domingo, 11 de dezembro de 2011

Entrevista de Atílio Boron sobre a situação do mundo atual

Consultem esta importante entrevista do sociólogo e analista político Atílio Boron sobre a situação mundial atual, incluindo a América Latina e o Brasil. Trata-se de análise lúcida e calcada em sólido conhecimento da correlação de forças presente no panorama político e militar do mundo atual.

 

Aulas sobre O Capital de Marx



Para quem quer estudar Marx a partir de O Capital. O Prof. Reinaldo Carcanholo acabou de disponibilizar em seu site vídeos com algumas de suas aulas para o Mestrado  do Programa de Pós-Graduação em Política Socia – UFES – 2011. Segue o Link: http://carcanholo.com.br/videos.htm.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bandeira da Palestina vai ser hasteada na sede da UNESCO



A bandeira da Palestina será hasteada na sede da UNESCO, em Paris, na terça-feira, dia 13 de Dezembro, formalizando a admissão do território como membro de pleno direito, divulgou, esta quarta-feira, a organização.

 

A cerimónia irá contar com a presença da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e do ministro dos Negócios Estrangeiros palestino, Riad Maliki, indicou ainda a organização, em comunicado.



A Autoridade Palestina foi admitida como membro de pleno direito da UNESCO no passado dia 31 de Outubro.



Uma maioria dos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura votou favoravelmente o pedido de adesão da Palestina.



Entre os países que votaram favoravelmente estiveram a Índia, a China e vários países latino-americanos.



Estados Unidos, Alemanha e Canadá, entre outros, votaram contra. Portugal absteve-se.



 
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Apontamentos sobre a ridícula idéia de “capital humano”


Por Reinaldo A. Carcanholo



Como dissemos, a idéia de capital humano deriva da mesma ilusão provocada pelo capital a juros e que dá nascimento ao capital ilusório. Só que aqui se trata de uma simples e pura mistificação produzida e mantida pelo pensamento neoliberal.

 

Em um excelente artigo de Alain Bihr denominado “A fraude do conceito de capital humano”, publicado pelo Le Monde Diplomatique (Brasil) de 5 de dezembro de 2007, o autor identifica a origem da idéia:

“Devemos a noção de ‘capital humano’ ao economista americano Theodor W. Schultz, que a inventou nos anos 50. Ela foi popularizada por seu colega e compatriota Gary Becker.”

 
E o autor continua, explicitando quando se difundiu:

 
“Por muito tempo confinada ao círculo estreito dos economistas neoclássicos, a noção de ‘capital humano’ se difundiu a partir dos anos 80 para se tornar um dos conceitos favoritos dos teóricos dos ‘recursos humanos’ e das agências de recrutamento. Ela ocupa hoje um lugar privilegiado no vocabulário dos políticos...”

 
O sitio http://pt.goldenmap.com/Capital_humano é mais explícito sobre o tema e mantém, também, uma atitude crítica sobre a idéia:

 
“O conceito de capital humano tem origem durante a década de 1950, nos estudos de Theodore W. Schultz, (1902 - 1998), que dividiu o prêmio Nobel de Economia de 1979 com Sir Arthur Lewis. O conceito foi desenvolvido e popularizado por Gary Becker e retomado, nos anos 1980, pelos organismos multilaterais mais diretamente vinculados ao pensamento neoliberal, na área educacional, no contexto das demandas resultantes da reestruturação produtiva. Deriva dos conceitos de capital fixo (maquinaria) e capital variável (salários). O "capital humano" (capital incorporado aos seres humanos, especialmente na forma de saúde e educação) seria o componente explicativo fundamental do desenvolvimento econômico desigual entre países”.

 
Faz uma referência a passagem d’O Capital que, embora mal citada e não localizada, por ser interessante vale a pensa registrar:

 
"Economistas apologéticos (...) dizem: (...) a sua (do trabalhador) força de trabalho é, portanto, ela mesma, seu capital em forma-mercadoria, da qual lhe flui continuamente seu rendimento. De fato, a força de trabalho é a sua (do trabalhador) propriedade (reprodutiva, que sempre se renova), e não o seu capital. É a única mercadoria que ele pode e tem que vender continuamente para viver, e que atua como capital variável apenas nas mãos do comprador, o capitalista. Que um homem seja continuamente compelido a vender sua força de trabalho, isto é, ele mesmo, para outro homem, prova, segundo esses economistas, que ele é um capitalista, porque constantemente tem "mercadorias" para vender. Nesse sentido, um escravo também é um capitalista, embora ele seja vendido por uma outra pessoa, mas sempre como mercadoria; pois é da natureza dessa mercadoria, o trabalho escravo, que seu comprador não só a faça trabalhar de novo a cada dia mas também lhe dê os meios de subsistência que a capacitam a trabalhar de novo e sempre." (MARX, Karl . O Capital, vol. II, capítulo XX, seção X)

Muito sugestivo: até os escravos possuíam ou possuem capital humano. Melhor até que essa passagem, encontra-se uma no livro III d’O Capital, cap. XXIX, em que fica clara a relação entre a ridícula idéia de capital humano e a ilusão provocada pelo capital a juros, ilusão essa que origina o capital ilusório. Além disso, localiza a origem da idéia (embora não da expressão “capital humano”) não depois do século XVII(!):

 
“Chega-se a considerar o salário como capital que rende juro e, em conseqüência, a força de trabalho como capital que rende esse juro ... O absurdo da concepção capitalista atinge aí o apogeu: em vez de explicar a valorização do capital pela exploração do trabalho, ao contrário, explica a produtividade da força de trabalho com a circunstância de possuir essa força o dom místico de ser capital que produz juro. Essa idéia esteve em moda na segunda metade do século XVII (Petty, por exemplo), mas hoje em dia é utilizada ainda com seriedade imperturbável pelos economistas vulgares e principalmente pelos estatísticos alemães. Duas circunstância desagradáveis (que pena!) lançam por terra essa concepção insensata: primeiro, o trabalhador tem de trabalhar para receber esse juro e, segundo, não pode mediante transferência converter em dinheiro o valor-capital da força de trabalho”, Marx (livro III, p. 536)

Marx chegaria a se surpreender mais ainda se tivesse a oportunidade de saber que um certo senhor teria reinventado a idéia no século XX, idéia que existia desde o XVI(!), e que até hoje é repetida por economistas medíocres e por outros também. Agora ganhou status de conceito ou categoria: capital humano! Aparece no arsenal dos vocábulos de todos aqueles que querem impressionar, “com seriedade imperturbável”, os ouvintes que se supõem mais ignorantes.

