domingo, 4 de janeiro de 2015

BANCADA DA MÍDIA SE UNE CONTRA DEMOCRATIZAÇÃO

As primeiras reações à proposta de debate sobre a democratização da mídia no Brasil já mostram o tamanho da resistência; na Câmara dos Deputados, o polêmico Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já deu o seu 'não passarão'; no Senado, o tucano Aloysio Nunes (PSDB-SP) pregou o combate nas ruas contra a regulação do setor; antes deles, Alberto Goldman já havia batido duro na ideia; no entanto, a regulação da mídia nada tem a ver com censura nem é típica de governos bolivarianos; na Inglaterra, o bilionário Rupert Murdoch se viu forçado a depor numa comissão de inquérito e ainda teve de fechar um jornal, o News of the World, envolvido com grampos ilegais (alô, Veja); no Brasil, o embate será tenso, mas a Globo, de João Roberto Marinho, a Folha, de Otávio Frias, e a Abril, de Gianca Civita, não podem se queixar da falta de amigos

247 - Não será nada simples a missão do ministro Ricardo Berzoini, nas Comunicações. Bastou que ele anunciasse a intenção de promover um debate sobre a regulação econômica dos meios de comunicação, prevista na Constituição Federal, para que diversas vozes se levantassem.
 “Quero reafirmar que seremos radicalmente contrários a qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia”, disse o polêmico Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje empenhado na tarefa de fazer amigos e influenciar pessoas para, assim, se tornar presidente da Câmara dos Deputados (leia mais aqui).
O cálculo de Cunha atende a seus próprios interesses – e de mais ninguém. Ao defender o cartel dos Marinhos, Civitas e Frias, ele poderá chegar a fevereiro, mês em que ocorre a eleição da Câmara, livre de eventuais disparos contra sua candidatura.
A partir do grito de guerra de Cunha, a bancada da mídia começou a se organizar. O segundo a falar, neste sábado, foi o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). "Todos os que se opõem ao governo Dilma têm o dever de se unir no Congresso e nas ruas para o combate sem trégua a essa tentativa criminosa. O que está em jogo é a liberdade de expressão, cerne da vida democrática", disse ele (leia mais aqui).
Nada mais tolo do que esse argumento. Nos Estados Unidos, a regulação econômica existe há quase um século e proíbe, por exemplo, a propriedade cruzada. Isso significa que donos de emissoras de televisões não podem possuir jornais. A tese que inspirou os americanos – esses bolivarianos...– é que quanto maior a pluralidade de informações, mais vigor terá a democracia.
O Brasil, no entanto, embora seja a sétima economia do mundo, tem a família midiática mais rica do planeta: os Marinho, que têm US$ 21 bilhões de patrimônio, segundo a Bloomberg. Quem está certo: o mundo ou o Brasil?
Proteção contra desvios éticos
A regulação da mídia não tem como função, apenas, estimular a concorrência, a pluralidade e, portanto, a democracia. Ela também serve para coibir desvios éticos.
Um exemplo disso foi o que ocorreu na Inglaterra – outra sociedade tipicamente bolivariana...– onde o bilionário Rupert Murdoch foi chamado a se explicar diante de uma comissão parlamentar sobre os grampos ilegais promovidos pelo jornal News of the World.
Para quem não se lembra, editores do jornal de Murdoch subornavam policiais para obter dados sobre a intimidades de celebridades, num país obcecado pela vida pessoal de ricos e famosos. O fim da história é conhecido: o News of the World fechou, publicando, em sua última edição, um pedido de desculpas aos leitores e à sociedade britânica que, nem por isso, se tornou menos democrática.
No Brasil, quem mais se aproximou desse tipo de jornalismo nos últimos anos, foi a revista Veja, enquanto durou sua parceria com o contraventor Carlinhos Cachoeira e sua trupe de ex-policiais.
Talvez por isso mesmo lideranças do PSDB, com quem a Abril mantém histórico alinhamento, tenham sido as primeiras vozes a questionar o processo de democratização da mídia. "Para os próprios meios de comunicação e para setores da oposição, na falta de uma explicação melhor, ela representa a tentativa de impedir que as críticas aos governos petistas sejam divulgadas", disso o ex-governador Alberto Goldman, evocando a tese da 'censura'.
Utilizar esse argumento para obstruir um debate já feito por sociedades de democracia bem mais consolidada do que a brasileira é apenas uma forma de proteger cartéis midiáticos e tentar obter deles algum tipo de proteção. Simples assim.
FONTE: Brasil 247

Jornalismo envenenado desrespeita a memória de Mário Lago

Para Graça Lago, a nomeação de William Bonner para o prêmio Mário Lago "foi uma decisão política da Globo. Uma tentativa de fazer um desagravo ao Bonner."


Matéria da CARTA MAIOR




"Acredito que as palavras dela jogam luz onde queriam sombras," diz Mario Lago Filho, irmão da jornalista Graça Lago. Ela é a filha do ator Màrio Lago cuja indignação, em nota redigida há cerca de dez dias, mobilizou e continua repercutindo em todo o Brasil, nas redes sociais e na mídia digital. Ela denuncia a manipulação política da TV Globo mudando “o perfil do premio” que leva, há 13 anos, o nome de seu pai, tradicionalmente uma homenagem a profissionais - atores, atrizes, compositores, cantores - do mundo da dramaturgia e do entretenimento.

