domingo, 9 de julho de 2023

"INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER"

"IA não é inteligência, nem artificial"

Vídeo muito interessante e útil do neurocientista e cientista brasileiro Miguel Nicolelis no Programa 20 Minutos, do Opera Mundi, com apresentação do jornalista Breno Altman.

Nicolelis foi o primeiro cientista a receber no mesmo ano dois prêmios dos Institutos Nacionais de Saúde estadunidenses e o primeiro brasileiro a ter um artigo publicado na capa da revista Science.

Formado e pós-graduado em fisiologia pela Universidade de São Paulo, Nicolélis é Professor Emérito da Universidade Duke, onde lecionou por 27 anos, e lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN).



00:00 Abertura 01:30 Miguel Nicolelis explica o que é Inteligência Artificial 01:45 Miguel Nicolelis: "IA não é inteligência, nem artificial" 07:00 Miguel Nicolelis: "Chat GPT faz plágio" 09:50 Quais as vantagens do uso de Inteligência Artificial? 12:00 O maior problema é eliminar o trabalho humano ou a concentração dos lucros das ferramentas? 22:10 Computação quântica pode eliminar as limitações atuais da IA? 23:30 Miguel Nicolelis: "Sou poster boy anti-Elon Musk" 24:20 Robôs não podem se tornar humanos. Humanos podem se tornar robôs? 25:40 Miguel Nicolelis: "Vivemos a robotização da mente" 36:20 Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens” e “Homo Deus”, escreveu artigo afirmando que “a inteligência artificial hackeou o sistema operacional da nossa civilização”. Essa afirmação faz sentido? 47:50 Miguel Nicolelis responde perguntas da audiência 50:15 O momento que estamos vivendo é parecido com o filme “Jogos de Guerra”, do início dos anos 1980, no qual um garoto tem a inglória tarefa de “ensinar” a IA que comanda a defesa norte-americana de que uma guerra nuclear total seria destrutiva para a própria IA? 52:30 Na educação, a questão da IA se coloca como um problema para além do plágio dos alunos no método agora antigo, o do copia e cola. Os professores devem temer a IA? Ou ela é, como foi o uso de planilhas e calculadoras, uma ferramenta que vai aprimorar a produção dos alunos, se bem usada? Ela não é uma espécie de “excel” para a escrita de textos? 56:00 Miguel Nicolelis: "Chat GPT não é Carlos Drummond, nem Manuel Bandeira" 56:35 Quais são os maiores riscos da inteligência artificial? 59:10 Miguel Nicolelis: "Inteligência artificial precisa ser regulada" 1:00:10 Qual deve ser a posição de esquerda sobre a inteligência artificial? 1:10:10 Qual seria o papel do Ministério da Ciência e Tecnologia no desenvolvimento e acompanhamento dessas tecnologias? 1:12:00 Miguel Nicolelis: "Ciência virou economia" 1:13:40 Miguel Nicolelis responde mais perguntas da audiência 1:14:00 Miguel Nicolelis: "Vivemos a ditadura do algoritmo" 1:15:30 Indicações culturais de Miguel Nicolelis


terça-feira, 4 de julho de 2023

O CENTENÁRIO DA COLUNA PRESTES

O ano de 2024 irá marcar as celebrações pelos cem anos de história daquela que é considerada uma das maiores marchas revolucionárias da História da humanidade, a Coluna Prestes. Dessa forma, a Associação Memorial Luiz Carlos Prestes, de Porto Alegre, o Instituto Luiz Carlos Prestes, e o Memorial Coluna Prestes, de Santo Ângelo estão empenhados em viabilizar uma série de eventos com palestras, debates e apresentações teatrais voltados às comemorações de data tão simbólica de um dos acontecimentos mais importantes da História brasileira. 

Inserida no contexto político da crise da Primeira República (1889-1930), nos anos 1920, a Coluna Prestes foi resultado das ações do movimento tenentista, composto por jovens militares de baixa patente do Exército brasileiro, principalmente tenentes e capitães, e por seus aliados civis, que a partir de 1922 lideraram revoltas de contestação à estrutura política do Estado brasileiro, especialmente após a vitória de Artur Bernardes nas eleições presidenciais de março de 1922. Entre outras demandas, os rebeldes questionavam a legitimidade dos pleitos eleitorais e exigiam o direito ao voto secreto. 

Os primeiros levantes ocorreram em 5 de julho de 1922, sendo rapidamente esmagados pelo Governo de Epitácio Pessoa. O mais famoso, do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, reprimido com violência pelas forças legalistas contra os jovens rebeldes, foi imortalizado pela imagem dos “18 do Forte” que caminharam pelas areias da praia de Copacabana, sendo massacrados pelas tropas governistas; apenas Eduardo Gomes e Antônio de Siqueira Campos sobreviveram. Luiz Carlos Prestes, já naquele momento uma voz ativa do tenentismo não pôde tomar parte na revolta em função de estar acometido por um surto de febre tifoide. Porém, assim como outros envolvidos na revolta, não escapou das punições impostas pelo governo, sendo transferido para o interior do Rio Grande do Sul. 