 

Talvez por esse feito, o tal senhor tenha recebido o prêmio Nobel.


 
Reinaldo A. Carcanholo é professor da UFES e vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Economia Política - SEPLA.



 
 

Gramsci e histórias em quadrinhos: Mafalda e a construção de sentidos contra-hegemônicos


Por Carlos Eduardo Rebuá Oliveira

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ (Proped)
Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Resumo

Apesar da recente profusão de trabalhos acerca das hq’s e sua relação com a educação, estudar os quadrinhos na sala de aula ainda representa tarefa difícil não apenas pela bibliografia acadêmica ainda incipiente, mas sobretudo pela dificuldade em se discutir tal linguagem sem incorrer no mecanicismo, no utilitarismo, ou em outras palavras, estudar as hq’s sem enjaulá-las na categoria de "ferramenta", de "carta na manga" do professor.

Tendo como base o conceito de hegemonia em Gramsci, sobretudo da noção de contra-hegemonia, buscamos analisar Mafalda, obra do cartunista argentino Quino, no ensino de História, a partir do que chamamos de "crítica Mafaldiana" aos elementos característicos da sociedade burguesa. É esforço fundamental da pesquisa identificar em que medida é possível, a partir da crítica "Mafaldiana", construir, coletivamente, sentidos contra-hegemônicos na sala de aula.



Em termos metodológicos, foram selecionadas duas tiras de Mafalda, presentes na obra Toda Mafalda, no intuito de subsidiar as reflexões aqui esboçadas. A restrição de espaço impediu a análise de mais tiras.

Palavras-Chave: Ensino de História – Mafalda – Contra-hegemonia



A hegemonia em Gramsci



Se o conceito de hegemonia é um dos mais difíceis de definir dentro do pensamento marxista, tendo sido interpretado como liderança e/ou como domínio, será com Antonio Gramsci (1891-1937) que tal conceito alcançará seu pleno desenvolvimento como conceito marxista.



Considerado por muitos estudiosos de Gramsci seu conceito chave e sua maior contribuição à teoria marxista, a "hegemonia gramsciana" era ainda um conceito pouco desenvolvido antes de sua prisão pelo Estado fascista, em 1926. Da concepção pré-cárcere de hegemonia como uma estratégia da classe operária e um sistema de alianças que o operariado deve dar início com o objetivo de derrubar o Estado burguês, Gramsci passa a compreender a hegemonia, já nas anotações da prisão (que dariam origem à sua maior obra, os Quaderni), como o modo pelo qual a burguesia estabelece e mantém sua dominação (hegemonia como projeto de classe). Analisando historicamente a Revolução Francesa e o Risorgimento italiano, Gramsci vai buscar entender como se construiu nestes países a chegada da burguesia ao poder e, sobretudo, a manutenção deste poder, definindo o Estado, a partir principalmente de Maquiavel, como força mais consentimento, coerção mais consenso, sociedade política mais sociedade civil.



Gramsci amplia a teoria leninista do Estado, defendendo que a hegemonia não se reduz à força econômica e militar, mas resulta de uma batalha constante pela conquista do consenso no conjunto da sociedade (grupos subalternos e potenciais aliados). Segundo o pensador sardo, a hegemonia corresponde à liderança cultural e ideológica de uma classe sobre as demais, pressupondo a capacidade de um bloco histórico (aliança de classes e frações de classes, duradoura e ampla) dirigir moral e culturalmente, de forma sustentada, toda a sociedade (Moraes, 2009, p.35). Portanto, é impossível pensar a hegemonia sem pensar na luta de classes:


Falar em hegemonia e contra-hegemonia é pensar no antagonismo entre as classes sociais que, a partir de sua posição dominante ou subalterna no interior da sociedade e do Estado de classes, exercem, sofrem e disputam permanentemente o poder. (Dantas, 2008, p. 91)

Como categoria dinâmica, a hegemonia pressupõe negociações, compromissos, renúncias por parte do grupo dirigente que se pretende hegemônico. A base material da hegemonia é construída a partir de concessões e reformas com as quais se mantém a liderança de uma classe (ou frações de classe) e pelas quais outras classes (aliadas ou subordinadas) têm suas reivindicações atendidas. Para Gramsci, a hegemonia não pode ser garantida sem desconsiderar demandas mínimas dos "de baixo", sendo fundamental a classe dirigente saber ceder, saber realizar sacrifícios no intuito de preservar este instável equilíbrio de forças (Gramsci, 2002, vol. 3, p. 47).



Entretanto, o comunista italiano reitera que estas concessões são sempre assimétricas, ou seja, que existe um grupo que dirige e outros que são dirigidos, logo, a renúncia da classe hegemônica não pode nunca permitir um desequilíbrio em sua relação com a classe subalterna, e mais que isso, um desequilíbrio a nível estrutural (Ibidem, pp. 47-48).



Referência no estudo da hegemonia em Gramsci, Luciano Gruppi defende que o marxista italiano apresenta este conceito em toda a sua amplitude, ou seja, "como algo que opera não apenas sobre a estrutura econômica e sobre a organização política da sociedade, mas também sobre o modo de pensar, sobre as orientações ideológicas e inclusive sobre o modo de conhecer." (Gruppi, 1978, p. 3)



Em outras palavras, Gruppi destaca que a hegemonia só é possível se a liderança de uma classe se dá também no plano da superestrutura (num viés marxista mais ortodoxo), se ela é uma liderança cultural e ideológica que produz consenso e adesão à sua agenda. Não basta a ação coercitiva se o objetivo é um domínio por completo, um domínio hegemônico.