Este ano, de repente, o premio foi conferido a um jornalista - da Globo, é claro ... -, o editor chefe do principal telejornal da emissora que vem perdendo audiência de modo significativo. Um profissional duramente criticado, durante 2014, pela crescente manipulação do noticiário de modo geral e pela chocante agressividade ao entrevistar a Presidente Dilma Roussef, então em campanha eleitoral, com uma abordagem grosseira à candidata e definitivamente reveladora das suas ideologias particulares permeando o jornalismo envenenado que pratica.

Um exemplo acabado do tipo de jornalismo dos chiens de garde; os cães de guarda* das redações, como se referem os franceses àquele profissional que, em outra oportuna expressão, essa cunhada pelo jornalista Mino Carta, consegue ser pior do que os seus patrões.

“A questão é a mudança do chamado “perfil” do prêmio. Agora, teve uma conotação nìtidamente política,” escreve Graça, ao nos responder à entrevista. “Ele sempre foi dedicado a artistas, especialmente atores, com três exceções: Gilberto Gil, Roberto Carlos e Hebe Camargo. Foi uma decisão política da globo, com certeza. Uma tentativa de fazer um desagravo ao bonner. Mas, pela péssima repercussão que teve essa decisão, parece que foi um tiro no pé. Eles ainda não entenderam que o povo não é bobo.”

“Neste ano,” observa Graça Lago à Carta Maior, ”foi tudo diferente, desde o formato. A Globo transformou a premiação (que sempre foi despretensiosa) em um grande ato político. É importante frisar isso. Em um ato sem comparação na própria história da emissora, dedicou quase mais de uma hora do faustão ao prêmio, com inesgotáveis elogios ao bonner e ao jornal nacional. Foi quase um longa-metragem, um ato político com o objetivo de desagravar o jornalista e o decadente jornalismo global que vem sendo duramente criticado pelo  facciosismo, partidarismo e reacionarismo. A globo não faz jornal; faz panfleto. E o bonner é um dos alicerces dessa postura.”

O que mais indignou a família do ator falecido em 2002 e conhecido pela sua integridade e posições políticas à esquerda foi o fato da  Globo relacionar, no troféu, o nome de Mário Lago, militante notório e permanente das causas sociais e do Partido dos Trabalhadores à atuação de um mau jornalista que se arvora, com hipocrisia, imparcial, neutro e isento no exercício da profissão; mas que na verdade defende suas convicções reacionárias envenenando a informação cotidiana.  

“Um posicionamento que é, em tudo, o oposto do que o meu pai sempre defendeu e pelo que lutou a vida toda, o que rendeu a ele sete prisões políticas,” lembra a filha de Mário Lago. “ Além disso, desde 1989 papai estava alinhado com o PT, participou de campanhas do PT, militou no partido (embora não fosse filiado, porque também nunca se filiou a qualquer partido, nem ao PCB). Foi uma ofensa à memória dele, à sua história, a tentativa de associar o seu nome a algo e a uma pessoa que ele, se estivesse vivo, certamente condenaria e combateria. Papai não emprestaria o nome dele a esse papel. A mim, causou tanta indignação quanto como se tivessem entregado o Troféu Mário Lago diretamente ao retroaecio - (desculpem, eu não nomeio a pessoa.) ”

“E, como se não bastasse, o Bonner, na sua fúria antidemocrática, ainda lançou críticas às redes sociais especialmente àqueles que o criticam e ao jornalismo da  globo; portanto, nós. Nos chamou de robôs, de instrumentalizados, de estar a serviço de partidos (como se o JN não estivesse!). Foi demais.”

A família soube da premiação, na sua primeira versão, quando ela foi ao ar. “Foi uma surpresa. Fiquei profundamente emocionada quando, passados apenas sete meses da morte de papai, foi anunciado o prêmio, com um belo clipping sobre a trajetória dele e dedicado à grande atriz e pessoa de Laura Cardoso.”

Pergunto à Graça: Alguma vez a Globo procurou vocês pedindo autorização, até por uma questão de delicadeza, de consideração, de polidez, para usar o nome de Mário Lago neste troféu?

“Não. Mas nós procuramos não submeter a herança e a memória de papai a barreiras que tornem inaccessível o acesso a ele. Nesse aspecto, somos bastante liberais. O que impedimos é o uso indevido, é a distorção, é o uso comercial descontrolado, é o desrespeito. Então, o prêmio nos pareceu uma maneira de manter viva a memória dele junto àquele público. Uma coisa boa. Só neste ano, quando a globo imprime um caráter essencialmente político ao prêmio e usa o nome de papai para beneficiar uma pessoa contrária a ele é que isso pesou. Mas parece que foi o último ano do prêmio. Depois desta vez, espero sinceramente que sim.”

Vocês consultaram advogado, ou pretendem fazê-lo, para desautorizar a Globo de instituir, no futuro, esse premio com o nome do seu pai? Vocês vão à justiça?

“Depois de 13 anos, fica difícil, do ponto de vista jurídico, questionar a existência do Troféu Mário Lago. Mas não acredito que será necessário. Duvido que a globo repita a premiação.”
 
E vocês, filhos de Mário Lago, vão levar adiante o projeto de instituírem o verdadeiro Prêmio Mário Lago em 2015?

“Alguns amigos, como o produtor cultural Paulinho Figueiredo e o Márcio Brant, deram essa ideia, do Troféu Verdadeiro Mário Lago. A cerimônia seria no BIP-BIP, em Copacabana, único bar que tem projeto social e compromisso político. É um reduto democrático e cultural do Rio. Pode ser que role. Será uma votação democrática. Mas eu já tenho algumas indicações: se for artista, a cantora Beth Carvalho, guerreira de 2014, e o ator e eterno grande aprendiz Tonico Pereira. Se for jornalista, todos os profissionais dos blogs de resistência ao monopólio da mídia. Sempre recomendo: quem quiser se informar vá aos blogs.”
 