Apesar das punições e perseguições aos envolvidos, as conspirações do movimento tenentista continuaram, especialmente em 1924, quando os irmãos Joaquim e Juarez Távora articularam com outras lideranças militares, entre elas o próprio Luiz Carlos Prestes, uma nova revolta. A adesão de parte da Força Pública de São Paulo sob a direção do major Miguel Costa, assim como do general da reserva Isidoro Dias Lopes, deu peso ao movimento que desencadeou uma nova ação armada em 5 de julho de 1924, dessa vez em São Paulo. Os rebeldes resistiram durante mais de 20 dias aos intensos ataques das forças legalistas que utilizaram artilharia pesada e até mesmo bombardeios aéreos destruindo boa parte da cidade no episódio que ficou conhecido como a Revolução de 1924. 

Buscando evitar mais destruição da capital paulista e com o objetivo de manter o movimento vivo, os rebeldes deixaram São Paulo e se estabeleceram na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, passou-se a articular a possibilidade de revoltas naquele estado, sendo delineada uma aliança entre os militares e os civis da Aliança Libertadora, liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, os quais haviam travado batalha contra o governo de Borges de Medeiros na luta pelo Executivo estadual ao longo de 1923. A aliança entre os militares e os civis maragatos foi circunstancial, tendo em vista que os objetivos dos primeiros era depor o presidente da República e dos segundos o governador do Estado, Borges de Medeiros.

O fato é que desta aliança nasceram as revoltas na região das Missões e fronteira oeste do Rio Grande do Sul, quando quartéis dos municípios de Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga, São Borja, Uruguaiana, Alegrete e Cachoeira do Sul se rebelaram a partir do final do mês de outubro. Em Santo Ângelo a liderança do movimento esteve a cargo do capitão Luiz Carlos Prestes, auxiliado pelo jovem tenente Mário Portela Fagundes. Tendo em vista o tratamento humanizado que Prestes garantiu aos seus subordinados do 1º Batalhão Ferroviário durante o período em que atuou nesta guarnição, na noite de 28 de outubro de 1924, quando o quartel foi rebelado, Prestes contou com a adesão quase total do efetivo militar, prendendo o comandante do batalhão e fazendo distribuir um manifesto à população no qual eram explicados os motivos da revolta. 

Entre os meses de novembro e dezembro o efetivo revolucionário foi concentrado no pequeno município de São Luiz Gonzaga. Já nomeado comandante da divisão revolucionária do Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Prestes reorganizou as tropas que contavam com cerca de mil e quinhentos homens, além de umas trinta mulheres que se aproximaram dos acampamentos. Algumas delas percorreram os 25 mil quilômetros da Marcha da Coluna Prestes pelo Brasil, revelando grande resistência e heroísmo. 

Ao final do mês de dezembro de 1924, tanto o governo federal de Artur Bernardes quanto o governo estadual de Borges de Medeiros designaram um efetivo de quatorze mil homens visando encurralar os rebeldes na região de São Luiz Gonzaga. Em uma manobra estratégica, Luiz Carlos Prestes conseguiu furar o chamado “anel de ferro” governista, deslocando-se em direção à região norte do estado e buscando juntar-se aos rebeldes paulistas acantonados no estado do Paraná. Naquele momento se delineou a “estratégia da guerra de movimento”, que se tornou uma marca da Coluna Prestes: conhecimento do terreno e das ações do inimigo, deslocamento muito rápido e surpresa. Esta estratégia permitiu a sobrevivência da Coluna – lutando em condições extremamente desfavoráveis contra forças muito superiores - em seu périplo pelo Brasil por 2 anos e 3 meses, através de 13 estados, sem nunca ter sido derrotada e, ao contrário, tendo derrotado 18 generais do Exército nacional. A Coluna Prestes transformou-se num movimento militar, político e social com características populares e dimensão nacional, que empolgou amplos setores anti-oligárquicos, acelerando a desagregação da República Velha.

Naquele período em que os rebeldes furaram o bloqueio legalista, o movimento já se tornara conhecido com o nome de Coluna Prestes, o que significava o reconhecimento da liderança de Luiz Carlos Prestes, assim como do fato de a Coluna Prestes ter iniciado a marcha pelo Brasil no Rio Grande do Sul, a partir de 27 de dezembro de 1924, dia em que os rebeldes romperam o cerco de São Luiz Gonzaga. 

Grande parte da historiografia continua, entretanto, insistindo na ideia de que a marcha da Coluna teve início a partir do encontro das tropas gaúcha e paulista no Paraná, em abril de 1925. Na realidade, os rebeldes paulistas estacionados na região de Foz do Iguaçu haviam sofrido pesada derrota frente às tropas legalistas, cogitando abandonar o movimento e buscar refúgio em país vizinho. Quando Luiz Carlos Prestes, em nome da coluna gaúcha que chegara vitoriosa, decide prosseguir a marcha pelo Brasil, parte dos rebeldes paulistas sob o comando de Miguel Costa adere à Coluna Prestes.

