.

Revisitado desde diferentes aproximaciones (la relación de Marx con América Latina y el devenir mundial; los alcances de su revolución teórica; su análisis de la dinámica económica capitalista y las reflexiones en torno a la política y la democracia), este libro plantea un acercamiento a las ideas de Marx que se alimentaron del entusiamo y la vitalidad que rodeó la Conferencia Latinoamericana y Caribeña organizada por CLACSO en la ciudad de Buenos Aires en noviembre de 2018.


Coordinadores: Esteban Torres, Elvira Concheiro Bórquez, Félix Valdés García, Matías Bosch Carcuro, Pablo Vommaro, Rodolfo Gómez


Escriben: Enrique Dussel, Álvaro García Linera, Atilio Boron, Marcello Musto, Göran Therborn, Esteban Torres, Bob Jessop, Guilherme Leite Gonçalves, Enrique de la Garza Toledo, Orlando Caputo, Robert Boyer, Anwar Shaikh, Elvira Concheiro Bórquez, Beatriz Rajland, Klaus Dörre.


Descargar el librohttp://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20200630060440/Marx-200.pdf







quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Estados Unidos: Una crisis de larga gestación

 Por Atilio A. Boron

Página 12

Imagen: AFP


Lo ocurrido no tiene precedentes en la historia de Estados Unidos. Todo un vetusto y enorme entramado institucional concebido por los padres fundadores para evitar los riesgos de la oclocracia –el temido gobierno del populacho- se derrumbó como un castillo de naipes cuando respondiendo a las incesantes arengas de Donald Trump una turba de trumpistas arrolló a las fuerzas de seguridad y tomó por asalto al Capitolio. El resultado: el Senado tuvo que entrar en receso mientras el vicepresidente Mike Pence era prestamente evacuado por el Servicio Secreto mientras una banda de fascinerosos con ropas de fajina y algunos de ellos armados sentaban sus reales en las salas del Senado y la Cámara de Representantes. El objetivo: impedir que el Congreso certificara la victoria de Joe Biden en la elección presidencial del 3 de noviembre.


La responsabilidad de Trump en estos incidentes es indiscutible. Una parte de los republicanos aportaron lo suyo. Más de cien estaban dispuestos a proponer la anulación de la victoria de Biden, y deben también ser considerados como instigadores del tumulto. Pero sería un error creer que lo ocurrido es responsabilidad exclusiva de Trump y sus secuaces. Este episodio marca la gravedad de la crisis de legitimidad que hace mucho tiempo está carcomiendo al sistema político norteamericano. El ausentismo electoral es un lastre crónico para un sistema que se autoproclama como una democracia cuando no lo es. Abraham Lincoln la definió como el “gobierno del pueblo, por el pueblo y para el pueblo”. Hoy no sólo intelectuales de izquierda como Noam Chomsky sino hasta académicos del mainstream como Jeffrey Sachs y, antes que él, Sheldon Wolin sostienen en sus intervenciones orales y escritas que el sistema político de Estados Unidos es una plutocracia y no una democracia en la medida en que es el gobierno de los ricos, por los ricos y para los ricos. Esto es lo que explica la quejumbrosa reflexión que hiciera hace unos meses un editorial colectivo del The New York Times al constatar que el 1% más rico acumula más riqueza que el 80% más pobre del país. Es decir, una pseudo-democracia que aplicando las políticas neoliberales decretó las exequias del “sueño americano” y convirtió a ese país en el más desigual del mundo desarrollado. 


En los gravísimos sucesos del miércoles, propios de las “anarquías populistas” que Washington ve –y vitupera- por doquier en los países de la periferia hay una indudable corresponsabilidad de los dos partidos. 


Los exabruptos de Trump y sus criminales políticas, dentro y fuera de Estados Unidos, se nutrieron durante cuatro años de la falta de voluntad de los demócratas para poner fin a las políticas que beneficiaban al 10% más rico (y sobre todo al 1% de los super-millonarios) del país y para hacer siquiera mínimo esfuerzo para democratizar de verdad al sistema político. No es ocioso recordar ante los violentos incidentes de este miércoles que jamás estuvo en la mente de los padres fundadores crear un sistema democrático: la elección indirecta vía colegios electorales, el carácter optativo del voto, el sufragio en día laborable son las rémoras de un sistema que se constituyó como una república pero no como una democracia


No es casual que la propia Constitución de Estados Unidos no mencione en un solo lugar la palabra mágica: “democracia”. Y ante una sociedad que ha cambiado tanto como Estados Unidos en los últimos cincuenta años, pasando de ser una sociedad bastante homogénea a una multicultural y desigual, y ante la estolidez de un sistema partidario que no refleja para nada estos cambios la aparición de un demagogo como Trump y su incendiaria retórica podía terminar abriendo las puertas del infierno y soltar a todos los demonios. Eso fue lo que ocurrió ahora. Y esto va para largo y no se solucionará sin reformas sociales, económicas y políticas de fondo, cosa que difícilmente Joe Biden estará dispuesto a impulsar. 


FUENTES: Página 12


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

"Pó e Reno": texto inédito de Friedrich Engels em língua portuguesa

Nos 200 anos de nascimento de Friedrich Engels (1820-1895), a Seção Clássicos/Documentos da Revista Novos Rumos, v. 57 n. 2 (2020), presta sua homenagem, publicando o texto “Pó e Reno”, inédito em língua portuguesa, escrito pelo autor entre final de fevereiro e início de março de 1859 e publicado pela primeira vez como panfleto em Berlim, abril de 1859.

Segue a Introdução, localizando o contexto da obra, feita pelos organizadores dos originais extraídos de Karl Marx/Friedrich Engels Collected Work. E, em seguida, as partes I e II do texto de Engels. As partes finais (III e IV) serão publicadas na próxima edição da Revista.

Seção Clássicos/Documentos organizada nesta edição por Angélica Lovatto e Paulo Barsotti.


INTRODUÇÃO - Seleção do texto inédito em língua portuguesa - "Pó e Reno"

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/11392/6962


PÓ E RENO - Parte I e II

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/11393/6964




sábado, 26 de dezembro de 2020

Lançamento em pré-venda: "EMPRESARIADO E DITADURA NO BRASIL"

Pedro Henrique Pedreira Campos, Rafael Vaz da Motta Brandão e Renato Luís do Couto Neto e Lemos (Organizadores)

CONSEQUÊNCIA Editora

ASSUNTO: HISTÓRIA, CIÊNCIAS SOCIAIS

IDIOMA: Português        

FORMATO: Brochura, TAMANHO: 16,0 x 23,0 cm

EDIÇÃO: 1ª  2020

PÁGs.: 504,

LOMBADA: 1,5 cm

ISBN: 9786587145105




Sobre o livro:... O livro que o leitor tem em mãos é resultado de uma agenda de pesquisa dedicada a examinar os principais beneficiários do regime ditatorial militar implantado no Brasil em 1964. É curioso que quando se anuncia o propósito de investigar os que enriqueceram naquele período muitos leitores busquem denúncias de enriquecimento ilícito e corrupção, e quase nunca a criação de fortunas como resultado da acumulação capitalista facilitada por um regime de exceção. Essa última dinâmica é o que interessa essa agenda sintetizada em Empresariado e ditadura no Brasil, que reúne um conjunto de trabalhos de investigação sobre as relações favoráveis à acumulação criadas por um regime que além de reprimir, prender e assassinar opositores políticos, implementou reformas no Estado brasileiro e uma arquitetura legislativa que garantiu altas taxas de lucratividade para o grande capital. Eis uma dimensão essencial sem a qual não é possível compreender como parte considerável do empresariado brasileiro não só apoiou aquele regime como patrocinou e se comprometeu com estratégias sanguinárias de combate à oposição, como foi o caso notório da Operação Bandeirantes em São Paulo, para ficar num exemplo. Sem situar esse ponto, pode-se cair em leituras psicologizantes, que pouco esclarecem a questão. Não que aqueles tempos não tenham sido de corrupção, como comumente apelam os assassinos da memória encastelados nos quartéis, nas redes sociais e no Planalto. Mas o assunto aqui são as estratégias com as quais os donos do dinheiro formaram fortunas faraônicas num ambiente de aumento exponencial das taxas de exploração da classe trabalhadora e na abertura de novas fronteiras para o capitalismo. Nesse sentido, o debate aqui apresentado destoa profundamente de tendências apologéticas que ganharam repercussão importante no campo de estudos sobre a última ditadura e que, por exemplo, buscaram reconstruir positivamente o período do chamado milagre econômico.  Demian Melo  Professor de História Contemporânea do bacharelado em Políticas Públicas da UFF.

Sobre os organizadores: Pedro Henrique Pedreira Campos é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor do Departamento de História da UFRRJ e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRRJ. Rafael Vaz da Motta Brandão é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor visitante do Departamento de Ciências Humanas e do Programa em Pós-Graduação em História Social da UERJ/FFP. Coordenador do Laboratório de Economia e História (LEHI/UFRRJ/CNPq), vice-coordenador do Núcleo de Estudos sobre Território, Movimentos Sociais e Relações de Poder (TEMPO/UERJ-FFP/CNPq) e pesquisador associado ao Grupo de Trabalho Empresariado e Ditadura no Brasil. Renato Luís do Couto Neto e Lemos é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor titular do Instituto de História e do Programa de Pós Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordenador do Laboratório de Estudos Sobre Militares na Política (LEMP/UFRJ/CNPq) e pesquisador associado ao Grupo de Trabalho Empresariado e Ditadura no Brasil.





sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Documental "Cuba, Una Odisea Africana"

Cuba, en su compromiso sin contrapartida contra el Imperialismo y el apartheid


Amílcar Cabral y Fidel Castro


En 1991, Nelson Mandela comienza por Cuba su periplo fuera de África para agradecer a quienes contribuyeron a abolir el apartheid. Durante 25 años, Castro y otros 500.000 cubanos participaron en las guerras de liberación africanas. Una realidad desconocida, olvidada, que esclarece todo un episodio de la Historia africana.

Una realidad desconocida, intencionadamente olvidada fuera de África, que esclarece todo un episodio de la Historia africana y cubana: la independencia de Namibia y de Angola, o el fin del Apartheid en Sudáfrica, no se pueden entender sin el decisivo aporte internacionalista del pueblo cubano.


Cuba, Una Odisea Africana PARTE 1



Cuba, Una Odisea Africana PARTE 2



Título original

Cuba, une odyssée africaine (TV)

Año

2007

Duración

187 min.

País

Francia Francia

Dirección

Jihan El-Tahri

Música

Freres Guissé

Fotografía

Frank-Peter Lehmann

Reparto

Documental

Productora

Arte, BBC Films, Independent Television Service

Género

Documental | África

Sinopsis

Durante la Guerra fría, cuatro adversarios con intereses opuestos se enfrentaron en el continente africano. Los soviéticos querían extender su influencia, Estados Unidos deseaba apropiarse de las riquezas naturales de África, los antiguos imperios sentían vacilar sus potencias coloniales y las jóvenes naciones defendían su recién adquirida independencia. Jóvenes revolucionarios como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral o Agostinho Neto pidieron a los guerrilleros cubanos que les ayudaran en su lucha. Cuba tuvo un papel central en la nueva estrategia ofensiva de las naciones del Tercer Mundo contra el colonialismo. Desde Che Guevara en el Congo a Cuito Cuanavale en Angola, esta película relata la historia de aquellos internacionalistas cuya saga explica el mundo de hoy en día: ganaron todas las batallas, pero acabaron perdiendo la guerra. (FILMAFFINITY)

Nelson Mandela y Fidel Castro


domingo, 6 de dezembro de 2020

CONGRESO INTERNACIONAL PEDAGOGÍA 2021 (modalidad virtual)

CONGRESO INTERNACIONAL

PEDAGOGÍA 2021

DEL 1 AL 3 DE FEBRERO DE 2021


Bajo el lema "Por la unidad de los educadores" y en tiempos de pandemia, con una intencionalidad sumarísima, estamos convocando a los educadores de todo el mundo, a participar en el Congreso Internacional Pedagogía 2021, en esta ocasión en modalidad virtual. Entre sus objetivos está debatir sobre el nuevo contexto en que se ha desarrollado la Educación y los desafíos que conlleva, así como socializar las experiencias de miles de docentes y directivos para dar continuidad al proceso educativo, en estas circunstancias. En esta edición también se pretende valorar el estado de cumplimiento de la Agenda 2030, en particular el Objetivo de Desarrollo Sostenible Nro. 4 y su contribución al cumplimiento de los restantes objetivos

El Congreso Internacional Pedagogía 2021, dará inicio con la conferencia de la Ministra de Educación de la República de Cuba, Dr. C. Ena Elsa Velázquez Cobiella. A continuación, serán impartidos los cursos virtuales.

Los restantes días se dictarán dos conferencias centrales, por personalidades nacionales e internacionales de reconocido prestigio y a continuación se desarrollarán las actividades científicas de los simposios.

También, tendrá lugar un foro debate sobre la Educación en tiempos de pandemia, además, se proyectarán vídeos y documentales relativos a los logros de la Educación Cubana y a la cartera de servicios que brindan diferentes instituciones pertenecientes al Ministerio de Educación.

En la clausura, la presidenta del Comité Científico, Dr. C. Eva Escalona Serrano, directora nacional de Ciencia y Técnica del Ministerio de Educación de la República de Cuba, presentará la relatoría del Congreso.


Más detalles del eventohttps://www.pedagogiacuba.com/pt/


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Vídeo da historiadora Anita Prestes no programa Soberania em Debate desta sexta-feira (04/12/2020)

 Tema: Pós-Eleições: quem é a Direita no Brasil?



Entrevistadores:

Francisco Teixeira da Silva – Historiador e cientista político. Professor titular de História Moderna e Contemporânea/UFRJ, Professor titular do CPDA/UFRJ-UFJF. Autor de diversos livros sobre conflitos e mudanças sociais. Prêmio Jabuti, 2014.

Jorge Folena – Advogado e cientista político. Doutor em Ciência Política, com pós-doutorado; mestre em Direito. Diretor do Instituto dos Advogados Brasileiros/IAB.




Da utopia à ciência

Por Ana Pato  


Se o movimento revolucionário muito deve a Marx e a Engels, é igualmente verdadeira a afirmação de que, com eles, a filosofia e a teoria do conhecimento científico se enriqueceram de forma indelével. E o interessante é que estas são duas faces da mesma moeda.




Há duzentos anos nascia Friedrich Engels. Estudou o mundo, elaborou teoria, interveio nele na prática. Foi um revolucionário.

Engels foi um dos fundadores do comunismo científico. Juntamente com Marx, muniu o proletariado da arma teórica para a transformação do mundo. Apesar de o nome Karl Marx ser popularmente mais conhecido, o facto é que a obra (e a vida) de Marx é inseparável da de Engels. Comentava Lénine que: «As lendas da Antiguidade contam exemplos comoventes de amizade. O proletariado da Europa pode dizer que a sua ciência foi criada por dois sábios, dois lutadores, cuja amizade ultrapassa tudo o que de mais comovente oferecem as lendas dos antigos». A afinidade de ambos era completa. A obra é comum.

Mas o que faz o adjectivo científico à frente de comunismo?

Um dos grandes contributos de Engels e de Marx foi a elevação do sonho a projecto. As concepções utopistas que dominaram as ideias socialistas do século XIX, nota Engels, queriam descobrir um sistema novo e mais perfeito de ordem social. Mas pretendiam implantá-lo na sociedade vindo de fora, por meio da propaganda. Nessas concepções, caracteriza Engels, “o socialismo é a expressão da verdade, da razão e da justiça absolutas, e basta que seja descoberto para que, pela sua própria força, conquiste o mundo”. Contudo, esses novos sistemas sociais, constata, “estavam de antemão condenados à utopia; quanto mais elaborados nos seus pormenores, mais tinham de se perder na pura fantasmagoria”.

Mas, aquilo que inicialmente era um desejo, pleno de ideias de justiça e boas intenções, ganhava agora a força da possibilidade real. O ponto é este: “Para fazer do socialismo uma ciência ele tinha primeiro de ser colocado sobre um terreno real”. Para transformar o mundo, importava explicar o mundo através do próprio mundo. Isto é uma concepção materialista.

Contudo, o materialismo também se revelava limitado, como mostrou Engels. Fruto da sua época, este era um materialismo mecanicista – o facto de a ciência da natureza mais desenvolvida ser a mecânica conduziu à aplicação do seu padrão a domínios como a química ou a biologia, onde as leis mecânicas valem certamente, mas não são determinantes – e anti-dialéctico – isto é, incapaz de apreender a natureza e a história no seu desenvolvimento, enquanto processo. Era, pois, necessário elevar este materialismo a um materialismo dialéctico. E aplicá-lo aos domínios da natureza, da sociedade e do pensar. Marx e Engels abriram essa porta.

Se Marx desenvolveu sobretudo a teoria económica, Engels analisa e desenvolve questões fundamentais da filosofia e das ciências naturais e sociais. A Engels devemos a aplicação da dialéctica materialista ao conhecimento das leis da natureza. Se não é estranho dizer que o movimento revolucionário muito deve a Marx e a Engels, não é certamente mentira a afirmação de que, com eles, a filosofia e a teoria do conhecimento científico se enriqueceram de forma indelével. E o interessante é que estas são duas faces da mesma moeda.

Ora, foi precisamente porque partiram dessa posição materialista e dialéctica que puderam mostrar como o socialismo é o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas e, consequentemente, fazer a crítica do socialismo utópico demonstrando que (usando as palavras de Lénine) “não são as tentativas bem intencionadas dos homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos males que hoje a esmagam, mas a luta de classe do proletariado organizado”. Foi Engels, aliás, quem assinalou, pela primeira vez, o papel de vanguarda do proletariado, a partir do estudo da situação da classe operária em Inglaterra. Como resume Lénine, “Engels foi o primeiro a declarar que o proletariado não é só uma classe que sofre, mas que a miserável situação económica em que se encontra empurra-o irresistivelmente para a frente e obriga-o a lutar pela sua emancipação definitiva. E o proletariado em luta ajudar-se-á a si mesmo. O movimento político da classe operária levará, inevitavelmente, os operários à consciência de que não há para eles outra saída senão o socialismo. Por seu lado, o socialismo só será uma força quando se tornar o objectivo da luta política da classe operária”.

Sucede que, para descobrir as vias reais para o socialismo, era necessário estudar a sociedade – naquilo que ela é – e descobrir as suas leis de desenvolvimento – prevendo, nos traços gerais, aquilo que ela devirá – para que, identificando as contradições e as forças motrizes, estas últimas melhor saibam conduzir a luta em que estão inseridas, quer queiram, quer não. Recorrendo a uma ideia hegeliana, trata-se de conhecer a necessidade. A liberdade, escreve Engels, “não reside na independência sonhada relativamente às leis da Natureza, mas no conhecimento dessas leis, e na possibilidade, com ele dada, de planificadamente as fazer operar para determinadas finalidades. Isto vale tanto por referência às leis da Natureza exterior, como àquelas que regulam a existência corpórea e espiritual do próprio ser humano: duas classes de leis que nós, no máximo, podemos separar, uma da outra, na representação, mas não na realidade [efectiva]”. Isto é, pois, válido quer para o domínio da natureza, quer para o domínio da sociedade.

Ora, uma penetração científica nos domínios do ser natural ou social requer uma transposição do nível fenoménico da realidade, bem distinta de uma abordagem positivista ou empirista, marcada pelo mero registo e ordenação do que aparece imediata e positivamente. Pois, como diz Marx, a ciência “seria supérflua se a forma fenoménica e a essência das coisas coincidissem imediatamente”. A questão está em captar a “conexão interna” dos fenómenos, o seu “vínculo interior”. Trata-se de captar o processo (no qual o fenómeno corresponde apenas a uma etapa) cujo movimento se determina na resolução de contradições. Como diz Engels: “uma exposição exacta do sistema do mundo, do desenvolvimento dele e do [desenvolvimento] da humanidade – bem como da imagem especular deste desenvolvimento nas cabeças dos seres humanos –, apenas pode, portanto, ser posta de pé por um caminho dialéctico”, o que significa atender às “universais acções recíprocas”. A ciência é tributária de uma filosofia materialista dialéctica.

Assim, tomando o ser social, uma correcta acção política dirigida à transformação revolucionária não pode ser correctamente dirigida se não partir de uma abordagem materialista e dialéctica com a qual se compreenda e domine os processos objectivos nas quais as diferentes forças estão inseridas. Aqui reside a unidade de teoria e prática. Isto é muito diferente de navegar à vista, tomando apenas o imediato. Também é muito diferente de substituir possibilidades objectivas por desejos e utopias bem intencionadas. Escusado será dizer que uma teoria que parta de tal abordagem necessariamente se actualiza e transforma com o próprio mundo em transformação e o com o desenvolvimento da ciência da época em que se insere. Por aqui se vê como um movimento que se queira revolucionário, de facto, reclama uma abordagem científica. Trabalhosa é certo. Como diz Marx: “Não há estrada real para a ciência e só têm possibilidade de chegar aos seus cumes luminosos aqueles que não temem fatigar-se a escalar as suas veredas escarpadas”.


Fonte: https://vozoperario.pt/jornal/2020/11/28/da-utopia-a-ciencia/


FONTE: ODiario.info


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

"João Goulart en Argentina (La muerte de un Presidente)"

 Estreia nesta terça (03), às 20h, no Canal Encontro, da tv pública argentina, a série "João Goulart en Argentina (La muerte de un Presidente)", dirigida por Maximiliano González.

Link do canal de TV Pública argentina, Encuentro: https://www.youtube.com/channel/UC1zLDoKL-eKmd_K7qkUZ-ow



A morte de Jango, na TV argentina. 

Por Fernando Brito

Os 44 anos da morte (6 de dezembro de 1976, em circunstâncias obscuras) do ex-presidente João Goulart serão lembrados a partir de amanhã pela TV argentina com a exibição da série La Muerte de un Presidente, do cineasta Maximiliano González.


O filme trata dos dias finais no exílio de Goulart em sua estância em Mercedes, na Argentina, e das controvérsias sobre se sua morte teria sido provocada por um envenenamento, como parte da Operação Condor, que produziu diversos assassinatos entre líderes de esquerda no Cone Sul.


São seis capítulos, com a participação do ator Hugo Arana, que morreu em outubro, vitima da Covid-19 e podem ser assistidos no no youtube do canal de TV Pública argentina, o Encuentro,


Abaixo, um teaser da série: 

https://vimeo.com/402417547


FONTE: Tijolaço

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Pós-Eleições: quem é a Direita no Brasil?

 Soberania em Debate recebe a historiadora Anita Prestes

Próxima sexta-feira, dia 04/12/2020, às 17h, no canal SOS Brasil Soberano no YouTube.

Nas palavras do historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, "Anita é parte de nossa história Contemporânea. Sua trajetória, coerência, resistência e luta, sempre ao lado das forças populares, nos anima a nós mesmos a manter a luta e resistência. Mas, que uma entrevista, teremos um depoimento. Além, de resistente e personagem da História, Anita é historiadora, doutora em história do Brasil e docente da UFRJ, o que traz uma profunda visão do Brasil atual. Assim, creio que neste sexta-feira teremos um momento fundamental do nosso movimento SOS Brasil Soberano ao contar com Anita Prestes como nossa convidada."

 Página do movimento SOS Brasil Soberano:

 http://sosbrasilsoberano.org.br/