A repercussão do fato continua. Como ela está sendo agora?

“A repercussão é muito além do que eu pensava. O assunto esteve no topo dos assuntos mais populares em blogs como o Viomundo, Diário do Centro do Mundo, BR 24/7... é espantoso. Em um único dia, recebi mais de mil pedidos de amizade no facebook. Não estou dando conta de responder todas as mensagens. Só recebi três mensagens negativas, me condenando. O que mais vem é apoio. Há pessoas que até me chamam de corajosa, exemplar, guerreira. Isso tem muito a ver com a força que se acredita que a globo tenha. Muitos temem a globo, inclusive pessoas cujas carreiras nem passam perto do mercado da globo. Por isso, acho que acabou sendo um tiro no pé que colocou sob os holofotes o que estava se aquietando. Foi um erro enorme de marketing, falando a linguagem deles. Não sei quem aconselhou ou exigiu, mas esse alguém errou porque voltou a chamar enormemente a atenção para os desmandos da emissora.”

Nem todos percebem que em 50 anos, o mundo mudou e cada vez há menos Homers Simpsons na audiência do JN - aqueles mesmos robôs assim batizados pelo próprio editor chefe do noticiário, no passado.

Abaixo, a nota de Graça Lago.
 
 
“Primeiro, me apresento – sou Graça Lago, filha de Mário Lago, tenho 63 anos, 50 de militância política e 46 de jornalismo. O prêmio com o nome de papai foi instituído em 2002, ano da morte dele, e parecia uma homenagem bacana à memória dele. Nada grandioso, nem um pouco espetacular, apenas um prêmio corriqueiro de uma emissora de TV (onde ele trabalhou muitos anos) e destinado a homenagear artistas, principalmente atores. Nada especial, mas que poderia manter a sua lembrança viva. Bacana. 

 
Nunca nos consultaram sobre isso, mas confesso que fiquei profundamente emocionada quando, passados sete meses da morte de papai, foi anunciado o prêmio, com um belo clipping sobre a trajetória dele e dedicado à grande atriz e pessoa de Laura Cardoso. Durante todos esses anos, o prêmio se manteve em um patamar honesto, com homenagens a diferentes artistas. Ainda que não concordasse com um ou outro, nenhum ofendia a memória de papai; nem na escolha e nem na cerimônia, é importantíssimo registrar. 
 
Mas, desta vez, foi tudo diferente, foi tudo armado e instrumentalizado (como quer o bonner) para fazer da premiação um ato político, de defesa das orientações facciosas da globo e de seu principal (embora decadente) telejornal. Foi uma pretensa maneira de usar o prêmio para abafar as críticas que a partidarização do JN e de seu editor/apresentador vêm recebendo. 

 
Em tudo o prêmio fugiu aos seus propósitos originais. Bonner não é um artista, a não ser na arte de manipular e omitir os fatos. O evento virou um circo de elogios instrumentalizados. Enaltecer a “imparcialidade” com que ele e sua parceira conduziram as entrevistas com os presidenciáveis é esquecer que ele não deu espaço para uma só resposta de Dilma Rousseff; é esquecer que ele e sua parceira ocuparam mais da metade do tempo estipulado para a entrevista com a presidenta. É esquecer que esse tratamento não foi dedicado a qualquer outro entrevistado. É esquecer que, mesmo no auge das denúncias sobre os escândalos dos aeroportos de Cláudio e Montezuma, o sr. Aécio não foi pressionado nem um terço do que foi Dilma Rousseff para explicar os flagrantes delitos dos empreendimentos. É esquecer que, mesmo frente às denúncias da ilegalidade do jato de Eduardo Campos, a sra. Marina não teve qualquer questionamento contundente (e viajava, sim, no jato). Isso para não falar de mil e outros atos de atentado à informação, praticados no JN, como bem foi demonstrado pelo laboratório da UERJ.

 
Mas não parou aí. Ouvir o bonner criticar as redes sociais revirou o meu estômago. Ouvir o bonner chamar os que o criticam, e à Globo, de robôs instrumentalizados é inqualificável. É um atentado à democracia. 
 

Tudo demonstra que o prêmio, criado talvez até por força de uma admiração por meu pai, foi usado este ano politicamente, para proteger, com a respeitabilidade e memória de Mário Lago, o que não tem respeito, nem nunca terá.
 
Se a intenção foi política, politicamente me manifestei. 
 
Não poderia ouvir calada todas essas imensas ofensas à memória de meu pai. Meu pai era um homem político, e assim se manifestava e comportava cotidianamente. Não aceitaria, jamais, ser manipulado por excrescências como essa. Vi meu pai recusar propagandas bem remuneradas por discordar politicamente delas. Sempre trabalhou e ganhou o seu salário com a maior decência. Por sua postura, mereceu a admiração e o respeito até de homens como Roberto Marinho. No final dos anos 60, o Exército informou à Globo que queria papai como apresentador das Olimpíadas do Exército. Seria uma maneira de humilhá-lo, de jogar no lixo a sua biografia. Roberto Marinho recusou o pedido justificando da seguinte forma: “Se o Mário recusar, terei que demiti-lo; se o Mário aceitar, perderei o respeito por ele”. Meio século depois, a Globo tentou jogar no lixo a biografia do meu pai. A isso digo não e me manifesto publicamente sobre a imensa farsa montada nesta premiação do jornalismo mais instrumentalizado e faccioso deste país.
 
*Les chiens de garde, título do livro do jornalista e escritor Paul Nizan.

sábado, 3 de janeiro de 2015

AMÉRICA LATINA: CUATRO TEMAS CANDENTES

Por Atilio Boron

CUATRO TEMAS CANDENTES en cuatro breves entrevistas que me hicieron en Chile, ahora disponibles en YouTube:

a) LA IZQUIERDA Y EL ESTADO NACIÓN

b) EL PROCESO CHILENO Y SUS ASIGNATURAS PENDIENTES

c) EL PT, BRASIL Y AMÉRICA LATINA

d) VENEZUELA SIN CHÁVEZ: DESAFÍOS Y FORTALEZAS DEL PROCESO BOLIVARIANO 

Biblioteca Feminista: centenas de textos gratuitos para download

Por Camila Garófalo
Feminismo não é contrário de machismo. No Brasil, o movimento feminista luta para que não seja mal interpretado, afinal, machismo sugere a superioridade do homem sobre a mulher enquanto feminismo almeja a igualdade entre os dois sexos.
Para esclarecer essas e outras questões, a Biblioteca Feminista apresenta um universo vasto sobre Democracia e Participação, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Legislação, Normas Jurídicas e outras Publicações da Articulação de Mulheres Brasileiras para download gratuito.
A biblioteca é parte da Universidade Livre Feminista e tem como intuito de apoiar seus cursos. Fazem parte do acervo as leituras complementares que lá forem citadas e que estiverem disponíveis na forma digital sem restrições de direitos autorais.

"Luiz Carlos Prestes entrou vivo no Panteon da História" (Romain Roland, 1936, Prêmio Nobel de Literatura)






Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro

Queiram ou não os seus adversários e críticos de plantão, a ausência física de Luiz Carlos Prestes não nos impede de falar de legados políticos, entendidos como um conjunto de valores e princípios de modo a formar uma cultura política. Dos pilares dessa cultura política, o historiador Lincoln de Abreu Penna enumera três, ao participar do Seminário "Prestes - 20 anos sem o Cavaleiro da Esperança", realizado pela UFRJ, em setembro de 2010: o repúdio às injustiças sociais e a luta para superá-las; o primado do altruísmo, da solidariedade, sobre o individualismo; a vontade política voltada às transformações como motivação das ações na vida pública. Sobre eles, Lincoln traça os seguintes comentários:

O primeiro pilar esteve presente no engajamento de Prestes quando ainda jovem oficial do exército. Revoltou-se e liderou ao longo da década de vinte o movimento tenentista;O segundo acompanhou toda a sua trajetória de vida. O altruísmo e a solidariedade aos companheiros e aos segmentos sociais ligados ao mundo do trabalho sempre deixaram em segundo plano eventuais desejos individuais;E no que se refere ao terceiro pilar, a postura revolucionária o levou a trilhar uma das mais destacadas vidas no campo das lutas em defesa do ideário socialista;É por essa razão que a esperança foi intensamente representada pela figura do seu Cavaleiro, a percorrer o Brasil de Norte a Sul, de Leste à Oeste, levando a bandeira da libertação.

O historiador Lincoln Penna, conclui afirmando que de Prestes devemos guardar alguns princípios e ensinamentos:
O princípio da coerência ideológica;O ensinamento de que o compromisso com a causa da revolução supera os eventuais interesses individuais;O princípio e o ensinamento do dever cívico, que passa pela defesa da soberania nacional e do internacionalismo;A integridade moral diante das adversidades;A capacidade de contrariar maiorias, tendências dominantes, em nome da determinação da luta

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

MARX Y LAS CIENCIAS SOCIALES. Atilio Boron, Miguel Vedda, Néstor Kohan.


La teoría crítica marxista frente al capitalismo del siglo XXI. La concepción materialista de la historia y la filosofía de la praxis frente al fetichismo y la fragmentación de los saberes oficiales. Presentación de la nueva cátedra "De la teoría social de Marx a la teoría crítica latinoamericana". Carrera de Sociología, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Buenos Aires (UBA). Programa de la materia en página web del CIPEC (Centro de Investigación en Pensamiento Crítico): www.cipec.nuevaradio.org


Não percam!!! Entrevista de Anita Prestes sobre o livro de Daniel Aarão Reis (biografia de L.C. Prestes)

Onde: PROGRAMA FAIXA LIVRE, rádio Livre- 1440 

Data: dia 6 de janeiro

Horário: 9h10min.

Entrevista de Anita Prestes sobre o livro de Daniel Aarão Reis (biografia de L.C. Prestes)



PÁGINA ONLINE DO PROGRAMA LIVRE: 


Documentário Fatos, Não Palavras, mostra a realidade em Cuba

Nesta data, 1º de janeiro, em que se comemora os 56 anos do triunfo da Revolução Cubana, o documentário argentino Fatos, Não Palavrasaborda os direitos humanos em Cuba e mostra como funciona na prática o maior projeto socialista da América Latina.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O império e a legitimação da tortura

Por Atilio Boron

ALAI AMLATINA, 12/12/2014.- A publicação do Relatório do Comité de Inteligência do Senado dos Estados Unidos dado a conhecer há dias descreve de forma minuciosa as diferentes “técnicas de interrogatório” utilizadas pela CIA para extrair informação relevante na luta contra o terrorismo. O que foi tornado público é apenas um resumo, de umas 500 páginas, de um estudo que contém umas 6.700 e cuja primeira e rápida leitura produz uma sensação de horror, indignação e repugnância como poucas vezes experimentou quem escreve estas linhas. [1] Os adjetivos para qualificar esse lúgubre inventário de horrores e atrocidades não conseguem transmitir a patológica desumanidade do que ali se conta, apenas comparável às violações dos direitos humanos perpetradas na Argentina pela ditadura cívico-militar, ou as que no quadro do Plano Condor se consumaram contra milhares de latino-americanos nos anos de chumbo.

