sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Liquidar o monopólio ocidental da tecnologia é também luta revolucionária"








por Domenico Losurdo
entrevistado por Tian Shigang [*]

Em 2005 foi publicado o seu livro "Fuga dalla storia? La rivoluzione russa e la rivoluzione cinese oggi" [1] . O que o levou a escrevê-lo?



A primeira edição do livro foi publicada em 1999. Era o momento em que o fim da guerra-fria era interpretado como o fracasso irremediável de toda tentativa de construir uma sociedade socialista, como o triunfo definitivo do capitalismo e inclusive com o "fim da história". No Ocidente, este modo de ver as coisas fazia mossa na própria esquerda: até os comunistas, ainda que declarassem querer permanecer fieis aos ideais do socialismo, na linha seguinte acrescentavam que não tinham nada a ver com a história da URSS nem com a história da China onde, diziam, se havia verificado a "restauração do capitalismo". Para me opor a esta "fuga à história" propus-me explicar a história do movimento comunista desde a Rússia da Revolução de Outubro até a China surgida das reformas de Deng Xiaoping.



No se entender, por que motivos se desmembrou a URSS?



Em 1947, quando enuncia a política da contenção, seu teórico, George F. Kennan, explica que é preciso "aumentar enormemente as tensões (strains) que a política soviética tem de suportar", a fim de "promover tendências que acabem por quebrar ou abrandar o poder soviético". Nos nossos dias não é muito diferente a política dos EUA para com a China, ainda que enquanto isso a China haja acumulado uma grande experiência política.



Para além da contenção, o que determinou a derrocada da URSS foram as suas graves debilidades internas. Convém refletir sobre a célebre tese de Lenin: "Não há revolução sem teoria revolucionária". O partido bolchevique, sem dúvida, tinha uma teoria para a conquista do poder, mas se por revolução se entender não só a destruição da velha ordem como também a construção da nova, os bolcheviques e o movimento comunista careciam substancialmente de uma teoria revolucionária. Portanto, não se pode considerar que uma teoria da sociedade pós-capitalista por construir se reduza à espera messiânica de um mundo no qual hajam desaparecido por completo os Estados, as nações, o mercado, o dinheiro, etc. O PCUS cometeu o grave erro de não fazer nenhum esforço para preencher esta lacuna.



No seu entender, que caráter e que significado tem a revolução chinesa?



No princípio do século XX a China fazia parte do mundo colonial e semi-colonial, estava submetida ao colonialismo e ao imperialismo. Um marco histórico foi a Revolução de Outubro, que desencadeou e impulsionou uma onda anti-colonialista de dimensões planetárias. A seguir, o fascismo e o nazismo foram a tentativa de revitalizar a tradição colonial. Em particular, a guerra desencadeada pelo imperialismo hitleriano e o imperialismo japonês, respectivamente, contra a União Soviética e contra a China, foram as maiores guerras coloniais da história. De modo que Stalingrado na União Soviética e a Longa Marcha e a guerra de resistência contra o Japão na China foram duas grandiosas lutas de classe, as que impediram que o imperialismo mais bárbaro efetuasse uma divisão de trabalho baseada na redução de grandes povos a uma massa de escravos ao serviço das supostas raças dos senhores.



Mas a luta de emancipação dos povos em condições coloniais e semi-coloniais não acaba com a conquista da independência política. Já em 1949, a ponto de conquistar o poder, Mao Zedong havia insistido na importância da edificação econômica. Washington quer que a China se "reduza a viver da farinha estado-unidense", com o que "acabaria por ser uma colônia estado-unidense". Ou seja, sem a vitória na luta pela produção agrícola e industrial, a vitória militar acabaria por ser frágil e vazia. De certo modo Mao havia previsto a passagem da fase militar à fase econômica da revolução anti-colonialista e anti-imperialista.



O que acontece nos nossos dias? Os EUA estão transferindo para a Ásia o grosso do seu dispositivo militar. Em despacho da agência Reuters de 28 de Outubro de 2011 pode-se ler que uma das acusações de Washington aos dirigentes de Pequim é fomentam ou impõem a transferência de tecnologia ocidental para a China. Está claro: os EUA pretendem conservar o monopólio da tecnologia para continuar a exercer a hegemonia e inclusive um domínio neo-colonial indireto. Por outras palavras, ainda nos nossos dias a luta contra o hegemonismo coloca-se também no plano do desenvolvimento econômico e tecnológico. É um aspecto que, lamentavelmente, a esquerda ocidental nem sempre consegue entender. Há que sublinhá-lo com força: revolucionária não é só a longa luta com que o povo chinês pôs fim ao século das humilhações e fundou a República Popular; revolucionária não é só a edificação econômica e social com que o Partido Comunista Chinês livrou da fome centenas de milhões de homens; também a luta para romper o monopólio imperialista da tecnologia é uma luta revolucionária. Foi-nos ensinado por Marx. Sim, ele nos ensinou que a luta para superar, no âmbito da família, a divisão patriarcal do trabalho já é uma luta revolucionária; seria muito estranho que não fosse uma luta de emancipação a luta para acabar à escala internacional com a divisão do trabalho imposta pelo capitalismo e o imperialismo, a luta para liquidar definitivamente esse monopólio ocidental da tecnologia, que não é um dado natural e sim o resultado de séculos de domínio e opressão!



Em 2005 foi publicado o seu livro "Controstoria del liberalismo" [2] , que alcançou um grande êxito (num ano foi reeditado três vezes e a seguir traduzido em vários idiomas). O que significa esse título?