Finalizando, é imprescindível pontuar que as formas da hegemonia nem sempre são as mesmas, variando de acordo com a natureza das forças que a exercem. (Moraes, op. cit., p. 36), e que a hegemonia nunca é "completa", o poder de uma classe nunca está garantido completamente. E reafirmando o que dissemos anteriormente: é impossível desvincular a questão da luta de classes da discussão de hegemonia, algo bastante comum hoje em dia, nos diversos processos de "domesticação" de Gramsci.



Mafalda e sua turma



Criada em 1964 (inicialmente para uma propaganda de uma marca de eletrodomésticos), Mafalda é a personagem de hq’s mais popular da Argentina e uma das mais conhecidas do mundo. Sua curta trajetória vai de 1964 a 1973, através de três publicações: Siete Días Ilustrados, Primera Plana e El Mundo.



Os interlocutores de Mafalda também representam personagens extremamente ricas, como por exemplo, Susanita, a "burguesinha" fofoqueira, egoísta e briguenta cujo principal projeto de vida é casar e ter filhos; Felipe, o sonhador de imaginação fértil, vidrado em hq’s de aventuras, preguiçoso, tímido e que não gosta de ir à escola; Manolito, o empresário-mirim da turma, ambicioso, bruto, materialista, e que sonha ser dono de uma rede de supermercados! Completam a turma o simpático Miguelito, um filósofo vaidoso ao extremo que deseja o estrelato mais do que tudo; a pequena Libertad, uma miniatura de Mafalda, filha de hippies e entusiasta das revoluções; Guile, o irmão caçula de Mafalda, que freqüentemente a surpreende com suas "transgressões"; e os pais de Mafalda, típico casal de classe média latino-americana, passivos, limitados intelectualmente e endividados.



A filósofa de seis anos, invocada, utópica e questionadora das injustiças do mundo, libertária, politizada, fã de Beatles e avessa a qualquer tipo de sopa, dialoga com diversas faixas etárias e classes sociais, sendo bastante utilizada em livros didáticos, sejam eles de Gramática, História, Geografia ou Filosofia.



A personagem de Quino constrói sua fala, em grande parte das tiras, de duas formas: ou a partir do questionamento dos adultos (geralmente seus pais), no intuito de dirimir as dúvidas que tiram seu sono, ou na interação com as outras personagens, de mesma idade, buscando entender o mundo que os cerca (por que existem guerras? por que a mãe trabalha em casa e o pai não?) a partir dos referenciais de que dispõem. Obviamente Mafalda não é um quadrinho infantil, dialogando diretamente com um público majoritariamente de adolescentes e adultos. Desta forma, a personagem de Quino oscila muitas vezes entre a caracterização de uma criança típica, com tudo que lhe possa ser atribuído (medo, ingenuidade, dependência dos pais), e uma criança excepcionalmente lúcida, crítica e profunda conhecedora da realidade na qual está inserida, que discute de igual pra igual com as pessoas mais velhas, na maioria das vezes colocando-as em posição de "xeque-mate".



Após ser perguntado se é possível modificar algo através do humor, Quino afirmou certa vez: "Não. Acho que não. Mas ajuda. É aquele pequeno grão de areia com o qual contribuímos para que as coisas mudem". Apesar da resposta categórica, é fato que a obra de Quino contribuiu (e contribui) bastante para a crítica do senso comum, para a politização através da arte e, sobretudo, para uma leitura das décadas de 1960 e 1970 que, longe de ser neutra ou contemplativa, se posiciona e questiona a todo o momento os fatos, os costumes, a partir da visão que Quino tem do mundo, visão que, apesar de não romper com a sociedade de classes, tampouco defender a superação do capital, em muitas circunstâncias possibilita leituras contra-hegemônicas da realidade. Mais à frente retornaremos a este ponto.



A crítica "Mafaldiana" aos elementos característicos da sociedade burguesa


Tira 1 (A "Democracia")



Tira 2 (O Individualismo)


As tiras acima, "estrelando" Mafalda, sua família (pai, mãe e Guile, seu irmão) e Miguelito (Tira 2), abordam dois elementos presentes na sociedade burguesa e que representam condições imprescindíveis para que a hegemonia desta classe seja garantida. Por enquanto, apenas comentaremos brevemente as tiras, para em seguida analisarmos mais detidamente a contra-hegemonia, a relação entre hegemonia e educação, a ideologia em Gramsci e a construção de sentidos contra-hegemônicos na aula de História.



A Tira 1 tem como tema central a democracia e seu sentido denotativo. Mafalda, ainda de dia, procura no dicionário o significado da palavra "democracia". Ao ler que significa "governo em que o povo exerce a soberania", Mafalda reage gargalhando profundamente, uma vez que tem a clareza, a partir da concretude de seu mundo de criança, que a democracia, em sua acepção original (grega) não existe. Anoitece, Mafalda vai dormir, mas o sorriso não sai de seu rosto, fato que deixa sua família sem entender absolutamente nada.



Esta tira permite ao professor de História estimular a discussão sobre o que caracteriza a democracia burguesa (sufrágio universal, liberdades políticas, império da lei, competição política), problematizando com os alunos (i) se realmente vivemos uma democracia (nos termos em que foi pensada pelos gregos); (ii) para quais grupos sociais a democracia de hoje serve; (iii) se direitos políticos são a mesma coisa que direitos sociais, civis; (iv) como é possível que um povo seja soberano, dentre outros questionamentos.



A Tira 2 trata do individualismo, outro elemento imprescindível do modelo burguês de sociedade. Brincando com a idéia do self-made man, os milionários que prosperaram "sozinhos", e com a idéia do "vencer na vida", Quino critica, com seu humor refinado, o individualismo, extremamente valorizado e insistentemente estimulado nas sociedades capitalistas.



Mafalda (encarnando a "criança típica"), diz para Miguelito que estava lendo numa revista uma matéria sobre self-made man. Seu amigo diz não saber o que é isso, e Mafalda, que também não entendeu direito do que se trata, sem muita certeza afirma que quando a pessoa nasce pobre e morre rica ela venceu na vida. Trata-se de uma tira riquíssima, que o professor pode utilizar para explorar contradições da sociedade burguesa, como por exemplo, a veracidade da idéia do self-made man, pois é impossível obter lucro, enriquecer, sem a "ajuda" da exploração econômica dos trabalhadores, sem a mais-valia, sem a transformação do trabalhador em mercadoria. Os diversos "Jobs", "Gates", "Rockfellers", "Rothschilds", "Eikes", "Justus", idolatrados pela mídia, pelas editoras de livros sobre "Como ser um vencedor?", pelo senso comum, não construíram impérios sozinhos, tampouco com o esforço de seu próprio trabalho.



A expressão "vencer na vida" também pode ser explorada, uma vez que a existência de vencedores pressupõe a existência de "perdedores", denotando que na sociedade burguesa, a competição não apenas é estimulada como "premiada". É devastador o efeito da idéia de competição na sala de aula, como mostram as reações diante das notas, o esforço para ser o número um da classe, a decepção com o "fracasso". A frase "se você não estudar não será ninguém na vida" é, infelizmente, ainda bastante comum no ambiente escolar, por parte dos alunos, orientadores educacionais, professores. Provocar tais reflexões é muito importante para revelar as contradições da sociedade do "você vale o quanto ganha", onde os atalhos são mais estimulados que as travessias, o "empreendedorismo" mais evidenciado que o trabalho, o singular mais valorizado que o plural.



Contra-hegemonia no ensino de História e a relação hegemonia/educação



O conceito de contra-hegemonia não foi formulado por Gramsci. Corresponde a uma interpretação do conceito de hegemonia de Gramsci a partir de uma perspectiva crítica, atualizada e, sobretudo estratégica, por parte de inúmeros marxistas (os brasileiros Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho, por exemplo), objetivando traduzir/demarcar, em termos de luta ideológica e material, um projeto antagônico de classe, em relação à hegemonia burguesa. O termo, que se consolidou pelo uso, significa que a luta é contra uma hegemonia estabelecida, uma luta que objetiva a construção de uma nova hegemonia, e que por isso, corresponde a um projeto de classe distinto.



Para Eduardo Granja Coutinho,

Parafraseando Marx, pode-se dizer que toda hegemonia traz em si o germe da contra-hegemonia. Há, na verdade, uma unidade dialética entre ambas, uma se definindo pela outra. Isto porque a hegemonia não é algo estático, uma ideologia pronta e acabada. Uma hegemonia viva é um processo. Um processo de luta pela cultura. (Coutinho, 2008, p. 77)

E recuperando Raymond Williams, a partir de Chauí, frisa que a hegemonia "deve ser continuamente renovada, recriada, defendida e modificada e é, continuamente, resistida, limitada, alterada, desafiada por pressões que não são suas". (Ibidem)



Conforme discutido na parte "A hegemonia em Gramsci", a hegemonia corresponde à liderança de uma classe e suas frações sobre as demais; corresponde a uma direção política, cultural que é exercida por uma classe em aliança ou não com outras. Logo, um movimento contra-hegemônico sempre compreenderá a luta de classes, significando um projeto distinto de sociedade, como por exemplo, o comunismo em relação ao capitalismo.



É fundamental pontuar que ser crítico não significa necessariamente ser contra-hegemônico. Posições críticas a valores dominantes não necessariamente conformam uma contra-hegemonia. O Romantismo estabeleceu críticas importantes ao capitalismo, mas nem por isso foi contra-hegemônico, pois não propôs a superação do capital, não rompeu com o modelo burguês de sociedade, não forjou outra hegemonia.



Conforme dito anteriormente, apesar de Quino não ser marxista, de não defender o fim do capitalismo, ou o fim das classes, é possível que o professor de História (que também não precisa ser marxista para tal) a partir das críticas incisivas de Mafalda, suscite/construa sentidos contra-hegemônicos, questionando, a partir dela, os diversos elementos característicos da sociedade burguesa.



Como obra de arte, Mafalda explicita as contradições do momento histórico em que foi produzida, mesmo que seu autor não tenha tido a intenção disto ao desenhá-la. Ciente disto, é possível se apropriar da obra de Quino em sala de aula, não apenas para conhecer/compreender melhor os anos 1960 e 1970 na América Latina, mas também para provocar reflexões acerca das rupturas e sobretudo permanências oriundas deste período histórico, problematizando a sociedade de classes, o capital, o imperialismo, o modelo burguês de sociedade (expondo suas contradições), e costurando vieses contra-hegemônicos, ou seja, discutindo caminhos, possibilidades de construção de outra sociedade, de outro mundo (perspectiva contra-hegemônica).



Em sua leitura da hegemonia, Gramsci defendia a existência dois tipos de embate político: a guerra de posição (conquista da hegemonia civil) e a guerra de movimento (revolução permanente), estratégias específicas para condições da luta de classes específicas. A primeira se daria em países onde a sociedade civil estivesse estruturada (sociedades de "Estado ampliado" – o Brasil de hoje, por exemplo) e se constituiria numa "guerra de trincheiras", com recuos e avanços, através dos aparelhos privados de hegemonia (escola, partido, meios de comunicação, sindicato, Igreja), buscando conquistar posições de direção e governo dentro da sociedade. Já a segunda seria a forma possível nos países de frágil sociedade civil (sociedades de "Estado restrito" – a Rússia pré-Revolução de Outubro, por exemplo), correspondendo a uma irrupção rápida e violenta contra o Estado.



Os aparelhos privados de hegemonia não são monopólio da classe dominante que exerce a hegemonia: as classes dominadas que também desejam conquistá-la, segundo Gramsci, ocupam espaços dentro do aparelho que permitem a construção de "trincheiras" e logo, de uma guerra de posição (Moraes, op. cit., p. 40).



Sem dúvida, a escola representa um dos mais poderosos aparelhos privados de hegemonia. Compreendendo a guerra de posição como movimento de elaboração de contra-hegemonia, é possível entender que uma formação crítica, que promova a desalienação e a autonomia dos educandos, apontando para outros caminhos, permite conquistar posições importantes nos embates contra a hegemonia dominante (guerra de posição), e no limite, fortalecer a contra-hegemonia.