O Relatório é susceptível de múltiplas leituras, que animarão seguramente um significativo debate. Para começar digamos que o simples facto da sua publicação produz um dano irreparável para a pretensão estado-unidense de se erigir em campeão dos direitos humanos, sendo que uma agência do governo, com linha direta para a Presidência, perpetrou estas atrocidades ao longo de vários anos com o aval – caso de George W. Bush - ou a displicente indiferença do seu sucessor na Casa Branca.

Obviamente, se já antes os Estados Unidos careciam de autoridade moral para julgar terceiros países por presumíveis violações dos direitos humanos, depois da publicação deste Relatório o que Barack Obama deveria fazer seria pedir perdão à comunidade internacional (coisa que desde logo não fará, ou não o deixarão fazer, como o demonstrou o escândalo da espionagem às comunicações), interromper definitivamente a publicação dos relatórios anuais sobre a situação dos direitos humanos e do combate al terrorismo onde se qualifica o comportamento de todos os países do mundo (excepto os Estados Unidos, juiz infalível que não pode ser julgado) e assegurar-se de que práticas tipificadas como torturas pelo Relatório senatorial não apenas não voltarão a ser utilizadas pela CIA ou pelas forças regulares do Pentágono como também pelo número crescente de mercenários alistados para defender os interesses do império, o que igualmente não tem demasiada probabilidade de ocorrer.

Precisamente, a ideia de nutrir cada vez mais as forças do Pentágono com mercenários recrutados pelos seus aliados no Golfo Pérsico (Arabia Saudita, Emiratos, Qatar, etc.) ou por companhias especializadas, como Academi (a tenebrosa ex Blackwater) é libertar o governo dos Estados Unidos de qualquer responsabilidade por violações dos direitos humanos que estes “contratistas”, como eufemisticamente são denominados, possam cometer. Ao “terceirizar” deste modo as suas operações militares no exterior a aplicação de torturas contra presumíveis, ou verdadeiros, terroristas realiza-se à margem do que a Convenção de Genebra estipula, ao estabelecer que os prisioneiros de guerra devem ter garantias jurídicas de defesa e ser tratados de modo humanitário. Os mercenários ou “contratistas”, pelo contrário, são bandos contratados por Washington para operações especiais, atuando à margem de qualquer lei. Não têm prisioneiros mas “detidos”, que podem manter sob custódia todo o tempo que considerem necessário, negando-lhes o direito à defesa e deixando-os à mercê dos maus-tratos ou das torturas que os seus captores decidam aplicar-lhes, gozando para isso de total impunidade.

Em segundo lugar, o relatório evita considerar que a tortura foi legalizada pelo Presidente George W. Bush. Tal como apontamos num estudo publicado em 2009, a tortura como uma prática habitual vinha sendo utilizada desde há muito tempo pela CIA e outras agências do governo federal. No referido texto dizíamos que “a partir dos atentados de 11 de Setembro e da nova doutrina estratégica estabelecida pelo presidente George W. Bush no ano seguinte (“guerra contra o terrorismo”, “guerra infinita”, etc.) as torturas a prisioneiros, sejam estes supostos combatentes inimigos ou simples suspeitos, tornaram-se prática habitual nos interrogatórios, tal como também os tratos desumanos ou degradantes infligidos às pessoas sob custódia das tropas estado-unidenses. A fim de evitar as consequências legais que decorrem desta situação Washington adotou como uma das suas políticas a transferência dos seus prisioneiros para prisões situadas em países onde a tortura é legal ou nos quais as autoridades não têm interesse algum em impedi-la, sobretudo se se trata de favorecer os planos estado-unidenses; ou enviá-los para o Afeganistão, Iraque ou a própria base norte-americana de Guantánamo, onde se pode interrogar brutalmente qualquer prisioneiro sem qualquer tipo de acompanhamento judicial e sem a presença de observadores incômodos como, por exemplo, a Cruz Vermelha Internacional.” [2]

Para assombro de próprios e alheios, mesmo depois de ter sido dado a conhecer o Relatório do Senado o porta-voz da Casa Branca fez apelo a ridículos eufemismos quando transmitiu o repúdio do presidente Obama pelo que nele é revelado: condenou os “duros e atrozes interrogatórios” praticados pela CIA, evitando utilizar o termo correto para definir o que segundo a Convenção Contra a Tortura e outros Tratos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes é pura e simplesmente isso: tortura. No seu artigo primeiro a Convenção estabelece que “Se entenderá pelo termo ‘tortura’ todo ato pelo qual se inflija intencionadamente a uma pessoa dores ou sofrimentos graves, sejam físicos ou mentais, com o fim de obter dela ou de um terceiro informação ou uma confissão; de a castigar por um ato que haja cometido, ou se suspeite que tenha cometido; ou de intimidar ou coagir essa pessoa ou outras, ou por qualquer razão baseada em qualquer tipo de discriminação, quando as referidas dores ou sofrimentos sejam infligidos por um funcionário público ou outra pessoa em exercício de funções públicas, sob instigação sua, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerarão torturas as dores ou sofrimento que sejam consequência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes ou decorrentes destas.” [3]