Ao longo dos anos de 1925 e 1926 a Coluna Prestes seguiu a marcha pelo centro-oeste, norte e nordeste do Brasil, sempre perseguida por forças regulares do Exército ou por grupos de jagunços aliciados por fazendeiros a mando do governo federal. Até mesmo Lampião foi atraído para dar enfrentamento ao efetivo da Coluna, o que não aconteceu. Tendo chegado ao norte de Minas Gerais, a Coluna, desprovida de armamentos e de munição, foi forçada a recuar, iniciando um trajeto rumo ao exílio na Bolívia, em fevereiro de 1927. 

Ao conhecer de perto a realidade do povo pobre do interior do Brasil, das condições de servidão ou semiescravidão em que a maioria vivia, as lideranças da Coluna ficaram impressionadas e especialmente Luiz Carlos Prestes se convenceu de que a simples mudança de homens no poder não resolveria a situação em que o país se encontrava. Para Prestes, o problema era social e ele precisava estudar para encontrar a solução.

Durante o exílio na Bolívia e depois na Argentina e no Uruguai, Prestes teve contato com as ideias do marxismo, encontrando nessa teoria as respostas para os problemas que tinha visto e vivenciado na marcha da Coluna. Sua adesão ao comunismo e ao Partido Comunista o levou a não dar seu apoio a Getúlio Vargas nas eleições de 1930, embora o candidato das oligarquias oposicionistas tivesse buscado se aproximar dos “tenentes”, pois o prestígio do tenentismo e especialmente de Prestes daria um peso simbólico à sua candidatura. 

Após tentar conquistar sem sucesso os antigos companheiros para suas novas posições, Prestes rompe com os “tenentes”, lançando seu Manifesto de Maio de 1930, documento em que se posiciona definitivamente a favor da revolução social e do programa do Partido Comunista.

A partir desse momento, Prestes passa a enfrentar dura rejeição por parte das forças políticas hegemônicas do Brasil, algo que se ampliou após a derrota dos levantes antifascistas de 1935. Ao longo do tempo se construiu no Brasil um imaginário anticomunista que teve em Luiz Carlos Prestes seu principal inimigo.  

Essas representações anticomunistas sobre Prestes acabaram por afetar a história da Coluna Prestes, o que resultou na produção de falsificações e deturpações que seguem até os dias de hoje, gerando também um profundo silenciamento acerca desse acontecimento na historiografia brasileira. 

Ao longo do tempo, a construção de lugares de memória que relembram a trajetória de Luiz Carlos Prestes e da Coluna têm sido alvos de ataques, especialmente de grupos conservadores ligados a partidos e ideologias de extrema direita, casos do Memorial Coluna Prestes, de Santo Ângelo, nos anos 1990 e, mais recentemente, do Memorial Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre, inaugurado em 2017. 

É com o intuito de desfazer tais representações negativas, ao mesmo tempo em que se busca valorizar a trajetória de Luiz Carlos Prestes e da Coluna Prestes, que estão sendo organizados eventos em homenagem ao centenário da Coluna Prestes em 2024. Acontecimento tão marcante na história e na memória brasileiras não deve ser silenciado nem esquecido; é necessário que chegue ao conhecimento das novas gerações, sabidamente expostas às mentiras e falsificações da realidade em tempos de “pós-verdade”.  

ASSOCIAÇÃO MEMORIAL LUIZ CARLOS PRESTES - Geraldo Pereira Barbosa.

INSTITUTO LUIZ CARLOS PRESTES - Anita Leocádia Prestes

MEMORIAL COLUNA PRESTES - Amilcar Guidolim Vitor.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O site da revista Crítica Marxista disponibiliza toda coleção da revista com exceção da última e da penúltima edição.

Revista Crítica Marxista

Uma revista plural no campo do marxismo, fundamentalmente teórica e com um modo de funcionamento democrático.

Crítica Marxista tem interesse em uma ampla gama de temas teóricos, históricos e contemporâneos. Privilegia três tipos de textos: a) textos teóricos que apresentem teses originais e contribuam para o desenvolvimento da teoria marxista, b) textos de análise concreta que, partindo do campo amplo e diversificado da teoria marxista, tomem por objeto de análise e de crítica as transformações e as características da economia, da política e da cultura no capitalismo contemporâneo e c) textos que analisem a situação atual da luta pelo socialismo.

Clique no link abaixo para ter acesso às edições de 1 a 53 da revista:

https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/numeros.php



terça-feira, 27 de junho de 2023

TUTAMÉIA entrevista Anita Prestes (27/06/2023)

Historiadora e professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ fala sobre a guerra na Ucrânia, a conjuntura nacional e o  lançamento na Alemanha de seu livro "Olga Benário Prestes: Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo".





quinta-feira, 22 de junho de 2023

Uma história de amor com forte viés político

Um recorte pessoal e íntimo do amor de dois personagens históricos

Matéria de capa do 2° Caderno do jornal Correio da Manhã (22 de junho de 2023 )

Leia nos links abaixo a reportagem:

Acima de tudo, uma história de amor

https://correiodamanha.com.br/cultura/2023/06/69574-acima-de-tudo-uma-historia-de-amor.html

Recorte pessoal e íntimo do amor de dois personagens históricos

https://correiodamanha.com.br/cultura/2023/06/69778-recorte-pessoal-e-intimo-do-amor-de-dois-personagens-historicos.html


OLGA E LUIZ CARLOS - UMA HISTÓRIA DE AMOR

Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana)

Até 9/7, de quinta a domingo (20h)

Ingressos: Ingressos: R$ 30, R$ 15 (meia), R$ 7,50 (associado do Sesc), e gratuito (PCG)





domingo, 18 de junho de 2023

Fernanda Montenegro, Anita Prestes e Silvio Tendler prestigiam a 1ª Semana de apresentações do espetáculo "Olga e Luiz Carlos - Uma História de Amor"

A primeira semana de apresentações do espetáculo "Olga e Luiz Carlos - Uma História de Amor" foi abrilhantada pelo público, que compareceu ao SESC Copacabana, onde a peça fica em cartaz até o dia 9 de julho, de 5a a domingo, às 20h. No dia da estreia, 15/6, contou com a presença de Silvio Tendler, que assina a criação e direção geral da peça, e de Anita Prestes, historiadora e filha do casal retratado no espetáculo.


Fernanda Montenegro e Anita Prestes com o elenco do espetáculo, Marianna Mac Niven, Julio Adrião e Vera Novello, na Arena do Sesc Copacabana – 17/06/2023.

Na apresentação deste sábado, dia 17/6, houve o encontro entre Silvio Tendler, Anita Prestes e a prestigiosa atriz Fernanda Montenegro, que, ao final, fez entusiasmados elogios do elenco a toda execução técnica e produção do espetáculo, que definiu como “bem brechtiano”.

“Olga e Luiz Carlos - Uma História de Amor” mostra a incrível história vivida por Olga Benario Prestes (Marianna Mac Niven) e Luiz Carlos Prestes (Julio Adrião) durante os seis anos em que estiveram presos, ele no Brasil da ditadura Vargas e ela na Alemanha nazista. O público é transportado pela narrativa baseada na correspondência entre ambos durante o cárcere, revelando a afinidade nas convicções políticas e o amor profundo que uniu o casal.

A dramaturgia é de Silvio Tendler e Vera Novello; A direção de encenação é de Isabel Cavalcanti; o cenário é de Lidia Kosovski; Ney Madeira e Dani Vidal assinam o figurino e visagismo; a iluminação é de Paulo Denizot; na direção musical, Marcelo Alonso Neves e a direção de movimento é de Marina Salomon. A CALIBAN produz o espetáculo em parceria com a LÚDICO PRODUÇÕES.



SINOPSE:

“Olga e Luiz Carlos – Uma História de Amor” apresenta ao público a afetuosa troca de cartas entre Olga Benário e Luiz Carlos Prestes no tempo em que permaneceram presos, de 1936 a 1942. Ele no Brasil, ela na Alemanha. Nas cartas, censuradas pela Gestapo e pela Polícia Política de Vargas, Olga e Prestes trocam informações sobre a filha, Anita Leocádia, nascida na prisão em Berlim, pouco depois da deportação de Olga. Também trocam poemas, breves reflexões; falam das condições de saúde em que vivem no cárcere; das saudades que sentem; e sobretudo da esperança do reencontro que nunca aconteceu.

SERVIÇO:

OLGA E LUIZ CARLOS – Uma história de amor

De 15 de junho a 9 de julho de 2023 de quinta a domingo às 20h

Local: Arena do Sesc Copacabana

Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira) gratuito (PCG)

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Informações: (21) 2547-0156

Bilheteria – Horário de funcionamento:

Terça a sexta – das 9h às 20h.




LEIA A MATÉRIA SOBRE A ESTREIA DO ESPETÁCULO NA PÁGINA DO SOPA CULTURAL:

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Estreia no Rio a peça teatral "Olga e Luiz Carlos – Uma História de Amor"

Dia 15 de junho, na Arena do Sesc Copacabana estreia o espetáculo "Olga e Luiz Carlos – Uma História de Amor", baseado na troca de correspondência entre o líder comunista brasileiro, Luiz Carlos Prestes (1898-1990), e a militante comunista alemã, Olga Benario Prestes (1908-1942), em que ambos se encontravam presos. Ele no Brasil, ficando 9 anos preso, em grande parte, incomunicável, e ela prisioneira, na Alemanha, do regime nazista de Adolf Hitler, vindo a ser assassinada na câmara de gás do campo de  Bernburg, em abril de 1942. A criação e direção geral é de Silvio Tendler e a direção do espetáculo de Isabel Cavalcanti.

"Olga e Luiz Carlos – Uma História de Amor"

Arena do Sesc Copacabana 

De quinta a domingo às 20h.

Endereço: R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana

sábado, 27 de maio de 2023

Estreia do espetáculo "Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança"

Via fanpage Coletivos de Galochas


O grupo de teatro Coletivo de Galochas estreia o espetáculo "Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança no dia 2 de junho, sexta-feira, no Teatro Arthur Azevedo, às 21 horas, com ingressos gratuitos.

Dirigida por Rafael Presto, que também assina a dramaturgia junto de Antonio Herci, a montagem busca reconstruir cenicamente uma das passagens mais icônicas e importantes da história do Brasil do século XX, a marcha da Coluna Prestes, que tinha por objetivo libertar o povo da exploração e da ignorância, evento que marca o fim da Primeira República.

O enredo se passa no década de 1920, quando a Coluna Prestes rasga o país. Durante a marcha, um grupo de oito pessoas, dos mais diferentes lugares, formam uma inusitada família, entrelaçando e mudando suas vidas. É com essa gente simples que Luiz Carlos Prestes aprende, forjando seu espírito revolucionário.

Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança é resultado do projeto de mesmo nome contemplado na 39ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. No processo de criação, o Coletivo de Galochas realizou oficinas profissionalizantes, ciclos temáticos de palestras sobre a prática e a fundamentação teórica do teatro historicista e intervenções artísticas em locais que foram bombardeados ou que têm relação com a Revolução Paulista de 1924.

Serviço

Espetáculo: Coluna Prestes: Encruzilhadas da Marcha da Esperança
Estreia: 2 de junho de 2023 – Sexta, às 21h
Temporada: 2 a 25 de junho - Sexta e sábado (às 21h) e domingo (às 19h).
Ingressos: Gratuitos – Retirar na bilheteria 1h antes das sessões.
Duração: 100 minutos. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos.

Sinopse: Brasil, década de 1920. A Coluna Prestes rasga o país. Durante a marcha, um grupo de oito pessoas, dos mais diferentes lugares, formam uma inusitada família, entrelaçando e mudando suas vidas. É com essa gente que Luiz Carlos Prestes aprende, forjando seu espírito revolucionário.

FICHA TÉCNICA – Direção: Rafael Presto. Dramaturgia: Antonio Herci e Rafael Presto. Direção musical, arranjos, regência e sonoplastia: Antonio Herci. Elenco / personagens: Benedita Maria de Jesus Bueno Dias (Isabel Pisca-Pisca), Daniel Lopes (Soldado Ângelo), Diego Henrique (Sargento Garcia), Eder dos Anjos (Cabo Firmino), Ivone Dias Gomes (Onça), Kleber Palmeira (Comandante Prestes), Mona Rikumbi (Tia Maria) e Wendy Villalobos (Santa Rosa). Coro Cênico: Luísa Borsari, Maria Kowales Aguirre, Matheus Kawa, Giovana Carneiro, Jota Silva, Leandro Duarte, Mateus Vicente, Nayra Priscila, Priscila Ribeiro, Silvia Lys, Tércio Moura e Victor Carriel. Musicistas/músicos: Antonio Herci (piano e sintetizadores), Jéssica Nunes (sanfona), Lula Gama (violão de 7 cordas), Miguel D’Antar (contrabaixo acústico) e Natália Lima (percussão e bateria). Cenografia, figurino e adereços: Kleber Montanheiro. Iluminação: Sueli Matsusaki e Marcos Feire. Coreografia: Letícia Doretto. Técnico de som: Gustavo Trivela. Provocação cênica: Júlio Silvério. Colaboração na criação: Nicolle Puzzi e Verônica Valentino. Audiovisual e vídeo mapeado: Diogo Gomes. Direção de produção: Gabriela Morato. Produção: Maura Cardoso. Gestão de redes sociais: Dora Scobar. Fotos: Camila Rios e Diogo Gomes. Designer Gráfico: Gustavo Oliveira. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Idealização e realização: Coletivo de Galochas.

Teatro Arthur Azevedo
Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca. São Paulo/SP.
Telefone: (11) 2604-5558. Na rede: @teatroarthurazevedosp.




sexta-feira, 19 de maio de 2023

Para download: György Lukács – “A Evolução do Racismo: da teoria das raças ao nazifascismo“ (2023) [PDF]

Em distribuição digital gratuita, o site "TraduAgindo – Formação política para a emancipação humana!" lança o livro em PDF “A Evolução do Racismo: da teoria das raças ao nazifascismo“, de György Lukács, com textos originalmente publicados no livro “A Destruição da Razão” publicado pelo Instituto Lukács, em 2020, e prefácio de Aimé Cesáire, intitulado "Introdução ao Discurso contra o Colonialismo".


O livro contem os seguintes textos de György Lukács:

  • Os inícios da teoria das raças no século XVIII
  • Gobineau e a fundação da teoria das raças
  • O darwinismo social
  • H. St. Chamberlain como fundador da teoria moderna das raças
  • A “visão de mundo nacional-socialista” e a teoria das raças

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O LIVRO EM PDF:

https://traduagindo.files.wordpress.com/2023/05/gyorgy_lukacs_a_evolucao_do_racismo.pdf

Segundo Wenderson Ribeiro, na "Apresentação" do livro, as justificativas para se destacar esse texto, em que Lukács aborda o desenvolvimento histórico da teoria das raças, e publicá-lo isoladamente da obra original “A Destruição da Razão” seriam: 

"A primeira justificativa é que ele apresenta uma abordagem original e ainda possui validade analítica ao discutir as mudanças e transformações nas teorias das raças, de acordo com os interesses da burguesia."

"A segunda justificativa está relacionada com a tradição lukacsiana no Brasil. O psicólogo e professor Márcio Farias, em seu brilhante texto “Lukács: apontamentos críticos acerca do racismo“, aborda os limites de alguns seguidores de Lukács no debate sobre a questão racial. [...] Além disso, ele critica outros que ignoram a importância da questão racial para compreender a objetivação do capitalismo brasileiro ou tratam qualquer discussão sobre racismo como “identitária”. Segundo Márcio Farias, esses seguidores lukacsianos estão aquém da abordagem rigorosa sobre raça e racismo feita pelo mestre húngaro."





[CLIQUE AQUI PARA BAIXAR “A DESTRUIÇÃO DA RAZÃO” DE GYÖRGY LUKÁCS]


FONTETraduAgindo – Formação política para a emancipação humana!

Luiz Carlos Prestes: o “Manifesto de Maio” e a “Revolução de 30”

Texto da historiadora Anita Prestes publicado no Blog da Boitempo, em 18/05/2023, comentando sobre o "Manifesto de Maio de 1930", assinado por Luiz Carlos Prestes, tornado público no Brasil no dia 29 de maio daquele ano na 2ª edição do jornal paulistano Diário da Noite. O documento consagrou a ruptura de Prestes com o movimento tenentista e explicitou sua posição revolucionária, anti-imperialista e de luta contra o latifúndio e pelo poder para os trabalhadores.

"Para impulsionar a luta revolucionária em nosso país, é necessário encarar a formação histórica em que essa luta sempre foi travada e hoje continua sendo. Uma formação histórica marcada pelo controle das instituições públicas e do Estado por classes dominantes conservadoras e poderosas, proprietárias de grandes extensões de terras e, durante quatro séculos, mantenedoras do regime escravista. Classes dominantes que sempre apelaram para inaudita violência contra os trabalhadores, impedindo as tentativas de organização popular que foram tentadas, inclusive pelos comunistas, sempre perseguidos e impedidos de alcançar vitórias que não fossem efêmeras."

LEIA O TEXTO COMPLETO CLICANDO NO LINK ABAIXO:

https://blogdaboitempo.com.br/2023/05/18/luiz-carlos-prestes-o-manifesto-de-maio-e-a-revolucao-de-30/



sábado, 13 de maio de 2023

Anita Prestes é capa do jornal alemão Berliner Zeitung



A historiadora Anita Prestes é capa da edição da última sexta-feira, dia 12/05/2023, do jornal alemão Berliner Zeitung e é retratada na página 3 por Niklas Franzen. Anita está na Alemanha participando de uma série de atividades relacionadas com o lançamento do seu livro Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung (Olga Benario Prestes. Uma abordagem biográfica), publicado pela editora alemã Verbrecher Verlag.



A reportagem aborda notícias do lançamento da edição alemã do seu livro e sobre sua visita à "pedra do tropeço" (Stolperstein)* em homenagem à sua mãe, Olga Benario Prestes (1908-1942). O título da matéria de Niklas Franzen é "Stolpersteine: Wofür Anita Prestes ihre Mutter Olga Benario bewundert" ("Tropeços: por que Anita Prestes admira sua mãe Olga Benario"). O subtítulo diz: "Nascida em uma prisão de Berlim, Anita Prestes veio a Berlim para visitar o Stolperstein em Neukölln por causa de sua mãe, que foi assassinada pelos nazistas". O primeiro parágrafo diz o seguinte:

Anita Leocádia Prestes vira na Innstraße, passa por uma loja noturna, passa por homens com garrafas de cerveja. Ela para em frente à casa número 24, olha para a fachada e depois para o chão. Sobre uma superfície dourada, ligeiramente desgastada, está escrito: “Olga Benario viveu aqui. Nascido em 1908. Preso desde 1936. Campo de concentração de Ravensbrück em 1939. Assassinado no sanatório de Bernburg em abril de 1942.” No meio de Neukölln está a pedra de tropeço para uma mulher que foi muitas coisas. Comunista, judia, internacionalista, vítima do terror nazista. Anita Prestes, 86 anos, uma mulher elegante com grandes óculos escuros, lenço de seda e cabelos tingidos de ruivo, é sua filha.



Na revista BuchMarkt, os editores Kristine Listau e Jörg Sundermeier da editora Verbrecher Verlag, falam da felicidade de ter Anita na capa da edição de 12/05/2023 do jornal alemão Berliner Zeitung.

Jörg Sundermeier comenta: “Anita Prestes é filha da mundialmente famosa revolucionária Olga Benario, que estava grávida e, portanto, extraditada ilegalmente pelas autoridades brasileiras para a Alemanha nazista em 1936. Em novembro do mesmo ano, Benario deu à luz sua filha Anita em uma prisão feminina em Berlim, e é somente graças à perseverança da avó e tia brasileiras de [Anita] Prestes, que lançaram uma campanha mundial de Paris para libertar Olga Benario e sua filha, que Anita, de pelo menos 14 meses, foi entregue à família pelos nazistas. Infelizmente, a mãe não foi libertada, embora o México tenha oferecido asilo. Olga Benário Prestes foi assassinada pelos nazistas em 1942.”

Kristine Listau acrescenta: "É bom ver que Anita Prestes ainda está tendo um impacto tão amplo com a história de sua mãe - e também sua própria história - e continua atingindo um grande público. As leituras anteriores foram todas completamente esgotadas. Também estou pessoalmente satisfeito por poder conversar com ela sobre a publicação do livro "Berliner Kommunistische Jugend" que Olga Benario publicou na União Soviética em 1929 e que estou apenas traduzindo de volta para o alemão para a primeira edição em língua alemã . O livro vai aparecer na nossa programação de outono – Anita Prestes nos prometeu um posfácio, o que também me deixa muito feliz.”



* As “Pedras de Tropeço”, Stolpersteine, são plaquinhas feitas por iniciativa de Gunter Demnig, com as informações mais importantes sobre a vida das vítimas do nazismo (não só judeus, mas também ciganos, perseguidos políticos, homossexuais e pessoas deficiências físicas e mentais), e são colocadas na frente de onde essas pessoas moravam, ou de onde elas trabalhavam.


quinta-feira, 11 de maio de 2023

"Olga Benário é exemplo de resistência contra o fascismo"

Sobrevivente do nazismo, Anita Prestes lança em Berlim livro sobre a mãe, a revolucionária comunista Olga Benário e fala sobre volta da extrema direita no mundo.

Por Rayanne Azevedo

Passados 15 anos desde a sua última visita à Alemanha, a historiadora brasileira Anita Leocádia Benário Prestes, 86, lançou nesta segunda-feira (8/5) em Berlim a edição alemã da biografia de sua mãe, a revolucionária comunista Olga Benário.




Recebida com entusiasmo e reverência pelo público em evento organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo, ligada ao partido alemão A Esquerda, Anita emocionou-se diversas vezes ao falar de Olga.

Ícones da luta antifacista, seus pais, Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, se conheceram na União Soviética. Enviados ao Brasil em 1935 para organizar uma fracassada tentativa de golpe contra a ditadura de Getúlio Vargas, a dupla acabou presa no ano seguinte.

Sob protesto internacional, Olga – que, além de comunista e judia, estava grávida de sete meses – acabaria entregue aos nazistas pelo governo brasileiro. 

Apesar da pressão internacional e dos intensos esforços da família de Prestes para libertar mãe e filha, apenas Anita pôde ser resgatada, em 1938. Olga foi assassinada pelos nazistas em 1942. Já Prestes só sairia da prisão em 1945.

Arquivos da Gestapo revelaram detalhes sobre últimos dias de Olga

Baseado em arquivos inéditos da Gestapo, a polícia secreta nazista, o livro é a tradução revista de obra publicada no Brasil em 2017 sob o título Olga Benário Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo.

Disponibilizada digitalmente em 2015, a documentação revela detalhes até então desconhecidos dos últimos anos de vida de Olga na Alemanha – como os maus-tratos, castigos e sucessivos interrogatórios a que foi submetida, e o trabalho forçado que ela e outras prisioneiras do campo de concentração em Ravensbrück, quase 100 quilômetros ao norte de Berlim, prestavam para a Siemens. 

O rigor dos nazistas era tamanho que, além de reter correspondências, eles chegaram a barrar até mesmo o envio de um livro em português a Olga – um pedido à sogra, mãe de Prestes, para ajudá-la a manter o contato com o idioma. A obra – Iracema, de José de Alencar – nunca chegou às mãos da prisioneira porque a Gestapo considerou seu conteúdo subversivo.


Os revolucionários comunistas Olga Benário e Luiz Carlos Prestes. Foto: Neue Visionen


Segundo Anita, a documentação também deixa claro que o tratamento dado à Olga, a manutenção de sua prisão e, por fim, seu assassinato, se deveram muito mais à "firmeza e convicção que ela tinha na luta que travava" do que à sua origem judaica. Para os nazistas, argumenta Anita, a alemã que se recusou a delatar companheiros era, acima de tudo, uma comunista perigosa.

"Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei", recita Anita, lembrando uma frase frequentemente proferida por Olga ao ser interrogada, e que virou epígrafe do livro. "Às vezes ela ficava dois, três meses em cela, isolada, sendo interrogada."

México, União Soviética e Inglaterra ofereceram asilo a Olga. A família Prestes, na figura da avó paterna, Leocadia, e da tia, Lygia, empenhavam-se pela sua soltura. "Mas a Gestapo era categórica: Olga era uma comunista, fanática, incorrigível. E ela tinha que delatar os companheiros. Enquanto ela não falasse, ela não saía", conta Anita à DW.