A crítica "Mafaldiana", no ensino de História, possibilita inúmeros pontos de entrada para a análise crítica da sociedade burguesa, expondo suas contradições. Uma aula de História sintonizada com tal percepção pode construir, coletivamente, sentidos contra-hegemônicos em relação à hegemonia burguesa. Obviamente não se defende aqui que o professor sozinho seja capaz de construir uma contra-hegemonia, processo complexo e dinâmico. A perspectiva é sempre coletiva, compreendendo os quadrinhos como ponto de partida e nunca de chegada (tampouco creditando a eles a capacidade de sozinhos, esgotarem as discussões e conteúdos da disciplina); entendendo o espaço da sala de aula como espaço da contradição, da heterogeneidade, como espaço de disputas onde alternativas ao modelo burguês de sociedade podem ser pensadas, debatidas, forjadas.



Outra contribuição fundamental de Gramsci para nossas pretensões neste trabalho é a compreensão de que hegemonia e educação mantêm uma relação dialética entre si. Para o pensador sardo, toda relação pedagógica é hegemônica, assim como qualquer relação hegemônica é necessariamente pedagógica (Jesus, 1989, pp. 122-123). A educação é imprescindível para as relações de direção (consenso) e dominação (coerção) de uma classe (hegemonia), da mesma forma que uma classe só é hegemônica de fato, quando sua liderança ideológico/cultural é consensual.



Em outras palavras, a chave para se entender a relação hegemonia/educação está no consenso (ideologias). Toda pedagogia compreende uma dimensão hegemônica (ou contra-hegemônica), pois constrói/refuta/legitima consensos. Da mesma forma, toda hegemonia (e contra-hegemonia) é uma ação pedagógica, pois não basta a força para que uma classe se torne hegemônica e/ou mantenha sua hegemonia – o vetor-consenso da dominação de classe é indispensável, ou seja, "educar" as concepções de mundo de acordo com seus interesses.



O filósofo italiano refuta a noção de ideologia como falseamento da realidade, compreendendo-a como "(...) uma concepção de mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade econômica, em todas as manifestações de vida individuais e coletivas." (Gramsci, 1989, p. 16) Para Gramsci, a ideologia não reflete simplesmente o interesse da classe econômica, não é algo determinado pela estrutura econômica ou pela organização da sociedade, mas um espaço de luta (Bottomore, loc. cit.), uma representação da realidade própria de um grupo social (Liguori, 2007, p. 94).



Uma vez que é impossível pensar a hegemonia e a contra-hegemonia "por fora" das classes, é imperioso frisar que o encaminhamento de ambas depende de convicções e motivações ideológicas (Konder, 2002, p. 195).



Com Gramsci, entendemos que os aparelhos privados de hegemonia são os espaços responsáveis pela elaboração e/ou difusão das ideologias (Coutinho, 2007, p. 127), sendo primordiais para a conquista do poder de Estado nas sociedades complexas do capitalismo recente (Ibidem, p. 135).



Em síntese, ao defendermos a possibilidade do professor de História construir sentidos contra-hegemônicos na sala de aula, entendemos a escola como um destacado aparelho privado de hegemonia; a contra-hegemonia como um projeto de classe; corroboramos a idéia do vínculo dialético entre as relações hegemônicas e pedagógicas; afirmamos que uma análise dialética das concepções de mundo tem que começar com a distinção essencial entre as concepções que visam manter a ordem estabelecida e aquelas que visam transformá-la (Löwy, 2006, p. 19); defendemos que o processo de ensinar-aprender é sempre coletivo, dialógico, contraditório, e que não pode prescindir da crítica, da análise do real, da transformação de idéias, princípios, em práticas concretas, e finalmente, não pode jamais perder de vista o projeto de emancipação humana.



A baixinha Mafalda pensa e age a partir "de baixo", em seu duplo (múltiplos?) sentido (s). Defender outra educação possível, outra escola, é defender outra sociedade, e a crítica Mafaldiana sobre os problemas da sociedade contemporânea, onde todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros, sem dúvida pode ajudar bastante o professor que "enxerga" o mundo a partir de uma perspectiva contra-hegemônica.



Referências



BOTTOMORE, Tom (edit.). Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.


CHAUÍ, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1986.


COUTINHO, Carlos Nelson. Intervenções: o marxismo na batalha das idéias. São Paulo: Cortez, 2006.


________________________. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.


COUTINHO, Eduardo Granja. "Processos contra-hegemônicos na imprensa carioca, 1889/1930". In: Comunicação e contra-hegemonia: processos culturais e comunicacionais de contestação, pressão e resistência / organizador Eduardo Granja Coutinho. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2008, pp. 65-89.



GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere / organizador Carlos Nelson Coutinho, Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 (vol. 3).

_________________. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1989.


GRUPPI, Luciano. O conceito de hegemonia em Gramsci. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1978.


JESUS, Antônio Tavares de. Educação e hegemonia no pensamento de Antonio Gramsci. São Paulo: Cortez, 1989.


KONDER, Leandro. A questão da ideologia. São Paulo: Cia das Letras, 2002.


LIGUORI, Guido. Roteiros para Gramsci. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2007.


LÖWY, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2006.


MORAES, Denis de. A batalha da mídia: governos progressistas e políticas de comunicação na América Latina e outros ensaios. Rio de Janeiro: Pão e Rosas, 2009.


POULANTZAS, Nicos. O Estado, o poder, o socialismo. Rio de janeiro: Graal, 1980.


QUINO. Toda Mafalda. Rio de Janeiro: Martins Fontes Editora, 2002.

 
 
 
 

Esta merda tem de acabar - Jacques Fresco

Ranking da Anvisa aponta alimentos contaminados por agrotóxicos



Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, relativo ao ano de 2010, indica produtos com problema de contaminação. O pimentão, o morango e o pepino lideram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico no ano em questão. Dois tipos de problemas foram detectados pela Anvisa nestas amostras: presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

Marco Aurélio Weissheimer (*)



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou hoje (7) os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, relativo ao ano de 2010. O pimentão, o morango e o pepino lideram o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico no ano em questão. Mais de 90% das amostras de pimentão analisadas pelo programa apresentaram contaminação. No caso do morango e do pepino, o percentual de amostras contaminadas foi de 63% e de 58%, respectivamente.



Dois tipos de problemas foram detectados pela Anvisa nestas amostras: presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. As amostras foram coletadas em 25 estados do país e no Distrito Federal. São Paulo foi o único Estado a não participar do programa em 2010



Outros produtos apresentaram problemas classificados como “preocupantes” pela Anvisa. Em 55% das amostras de alface e 50% das amostras de cenoura também foram encontrados sinais de contaminação. Beterraba, abacaxi, couve e mamão apresentaram o mesmo problema em 30% de suas amostras. No outro extremo, a batata foi aprovada como livre de contaminação em 100% das amostras analisadas.



O diretor da Anvisa, Agenor Álvares, definiu assim o resultado: “São dados preocupantes, se considerarmos que a ingestão cotidiana desses agrotóxicos pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a desregulação endócrina e o câncer”.



No balanço geral, das 2.488 amostras analisadas pelo programa, 28% apresentaram problemas. Deste total, em 24,3% dos casos, foi constatada a presença de agrotóxicos não autorizados para a cultura analisada. Em 1,7% das amostras foram encontrados resíduos de agrotóxicos em níveis acima dos autorizados. “Esses resíduos indicam a utilização de agrotóxicos em desacordo com as informações presentes no rótulo e bula do produto, ou seja, indicação do número de aplicações, quantidade de ingrediente ativo por hectare e intervalo de segurança”, observa Agenor Álvares. Em 1,9% das amostras foram encontradas as duas irregularidades simultaneamente na mesma amostra.



O relatório final do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos destaca que as doenças crônicas não transmissíveis – que têm os agrotóxicos entre seus agentes causadores – são hoje um problema mundial de saúde pública. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são responsáveis por 63% das 57 milhões de mortes declaradas no mundo em 2008, e por 45,9% do volume global de doenças.



A OMS prevê um aumento de 15%, entre 2010 e 2020, dos óbitos causados por essas doenças. No Brasil, elas já representam a principal causa de óbito, sendo responsáveis por 74% das mortes ocorridas em 2008 (893.900 óbitos).



O mercado brasileiro de agrotóxicos é o maior do mundo, com 107 empresas aptas a registrar produtos, e representa 16% do mercado mundial. Somente em 2009, foram vendidas mais de 780 mil toneladas de produtos no país. Além disso, o Brasil também ocupa a sexta posição no ranking mundial de importação de agrotóxicos.



A entrada desses produtos em território nacional aumentou 236%, entre 2000 e 2007. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Dez variedades vendidas livremente aos agricultores não circulam na União Europeia e Estados Unidos. Foram proibidas pelas autoridades sanitárias desses países.



(*) Com informações da Anvisa.


Demorô Demais, Dilma!!!!!!!!!!!!

É HORA DE DESAPROPRIAR POR TERRA, TRABALHO E MORADIA! É HORA DE OCUPAR AS TERRAS NO CAMPO E TERRENOS NAS CIDADES, AS FÁBRICAS FECHADAS E FALIDAS.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Comuna de Paris pelo prisma da educação


Clique sobre o título para ler os textos:


Em matéria de ensino, a Comuna não teve tempo de dar sua medida. A Circular Vaillant indica, contudo, que ela pretendia realizar uma reforma socialista da escola, introduzindo a "instrução integral" recomendada pela Associação Internacional dos Trabalhadores.


A educação como elemento superestrutural não é autonôma e depende da forma e do modo como os homens produzem sua sobrevivência material. A Comuna procurou pôr em prática os ideais educacionais da escola laica, gratuita, obrigatória e universal, integrando educação e trabalho. Ideais defendidos antes mesmo da Revolução Francesa, mas até hoje não concretizados no Brasil, por exemplo.


Se a Ditadura acabou, onde está a Democracia?

Segue abaixo link para artigo interessante da Revista da ADUSP sobre a Comissão da Verdade:



 
 
A presidenta Dilma Rousseff deverá nomear, em breve, os membros da Comissão Nacional da Verdade, após a aprovação do PLC 88/2011 no Senado. A composição do novo órgão, se conservadora, poderá ser a “pá de cal” nas expectativas de que viesse a apurar os crimes da Ditadura Militar. Ao contrário, poderá reacendê-las, caso os designados tenham um perfil de compromisso com a luta das vítimas e de autonomia perante o governo. A tramitação do projeto no Congresso reiterou a existência do pacto entre os comandos militares e o governo, pois este rejeitou os pedidos de emendas feitos pelos familiares de mortos e desaparecidos políticos.
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A "infinita dimensão da estupidez humana"





Não foi sem razão que José Saramago falou tão mal das escrituras sagradas:

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".


"Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores".
 
 
"As insolências reacionárias (...) precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder".
 
 
FONTE das falas de Saramago: O "Caim" de José Saramago
 
 

Uma visão panorâmica da América Latina

Leia abaixo a entrevista de Atilio Boron concedida ao site Nos Digital


“Estados Unidos prepara un golpe en Venezuela”



Atilio Borón transita ese movimiento imperenne de la política internacional que condiciona y rige las vidas de los más de 900 millones de habitantes del suelo americano. De sur o norte, de norte a sur, ofrece sus análisis sobre el bloqueo informático a Cuba y las implicancias del rol de Argentina en la relación Chavez – Obama, “Brasil ya no es el mismo sin Lula”, mientras espera una buena reacción de Evo tras cometer “tres errores garrafales”.


 
“Esta crisis no es producto de un accidente, sino de la estructura”, se posiciona Atilio Borón, politólogo y sociólogo, autor de Socialismo Siglo XXI ¿Hay vida después del Neoliberalismo? y Imperio & Imperialismo, crítica radical a Hardt y Negri (se puede descargar gratis), entre otros. Desde su silla delante de la foto con Fidel Castro, reivindica al Che Guevara, a José Martí, cita a José Carlos Mariátegui, apoya a Hugo Chávez, Rafael Correa y Evo Morales. Desde su pequeño habitáculo en el quinto piso del Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini, donde funciona el Programa Latinoamericano de Educación a Distancia que él dirige, pone un jazz y da la batalla de ideas.

-El 28 de octubre publicó en su blog el artículo ¿Qué quiere Obama?, en el que conjeturó sobre la reunión que pidió el presidente estadounidense con su par argentina Cristina Fernández de Kirchner. ¿Qué quiso Barack Obama?



-En realidad no sabemos lo que se habló ahí más que por lo que dijo la prensa de las presidencias. Está claro que no dicen todo lo que se comentó. Yo creo que la lógica de todo esto tiene base en una operación internacional que no podemos perder de vista: pretende satanizar al gobierno de Hugo Chávez y al gobierno de Irán. Estados Unidos está preparando el clima para eso. Obama sabe muy bien que Cristina es una aliada clave de Chávez, por lo tanto, lo que debe haberse planteado ahí era la advertencia de que sería importante que Argentina moderara sus vínculos con Irán, acusado de fomentar el terrorismo. Estoy seguro que eso se dijo. No sabemos qué habrá respondido la Presidenta. No creo que un presidente estadounidense en un contexto como el de hoy, con el país lanzado a una aventura militar en los cuatro continentes haya soslayado un tema tan fundamental. A nadie del staff que rodea a Obama se le escapa que el vínculo más fuerte de Venezuela en Sudamérica es Argentina. No es tan fuerte con Brasil. Ellos quieren debilitar esa relación.

-El bloqueo a Cuba ¿qué implica en cuanto a lo informático?

 
-Cuba tenía acceso a Internet, pero necesitaba el caño submarino para que fuera de alta velocidad. A causa del bloqueo, Cuba no tiene ese acceso. Los países (República Dominicana, Jamaica) que se lo ofrecieron fueron sancionados por Estados Unidos: “si continúan ayudando, les vamos a cortar el acceso a nuestros mercados, no vamos a dejar que entren los inmigrantes, etcétera”. Chávez les ha tirado un caño de 1300 kilómetros. Vamos a ver cuándo va a funcionar. Eventualmente Cuba va a poder acceder a la era digital plenamente.

 
-Sin embargo le critican el corto acceso a la información.



-No le dan la posibilidad de permitirlo. Desde Cuba hasta Estados Unidos hay unas 100 millas. Se podría haber solucionado mucho más fácil. Hay que entender que Cuba está en guerra: lo bloquean, amenazan, sabotean (con muertos incluidos). Cuando japoneses en la Segunda Guerra Mundial entraron en California, Estados Unidos los metió en un campo de concentración. Cuando un país es objeto de un ataque, existe un recorte de las libertades públicas. Se puede resolver levantando el bloqueo y dejando de atacar a Cuba. La Central de Inteligencia Americana reconoció los más de 600 atentados para acabar con la vida de Fidel Castro. No le pueden pedir a Cuba que despliegue todas las libertades públicas. Un cubano tiene más libertad que gente de cualquier otro país de América Latina: saben que no se van a morir por falta de atención médica, que es gratuito el acceso a la mejor educación posible. El estadounidense no tiene esa libertad. Si no tiene dinero, no puede estudiar y difícilmente consiga becas, salvo condiciones excepcionales.

-En ese marco, durante la reunión del G-20, Cristina habló de formar un “capitalismo en serio” en vez del actual, al que llamó “capitalismo anarco financiero”. ¿Cómo se conjuga eso con el pregonado socialismo del siglo XXI bolivariano?

 
-Yo creo que hay un error de base en ese discurso. El capitalismo explota, corrompe y destruye el medioambiente. Éste es el capitalismo en serio. Lo otro era un sistema mediatizado por la presencia de la Unión Soviética hasta 1991, por la existencia de poderosos grupos de izquierda y poderosos sindicatos surgidos en la Segunda Guerra Mundial. Como eso se debilitó, sobre todo en los países industrializados, el capitalismo demostró lo que es. El error de Cristina es pensar que esta crisis pasa porque esto es un capitalismo no serio. El serio oprime, depreda, explota a la sociedad y al medioambiente.

-Mientras tanto, en Sudamérica se forma el Banco del Sur y la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR). ¿Qué rol juegan?



-Son iniciativas muy importantes que realmente demuestran que se pueden organizar las relaciones económicas internacionales de forma diferente a las que impone la globalización neoliberal. Lamentablemente, no todos los países tienen la misma madurez política. Si bien Argentina, por ejemplo, adhiere al Banco del Sur, se demoró cuatro años. Se estableció un día antes de que Cristina asumiera en 2007. Recién hace pocas semanas fue ratificado por el Congreso. Argentina perdió cuatro años en eso. El Banco, UNASUR y también el ALBA son claves a las que podemos apelar en el contexto de esta crisis, así como lo hicieron países desarrollados que fueron conscientes de eso y se unificaron y coordinaron sus esfuerzos. Nosotros tenemos que hacer lo mismo con nuestra perspectiva.

 
-Usted afirma que Venezuela tiene un papel importantísimo en esas iniciativas. ¿Qué se juega, entonces, en las elecciones de 2012?


 
-Las últimas encuestas le dan a Chávez 35 puntos de ventaja, como a Cristina acá. Se juega muchísimo en estas elecciones. Las va a ganar, pero ése no es el fin de la historia. El plan que ya tiene la derecha venezolana y la embajada norteamericana es el desconocimiento del resultado electoral para generar una situación tipo Libia, alentando el separatismo de Zulia, la región que históricamente se quiso escindir. Hace un mes, la prensa decía que cualquiera fuera el resultado iba a ser un fraude porque el padrón no fue depurado, pero es mentira. Fue recontra examinado tanto por el partido de gobierno, opositores y veedores internacionales. Estados Unidos quiere sacárselo de encima y la fecha límite es 2012. Confían en el cáncer de Chávez. Si no funciona, en la derrota electoral, que hoy no se vislumbra. Si no, en una rebelión post-desconocimiento de las elecciones y generación de un gobierno provisional en Zulia con un rápido apoyo de la Organización de Estados Americanos. Chávez y la Revolución bolivariana son fundamentales porque son los que disponen los recursos para sostener en los hechos una política antiimperialista en América Latina.

 
-¿Hay derecha dentro del Partido Socialista Unido de Venezuela, por el que se presenta Chávez?


 
-Hay un sector burocratizado y oportunista que se aprovecha de bolsones de corrupción que todavía existen, con larga data y contra los cuales es muy difícil luchar. Es uno de los grandes obstáculos del gobierno.

 
-Quienes apoyan la adhesión al ALBA de Argentina dicen que si Venezuela es la pata política y Cuba la ideológica, Bolivia es la social. Recientemente hubo marchas contra Evo Morales por el proyecto de autopista que iba a atravesar un parque nacional.



-Ha sido un año muy complicado para Evo Morales. Hubo también un aumento del precio de la gasolina, que no fue bien explicado a la población. Se anunció y provocó una reacción en cadena que el gobierno no supo controlar. El segundo error fue la autopista. El tercero, la elección de miembros del poder judicial, que es un elemento democrático muy importante que ellos tienen y Argentina no. Acá el Poder Judicial lo maneja el gobierno en el Consejo de la Magistratura y la oposición en el Congreso. En Bolivia hay una elección popular. Morales exageró la importancia que la población le daba a eso y el apoyo que sumaría. Fueron tres errores garrafales, pero yo confío en que va a poder recuperar el control de la situación tomando la iniciativa en un contexto muy preocupante a nivel internacional y en donde uno de los dos países más importantes del continente, Brasil, se encuentra en una situación que no es la de antes.

-Usted planteó que Venezuela hace concesiones para llevar sus ideas políticas adelante, como venderle petróleo barato a Bolivia y al Caribe, y Brasil, en cambio, no hizo ninguna.



-Brasil no está como hace dos años atrás y Dilma Roussef no es Lula. Si bien el expresidente le daba un apoyo condicionado porque exigía a cambio ventajas para las transnacionales brasileras, ahora se tornó aún más cuesta arriba. Confío en la reacción de Evo por su enorme sensibilidad popular y porque sabe qué hay que hacer, pese a la oposición durísima incluso de la izquierda. Ver: ¡Infamias y racismo en una crítica en contra de Evo!

 
-Usted declaró: “Es muy difícil gobernar bien si se encuentra permanentemente con la hostilidad del Imperio que le ata las manos y se termina en golpes o grandes movilizaciones que terminan en matanzas” ¿Es genuina la reacción popular o hay, también, entrometidas de la Central de Inteligencia Americana en las ONGs que marcharon?



-La CIA no puede inventar lo que no existe. Si hay una protesta popular contra Evo, algo genuino hay. La CIA lo agiganta y direcciona. Que está metida, está metida, y bajo la máscara de las ONG.

 

-Mientras tanto en Estados Unidos y Europa están los indignados protestando contra los gobiernos y los mercados por la crisis.



-El de los indignados es un movimiento muy positivo. Necesitamos ser pacientes con ellos. Les falta tener una conciencia más clara de los problemas que enfrentan. Esta crisis no es producto de un accidente, sino de la estructura. Les hace falta mayor organización. Están en un planteo a mi juicio demasiado inocente de pensar que sin organización están suficientemente bien. Tienen que organizarse porque si no van a ser aplastados. En función de eso, deben resolver en la práctica una estrategia adecuada. Toni Negri no cree que sea necesario, plantea que simplemente hablar de táctica y estrategia es hablar de un mundo ya superado. Ahí comete un error, la derecha no tiene a nadie que diga esas tonterías. Son muy serios y profesionales, por eso nos dominan. A ninguno de ellos se les ocurriría pronunciar esas palabras.



FONTE: NOS DIGITAL

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Samba é prá gente sambar

2 de dezembro - Dia Nacional do Samba




Não Deixe O Samba Morrer
Música e letra : Edson e Aluísio


Quando eu não puder

Pisar mais na avenida

Quando as minhas pernas

Não puderem agüentar

Levar meu corpo

Junto com meu samba

O meu anel de bamba

Entrego a quem mereça usar...



Eu vou ficar

No meio do povo, espiando

Minha escola

Perdendo ou ganhando

Mais um carnaval

Antes de me despedir

Deixo ao sambista mais novo

O meu pedido final...


Não deixe o samba morrer

Não deixe o samba acabar

O morro foi feito de samba

De Samba, prá gente sambar...

 
 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ateus têm melhor vida sexual do que crentes, indica estudo


Pesquisa da Universidade de Kansas encontrou uma relação direta entre crenças religiosas e culpa sexual


Ateus têm uma vida sexual melhor que a de um religioso. Quem faz tal afirmação é um estudo realizado pela Universidade de Kansas com 14.500 norte-americanos. A pesquisa mostra que os crentes são menos propensos a falar sobre suas fantasias sexuais e estão menos satisfeitos com suas experiências.



Neste levantamento, tanto ateus quanto crentes admitem ver pornografia, se masturbar e praticar sexo oral. A diferença é que os devotos dizem ter sentimentos de culpa logo após a realização de uma dessas atividades. O estudo encontrou uma relação direta entre crenças religiosas e culpa sexual.



Das pessoas que cresceram em lares religiosos, quase 23% disseram que se sentiam envergonhados de se masturbar. Enquanto que com os que se declaram ateus, esse percentual cai para pouco mais de 5%.



Outro ponto da pesquisa mostra que aqueles que deixaram de professar a fé por alguma religião tiveram uma melhora significativa na satisfação sexual após a sua conversão ao ateísmo. Os ateus disseram que a vida sexual “melhorou muito” e avaliaram suas novas experiências com média de 7,81, em 10 pontos possíveis.



“Descobrimos que as pessoas se sentem muito culpados por seu comportamento sexual quando são religiosos, mas isso não os impede de fazer as coisas, só faz com que se sintam mal. Isso faz com que ele voltam para a religião para obter o perdão. É como ele tivessem gerado uma doença e Igreja oferece-lhes a cura “, disse o psicólogo Darrel Ray, um dos autores do estudo.

 
 
FONTE: Revista Alfa

Revendo (pre)conceitos

Dia Mundial de Luta Contra a Aids

Escritos sobre História e Educação

Homenagem à Maria Yedda Leite Linhares


 

Reunindo depoimentos de ex-alunos e profissionais que conviveram com Maria Yedda Leite Linhares em algum momento de suas carreiras, a publicação, mais do que um simples tributo à educadora, reflete sua trajetória e sua importância historiográfica.

 
Organização: Francisco Carlos Teixeira da Silva, Hebe Maria Mattos e João Fragoso

Editora: Mauad

Número de páginas: 616

Ano de lançamento: 2001