De acordo com esta definição é impossível sustentar que práticas tais como a “reidratação retal”, a “hipotermia”, a “alimentação retal”, suspender a vítima de uma barra, ameaçar violar a sua esposa ou filhas, a proibição de dormir ou o “submarino” (“waterboarding”, como se lhe chama em inglês) aplicadas cruelmente durante horas y dias para interrogar suspeitos de terrorismo não constituem flagrantes casos de tortura. [4]

Não obstante tudo isto, em Março de 2008 o presidente Bush vetou uma lei do Congresso que proibia a aplicação do “submarino” a presumíveis terroristas, dando cumprimento a um anúncio prévio no qual advertia que vetaria qualquer peça legislativa que impusesse limitações ao uso da tortura como método válido e legal de interrogatório. Em resposta aos seus críticos a Casa Branca disse que seria absurdo obrigar a CIA a respeitar os preceitos estabelecidos pela legislação internacional porque os seus agentes não se confrontavam com combatentes legais, forças regulares de um estado operando em conformidade com os princípios tradicionais, mas com terroristas que atuam com total desprezo por qualquer norma ética. Deste modo Bush e a sua pandilha tentaram justificar a violação permanente dos direitos humanos sob o pretexto do “combate ao terrorismo”. Não apenas isso: o seu Secretario da Defesa, Donald Rumsfeld, autorizou explicitamente em Dezembro de 2002 a utilização de pelo menos nove “técnicas de interrogatório” que só em virtude de um perverso eufemismo podem deixar de ser qualificadas como torturas. O interessante do caso é que os Estados Unidos aderiram em 1994 à citada Convenção (que conta com 145 estados participantes) mas tratou cuidadosamente de não ratificar o Protocolo que outorga faculdades de controlo ao Comité da Tortura das Nações Unidas. Por outras palavras, a simples adesão à Convenção foi uma jogada demagógica, carente de consequências práticas na luta contra a tortura.

O horror que o Relatório desperta não deveria levar-nos a pensar que ali se encontra toda a verdade. Embora destrua o argumento central da CIA no sentido de que essas “duras tácticas de interrogatório” eram necessárias para prevenir novos ataques terroristas contra os Estados Unidos, o certo é que a estimativa do número de detidos e torturados se situa muito abaixo daquilo que outras fontes documentais permitem inferir. No Relatório, por exemplo, diz-se que “a CIA manteve detidas 119 pessoas, 26 das quais apreendidas ilegalmente”. Entretanto, é sabido que para perpetrar estas violações os direitos humanos Estados Unidos instalaram numerosas prisões secretas na Polônia, Lituânia, Romênia, Afeganistão e Tailândia; e contaram com a colaboração de países como Egito, Síria, Líbia, Paquistão, Jordânia, Marrocos, Gambia, Somália, Uzbequistão, Etiópia e Djibouti para realizar os seus interrogatórios, ao mesmo tempo que algumas exemplares “democracias” europeias, como Áustria, Alemanha, Bélgica, Chipre, Croácia, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Lituânia, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Romênia e Suécia, bem como outros países extra-europeus, colaboraram em facilitar a entrega e a transferência de prisioneiros sabendo o que aguardava essas pessoas. [5] O número de vítimas supera largamente as 119 do Relatório. Tenha-se presente que segundo Human Rights First, uma organização não-governamental estado-unidense, o número total de detidos que passaram pela prisão de Guantánamo desde a sua inauguração é de 779 pessoas. [6] Por outro lado, um relatório especial das Nações Unidas assegura que só no Afeganistão a CIA deteve 700 pessoas, e no Iraque 18.000, todos sob a acusação de “terroristas”. [7] Nem falemos do ocorrido no campo de detenção de Abu Ghraib, tema que examinamos em detalhe no nosso livro. [8]

Para finalizar, três conclusões. Primeiro, o Relatório põe o acento na inefectividade das torturas omitindo imprescindíveis considerações de carácter ético ou político. Das vinte conclusões que são apresentadas nas primeiras páginas do Relatório só uma, a vigésima, expressa alguma preocupação marginal sobre o tema ao lamentar-se que as torturas aplicadas pela CIA “provocaram danos à imagem dos Estados Unidos no mundo ao mesmo tempo que ocasionaram significativos custos monetários e não-monetários.” [9] Não existe nenhuma reflexão sobre o que significa para um país que presume orgulhosamente de ser uma democracia - ou a mais importante democracia do mundo, segundo alguns dos seus mais entusiastas publicistas – para além de “líder do mundo livre”, incorrer em práticas monstruosas que só podem qualificar-se como próprias do terrorismo de estado ao estilo do que conhecemos no passado em América Latina e no Caribe. A tortura não degrada e destrói só a humanidade de quem a sofre; também degrada e destrói o regime político que ordena executá-la, a justifica ou a consente. Por isso é que este novo episódio demonstra, pela enésima vez, o carácter de farsa da “democracia norte-americana”. Daí que a expressão que melhor convém para retratar a sua verdadeira natureza é a de “regime plutocrático.” Regime, porque quem manda é um poder de facto, o complexo militar-financeiro-industrial que ninguém elegeu e que não presta contas a ninguém; e plutocrático, porque o conteúdo material do regime é a colusão de gigantescos interesses corporativos que são, como há dias anotou Jeffrey Sachs, quem investe centenas de milhares de milhões de dólares para financiar as campanhas e as carreiras dos políticos e dos lobbies que se movimentam a favor dos sus interesses e que logo obtêm como compensação dos seus esforços benefícios econômicos de todo o tipo que se medem em milhares de milhões de dólares. Tudo esto, aliás, justificado por uma decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que legalizou os donativos ilimitados que, na sua enorme maioria, podem beneficiar de anonimato. [10]

Segundo, o Relatório abstém-se de recomendar a responsabilização legal dos responsáveis pelas monstruosidades perpetradas pela CIA. Ante uma descrição que parece inspirada nas mais horríveis cenas do Inferno de Dante, os autores abstêm-se de recomendar ao Premio Nobel da Paz que faça intervir a justiça no assunto. Mas o pacto de impunidade está consagrado, e ante a inação da Casa Branca os torturadores e os seus numerosos cúmplices, dentro e fora da Administração Bush, saíram a apoiar abertamente as torturas e a acusar os redatores do Relatório de parcialidade ideológica, tudo esto por entre uma desaforada exaltação do chauvinismo estado-unidense e uma cuidadosa ocultação das mentiras utilizadas por Bush e sua pandilha, desde as que dizem respeito ao que foi que realmente ocorreu no 11-S, onde há mais incógnitas do que certezas, até à acusação ao Iraque de possuir armas de destruição massiva. Dado que Obama deu a entender que não processará os responsáveis materiais e intelectuais destes crimes a conclusão é que não só se legaliza mas que também se legitima e se aprova a tortura, talvez como um “mal necessário” mas justificado. Perante isto seria bom que algum tribunal do estrangeiro, atuando segundo o princípio da jurisdição universal em matéria de delitos de lesa-humanidade, tratasse de fazer justiça ali onde o regime norte-americano ampara a impunidade dos criminosos e consagra a perversão e a maldade como uma virtude.

Terceiro e último: a deplorável cumplicidade da imprensa. Todos sabiam que a CIA e outras forças especiais do Pentágono têm incorporada a tortura de prisioneiros como um SOP (“standard operating procedure”, um procedimento estandardizado de operação no jargão militar dos serviços norte-americanos), como foi dito antes. Mas os grandes media - não apenas os pasquins raivosamente direitistas da cadeia de Rupert Murdoch e muitos outros desse tipo, dentro e fora dos Estados Unidos – conspiraram, voluntariamente ou não, é irrelevante, para não chamar a coisa pelo seu nome e para utilizar em vez disso todo o gênero de eufemismos que permitiram suavizar a noticia e manter enganada a população norte-americana. Para o Washington Post, o New York Times e a Agência Reuters eram métodos de interrogatório “brutais”, “duros” ou “atrozes”, mas não torturas; para a cadeia televisiva CBS eram “técnicas extremas de interrogatório” e para Candy Crowley, a chefe dos correspondentes de política da CNN em Washington, eram “torturas, conforme quem as descreva”. Para o canal de noticias MSNBC (fusão da Microsoft com a NBC) eram, segundo Mika Brzezinski, filha do estratega imperial Zbigniew Brzezinski e, pelo visto, fiel discípula dos ensinamentos do seu pai, “tácticas de interrogatório utilizadas pela CIA”. É esta a gente que é depois apontada pelos políticos e pelos intelectuais da direita para nos dar lições de democracia e de liberdade de imprensa na América Latina e no Caribe. Seria bom registar a sua cumplicidade com estes crimes e a sua absoluta carência de virtudes morais para dar lições seja a quem for.

Notas

[1] O Relatório pode ser consultado no seguinte endereço: https://es.scribd.com/doc/249652086/Senate-Torture-Report
[2] Cf. Atilio A. Boron e Andrea Vlahusic, El Lado Oscuro del Imperio. La Violación de los Derechos Humanos por Estados Unidos (Buenos Aires: Ediciones Luxemburg, 2009), pp. 43-44.
[3] Ibid., p. 44.
[4] Sobre o tema da tortura o livro de Roberto Montoya, La impunidad imperial. Como os Estados Unidos legalizaram a tortura e “blindaram” os seus militares, agentes e mercenários face à justiça (Madrid: La esfera de los libros, 2005) é uma fonte absolutamente imprescindível pela meticulosidade da sua investigação e a sólida fundamentação dos casos examinados. Particularmente instrutiva é a sua análise das 35 “técnicas de interrogatório”, as quais, como dizem os membros de uma Comissão ad-hoc convocada pelo Secretario da Defesa Donald Rumsfeld, poderiam ter como resultado “que pessoal estado-unidense envolvido no uso dessas técnicas pudesse ser em outros países objecto de processos por violação dos direitos humanos ou que pudesse ser entregue a instâncias internacionais, como o Tribunal Penal Internacional. Isto teria impacto em futuras operações ou deslocações ao exterior desse pessoal.” Cf. Montoya, op. cit, pp. 130-134. Dados mais específicos sobre as “técnicas de interrogatório” encontram-se em http://globalsecurity.org/intell/library/policy/army/fm/fm34-52
[5] “¿Que países colaboraram com o programa de torturas da CIA”, relatório elaborado sobre a base de documentação recolhida pela American Civil Liberties Union e pela Open Society Justice Initiative, e publicado por La Nación (Buenos Aires) em 10 de Dezembro de 2014. Ver http://www.lanacion.com.ar/1751052-que-paises-colaboraron-con-el-programa-de-torturas-de-la-cia
[7] Cf. “Preliminary Findings on Visit to United States by Special Rapporteur on Human Rights and Counter-terrorism”, May 29, 2007, em El Lado Oscuro, op. cit., pp. 55-56.
[8] El lado oscuro, op. cit., pp. 47-48
[9] Relatório, op. cit., pg.16.
[10] “Understanding and overcoming America’s plutocracy”, Huffington Post, 6 Novembro 2014.http://www.huffingtonpost.com/jeffrey-sachs/understanding-and-overcom_b_6113618.html

