terça-feira, 15 de maio de 2012

Sobre as Ditaduras - Debate historiográfico


Leia também A anistia historiográfica , de Demian Melo, para entender o debate aberto em torno da questão


Resistências, resistências
As grandes transformações havidas no cenário político internacional - o fim da Guerra Fria, a Derrubada do Muro de Berlin (1989) e o fim da URSS (1991) e, nos nossos dias, a crise global do capitalismo – permitiram a emergência, por quase toda a Europa, de novos(?) grupos (neo)fascistas. Na Noruega, Grécia, Irlanda, Alemanha até, culminando, na expressiva votação do Front Nationale, na França. Um claro caso de um partido que nega a existência do Holocausto ou defende a validade do uso extenso da tortura pelo exército francês na Guerra da Argélia.


Tais fatos, incontestáveis em si mesmos, implicam no reconhecimento – duro, difícil e resistíamos a fazer – que a extrema direita, em especial em épocas de crise ( como no final dos anos de 1920 e agora ) possuem um amplo auditório (quase 19% do eleitorado francês ou 7% na Grécia). O pior de tudo é que não estamos nos referindo a velhinhos decrépitos lembrando seus tempos passados nas SS ou na Juventude Hitlerista. São, no momento, jovens como o terrorista norueguês ou a massa que acompanha o partido “Aurora Dourada”.



Repensar as ditaduras




Esta presença, com apoio popular, da extrema direita, ditatorial e violadora de todos os direitos, civis ou humanos, da sociedade moderna, nos obrigada a rever teses clássicas sobre os fascismos e as ditaduras do século XX. Em especial, nos obriga a pensar se, de fato, os fascistas de então ( na Europa ) ou os militares dos anos de 1960 ( na América Latina ) eram, de fato, uma minoria. Seria bom, apaziguador, pensar que apenas uma minoria apoiou as ditaduras. Contudo, uma análise de jornais de época – como já foi exposto aqui na Carta Maior – de documentos de empresários, sindicatos, manifestos de professores e das Igrejas mostram que uma parcela não desprezível da sociedade deu seu apoio aos regimes ditatoriais.


Em alguns casos, e não foram poucos, membros da sociedade civil, profissionais estabelecidos, como no caso da Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, delataram, intrigaram, mentiram para incriminar colegas, organizando e fornecendo aos órgão de repressão listas de colegas de trabalho. Este foi, também, o caso da FIOCRUZ, o chamado “Massacre de Manguinhos”.


E então? Serão só os militares a serem chamados? Serão eles os únicos culpados? Esqueceremos os médicos-legistas, os psiquiatras, os enfermeiros que acompanhavam as torturas para que as vítimas não morressem antes da hora? E os políticos, alguns em cargos de direção da República, ontem e (pasmem!) hoje, e que sabiam das torturas e usaram seus mandatos para defender os torturadores?



Resistências?



Tais questões provocaram mudanças substantivas nas análises das ditaduras europeias contemporâneas. O acesso aos novos arquivos - na Rússia, na Alemanha, por exemplo - e o ressurgimento do fascismo enquanto movimento de massas, aceleraram as pesquisas sobre o tema e ampliaram as perguntas dos historiadores. Assim, a natureza policial das ditaduras contemporâneas - a própria imagem do Estado SS ou do complexo policial no fascismo - veio à tona. O surgimento na cena histórica das resistências internas e das oposições passivas abriu caminho para o questionamento de várias análises clássicas sobre a coesão e a amplitude da aceitação das ditaduras contemporâneas [1].


O traço comum no conjunto destes trabalhos - seja no Brasil, seja na Europa - é a irrupção de novos personagens na cena histórica, para além das determinações estruturais de caráter econômico que marcaram por mais de quarenta anos a maioria dos trabalhos sobre o tema (como as teses sobre relação onipresente entre Vargas e a industrialização ou fascismo e grande capital) ou de caráter político (as teses sobre Estado Novo e o atrelamento da classe operária e atrelamento dos trabalhadores) [2]. Assim, ora a multidão anônima, ora os indivíduos e as formas alternativas de participação e resistência, são chamados para contar sua história, o dia a dia frente à violência e o poder de “sedução” – expresso em ganhos materiais, no afastamento de rivais ou no afã de prestar serviços ao poder - das ditaduras modernas. No caso dos fascismos desempenhou importante papel nesta reinterpretação os trabalhos dos historiadores voltados para a chamada “Alltagsgeschichte” e, para a história das ditaduras sul-americanas, trabalhos de historiadores como Maria Helena Capelato, Denilse Rollemberg, Samantha Quadrat e Jorge Ferreira.


No quadro do estudo dos fascismos a irrupção de uma história cotidiana sob a ditadura – a chamada “Alltagsgeschichte” – trouxe à luz os pequenos atos, a resistência passiva, a desobediência como formas de agir político, mesmo quando não resultando numa clara opção pela rebeldia. Entretanto, os historiadores não são acordes quanto ao uso, e o conteúdo, dos conceitos em questão, em especial na definição do que seria “resistência”. Para alguns, chamados de “fundamentalistas”, só poderíamos falar em “resistência” (“Widerstand”, em alemão) quando se tratava de ações organizadas de superação do regime. Neste sentido, restritivo, “resistência” teria sido um fenômeno histórico de muito menor alcance no Terceiro Reich (e em praticamente todas as ditaduras). Outros, chamados de “tendência societal”, identificam como “resistência” todo fenômeno de dissidência ou dissentir ( no sentido de “dissent in everyday life”) praticado sob uma ditadura. Para Martin Broszat, importante historiador alemão, por exemplo, deveríamos distinguir, numa escala crescente entre “dissidência”, “oposição” e “resistência” ( “Resistenz” ) em vista de um melhor entendimento da capacidade de convencimento, ou repressão, das próprias ditaduras [3].


No caso italiano desempenhou um papel extremamente relevante o trabalho de Vitoria di Grazia ao relacionar convencimento, resistência e as organizações de lazer do fascismo italiano[4].



Resistência e colaboração



Entre nós um grupo importante de pesquisadores da UFF, com Daniel Aarão Reis, Samantha Viz Quadrat, Denise Rollemberg após revisar minuciosamente as temáticas da relação ditadura versus resistência, passaram a colocar maior ênfase no fenômeno da colaboração/aceitação pela sociedade civil dos regimes ditatoriais e, dessa forma, abriram novas perspectivas para o debate das relações entre sociedade civil e estado, em especial na América latina.


No caso brasileiro, o debate sobre a autonomia da “comunidade de informações”, as disputas no interior da burocracia de Estado – a percepção, por funcionários públicos e arrivistas de todos os tipos, de que as ditaduras representavam a “hora do acerto de contas” para velhas disputas de poder local ou institucional (que antecediam a própria ditadura ) ou mesmo um atalho para a promoção e o sucesso na carreira – como foi o caso na UFRJ -, eliminando rivais mais habilitados –, o recurso a delação como forma de resolver litígios não-políticos ou ideológicos, e mesmo uma forma de premiação, seria um dado importante para estudar a colaboração nos regimes ditatoriais.


O problema aqui seria superar tradições arraigadas neste tipo de estudo: de um lado, a insistência de heroicizar o conjunto da sociedade como vítima do Estado – enquanto boa parte da sociedade, como a grande mídia, em verdade apoiaram e celebraram o golpe - e nivelar todos como “heróis da resistência”. 


Logo após a derrubada ou colapso das ditaduras, e uma quase regra histórica, dá-se uma imensa corrida para perfilar o maior número de pessoas como “resistentes”. É comum, mesmo, que o próprio poder emergente se recuse a distinguir entre resistentes e colaboradores, na tentativa de evitar “novas divisões”, criar uma ampla frente de “unidade nacional”, recobrindo a história com uma pátina de chumbo.


Muitos, desavergonhadamente, ainda bradam contra o “revanchismo”.


Foi assim na Europa: a curta desnazificação alemã ou o limitado recurso a julgamentos dos “collabos” na França ou a total ausência de desfascistização na Itália, ou o “esquecimento” buscado pelas elites alemães e a resistência dos tribunais espanhóis em reconhecer os crimes do franquismo – emergindo daí a visão do conjunto da “nação, vítima e combatente” [5]. 


Os resultados são terríveis: a re-emergência dos fascismos, as acusações contra as vítimas, a busca de encobrimentos e, no limite, a justificação da tortura e de genocídios (do tipo “era uma guerra”). Da mesma forma, é inadimissível que um conhecimento “pré-pronto” (do tipo “foram os militares” encubra a delação e a colaboração de segmentos importantes da sociedade civil). Assim, nós, vamos acusar tão somente os protagonistas? Enquanto, aqueles que lucraram, ganharam e participaram ativamente das ditaduras como delatores e “fabricantes de dossiês” ficaram, ainda uma vez no anonimato?



NOTAS


[1] Além do já citado texto de Ayçoberry poderíamos destacar, nesta nova perspectiva, os seguintes trabalhos: SANDVOb, Hans-Rainer. Widerstand in einem Arbeiterbezirk (Resistência em um bairro operário). Berlin, Gedenkstätte Deustscher Widerstand, 1987; BUSCHAK, Willy. Arbeit in kleinsten Zirkel ( Trabalho em Pequenos Círculos ). Hamburg, Ergebnisse Verlag, 1993; AYAb, Wolfgang. Asoziale im Nationalsozialismus ( Marginais sob o Nacional-socialismo ). Stuttgart, Klett-Cotta, 1995; REICHEL, Peter. La fascination du nazisme. Paris, Jacob Editions, 1993 e HAASE, Norbert. Das Reichskriegsgericht u. der Widerstand gegen die Nationalsozialistische Herrschaft. Berlin, G. D. W., 1993.

[2] Na historiografia sobre o fascismo esta discussão foi travada em torno da superação das teses, na maioria marxistas, de “Primazia da Economia” na explicação do fascismo ( leia-se, as interpretações que afirmavam ser os fascismos mera ferramenta do grande capital ).

[3] Ver DEFRASNE, Jean. Histoire de La Colaboration. Paris, P.U.F., 1982.

[4] DE GRAZIA, Victoria de. Consenso e cultura di massa nell'Italia fascista. Roma/Bari, Laterza, 1981.

[5] Tais visões da “nação resistentes” e “vítima” foram popularizadas no pós-Segunda Guerra Mundial por grandes produções de cinema que popularizaram o “heroísmo” coletivo e a “unidade” contra o inimigo. Esta é a versão, por exemplo, do mito gaulista em “Paris está em chamas?” (Paris brûle-a-til?), de René Clement, 1966 ou da Itália vitimada pelos nazistas e fascistas em “Roma, cidade aberta” ( Roma, città aperta), de Roberto Rosselini, 1945.



(*) Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro.


FONTE: Carta Maior


Entrevista de Anita Prestes ao Caderno Universitário de História da UFRJ

Na entrevista Anita Prestes fala sobre sua trajetória acadêmica, suas pesquisas ao longo da carreira de historiadora, o lugar atual da teoria marxista na universidade brasileira, as relações entre o ofício do historiador e suas convicções políticas, suas desavenças recentes com o PC do B e com os outros membros da família Prestes e a banalização da figura de Luiz Carlos Prestes pelos grandes meios de comunicação.

A entrevista foi publicada no Caderno Universitário de História, Ano VIII, n. 18, 2012, p. 30-34. (ISSN 1809-2624). Publicação organizada por estudantes de História da UFRJ.









domingo, 13 de maio de 2012

PEDIDO DE DIA DAS MÃES


124 anos após Lei Áurea, Brasil não consegue erradicar trabalho escravo


Brasília - As comemorações dos 124 da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que tramita há 11 anos na casa. Não bastaram a intensa mobilização da sociedade civil, os esforços do governo e o compromisso dos parlamentares mais progressistas. A bancada ruralista, que possui a maioria dos votos na casa, foi quem deu a última palavra, a exemplo do ocorreu na votação do novo Código Florestal. 


A votação estava prevista para ocorrer na noite de terça (8), em sessão extraordinária. Durante todo o dia, movimentos camponeses, militantes dos direitos humanos, representantes das centrais sindicais, artistas, intelectuais e políticos participaram de atos e manifestações em favor da matéria, que prevê o endurecimento da pena contra os proprietários das terras onde for comprovada a prática, inclusive com a expropriação das terras para fins de reforma agrária.


Embora nenhum parlamentar tenha chegado à ousadia de subir na tribuna para defender a prática, momentos antes do horário previsto para a votação, o quórum do plenário da Câmara permanecia baixo. As 16:30 horas, apenas 208 dos 513 deputados haviam assinado a lista de presença. Para a aprovação de uma mudança na constituição, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis. O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) que acompanhava de perto a mobilização em plenário, já denunciava: “Há partidos grandes, alguns deles da própria base aliada do governo, que estão com poucos deputados em plenário”. 


Na reunião dos líderes de bancadas, representantes dos partidos de oposição e da própria base aliada do governo explicaram porque não aprovariam a matéria. De acordo como líder o governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), os ruralistas reclamavam que a PEC não deixava claro o que é trabalho escravo e nem detalhava em quais circunstâncias se daria a expropriação. 


O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), ainda tentou um acordo: os parlamentares aprovavam a PEC como estava, e ele conversaria com o presidente do Senado, José Sarney, para que a casa revisora aprovasse uma lei complementar detalhando os pontos de discórdia. Os ruralistas concordaram. O presidente anunciou a votação para o dia seguinte e deu início às negociações com o Senado. A mobilização social se dispersou.


Entretanto, na quarta (9), pela manhã, os ruralistas se reuniram e decidiram pelo rompimento do acordo. Em documento divulgado, eles criticavam não só os pontos levantados na reunião de líderes do dia anterior, como vários outros. Segundo eles, a PEC implicaria em insegurança jurídica, o que ocasionaria a fuga de investidores do país. 


“Os argumentos são mentirosos. O conceito de trabalho escravo, por exemplo, já está tipificado no Código Penas e e muito bem difundido até no senso comum. Mas eles terão que acertar as contas com a história”, afirmou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Domingos Dutra (PT-MA).


Ele criticou também a alegação dos ruralistas de que a expropriação poderia prejudicar, também, um proprietário que, porventura, arrendasse terras para alguém que compactuasse com prática do trabalho escravo. “Saber a quem arrenda um imóvel é dever do proprietário já previsto na Constituição”, rebateu. 


À noite, o quórum era de 338 deputados em plenário. Porém, sem conseguir negociar com os ruralistas, o presidente da Casa fez as contas e, ciente de que não conseguiria aprovar a matéria, adiou a votação para 22 de maio. 



Ferida aberta


Dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2011, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na última segunda (7), já mostravam a dimensão atual do problema. Só em 2011, foram identificados 230 casos de ocorrência de trabalho escravo em 19 dos 27 estados do país, envolvendo 3.929 trabalhadores, inclusive 66 crianças. Destes, 2.095 foram de fato considerados em condições análogas à de escravidão, e libertados.


As ocorrências se deram, principalmente, nas atividades ligadas à pecuária (21%), ao corte de cana (19%), à construção civil (18%), a outras lavouras (14%), à produção de carvão (11%), ao desmatamento e reflorestamento (9%), à extração de minério (3%) e à indústria da confecção (3%).


“O trabalho escravo é um fenômeno majoritariamente rural, da fronteira agrícola, da invisibilidade, salvo as raras exceções em que ocorrem nas cidades, com a exploração de estrangeiros ilegais. O agronegócio brasileiro, que se diz pujante, moderno e altamente tecnológico, não precisa estar vinculado a esta prática. Por isso, acredito que a posição da bancada ruralista reflete mesmo é a questão ideológica da defesa intransigente da propriedade”, resumiu o ex-ministro dos Direitos humanos do governo Lula, Nilmário Miranda.



FONTE: Carta Maior 



Atualidade de Marx


Por Miguel Urbano Rodrigues

Uma campanha de âmbito mundial proclamou após a desagregação da URSS o fim do marxismo. Para os teólogos do capitalismo, o neoliberalismo seria a ideologia definitiva. O movimento da História teria demonstrado a inviabilidade do socialismo; o marxismo foi identificado como arcaísmo obsoleto nas grandes universidades do Ocidente.

Essas profecias foram rapidamente desmentidas. A Humanidade não entrou na era de progresso, abundância e democracia anunciada por George Bush pai. Ocorreu o contrário: uma crise de civilização abateu-se sobre o planeta Terra. Uma prodigiosa concentração da riqueza foi acompanhada pelo alastramento da pobreza. Fomes cíclicas assolaram países da África e da Ásia e, no início do século 21, o capitalismo entrou numa crise estrutural de proporções globais.

Sem soluções, porque a lei da acumulação não funciona mais de acordo com a lógica do capital, os EUA, polo do imperialismo, desencadeiam guerras monstruosas, saqueando os recursos naturais de países do ex-Terceiro Mundo. Simultaneamente, a crise financeira e econômica iniciada nos EUA, ao alastrar à Europa, contribuiu para o descrédito do neoliberalismo e da democracia representativa de modelo ocidental.
O renascimento – a palavra justifica-se – do marxismo acompanhou o avolumar da contestação dos povos ao sistema responsável pela crise mundial.

Paradoxalmente, a social democratização de muitos partidos comunistas, resultante da derrota temporária do socialismo na Rússia, coincidiu com uma renovação do interesse pela obra de Karl Marx. A crise do capitalismo, afinal, vinha confirmar a validez e atualidade do seu legado.

Filósofos como o húngaro István Mészáros, o italiano Domenico Losurdo, os franceses Georges Labica, Georges Gastaud, Jean Salem, Alain Badiou, o esloveno Slavoj Zizek escreveram trabalhos que, a partir da obra do autor de O Capital, confirmam a atualidade do materialismo histórico e dialético como o instrumento dinâmico indispensável à compreensão dos grandes problemas e desafios sociais do nosso tempo. Na América Latina ocorre o mesmo. Os livros de marxistas como Florestan Fernandes, Caio Prado Junior, José Carlos Mariátegui são tema de teses de doutoramento. Os livros de acadêmicos prestigiados, como os brasileiros Ricardo Antunes,Virginia Fontes, Mauro Iasi, Milton Pinheiro, os argentinos Cláudio Katz e Julio Gambina, o boliviano Marcos Domich, o cubano Osvaldo Martinez, entre outros, exemplificam bem a vitalidade do marxismo no Sul do continente.

É precisamente por temer o explosivo renascimento do pensamento revolucionário que o imperialismo se esforça por promover a alienação das massas e vê com simpatia a transformação de partidos operários tradicionais em organizações reformistas, inofensivas para o sistema. Foi nesse contexto que surgiu o Partido da Esquerda Europeia. Não obstante a maioria desses partidos serem nominalmente comunistas, atuam sobretudo dentro do sistema parlamentar, secundarizando a luta pelo socialismo como objetivo principal. No panorama europeu, o Partido Comunista da Grécia surge hoje como a grande exceção à tendência majoritária que privilegia a linha reformista. Por isso mesmo, acompanhar os acontecimentos da Grécia, refletir sobre eles e apoiar o combate dos trabalhadores gregos se tornou um dever revolucionário. Eles se batem hoje pela humanidade. O que é valido para a Grécia não é obviamente transponível para outros países da zona euro.

Em Portugal – o PCP também não aderiu ao Partido da Esquerda Europeia – as condições subjetivas não são favoráveis para a luta como na Grécia. O meu povo acompanha angustiado o desenvolvimento da estratégia ultrarreacionária do governo de Passos Coelho. Há dois anos que a sua resposta à politica que está a destruir o país não para de crescer. Mas é ainda insuficiente. As gigantescas manifestações de protestos e duas greves gerais realizadas com êxito, confirmaram a disponibilidade das massas para a luta. Mas, para abalar o sistema, a luta terá de adquirir um caráter permanente, nas fábricas, nos portos, nas escolas, na administração, em múltiplos locais de trabalho, nas ruas.

Após quase meio século de fascismo, o povo português foi sujeito de uma grande revolução. Assassinada pela burguesia, as suas sementes não desapareceram. Voltarão a germinar, porque o capitalismo está condenado. Daí a atualidade de Marx. O socialismo é a única alternativa à barbárie.


Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português.
Texto originalmente publicado na edição 479 do Brasil de Fato.



sexta-feira, 11 de maio de 2012

ATO PÚBLICO Pela Ética: em Defesa da Dignidade do Povo!!!

Todos ao ato do dia 17! Pela Ética e em Defesa da Dignidade do Povo!

QUANDO: próxima quinta-feira, 17 de Maio de 2012.

HORÁRIO: Concentração às 16:00

LOCAL: Praça José Pereira Câmara, Centro (em frente à Igreja Nossa Senhora da Conceição 



O desrespeito ao povo de Rio das Ostras pelo atual governo do município parece não ter limites. O uso do dinheiro público para privilegiar familiares e amigos dos donos do poder em Rio das Ostras está cada vez mais escandaloso. Gasta-se fortunas para criar cargos comissionados, cujos seus ocupantes, em grande parte, são despreparados e sem condições mínimas para exercê-los. Criou-se um antro de parasitas vivendo bem às custas do povo de Rio das Ostras. Cadê as vagas para as crianças de família de baixa renda nas creches municipais??? São poucas as vagas, pois boa parte delas estão ocupadas por gente endinheirada - basta ver os carrões dos pais que deixam e que vão buscar seus filhos nas creches. Enquanto isso, muitas mulheres das classes populares não têm com quem deixar seus filhos. Cadê a água potável que foi prometida já faz muitos anos à população do bairro Âncora??? Aliás, umas das promessas na campanha de reeleição do prefeito foi levar água ao povo do Âncora. Estão até hoje esperando. Os problemas e descasos da prefeitura são muitos. Aos cargos comissionados tudo, aos servidores públicos municipais o governo municipal, com a subserviência e atuação medíocre dos vereadores desta cidade, ofereceu um plano de cargos e salários que não garante direitos efetivos. Sacrifica-se os servidores públicos e negligencia-se os serviços públicos oferecidos à população em benefício dos interesses privados de uma minoria.


NOTA PÚBLICA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE RIO DAS OSTRAS - PELA ÉTICA E A DEFESA DA DIGNIDADE DO POVO



Pela ética: em defesa da dignidade do povo!

Prefeito deixa a cidade estarrecida, indignada!


Nos últimos dias, nossa cidade foi assunto da Band News no programa do Boechat que de forma muito direta condenou os atos da Câmara dos vereadores que aprovou um projeto de lei enviado pelo prefeito Carlos Augusto, nº 1.672/2012, que criou 4 novas secretarias (Secretaria de Gestão de Pessoas, Secretaria de Valorização do Sistema de Ensino, Secretaria de Gerência da Frota de Veículos Oficiais, Secretaria de Transportes Públicos), o fato é tão absurdo que fomos motivo de chacota e no último Jornal Oficial consta na contra capa o nome de quatro novos secretários que ainda não foram oficialmente nomeados. Entre os quatro novos contemplados encontra-se a irmã do prefeito, a professora Edilane Balthazar.


Enquanto você sofre com a falta de médicos no pronto socorro, remédios na farmácia da prefeitura e com exames médicos que são marcados para até 60 dias, o dinheiro para alegria de parentes e amigos tem com fartura. Os gastos com as novas secretarias, somente com os salários, será de aproximadamente 700 mil reais. Além disso, após 6 meses no cargo de secretário, o estrondoso salário de 12 mil reais será incorporado. Desta forma, mesmo quando for exercer outra função, o servidor continuará recebendo este valor somado ao que seria o salário do seu respectivo cargo. 


Os movimentos sociais questionam tal iniciativa, pois além de ser vergonhosa, nos leva a indagar por que a Prefeitura não investe nos setores essenciais como: saúde, educação, transporte, saneamento etc., em vez de criar mais cargos comissionados. Onde estão as vagas para as nossas crianças nas creches municipais, o
remédio para nossa população, a água potável, a efetiva construção de escolas? As entidades que construíram esta nota defendem uma Educação Pública Gratuita, Universal e de Qualidade Social, e rejeita qualquer fórmula ao sabor do receituário neoliberal, com terceirizações e privatizações de serviços públicos.


Nós abaixo assinados, vimos a público cobrar coerência das autoridades do executivo e do legislativo entre o deve ser, mais que um slogan, uma prática em respeito à população que paga impostos e tem direito aos serviços públicos. Especialmente, de educação, de saúde e de segurança.


Por isso, no próximo dia 17 de Maio, estaremos juntos demonstrando NOSSA força e indignação na Praça pública desta cidade.


Rio das Ostras, 09 de maio de 2012.


SEPE/RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro), SINDSERV-RO (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio das Ostras), SEPE RIO DAS OSTRAS e CASIMIRO DE ABREU, SINPRO MACAÉ E REGIÃO, CEPRO (Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras), MOVIMENTO FÉ E POLÍTICA DE RIO DAS OSTRAS, SOS Enseada, MST Região dos Lagos, DCE da UFF, ANDES, Coletivo TECENDO A MANHÃ, Coletivo CONSTRUÇÃO - Rio das Ostras, ADUFF, SINTUFF, CSP-CONLUTAS, CUT, LUTA EDUCADORA, FEM (Fórum Estadual em Combate a violência Contra a Mulher), FETEERJ, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fórum Estadual de Saúde, Fórum Estadual em Defesa da Educação Pública, Núcleo de Educadores Florestan Fernandes.

O Mundo da Poesia em Barra de São João

EFLCP realiza 1° Módulo do curso "Os Comunistas Brasileiros (1922-1990)"



 


A Escola de Formação Luiz Carlos Prestes lançou nos dias 28, 29 de Abril e 1° de Maio o curso “Os Comunistas Brasileiros (1922-1990)” com Anita Leocádia Prestes. O curso tem como objetivo estudar a história dos comunistas no Brasil com base na trajetória do PCB e a contribuição de Luiz Carlos Prestes ao movimento comunista brasileiro. Para tanto, estão sendo usados como base alguns documentos do Partido e leituras complementares, além das aulas expositivas com a camarada Anita.



O curso está programado para ocorrer em 3 módulos: Módulo I “Da fundação do PCB (1922) aos levantes antifascistas de novembro de 1935”, no Módulo II “Da derrota do movimento antifascista (novembro de 1935) à crise de 1956/58” e no Módulo III “Da ‘Declaração de Março’ de 1958 a 1990 (falecimento de Prestes e crise final do PCB)”.



Neste primeiro encontro vencemos o Módulo I, onde foi abordado desde as bases políticas para a fundação do PCB, com destaque para a importância do anarquismo no movimento operário brasileiro no início do século XX e a influência da Revolução de Outubro, até os primeiros anos do Partido, marcados por duas “viradas táticas” – uma indo da política de frente do Bloco Operário (depois Bloco Operário e Camponês) à estreiteza “obreirista” do início dos anos 30, e a segunda do “obreirismo” à “frente única antifascista” de 35.



A equivocada estratégia “etapista” do Partido de revolução agrária e antiimperialista como primeiro passo para a revolução socialista marcou todos estes anos, muito influenciado pelas teses do VI Congresso da Internacional Comunista.



Muito embora os erros cometidos no período, os comunistas cumpriram um papel fundamental na luta antifascista. Mesmo derrotado o levante de 35, a Aliança Nacional Libertadora marcou um momento importante, servindo de base para a crescente luta antifascista dos anos 40. Luiz Carlos Prestes era a liderança inconteste deste período, gozava de um prestígio popular muito grande.



A CCLCP considera a história dos comunistas no Brasil também como sua história. Por isso, conhecer a trajetória do PCB, sua importância histórica e também seus erros é fundamental para traçarmos uma estratégia correta para as lutas atuais e as que virão.

 
 
FONTE: CCLCP
 
 
 
 




segunda-feira, 7 de maio de 2012

Detonadores da Paz

Lançamento do livro "A Coluna Prestes" na Venezuela

Depois da edição cubana, o livro de Anita Prestes é publicado na Venezuela, pela editora El perro y la rana.



La Columna Prestes
Anita Leocádia Prestes



Entre los años 1924 y 1927 se desarrolló en Brasil un movimiento político militar con signo de leyenda: la Marcha de la Columna Prestes. durante dos años y tres meses, la Columna recorrió veinticinco mil kilómetros a traves de siete estados, eludiendo exitosamente la persecución de tropas superiores desde el punto de vista militar y logistico. La existencia de la Columna por un periodo tan prolongado sirvio de inspiración a aquellos combatientes contrarios al régimen, e influyo no solo en los eventos posteriores que tuvieron lugar en Brasil, sino también en América Latina.

En la Columna Prestes, su autora, Anita Leocádia Prestes, revela las circunstancias de la Marcha enfocada desde un análisis global que tributa al conocimiento y comprensión de este episodio, poco estudiado por la historiografia  contemporanea. En las paginas de esta exhaustiva investigación se analizan los origenes historicos-sociales de la insurrección de los “tenientes”, su travesia convocando a la lucha por la librtad, y su papel en la creación de las condiciones sociales y politicas que permitieron la Revolución de 1930.

Anita Leocádia Prestes (Berlín, 1936)
. Historiadora brasileña, hija de los militantes comunistas Olga Benário y Luiz Carlos Prestes. Doctora en Economía y Filosofia por el Instituto de Ciencias Sociales de Moscú, 1975. Doctora en Historia por la Universidad Federal Fluminense, 1990. Fue profesora de Historia de Brasil en el Departamento de Historia de la Universidad Federal de Río de Janeiro, cargo conquistado por medio de un concurso publico en 1992 y del cuela se jubilo en 2007. En la actualidad se desempeña como profesora del Programa de Posgraduación de Historia Comparada de la Universidad Federal de Río de Janeiro y presidenta del Instituto Luiz Carlos Prestes. En el año 2002 publico, en coautoria con Lygia Prestes, el libro Anos tormentosos: Luiz Carlos Prestes: correspondencia da prisáo (1936-1945).


FONTEEl perro y la rana



domingo, 6 de maio de 2012

Quatro virgens e seus filhos ilustres




Segundo a tradição, Jesus, Buda, Mitra e Krishna nasceram de mães virgens. E esse não é o único ponto em comum entre os personagens centrais de quatro religiões: cristianismo, budismo, paganismo e hinduísmo

Por Claude Pasteur

Quatro futuras mães, todas virgens, pariram, segundo a lenda, crianças predestinadas. No ano 556 a.C. (ou, dependendo da fonte, 566, 563, 480 ou 448 a.C.), perto da cidade de Kapilavastu, hoje no Nepal, a virgem Mâyâ Devî trouxe ao mundo um menino, Sidarta Gautama, o futuro Buda. Por sua vez, Anâhita, a Imaculada, pariu, em 25 de dezembro, o menino Mitra (mencionado pela primeira vez em um tratado de paz de cerca de 135º a.C.), a quem pastores e magos vieram prestar homenagem. Outra virgem, Devakî, deu à luz – enquanto era mantida prisioneira por seu primo, o rei Kamsa – um menino chamado Krishna, há 5 mil anos. Outras fontes dizem que viveu no século IX a.C. Já em Belém, Maria, informada pelo anjo Gabriel de que seu filho seria “o Salvador”, trouxe ao mundo em uma gruta o Menino Jesus, no dia 25 de dezembro do ano 6 ou 4 a.C., data que correspondia ao solstício de inverno.
Assim como a semelhança dos destinos de suas mães, as quatro crianças seguiram caminhos estranhamente paralelos. Buda um dia se retirou para o deserto, onde o demônio veio tentá-lo, oferecendo fazer dele o rei dos reis. Depois de se purificar em um rio, Buda dedicou-se à pregação e ensinou o amor ao próximo, seguido por 12 discípulos dos quais um, Devadatta, seria chamado a traí-lo. O Revelado andou sobre as águas, acalmou a tempestade. Seu dogma, o carma, designa o conjunto de méritos e faltas acumulados pelo homem e que o arrasta num círculo indefinido de vidas sucessivas. Quando morreu, aos 80 anos, a terra tremeu.
Como os outros iniciados, Mitra exerceu o papel de intercessor entre Ahura Mazda, divindade suprema da antiga Pérsia, e os homens, aos quais prometeu a imortalidade da alma. Da mesma maneira, também pregou o ascetismo, curou os doentes, ressuscitou os mortos. Em sua homenagem, diversos soberanos passaram a se chamar Mitrídates. A festa de Mitra era celebrada em uma gruta onde se praticavam o batismo e a comunhão. Seus fiéis acreditavam no Juízo Final e na ressurreição. Antes de morrer, Mitra ofereceu uma última ceia a seus discípulos durante a qual consagrou o pão e a água. Colocado no túmulo, ressuscitou.
Para seus fiéis, Krishna é a reencarnação do deus supremo e benfeitor Vishnu, revelador de todas as verdades. Cresceu em meio aos pastores do monte Meru, que o chamavam de Radiante, devido a sua beleza. Guardava os rebanhos tocando flauta, o que atraía as pastoras. Krishna, apesar de casado, tornou-se amante de muitas mulheres; o amor carnal representa para seus adeptos certa forma de devoção, o desejo de união com o Criador para receber dele o dom da vida. Suas proezas amorosas são contadas no Bhagavata purana, obra de misticismo erótico.
Krishna pregava a bondade, a caridade e o respeito aos outros. Sua popularidade acabaria por despertar o ciúme do rei Kamsa, que enviou espiões. Krishna, depois de sete dias de abluções e preces, deixou-se capturar para que o martírio coroasse sua missão. Morreu sob as flechas dos arqueiros. Quando entregou o espírito, o céu escureceu. Segundo a tradição indiana, sua morte, ocorrida na noite de 17 para 18 de fevereiro de 3102 a.C., marca o início da presente era cósmica, a kali yuga, que deve durar 432 mil anos.
A juventude de Jesus transcorreu na oficina de carpintaria de José, seu pai protetor. Foi batizado pelo primo João Batista nas águas do Jordão – a imersão, símbolo da purificação, era praticada em quase todas as religiões antigas. Jesus retirou-se durante 30 dias no deserto, onde o demônio o tentou. Aos 30 anos, começou a pregar, seguido por 12 discípulos. Curou doentes, andou sobre as águas, multiplicou os pães, aceitou que a pecadora Maria Madalena derramasse perfume sobre seus pés. Em Jerusalém, expulsou os mercadores do Templo e atraiu a hostilidade dos fariseus. Na véspera de sua prisão, ofereceu uma última refeição a seus discípulos e instituiu a Eucaristia, benzendo o pão e o vinho. Traído por Judas, foi levado perante o governador romano da Judeia, Pôncio Pilatos. Condenado à morte, foi crucificado sobre o Gólgota. Quando entregou a alma, o Sol se escondeu.
Sepultado, e depois ressuscitado, Jesus conheceu a transfiguração e, 40 dias depois, subiu ao céu. Seus discípulos percorreram então o mundo para pregar seus ensinamentos. Entraram em conflito com os fiéis de Mitra, cuja religião se difundia pelo Ocidente. No século II, Roma e Óstia tinham templos subterrâneos dedicados a Mitra, o que originou violentas querelas com os chamados Pais da Igreja. Estes ficaram indignados com a ideia de que pagãos tivessem se apropriado da gruta de Belém e dos sacramentos cristãos. O historiador latino Justino e o primeiro grande teólogo cristão, Tertuliano, fustigaram Satã, “que imita os sacramentos de Deus nos mistérios dos ídolos”. Já os sacerdotes de Mitra censuraram os cristãos por ter “tomado de empréstimo” deles a ideia da redenção. No século IV, o imperador Teodósio I resolveu o problema privilegiando o cristianismo.
Dessas quatro religiões, três chegaram até nós: budismo, hinduísmo e cristianismo, depois de Buda, Krishna e Jesus terem aparentemente trilhado caminhos comuns ou paralelos.



CLAUDE PASTEUR é historiador e escritor.


FONTE: História Viva, edição no 103, maio 2012.




Politicagem em Rio das Ostras: família do prefeito é sustentada com dinheiro público

A criação de uma Secretaria de Valorização do Sistema de Ensino é o reconhecimento pelo Poder Público Municipal da falácia que foi a política educacional desenvolvida nos últimos anos pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Pelo menos força qualquer pessoa sensata chegar a tal conclusão. Ora, se é preciso criar uma secretaria para valorizar o sistema de ensino do município, quer dizer a SEMED não conseguiu fazer isso??? Quer dizer que os índices atingidos pelo município como o terceiro melhor sistema de ensino do Estado do Rio é uma fraude??? Ou está superestimado??? Ou trata-se, como afirma a postagem abaixo do "Observatório da Cidade", do uso do dinheiro público para atender interesses particulares??? 


Edilane Carvalho Balthazar Lessa, secretária de valorização do sistema de ensino 


Como havíamos previsto, um dos novos secretários é da família do prefeito. Saiu neste sábado (5 de maio) os nomes dos sortudos.




 A irmã do prefeito é uma das pessoas nomeadas! 
Patrimonialismo é isso!




VEJA TAMBÉM: A farra com o dinheiro público, em que o jornalista Ricardo Boechat critica a vergonhosa politicagem em Rio das Ostras




sábado, 5 de maio de 2012

"O seu nome continuará a viver pelos séculos, e a sua obra também!"

(Frase final do discurso de Engels diante do túmulo de Marx, em 17/3/1883)

Karl Marx nasceu a 5 de maio de 1818, em Trier (conhecida também como Tréveris), na Renânia, Alemanha.

194 anos do nascimento de Karl Marx

terça-feira, 1 de maio de 2012

A construção do consenso em torno do Primeiro de Maio: ocultamento do acirramento das relações trabalhistas



Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro



"Dar nome às coisas é fundamental para ser alguém. (...) Nas coisas da política e da luta social, ninguém é nada se aceita o nome que dão à coisa, à sua coisa, os que mandam." (Francisco Fernández Buey) 


As classes dominantes jamais limitam suas iniciativas a apenas um terreno de luta; pelo contrário, sua batalha para conservar a ordem capitalista se dá em todas as frentes, em especial a repressão (velada ou escancarada). Por isso, a insistência dos intelectuais orgânicos e dos aparelhos hegemônicos da ordem capitalista na criação do senso comum de que o Primeiro de Maio é o Dia Internacional do Trabalho e não o Dia Internacional dos Trabalhadores não é mera questão de nomenclatura. Está inserida no êxito obtido pelo neoliberalismo na esfera ideológica; no revigoramento da tese de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o coroamento da história da humanidade – o “fim da história”.



No dizer de Mikhail Bakhtin, as palavras estão sempre carregadas de um conteúdo ou sentido ideológico ou vivencial (BAKHTIN, 2009, p. 99). A língua nunca é neutra. A linguagem é profundamente condicionada pelo momento histórico, pelas contradições sociais e pelos conflitos ideológicos – de classe, de gerações, de gênero, de grupos étnicos etc. (Cf. BAKHTIN, 2009; CARBONI e MAESTRI, 2005). Dia do Trabalho em vez de Dia dos Trabalhadores é muito mais conveniente ao triunfo dos mercados, da democracia liberal e da economia global. É tão notável o seu êxito ideológico que até mesmo organizações políticas de esquerda terminaram por adotar alguns temas e terminologias da agenda imposta pelos mercados.

A meu ver, o Dia Internacional do Trabalho, e não dos Trabalhadores, corrobora com os dispositivos ideológicos para justificar a existência de uma sociedade de classes. No que diz respeito ao papel reforçador de certas ideologias:

Aqui prevalece a ilusão da liberdade individual, ancorada no fetichismo da mercadoria e na opacidade dos mecanismos de exploração classista próprios de um regime baseado na “liberdade” do trabalho assalariado, o que dá lugar a novos mecanismos e estratégias de controle ideológico. Entre eles, sobressai a autoinculpação das classes populares. Desta forma, se os pobres não podem prosperar no capitalismo, isso se deveria aos vícios, às confusões das suas vontades, à preguiça, à pouca inteligência, ao gosto pelo álcool ou à vida desordenada, o que acabaria por inocentar o capitalismo de suas próprias consequências (BORON, 2011, p. 82).

Segundo Marilena Chaui, “a operação ideológica passa por dois ocultamentos: o da divisão social e o do exercício do poder por uma classe social sobre outra” (CHAUI, 2007, p. 39). Esses ocultamentos são obtidos através de uma prática e de um discurso coercitivos, ainda que a coerção não esteja imediatamente visível, uma vez que transformado em consenso invisível e interiorizado. A prática e o discurso dominantes se revestem de generalidade e de universalidade, buscando “criar em todos os membros da sociedade o sentimento de que fazem parte dela da mesma maneira e, que a contradição não existe, ou melhor, a contradição deve aparecer como simples diversidade ou como diferentes maneiras, igualmente legítimas, de participação” na sociedade (idem, p. 51-52). Anula-se e se oculta a realidade das classes, visto que as “classes laboriosas” e as “classes dirigentes” são apresentadas “apenas como variantes do cidadão e da pessoa, contidas em germe na natureza humana” (idem, p. 52).


A luta ideológica não é somente “batalhas das idéias”, uma vez que estas ideias possuem uma “estrutura material”, articula-se em “aparelhos” estabelecidos para a formação do consenso – ou dito de outra maneira, voltados para manter, defender e desenvolver a frente ideológica de uma classe dominante. Tudo o que influi ou pode influir sobre a opinião pública faz parte da estrutura ideológica: a imprensa, as bibliotecas, as escolas, associações de variado tipo, até a arquitetura, a disposição e o nome das ruas (LIGUORI, 2007, p. 90). Este conjunto de trincheiras e fortificações da classe dominante requer um complexo trabalho ideológico para gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, fazendo incutir a ideia de que não há nenhuma alternativa à gestão da sociedade, “seja na forma ‘internalizada’ (isto é, pelos indivíduos devidamente ‘educados’ e aceitos) ou através de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica e implacavelmente imposta” (MÉSZÁROS, 2008, p. 35).


O poder de uma classe dominante não é simplesmente o resultado de sua força econômica e política ou da distribuição da propriedade, ou das transformações econômicas, mas “pressupõe sempre um triunfo histórico no combate às classes subalternas” (LÖWY, 2005, p. 60). Na manutenção dos “de baixo” no seu devido lugar da estrutura hierárquica vigente. Exerce aqui o sistema de educação da sociedade sua função de preservar os “padrões civilizados” dos que são designados para “educar” e governar, contra “a anarquia e a subversão”. Trata-se de proclamar e difundir as vitórias e os sucessos alcançados pelas classes dominantes, de hoje e do passado, nos permanentes embates sociais travados ao longo do processo histórico. Nessa lógica de legitimação da ordem estabelecida como uma “ordem natural” supostamente inalterável, a história deve então ser reescrita e propagandeada de forma ainda mais distorcida pelos órgãos que em larga escala formam a opinião pública, como jornais de grande tiragem e as emissoras de rádio e de televisão, pelo sistema escolar e, também, pelas “supostamente objetivas teorias acadêmicas” (MÉSZÁROS, 2008, p. 37; PRESTES, 2010). Como diz Walter Benjamin, nem os mortos estão seguros diante do inimigo, se ele for vitorioso, e conclui que “esse inimigo não tem cessado de vencer” – tese VI de “Sobre o conceito de história” (apud LÖWY, 2005, p. 65) –, sendo os ideais e as lutas dos setores derrotados em seus propósitos revolucionários e transformadores esquecidos, silenciados, deturpados e combatidos (PRESTES, 2010, p. 94).


As classes dominantes sabem, conforme é apontado por Marta Harnecker, que “um povo sem memória é um povo sem futuro” e por isso mantêm-se empenhadas em desqualificar não somente as suas lideranças, “como também e, fundamentalmente, a memória da luta dos nossos povos” (HARNECKER, 2000, p. 70). O “triunfo histórico no combate às classes subalternas”, longe de ser um argumento para aquilo que Paulo Freire chamou de “pessimismo imobilizante”, mostra, na realidade, que “as classes sociais, o conflito de classes e a consciência de classe existem e desempenham um papel na história” (HOBASBAWM, 2000: p. 33). Se durante o processo de autorreprodução da sociedade existe a necessidade recorrente do falseamento e do silêncio referentes a numerosos acontecimentos que não são do interesse dos setores dominantes que sejam do conhecimento da grande maioria das pessoas e, em particular, das novas gerações (PRESTES, 2010, p. 94), isso significa que a hegemonia das classes dominantes nunca é absoluta, há sempre o risco do aparecimento de propostas libertadoras e de emancipação de homens e mulheres explorados, oprimidos e subordinados de uma sociedade dividida em classes.

Portanto, reafirmar o Primeiro de Maio como Dia Internacional dos Trabalhadores é não aceitar o consenso dominante, é se contrapor à hegemonia dos setores dominantes, é saber se situar na história da humanidade e no presente como protagonista na elaboração e na execução de uma alternativa de emancipação social, que, a meu ver, só poderá ser socialista. Porém, nas palavras de um grande revolucionário latino-americano, José Carlos Mariátegui, um socialismo que não seja “nem cópia nem decalque, mas sim criação heróica” do nosso povo.

Viva o Primeiro de Maio!!!

Viva o Dia Internacional dos Trabalhadores!!!





Referências bibliográficas

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 13 ed. São Paulo: Hucitec, 2009.

BORON, Atilio. Aristóteles em Macondo: reflexões sobre poder, democracia e revolução na América Latina. Rio de Janeiro: Pão e Rosas, 2011.

CARBONI, F. e MAESTRI, M. A linguagem escravizada: língua, história, poder e luta de classes. São Paulo: Expressão Popular, 2005.

CHAUI, Marilena. Cultura e Democracia: o discurso competente e outras falas. 12 ed. São Paulo: Cortez, 2007.

HARNECKER, Marta. Tornar possível o impossível: a esquerda no limiar do século XXI. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

HOBSBAWM, E. Mundos do Trabalho. 3a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

LIGUORI, Guido. Roteiros para Gramsci. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2007.

LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio – uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2008.

PRESTES, Anita Leocadia. “O historiador perante a História Oficial”. In: Germinal: Marxismo e Educação em Debate, Lodrina, v. 1, n. 2, p. 91-96, jan. 2010.

 

Comemoração do Dia Internacional do Trabalhador e inauguração da nova sede do CeCAC



Clique no título abaixo para o texto:

Só a luta operária e popular pode reverter a regressão social!




Aos que não têm nada, explorados e oprimidos




"Na tradição que Marx e Engels inauguraram com o Manifesto, o primeiro passo para a libertação dos de baixo, dos explorados e oprimidos é ter consciência; ter consciência daquilo que se foi e daquilo que se é. Ter consciência significa saber se situar na história da humanidade e no seu presente."


"A leitura do Manifesto sempre produz perturbação, inquietude. Desde sua primeira frase, 'Um espectro ronda a Europa: é o espectro do comunismo', até a última, 'Proletários de todos os países, uni-vos', o leitor ficará sempre colhido pela impressão de que aquilo tem a ver com ele, e para valer. A narrativa fala de algo que nos afeta profundamente."


"O que nos perturba, no caso do Manifesto, é que alguém tenha se atrevido a dizer que, neste nosso mundo, os que não têm nada poderiam ter consciência, e voz própria, e se unir politicamente para configurar uma nova hegemonia político-cultural e uma sociedade de iguais socialmente considerados. E nos perturba, precisamente, porque isso não foi dito tal como os de baixo estavam acostumados a ouvir dos amigos do povo nos séculos anteriores: com o acompanhamento da promessa sobre a vinda de um messias, ou pregando a confiança na boa vontade daqueles a quem tudo sobra, ou indicando aos de baixo, na balsa de náufragos, o novo mundo com o indicador da mão direita, enquanto se aponta com o reluzente indicador da mão esquerda para o próprio peito, o do herói de sempre que há de conduzí-los, uma vez mais e por direito de casta, ao mundo dos iguais."


"O Manifesto é a expressão antecipada de uma intuição muitíssimas vezes repetidas pelos trabalhadores num hino que ainda se canta, A Internacional: 'Messias, Deus, chefes supremos, / Nada esperamos de nenhum!'. Uma das ideias centrais contidas na parte do Manifesto que trata do socialismo como movimento é que os de baixo devem se libertar a si mesmos, auto-governando-se politicamente."

FONTE: Trechos do livro Marx(sem ismos), de Francisco Fernández Buey, Editora UFRJ (2004).


A Internacional




De pé, ó vitimas da fome!

De pé, famélicos da terra!

Da idéia a chama já consome

A crosta bruta que a soterra.

Cortai o mal bem pelo fundo!

De pé, de pé, não mais senhores!

Se nada somos neste mundo,

Sejamos tudo, oh produtores!





Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional



Senhores, patrões, chefes supremos,

Nada esperamos de nenhum!

Sejamos nós que conquistemos

A terra mãe livre e comum!

Para não ter protestos vãos,

Para sair desse antro estreito,

Façamos nós por nossas mãos

Tudo o que a nós diz respeito!



Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional



Crime de rico a lei cobre,

O Estado esmaga o oprimido.

Não há direitos para o pobre,

Ao rico tudo é permitido.

À opressão não mais sujeitos!

Somos iguais todos os seres.

Não mais deveres sem direitos,

Não mais direitos sem deveres!



Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional



Abomináveis na grandeza,

Os reis da mina e da fornalha

Edificaram a riqueza

Sobre o suor de quem trabalha!

Todo o produto de quem sua

A corja rica o recolheu.

Querendo que ela o restitua,

O povo só quer o que é seu!



Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional



Nós fomos de fumo embriagados,

Paz entre nós, guerra aos senhores!

Façamos greve de soldados!

Somos irmãos, trabalhadores!

Se a raça vil, cheia de galas,

Nos quer à força canibais,

Logo verrá que as nossas balas

São para os nossos generais!



Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional



Pois somos do povo os ativos

Trabalhador forte e fecundo.

Pertence a Terra aos produtivos;

Ó parasitas deixai o mundo

Ó parasitas que te nutres

Do nosso sangue a gotejar,

Se nos faltarem os abutres

Não deixa o sol de fulgurar!



Bem unido façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional