sábado, 13 de maio de 2017

"Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei" (Olga Benario Prestes)

Leia aqui o texto de Fernando Morais para a orelha do livro “Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo” (Boitempo Editorial, 2017)

Qualquer pesquisador se sentiria diante de uma mina de ouro ao deparar com o acervo histórico que deu origem a este livro. No coração de Moscou jazia o tesouro composto por nada menos que 2,5 milhões de documentos separados em 28 mil dossiês, estes, por sua vez, organizados em 50 catálogos. Não por acaso essa montanha de informações era conhecida como os Trophäen-dokumente, os “documentos-troféus” acumulados pela Gestapo, a polícia secreta do Reich, o regime nazista alemão que aterrorizou o mundo durante doze anos. Apreendida pelo Exército Vermelho após a derrota da Alemanha, em 1945, a documentação foi preservada pela União Soviética e começou a ser aberta para consulta pública dois anos atrás.

Para Anita Leocadia Prestes, descobridora do filão, porém, a pesquisa nesse rico material envolvia mais que a curiosidade acadêmica de uma historiadora. O objeto de seu olhar e de seu trabalho eram os oito dossiês contendo cerca de 2 mil documentos que a Gestapo arquivou com o título de “Processo Benario” – o acervo da polícia secreta nazista sobre sua mãe, a revolucionária Olga Benario Prestes. Trata-se do mais extenso rol de documentos sobre uma única vítima do nazismo, o que permite medir a importância atribuída pelo Terceiro Reich à então mulher do líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes.

Além de mais de meia centena de cartas inéditas, trocadas entre Olga, o marido, preso no Brasil, a sogra, Leocadia Prestes, e as cunhadas Clotilde, Lygia, Eloiza e Lúcia, o acervo vasculhado pela historiadora Anita Prestes revela minúcias do monitoramento a que Olga era submetida pelas autoridades em todas as prisões e campos de concentração em que esteve entre 1936 e 1942, quando foi executada em uma câmara de gás.

Chama também a atenção do leitor a pétrea decisão de Olga de não transmitir a seus algozes nem sequer uma solitária informação a respeito de seu passado e de suas atividades políticas na União Soviética e no Brasil. Ainda que esse abstinado silêncio viesse a lhe custar, como ocorreu dezenas e dezenas de vezes, penosos castigos físicos e privações ainda mais duras que as do cotidiano de um campo de concentração nazista. Penas que, com frequência, eram encerradas com uma cruel recomendação: "Ademais, solicito que lhe seja atribuída uma árdua carga de trabalho adicional".

Mais que uma excelente obra de referência, Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo é a pungente, dolorosa história de uma revolucionária exemplar.


MAIS INFORMAÇÕES: Boitempo Editorial

Dossiê Antonio Candido: livros, artigos, entrevistas e vídeos (download)

Elaboração Danilo Enrico Martuscelli (no DriveGoogle)

Clique no link abaixo para acessar o dossiê:
https://drive.google.com/file/d/0BweR5ZLUhMHgTnhpbFNTTUVWWGc/view



Para download: Iniciação à Literatura Brasileira (Resumo para principiantes) - Antonio Candido

Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes/Antonio Candido. – 3. ed.– São Paulo: Humanitas/ FFLCH/USP, 1999.

LINK PARA DOWNLOAD:

Antonio Candido (1918-2017)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lançamento do livro da historiadora Anita Prestes sobre Olga Benario na UFRRJ

Palestra e sessão de autógrafos
Dia 23 de maio de 2017, às 18 horas
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Auditório Gustavo Dutra (Gustavão)
Seropédica-Rio de Janeiro

Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo (Boitempo Editorial, 2017)




terça-feira, 9 de maio de 2017

Para download: Historia de la España islámica, de W. Montgomery Watt


•formato epub


•formato pdf 


La presencia árabe y beréber en la Península durante cerca de ocho siglos dio lugar a una fusión cultural de amplísimo alcance y sirvió de medio transmisor de la civilización islámica a los reinos y territorios europeos. En la presente obra W. Montgomery Watt describe los principales momentos de la Historia de la España islámica, proporcionando un panorama inmejorable de esta crucial etapa: el derrumbamiento del reino visigodo en el siglo VII; la evolución que transformó una provincia subordinada a Damasco en el califato independiente de Córdoba; el periodo de esplendor de los Omeyas; el colapso de la unidad estatal en el siglo XI y el surgimiento de los reinos de taifas; las invasiones de los almorávides y almohades en el siglo XII; los avances de la Reconquista bajo Fernando III; la dinastía nazarí de Granada y su derrota en 1492, y, finalmente, la expulsión de los últimos moriscos a comienzos del siglo XVII.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Anita Prestes lança seu novo livro, "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo", em evento com seminário e exposições sobre os 100 anos da Revolução Russa


No dia 07/06/2017, a historiadora Anita Prestes participará da mesa intitulada "A Revolução Russa e Brasil", no horário das 14h às 17h, no Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque (Prédio da Decania do CFCH, campus universitário da Praia Vermelha da UFRJ). Após a mesa, que terá também a presença de José Paulo Netto (professor aposentado da Escola de Serviço Social da UFRJ) e Carlos Addor (UFF), sob a mediação de Pedro Cunca Bocayuva (UFRJ), será lançado o livro Olga Benário Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo, publicado pela Boitempo Editorial, de autoria de Anita Leocadia Prestes, doutora em Economia Política e em História Social,  professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes (www.ilcp.org.br)


100 anos da Revolução Russa são retratados em evento com seminário e exposições, na UFRJ

“Revolução em Imagens” é o título do evento que acontece até 28 de julho.

Iniciou na primeira semana do mês de maio, no Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus da Praia Vermelha da UFRJ, o evento “Revolução em Imagens”, que contará com exposição de fotografias e cartazes e exibição de filmes seguida de debates sobre a Revolução Russa de 1917, que completa cem anos. O evento, aberto ao público, acontece até o dia 28 de julho no Prédio da Decania do CFCH. Serão exibidas 30 imagens impressas, e cerca de outras 50 em mídias audiovisuais, sobre o tema.

Durante o evento, estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro terão a oportunidade de conhecer os materiais a partir de visitas guiadas, programadas para os períodos da manhã e da tarde. Nas quartas-feiras, acontecerão sessões de filmes seguidas de debates sobre o tema. Entre as obras escolhidas estão os filmes do diretor Serguei Eisenstein ‘Outubro’ e ‘Encouraçado Potemkin’.

Para o mês de junho estão programados dois seminários com a presença de especialistas. Entre eles, estão dois colunistas do Esquerda Online, os historiadores Henrique Canary e Valério Arcary. Anita Leocádia Prestes, Mauro Iasi, Graziela Schneider, Carlos Alberto Serrano, José Paulo Neto, Juliano Medeiros, Carlos Eduardo Martins, entre outros, já confirmaram participação.

Confira a programação completa do evento, abaixo:

Seminário:
07/06/2017 – Mesa 1: A História da Revolução Russa (1917-24)
Horário: 9h
Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque
Participantes da mesa: Lincoln de Abreu Pena (historiador, doutor em História Social, consultor político e de assuntos estratégicos de diversas instituições); Henrique Canary (mestre em História Contemporânea, tradutor e revisor de russo e ex-editor-chefe da Editora Sudermann), Carlos Serrano Ferreira (professor de Ciência Política do IFCS-UFRJ) e Graziela Schneider (tradutora e professora de Literatura e Cultura Russa).
Moderador da mesa: Amaury Fernandes (UFRJ)

Lançamento de Livro
Horário: 12h
A revolução das mulheres: emancipação feminina na Rússia soviética: artigos, atas, panfletos, ensaios de Graziela Schneider Urso (org.)

07/06/2017 – Mesa 2: A Revolução Russa e Brasil
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque
Participantes da Mesa: Anita Leocádia Prestes (doutora em Economia Política e em História e professora aposentada da UFRJ), José Paulo Netto (professor aposentado Escola de Serviço Social da UFRJ) e Carlos Addor (UFF).
Moderador da mesa: Pedro Cunca Bocayuva (UFRJ)

Lançamento de Livro
Horário: 17h
Olga Benário Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo de Anita Leocadia Prestes

21/06/2017 – Mesa 1:  Revolução e o mundo
Horário: 9h às 12h.
Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque
Participantes da Mesa: Marcelo Bráz (professor da Escola de Serviço Social da UFRJ), Carlos Eduardo Martins (sociólogo e professor de Economia Política Internacional da UFRJ), Eduardo Serra (UFRJ) e Vantuil Pereira (UFRJ). Coordenação da mesa: Ricardo Figueiredo de Castro (UFRJ)

21/06/2017 – Mesa 2: Perspectivas do socialismo contemporâneo
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque
Participantes da Mesa: Mauro Iasi (professor da Escola de Serviço Social da UFRJ), Valério Arcary (historiador, escritor, militante político e professor aposentado do Instituto Federal de São Paulo) e Juliano Medeiros (historiador e doutor em Ciência Política).
Coordenação da mesa: Marco Aurélio Santana (UFRJ)
Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque (andar térreo do prédio do CFCH)

Fórum de Debates (Quartas Vermelhas):
Dia 03/05: Filme: “Outubro”, de Serguei Eisenstein
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedor: Carlos Serrano Ferreira (UFRJ), Mirtes Palmeira Ferrer (CEAC), Silvana de Queiroz Nery Mesquisa (CEAC)

Dia 10/05: “Caparaó”, de Flávio Frederico
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedores: Sargento Daltro Jacques Dornellas (militar, ex-guerrilheiro na Serra do Caparaó, exilado político e ex-deputado federal pelo MDB e posteriormente pelo PDT) e Esther Kuperman (doutora em História e professora de História do Colégio Pedro II).

Dia 17/05: “Vermelhos e Brancos”, de Miklós Jancsó
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedores: Ivan Capeller (professor da Escola de Comunicação da UFRJ).

Dia 24/05: “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein.
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedores: Luiz Arnaldo Campos (cineasta)

Dia 31/05: “Araguaia”, de Ronaldo Duque.
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedora: Victória Lavínia Grabois Olímpio (ex-militante política e atual presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais).

Dia 14/06
Filme: “Eles não usam black tie”, de Gianfrancesco Guarnieri.
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedor: Pedro Cláudio Cunca Bocayuva (professor Nepp-DH/UFRJ).

Dia: 28/06: “Reds”, de Warren Beaty.
Horário: 14h
Local: Auditório da Decania do CFCH
Debatedor: Marco Dantas (UFRJ).

Serviço
Data – de 3 de maio a 28 de julho.
Local: Prédio da Decania do CFCH (campus universitário da Praia Vermelha da UFRJ).
Aberto ao público.

FONTE: Esquerda Online

domingo, 7 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

Para download: LA CIA Y LA GUERRA FRÍA CULTURAL, DE FRANCES STONOR SAUNDERS

LINK PARA DOWNLOAD:

Resumen y Sinopsis de La CIA y la Guerra Fria Cultural

Durante la guerra fría, los escritores y los artistas en general se enfrentaron a un inmenso desafío: en el mundo Soviético se esperaba de ellos que produjeran obras que glorificasen la militancia, la lucha y el optimismo permanente; en Occidente se hacía alarde de la libertad de expresión como la posesión más preciada de la democracia liberal. Pero esa libertad podía tener su precio, en este libro se documenta la extraordinaria fuerza de una campaña secreta por la que algunos de los más elocuentes exponentes de la libertad intelectual en el mundo occidental se convirtieron en instrumento —lo supiesen o no, les gustase o no— de los servicios secretos estadounidenses.

Frances Stonor Saunders demuestra cómo la CÍA logró infiltrarse en todos los espacios de la cultura. Las organizaciones que le servían de tapadera y las fundaciones «filantrópicas» que canalizaban su dinero organizaban congresos, exposiciones, conciertos y giras de orquestas sinfónicas por todo el mundo y subvencionaban ambiciosos programas editoriales y costosas traducciones; las revistas de toda Europa y de otros lugares del mundo compensaban sus pérdidas gracias a generosos mecenas tras los cuales se escondía la CÍA. Stonor Saunders ha escrito una brillante y crítica biografía colectiva. Una historia apasionante y fácil de leer acerca de un sistema de mecenazgo clandestino sin precedentes en la historia contemporánea.

"No podíamos gastarlo todo. Recuerdo en una ocasión haberme reunido con Wisner y el interventor. Dije, ¿cómo podremos gastar todo eso? No había límites y nadie tenía que rendir cuentas. Era increíble. GILBERT GRKENWAY, agente de la CÍA"

"Se me ocurre pensar que el aparato para la creación y mantenimiento de las celebridades excede con mucho al objeto de la celebración. PHILIP LARKIN"

Año tras año, son siempre las mismas caras las que aparecen en los medios de comunicación, premio tras premio son siempre los mismos, elogios y felicitaciones abundan en los mismos círculos reducidos, falsificando la realidad y acabando con las oportunidades de los que nunca llegarán ni ocuparán los puestos que merecían por derecho propio.

Resenha sobre o livro "Olga Benário Prestes Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo" , da historiadora Anita Prestes (Boitempo, 2017)

Documentos detalham prisão de Olga

Por Jorge Félix | Para o Valor, de São Paulo


No dia 23 de abril, completaram-se 75 anos do assassinato de Olga Benário Prestes (1908-1942) numa câmara de gás no campo de extermínio nazista de Bernburg, na Alemanha. A história da líder comunista, mulher de Luís Carlos Prestes, é conhecida muito por conta da biografia lançada em 1985 por Fernando Morais e traduzida para inúmeros idiomas. Vários leitores podem se dar por satisfeitos com a riqueza de detalhes do livro, em que a característica ressaltada da personagem é a coragem. No entanto, "Olga Benário Prestes Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo", da historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga e Prestes, desvenda algo imprescindível para o entendimento dos fatos e da personalidade da protagonista. Suas revelações só foram possíveis pela preciosidade da fonte.

Durante 70 anos, os chamados "documentos troféus" despertavam a curiosidade de historiadores. Foi assim que ficaram conhecidos os arquivos da Gestapo, a polícia secreta nazista, apreendidos pelos russos ao término da Segunda Guerra (1939-1945). Vitoriosa, a União Soviética levou para casa mais de 2,5 milhões de documentos organizados em 28 mil dossiês separados em 50 catálogos. Esta montanha dormiu silenciosa atrás das muralhas do Kremlin esperando o momento político ideal para falar ao mundo.

A despeito de todos os julgamentos de militares e oficiais nazistas pelo tribunal de Nuremberg e outros, os "documentos troféus" têm o monopólio dos detalhes do terror empreendido pelo nazismo.

Anita, de 81 anos, esperou até abril de 2015, quando a Rússia decidiu liberar esse segredo da guerra, para conhecer a mãe em sua plenitude. A digitalização do material deve ser concluída pelo governo russo apenas no ano que vem. Mas ela tinha pressa em contar quem era a mulher presa "preventivamente" durante seus últimos seis anos de vida.

A primeira surpresa da historiadora foi descobrir que oito dossiês, somando 2,5 mil páginas, diziam respeito apenas à sua mãe. Foram denominados "Processo Olga", constituindo o maior material individual dos catálogos.

O livro pode ser lido como um documento histórico a esclarecer e ampliar a compreensão da triste saga de Olga nas mãos dos nazistas, porém, pode também ser um manual de política, para dizer às novas gerações que, um dia, essa atividade foi exercida por líderes com "caráter". Quem atesta a dignidade da personagem são justamente seus algozes.

Após a prisão em 1936 (com Prestes e a amiga Elise Ewertt, também extraditada para a Alemanha) e sua expulsão do Brasil, já grávida de quatro meses [sete meses], Olga permanece presa em Berlim e é submetida a todo tipo de pressão para delatar as atividades da Internacional Comunista e entregar seus companheiros.

Em todos os relatos dos policiais nazistas, é destacada a determinação de Olga de jamais fazer qualquer tipo de confissão. Os policiais, então, segundo eles mesmos escrevem, iniciam uma tortura emocional usando o bebê como peça de barganha para forçá-la a reconhecer sua militância comunista. Sem sucesso.

Olga permanece irredutível, mesmo após perder a nacionalidade (ela reivindicava a brasileira por ser casada e recusou-se a assinar o passaporte emitido pelo consulado da Alemanha no Rio), afastar-se do marido (Prestes estava preso no Brasil), amargar o silêncio da mãe (para quem ela escrevia sem saber que já havia sido renegada diante da polícia nazista, para a qual Eugenia disse que não aceitava a filha por ser comunista) e ser separada de seu bebê, com pouco mais de 1 ano de vida. Em frente a essas atrocidades, Olga escreveu de próprio punho sob os olhos da Gestapo: "Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei".

É importante notar a partir dos documentos e escritos dos policiais nazistas que a pressão psicológica sobre Olga foi feita antes de o regime mostrar sua verdadeira faceta autoritária e anos antes do início da guerra. Os relatórios, portanto, demonstram também muito sobre como os demônios dostoievskianos vão tomando conta da sociedade sem que ela mesma os percebam.

Um dos alvos principais dos policiais nazistas era o controle da imprensa interessada em Olga. "Os administradores das prisões foram instruídos a não dar nenhum tipo de informação sobre as detidas a terceiros. Perguntas de repórteres de jornais até agora foram respondidas com negativas de nossa parte", escreve um deles. Durante a campanha para a libertação de Anita, documentos mostram o esforço, em vão, da imprensa americana, britânica e francesa em denunciar os nazistas. Palavras impressas não tinham mais força diante de Hitler.

"Olga Benário Prestes Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo" 
Anita Leocadia Prestes. Boitempo Editorial, 144 págs.; R$ 37


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Africanas; Esclavizadas, Cimarronas, Libertarias y Guerrilleras (formato Epub)

Autor del libro: Jesús Chucho García
Editado por: Fondo Editorial Del Sur 

Formato Epub:


"Ser mujer africana representa un valor incalculable, es sinónimo de inteligencia, sabiduría ancestral y riqueza espiritual, ser esclavizada implica resistencia, lucha con dignidad, conversión en cimarrona. Es así como podemos definir actualmente, a la mujer que en este ensayo, el escritor Jesús Chucho García nos muestra, para deleitarnos con una visión histórica y crítica de lo que fue la presencia femenina en el proceso de colonización y esclavitud, desde África hasta América, a través del deshumanizante comercio humano ejercido por diversos países europeos durante varios siglos. Este accionar de la mujer ha sido subvalorado u omitido, por la historiografía general en América latina, particularmente, aspecto rescatado por el autor en su afán de develar la verdadera historia de africanas y africanos, que dio origen a los millones de afrodescendientes expandidos en diversas parte del mundo fundamentalmente en América latina y el Caribe. Mujeres africanas como Ana Nzinga y Kimpa Vita, la Jamaiquina Nanny, Ana María de Cuba, Juana Francisca y María de la Concepción en Barlovento, Venezuela y muchas otras, reflejan la presencia femenina en la resistencia ante el imperio europeo, desde las costas africanas hasta América en la búsqueda de libertades."

terça-feira, 2 de maio de 2017

Vídeos - A pedagogia histórico-crítica e a psicologia histórico-cultural

A pedagogia histórico-crítica e a psicologia histórico-cultural
Prof. Dr. Newton Duarte e Profª. Drª. Lígia Márcia Martins
Curso realizado nos dias 27 e 28 de agosto de 2013 durante o VI EBEM.



Leitura recomendada para aprofundamento do curso:

DUARTE, Newton. A individualidade para si: contribuições a uma teoria histórico-crítica da formação do indivíduo. 3. ed. rev. ampl. Campinas: Autores Associados: 2013. 272 p.

MARTINS, Lígia Márcia. O desenvolvimento do psiquismo e a educação escolar: contribuições à luz da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica. Campinas: Autores Associados: 2013. 336 p.

O curso tem duas partes, cada parte corresponde a um dia. 

PARTE 1
Pedagogia histórico-crítica e psicologia histórico-cultural - 1/2

PARTE 2
Pedagogia histórico-crítica e psicologia histórico-cultural - 2/2

VI Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo (EBEM)
Organização: Associação Brasileira de Educadores Marxistas (ABEM)
Tema do evento: Marxismo, Educação e Revolução
Data: 27 a 30 de agosto de 2013
Local: Goiânia - Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE/UFG)



Para download: Por el bien del imperio, del historiador Josep Fontana

Obra de referencia para entender todos los acontecimientos históricos posteriores a la segunda guerra mundial. En especial la guerra fría, la caída de la URSS y el intervencionismo americano.



Formato pdf:

Formato epub:

Por el bien del imperio: una historia del mundo desde 1945
Josep Fontana
2011
Nº de páginas: 1232 págs.
Editorial: PASADO Y PRESENTE
Lengua: CASTELLANO

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1° de Maio de 1886 a 1946

Por Astrojildo Pereira

Os antecedentes históricos do 1° de Maio datam de 1885. Em outubro dêsse ano, no Congresso dos operários americanos reunido em Chicago, é que foi tomada  a resolução de marcar o dia 1° de Maio de 1886 como data inicial para a limitação a 8 horas da jornada de trabalho. Em dezembro de 1885, o Congresso reunido em Washington, renovou a resolução de Chicago.



Convém notar que a data de 1° de Maio de 1886 ficou estabelecida apenas como ponto de partida para a aplicação do regime de 8 horas de trabalho, devendo os operários americanos manter-se em greve nas fábricas e oficinas cujos os patrões se recussassem a atenderà reivindicação formulada pelo Congresso de Chicago. E foi o que aconteceu: 5.000 greves se declararam no dia marcado, nas principais cidades americanas sendo algumas dessas greves esmagadas com extrema violência  pela polícia e pelos provocadores a serviço dos capitalistas. Em conseqüência da brutal repressão alguns dos chefes grevistas foram processados e condenados a enforcamento, executando-se a sentença no dia 11 de novembro de 1877.

Em julho de 1889, no 1° Congresso Socialista Internacional, reunido em Paris, o operário Raynind Lavgne apresentou a seguinte proposta de manifestação internacional, em data a ser fixada:

"Será organizada uma grande manifestação internacional, em data fixa, de maneira que, em todos os países e em todas as cidades ao mesmo tempo, no mesmo dia convencionado, os trabalhadores reclamem dos poderes públicos a promulgação de elis reduzindo a 8 horas a jornada de trabalho e atendendo às outras resoluções do Congresso Internacional de Paris".

Mas só em agosto de 1891, no Congresso Internacional de Bruxelas, foi o 1° de Maio indicado como data de manifestação anual e internacional. Eis o texto da resolução então adotada:

"O Congresso.
Para que o 1° de Maio conserve o seu verdadeiro caráter econômico de reivindicação da jornada de 8 horas e de afirmação de classes.
Decide:
Que os trabalhadores de todos osd países realizarão no mesmo dia uma demonstração única:
Que esta demonstração terá lugar no dia 1° de Maio.
E recomenda a paralização do trabalhopor tôda a parte onde for possível".

Acrescentamos que esta resolução foi confirmada e completada pelo Congresso Internacional de Zurich, em 11 de agosto de 1893.

De então em diante, todos os anos, e em todos os países do mundo, os trabalhadores realizaram , no dia 1° de Maio, demonstração cada vez mais grandiosas, comemorando as suas conquistas anteriores e reafirmando a sua vontade de luta pela emancipação do trbalho. Hoje a data se acha definitivamente consagrada como Dia do Trabalho, sendo que em muitos países já reconhecida em lei, como feriado nacional. Só nos países onde dominam o fascismo, se tentou, durante anos, apagar o 1° de Maio da história do movimento operário mundial. Não adiantou grande coisa: esses países agora libertos do fascismo e o 1° de Maio Volta a ser comemorado, com redobrado entusiasmo. Só não é, por enquanto, na Espanha, em Portugal, no Paraguai...Mas confiamos em que já no ano seguinte se-lo-á também em todos os três.

No Brasil o 1° de Maio tem igualmente a sua história - longa e gloriosa, história, que seria interessante contar às novas geraçõescombatentes de proletariado brasileiro. Infelizmente não me sobrou tempo agora para proceder a pesquisa em tal sentido. Mas quero recordar o 1° de Maio de 1919, o de 1925, o de 1927 e o de 1929 - marcos importantes no desenvolvimento das lutas operárias em nossa terra. Em 1919, os trabalhadores do Rio de Janeiro realizaram a maior demonstração operária de massas até então presenciada na capital da República: mais de 63.000 pessoas reunidas em comício, na Praça Mauá, desfilando depois pela Avenida Rio Branco, acima, com os seus estandartes, as suas bandeiras e as suas fâmulas. Em em 1925, a manifestação do nosso 1º de Maio teve como nota alta o aparecimento da A CLASSE OPERÁRIA. Em 1927, também na Praça Mauá, pela primeir vez num 1° de Maio, o Partido Comunista apareceu como tal, abertamente, com um orador que falou em nome do Partido. Quanto ao 1° de Maio de 1929, foi igualmente um grande dia, tendo A CLSSSE OPERÁRIA publicado um número especial com a tiragem record de 30.000 exemplares.

Os anos que seguiram ficaram assinalados por terríveis lutas do proletariado, quase sempre na ilegalidade, e durante êles a reação tudo fêz para desvirtuar e falsificar o verdadeiro sentido proletário do 1° de Maio. Tudo inútil, porém. Depois de cada período do domínio reacionário, quando o movimento operário parece liquidado, eis que as massas trabalhadoras voltam à arena com redobrada energia, mais organizadas, mais combativas, mais potentes que no período anterior. Estes últimos meses são a melhor comprovação desta regra - e por isso o 1° de maio de 1946 vai ser comemorado em todo o Brasil com formidáveis demonstrações de massas, as mais vastas e poderosas que já se realizaram em nossa terra.


A CLASSE OPERÁRIA
Rio de Janeiro - 01/05/1946

sábado, 29 de abril de 2017

Olga nos arquivos da Gestapo

Mantidos em segredo pela polícia nazista, mais de dois mil documentos sobre a alemã que foi mulher de Luís Carlos Prestes são revelados em livro escrito pela filha do casal

Por Eliane Lobato 

 

A recente abertura dos arquivos da Gestapo, a Polícia Secreta da Alemanha de Hitler, revelou pertencer a Olga Benário (1908-1942) o mais extenso volume de documentos sobre uma única vítima do nazismo. São oito dossiês com cerca de dois mil itens: cartas, telegramas, anotações e fotografias da militante alemã que foi mulher do líder comunista brasileiro Luis Carlos Prestes (1898-1990). Sobre esse vasto material, a historiadora Anita Leocadia Benário Prestes, filha de ambos, se debruçou para escrever o livro “Olga Benario Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo” (Boitempo), com lançamento previsto para maio.

A pedido de ISTOÉ, Anita destacou três documentos que considera mais relevantes: “O passaporte concedido pelo consulado alemão no Rio de Janeiro dias antes de sua extradição para a Alemanha; a carta enérgica que ela escreveu ao chefe da Gestapo protestando por terem retirado a filha de sua companhia sem aviso prévio e sem que pudesse ter entregado a criança à avó paterna; e o relatório da Gestapo a Heinrich Himmler, comandante das SS, informando que Olga era uma comunista inteligente, perigosa e obstinada”, diz Anita. Olga se recusou a delatar companheiros nos interrogatórios, nos quais repetia: “Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei.”

Alemã de origem judia, Olga tentou obter a nacionalidade brasileira para escapar dos nazistas, mas nunca conseguiu porque não tinha certidão de casamento. “Meus pais viviam com documentos falsos, sem condições de realizar um casamento legal”, disse Anita. A Gestapo se referia a ela como “comunista e plenamente judia”, motivos pelos quais foi presa, em 1936, e enviada a campos de concentração até ser executada em uma câmara de gás, no campo de Bernburg, em 1942. Antes de chegar a este destino, conseguiu escrever e esconder uma mensagem, encontrada agora: “A última cidade foi Dessau. Mandaram-nos despir. Não maltrataram. Adeus.”

Iracema

A avó paterna, Leocádia Prestes, que resgatou Anita do presídio aos 14 meses de idade após longa batalha judicial, é descrita como “comunista fanática”. Um dos motivos foi ela ter enviado a Olga o livro “Iracema”, de José de Alencar, vetado pelo nazismo por descrever “a vida de luta de um combatente brasileiro pela liberdade” e “difamar em grande medida a forma de governo ordeira.” Aos 81 anos, Anita jamais se casou ou teve filhos.

Entrevista

“Minha mãe jamais delatou alguém”




Como foi rever os fatos dolorosos impingidos à sua mãe?

Além de ficar indignada e horrorizada com a crueldade indescritível praticada contra milhões de seres humanos pelo regime fascista que vigorou no III Reich, sinto-me orgulhosa com a intrepidez revelada pela minha mãe, que jamais delatou alguém, apesar de ter pago com a vida por isso.

O que determinou o assassinato de Olga: o governo brasileiro, ao entregá-la aos nazistas, o fato de ser comunista ou o de ser judia?

Os documentos do Arquivo da Gestapo revelam que seu assassinato decorreu, em primeiro lugar, por ser Olga uma “comunista perigosa” e mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes. A circunstância de ser judia contribuiu apenas para agravar a situação.

Em uma carta, Olga diz que gostaria “…principalmente, que Anita não seja bem-comportada e obediente demais.” A orientação foi cumprida?

Acho que sim, pois tanto minha avó Leocadia quanto minha tia Lygia, que me criaram e educaram, seguiram essas mesmas recomendações.

O que o livro acrescenta à imagem pública de sua mãe?

Principalmente, a intrepidez do seu comportamento que, como dizia meu pai, era proveniente da convicção da justeza da causa comunista pela qual eles lutavam.

 FONTE: Isto é

 


sexta-feira, 28 de abril de 2017

1ª greve geral do país, há cem anos, foi iniciada por mulheres e durou 30 dias

CAMILLA COSTA
DA BBC BRASIL EM SÃO PAULO


Greve teve início em uma fábrica têxtil na Mooca, em São Paulo.
Foto: Arquivo Edgar Leurenroth/Unicamp


Em junho de 1917, décadas antes da consolidação das leis trabalhistas no Brasil, cerca de 400 operários —em sua maioria mulheres— da fábrica têxtil Cotonifício Crespi na Mooca, em São Paulo, paralisaram suas atividades.

Eles pediam, entre outras coisas, aumento de salários e redução das jornadas de trabalho, que até então não eram garantidos por lei. Em algumas semanas, a greve se espalharia por diversos setores da economia, por todo o Estado de São Paulo e, em seguida, para o Rio de Janeiro e Porto Alegre. Era a primeira "greve geral" no país.

Mas uma das principais diferenças entre aquela e a greve geral convocada para esta sexta-feira, em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência, é que, em 1917, ela não foi anunciada como tal, disse à BBC Brasil o historiador Claudio Batalha, da Unicamp.

"Não é uma greve que já tivesse bandeiras gerais. Ela começa com questões específicas dos setores que vão aderindo ao movimento grevista, alguns por solidariedade. Depois é que a pauta passou a incluir desde reivindicações relacionadas ao trabalho até reivindicações de cunho político —libertação dos presos do movimento, por exemplo."

Uma destas questões específicas, menos comentada nos livros de história, era o assédio sexual. Segundo Batalha, parte da revolta das funcionárias do Cotonifício Crespi era o assédio que sofriam dos chamados contramestres, funcionários que supervisionavam o chão de fábrica.

"Isso não era incomum na época. Greves anteriores já haviam começado contra determinado funcionário que tivesse um cargo de chefia e tirasse proveito desse poder", explica.

CRESCIMENTO

Mas se a convocação de 2017 reflete a insegurança causada pelo desemprego e pela recessão, em 1917, a indústria brasileira ia de vento em popa.

Na verdade, os lucros das empresas chegavam a duplicar a cada ano.

"Entre 1914 e 1917, com a Primeira Guerra Mundial, se passou de uma recessão econômica a um superemprego, porque os produtos brasileiros passaram a substituir os importados e a serem exportados", explica o historiador italiano radicado no Brasil Luigi Biondi, da Unifesp.

"Em 1914, o Cotonifício Crespi lucrou 196 contos de réis. No ano seguinte, o lucro foi de 350 contos de réis. E foi aumentando. Enquanto isso, aumentavam as horas de trabalho."

Com o aumento da produção, as fábricas brasileiras, que tinham poucas máquinas, vindas do exterior, tiveram que usá-las por mais tempo. Isso significava que os operários passaram a trabalhar até 16 horas por dia, sem aumento de salário.

No final de junho, a paralisação dos operários do Crespi contagiou os 1.500 operários da fábrica têxtil Ipiranga. Em seguida, se espalhou pela indústria de móveis, concentrada no Brás, e chegou até a fábrica de bebidas da Antarctica.

"Em julho, a greve parou a cidade (São Paulo). Havia embates de rua e tentativa de saques aos moinhos que produziam farinha por causa da crise de abastecimento. Muitos foram mortos e feridos nos confrontos com a polícia", diz Biondi.

O movimento ganhou mais fôlego no dia 11 de julho, quando milhares acompanharam o enterro do sapateiro espanhol José Martinez, de 21 anos.

Ele morreu com um tiro no estômago depois que uma unidade de cavalaria da polícia dispersou manifestantes que quebraram barris de cerveja diante da fábrica da Antartica, segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", que noticiou o confronto.

"A partir daí, a greve se alastrou para quase todas as cidades do interior de São Paulo. Campinas, Piracicaba, Santos, Sorocaba, Ribeirão Preto. Até Poços de Caldas, no sul de Minas, que não era uma cidade industrial, teve movimentos de greve", afirma o historiador.

Repressão a grevistas aumentou a adesão de trabalhadores à paralisação, diz historiador.
Foto: Arquivo Edgar Leurenroth/Unicamp


NEGOCIAÇÃO

Em 16 de julho - mais de um mês após o início da paralisação no Cotonifício Crespi - um acordo entre autoridades, organizações trabalhistas e industriais, mediado por jornalistas, pôs fim à greve em São Paulo. Mais ainda não era o fim da greve geral.

"Só em São Paulo a greve de fato terminou com uma negociação única. No Rio e em Porto Alegre, os movimentos tiveram dimensões gerais, mas só terminaram na medida em que cada setor chegava a um acordo com seu patronato. O ritmo de saída da greve foi aos poucos, assim como a adesão", explica Batalha.

Segundo Biondi, até mesmo na cidade de São Paulo ainda havia categorias entrando em greve no dia 18 de julho, como os pedreiros.

Parte dos empresários se recusava a assinar os acordos e queria negociar condições diretamente com os funcionários.

Mesmo com a assinatura dos acordos, a consolidação dos direitos só viria em 1943, durante o regime de Getúlio Vargas.

"O que acontecia muitas vezes na época é que algo era obtido com uma greve, passava-se algum tempo e essa reivindicação voltava para nada", diz Claudio Batalha.

"Em 1907, também houve uma série de greves pedindo a jornada de trabalho de oito horas. E elas chegaram a diminuir, mas, depois de algum tempo, o patronato voltou a estabelecer as jornadas anteriores. O mesmo ocorreu após 1917."

A experiência da primeira greve geral também fez com que os empresários se preparassem para enfrentar futuras paralisações - o que tornou novas negociações mais difíceis para os trabalhadores.

"Uma das coisas que levou ao sucesso relativo da greve em 1917 é que as fábricas não tinham estoques. Quando os operários paravam, não havia produtos nas lojas. A partir daí, eles passaram a ter grandes estoques, e podiam permanecer sem funcionar um certo período porque tinham produção para vender."

Batalha lembra, no entanto, que o acordo só surgiu depois que "a greve atingiu dimensões tais que não tinha mais como controlar o movimento".

"A primeira tentativa de lidar com a greve foi de repressão. Essa era a tônica do período, tanto que houve mortes. Parte do processo de ampliação da greve, inclusive, se deveu a essas mortes."

"Até hoje a solução repressiva pode ser um desserviço às autoridades. Se a gente pensar nos protestos de 2013, a virada no número de pessoas em São Paulo foi quando houve uma repressão desproporcional à manifestação", afirma.

IDEOLOGIA

Em fevereiro de 1917, meses antes da greve brasileira, mulheres que trabalhavam na indústria têxtil deram início a protestos e a uma paralisação que teria consequências ainda maiores: a revolução russa.

"Essa greve também é importante porque mostra a conexão do Brasil com o resto do mundo. Naquele ano, greves como aquela ocorreram em diversos países", diz Luigi Biondi.

Ideologias como o anarquismo e o socialismo marxista, que chegaram a São Paulo principalmente pelos imigrantes italianos, tiveram um papel importante na organização do movimento.

"Por causa da Rússia, eles tinham a ideia de que aquilo poderia levar a uma insurreição dos trabalhadores. Isso não ocorreu, mas a cidade foi tomada. Pela primeira vez isso espantou as elites do país, que começaram a se dar conta de que a questão social urbana era grave e tinha que ser considerada."

Batalha acha que as correntes socialistas "tinham certa liderança", mas que sua influência era maior sobre trabalhadores qualificados.

"O que faz com que uma greve funcione é que as pessoas sintam que aquele estado de coisas chegou ao limite. Uma das características importantes de 1917 é que, pela primeira vez, setores que não participavam desse tipo de movimento começaram a participar." 


quinta-feira, 27 de abril de 2017

¿Quién fue la comunista más vigilada por la Gestapo?

Por Patrícia Álvares

Unas 2.000 páginas contiene el más extenso archivo de la Gestapo sobre una sola víctima del Tercer Reich. Sputnik entrevistó a Anita Prestes, quien estudió los documentos liberados por Moscú sobre su madre, Olga Benario, a los 75 años de su muerte en un campo de concentración, en 1942.

Olga Benario Prestes (1908-1942)

"No veo contradicción entre mi papel como historiadora y el hecho de ser hija de [Luiz Carlos] Prestes y Olga [Benario]", dijo a Sputnik Anita Prestes, quien lanza en los primeros días de mayo una nueva biografía sobre su madre en Brasil. "Una comunista en los archivos de la Gestapo", subtitula el libro que revela detalles del proceso de 2.000 páginas que resultó en la ejecución de la judía alemana y comunista en una cámara de gas por los nazis en 1942, a los 34 años.

"Olga Benario Prestes fue mi madre y la gran inspiración de toda mi vida. Mi padre, Luiz Carlos Prestes, también fue una gran inspiración. Antes de conocerlo en persona, a los nueve años de edad, ya conocía su historia, que me fue transmitida por mi abuela Leocadia Prestes y mi tía Lygia Prestes. Siempre estuve conectada con mi padre y su lucha abnegada por la revolución en Brasil. De adulta, me convertí en su interlocutora de confianza y actué como su asesora en sus últimos 15 años de vida", contó la historiadora.

Benario, nacida en Munich en 1908, tuvo desde muy joven un papel activo en los movimientos comunistas de Alemania. A los 20 años, debió exiliarse en la Unión Soviética con su pareja, el escritor Otto Braun, a quien ayudó a fugarse de la prisión, pero después se separaron.

En Moscú conoció al líder político brasileño Luiz Carlos Prestes, al que llamaban "Caballero de la Esperanza", porque entre 1925 y 1927 recorrió Brasil en una marcha de 25.000 kilómetros a pie, junto con 1.500 hombres para sembrar la revolución en el país. Los intentos de este grupo, conocido como 'Columna Prestes', fracasaron y debió partir al exilio a la Unión Soviética. En 1934 se le encargó volver a su país para liderar un nuevo movimiento y Benario recibió la misión de protegerlo, debido a que estaba militarmente entrenada por los soviéticos. Los dos viajaron encubiertos como una pareja en luna de miel.

Ficción y vida real se mezclaron: ambos establecieron una relación. Sin embargo, la pareja terminó en manos de la Policía más tarde. El Gobierno del entonces presidente de Brasil, Getulio Vargas, coqueteaba con las potencias del Eje. Una investigación conjunta con la Gestapo reveló la verdadera identidad de Benario, quien además era judía en plena época de persecución nazi. Pese a que estaba embarazada de un brasileño, se dictó su deportación a la Alemania en 1936.

A finales del mismo año nació Anita Leocadia Prestes en una cárcel de Berlín. Indagada sobre el peso de ser hija de personajes tan emblemáticos, la doctora en Filosofía por el Instituto de Ciencias Sociales de Moscú remarcó el orgullo que siente de sus padres y el ideal de la justicia social que le imprimieron.

Poco más de un año después de nacer, Anita Prestes fue separada de su madre y fue entregada a su familia brasileña para escapar de la prisión. Benario resistió seis años más y pasó por otros campos de concentración hasta que murió ejecutada en una cámara de gas el 23 de abril de 1942. En su última carta a Prestes y a su hija, Olga escribió: "He luchado por lo justo, por lo bueno y por lo mejor del mundo… Quiero que me entiendan bien: prepararme para la muerte no significa que me rinda, sino saber hacerle frente cuando llegue".

Una parte de esa historia ha sido retratada en numerosos libros y en una conmovedora película. Pero, ¿cómo describían a Olga los agentes de la Gestapo?

"Mi libro sobre mi madre está basado en documentación inédita del archivo de la Gestapo liberado al público hace dos años. Habrá muchas informaciones hasta ahora desconocidas. Por ahora, las mantengo en secreto para provocar la curiosidad del público", aseveró.

Dichos documentos suman cerca de 2.000 páginas del llamado "Proceso Benario". Los papeles habían sido aprehendidos por el Ejército Rojo, tras la derrota de Adolf Hitler en la Segunda Guerra Mundial. Se mantuvieron guardados durante décadas en la capital rusa.  De acuerdo con la presentación preliminar de la obra por la editorial responsable, Boitempo, el material revelado incluye una cincuentena de cartas recibidas y escritas por Olga para la familia de su marido, también detenido, pero en Brasil.

Anita, que estuvo exiliada en dos períodos de su vida en la Unión Soviética, recuerda con cariño esos momentos y destaca "la solidaridad del Gobierno y del pueblo soviético hacia los revolucionarios de todo el mundo que eran perseguidos en sus países de origen".

"Las entrevistas que he concedido buscan esclarecer mis libros al público, así como la vida y la actuación política de mis padres y de los comunistas. Como historiadora marxista, considero necesario contribuir para que las nuevas generaciones conozcan interpretaciones históricas comprometidas con la evidencia, como defendía el gran historiador Eric Hobsbawm. Por ello, considero importante hablar a la prensa siempre que soy solicitada", remarcó.

Anita Leocadia Prestes

Preocupada por la justicia social, la hija de Benario y Prestes manifestó su disconformidad  ante el Gobierno del actual presidente de Brasil, Michel Temer, a quien considera un "usurpador de un mandato que no le fue concedido por el pueblo brasileño". En ese sentido, reforzó su posición contraria al "golpe parlamentario" que destituyó a Dilma Rousseff.

Para Anita, hace falta que las "fuerzas democráticas y progresistas del país" se organicen para constituir una "real alternativa de poder que acoja las demandas de los trabajadores y de la mayoría de la población".

FUENTE: SPUTNIK

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Procópio Ferreira dando aula de Prosódia e Inflexão

Considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro


Procópio em gravura de J.Maia


[Video] Lenin: Siglo XXI


Intervenciones de Lucio Oliver, Gilberto López y Rivas y Nestor Kohan en la Jornada sobre “Lenin en el pensamiento latinoamericano del siglo XXI”. Organizada por el Centro de Estudios Latinoamericanos - CELA de la Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM (marzo de 2017, México D.F., Auditorio “Ricardo Flores Magón” de la Facultad de Ciencias Políticas) y la Cátedra “De la teoría social de Marx a la teoría crítica latinoamericana” (Sociología, Universidad de Buenos Aires - UBA).


LENIN SIGLO XXI (Lucio Oliver, Gilberto López y Rivas y Nestor Kohan en CELA-UNAM, marzo 2017)

Para download: HORIZONTES GRAMSCIANOS

Un panorama representativo del estado actual de los estudios gramscianos.

Antonio Gramsci es sin duda uno de los pensadores marxistas más leídos, estudiados, comentados, citados y parafraseados del siglo XX y de lo que va del XXI. En efecto, con el pasaje de siglo, a diferencia de lo que lamentablemente pasó con la obra de otros destacados intelectuales marxistas, el interés por las ideas de Gramsci se ha mantenido en esencia intacto e inclusive ha crecido en algunos campos como los estudios culturales. Conceptos y enfoques gramscianos circulan ampliamente demostrando la vigencia analítica y explicativa de un marxismo crítico y abierto. Hegemonía, sociedad civil, subalternidad, intelectuales orgánicos, Estado ampliado, revolución pasiva, transformismo son algunas de las vetas más sugerentes y creativas de un arsenal conceptual que permite dar cuenta de aspectos fundamentales de las relaciones sociales y políticas en las sociedades contemporáneas.
LINK PARA DOWNLOAD:

Horizontes gramscianos. Estudios en torno al pensamiento de Antonio Gramsci.
Massimo Modonesi (coordinador)
Primera edición, 2013.
D.R. © Facultad de Ciencias Políticas y Sociales, UNAM.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Uma volta a Gramsci para pensar na política de nosso tempo

Por João Vitor Santos | Tradução: Juan Luis Hermida

Guido Liguori recupera conceitos do pensador italiano em sua gênese e propõe reflexões que atualizam suas perspectivas como forma de tentar compreender o contexto do mundo hoje

Antonio Gramsci foi uma figura importante do Partido Comunista da Itália, mas, além de seu legado para a construção dessa perspectiva política, é interessante observar seus movimentos de revisão do pensamento sobre o Partido e dos próprios conceitos. É mais ou menos o que faz quando produz suas anotações na prisão, vítima do regime de Benito Mussolini. “Gramsci desde dentro de uma prisão fascista tinha visto melhor e mais longe, e o movimento comunista internacional e também o seu partido tiveram, no final, que lhe dar a razão, pelo menos parcialmente”, destaca o professor de História do Pensamento Político, o italiano Guido Liguori. “A Internacional Comunista teve que abandonar a política sectária e extremista do final dos anos ‘20 e do início dos anos 30’, reavaliar a questão do consentimento, das alianças, da democracia, reaproximando-se assim do pensamento gramsciano”, explica.

Tal movimento pode ser interessante, por exemplo, para pensar o papel e o lugar da esquerda no mundo de hoje. “A esquerda perdeu, em muitos países, a capacidade de uma proposta independente, cultural, bem como econômica, distintamente diferente daquela das classes dominantes”, aponta Liguori, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Para ele, o maior equívoco é apostar num mesmo remédio que a direita usa para enfrentar as crises. É “curar um sistema doente (o capitalismo), embora com diferentes medicamentos”. Assim, o professor destaca que o partido o qual Gramsci “pensa está de mãos dadas com os movimentos”, pois “sabe que não deve apenas ‘ensinar’ para as massas, mas também aprender com elas”. E aponta: “hoje a política e os partidos me parecem pouco dispostos a fazê-lo”.

Guido Liguori é professor de História do Pensamento Político na Universidade da Calábria, Itália e, atualmente, presidente da International Gramsci Society Italia (IGS Italia). Juntamente com Pasquale Voza, organizou Dicionário Gramsciano (São Paulo: Boitempo, 2017), recentemente lançado no Brasil. Liguori também é autor de Gramsci conteso. Storia di um dibattito 1922-1996 (Editori Riuniti, 1996) e Sentieri gramsciani (Carocci, 2006).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o pensamento de Antonio Gramsci pode inspirar-nos a pensar sobre as crises do nosso tempo?

Guido Liguori – Há certas categorias de Cadernos do Cárcere que são muito úteis para ler a realidade contemporânea. As categorias de “Estado Expandido”, de “revolução passiva”, bem como a de “hegemonia”, a mais conhecida entre as categorias de Gramsci, e outras, parecem-me as mais úteis atualmente.

A categoria gramsciana que hoje tem mais necessidade de “tradução” (outra palavra que faz parte do vocabulário de Gramsci) é aquela de “príncipe moderno”, ou seja, a sua ideia de um partido político, que me parece em crise. Mas talvez até mesmo por este aspecto, penso que Gramsci não estaria errado: o partido o qual ele pensa está de mãos dadas com os movimentos, com as classes mais baixas: ele sabe que não deve apenas “ensinar” para as massas, mas também aprender com elas. E hoje a política e os partidos me parecem pouco dispostos a fazê-lo. Obviamente sobre o significado desses conceitos, dos quais não posso estender-me aqui, referencio o Dicionário Gramsciano (São Paulo: Boitempo, 2017), que fiz com Pasquale Voza, e que acaba de ser traduzido no Brasil.

IHU On-Line – Que associações – e dissociações – podemos fazer entre o que hoje chamamos de crise da esquerda no mundo com o enfraquecimento do movimento comunista e o fracasso da revolução Ocidental analisados – e vividos – por Gramsci?

Guido Liguori – Eles são, sem dúvida, diferentes períodos históricos: Gramsci, apesar de escrever em uma prisão fascista, tinha imaginado a superação do fascismo, mas não o fim da União Soviética. Nós, especialmente na Europa, temos em comum com Gramsci o ponto de partida: viemos de uma derrota histórica. Devemos ter, como ele, a capacidade de repensar toda a situação e, como consequência, as nossas categorias.

IHU On-Line – A ideia de classe de Gramsci nos ajuda a entender a ascensão e a queda de governos progressistas na América Latina (como na Argentina e até mesmo no Brasil)? Por que e como?

Guido Liguori – A meu ver, a categoria gramsciana que nos ajuda a este respeito é a de classes baixas e classes hegemônicas: não meras aglomerações socioeconômicas de tipo sociológico, mas um conjunto de interesses e ideias, valores, aspirações, mesmo mitos.

A esquerda perdeu em muitos países a capacidade de uma proposta independente, cultural, bem como econômica, distintamente diferente daquela das classes dominantes. Não é que não há diferenças entre as receitas anticrise de direita e de esquerda, mas elas permanecem no mesmo recinto: curar um sistema doente (o capitalismo), embora com diferentes medicamentos. Nas classes populares, só temos desprezo, protestos e, em seguida, a derrota.

IHU On-line – Como os conceitos de hegemonia, sociedade civil, classes mais baixas, revolução passiva e consenso são atualizados hoje? E que outros conceitos gramscianos ganham força no tempo em que vivemos?

Guido Liguori – Entre essas categorias, a de sociedade civil não é exatamente gramsciana. Gramsci pensa no Estado e na sociedade civil como um todo não indiferenciado, e sim intimamente relacionado. Ele diz explicitamente que o Estado-sociedade civil é uma dicotomia liberal, que ele critica.

Resta sempre atual a categoria de revolução passiva, mas lembrando que ela descreve os processos a partir de cima, que neutralizam a iniciativa das massas, mas têm conteúdo progressivo. Hoje, no entanto, as classes dominantes neoliberais agem brutalmente, pelos seus próprios interesses, sem fazer avançar a sociedade como um todo. A hegemonia da categoria continua a ser o mais comum, porque os processos culturais, ideológicos, de produção de sentido comum, portanto de consenso, estão se tornando mais penetrantes. Muita sorte teve, nos últimos anos, a categoria das classes mais baixas, uma vez que é mais rica do que a do proletariado clássico: a subordinação não é só econômica, ou em termos de força, mas é também cultural, e às vezes psicológica.

IHU On-Line – A leitura não determinista do marxismo, de Gramsci em diante, é importante para entender e atualizar o pensamento de Karl Marx ? E quais são os desafios para pensar o marxismo na pós-modernidade?

Guido Liguori – Com Marx, Gramsci é hoje o pensador marxista mais conhecido no mundo, porque o seu marxismo não é economicista, não vê a economia como seu único fator determinante. Por isso, eu diria que o único marxismo à altura do nosso tempo é o marxismo de Gramsci. Não esquecendo, claro, que ele parte especificamente de Marx, de alguns dos seus escritos, de uma leitura dos seus escritos, de fato uma leitura antieconomicista.

IHU On-Line – Que conceitos de Gramsci são adotados de forma errada? A que o senhor atribui estes desvios interpretativos?

Guido Liguori – Como eu disse, o conceito de “príncipe moderno” que Gramsci teve é, hoje, o menos próximo de nós entre os seus grandes conceitos. Porque a forma partido está em crise em toda parte. Devemos perguntar-nos se a confiança excessiva no sistema parlamentar (que Gramsci não desprezava, mas não absolutizava) não é uma das causas que levaram a esta crise.

IHU On-Line – Como foi o trabalho da reconstrução do sentido das palavras e dos conceitos presentes nos Cadernos do Cárcere? Quais são os maiores desafios para entender o léxico gramsciano?

Guido Liguori – Os Cadernos do Cárcere não são um livro bonito e acabado, entregue pelo autor para impressão. Eles são um laboratório, um work in progress (trabalho em andamento), um conjunto de notas tomadas no decurso de seis a sete anos. É importante datar, tanto quanto possível, as reflexões individuais de Gramsci, conectando-as com o desenvolvimento histórico; isto é, com o que estava acontecendo fora da prisão, com o que refletiu Gramsci, reconstruir o desenvolvimento e evolução dos termos e conceitos. Para as condições em que foram escritos (da prisão, a supervisão fascista, a incapacidade de dispor de livros e cadernos para escrever sem limitação), os Cadernos do Cárcere são textos aparentemente simples, mas, na verdade, muito difíceis de entender corretamente.

IHU On-Line – O senhor pode afirmar que, em seus últimos escritos, Gramsci faz crítica do seu próprio pensamento? Por quê? E como fazer esses movimentos?

Guido Liguori – Eu acredito que em Gramsci há um desenvolvimento, um progresso, não uma autocrítica. Porque os fatos lhe davam a razão: a Internacional Comunista teve que abandonar a política sectária e extremista do final dos anos ‘20 e do início dos anos 30’ (que Gramsci desde a prisão rejeitou), reavaliar a questão do consentimento, das alianças, da democracia, reaproximando-se assim do pensamento gramsciano. Gramsci desde dentro de uma prisão fascista tinha visto melhor e mais longe, e o movimento comunista internacional e também o seu partido tiveram, no final, que lhe dar a razão, pelo menos parcialmente.■



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Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo

A abertura dos arquivos da Gestapo e sua disponibilidade recente revelaram uma importante fonte de documentos inéditos sobre Olga Benario Prestes, o que permitiu à historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga e Luiz Carlos Prestes, elaborar um texto original a respeito dessa intrépida revolucionária, vítima da barbárie nazifascista.

Essa breve narrativa biográfica contém não apenas preciosidades históricas e raridades documentais – que, por si sós, já valeriam a leitura –, ela oferece a perfeita dimensão da luta diária de Olga Benario Prestes por seus ideais, mesmo nas condições mais adversas. A resistência da jovem revolucionária diante da gigantesca e cruel máquina do Terceiro Reich, que a considerava uma “comunista perigosa”, parece ainda pulsar nestas páginas, como se seu coração, calado há 75 anos, ainda batesse.

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