- Dr. Atilio Boron, director del Centro Cultural de la Cooperação Floreal Gorini (PLED), Buenos Aires, Argentina. Premio Libertador al Pensamento Crítico 2013. www.atilioboron.com.ar Twitter: http://twitter.com/atilioboron Facebook:http://www.facebook.com/profile.php?id=596730002

URL de este artículo: http://alainet.org/active/79428

FONTE: ODiario.Info 

Revolución Cubana: 56 años


Por Atilio Boron


UN DÍA COMO HOY, HACE 56 AÑOS, SE ABRÍA UNA NUEVA ETAPA HISTÓRICA EN NUESTRA AMÉRICA: Batista y sus esbirros, junto a sus mentores y compinches norteamericanos y la oligarquía pro-yankee huían de La Habana y se consumaba el triunfo de la REVOLUCIÓN CUBANA. A partir de ese momento nada sería igual en Latinoamérica. La Revolución fue combatida a muerte, hostigada, saboteada, aislada, sus líderes fueron objeto de iinnumerables atentados, igual que su pueblo. Fue víctima del criminal bloqueo comercial, financiero, migratorio, informático más prolongado de la historia universal,que todavía sigue aunque ya ha sido herido de muerte y sus promotores y ejecutores confesaron su fracaso. Todas las armas se utilizaron con tal de destruirla. Pero NO PUDIERON, y en medio de esa furia garantizó para su población índices de salud, educación, acceso a la cultura y al deporte, y a la seguridad social iguales o mejores que los de los países capitalistas desarrollados Y además, hizo del INTERNACIONALISMO SOCIALISTA, de la SOLIDARIDAD INTERNACIONAL una bandera indeleble de lucha y llevó a sus médicos, enfermeros, educadores por todo el mundo, cuando sus detractores enviaban tropas y descargaban metralla. Y cuando su auxilio fue requerido para librar la batalla decisiva contra el racismo, el apartheid y los restos del colonialismo en África allá fueron los cubanos y en Angola derrotaron definitivamente a los baluartes de la reacción, como lo atestiguó con emoción Nelson Mandela. Si esa Revolución, (así, siempre con mayúsculas) hubiese sido aplastada la historia de América Latina y el Caribe y nuestras pequeñas biografías, habrían sido completamente diferentes. Por eso, nuestra eterna gratitud y nuestra deuda con la Revolución Cubana -con Fidel, Raúl, el Che, Camilo," Barbarroja" Piñeiro, Almeida y los hombres y mujeres que lucharon bajo su conducción- es enorme e impagable. De ahí que nuestra INCONDICIONAL SOLIDARIDAD y DEFENSA de la Revolución Cubana deba ser PERMANENTE Y ACTIVA, como lo fue en la campaña que hizo posible la liberación de "Los 5". Hoy seguimos en la lucha, más que nunca, porque el Imperio se apresta a cambiar de táctica para lograr, apelando al "poder blando" (¡un peligroso eufemismo!) lo que por más de medio siglo no pudieron hacer por la fuerza. Pero Cuba, con el apoyo de todos los pueblos de Nuestra América, resistirá y derrotará también la sinuosa embestida pergeñada por Washington.

¡Feliz 2015 Cuba, con tus hijos recuperados, rescatados de las cárceles del imperio!
¡Salud Fidel, salud Raúl! ¡Hasta la victoria siempre!

FUENTE: Atilio Boron


Chamada de Trabalhos para o VIII Colóquio Internacional Marx Engels


O VIII Colóquio Internacional Marx e Engels será realizado entre 14 e 17 de julho de 2015 no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. A inscrição de trabalhos estará aberta entre 21 de novembro de 2014 e 21 de fevereiro de 2015 e deve ser feita pelo formulário  http://www.ifch.unicamp.br/formulario_cemarx/instrucoes.php.

O Colóquio acolhe propostas de mesas-redondas, comunicações para os Grupos Temáticos e pôsteres. Em qualquer uma das modalidades, os trabalhos inscritos devem buscar um dos seguintes objetivos: a) tomar a teoria marxista como objeto de pesquisa, seja para desenvolver essa teoria, analisá-la ou criticá-la ou b) utilizar o aparato conceitual do marxismo em pesquisas empíricas. O temário do Colóquio é aquele indicado nos dez Grupos Temáticos do evento.

Cada participante pode inscrever apenas um trabalho. Ao realizar a inscrição, o (a) pesquisador(a) interessado(a) deverá indicar a modalidade de participação e, no caso  de comunicação, indicar o Grupo Temático onde pretende inseri-la. Eventualmente, a Comissão Organizadora do VIII Colóquio Internacional Marx Engels poderá remanejar a distribuição da proposta de um grupo para outro.
Para mais informações, acesse o site do evento.

Confira os Grupos Temáticos do VIII Colóquio no link abaixo: