quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Chefão da CNA foge de debate sobre agrotóxicos na TV Justiça

Maria Mello


 
Um episódio estarrecedor marcado pela falta de respeito à democracia e ao livre debate de ideias provou, mais uma vez, que os ruralistas não têm como defender o indefensável.

 
Na tarde desta terça-feira (06), um dos representantes da Campanha contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Distrito Federal e integrante do SINPAF, Vinícius Freitas, participaria da gravação do programa “Meio ambiente por inteiro”, da TV Justiça, em Brasília, para debater o problema do aumento do uso dos agrotóxicos no Brasil.

 
Além de Freitas, a produção do programa convidou também o presidente da Federação da Agricultura de Goiáso e integrante da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) José Mário Schereiner para expor a visão da entidade em relação ao tema.

 
Após serem recebidos pela equipe do programa, os debatedores foram informados da linha de condução das perguntas. No roteiro da entrevistadora, a primeira pergunta seria direcionada ao ruralista e afirmava ser utópica a possibilidade de acabar com o uso de agrotóxicos no país.

 
No início da gravação, a jornalista apresentou os participantes e chamou o VT de um trecho do documentário “O veneno está na mesa”, recém-lançado pelo cineasta Silvio Tendler e que ganhou repercussão nacional, que serviria como pontapé inicial para o debate.

 
Antes que a transmissão do trecho do filme terminasse, porém, um dos três assessores de Schereiner que acompanhava a gravação dentro do estúdio correu até a apresentadora e determinou a interrupção do andamento do programa. “Não sabíamos que vocês iriam exibir esse filme, podem parar”, bradou o assistente.

 
O dirigente ruralista, por sua vez, passou a argumentar de forma agressiva com a equipe de jornalistas que não continuaria com a gravação e que não estava ali “para que seus filhos o vissem como assassino”.

 
No intuito de garantir o debate, a produção se desculpou e propôs que a exibição do VT fosse excluída, o que de pronto foi negado por Schereiner. O grupo deixou o local alegando “insegurança” para continuar a gravação.

 
“Lamentamos não ter podido promover um debate saudável sobre um assunto tão importante para a população. Continuamos à disposição do programa e da sociedade brasileira para ouvir e argumentar”, afirma Freitas.

 
Por fim, o programa não foi gravado, mas a produção do “Meio ambiente por inteiro” afirmou que pretende convidar novamente o SINPAF para debater o tema.

No dia 7 de setembro de 2011, a Avenida Amazonas, em Rio das Ostras, se transforma numa sala de aula a céu aberto

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Atendimento médico infantil no mundo: Cuba tem o 8º melhor sistema, EUA o 15º e Brasil, o 35º


Ranking da ONG Save the Children mensura número de profissionais da área da saúde disponíveis, alcance de sistema de vacinação pública e atendimento a gestantes e parturientes em 161 países. Estudo foi entregue à ONU para pressionar por execução do projeto “Toda Mulher, Toda Criança”. A cada ano, 8,1 milhões de crianças morrem por falta de atendimento.

Da Redação



SÃO PAULO – A ONG Save the Children, organização internacional com sede nos EUA que luta pelos direitos das crianças, divulgou nesta semana um novo estudo em que mensura o grau de qualidade dos países no atendimento médico infantil.



De acordo com o ranking produzido pela entidade, entre os 161 países avaliados, Chade e Somália ocupam as duas últimas posições e Suíça e Finlândia, as duas primeiras. Cuba foi a primeira nação latino-americana listada, na 8ª posição, à frente de Alemanha (10ª), França (12ª), Reino Unido (14ª) e Estados Unidos (15ª).



Entre os latino-americanos, o Uruguai ocupa a segunda colocação, na 31ª posição geral, seguido pelo Brasil, na 35ª. O México alcançou apenas o 65º lugar no ranking, e a Argentina, o 77º.



A lista da Save the Children mensura o número de profissionais da área da saúde disponíveis em um país, o alcance de sistema de vacinação pública e o atendimento a gestantes e parturientes. De acordo com os cálculos da organização, a Suíça, no primeiro posto, atingiu índice 0,983, enquanto o Chade, último colocado, não passou de 0,130.



Os países mais mal avaliados não possuem mais do que sete médicos e enfermeiros para cada dez mil habitantes, enquanto a mínimo adequado sugerido pela Organização Mundial de Saúde é de 23 profissionais.



“A crise de profissionais da saúde no mundo está custando a vida de crianças todos os dias. Programas de vacinação, medicamentos e cuidados preventivos dão em nada se não houver profissionais capacitados para oferecê-los a quem mais precisa”, disse Mary Beth Powers, uma das coordenadoras da Save the Children, em comunicado divulgado pela organização na última terça-feira (6).



O estudo foi encaminhado para a Assembléia Geral das Nações Unidas. O objetivo é pressionar os líderes mundiais para que assumam novos compromissos dentro da campanha “Toda Mulher, Toda Criança”, lançada pela própria ONU em 2010. O objetivo da ação é reduzir a morte de crianças e mães no mundo, que anualmente atingem 8,1 milhões e 358 mil por ano, respectivamente.


Professores de Rio das Ostras vivem momento histórico

Parabéns aos professores e alunos das unidades escolares de Rio das Ostras que compareceram ao Grito dos Excluídos neste dia 7 de setembro. Foi um momento histórico de luta reivindicatória dos nossos direitos. Um acontecimento muito importante foi o apoio entusiasmado do público presente. Ninguém arredou o pé, todos ficaram para assistir a marcha. De fato, marchamos sob aplausos. A adesão do público, demonstrada pelas palmas e gritos de apoio, foi fundamental para fazer ecoar o nosso grito de indignação. Conseguimos atingir uma repercussão que os donos do poder em Rio das Ostras, sinceramente, não esperavam. Tanto que o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar, e demais autoridades presentes no palanque fugiram, acovardaram-se perante a passeata e o apoio do público (esse foi o fator providencial).


Muitos professores não participaram porque foram abertamente coagidos e ameaçados pelas diretoras das escolas e não conseguiram romper com o medo que ainda os domina. O Colégio Municipal Professora América Abdalla não foi exceção. Sua diretora-geral, Veny Esteves Rabelo, ameaçou professores e alunos, fazendo uso de uma retórica que demonstra o quanto ela se alinha à posição arbitrária da SEMED para com o professor Gilberlan, que teve sua cessão de Macaé cancelada, no dia 5/9, por postar no Facebook o seu descontentamento com o Plano de Carreira, recentemente sancionado e que não assegura direitos efetivos aos profissionais da educação. Acho tudo muito lamentável, porque, sinceramente, vejo em Veny muitos requisitos favoráveis para ela realizar uma boa gestão. Contudo, infelizmente, lamento profundamente, ela deixou claro a inviabilidade de realizar uma gestão minimamente satisfatória, ou porque não deseja – eu, sinceramente, não acredito nessa hipótese, mas é possível, – ou porque encontra-se de mãos atadas pelos compromissos assumidos com aqueles que a colocaram no cargo. Ela ameaçou os alunos de suspensão caso participassem da marcha. A despeito das ameaças, os alunos estão de parabéns, muitos se juntaram a nós na passeata e muitos outros assistiram a passeata nos aplaudindo, inclusive seus pais. Aliás, o discurso dos alunos a respeito da postura da diretora me surpreendeu, fiquei surpreso com a maturidade política deles. A fala dos muitos alunos que ouvi era de que a conduta da Veny era indigna de uma educadora e suas palavras mentirosas, pois eles diziam que não eram idiotas e que tinham todo o direito de se manifestar.


É digno de registro que enquanto o Abdalla desfilava, os professores, que foram exclusivamente para o protesto (Marcos, Elias, Mário, Luciana, Luciano, Kelles, Daniel, Anderson, Rainier, Alexandre, José Wilson, esses são os que lembro agora no momento), se alinharam na beira da avenida segurando cartazes com nossas reivindicações, quando os alunos nos viram, fomos aplaudidos por eles. Depois do desfile outros professores se juntaram a nós na passeata. Citarei apenas os que lembro no momento, perdão se esqueci de alguém: Ravel, Delma Moreira, Helen, Diva, João Vitor. Também gostaria de registrar que alguns funcionários do Abdalla, depois do desfile, juntaram-se ao público para nos aplaudir.



Na minha avaliação, o movimento deste histórico 7 de setembro foi coroado de êxito, vitorioso. O que confirma que: “Quando o professor está lutando, também está ensinando”.


Devemos continuar nossa luta por uma educação pública de qualidade, o que inclui salários dignos e boas condições de trabalho aos professores.


Espero que esta vitória estimule os professores a se libertam da indiferença, do conformismo e do medo que ainda os dominam.


Precisamos lembrar que a República Federativa do Brasil constitui-se em um Estado Democrático de Direito, como estabelecido no artigo primeiro da Constituição em vigor, e tem, entre outros fundamentos, o pluralismo político. Ainda nos termos desta Constituição, é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.


"Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem" (Rosa Luxemburgo).


Marcos César de Oliveira Pinheiro
Professor de História do Colégio Municipal Professora América Abdalla
Rio das Ostras, 7 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Anita Prestes exalta socialismo em tributo a Gregório

Autobiografia escrita por Gregório Bezerra conta partes marcantes de sua história.



Presente no Recife para participar do lançamento da segunda edição do livro Memórias do pernambucano Gregório Bezerra, Anita Leocadia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes, reaviva a mensagem de luta dos dois líderes comunistas. “É possível, sim, contribuir para transformar o Brasil, para acabar com a miséria. E eles diriam que só tem uma saída: o socialismo”, afirmou Anita.



A relação entre a família Prestes e Gregório Bezerra sempre foi de muita proximidade, daí a naturalidade com que Anita, que é historiadora, falava sobre o autor do livro. Durante a coletiva que concedeu ao lado de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), ela contou traços do caráter do amigo do pai, que a viu crescer.



“Gregório morou na nossa casa quando eu tinha entre nove e dez anos. Ele sabia lidar com crianças e nós adorávamos ouvir as histórias que ele contava. Na década de 70, quando já era adulta, na época do exílio, convivemos em Moscou”. Segundo ela, a preocupação com o próximo era um dos traços mais marcantes de Gregório. Jurandir, no final da coletiva, confirmou a veracidade da informação ao tirar da carteira um manuscrito do pai solicitando remédio para os companheiros de prisão.



Anita lamentou, no entanto, o fato dos mais jovens desconhecerem a história do comunista pernambucano. Na tentativa de reverter este quadro, não se limitou apenas a escrever a apresentação do livro, veio do Rio de Janeiro, concedeu coletiva no relançamento da obra e proferiu, ontem, palestra sobre o homem que considera ser “a expressão do povo brasileiro”.



Memórias é uma autobriografia de Gregório Bezerra inicialmente escrita no período em que ele ficou na cadeia, longos 23 anos, finalizada no exílio em Moscou e publicada em 1979. A edição, de dois volumes, com a narrativa detalhando momentos marcantes da ditadura militar, em que foi duramente torturado, assim como sua infância pobre em Panelas, Agreste pernambucano, foi rapidamente esgotada.



Agora o livro é relançado pela Boitempo, em um único volume de 600 páginas, com fotografias, índices cronológicos e depoimentos de Florestan Fernandes, Eduardo Campos, Mércia Albuquerque, Oscar Niemeyer, Jorge Amado e Ziraldo, entre outros, cartas escritas por Gregório e poemas de Ferreira Gullar e Francisco Julião. Depois do evento de ontem no Recife, será relançado nos próximos dias 13 e 14 no Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.



FONTE: Diário de Pernambuco, 2/9/2011.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

VIA CAMPESINA BRASIL EM DEFESA DO POVO PALESTINO



O POVO PALESTINO TEM O DIREITO DE TER O SEU PRÓPRIO ESTADO,

 

LIVRE, DEMOCRÁTICO E SOBERANO!!!

 


ESTADO DA PALESTINA JÁ!!!


Nós, trabalhadoras e trabalhadores dos diversos movimentos e organizações que fazem parte da Via Campesina Brasil, mais uma vez reafirmamos nosso total apoio e solidariedade com a justa e legítima luta do povo palestino.

O colonialismo israelense sempre foi parte da tentativa do imperialismo de sufocar as legítimas lutas de libertação nacional e por transformações sociais que se desenvolveram em diversos países do mundo.

Inspirados numa ideologia conservadora, racista e antidemocrática, o sionismo, os sucessivos governos do Estado de Israel violam cotidianamente os direitos inalienáveis do povo palestino.

Infelizmente a ONU, que se pretende defensora dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, não tem feito mais do que aprovar centenas de resoluções de condenação, reprovação e denúncia contra o Estado de Israel que nunca se transformam em ações concretas. Sob a proteção dos países imperialistas, como EUA, França, Inglaterra e seus lacaios, os mais brutais e violentos crimes são cometidos todos os dias contra a população que vive nos territórios ocupados em 1948 e em 1967.

As “Forças de Defesa de Israel” e todas as outras instituições do aparato repressor colonialista israelense são hoje conhecidas no mundo pela sua covardia e pela prática de genocídio e terrorismo contra o povo palestino e contra todos os que se rebelam em defesa de um Estado Palestino.

Nosso grande desafio é transformar essa indignação diante da violência do governo de Israel num gigantesco movimento social e político de massas de caráter internacional, que faça recuar esse monstro nazi-sionista.
A coragem, a sabedoria e as mobilizações do povo palestino são hoje símbolos e exemplos da resistência popular contra toda injustiça praticada em qualquer lugar do mundo.

O grito de Pátria Livre se faz ouvir em todo o território palestino. Judeus, cristãos, muçulmanos e todas as forças democráticas, progressistas e antiimperialistas dentro e fora da Palestina se mobilizam em um movimento unificado contra o inimigo de toda a humanidade: o governo do Estado de Israel e seus aliados, o imperialismo dos Estados Unidos e da União Européia.

Diante das novas manifestações populares na Palestina, a Via Campesina Brasil vem manifestar sua admiração e sua solidariedade com esse heróico povo, conclamando @s brasileir@s para:

1. Defender o direito legítimo do povo palestino de lutar contra a ocupação israelense e pela constituição do Estado da Palestina, bem como apoiar a campanha da Autoridade Palestina pelo reconhecimento do Estado da Palestina como membro pleno da ONU;

2. Apoiar as decisões soberanas do povo palestino e suas legítimas organizações políticas e sociais no que diz respeito ao caráter do Estado e às fronteiras. Acreditamos que tais decisões serão resultado das lutas e do processo de debate no interior das forças da resistência palestina, portanto, consideramos que não cabe a nós a decisão sobre como deve ser e qual será o caráter do Estado Palestino;

3. Fortalecer a luta pela libertação dos presos políticos que vivem hoje nos cárceres por participarem da legítima luta de libertação nacional palestina;

4. Fortalecer a luta em defesa dos camponeses, trabalhadores rurais e pescadores, que perderam o direito à terra, à água, ao trabalho e à liberdade com a ocupação colonialista israelense;

5. Intensificar a luta contra o Tratado de Livre-Comércio MERCOSUL-Israel, uma vergonha para o povo brasileiro, pois tal tratado estimula o comércio com um país que não respeita as resoluções da ONU, os direitos humanos e o direito internacional humanitário, além de possibilitar, para Israel, a exportação de produtos dos assentamentos judeus-sionistas que estão hoje ilegalmente nos territórios palestinos de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental;


 
6. Intensificar, no Brasil, a campanha pelo boicote e desinvestimento contra Israel, para impedir a compra de produtos deste país que pratica hoje um regime de apartheid contra o povo palestino. Boicotar a importação de produtos e/ou serviços, bem como propor também o boicote acadêmico e cultural contra esse país é mais uma forma de lutar pelo fim do apartheid de Israel;


 
7. Denunciar e lutar contra a compra, por parte dos governos estaduais e do governo federal (em especial as Forças Armadas e o Ministério da Defesa), de equipamentos militares, aviões não-tripulados, veículos blindados, armas e munições israelenses, pois esse tipo de comércio só alimenta e fortalece o complexo industrial-militar israelense-estadunidense, uma indústria que tem lucrado com o assassinato de milhares de pessoas em diversas partes do mundo;

8. Lutar contra o bloqueio econômico, político e militar imposto por Israel ao povo de Gaza, território palestino ocupado que luta cotidianamente e heroicamente pela sua libertação. Fortalecer a solidariedade com Gaza é tarefa de tod@s. Precisamos fazer um esforço para organizar uma missão humanitária de solidariedade à Gaza, com representantes de diversas organizações políticas e sociais da classe trabalhadora brasileira;

9. Intensificar a pressão sob o governo brasileiro para que o mesmo dê um tratamento digno e possa amparar de maneira mais intensa e efetiva os refugiados palestinos que se encontram hoje no Brasil, principalmente os 150 palestinos que saíram do Iraque e ficaram em um Campo de Refugiados na Jordânia, e que se encontram hoje no Estado de São Paulo;

10. Pressionar o governo brasileiro para que o mesmo se utilize de todos os mecanismos disponíveis na Carta das Nações Unidas e outras resoluções internacionais para exigir do governo de Israel que cumpra a decisão do Tribunal Internacional da ONU de derrubar o “muro da vergonha”, que tem cerca de 700 km de extensão e separa o povo palestino, configurando uma situação de apartheid que priva dos palestinos o direito de ir e vir;

11. Discutir com o governo brasileiro ações mais intensas e mais concretas de apoio, estímulo e cooperação para implementar projetos de desenvolvimento econômico, social, cultural e esportivo na Palestina. O Brasil tem condições de dar apoio material e financeiro para garantir melhores condições de vida e de trabalho para o povo palestino. Algumas das propostas da Via Campesina Brasil são: construir as condições para que o Brasil e a América do Sul se transformem em espaços para a comercialização dos produtos dos camponeses palestinos e para intensificar as ações de apoio ao esporte na Palestina, principalmente o futebol, nas modalidades masculino e feminino.

12. Apoiar as lutas dos judeus e israelenses que lutam contra o sionismo e contra a ocupação da Palestina, pois existem dentro do Estado de Israel forças políticas e sociais progressistas, democráticas e anti-colonialistas que são constantemente reprimidas por defender os direitos inalienáveis do povo palestino;

13. Defender o direito de todos os refugiados palestinos de retornarem para sua terra/pátria, bem como o direito de serem reparados pelas perdas que tiveram durante a ocupação militar israelense;

14. Apoiar as mobilizações populares que visam desencadear uma “Terceira Intifada” contra a ocupação israelense. Também acreditamos que só a luta de massas pode alterar radicalmente a correlação de forças nas lutas políticas e sociais.

15. Para discutir como realizar concretamente tais ações propomos organizar um Encontro Nacional de Solidariedade ao Povo Palestino. A Via Campesina Brasil e demais organizações da classe trabalhadora estão convocando este encontro para os dias 26 e 27 de novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes – ENFF, na cidade de Guararema - São Paulo.

Sabemos que o campo de batalha decisivo nesta luta são as ruas, bairros, cidades, vilas, vales e montanhas da Palestina ocupada, e cabe a nós fortalecer as forças vivas da resistência popular palestina.

Sigam em frente irmãos e irmãs palestinos, com uma oliveira numa das mãos e uma pedra na outra, lembrando sempre de sua história, de sua origem e de sua tarefa: lutar permanentemente contra o sionismo e o governo de Israel, mesmo estando em condições bastante desiguais frente ao inimigo-agressor.

Quem não cansa de lutar semeia a cada dia o caminho da vitória. A Palestina será livre, justa e soberana. Esse é o seu caminho e o destino de seu povo. Liberdade e terra para o povo palestino.


VIA CAMPESINA BRASIL: Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB, Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, Movimento das Mulheres Camponesas – MMC, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, Pastoral da Juventude Rural – PJR.

domingo, 4 de setembro de 2011

Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição


por MINREX


O Ministério das Relações Exteriores efetuou a retirada do seu pessoal diplomático na Líbia, onde a intervenção estrangeira e a agressão militar da OTAN agudizaram o conflito e impediram o povo líbio de avançar para uma solução negociada e pacífica, no pleno exercício da sua autodeterminação.


A República de Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição nem nenhuma autoridade provisória e só dará o seu reconhecimento a um governo que se constitua nesse país de maneira legítima e sem intervenção estrangeira, mediante a vontade livre, soberana e único do povo irmão líbio.


O embaixador Víctor Ramírez Peña e o primeiro secretário Armando Pérez Suárez, acreditados em Tripoli, mantiveram uma conduta impecável, estritamente apegada ao seu estatuto diplomático, correram riscos e acompanharam o povo líbio nesta trágica situação. Foram testemunhas diretas dos bombardeamentos da OTAN sobre objetivos civis e da morte de pessoas inocentes.


Com o grosseiro pretexto da proteção de civis, a OTAN assassinou milhares deles, desconheceu as iniciativas construtivas da União Africana e de outros países e, inclusive, violou as questionáveis resoluções impostas pelo Conselho de Segurança, em particular com o ataque a objetivos civis, o financiamento e fornecimento de armamento a uma parte, bem como a instalação de pessoal operacional e diplomático no terreno.


As Nações Unidas ignoraram o clamor da opinião pública internacional, em defesa da paz, e tornaram-se cúmplices de uma guerra de conquista. Os fatos confirmam as advertências prévias do comandante em chefe Fidel Castro Ruz e as oportunas denúncias de Cuba na ONU. Agora sabe-se melhor para que serve a chamada "responsabilidade de proteger" nas mãos dos poderosos.

 
Cuba proclama que nada pode justificar o assassinato de pessoas inocentes.


O Ministério das Relações Exteriores reclama a cessação imediata dos bombardeamentos da OTAN que continuam a ceifar vidas e reitera a urgência de que se permita ao povo líbio encontrar uma solução pacífica e negociada, sem intervenção estrangeira, no exercício do seu direito inalienável à independência e à autodeterminação, à soberania sobre os seus recursos naturais e à integridade territorial dessa nação irmã.


Cuba denuncia que a conduta da OTAN destina-se a criar condições semelhantes para uma intervenção da Síria e reclama o fim da ingerência estrangeira nesse país árabe. Apela à comunidade internacional a impedir uma nova guerra, insta as Nações Unidas a cumprirem seu dever de salvaguardar a paz e proteger o direito do povo sírio à plena independência e autodeterminação.


Havana, 3 de Setembro de 2011.


O original encontra-se em CubaDebate.
Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

sábado, 3 de setembro de 2011

Código Florestal: agronegócio tenta flexibilizar lei para devastar o país




O Código Florestal está no centro da disputa entre o modelo do agronegócio e o projeto da agricultura familiar e camponesa e a Reforma Agrária. O palco dessa disputa é o Congresso Nacional, um espaço desfavorável para a classe trabalhadora.


O agronegócio venceu o primeiro round desse embate. Foi aprovado na Câmara dos Deputados o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que flexibiliza a lei ambiental, e a emenda 164, que passa para os governos estaduais a responsabilidade de definir o que deve ser preservado.


Para virar lei, as mudanças tem de ser aprovadas no Senado Federal, voltam para a Câmara e precisam passar pela aprovação ou veto da presidenta Dilma Rousseff.


Essa disputa terá duração prolongada. E precisamos nos preparar para fazer o enfrentamento e levar o debate para as ruas, envolvendo a sociedade para denunciar os efeitos perversos dessas mudanças e quem está por trás delas.


Os primeiros interessados são os latifundiários mais arcaicos que desmataram e que foram multados. Há também o interesse de um latifúndio ligado à grilagem de terra e à necessidade de expansão, que quer incorporar novas áreas. Para isso, será necessário grandes desmatamentos e precisam da anistia.


A construção de um campo político de resistência às mudanças vem ganhando força, articulado por movimentos sociais de camponeses, entidades ambientalistas, Igreja católica, cientistas, advogados e o Ministério Público, além de setores do governo federal.


O Jornal Sem Terra apresenta as alterações aprovadas na Câmara, as nossas propostas para resolver os problemas da agricultura familiar e quem está contra e a favor das mudanças.


Principais mudanças aprovadas na Câmara

 
Saiba o que determina atualmente o Código Florestal, quais as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados e as consequências.



Diminuição das áreas de APPs (Áreas de Preservação Permanente)


Como é

Nos cursos d’água de até 10 metros a APP precisa ter 30 metros. Hidrelétricas têm que manter APPs de até 500 metros.

Novo texto

As APPs de cursos d’água com até 10 metros passam a ter apenas 15 metros. Hidrelétricas: máximo de 100 metros.


Consequências

Erosão do solo, assoreamento dos rios, impacto nas bacias hidrográficas, mais agrotóxicos nos rios e impactos sobre os corredores de fauna, por onde migram os animais em tempos de seca.



Compensação da Reserva Legal (RL) em outros estados

 
Como é

O proprietário pode recuperar a RL em outra propriedade que esteja na mesma microbacia (no mesmo rio que passa na região, por exemplo).


Novo texto

O proprietário poderá compensar a RL em qualquer estado do mesmo bioma. O latifundiário de São Paulo poderá comprar uma terra na Bahia e apontar que aquela é sua RL. Dessa forma, áreas improdutivas, que devem ser destinadas à Reforma Agrária, poderão se tornar reservas em recomposição, colocando mais um obstáculo para a democratização da terra.

Consequências

Criação de um “mercado” de áreas improdutivas qualificadas como recomposição de RLs. Estados sem florestas, aumento da grilagem de terras, expulsão de agricultores.

Multas aos desmatadores

 
Como é

Até 90% do valor da multa pode ser negociado, dependendo do histórico do autuado.

Novo texto

Anistia aos desmatadores, criando um cadastro ambiental rural. Quem se cadastrar nele terá suas multas e crimes ambientais anistiados, caso recupere a área desmatada em 20 anos.


Consequência

Impunidade e incentivo a novos desmatamentos.

Soma de APPs e Reserva Legal

 
Como é

As áreas de RL não podem se somar às áreas de APP para chegar na porcentagem prevista na lei, com exceção da Agricultura Familiar.

 
Novo texto

Pode somar as áreas de APP com a RL. Uma demanda da agricultura familiar, que é a soma das áreas de RL junto com a APP, foi estendida a todos os proprietários. Uma reivindicação dos camponeses para resolver problemas causados pela falta de investimentos se transforma em um privilégio para o agronegócio.

 
Consequências

Latifundiários serão beneficiados, porque não existe diferenciação de agronegócio e agricultura familiar. Fragilização ambiental e/ou geológica, fragilização da função social da terra (pelo fato da floresta ser um bem de interesse público). Fragilização ambiental e geológica, fragilização da função social da terra (já que APP é uma questão exclusivamente ecológica, e a RL é uma questão agrária e ecológica).

 
Reserva Legal


Como é

O porcentual de RL é de 80% na Amazônia, 35% no cerrado e 20% para o resto do país.

 
Novo texto

Propriedades com até quatro módulos fiscais (que vão de 20 a 440 hectares, dependendo da proximidade com centros urbanos) não precisarão mais preservar. Áreas consolidadas até 2008 poderão pagar para um suposto fundo, em vez de recuperar suas RLs, ou então compensar em áreas de qualquer parte do bioma

 
Consequências:

• Latifundiários poderão dividir as fazendas para ficar livre de preservar a RL.

• Erosão de terra, deslizamento, perda da fertilidade do solo, perda da biodiversidade, mudança no microclima, diminuição do ciclo hídrico, alteração da umidade do ar e da temperatura, diminuição da produtividade.

• Expulsão de agricultores familiares e povos tradicionais, já que as áreas deles são as mais baratas e, portanto, as que serão compradas para compensação.

 
Responsabilidade da legislação ambiental com estados

Como é

A legislação ambiental é responsabilidade da União. As regulamentações são feitas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Participam do Conselho o governo federal, estadual, municipal e representantes da sociedade civil.

Novo texto

Os estados definem quais APPs e RLs precisam ser recuperadas em cada propriedade e como deve ser a recuperação.

Consequências

Não prevalecerá mais o interesse nacional e coletivo, mas as políticas locais e os interesses particulares.



Espécies exóticas

 
Como é

O proprietário tem de recuperar a área desmatada com espécies nativas.

 
Novo texto

O novo texto permite que a RL possa ser recuperada com até 50% de espécies exóticas, de cultura lenhosa perene (eucalipto), e dendê, voltado para a produção do biodiesel.

Consequências

Não serão recuperadas as áreas com espécies nativas, modificando o bioma local. Acaba com a RL como mantenedora dos interesses públicos sobre as florestas e a transforma em mais uma área de apropriação privada. Estimula a produção de matéria-prima para as empresas do agronegócio.

 


Nossa proposta para resolver os problemas da agricultura familiar



A Via Campesina defende medidas concretas para resolver os problemas da agricultura familiar, que não passam pela alteração do Código Florestal.



• Promoção de novas práticas produtivas, com a criação de políticas públicas consistentes voltadas para a agricultura familiar pelos órgãos federais e estaduais do meio ambiente e a Polícia Ambiental;


• Política de assistência técnica especializada em sistemas agroflorestais (SAFs) e agrosilvopastoris (SASPs), para a recuperação produtiva das APPs e RLs, e em manejo florestal para áreas onde existam maciços florestais;


• Política de fomento e crédito específico para recuperação produtiva com SAFs e SASPs e para manejo florestal comunitário;


• Programa de Produção e Aquisição de Mudas e Sementes, que garanta a compra de mudas e sementes e a doação para áreas de recuperação de APP e RL;


• Política de preço mínimo e de compra por meio dos Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);


• Política de agroindustrialização voltada para produtos oriundos de manejo florestal;


• Suspensão de todas as multas ambientais por desmatamento aplicadas à Agricultura Familiar para aqueles que adiram ao plano de regularização ambiental das áreas de RL e APP, conforme Programa Mais Ambiente, e sua posterior conversão em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente;


• Pagamentos por serviços ambientais especificamente a agricultores familiares, assentados de Reforma Agrária, povos indígenas e comunidades tradicionais que têm seu modo de vida indissociável da preservação e uso sustentável das florestas e suas funções ecossistêmicas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

“A classe dominante não tem interesse em mudar a educação”



O peso de seus argumentos em programas de televisão, a clareza de suas intervenções diante das autoridades que dobram sua idade e a capacidade inata de aglutinar as massas, converteram-a na líder mais visível deste movimento que já derrubou um ministro e jogou o governo de Sebastián Piñera nas cordas. Usando um jeans surrado, um lenço artesanal no pescoço, um piercing no nariz e esse olhar que esconde uma das mentes políticas mais brilhantes que apareceram no Chile nos últimos anos, Camila Vallejo concedeu uma entrevista exclusiva a Christian Palma, correspondente da Carta Maior em Santiago do Chile.

Christian Palma - Correspondente da Carta Maior em Santiago - @chripalma


Há três meses, Camila Vallejo, a carismática presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), podia tomar um metrô tranquilamente e caminhar sem chamar a atenção mais do que qualquer outra mulher bonita chilena. Nesse tempo, os estudantes universitários e secundaristas iniciavam um movimento sem precedentes que inclui até hoje ocupações e greves nas escolas do país e diversas marchas pelas principais cidades chilenas pedindo fundamentalmente o fim do lucro no sistema educacional, mais qualidade nos conteúdos ministrados nas salas de aula e gratuidade completa na educação pública.

 
Ela, com paciência, visitava os colégios explicando ponto por ponto as razões das reivindicações estudantis e parava para conversar com os jornalistas com calma. Foi em um desses eventos que a conheci. Usando um jeans surrado, um lenço artesanal no pescoço, um piercing no nariz e esse olhar que esconde uma das mentes políticas mais brilhantes que apareceram no Chile nos últimos anos, trocamos algumas palavras.


A revolução estudantil se incendiou, os argumentos dos estudantes foram entendidos e valorizados pela cidadania e Camila Vallejo demonstrou que é muito mais do que um rosto bonito. O peso de seus argumentos em programas de televisão, a clareza de suas intervenções diante das autoridades que dobram e triplicam a idade e a capacidade inata de aglutinar as massas, converteram-a na líder mais visível deste movimento que já derrubou um ministro e obrigou o governo de direita de Sebastián Piñera a oferecer três alternativas para destravar o conflito. Mas nenhuma delas satisfez os estudantes.

 
Tamanha foi a pressão sobre o governo, que o próprio Piñera chamou os jovens para uma conversa neste sábado no palácio de La Moneda. Um dia antes deste convite que pode marcar o início do fim da crise, Camila Vallejo, achou um espaço em sua agenda e concedeu esta entrevista exclusiva à Carta Maior, recém chegada de Brasília, onde se reuniu com seus pares brasileiros. Ela reconhece que tem tempo apenas para comer.


Considerando as dezenas de pedidos de entrevistas solicitadas por meios de comunicação chilenos e estrangeiros, interessados nesta jovem mulher, alguns minutos com ela são um luxo.


Estrela das redes sociais – como boa parte de sua geração – convocou milhares por meio do Facebook e do Twitter, mas também foi ameaçada de morte ou insultada covardemente pela web. Tranquila, diz que está consciente dos riscos que isso significa, mas, mais importante ainda, sabe a tremenda responsabilidade que passa a ter com apenas 23 anos.


Senhoras e senhores, com vocês Camila Antonia Amaranta Vallejo Dowling, a menina que jogou o governo de direita de Sebastian Piñera nas cordas. Saiba por que.



- Você diz que as demandas estudantis não são um assunto de direita ou esquerda, mas sim de toda a sociedade chilena. Acredita que a cidadania entendeu isso?


Este movimento alcançou uma massividade e uma transversalidade que nunca tinham sido vistas desde o retorno à democracia (1990). Uma enorme parcela daqueles que, em um determinado momento, apoiaram Piñera, hoje se dá conta de que este não é um ataque direto à sua posição, mas sim a um modelo de educação que concebe a educação como um bem de mercado e não como um direito, e também a um sistema democrático que hoje, se reconhece , é muito estreito.


O questionamento à conduta do governo, inclusive de cidadãos que pertencem a setores que, em um determinado momento, apoiaram o atual presidente, deixa evidente que existe o entendimento de que a luta que hoje travamos é pelo direito à educação e por uma mudança de sistema que beneficie toda a sociedade e o desenvolvimento do Chile. Ela não se limita a buscar benefícios para um setor político particular.

 
O movimento se polarizou entre direita e esquerda. Isso é prejudicial?


Para entender esse conflito é preciso analisá-lo a partir de duas perspectivas. Por um lado, é preciso considerar que, junto à população, a problemática educacional se transversalizou de uma forma nunca vista, o que tem gerado um apoio massivo ao movimento vindo de diversos setores e atores ligados à educação. Por outro lado, temos um setor muito mais minoritário e ideológico representado pelas classes dominantes, que não estão interessadas em uma mudança na educação, tanto porque o atual sistema beneficia diretamente seus bolsos, como porque ele os mantêm em sua posição de privilegiados frente a uma população com fraca educação. A polarização de duas grandes alternativas educacionais é produto da postura intransigente desse setor. Ou seja, a polarização não se encontra no interior do movimento estudantil – que tem sabido priorizar a unidade atuando de forma conjunta -, mas sim representa uma enorme contradição entre as mudanças que a cidadania está exigindo hoje frente uma minoria conservadora cujos interesses são representados pelo Executivo.

 
Qual a consistência deste movimento para resistir às artimanhas urdidas no espectro político da direita e também do governo?


Hoje o movimento conta com uma série de fortalezas, tais como a amplitude que ultrapassa o meramente estudantil e o transforma em um movimento social; a unidade dos diferentes atores ligados ao mundo educacional, que após um longo processo conseguiram conjugar esforços em torno de pautas unificadas; a representatividade dos anseios da cidadania, na medida em que tem ocorrido processos democráticos por meio dos quais se definem as melhores estratégias a utilizar; e, finalmente, conta com a experiência histórica dos diferentes movimentos que nos precederam como o foi o movimento estudantil dos “pinguins” (estudantes secundaristas) de 2006.


O movimento se vale de todas essas ferramentas para fazer frente às diferentes artimanhas que podem surgir tanto da articulação da direita como do governo, as quais, até aqui, temos sabido enfrentar.



Atuação do governo



Para entender um pouco mais o sistema educacional chileno e por que a direita não quer transformá-lo é preciso ter em mente que há três tipos de escolas de educação superior herdados da ditadura de Pinochet. Há os centros de formação técnica, os institutos profissionais e as universidades que se dividem em tradicionais, com aportes do Estado, e privadas. O ingresso nelas passa por uma prova de conhecimentos e, para os que não têm dinheiro, há um sistema de créditos outorgados pelo setor privado quase sem nenhuma regulação e com juros altíssimos. Em 2006, a presidenta Michelle Bachelet se complicou com a “Revolução dos Pinguins” que mobilizou só os estudantes secundaristas. Eles receberam promessas que não foram cumpridas e agora, com 80% da cidadania aprovando as mobilizações, o governo de Piñera recebeu os protestos na sua porta.



Qual sua avaliação sobre a atuação do governo no tema? Não deu resposta às suas demandas, faz declarações infelizes saindo da boca do próprio presidente (“não há nada grátis na vida”, “as pedras nos levaram à ruptura da democracia”) e tenta dar um perfil violento às marchas (com infiltração de policiais)?


O governo não está escutando a cidadania, o que mostra que está disposto a seguir defendendo intransigentemente seu modelo educativo, inclusive assumindo o custo de omitir o que o povo tem demandado massivamente durante mais de três meses.

 
Não contente com isso, tem explorado ao máximo as ferramentas com as quais conta o governo e a direita chilena – meios de comunicação, força policial e militar, respaldo dos grandes grupos econômicos – para deslegitimar o movimento, baseando-se na mentira por trás de estratégias populistas.

 
A pressão social que este movimento conseguiu acumular obrigou Piñera a mostrar do que é feito este governo, quais são os limites democráticos que ele está disposto a cruzar e quem representa realmente, o que constitui um enorme desprestígio e desaprovação de sua gestão, o que já foi expresso nas últimas pesquisas que, historicamente, eles mesmos têm validado.

 
O questionamento à incapacidade de manejar a demanda social por uma educação pública gratuita e de qualidade para todos alcança novos níveis na medida em que o grau de repressão ultrapassou qualquer limite de tolerância de um Estado de Direito. Durante esses meses de protesto, temos sido testemunhas de aberrantes abusos por parte do corpo policial, sob ordens do Executivo, através do Ministro do Interior e Segurança Pública, Rodrigo Hinzpeter, o que atingiu seu ápice com a morte de um estudante na semana passada.


Qual sua opinião sobre o papel da Concertação (oposição) em tudo isso?

 
A Concertação desemprenhou um papel bastante oportunista tentando obter ganhos políticos com o que ocorre hoje no país. Neste sentido vemos hoje representantes dessa coletividade criticando o modelo educacional, como, por exemplo, o ex-presidente Ricardo Lagos que diz “que o modelo não já não aguenta mais”, esquecendo-se que foram eles mesmos que administraram e aprofundaram a mercantilização da educação e que, por outro lado, um importante setor dessa organização é formado por proprietários de colégios, por investidores no negócio da educação superior.


Apesar disso, dado o nível de participação que a Concertação tem no Parlamento, corresponde a eles agora responder a altura de suas declarações em favor do movimento. Ou seja, devem assegurar que os projetos de lei que surgiram dessas mobilizações representem integralmente o que as demandas sociais estabeleceram e, por motivo nenhum, devem voltar a negociar pelas costas do movimento, como terminou ocorrendo com o processo da Revolução dos Pinguins de 2006.

Com a foice e o martelo no coração


Camila Vallejo é filha de ex-militantes allendistas e referência das Juventudes Comunistas. Na atualidade, foi obrigada a congelar a tese para se formar em geografia. Ela não reconhece abertamente, mas tampouco descarta seguir uma carreira política.


Já pensou em seguir sendo dirigente no futuro, ainda mais em um país carente de líderes jovens?


Sobre o meu futuro, tenho dito que tenho um projeto pessoal de caráter acadêmico, ou seja, gostaria de terminar meu curso e seguir neste caminho. No entanto, concebo os cargos de representação como uma responsabilidade e de modo algum como um privilégio, pelo que, a priori, não posso dizer que não continuarei tendo cargos de representação popular.


Alguns dirigentes estudantis internacionais olham com especial atenção para o Chile, depositam esperança neste movimento e estão atentos para que as conquistas não sejam perdidas. Como avalia essa tremenda responsabilidade?


Creio que a esperança de que as conquistas desse movimento não sejam perdidas, assim como a responsabilidade por elas é compartilhada pela totalidade dos envolvidos. Se é verdade que, às vezes, minha pessoa é transformada em ícone do movimento, temos claro que a sua construção é uma conquista que pertence a todos. Confio que temos feito as coisas corretamente, o que é demonstrado pelo incrível apoio cidadão que nos acompanha três meses depois de iniciada essa mobilização. Sob estas condições, se o governo não tiver suas demandas satisfeitas, isso será responsabilidade da intransigência do governo e da traição da cidadania por parte da direita chilena, o que não estamos dispostos a tolerar.


O que te parece o modelo educacional de Lula (ProUni) que estabelece um mecanismo de bolsas de estudo para estudantes de universidades privadas com finalidade lucrativa, mas que está dirigido especialmente para estudantes de baixa renda e é financiado com isenções fiscais para esses estabelecimentos?


Para além do detalhe técnico das propostas, o que hoje estamos defendendo no Chile são ideias políticas muito concretas. E o fim do lucro na educação é uma das consignas que teve maior adesão da cidadania. A própria lei chilena de Educação criada na ditadura proíbe o fim do lucro em todas as universidades. O cumprimento dessa lei é um dever que esse governo descumpriu grosseiramente e que, após essa mobilização, não nos contentaremos com a continuidade dessa situação. É preciso avançar na direção da proibição do lucro em todo o sistema educacional, desde o pré-escolar a todos os setores de educação superior, assegurando sanções para aqueles que descumprirem esta lei e para aqueles que fizeram isso durante os últimos 30 anos.


Qual sua impressão sobre o apoio dos trabalhadores às mobilizações estudantis e sobre a convocação de outra mobilização massiva para 8 de setembro?


O fato de os trabalhadores apoiarem as mobilizações é algo fundamental para cada processo histórico revolucionário, pois como sujeito histórico o trabalhador que hoje se encontra diretamente explorado pelo processo produtivo sobre o qual se sustenta nossa sociedade capitalista neoliberal.


Se nós, jovens estudantes, somos chamados a gerar e fomentar as mudanças, temos que ter claro que estes devem se realizar junto aos trabalhadores, pois são eles, finalmente, o real motor da história.


Você sofreu críticas e ataques, sem sentido, maliciosos. Você disse que eles fazem parte do jogo, mas alguns ultrapassam todos os limites, como o de que é manipulada pelo Partido Comunista. O que diz sobre isso?


Efetivamente, eu sou militante das Juventudes Comunistas do Chile e isso é algo que nunca escondi, muito pelo contrário, é algo do que sinto muito orgulho, pois é uma grande escola que me permitiu crescer e desenvolver-me politicamente.


Além disso, é de se esperar que, na atual situação, aqueles que não estão à altura do conflito busquem argumentos como estes para atacar, não somente a mim, mas também ao resto dos dirigentes. Mas o certo é que hoje eu represento não só os estudantes da Universidade do Chile, cuja Federação presido, mas também me toca ser a voz de todos os estudantes do Chile, enquanto porta-voz da Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e a legitimidade que tanto os estudantes como a cidadania concederam a meu desempenho evidencia que essas acusações não passam de sujas estratégias desesperadas de quem, como disse anteriormente, não tem sido capaz de ganhar o debate.


Tradução: Katarina Peixoto


Eric Hobsbawn: Grundrisse são “o pensamento de Marx no seu apogeu”


Por Emir Sader.

 

No seu artigo “Descobrindo os Grundrisse” – escrito como introdução à primeira edição em inglês da obra de Marx, publicada em 1964 – Hobsbawn relata como o lugar desse texto fundamental na obra do Marx e seu destino são peculiares. Em primeiro lugar, porque “são o único exemplo de um importante conjunto de escritos maduros de Marx, que, para efeitos práticos, foram totalmente desconhecidos para os marxistas durante mais de meio século depois da morte de Karl Marx, e, de fato, quase impossíveis de encontrar até quase um século depois da composição dos manuscritos que levaram esse nome”.

 
Em segundo lugar, a publicação dos Grundrisse no que poderia ser considerada “a menos favorável das condições”, isto é, na URSS e na República Democrática Alemã em plena “era de Stalin”. A terceira peculiaridade é a “persistente incerteza sobre o status dos manuscritos de 1857-1858 refletida no nome flutuante” dos textos até o momento em que se adotou o título de Grundrisse.

 
A data da sua verdadeira publicação – final de 1939 – significa que permaneceram quase totalmente ignorados no Ocidente até sua reedição em 1953, em Berlim Oriental.

 
A descoberta interacional quase simultânea das obras de Gramsci, junto com a dos Grundrisse tiveram como função “libertar o marxismo da camisa de força da ortodoxia soviética”, segundo Hobsbawn. Assim, “não é fácil separar os debates sobre os Grundrisse do cenário político em que se produziram e que os estimulou”.


Como avaliação global sobre o conjunto da obra, Hobsbawn é categórico: “Trata-se de um texto enormemente difícil em todos e em cada um dos seus aspectos, mas enormemente gratificante, ainda que fosse só pelo fato de que proporciona o único guia a todos os tratados de que O Capital é apenas uma fração e uma introdução única à metodologia do Marx mais maduro”. Contém análises e esclarecimentos, entre outros temas, sobre tecnologia, que levam ao tratamento de Marx muito além do século XIX, à era de uma sociedade em que a produção já não requer trabalho de massas, de automação, de potencial de ócio e transformações da alienação nessas circunstâncias.

 
Para concluir, enfaticamente: “É o único texto que supera as próprias predições de Marx do futuro comunista na Ideologia Alemã. Em poucas palavras, foi qualificado acertadamente como ‘o pensamento de Marx no seu apogeu’”.

Nos 100 anos de Vo Nguyen Giap*


“Os imperialistas são péssimos alunos, demos-lhes lições durante vários anos na nossa escola, não aprenderam nada e foram repetentes durante tantos anos que tivemos que correr definitivamente com eles”.
General Vo N’Guyen Giap
Argel, 1975



O mítico general Vo Nguyen Giap cumpriu cem anos de idade. Quase tão venerado como Ho Chi Minh, estratega das grandes batalhas contra o colonialismo francês e a agressão estado-unidense, Giap é considerado um génio da logística e um político mobilizador de massas.


Este lendário general vietnamita nasceu na aldeia de Una Xa, província de Quang Binh, a 25 de Agosto de 1911. Filho de um camponês que, embora sem terra, sabia ler e escrever e lutou durante toda a sua vida contra o regime colonialista imposto ao seu país.


Ainda muito jovem, em 1926, começou a luta pela libertação do Vietname no instituto em que estudava. Aderiu ao Menh Dang do Tan Viet e, dois anos mais tarde, ao Quoc hoc, organizações clandestinas que faziam agitação contra a ocupação estrangeira.


Em 1930 foi detido e condenado a três anos de prisão, mas foi libertado alguns meses mais tarde.


Em 1933 entrou para a universidade de Hanói, de onde foi expulso dois anos mais tarde por realizar agitação revolucionária.


Na universidade conheceu Dang Xuan Khu, que mais tarde adoptaria o pseudónimo de Truong Chinh, o principal ideólogo do comunismo vietnamita. Foi ele quem recrutou Giap para o Partido Comunista da Indochina.


Em 1937 conseguiu concluir os seus estudos de Direito na universidade e começou a dar aulas de história num instituto em Hanói, embora o que fizesse na realidade fosse organizar os professores e os estudantes para a luta revolucionária.


Em 1939 publica, juntamente com Truong Chinh, o seu primeiro livro, intitulado “A questão camponesa”, no qual analisam o papel que os assalariados rurais devem desempenhar no processo revolucionário, enquanto aliados do proletariado vietnamita.


No ano anterior casara-se com uma tailandesa, Dang Thi Quang, militante comunista igualmente, e quando no ano seguinte o Partido Comunista da Indochina é ilegalizado Giap foge para a China, onde conheceu Ho Chi Minh e onde estudou as teses de Mao Zedong sobre a guerra popular prolongada e a guerra de guerrilha, que viria a aplicar magistralmente no seu próprio país.


Mas a polícia francesa prendera a sua mulher e a sua cunhada para as utilizar como reféns para pressionar Giap e para o levar a entregar-se. A repressão foi feroz: a sua cunhada foi guilhotinada e a sua mulher foi condenada a prisão perpétua, vindo a morrer na prisão ao fim de três anos em consequência das brutais torturas a que foi sujeita. Os carrascos assassinaram também o seu filho recém-nascido, o seu pai, duas irmãs e outros familiares.


Em Maio de 1941, na conferência de Chingsi (China), funda, juntamente com Ho Chi Minh, o Dong Minh (Liga Vietnamita para a Independência) mais conhecido com Vietminh, para congregar as forças anti-japonesas numa única frente de libertação nacional.


Nesse mesmo ano Giap desloca-se para as montanhas do interior do Vietname a fim de dar início à guerra de guerrilha. Aí estabelece uma aliança com Chu Van Tan, dirigente do Tho, grupo guerrilheiro de uma minoria nacional do noroeste do Vietname. Giap inicia a construção do Tuyen Truyen Giai Phong Quan, um exército capaz de expulsar o ocupante francês e de sustentar o programa do Vietminh.


Inicia uma campanha de dois anos de propaganda armada e de recrutamento, convertendo os camponeses em guerrilheiros combinando o treino militar com a formação política comunista. Em meados de 1945 dispunha já de cerca de 10.000 homens sob o seu comando e pode passar à ofensiva contra os japoneses que ocupavam todo o sudeste asiático.


Em Agosto de 1945, juntamente com Ho Chi Minh, Giap dirigiu as suas forças para Hanói, e em Setembro desse ano Ho Chi Minh pôde proclamar a independência do Vietname, com Giap como comandante do exército revolucionário.


Na guerra contra o colonialismo francês que se seguiu Giap demonstrou a superioridade da guerra popular sobre as forças imperialistas alcançado, em 7 de Maio de 1954, uma espectacular vitória na decisiva batalha de Dien Bien Phu, um vale situado a cerca de 300 quilómetros a oeste de Hanói onde as forças ocupantes francesas se tinham entrincheirado, confiantes na protecção das montanhas circundantes e na sua capacidade de derrotar as forças revolucionárias que tentassem descê-las. Não imaginavam que as forças de Giap fossem capazes de fazer subir peças de artilharia por de encostas quase inacessíveis.


Após quase seis meses de cerco, dos 15.094 mercenários franceses concentrados em Dien Bien Phu apenas 73 conseguiram escapar, enquanto 5.000 foram mortos e 10.000 capturados. Giap e o general Denhg lançaram o assalto final que conduziu à expulsão definitiva dos franceses da Indochina. O exército de Giap e Denhg sofreu a baixa de 25.000 combatentes.


Giap e Denhg derrotaram os imperialistas graças a uma acumulação logística extraordinária e a uma utilização eficaz e bem protegida da artilharia. Os 60 caças-bombardeiros B-29 norte-americanos enviados em apoio do efectivo francês falharam o seu objectivo, o que levou os imperialistas a admitir, segundo o criminoso plano do almirante norte-americano Radford e do general francês Navarre, o lançamento de bombas nucleares contra as forças revolucionárias.


A campanha de Dien Bien Phu foi a primeira grande vitória de um povo colonial e feudal, com uma economia agrícola primitiva, contra um experiente exército imperialista apoiado por uma indústria bélica pujante e moderna. Os mais conhecidos generais franceses (Leclerc, De Lattre de Tasigny, Juin, Ely, Sulan, Naverre) fracassaram, um após outro, perante tropas constituídas por camponeses pobres, mas inteiramente decididas a lutar pelo seu país e pelo socialismo. Os governos de Paris foram também caindo, à medida que os seus generais eram derrotados naqueles arrozais distantes, deixando bem evidente a fragilidade da IV República.


O Vietname ficou dividido e Giap foi nomeado ministro da defesa do novo governo do Vietname do norte que, ao mesmo tempo que prosseguia a guerra popular de libertação, se esforçava por construir uma nova sociedade, socialista.


Como comandante do novo exército popular, Giap dirigiu a luta na guerra do Vietname contra os novos invasores norte-americanos no sul do país, que de novo teve início como uma guerra de guerrilha. Os primeiros soldados norte-americanos a morrer no Vietname resultaram do ataque a uma base militar Bien Hoa, a noroeste de Saigão, realizado pelo Vietcong em 8 de Julho de 1961. Nesse ano foram abatidos pelos guerrilheiros Vietcong mais de 1.000 lacaios do imperialismo americano, e anteriormente a 1961 já outros 4.000 tinham caído.


Quatro presidentes norte-americanos sucessivos mantiveram a agressão contra o Vietname, deixando o rasto sangrento de 57.690 mercenários americanos abatidos, enquanto do lado vietnamita caíram 600.000 combatentes. Mas em 1973 os EUA forma finalmente obrigados a abandonar o país. O país foi reunificado dois anos mais tarde, depois de um tanque do exército revolucionário romper a vala de protecção da embaixada norte-americana enquanto os últimos imperialistas a abandonavam precipitadamente, fugindo de helicóptero do telhado do edifício.


Giap foi a partir de então ministro da defesa do Vietname e membro de pleno direito do Politburo do Partido Comunista do Vietname, cargo que manteve até 1982.


Depois de abandonara estes cargos dirigiu a Comissão de Ciência e Tecnologia e, em Julho de 1992, foi-lhe concedida a mais alta condecoração do novo Vietname socialista, a ordem da estrela de ouro.


O general Giap não foi apenas um mestre na arte de dirigir a guerra revolucionária, escreveu também sobre ela, publicando em 1961 a sua famosa obra “Guerra popular, exército popular”, manual da guerra de guerrilha baseado na sua própria experiência. Nela estabelece os três fundamentos básicos de que necessita um exército popular para alcançar a vitória na luta contra o imperialismo: direcção, organização e estratégia. A direcção do Partido Comunista, uma férrea disciplina militar e uma linha política adequada às condições económicas, sociais e políticas do país.


Definiu a guerra popular como “uma guerra de combate para o povo e pelo povo, enquanto a guerra de guerrilha é apenas um método de combate. A guerra popular corresponde a uma concepção mais geral. É uma concepção de síntese. É uma guerra simultaneamente militar, económica e política”. A guerra popular não é realizada apenas pelo exército, por mais popular que este seja, mas sim por todo o povo, que deve participar e ajudar na luta, que necessariamente será prolongada.


Como bom guerrilheiro, Giap sabia que o sucesso, quando existe uma desproporção de forças muito grande, se baseia na iniciativa, na audácia e na surpresa, o que exige que o exército revolucionário esteja continuamente em movimento. Destacou-se com um génio da logística, capaz de movimentar continuamente importantes contingentes militares, segundo os princípios da guerra de deslocações. Fê-lo contra os colonialistas franceses em 1951, infiltrando um exército inteiro através das linhas inimigas no delta do rio Mekong, e repetiu-o antecipando a ofensiva de Tet em 1968 contra os estado-unidenses, quando posicionou milhares de homens e toneladas de aprovisionamentos para um ataque simultâneo contra 35 centros estratégicos do sul.


A batalha de la Drang (19 de Outubro – 27 de Novembro de 1965) foi uma das mais importantes para ambas as forças no decurso da guerra de libertação do Vietname. No seu decurso o general imperialista Westmoreland estava convicto de que a mobilidade aérea e a potência de fogo em grande escala seriam a resposta adequada à estratégia de Giap. Mas este colocou os seus efectivos tão próximo das linhas norte-americanas que os B-52 largavam as bombas em cima das suas próprias fileiras.


As tácticas de guerrilha de Giap constituem ainda hoje uma das mais importantes fontes de informação do exército norte-americano para esmagar as forças revolucionárias. Os imperialistas dispõem de toda a informação, mas falta-lhes o mais importante: as massas que provocam com as suas macabras acções de saque e destruição. Estão conscientes de que se as massas se integram na guerra revolucionária estão perdidos. Por isso procuram evitá-lo e se esforçam por isolar do povo os destacamentos guerrilheiros, tanto através da repressão como da falsidade. Mas também sabem que não poderão manter indefinidamente nem uma coisa nem a outra…

 
*Publicado em Nicaragua_Socialista@yahoogroups.com, 25 de Agosto de 2011

FONTE: ODiario.info

Eu já sabia!!! Nem precisava falar.


"A guerra ainda não acabou. Ainda há confrontos. Por isso a Otan está pronta para continuar nossas operações o quanto for necessário", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.

(Folha de São Paulo, 2 de setembro de 2011)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Analfabeto Político





O Analfabeto Político

Bertolt Brecht (1898-1956)

 


O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.


Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.


Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.