O meu livro não desconhece os méritos do liberalismo, que põe em evidência o papel do mercado no desenvolvimento das forças produtivas e sublinha a necessidade de limitar o poder (ainda só a favor de uma reduzida comunidade de privilegiados). "Contra-história do liberalismo" polemiza com a auto-glorificação e a visão apologética dos que se entregam ao liberalismo e ao Ocidente liberal. É uma tradição de pensamento em cujo âmbito a exaltação da liberdade vai junto com terríveis cláusula de exclusão em prejuízo das classes trabalhadoras e, sobretudo, dos povos colonizados. John Locke, pai do liberalismo, legitima a escravidão nas colônias e é acionista da Royal African Company, a empresa inglesa que gere o tráfico e o comércio dos escravos negros. Mas, para além das personalidades individuais, o importante é o papel dos países que melhor encarnam a tradição liberal. Um dos primeiros atos de política internacional da Inglaterra liberal, nascida da Revolução Gloriosa de 1688-1689, é assumir o monopólio do tráfico de escravos negros.



Mais importante ainda é o papel da escravidão na história dos EUA. Durante 32 dos primeiros 36 anos de vida dos Estados Unidos, a presidência do país foi ocupada por proprietários de escravos. E isso não é tudo. Durante várias décadas o país dedicou-se a exportar a escravidão com o mesmo zelo com que hoje pretende exportar a "democracia": em meados do século XIX reintroduziram a escravidão no Texas, recém arrebatado ao México através de uma guerra.



É verdade que primeiro a Inglaterra e a seguir os Estados Unidos viram-se obrigados a abolir a escravidão, mas o lugar dos escravos negros foi ocupado pelos cules chineses e índios, submetidos a uma forma apenas dissimulada de escravidão. Além disso, depois da abolição formal da escravidão, os afro-americanos continuaram a sofrer uma opressão tão feroz que um eminente historiador estado-unidense, George M. Fredrickson, escreveu: "os esforços para preservar a "pureza da raça" no Sul dos Estados Unidos preludiavam alguns aspectos da perseguição desencadeada pelo regime nazi contra os judeus nos anos trinta do século XX".



Quando começa a enfraquecer nos EUA o regime de supremacia branca, de opressão e discriminação racial, sobretudo contra os negros? Em Dezembro de 1952 o ministro estado-unidense da Justiça envia ao Tribunal Supremo, em plena discussão sobre a integração nas escolas públicas, uma carta eloquente: "A discriminação racial leva a água ao moinho da propaganda comunista e também semeia dúvidas nos países amigos acerca da nossa devoção à fé democrática". Washington, observa o historiador estado-unidense que reconstrói este episódio (C. Vann Woodward), corria o risco de alienar o favor das "raças de cor" não só no Oriente e no Terceiro Mundo como também no seu próprio país. Só então o Tribunal Supremo decidiu declarar inconstitucional a segregação racial nas escolas públicas.



Há um paradoxo na história. Hoje Washington não se cansa de acusar a falta de democracia na China; mas convém assinalar um elemento essencial da democracia, a superação da discriminação racial, só foi possível nos Estados Unidos graças ao repto representado pelo movimento anti-colonialista mundial, de que a China fazia e faz parte.



No meu entender, entre as muitas edições italianas do Manifesto do Partido Comunista há três que se destacam: a de Antonio Labriola, a de Palmiro Togliatti e a sua de 1999. Na sua opinião, que significado tem esta obra fundamental de Marx e Engels para os marxistas de hoje?



Na introdução da edição italiana do Manifesto do Partido Comunista tentei reconstruir o século e meio de história transcorrido desde a publicação em 1848 deste texto extraordinário. Uma confrontação pode nos ajudar a entender o seu significado. Oito anos antes, outra grande personalidade da Europa do século XIX, Alexis de Tocqueville, publica o segundo livro da Democracia na América e, num capítulo central, afirma já no título que "as grandes revoluções serão cada vez menos frequente". Mas se nos fixarmos no século e meio posterior ao ano (1840) em que o liberal francês faz esta afirmação, vemos que se trata do período talvez mais abundante em revoluções da história universal.



Não há dúvida: ao prever a rebelião contra o capitalismo, contra um sistema que implica a "transformação em máquina" dos proletários e a sua degradação em "instrumentos de trabalho", em "acessórios da máquina", um apêndice "dependente e impessoal" do capital "independente e pessoal", ao prever tudo isto, o Manifesto do Partido Comunista soube olhar mais longe. Quando descrevem com extraordinária lucidez e clarividência o que hoje chamamos globalização, Marx e Engels sabem bem que se trata de um processo contraditório, caracterizado (no âmbito do capitalismo) por crises colossais de superprodução que provocam a destruição de enormes quantidades de riqueza social e a miséria de massas ingentes de homens e mulheres. Além disso é um processo eriçado de conflitos que podem desembocar, inclusive, numa "guerra industrial de aniquilação entre as nações". O que nos leva a pensar na primeira guerra mundial.



Contra todo este mundo, o Manifesto do Partido Comunista evoca tanto as revoluções proletárias como as "revoluções agrárias" e de "libertação nacional". De modo que Marx e Engels se anteciparam a um cenário que se verificará no Terceiro Mundo, como por exemplo na China.



A propósito da China pode-se fazer uma última consideração. O Manifesto do Partido Comunista prevê a aparição de uma economia globalizada caracterizada por "indústrias novas, cuja introdução passa a ser uma questão de vida ou morte para todas as nações civilizadas, indústrias que já não elaboram matérias-primas locais e sim matérias-primas procedentes das regiões mais remotas e cujos produtos consomem-se não só no interior do país como também em todas as partes do mundo". Portanto, ainda que centre o olhar sobre a Europa, o texto de Marx e Engels acaba por dar indicações muito valiosas para os países do Terceiro Mundo que querem alcançar um desenvolvimento econômico independente.



Quais são, no seu entender, as contribuições de Antonio Gramsci à teoria marxista?



Creio que as contribuições da obra deste grande pensador foram pelo menos quatro:



a) Gramsci evidenciou a importância da "hegemonia" para a conquista e conservação do poder político. Num texto de 1926 explica: o proletariado só dá mostras de possuir uma consciência de classe madura quando se eleva a uma visão da sua classe de pertença como núcleo dirigente de um bloco social muito mais amplo, chamado a conduzir a revolução à vitória.



b) Em segundo lugar, Gramsci mostra-se plenamente consciente da complexidade que implica o processo de construção do socialismo. A princípio será "o coletivismo da miséria, do sofrimento". Mas não pode ficar nisso, tem que enfrentar o desenvolvimento das forças produtivas. É neste âmbito que deve ser situada a importante tomada de posição de Gramsci a propósito da NEP (a Nova Política Econômica introduzida após o "comunismo de guerra"). A realidade da URSS daquele momento coloca-nos na presença de um fenômeno "nunca visto na história": uma classe politicamente "dominante" encontra-se "globalmente em condições de vida inferiores às de certos elementos da classe dominada e submetida". As massas populares, que continuam a padecer uma vida de privações, estão desorientadas diante do espetáculo do "nepman" [o homem da NEP] afundado no seu casaco de peles, que tem à sua disposição todos os bens da terra", mas isto não deve ser motivo de escândalo ou repulsa, pois o proletariado, o mesmo que não pode conquistar o poder, tão pouco pode mantê-lo se for incapaz de sacrificar interesses particulares e imediatos aos "interesses gerais e permanentes da classe". Trata-se, naturalmente, de uma situação transitória. O que Gramsci sugere aqui pode ser útil à esquerda ocidental para compreender a realidade de um país como a China atual.



c) Gramsci dá-nos algumas indicações valiosas sobre outro aspecto. Devemos imaginar o comunismo como a dissipação total não só dos antagonismos de classe como também como do Estado e do poder político, assim como das religiões, das nações, da divisão do trabalho, do mercado, de qualquer fonte possível de conflito? Questionando o mito da extinção do Estado e da sua dissolução na sociedade civil, Gramsci assinala que a própria sociedade civil é uma forma de Estado. Também destaca que o internacionalismo não tem nada a ver com o desconhecimento das peculiaridades e identidades nacionais, que subsistirão muito depois da queda do capitalismo. Quando ao mercado, Gramsci considera que conviria falar de "mercado determinado", ao invés de mercado em abstrato. Gramsci ajuda-nos a superar o messianismo, que dificulta gravemente a construção da sociedade pós-capitalista.



d) Finalmente, ainda que condenem o capitalismo, as Cartas do cárcere evitam interpretar a história moderna e as revoluções burguesa como um tratado de "teratologia", ou seja, um tratado que se ocupa de monstros. Os comunistas devem criticar os erros, por vezes graves, de Stalin, Mao e outros dirigentes, sem reduzir nunca estes capítulos da história do movimento comunista a uma "teratologia", uma história de monstros.


15/Dezembro/2011



NOTAS

 

1. Fuga da História? A Revolução Russa e a Revolução Chinesa vistas hoje, Ed. Revan , Rio de Janeiro, 2004, 206 p., ISBN: 8571063052
2. Contra-história do liberalismo, Ed. Ideias e Letras , S. Paulo, 2010, 400 p., ISBN: 8598239755
3. Do liberalismo ao "comunismo crítico", Ed. Revan, Rio de Janeiro, 2006, 288 p., ISBN 8571063400






O original em italiano encontra-se em domenicolosurdo.blogspot.com/... , a versão em castelhano em http://albared.org/node/89 e a versão em francês em http://www.jolimai.org/?p=177








A Faixa de Gaza vista pelas suas crianças (Desenhos censurados em museu dos Estados Unidos)


Em setembro do ano passado, o site  Free Palestine Movement denunciou o cancelamento de uma exposição de pinturas de crianças palestinas da Faixa de Gaza, programada para ocorrer no Museu de Arte para Crianças em Oakland (Mocha). Segundo o referido site, a Aliança do Oriente Médio para a Infância (MECA), que se associou com o "MOCHA" para apresentar a exposição, foi informada da decisão do presidente da junta do museu, que recebeu pressões de organizações Pró-Israel na baia de São Francisco para impedir esta mostra. A diretora executiva do MECA, Barbara Lubin, afirmou que a censura aceita pelo museu vai contra sua missão de "garantir que as artes sejam parte fundamental da vida de todas as crianças", mas mesmo assim diz entender a forte pressão recebida pelo museu.


"Mas quem ganha com isso? O museu não ganha, as pessoas que visitariam o museu não ganham. nossa liberdade perde, as crianças de Gaza perdem" [...] "Os únicos ganhadores aqui são os que gastam milhões de dólares para censurar toda critica a Israel e o silenciamento das vozes das crianças que vivem todos os dias sob o cerco militar e com a ocupação" completou Lubin.



 
Aqui alguns dos desenhos que seriam expostos e foram censurados:
 
 














Fidel alerta o mundo: gás de xisto e guerra nuclear!!!

Por Robson Ceron, no blog Solidários a Cuba



Em sua primeira reflexão do ano, intitulada A marcha para o Abismo, o Comandante-em-Chefe Fidel Castro, alertou novamente o mundo sobre os riscos de uma guerra nuclear provocada pelo imperialismo ianque e que poderia ser detonada a partir do ataque ao Irã.


Por outro lado, Fidel retorna a um de seus temas preferenciais, os desequilíbrios naturais provocados pela ação humana. Ele relata seu recente estudo sobre o Gás de Xisto, cuja extração é extremamente poluidora.


De acordo com Fidel, mesmo assim, este gás está sendo apontado como uma alternativa energética ao gás natural e o petróleo.
 
 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Piñera apaga dos livros de história o que Pinochet escreveu com sangue



Ao apagar das luzes de 2011, o governo direitista de Sebastian Piñera introduziu sorrateiramente uma mudança nos livros de história, na parte referente aos obscuros anos de Pinochet. Nos últimos 20 anos, ao menos duas gerações de estudantes chilenos aprenderam que o governo de Pinochet foi uma ditadura, mas, no final do ano passado, o governo de Piñera decidiu mudar esse conceito pelo de “regime militar”.



Por Christian Palma – Direto de Santiago



A convivência ideológica no Chile é como uma delicada taça do melhor cristal: qualquer movimento inesperado e brusco ameaça quebrá-la. Isso ficou manifesto na última quarta-feira, quando se conheceu a mudança sorrateira realizada pelo governo de direita de Sebastian Piñera nos livros de história, na parte referente aos obscuros anos do ditador Pinochet. Nos últimos 20 anos, ao menos duas gerações de estudantes chilenos aprenderam que o governo de Pinochet foi uma ditadura, mas, no final do ano passado, o governo de Piñera decidiu mudar esse conceito pelo de “regime militar”.



Embora essa diferença não seja algo determinante no mundo acadêmico especializado em Ciências Políticas e historiografia, para a população chilena a mudança é diferente: representa a violação de um pacto com a memória história onde não há espaço para eufemismos. O governo de Pinochet foi uma ditadura com todas as letras, uma das mais sangrentas e repressivas da América Latina, onde a sociedade não pode decidir sobre o desenvolvimento que queria e teve que viver sob um terrorismo de Estado que a impediu de participar nas grandes decisões econômicas, políticas e sociais.



O pior de tudo é que as condições impostas pela ditadura pinochetista ainda perduram no Chile, com uma elite dominante que se nega a dar maiores espaços de participação aos trabalhadores. Por isso, a mudança arbitrária do governo foi considerada uma agressão para milhões de chilenos. Não se pode falar de regime militar, pois é um significado neutro para tantos anos de opressão e exploração.



Os chilenos tampouco esquecem que a mudança de ditadura para regime militar foi realizada em silêncio, a portas fechadas (como também ocorria nos tempos de Pinochet), quando o ano de 2011 estava terminando e no contexto das massivas mobilizações estudantis que exigem uma educação pública de qualidade e gratuita.



O problema veio a público no dia 9 de dezembro, quando o Conselho Nacional de Educação do Chile aprovou a proposta do governo para reduzir as horas de aulas de história e geografia do currículo escolar. No documento a expressão “ditadura militar” é substituída por “regime militar”, o que produziu um efeito borboleta que incendiou os ânimos dos chilenos.



Alejandro Goic é um dos conselheiros do Ministério da Educação. “Ninguém se apercebeu da mudança. Nem os especialistas, nem os conselheiros se deram conta quando se discutiu. É um tema sensível. E me parece que é preciso manter o termo ditadura. As ditaduras devem ser chamadas de ditaduras e as democracias de democracias.



Mas a água chegou ao rio, como se diz no Chile. O novo ministro de Educação, Harald Beyer, o terceiro da pasta em seis meses, recebeu fortes críticas, justificando a mudança de conceito e colocando mais gasolina no fogo: “As expressões são mais gerais...a de regime militar que a de ditadura”. Além disso, acrescentou que o debate “não tem a ver com apoiadores nem detratores, tem a ver com expressões que se usam habitualmente nestes currículos em distintas partes do mundo”. A frase foi dita no Palácio de La Moneda, o mesmo lugar onde morreu o ex-presidente Salvador Allende.



A polêmica também chegou ao Congresso chileno, onde como era de se esperar, o rechaço foi contundente por parte de quem sempre chamou os 17 anos de Pinochet de ditadura, enquanto que se registraram matizes entre parlamentares governistas: aqueles que procuram tomar distância de Pinochet rechaçaram a medida, e aqueles que ainda o defendem, aplaudiram.



Cristián Monckeberg, deputado direitista do partido Renovação Nacional, de onde saiu o presidente Sebastián Piñera, condenou a mudança semântica: “Se antes se chamava ditadura e agora passa a se chamar regime militar, mudança feita por alguns técnicos encerrados em um escritório, isso não vai mudar o curso da história. Eu prefiro que essa escolha de nomes seja feita pelos historiadores, os que escrevem, os que interpretam”, afirmou.



Mas na direita chilena ainda restam políticos que trabalharam para Pinochet, como o deputado Alberto Cardemil, também da Renovação Nacional, que defendeu a mudança de palavra. “É um esforço técnico e profissional do Ministério da Educação de dar uma versão equilibrada de nossa história”, disse, acrescentando que “os países precisam, com o passar do tempo, revisar sua história para dar uma versão equilibrada”.



A cereja do bolo foi colocada pelo deputado da União Democrata Independente (partido de ultra-direita), Iván Moreira, que sempre foi convidado à casa da família Pinochet. “O fato de se usar o termo ditadura é uma forma de estigmatizar um governo que entregou democraticamente o poder e isso não ocorreu em nenhuma ditadura do mundo, só no Chile, o que fala muito bem do espírito democrático do país”.



No twitter, a mudança de palavra fez explodir a rede social. O grupo de música chilena e reconhecido opositor a Pinochet, Inti Illimani, escreveu: “Voltam os eufemismos perversos da direita...FOI DITADURA!!! E PONTO. Pão, pão e vinho, vinho. PONTO!”.



Tradução: Katarina Peixoto

 
 
FONTE: Carta Maior
 
 

Uma aula de incoerência

Livro resgata raro atlas manuscrito do Brasil Holandês



Feito por autores anônimos, provavelmente a mando de Maurício de Nassau, guia estava esquecido em arquivo



RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO



Um raríssimo documento histórico, inédito por séculos, finalmente foi publicado: um detalhado atlas do litoral brasileiro, com ênfase no Nordeste, produzido durante a ocupação holandesa da região no século 17.



O manuscrito, conhecido pelo código "4. VEL. Y" e intitulado "A Breve Descrição da Costa do Brasil e mais Alguns Lugares" estava praticamente escondido no Arquivo Nacional holandês em Haia.



Ao pesquisarem material do período da ocupação holandesa, os editores Cristina Ferrão e José Paulo Monteiro Soares toparam com o códice ilustrado em 2007.



O manuscrito sai na íntegra, em edição bilíngue inglês-português. São 45 mapas manuscritos e aquarelados.



Sucesso filológico



Foi preciso um trabalho de detetive filológico para decifrar a toponímia (os nomes dos lugares). A palavra "sucesso", do nome da Vila do Bom Sucesso do Porto Calvo, é grafada no atlas de seis maneiras diferentes: Cucsesso, Sucsesse, Sucxese, Sucxses, Sukus e Suxsis.



Além de reproduções fac-similares das cartas originais, a edição inclui uma versão ao lado com os nomes traduzidos, o que vai facilitar muito a utilização do atlas por outros pesquisadores.



O trabalho de pesquisa envolvido na edição do atlas teve como resultado a provável identificação dos seus principais autores e a data de sua composição. A obra teve autoria coletiva, deve ter sido composta em torno de 1644 e coordenada por João Cornelisz Lichthart e Georg Marcgave, a mando do governador do Brasil Holandês, o nobre João Maurício de Nassau.



Lichthart era um importante almirante, que fez um raide desastroso para os luso-brasileiros na baía de Todos os Santos em 1641. Marcgrave era um cartógrafo e naturalista alemão, membro do grupo de artistas e cientistas que Nassau trouxe à colônia e autor de um clássico e pioneiro livro descrevendo a natureza brasileira, "Historia Naturalis Brasiliae".



NOS MARES



A pujança econômica da Holanda dependia do seu comércio, e este naturalmente exigia um forte poder naval. O poderio holandês era baseado em suas naus de comércio e de guerra, e elas precisavam de informações claras para serem eficazes.



"Sem esse conhecimento, um marinheiro não vai longe", diz um pesquisador holandês envolvido na edição do atlas, Henk den Heijer.



Além de detalhes de hidrografia, o atlas inclui textos descrevendo os habitantes, a fauna e flora, as povoações. Alguns são divertidos, como a descrição de uma paca, "animal quadrúpede com a cabeça gorda de uma lebre".



O autor continua: "O pênis ereto do macho tem duas sovelas na frente, de maneira que durante a cópula a fêmea produz estridentes gritos, como os gatos da Holanda no mês de março".

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ATLAS DA COSTA DO BRASIL
ORGANIZADORES Cristina Ferrão e José Paulo Monteiro Soares
EDITORA Kapa Editorial
QUANTO R$ 120

 
 
FONTE: Folha de São Paulo, 05 de janeiro de 2012.
 

"Como Cheguei ao Comunismo". Texto de Luiz Carlos Prestes.


Trata-se de um escrito particularmente interessante do Cavaleiro da Esperança, publicado na Revista Internacional (Praga, n. 1, janeiro de 1973, Tchecoslováquia). O artigo foi a pedido da referida revista por ocasião dos 75 anos do então secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e relata o caminho, extremamente original, percorrido por Prestes, do movimento tenentista - do qual se tornaria a liderança máxima no final dos anos 1920 - para o comunismo.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"O evangelho segundo Jesus Cristo" no Clube de Leitura





Mais interessado na realidade humana que na onipotência do divino, o livro O evangelho segundo Jesus Cristo, do escritor português José Saramago, conta de forma diferente a vida de Cristo. O leitor é colocado diante de uma nova versão dos mesmos acontecimentos, com os mesmos personagens, só que, dessa vez, os feitos milagrosos são substituídos por atitudes humanas. A controversa abordagem da história bíblica será tema do Clube de Leitura Icaraí, no dia 6 de Janeiro, das 19h às 21h. O debate literário acontece toda primeira sexta-feira do mês na Livraria Icaraí, localizada na Rua Miguel de Frias 9, em Icaraí, Niterói, e tem entrada franca.



O romance, que narra a história de um Jesus com dúvidas, fraquezas e tendo conversas com um Deus cruel foi publicado em 1991 e tornou-se um dos títulos mais polêmicos e mais vendidos da carreira do escritor. O livro chegou a ser proibido em Portugal no ano de 1992. Saramago foi duramente criticado pela apropriação e livre interpretação dos textos sagrados, o que teria desvirtuando de forma abusiva os evangelhos canônicos.



Sobre o autor – O escritor português José de Sousa Saramago foi um dos maiores nomes da literatura contemporânea, autor de títulos que vão do Manual de pintura e caligrafia até Ensaio sobre a cegueira, transformado em longa metragem. Em 1995, ganhou o prêmio Camões e em 1998 alcançou o topo do reconhecido de sua produção, recebendo o prêmio Nobel de Literatura. Na justificativa da premiação, a academia afirmou que o português criou uma obra em que, "mediante parábolas sustentadas com imaginação, compaixão e ironia, nos permite captar uma realidade fugitiva".

 
 
FONTE: Editora UFF

Como se forma um paradigma?

Paradigma = Modelo, Padrão, Exemplo

"Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar."

(Bertolt Brecht)






As sociedades existem por intermédio dos atos dos indivíduos particulares que buscam realizar seus próprios fins. Em consequência, a questão crucial, para qualquer sociedade estabelecida, é a reprodução bem-sucedida de tais indivíduos, cujos “próprios fins” não negam as potencialidades do sistema de produção dominante. [...] Além da reprodução [...] das múltiplas habilidades sem as quais a atividade produtiva não poderia ser levada a cabo, o complexo sistema educacional da sociedade é também responsável pela produção e reprodução da estrutura de valores no interior da qual os indivíduos definem seus próprios objetivos e fins específicos. [...] Os indivíduos particulares interiorizam as pressões internas: eles adotam as perspectivas gerais da sociedade [...] como os limites inquestionáveis de suas próprias aspirações. (Mészáros, István. A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo, 2006, p. 263-264; grifos do autor)





Campanheira Beatriz Ryff, presente!!!


Aos 102 anos, morreu Beatriz Ryff, a última sobrevivente dos cárceres da Era Vargas


Faleceu neste dia 2 de janeiro, aos 102 anos, no Rio de Janeiro, a poetisa comunista Beatriz Ryff, um símbolo da luta pela democracia no Brasil. Foi integrante dos movimentos “Juventude Comunista” e “Aliança Nacional Libertadora” (ANL); e presa pelos regimes ditatoriais em 1936 (ocasião em que ficou no cárcere junto com Olga Benario Prestes, Nise da Silveira e Maria Werneck de Castro) e em 1964. Era viúva de Raul Ryff, ex-secretário de Imprensa do presidente João Goulart. Em seus 102 anos de vida, manteve-se fiel aos  princípios ideológicos e doutrinários que nortearam sua luta por um mundo de igualdade e justiça social.






terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Luiz Carlos Prestes - Patriota, Revolucionário, Comunista - Homenagem

Luiz Carlos Prestes: "Uma montanha de honradez"

Coincidentemente a postagem de número 1000 deste blog ocorre no dia 3 de janeiro, aniversário de Luiz Carlos Prestes, exemplo de luta na conquista de um futuro melhor para o povo brasileiro e para a humanidade, ou seja, a luta pelo socialismo. Tendo sido sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçaram por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea. Como afirma o camarada Waldomiro Cavalcanti da Silva, do Centro Luiz Carlos Prestes de Estudos Sociais (CENPRE), Luiz Carlos Prestes é "uma montanha de honradez". 


“Discordar de Prestes, combatê-lo, é direito de todos os seus adversários políticos. O que ninguém pode fazer, honradamente, é negar grandeza à sua presença em mais de meio século da vida nacional, o extremo amor ao Brasil, paixão a conduzi-lo numa extraordinária trajetória”.


(JORGE AMADO, escritor brasileiro)






Veja abaixo algumas das postagens sobre Luiz Carlos Prestes publicadas aqui no blog Prestes A Ressurgir:










Para conhecer esta "extraordinária trajetória", visite o site do INSTITUTO LUIZ CARLOS PRESTES  no endereço http://www.ilcp.org.br/



30 livros de Comunicação para download grátis



A Universidade da Beira, em Portugal, disponibilizou uma série de livros relacionados com a área de comunicação para download grátis mediante autorização de seus respectivos autores e editoras. A maior parte dos livros foi lançada entre os anos de 2010 e 2011.

Confira quais são os livros disponibilizados pela universidade portuguesa:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A ordem criminosa do mundo






Em novembro de 2008, a TVE (Espanha) exibiu um documentário intitulado “A ordem criminosa do mundo”. Nele, Eduardo Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema mortífero e criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de três anos depois, o documentário permanece mais atual do que nunca, com alguns traços antecipatórios da crise que viria atingir em cheio também a Europa. Reproduzimos aqui o vídeo, legendado em português, e algumas das principais afirmações de Galeano e Ziegler:



“Os verdadeiros donos do mundo hoje são invisíveis”



“Os verdadeiros donos do mundo hoje são invisíveis. Não estão submetidos a nenhum controle social, sindical, parlamentar. São homens nas sombras que procuram o governo do mundo. Atrás dos Estados, atrás das organizações internacionais, há um governo oligárquico, de muito poucas pessoas, mas que exercem um controle social sobre a humanidade, como jamais Papa algum, Imperador ou Rei teve”. (Jean Ziegler)



“O atual sistema universal de poder converteu o mundo num manicômio e num matadouro” (Eduardo Galeano).



“A globalização é uma grande mentira”



“O capital financeiro percorre o planeta 24 horas por dia com um único objetivo: buscar o lucro máximo. A globalização é uma grande mentira. Os donos do grande capital que dirigem o mecanismo da globalização dizem: Vamos criar economias unificadas pelo mundo inteiro e assim todos poderão desfrutar de riqueza e de progresso. O que existe, na verdade, é de uma economia de arquipélagos que a globalização criou” (Jean Ziegler).



“Há três organizações muito poderosas que regulam os acontecimentos econômicos: Banco Mundial, FMI e OMC; são os bombeiros piromaníacos. Elas são, fundamentalmente, organizações mercenárias da oligarquia do capital financeiro invisível mundial” (Jean Ziegler).



“Eu não creio que se possa lutar contra a pobreza e criar uma estratégia de luta contra a pobreza sem lutar contra a riqueza, contra os ricos, pois os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres” (José Collado, Missionário em Níger).



“Todos os dias neste planeta, segundo a FAO, 100 mil pessoas morrem de fome ou por causa de suas consequências imediatas” (Jean Ziegler).



“O dicionário também foi assassinado”



“Hoje as torturas são chamadas de “procedimento legal”, a traição se chama “realismo”, o oportunismo se chama “pragmatismo”, o imperialismo se chama “globalização” e as vítimas do imperialismo, “países em vias de desenvolvimento. O dicionário também foi assassinado pela organização criminosa do mundo. As palavras já não dizem o que dizem, ou não sabemos o que dizem” (Eduardo Galeano).



“Se hoje eu digo que faz falta uma rebelião, uma revolução, um desmoronamento, uma mudança total desta ordem mortífera e absurda do mundo, simplesmente estou sendo fiel á tradição mais íntima, mais sagrada da nossa civilização ocidental. O nosso dever primordial hoje deve ser reconquistar a mentalidade simbólica e dizer que a ordem mundial, tal como está, é criminosa. Ela é frontalmente contrária aos direitos do homem e aos textos fundacionais das nossas civilizações ocidentais” (Jean Ziegler).



“Se houvesse uma só morte por fome em Paris haveria uma revolta”



“A primeira coisa que devemos fazer é olhar para a situação de frente e não considerar como normal e natural a destruição, por exemplo, de 36 milhões de pessoas por culpa da fome e da desnutrição. Se houvesse uma só morte por fome em Paris haveria uma revolta. De nenhum modo devemos permitir que as grandes organizações de comunicação nos intimidem, nem as fábricas das teorias neoliberais das grandes corporações, pois todas as corporações se ocupam, primeiro, de controlar as consciências, de controlar como podem a imprensa e o debate público” (Jean Ziegler).



Vem aí o fim do mundo, mas não deve ser em 2012

Para astrônomos, destruição da vida na Terra é inevitável no futuro

 
Aumento do calor do Sol dá aos terráqueos 'só' 1 bilhão de anos de expectativa de vida, a não ser que fujamos



GIULIANA MIRANDA
de São Paulo



Resigne-se: o mundo vai mesmo acabar. Isso só não deve ser em 2012, como muita gente anda dizendo por aí.



Daqui a 1 bilhão de anos, nosso planeta estará fadado à morte certa, com um futuro de temperaturas escaldantes insustentáveis para a manutenção da vida. O culpado? O Sol, a caminho de uma espécie de velhice estelar.



"Faz parte da evolução das estrelas do tipo do Sol. Quando o hidrogênio de seu núcleo vai acabando, a consequência é a estrela aumentar. Isso interfere em seu brilho e na energia que chega à Terra", diz Gustavo Rojas, astrofísico da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).



Embora a presença de vida (ao menos por enquanto) seja exclusividade do Sistema Solar, nossa estrela é de um tipo bastante comum Universo afora.



As estrelas são amontoados de gás incandescente, sobretudo hidrogênio. No núcleo, os átomos se chocam em um ambiente de altíssima pressão, desencadeando a chamada fusão nuclear. Esse processo gera muita energia e permite que a estrela tenha um tamanho estável.



O problema é que esse combustível não dura para sempre e, à medida que ele vai acabando, outro elemento, o hélio (resultado da fusão do hidrogênio) começa ele mesmo a ser fundido.



Essa substituição faz com que as camadas externas da estrela se expandam. É como se o calor se espalhasse pela extensão da estrela, que fica mais fria e, portanto, mais avermelhada. É esse futuro como gigante vermelha que espera o Sol daqui a pelo menos 5 bilhões de anos.



Seu tamanho deverá aumentar em torno de 200 vezes, o suficiente para "engolir" Mercúrio, Vênus e, muito provavelmente, a Terra.



As condições de vida por aqui, porém, irão se deteriorar bem antes disso.



"Daqui a 1 bilhão de anos, com o aumento do brilho do Sol, os oceanos já terão evaporado. Até as rochas derreterão. A vida já terá acabado", diz Carolina Chavero, do Observatório Nacional (RJ).



Tudo isso ainda levará muito tempo para acontecer, mas já existem cientistas propondo alternativas à aniquilação da humanidade. Uma delas seria a migração.



"A zona habitável [região em que há água no estado líquido] do Sistema Solar também mudará. Regiões antes muito frias vão esquentar", diz Gustavo Rojas. Uma boa primeira parada seria Marte.



O "descanso", porém, seria temporário. O Sol logo começaria a fritar também a superfície marciana.



Em mais alguns bilhões de anos, o chamado cinturão de Kuiper, onde fica Plutão, é que terá condições ideais.



Soluções mais malucas, como um guarda-sol para barrar parte da luz estelar, e até um complexo sistema que usaria a força gravitacional de cometas para "empurrar" a Terra para outra órbita, também já foram pensadas.

 
 
FONTE: Folha de São Paulo, 2 de janeiro de 2012
 
 

O racismo não cordial do brasileiro



Por Mario Sergio



Neste final de ano pude testemunhar e viver a vergonha dessa praga do rascismo aqui em nossa multicultural São Paulo. E com pessoas próximas e queridas. Não dá para ficar calado e deixar apenas o inquérito policial que abrimos tomar conta dos desdobramentos desse episódio lamentável e sórdido.




Na sexta feira, 30, nossos primos, espanhóis, e seu pequeno filho de 6 anos foram a um restaurante, no bairro Paraíso (ironia?) para almoçar. O garoto quis esperar na mesa, sentado, enquanto os pais faziam os pratos no buffet, a alguns metros de distância. A mãe, entre uma colherada e outra, olhava para o pequeno que esperava na mesa. De repente, ao olhar de novo, o menino não mais estava lá. Tinha sumido.




Preocupada, deixou tudo e passou a procurá-lo ao redor. Ao perguntar aos outros frequentadores, soube que o menino havia sido retirado do restaurante por um funcionário de lá. Desesperada, foi para a rua e encontrou-o encolhido e chorando num canto. Perguntado (em catalão, sua língua) disse que "o senhor pegou-me pelo braço e me jogou aqui fora".




O casal e a criança voltaram para o apartamento de minha sogra e contaram o ocorrido. Minha sogra que é freguesa do restaurante, revoltada, voltou com eles para lá. Depois de tergiversações, tentativas de uma funcinária em pôr panos quentes, enfim o tal sujeito (gerente??) identificou-se e com a arrogância típica de ignorantes, disse que teria sido ele mesmo a cometer o descalabro. Mas era um engano, mas plenamente justificável porque crianças pedintes da feira costumavam pedir coisas lá e incomodar. E que ele era bom e até os alimentava de vez em quando. Nem sequer pediu desculpas terminando por dizer que se eles quisessem se queixar que fossem à delegacia.




Minha sogra ligou-me e, de fato, fomos à delegacia do bairro e fizemos boletim de ocorrência. O atendimento da delegada de plantão foi digno e correto. Lavrou o BO e abriu inquérito. Terminou pedindo desculpas e que meus primos não levem uma impressão ruim do Brasil.




Em tempo: o filho de 6 anos é negro. Em um e-mail (ainda não respondido pelo restaurante Nonno Paolo) pergunto qual teria sido a atitude se o menino fosse um loirinho de olhos azuis.

 
 
 
 
 

Entenda o que é o Partido da Imprensa Golpista (PIG)



O vídeo  a seguir foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964. Baseado na postagem de Cristiano Freitas Cezar no blog Crítica Midiática: http://analisedanoticia.blogspot.com


domingo, 1 de janeiro de 2012

O ovo da serpente


Por Frei Betto





Não é preciso ser economista para perceber a grave turbulência que afeta a economia globalizada. Se a locomotiva freia, todos os vagões se chocam, contidos em seu avanço. E o Brasil, apesar do PIB de US$ 2,5 trilhões, ainda é vagão...

 

Todo ano, desde 1980, cumpro a maratona de uma semana de palestras na Itália. Desde o início deste novo milênio eram evidentes os sintomas de que a próxima geração não desfrutará do mesmo nível de bem-estar dos últimos 20 anos. Nenhuma economia podia suportar tamanho consumismo e a monopolização crescente da riqueza. Agora, a realidade o comprova. A carruagem da Cinderela virou abóbora. A União Européia patina no pântano...



Muitas são as causas da atual crise econômica. Apontá-las com precisão é tarefa dos economistas que não cultivam a religião da idolatria do mercado. Como leigo no assunto, arrisco o meu palpite.



Desde os anos 80, a especulação se descolou da produção. O mundo virou um cassino global. Sem passaporte e sem vistos, bilhões de dólares trafegam livremente, dia e noite, em busca de investimentos rentáveis. Enquanto o PIB do planeta é de US$ 62 trilhões, o cacife do cassino é de US$ 600 trilhões. A famosa bolha... Haja papel sem lastro!



A lógica do lucro supera a da qualidade de vida. A estabilidade dos mercados é, para os governos centrais, mais importante que a dos povos. Salvar moedas, e não vida humanas.



Todos sabemos como a prosperidade da Europa ocidental foi alcançada. Para se evitar o risco do comunismo, implantou-se o Estado de bem-estar social. Combinou-se Estado provedor e direitos sociais. Reduziu-se a desigualdade social e as famílias de trabalhadores passaram a ter acesso à escolaridade, assistência de saúde, carro e casa própria.



Em contrapartida, para não afetar a robustez do capital, desregularam-se as relações de trabalho, desativou-se a luta sindical, sepultou-se a esquerda. Tudo indicava que a prosperidade, que batia à porta, viera para ficar.



Não se deu a devida importância a um pequeno detalhe aritmético: se há duas galinhas para duas pessoas, e uma se apropria das duas, a outra fica a ver navios... E quando a fome bate, quem nada tem invade o espaço de quem muito acumulou.



Assim, os pobres do mundo, atraídos pelo novo Eldorado europeu, foram em busca de um lugar ao sol. Ótimo, a Europa, como os EUA, necessitava de quem, a baixo custo, limpasse privadas, cuidasse do jardim, lavasse carros...



A onda migratória viu-se reforçada pela queda do Muro de Berlim. A democracia política chegou ao Leste europeu desacompanhada da democracia econômica. Enquanto milhares tomaram o rumo de uma vida melhor no Ocidente, seus governos acreditaram que, para chegar ao Paraíso, era preciso ingressar na zona do euro.



A Europa entrou em colapso. A culpa é de quem? Ora, crime de colarinho branco não tem culpado. Quem foi punido pela crise usamericana em 2008? Os desmatadores do Brasil não estão sendo anistiados pelo novo Código Florestal?



Culpados existem. Todos, agora, se escondem sob a barra da saia do FMI. E nós, brasileiros, sabemos bem como este grande inquisidor da economia pune quem comete heresias financeiras: redução do investimento público; arrocho fiscal, desemprego, aumento de impostos, corte de direitos sociais, punição a países com déficit público etc.



O descaramento é tanto que o pacote do FMI inclui menos democracia e mais intervencionismo. Quando Papandruu, primeiro-ministro da Grécia, propôs um plebiscito para ouvir a voz do povo, o FMI vetou a proposta, depôs o homem e nomeou Papademos, um tecnocrata, para o seu lugar. Também o governo da Itália foi ocupado por um tecnocrata. Como se o fim da crise dependesse de uma solução contábil.



A história recente da Europa ensina que a crise social é o ovo da serpente – chocado pelo fascismo. Sobretudo quando a crise não é de um país, é de um continente. Não adiantam mobilizações em um país, é preciso que elas se expandam por toda a Europa. Mas como, se não existem sindicalismo combativo e partidos progressistas?



As mobilizações tipo Ocupem Wall Street servem para denunciar, não para propor, se não houver um projeto político. Quem se queixa do presente e teme o futuro, corre o risco de se refugiar no passado – onde se abrigam os fantasmas de Hitler e Mussolini.


 

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de “Conversa sobre fé e ciência” (Agir), entre outros livros.

 
 

Cuba: 53 anos da Revolução



Aniversário do Triunfo da Revolução Cubana






Tudo como antes