Fora da Alemanha e sem explicações ou informações concretas, a família se desesperava. As cartas redigidas por Olga, sob vigilância e censura constante dos nazistas, não forneciam nenhuma pista.

Sem notícias da filha

Sob pressão internacional, os nazistas aceitaram entregar Anita à família em 1938. O que ela só foi saber quase 80 anos depois, com a liberação dos arquivos da Gestapo, é que também nesse ponto os burocratas nazistas foram especialmente cruéis com Olga.

"Os advogados pediram que ela pelo menos visse que eu estava sendo entregue à família do meu pai. Pediram isso encarecidamente. E não foi permitido", relatou Anita à plateia em Berlim.

O receio da Gestapo, afirma, é que Olga enviasse alguma mensagem secreta pela roupa da criança. "Havia diretivas explícitas para que ela de maneira nenhuma soubesse para onde estava indo a criança. Daí a grande tensão a que ela foi submetida. Ela ficou vários dias sem saber se eu não tinha sido entregue para um orfanato nazista, que era o destino habitual dessas crianças que nasciam de pais comunistas ou judeus que estavam presos."

Em uma carta a Prestes na prisão, relata Anita, Olga descreveu aqueles como os piores dias de sua vida.

Apesar do horror, Anita diz que cresceu sabendo que os pais não queriam que ela fosse educada para ser uma vítima, e sim entender que ambos estavam felizes porque tinham a consciência da justiça pela qual lutavam.

"Olga é um exemplo de que é possível resistir contra a repressão e o fascismo. Não era só ela. Nos campos de concentração, naquelas condições assustadoras, terríveis, o pessoal resistia."

Preocupação com extrema direita e esquerda desmobilizada

O lançamento do livro em Berlim coincidiu com o Dia da Libertação, data em que a Europa celebra a capitulação da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – nascida em 1936 na prisão feminina da Barninstrasse, em Berlim, Anita é ela própria uma sobrevivente do Terceiro Reich.

Comunista convicta, a historiadora diz ver com preocupação a ascensão da extrema direita ao redor do mundo, fenômeno que associa à crise do capitalismo e à crescente concentração de renda. "Nesses momentos de crise, quando o capital [financeiro] vê que está com dificuldade de controlar a situação, aí apela para o fascismo. Foi assim nos anos 1930 e o perigo existe, está aí", afirma.

Quanto ao Brasil, ela se diz pouco otimista e critica a falta de organização popular, que atribui à herança escravagista do país. Sem um processo de conscientização e mobilização, continua, o risco é voltar a eleger alguém como o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2026. 

"O máximo que acontece hoje é: o Lula mobiliza um ato público, vai uma porção de gente que aplaude, e depois volta todo mundo para casa. Daquilo ali não sai uma organização", critica.

Ao falar à plateia em Berlim, a professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também opinou sobre as pautas identitárias. "O problema é que eles ficam cada um no seu nicho e não adquirem força para mudar a situação", avalia. "O capitalismo é o causador de todos esses problemas, daí a necessidade de lutar pelo poder e da unificação de todas essas lutas, que são importantes por si, mas perdem seu valor se ficarem isoladas."

Ela também criticou a ausência de uma cultura da memória no Brasil, citando a anistia a torturadores e o incômodo entre os militares com a Comissão da Verdade, instaurada durante o governo de Dilma Rousseff.

Em agosto do ano passado, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia chegou a defender que a corte pedisse perdão pelo chancelamento à deportação de Olga Benário.

Indagada sobre o caso, Anita reagiu com descrença, lembrando as torturas e desaparecimentos durante a ditadura militar (1964-1985). "Não sei até se já se esqueceram [do assunto no STF]", desconversou. "Acho muito pouco provável que alguém vá pedir desculpas. A tradição no Brasil é de nunca punir os torturadores e criminosos."

FONTEhttps://www.dw.com/pt-br/olga-ben%C3%A1rio-%C3%A9-exemplo-de-resist%C3%AAncia-contra-o-fascismo/a-65566863

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Vídeo do evento "Anita Leocádia Prestes sobre Olga Benário Prestes. Uma abordagem biográfica", no Literaturforum im Brecht-Haus (Fórum de Literatura na Casa Brecht)

Olga Benario Prestes celebrada como exemplo de combatente antifascista e comunista convicta





Evento organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo e realizado  no Literaturforum im Brecht-Haus (Fórum de Literatura na Casa Brecht), em Berlim, na Alemanha, nesta segunda-feira, dia 08/05/2023, Dia da Vitória (das forças aliadas - União Soviética, EUA, Grã-Bretanha, França, entre outras nações - sobre os forças nazifascistas). Neste evento, a historiadora Anita Prestes apresenta seu livro Olga Benario Prestes. Eine biografische Annäherung (Olga Benario Prestes. Uma abordagem biográfica), publicado pela editora alemã Verbrecher Verlag.


Transmissão em português: