quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Marina diz em debate da Band que Chico Mendes era elite como Guilherme Leal

Por Renato Rovai


O primeiro debate presidencial das eleições 2014 na Band foi muito mais movimentado do que o de eleições anteriores. Talvez o fato de existirem três candidatos disputando uma vaga no segundo turno permitiu mais interação entre eles.
Ninguém ganhou e ninguém perdeu.
Aécio, Dilma e Marina Silva defenderam seus programas e suas histórias políticas.
E ninguém se atacou de maneira mais grosseira ou rude.
Foi um debate de bom nível.
A grande escorregadela da noite acabou sendo de Marina Silva, exatamente ela que estava indo bem e entrou no estúdio como a estrela da noite, embalada pela pesquisa Ibope. Ela  se embananou toda numa pergunta de Levy Fidelix, o homem do Aerotrem, que a atropelou falando de Neca Setúbal, do Itaú, e Guilherme Leal, da Natura.
Marina ficou visivelmente irritada e saiu em defesa dos aliados, dizendo que a primeira era educadora o que segundo tem compromisso histórico com a sustentabilidade e o meio ambiente. E que ela não tem problema nenhum com quem é de elite. Que o problema do Brasil não é a sua elite. E ao final, cravou a pior das suas frases. Disse que Chico Mendes também era de elite tanto quanto Guilherme Leal.
Esse foi um dos temas mais debatidos no twitter. Muita gente se indignou com a frase de Marina. No twitter, quem também fez muito sucesso foi Eduardo Jorge, do PV. Ele defendeu a legalização do aborto e das drogas. E ainda deu uma provocada em Marina, pedindo-lhe para parar de apertar sua bíblia, que provavelmente estava em cima do púlpito  onde ela estava, porque senão a bíblia iria ficar tão magrinha quanto ela.
Outro momento quente do debate foi quando Aécio e Dilma debateram a Petrobrás. Dilma atacou de Petrobrax e da plataforma que afundou no mar no governo do PSDB e disse que o discurso do tucano era uma leviandade. Aécio devolveu a leviandade pra Dilma, falando que a empresa nunca se viu envolta em tanta corrupção.
O debate serviu para testar hipóteses. Os marqueteiros certamente estavam fazendo pesquisas qualis para verificar em que momento os argumentos dos seus candidatos fizeram mais estrago na campanha dos adversários.
Ninguém ganhou e ninguém perdeu, mas alguém pode ter passado o recibo que a outra campanha vai usar daqui pra frente.
Marina piscou quando confrontada com a influência que Neca Setúbal e Guilherme Leal exercem ou podem exercer sobre ela.
No final do debate, Boris Casoy fez a pergunta mais estapafúrdia. Quis saber o que Eduardo Jorge achava do projeto do controle da mídia E Dilma avançou no tema. Disse que defende a regulação econômica do setor, porque é contra o monopólio. Os irmãos Marinho devem ter se ligado neste momento. E acertado que vale qualquer um para derrotar Dilma.
Na sua fala final, Aécio diz que não dá pra o país nem continuar como está e nem entrar numa aventura, dando a entender que falava da candidatura de Marina. E anunciou que seu ministro da Economia será Armínio Fraga.

Na verdade, Aécio deixou para o final dois anúncios. O nome do ministro da Economia e a forma como vai atacar Marina. Vai dizer que ela é uma aventura.

Aula Pública Opera Mundi: por que a sociedade precisa legalizar o aborto?

Redação | Opera Mundi TV e TV Unesp

"Aborto acontece em todas classes sociais e a mulher tem esse direito, fundamental para sua autonomia", diz Nalu Faria



No terceiro episódio da segunda temporada de Aula Pública Opera Mundi, Nalu Faria, psicóloga e líder da Marcha Mundial das Mulheres, defende a legalização do aborto como uma política afirmativa para os direitos femininos.

Assista nova temporada Aula Pública Opera Mundi:
Franklin Martins: No Brasil, tentam demonizar regulamentação dos meios de comunicaçãoGilberto Maringoni: Venezuela é uma ditadura ou uma democracia?

“O aborto acontece em todas as classes sociais, não é uma questão de informação ou de acesso a métodos anticonceptivos. Estes falham e, muitas vezes, as mulheres fazem relações sexuais forçadas ou o parceiro não quer usar a camisinha. O aborto é um direito da mulher em função da complexidade da maternidade, em uma sociedade patriarcal e machista, que coloca a maternidade como o principal lugar da mulher”, analisa.


Assista ao primeiro bloco:


No segundo bloco, Nalu discute o modelo uruguaio de administração do aborto, apresentando motivos e consequências da escolha de determinados métodos. “Não é uma decisão fácil. As mulheres não são umas irresponsáveis que não sabem o que estão fazendo. O maior motivo que as mulheres alegam para ter feito aborto se refere ao tema econômico”, afirma Nalu Faria. Assista:



No terceiro bloco, a psicóloga fala sobre como o Brasil trabalha a questão do aborto e sugere propostas de lei sobre o assunto. “Se somente ter acesso à informação resolvesse tudo, nós não teríamos aborto de mulheres universitárias, da área de saúde, de psicólogas. Todas abortam. A relação com a gravidez é muito mais complexa. (...) O que necessário, é uma atuação para aumentar a autonomia das mulheres”, analisa. Assista:



FONTE: Opera Mundi

terça-feira, 26 de agosto de 2014

WikiLeaks: Israel masacra deliberadamente a los civiles en Gaza

Una reciente filtración de WikiLeaks revela que la ofensiva brutal de Israel en Gaza es una acción deliberada, y ya aplicada anteriormente, que constituye un crimen de guerra contra los civiles, afirmó un defensor de los derechos humanos de EE.UU.
Un cable de WikiLeaks enviado en 2008 por Tel Aviv al Consejo Nacional de Seguridad de EE.UU., al secretario de Defensa de EE.UU. y al secretario de Estado de EE.UU. revela que los militares israelíes aprobaron y llevaron a cabo un plan de asesinato deliberado de civiles y la destrucción intencionada de sus aldeas en 2006 en la guerra de Israel contra el Líbano y que van a utilizar el mismo plan en el futuro, afirmó Michael Ratner, presidente emérito del Centro para los Derechos Constitucionales (CCR), con sede en Nueva York, y presidente del Centro Europeo para los Derechos Constitucionales y Humanos (Berlín) en el marco de un programa del portal therealnews.com.
El cable resume la declaración de un general israelí sobre los planes de guerra aprobados, que ya fueron utilizados en el Líbano y van llevarse a cabo en el futuro, y querepresentan una doctrina militar de Israel, la llamada ‘Dahiya doctrine’. El nombre de la doctrina se refiere a un barrio civil de Beirut que fue totalmente destruido por Israel en la Segunda Guerra del Líbano. Israel aplica su doctrina Dahiya cuando asesina intencionalmente y masivamente a los civiles, cuando destruye las poblaciones y usa desproporcionadamente la fuerza, lo que constituye un castigo colectivo a un pueblo y un crimen de guerra. Según esta doctrina, las aldeas pacíficas son consideradas ‘bases militares’, subraya Ratner.
“La matanza de civiles y la destrucción de la infraestructura pública, ya sea en el Líbano o en Gaza actualmente, no es un error accidental. Se hace a propósito, un acto que es flagrantemente ilegal bajo las Convenciones de Ginebra.
Soldados israelíes, líderes israelíes y los generales israelíes podían ser juzgados por los mismos crímenes por los que los alemanes fueron juzgados en Núremberg“, asegura el defensor de los derechos humanos. “Cuando nos fijamos en la guerra continua y la devastación actual de Gaza, vemos la manifestación de la doctrina Dahiya. Se lleva a cabo su extrema barbarie. Israel ataca a Gaza con fuerza desde aire, mar y tierra con la intención de borrar a los civiles y destruir Gaza“, explica Ratner.
“Las cifras [de víctimas mortales] son increíblemente horribles”, asevera el activista. Según los datos del Comité Palestino de Derechos Humanos en Gaza, 2.086 palestinos murieron hasta el 21 de agosto. De ellos, las tres cuartas partes, 1.602 fallecidos, son civiles y casi el 25% de ellos (494) son niños, señala Ratner. “La gente debería estar gritando sobre esto”, se indigna. Además, hay cerca de 10.000 heridos, la mayoría también son civiles. Según la ONU, 350.000 palestinos fueron desplazados de sus hogares. La portavoz de la ONU, Pernille Ironside, dijo que llevará al menos 18 años reconstruir las viviendas en Gaza. “Tal vez lo que espera Israel es que Gaza sea inhabitable durante años para expulsar de allí a toda la población palestina”, sugiere el orador.

“EE.UU. es cómplice de crímenes de guerra”

El activista hace hincapié en que, a juzgar por los destinatarios del cable, todos los funcionarios de alto rango de EE.UU. conocen perfectamente la doctrina Dahiya israelí. “El general Eisenkot dejó muy claro que se trata no de una recomendación de lo que Israel debería hacer, sino de un ya plan aprobado y efectuado para utilizar una fuerza desproporcionada”, explica Ratner.
¿Cómo puede EE.UU. continuar financiando al Gobierno de Israel, que admite abiertamente que cometerá crímenes de guerra, ya cometió algunos y los va a cometer? No hay duda de que EE.UU., al financiar a Israel, está cooperando con estos crímenes de guerra, y el Congreso de EE.UU. es uno los cómplices de Israel, concluye Ratner.
Al finalizar su declaración, Ratner expresó la esperanza de que la justicia —si se lucha por ella— sentará en el banquillo de los acusados de un tribunal a los generales israelíes que implementan la doctrina Dahiya y a los mencionados funcionarios, y no a Julian Assange, que hace públicos los crímenes de los Gobiernos de EE.UU. e Israel.
(Con información de RT)
FUENTE: CubaDebate

Projeto fotográfico tocante registra a escravidão moderna que fingimos não ver

Por Jaque Barbosa

Facilmente caímos na tentação de pensar que a nossa liberdade e direitos são coisa garantida, esquecendo que há pessoas para quem isso não passa de um sonho. Lisa Kristine pôs o dedo na ferida de forma extraordinária: documentando a escravidão moderna, aquela que fingimos não saber que existe.

A ativista está há 28 anos retratando culturas indígenas ao redor do mundo, mas foi em 2009 que ‘acordou’ para o problema da escravidão dos nossos dias. A estimativa de que existem mais de 27 milhões de pessoas escravizadas e a sua falta de conhecimento sobre o tema a envergonhavam.

Assim começou sua jornada, que acabou em Modern Day Slavery, uma série cativante e ao mesmo tempo dolorosa. Seja um mineiro no Congo ou um trabalhador de olaria no Nepal, a escravidão existe e tem rostos. Lisa foi conhecê-los.















Na sua intervenção na conferência TED, em janeiro de 2012, a fotógrafa deixa o alerta, com episódios e imagens impressionantes.



FONTE: hypeness

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Anita Prestes na Semana Acadêmica de História da UFRRJ - VII SAHIS

VII SAHIS - Política, Memória e Usos do Passado



ANITA LEOCADIA PRESTES*
Apresentação: Ditadura Militar e Redemocratização
Antecedentes do golpe civil-militar de 1964. Crítica às teses presentes na historiografia sobre as causas do golpe. Causa principal da derrota das esquerdas: ausência de organização popular, ausência de forças sociais e políticas organizadas, mobilizadas e possuidoras de um projeto de transformação revolucionária do Brasil. Caráter do golpe e da ditadura implantada no Brasil. A transição do regime ditatorial para uma democracia restrita e suas consequências. As limitações da Comissão da Verdade. Sem pressão popular não se avança na redemocratização do país.
LOCAL: Anfiteatro Gustavo Dutra (Gustavão) - Prédio Principal (P1) 
DATA: 27/08 - Quarta Feira

HORÁRIO: 18H

Para mais informações: www.sahisufrrj.com

Manifestoon, Manifesto Comunista - Legendado em Português

Trechos de o Manifesto Comunista com a ajuda dos cartoones da Disney, criado pelo o cineasta independente Jesse Drew.


Manifestoon, Manifesto Comunista - Legendado em Português




No final de fevereiro de 1848, foi publicado em Londres um pequeno panfleto que acabaria por se tornar o documento político mais importante de todos os tempos: o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels. Passado mais de um século e meio, a atualidade e o vigor deste texto continuam reconhecidos por intelectuais das mais diversas correntes de pensamento. 

Karl Marx, filósofo alemão, é pai do socialismo científico, também conhecido como marxismo. Seus trabalhos influenciaram diversas áreas do saber humano, como a sociologia, a economia, a filosofia e a história. 

Friedrich Engels, também filósofo e pensador, é autor, ao lado de Marx, de diversas obras que revolucionaram o pensamento e a análise social.


Arqueólogos acham duas cidades maias "escondidas" na selva

DA REUTERS

Arqueólogos descobriram duas cidades maias "escondidas" na selva na região sudeste do México.

O pesquisador que lidera os estudos , Ivan Sprajc, professor associado do Centro de Pesquisa da Academia Eslovena de Ciência e Artes, disse que a equipe encontrou as cidades de Lagunita e Tamchen na península de Yucatán em abril, após análise de imagens aéreas da região. Ele disse acreditar que pode haver outras cidades ao redor para serem descobertas.

Ruínas da cidade maia Lagunita, que foi descoberta por arqueólogos no meio da selva


Nas duas cidades, os cientistas acharam prédios que se parecem com palácios, além de pirâmides e praças. Uma das pirâmides tem cerca de 20 metros de altura.

Os arqueólogos também encontraram uma fachada com uma entrada que mais parece uma boca monstruosa, que provavelmente estava em uma das entradas principais do centro da cidade.

As cidades atingiram seu auge nos períodos Clássico tardio e Pós-Clássico (600 a 1000 d.c.).

Sprajc disse que sua equipe mapeou de 10 a 12 hectares em cada local, mas as cidades provavelmente eram maiores. Eles também elaboraram mapas dos centros religiosos e administrativos das duas cidades.

No ano passado, o pesquisador descobriu outra antiga cidade maia, Chactun, perto de Lagunita e Tamchen.

FONTE: Folha de São Paulo, 25 de agosto de 2014. 



domingo, 24 de agosto de 2014

Getúlio Vargas: o suicídio como arma política

Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas cometeu suicídio

Para o grande jurista e advogado Evandro Lins e Silva, a melhor explicação para o suicídio de Vargas foi dado por uma revista francesa, sob o título O suicídio como arma política. Nessa reportagem, segundo Lins e Silva, o autor mostrava que, com seu gesto, Getúlio Vargas tinha conseguido dominar, paralisar, desmoralizar a conspiração que pretendia alijá-lo do poder.




As duas cartas de Getúlio Vargas

A história ainda não tem um veredicto sobre as mensagens atribuídas ao presidente, deixadas como testamento político, por ocasião de seu suicídio



Antes de se suicidar com um tiro no peito, Getúlio Vargas (1882-1954) escreveu uma carta-testamento ainda hoje polêmica, pois existem dela duas versões: uma manuscrita, bastante concisa, e outra mais longa, datilografada, que foi distribuída para a imprensa como a mensagem oficial do político ao povo brasileiro. Em ambas, porém, Getúlio informa que deu cabo à própria vida em virtude de pressões de grupos internacionais e nacionais contrários ao trabalhismo – ou seja, criou sua versão das “forças ocultas” que algumas vezes leva a rupturas no poder.

Os dois documentos são ainda um libelo pró-nacionalismo e recendem personalismo, uma das marcas registradas do político. Getúlio se colocou, até na hora da morte, como defensor do povo e líder martirizado justamente para libertar os brasileiros. “Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco”, registra a versão datilografada. No manuscrito, há um trecho com recado semelhante. “Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes.”

Há quem atribua o estilo do texto “oficial” ao redator dos discursos de Vargas, o jornalista José Soares Maciel Filho. De fato, Maciel Filho confirmou à família do presidente que datilografou a versão lida para a imprensa, mas nada disse sobre tê-la modificado. De todo modo, por causa da carta-testamento, Maciel Filho é conhecido como o ghost-writer que saiu da sombra habitual do redator de aluguel para entrar para a história.

TEXTO MANUSCRITO

“Deixo à sanha dos meus inimigos, o legado da minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa.
Acrescente-se a fraqueza de amigos que não defenderam nas posições que ocupavam à felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês, à insensibilidade moral de sicários que entreguei à Justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país contra a minha pessoa.
Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria.
Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me.
Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas.
Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes.
Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos.
Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus.
Agradeço aos que de perto ou de longe me trouxeram o conforto de sua amizade.
A resposta do povo virá mais tarde...”


TEXTO DATILOGRAFADO

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fi z-me chefe de uma revolução e venci.
Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.
Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”



Dossiê "O Colapso das Ditaduras: Rupturas e Continuidades"



Sumário

Apresentação


O COLAPSO DAS DITADURAS: RUPTURAS E CONTINUIDADESPDF
MONICA PICCOLO, RENATO LEMOS

Dossiê

UMA HISTÓRIA POSITIVA DA DITADURA: a narrativa dos militares sobre os “anos da revolução”PDF
EDUARDO DOS SANTOS CHAVES
INÊS É VIVA: testemunho e esquecimento durante a transição brasileiraPDF
MAURO EUSTÁQUIO COSTA TEIXEIRA
O ANTICOMUNISMO DO SERVIÇO NACIONAL DE INFORMAÇÕES NA DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRAPDF
DANIEL TREVISAN SAMWAYS
RECUERDOS IMBORRABLES: do Golpe ao Exílio, as marcas do Terrorismo de Estado nas memórias dos emigrados argentinos no Rio Grande do SulPDF
JORGE CHRISTIAN FERNÁNDEZ
MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA: apontamentos para uma história do movimento argentino pelos direitos humanos (1976-2004)PDF
MARCOS OLIVEIRA AMORIM TOLENTINO
A DITADURA BONAPARTISTA DO GRANDE CAPITAL: a questão dos regimes políticos nas interpretações históricasPDF
FELIPE DEMIER
OS TRABALHADORES BRASILEIROS E A “CONTRARREVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA”PDF
MARCELO BADARÓ MATTOS
FRANQUISMO Y ANTIFRANQUISMO EN EL FINAL DE LA DICTADURA ESPAÑOLAPDF
JAVIER TÉBAR HURTADO
A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS: revolução e democracia, um debatePDF
RAQUEL VARELA, ANTÓNIO SIMÕES DO PAÇO, JOANA ALCÂNTARA
O OUTRO 25 DE ABRIL E AS DIRETAS JÁPDF
VALERIO ARCARY
ELIO GASPARI E O ELOGIO DA TRANSIÇÃO CONSERVADORAPDF
GILBERTO CALIL

Estudo de caso

A AÇÃO POLÍTICA DO INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS SOCIAIS (IPES) ATRAVÉS DE DOCUMENTÁRIOSPDF
ELAINE DE ALMEIDA BORTONE

Entrevista

.PDF
CONCEIÇÃO RAPOSO

Para renovar marxismo, é preciso recuperar herança revolucionária de autores do século XX, diz pesquisador

Álvaro Bianchi, professor de Ciência Política da Unicamp, faz reflexão contemporânea do socialismo no livro Arqueomarxismo


No livro Arqueomarxismo, o professor de ciência política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Álvaro Bianchi defende um recorte contemporâneo para analisar a obra de Karl Marx e o socialismo. “Se quisermos renovar o marxismo, precisamos recuperar a herança revolucionária e o pensamento criativo destes pensadores do início do século XX”, diz Bianchi.



Segundo o autor, a ideia é conduzir o leitor a pensar as questões sociais e políticas “para fora do reformismo e direto para o debate estratégico do socialismo”, diz Bianchi.


Lenin, Trotsky, Gramsci e Lukács são autores cujas obras permanecem vivas e precisam ser permanentemente relidas e atualizadas, a partir da experiência de hoje dos pensadores marxistas, diz o autor.

Bianchi prefere não utilizar a palavra “clássico” para esses pensadores, pois acredita que isso cria um “sentido cânone” à obra. “Não gosto da expressão ‘clássico’. Quando um autor é visto dessa forma, ele é inserido no interior de um cânone e acaba cristalizado. Ou seja, sua obra se transforma apenas em modelos a serem imitados”, diz o pesquisador, ao explicar o título da obra.


“Antes de teóricos da economia, da política ou da cultura, os autores que estão em ‘Arqueomarxismo’ eram revolucionários”, analisa.


Arqueomarxismo
Álvaro Bianchi
Edição: Alameda (tel.: 11 3012-2400)
Preço: R$ 40,00 (227 páginas)

FONTE: Opera Mundi