segunda-feira, 14 de maio de 2018

Pesquisas Interesseiras e Políticas de Educação

Editorial do Jornal Pensar a Educação em Pauta nº 197
11 de Maio de 2018

A comunidade acadêmica e os(as) profissionais da educação básica são continuamente criticados por não contribuírem para que as políticas públicas e as práticas escolares não sejam baseadas em evidências científicas. A academia, porque supostamente pesquisa coisas de pouco interesse para os gestores e para os(as) docentes; os(as) professores(as), porque não têm formação suficiente para entender e aplicar a ciência na sala de aula.

Em vão têm sido os esforços para convencer os críticos, sobretudo aqueles pouco afeitos às lides da escola básica e/ou aliados ao empresariamento da educação, mas também a um expressivo grupo de acadêmicos bem intencionados que querem contribuir com a reforma da escola, que entre a pesquisa acadêmica em educação e sua apropriação na políticas e nas salas de aulas, há um conjunto de variáveis que não são de controle dos pesquisadores nem dos(as) profissionais da educação.

As políticas não se apropriam dos conhecimentos produzidos porque, por um lado, a burocracia escolar é muito pouco profissionalizada e, por outro, aqueles que definem as políticas nem sempre se interessam por isso. Por mais que seja de conhecimento de todos, não há boa política que resista à passagem de “políticos” como Aluísio Mercadante ou Mendonça Filho no comando do Ministério da Educação!! Do mesmo modo, a apropriação da pesquisa na sala de aula depende, e muito, não apenas da qualificação dos(as) profissionais, mas também das condições de trabalho, da carreira e do salário. E estes, como sabemos, no Brasil, estão entre os piores do mundo!

A recusa do conhecimento produzido pelos Programas de Pós -graduação em Educação e seu consequente desconhecimento, inclusive por muitos “cientistas” que se voltam para o tema da educação, tem resultado não apenas em injustas críticas à área acadêmica da educação e aos(às)  professores(as) da educação básica. Um dos outros fenômenos é o não aproveitamento, nestas pesquisas, da massa crítica de conhecimentos já produzidos pela área de educação. Há pouco tempo, um desses grupos de acadêmicos, para embasar uma certa posição sobre a questão da alfabetização, chegou mesmo a dizer, por exemplo, que “os professores formados até a década de 70 sabiam alfabetizar seus alunos no 1º ano escolar”,esquecendo ou  desconhecendo,  as enormes taxas de evasão e repetência existentes à época, sobretudo entre as crianças mais pobres, justamente porque estas não eram alfabetizadas.

Outro fenômeno é a divulgação cada vez maior de pesquisas oriundas das fundações empresariais e de grupos de acadêmicos sobre a educação básica. Estas pesquisas, dizem seus produtores e divulgadores, enfrentam mais diretamente os “problemas da escola” e trazem evidências sobre os caminhos que as políticas e as práticas escolares devem trilhar. Essa seria a razão principal pela qual a imprensa e os governos têm priorizado divulgar e se apropriar de tais pesquisas em detrimento a uma massa muito maior de conhecimentos produzidos na pós-graduação em educação. Essas posições têm sido analisadas e duramente criticadas por pesquisadores em educação, os quais mostram que parte dessas pesquisas está atrelada aos interesses dos empresários da educação e ao desmonte a educação pública no Brasil.

Para surpresa de muitos, a produção e divulgação de pesquisas que visam tão somente embasar as políticas que atacam a escola pública foi reforçada nas últimas semanas pela entrada no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no rol das instituições que produzem pesquisas educacionais “interesseiras” e que visam justificar as políticas do Governo Federal. A divulgação pela imprensa, com grande alarde, de uma pesquisa, que “demonstra” que a oferta obrigatória de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio atrapalha a aprendizagem de matemática, abre um novo flanco para o debate e o combate (que hoje se trava nas disputas de sentidos) pela escola pública no espaço público e, certamente, no interior do Estado Brasileiro.

Amplamente criticada(por especialistas em políticas educacionais e pesquisadores de várias outras áreas das ciências humanas e sociais, bem como por ativistas e defensores da escola pública, a pesquisa realizada pelo IPEA bem mostra o quanto pesquisas podem ser, mais do que interessadas, interesseiras. E seus interesses, alguns deles inconfessáveis, não são de fortalecimento da escola pública e de qualidade, como querem fazer crer.

Sabemos que é fundamental a divulgação das boas pesquisas, sobre a educação e sobre todos os assuntos que interessam ao humano, não importa onde tenham sido produzidas. Ao mesmo tempo, é preciso fazer circular às metodologias e aos interesses políticos que subjazem a toda pesquisa realizada. Isso só faz aumentar a nossa responsabilidade em divulgar tais pesquisas e, para isso, há um esforço crescente no campo educacional. Isso também nos traz a responsabilidade, como pesquisadores(as), professores(as) e ativistas que defendem uma escola pública de qualidade, de buscar produzir conhecimentos que estejam antenados aos grandes problemas da escola básica e, desse modo, aos grandes dilemas vividos hoje na sociedade brasileira.


Evento na UERJ-Caxias: "ENFF - Escola Nacional Florestan Fernandes, uma escola em construção"

Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Jura - MST 2018

Palestra/Roda de Conversa
"ENFF - Escola Nacional Florestan Fernandes, uma escola em construção: os desafios do MST"
com Amanda Matheus

Dia 17 de maio de 2018, às 10h, no Auditório da FEBF.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Rua General Manoel Rabelo, s/n, Vila São Luís - Duque de Caxias


sábado, 12 de maio de 2018

País ainda não 'passou a limpo' período da ditadura, diz procuradora

Ao comentar documento confidencial da CIA, Eugênia Gonzaga disse também que o país ainda vive em 'total negação' do período

Da Agência Brasil - 12/05/2018

Exército nas ruas de São Paulo durante a ditadura militar (Foto: Kioshi Araki/Estadão Conteúdo)

A presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, disse na sexta-feira, 11, que o Brasil ainda não "passou a limpo" o período da ditadura militar no país, que vigorou entre 1964 e 1985.

Ao comentar o documento confidencial da CIA (Serviço de Inteligência dos Estados Unidos) que revela que o o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou a execução sumária de militantes opositores ao regime, ela disse também que o país ainda vive em "total negação" do período. “Tudo isso é dolorido e ao mesmo tempo vergonhoso, porque demonstra que o país não passou a limpo esse período. A gente ainda vive em uma situação de total negação desse período, de ocultação”, disse Eugênia.

"É uma comprovação bastante forte que a tortura, a política de terrorismo de estado, era realmente autorizada pelo mais alto escalão, não era simplesmente um exagero da 'turma do porão', como eles chamam os agentes da repressão”, disse a procuradora.

“São provas importantes de que realmente havia uma política de Estado de exterminação dessas possíveis oposições, uma política de também acobertar a verdade do período. Por exemplo, a morte do delegado Sérgio Fleury não é explicada até hoje, mas nitidamente ali é uma queima de arquivo. Então temos, no período do general Geisel, uma prova de que ele realmente autorizava que essas pessoas emblemáticas fossem exterminadas”, acrescentou.

A procuradora conta que a revelação do documento da CIA comprova a tese da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e dos próprios familiares, o que não é possível ser comprovado a partir de documentos do governo brasileiro, pois estes foram destruídos: “Os arquivos brasileiros foram destruídos ou estão sob a guarda de particulares que não revelam. O que temos são depoimentos e a estratégia do Exército que demonstra que os agentes não agem sob vontade própria, sempre agem por um comando superior.”

Geisel e o "porão da ditadura"

O professor de Sociologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marcelo Ridenti, destacou que pesquisadores do tema, há muito tempo, já trabalhavam com a ideia de que o governo Geisel tinha conhecimento e envolvimento com o chamado “porão da ditadura”, no entanto, não havia provas, apenas depoimentos.

“O que o governo dele [de Geisel] fez foi, de certa maneira, reestabelecer o alto comando, o próprio presidente da República ter o comando de tudo que se passava no país inclusive na esfera repressiva. O que não quer dizer que deixou de haver tortura ou que deixou de haver execuções, mas elas teriam que ser claramente colocadas dentro de uma hierarquia. Poderia executar, mas teria que ter o aval do governo”, explicou.

Para Ridenti, Geisel havia constatado que setores do aparelho repressivo estavam ganhando força independentemente da hierarquia militar e seu objetivo, ao definir que o alto comando do Exército deveria aprovar as execuções, era manter a disciplina nas Forças Armadas. “Já estava institucionalizada [a tortura e a execução] de certa maneira, era uma política de Estado, mas que estava fugindo do controle da hierarquia militar. Isso para ele não interessava pela própria sobrevivência da instituição das forças armadas que depende da hierarquia. Esse que era o eixo para ele, não era a defesa dos direitos humanos”, avaliou.

Ditadura militar

O coordenador de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, Martim de Almeida Sampaio, chamou a revelação do memorando da CIA de “bombástica”. Para o especialista, o documento abre uma porta importante na história brasileira, que contradiz a versão ocial de que a violência e os assassinatos praticados pelos órgãos de repressão daquela época estavam fora do controle do alto comando do regime militar.

Sampaio traçou um paralelo com os dias atuais, em que uma parcela da sociedade passou a manifestar apoio ao retorno da ditadura. Para ele, a principal explicação para isso é a falta de informação: “algumas pessoas defendem a ditadura por oportunismo, porque lá se deram bem, ganharam dinheiro, exerceram poder. A maioria, os jovens e outras pessoas, por ignorância mesmo”, declarou. “Criou-se a aura da honestidade desses presidentes [do período militar], de que a ditadura era honesta, que houve um excesso ou outro, mas não era a política. Na verdade, esse documento é bombástico, derruba toda essa tese e implica diretamente os expresidentes na execução dos opositores”, disse o especialista.

Anistia Internacional

Para a coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional, Renata Neder, o documento é mais uma prova dos graves crimes e violações de direitos humanos cometidos durante o regime militar, como tortura, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais. Ela destaca que inúmeros casos já estão amplamente documentados e denunciados por sobreviventes, familiares de vítimas, organizações de direitos humanos, pesquisadores e Comissões da Verdade que se instauraram no país.

Renata defende que esses crimes sejam levados a julgamento e avalia como "um entrave" a legislação brasileira que anistiou os agentes do Estado que cometeram violações aos direitos humanos. "Em 2014, a Anistia Internacional fez uma campanha reivindicando que a legislação brasileira fosse alterada para permitir que os casos pudessem ser levados à Justiça. Não basta verdade e reparação, é essencial garantir Justiça e responsabilização dos perpetradores das violações e do próprio Estado brasileiro. A impunidade dos crimes cometidos pelo Estado no passado alimenta a violência do Estado no presente”.

FONTE: BAND.COM.BR

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Cine/Debate: "Os últimos dias de Hitler" (1975), de Yuri Ozerov

73º Aniversário da Vitória contra o nazifascismo



O surgimento do fascismo e sua vertente alemã, o nazismo, na década de 20 do século passado, foi uma resultante da crise geral do capitalismo na época. Foi a forma política terrorista que os círculos mais reacionários do grande capital criaram para enfrentar essa crise econômica e social às custas dos trabalhadores e dos povos do mundo, com a intensificação da exploração e da repressão contra o movimento popular e revolucionário. O nazifascismo também foi uma resposta para fazer frente ao prestígio político crescente da União Soviética (e dos partidos comunistas), que avançava na construção do socialismo e o apresentava concretamente para as massas populares de todo mundo como uma alternativa à crise, à exploração e opressão do capitalismo, do sistema imperialista. E assim exacerbou a luta de classes em nível mundial, que levou à deflagração da guerra entre os países imperialistas na disputa por fontes de matérias-primas, mercados e zonas de influência para a valorização do capital, uma guerra de extermínio contra povos inteiros.

A II Guerra mundial eclodiu, de forma aberta e oficial, com a invasão da Polônia pela Alemanha em 1º de setembro de 1939. O centro da guerra imperialista se desenvolveu nas batalhas entre a Alemanha nazista e a URSS. E coube o peso fundamental na derrota do nazifascismo aos povos soviéticos e suas Forças Armadas, que lideraram os povos de todo o mundo na luta antifascista. Heroísmo, determinação e uma guerra de todo o povo derrotaram as tropas nazistas, culminando na tomada de Berlim, no começo de maio de 1945, com o alto comando alemão assinando a capitulação incondicional da Alemanha fascista. Praticamente o conflito mundial encerrou-se e a data de 9 de Maio é comemorada como o dia da vitória contra o nazifascismo.

Uma das batalhas épicas, talvez a maior na história de todas as guerras, foi a Batalha de Stalingrado. A ordem de guerra 227 do governo soviético era: “Nenhum passo atrás, Stalingrado não deve render-se ao inimigo”. Em fevereiro de 1943 todo o 6º exército e parte do 4º exército alemães foram capturados. O Exército Vermelho fez mais de 330 mil prisioneiros, entre eles o Marechal Von Paulus e 20 generais nazistas.

Na “Grande Guerra Pátria”, o povo soviético escreveu algumas das maiores epopeias da história da humanidade. O heroísmo do Exército Vermelho e dos guerrilheiros, o trabalho abnegado de todo o povo, velhos e jovens, homens, mulheres e crianças e a justa direção do Partido Comunista, unindo o povo, superaram as dificuldades na resistência à invasão alemã. Um dos feitos impressionantes realizado foi o transporte de toda a indústria do ocidente para o oriente, toneladas de máquinas foram transportadas por milhares de quilômetros Mais de 25 milhões de soviéticos deram suas vidas em defesa da Pátria Soviética, do socialismo e da humanidade.

Particularmente da década de 1950 em diante, num artifício nazista de repetir mil vezes uma versão mentirosa de um fato, os EUA gastaram rolos e rolos de filmes para fazer as novas gerações acreditarem (até os dias de hoje) que foram os norte-americanos que derrotaram os nazistas. Entre os raros filmes progressistas realizados nos EUA sobre a 2ª Guerra Mundial estão “O grande ditador”, de Chaplin (1940); “Casablanca”, de Michel Curtis (1942); “O Sabotador”, de Hitchcock (1942) e “A Batalha da Rússia”, de Frank Capra e Anatole Litvak (1943).

A vitória da URSS demonstrou toda a superioridade do socialismo sobre o capitalismo e o acerto do Partido Comunista da União Soviética em colocar em primeiro plano a questão política, a mobilização de todo o povo e não ver a guerra meramente como uma questão militar.

Realização: CeCac
Apoio: ACJM-RJ

Página do evento no Facebook:

Feira das Yabás retorna no próximo domingo (13/05)

Em comemoração ao 10 anos de sua existência e homenageia o Dia das Mães, Dona Ivone Lara, Marielle Franco e os 130 anos da abolição da escravatura no Brasil.

Feira das Yabás – Música, Cultura e Gastronomia.


Roda de Samba de Marquinhos de Oswaldo recebe Jongo da Serrinha e André Lara (neto de Dona Ivone).


Além da boa música, o público ainda pode aproveitar para experimentar a culinária típica do subúrbio carioca e pratos de origem africana, nas 16 barracas expositoras do evento, sob o comando das matriarcas das famílias mais importantes e tradicionais da região de Oswaldo Cruz: um imenso restaurante a céu aberto. Entre as muitas opções estão o mocotó e o aipim com carne seca da Tia Surica, baluarte da Velha Guarda da Portela. A refeição mais concorrida é a rabada com batata da Dona Neném, a mais velha das tias, com 87 anos que, além da rabada,também prepara angu e bolinho de abóbora recheado com carne-seca. Neide Santana serve feijoada de camarão, angu à baiana e feijão amigo. Já na barraca da Jane Carla, é vendido cozido de peixe. A expositora Romana vai de carré com couve à mineira, jabá e caldinhos de mocotó, feijão e ervilha. Bobó de camarão é o prato da Jussara, e Selma Candeia, filha do sambista Candeia, oferece abóbora com carne seca. A combinação de peixe frito, molho de camarão, pirão e arroz fica sob a responsabilidade da Tia Nira. Já Tia Edith apresenta macarrão com carne assada, enquanto Vera Caju, mostra o seu cozido, camarão frito e caldo de abóbora. Rosimeri serve a deliciosa galinha com quiabo e Jane Pereira, mostra o jiló frito, além de caldos e canjas. Rosângela Maria leva a tripa lombeira e o bolinho de bacalhau para a Feira e Marlene apresenta roupa velha e feijoada. E se você ainda não estiver satisfeito, pode experimentar a vaca atolada, a carne com aipim e o croquete de carne seca, preparado com os mesmos ingredientes da vaca atolada, da Tia Natércia e da Sueli. Para arrematar, as expositoras Vera de Jesus e Janaina de Jesus preparam doces deliciosos. Os preços das refeições ficam em torno de R$ 30,00.

Sobre a Feira das Yabás:

A primeira edição da Feira das Yabás aconteceu em 2008, por iniciativa de Marquinhos de Oswaldo Cruz, que depois de recriar o Trem do Samba e a feijoada da Portela, resolveu cantar seus sambas na quadra da Portelinha, regado a macarrão com carne assada. Nascia, assim, a primeira edição da Feira, que hoje reúne milhares de visitantes de todas as regiões do Rio.

Serviço:

Feira das Yabás – Música, Cultura e Gastronomia.

Atrações: Roda de Samba de Marquinhos de Oswaldo Cruz recebe Jongo da Serrinha e André Lara (neto de Dona Ivone Lara)
Quando: Domingo, 13 de maio de 2018.
Hora: a partir das 13h.
Local: Praça Paulo da Portela, Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro
Evento gratuito.
Mais informações: 21- 97042-3110
Classificação: Livre


Filme "Nise - O coração da loucura" na Concha Acústica de Rio Das Ostras

Encerramento da Semana da Luta Antimanicomial
Filme "Nise - O coração da loucura"
Não recomendado para menores de 12 anos
Concha Acústica de Rio Das Ostras
Sexta, 18 de maio às 18:00 

SINOPSE DO FILME

Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, após sair da prisão, a doutora Nise da Silveira (Gloria Pires) propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.


sábado, 5 de maio de 2018

PENSAR HISTORICAMENTE: UM LEGADO IMPRESCINDÍVEL DE KARL MARX

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro*




PENSAR HISTORICAMENTE: UM LEGADO IMPRESCINDÍVEL DE KARL MARX
Resumo: No texto aborda-se o legado de Karl Marx para pensar historicamente o mundo, para apontar questionamentos onde muitos só enxergam certezas, partindo do que se pode chamar de uma “nota de leitura” da obra marxiana “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”. 
Palavras chaves: Karl Marx; história; luta de classes. 

PENSAR HISTÓRICAMENTE: UN LEGADO IMPRESCINDIBLE DE KARL MARX
Resumen: En el texto se aborda el legado de Karl Marx para pensar históricamente el mundo, para plantear cuestionamientos donde muchos sólo reconocen certezas, partiendo de lo que se puede llamar "nota de lectura" de la obra marxiana "El 18 Brumario de Luis Bonaparte". 
Palabras clave: Karl Marx; la historia; lucha de clases. 

HISTORICAL APPRAISE: THE IRREMISSIBLE LEGACY OF KARL MARX
Abstract: The text approaches Karl Marx's legacy to appraise the world historically in order to expose questions where others only find certainties. Beginning with what can be called "a reading note" about the marxist work "The eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte". 
Key words: Karl Marx; history; class struggle.

* Professor Adjunto do Departamento de Ciências e Fundamentos da Educação da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ) e professor de história da Rede Municipal de Ensino de Rio das Ostras (RJ). 


terça-feira, 1 de maio de 2018

En Video, Fidel Castro expresa el concepto de Revolución:

Discurso pronunciado en el primero de mayo del 2000





Palabras del Fidel el primero de mayo del 2000

"Revolución es sentido del momento histórico; es cambiar todo lo que debe ser cambiado; es igualdad y libertad plenas; es ser tratado y tratar a los demás como seres humanos; es emanciparnos por nosotros mismos y con nuestros propios esfuerzos; es desafiar poderosas fuerzas dominantes dentro y fuera del ámbito social y nacional; es defender valores en los que se cree al precio de cualquier sacrificio; es modestia, desinterés, altruismo, solidaridad y heroísmo; es luchar con audacia, inteligencia y realismo; es no mentir jamás ni violar principios éticos; es convicción profunda de que no existe fuerza en el mundo capaz de aplastar la fuerza de la verdad y las ideas. Revolución es unidad, es independencia, es luchar por nuestros sueños de justicia para Cuba y para el mundo, que es la base de nuestro patriotismo, nuestro socialismo y nuestro internacionalismo".


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Cuba, Trump y el diálogo coreano

Por Atilio A. Boron
 29.4.2018

De regreso de un viaje a Cuba quisiéramos compartir unas pocas reflexiones sobre el momento actual de la isla. El endurecimiento del bloqueo ordenado por Donald Trump complica la situación económica de la isla rebelde. Pone piedras en el camino de la actualización del modelo económico pero no hace mella en la moral de los cubanos que a lo largo de casi sesenta años aprendieron a convivir con tanta malevolencia que, como el mal tiempo, viene del Norte. Con Trump ya son doce los inquilinos de la Casa Blanca que quisieron derribar a la Revolución Cubana, o producir el tan ansiado “cambio de régimen”. Los once anteriores mordieron el polvo de la derrota, y al magnate neoyorquino le espera más de lo mismo. Ordenó el retiro de numerosos diplomáticos de la reabierta embajada de EEUU en La Habana (la mayoría de los cuales eran agentes de inteligencia o personal adiestrado para “reanimar” con diversos subsidios y programas a la “sociedad civil” cubana) e impuso renovados obstáculos al comercio exterior de la isla, a las inversiones norteamericanas y también al turismo de ese origen que se dirige a Cuba, exhortando al ciudadano a “reconsiderar su decisión de viajar” a la isla. El nuevo presidente, Miguel Díaz Canel, deberá transitar por un sendero erizado de dificultades: desde la ilegal extraterritorialidad de las leyes de EEUU que, con la aquiescencia de gobiernos serviles (empezando por los europeos y siguiendo por los latinoamericanos) impone sanciones a bancos y empresas de terceros países que intervengan en el comercio exterior de Cuba hasta los vetos a la importación de productos que contengan más de un diez por ciento de componentes estadounidenses o de patentes radicadas en ese país, pasando por la prohibición de entrar a puertos de Estados Unidos a buques de carga que en los seis meses anteriores lo hubiesen hecho en alguno de Cuba. El repertorio del chantaje mafioso al que someten a la isla rebelde es tan grande como enfermiza su vieja obsesión por apoderarse de ella, que comienza con la célebre exhortación de John Adams en 1783 para acelerar la anexión de Cuba a las Trece Colonias. Pero la patria de Martí y Fidel ha dado sobradas muestras de tenacidad para defender su revolución y de su capacidad para, en medio de tan desfavorables circunstancias, garantizar para su población estándares de salud, educación y seguridad social y ciudadana como ningún otro país de la región. 



Es obvio que se avecinan tiempos difíciles para Cuba, pero nada que no se haya experimentado antes. Hay un gobierno de super-halcones como también lo había, sobre todo, en tiempos de Ronald Reagan. La diferencia es que ahora la CIA adquirió una muy visible pre-eminencia en el staff presidencial. Siniestros personajes como Michael Pompeo (ex Director de la CIA) ahora es Secretario de Estado; John Bolton, el matón del barrio, dirige el Consejo de Seguridad Nacional; un ignoto (por buenas razones) Juan Cruz fue designado por Bolton Director de Asuntos del Hemisferio Occidental en el Consejo de Seguridad Nacional. Decíamos “ignoto” porque Cruz fue un hombre de acción en la Agencia, no un simple analista sino un killer. Según el vicepresidente de Colombia, el General Oscar Naranjo, el puertorriqueño participó “en varias de las operaciones de inteligencia más productivas y eficientes", incluyendo golpes militares contra los principales líderes de las FARC, Raúl Reyes y el  Mono Jojoy, y la importante liberación en 2008 de un grupo de rehenes de las FARC, entre ellos tres contratistas del gobierno estadounidense e Ingrid Betancourt. O sea, un hombre de armas llevar (y disparar). La cadena Univisión comentó que “no pudo encontrar una fotografía de Cruz ni ninguna referencia a él en Internet, una muestra de su trabajo como espía.” Pues ese se encargará ahora de todos nosotros, los del Hemisferio Occidental. A estas enternecedoras figuras hay que agregar los nombres de John Kelly, ex general de los Marines y ex Jefe del Comando Sur es Jefe de Gabinete de Trump; de Liliana Ayalde, número dos del Comando Sur y casualmente ex embajadora en Paraguay y Brasil en tiempos de los “golpes blandos” contra Lugo y Dilma; y el de la actual jefa de la CIA, Gina Haspel, una mujer de rostro encantador con más de treinta años de carrera en la agencia y el mérito de haber dirigido una prisión clandestina en Tailandia en el 2002, donde sospechosos de terrorismo fueron objeto de torturas aplicándoseles la técnica del “submarino” bajo su supervisión y, al menos en un caso, su personal administración.



No es la primera vez que Cuba tiene que vérselas con personajes como estos. Lo que ocurre es que ahora están en la superficie; antes, en cambio, se movían tras bambalinas pero de una forma u otra siempre estuvieron allí, en lo que se llama en Washington el “deep state”, el estado profundo, elegido por nadie y que ante nadie da cuenta de sus actos. Sin dudas que el gobierno y el pueblo cubanos sabrán enfrentar esta nueva ofensiva. Y que los halcones de Washington tampoco podrán enfilar todas sus baterías en contra de Cuba, y de Venezuela, porque toda su atención está concentrada en la histórica reunión de los dos jefes de estado de Corea del Norte y Corea del Sur que provocó un terremoto de vastas proporciones en el tablero de la geopolítica mundial. La guerra comercial declarada contra China requiere más que nunca mantener, en Corea del Sur y a tiro de cañón del litoral marítimo chino, un inmenso aparato militar con unos 35.000 hombres y equipamiento de última generación. Si el diálogo entre las dos Coreas prospera a Washington le será muy difícil continuar con sus tropas y armamentos en el Sur. Y el objetivo militar más importante no es Corea del Norte sino China. Podría parecer exagerado pero el sorpresivo acuerdo entre las dos Coreas es una da las mayores humillaciones diplomáticas sufridas por la Casa Blanca en mucho tiempo, y de una trascendencia que nos atreveríamos a decir superior a la que en su momento tuvo la derrota del ALCA en Mar del Plata en el 2005. Y un inesperado dolor de cabeza para la Casa Blanca que estará muy ocupada (y sin tanto tiempo ni gente para acosar a Cuba) para evitar que la situación en el Sudeste asiático se le escape de las manos.  


sábado, 28 de abril de 2018

Vídeo-aula do Prof. Dermeval Saviani no Curso Livre "O golpe de 2016 e a Educação no Brasil", da Faculdade de Educação da Unicamp

CURSO LIVRE GOLPE 2016
Faculdade de Educação/Unicamp

AULA 1 - "A crise política no Brasil, o golpe e o papel da educação na resistência e na transformação"
15 de março de 2018

Convidado: Dermeval Saviani - Filósofo e Pedagogo, professor emérito da Unicamp e vencedor de 3 prêmios Jabutis



domingo, 22 de abril de 2018

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" no MAR/RJ

A exposição propõe um percurso pela história social do samba — patrimônio imaterial brasileiro —-, da diáspora africana à atualidade do samba carioca. A perspectiva da resistência e da reinvenção cultural atravessam a mostra, apresentando a potência do samba como fenômeno social e estético.


A mostra de longa duração vai ocupar o museu por um ano, dos pilotis à Sala de Encontro, e terá como espaço principal o terceiro andar da instituição, área dedicada a investigar a história do Rio de Janeiro. Para explorar os aspectos sociais, culturais e políticos do mais brasileiro dos ritmos, os curadores Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos reuniram cerca de 800 itens. 

A história do samba carioca desde o século XIX até os dias de hoje será contada através de obras de Candido Portinari, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Guignard, Ivan Morais, Pierre Verger e Abdias do Nascimento; fotografias de Marcel Gautherot, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Bruno Veiga e Wilton Montenegro; gravuras de Debret e Lasar Segall; parangolés de Helio Oiticica, e uma instalação de Carlos Vergara desenvolvida com restos de fantasias. O prato de porcelana tocado por João da Baiana e joias originais de Carmem Miranda são algumas das raridades em exibição.

Haverá ainda cinco obras comissionadas pelo MAR, criadas especialmente para “O Rio do Samba”. A convite dos curadores, Ernesto Neto e o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, criaram uma instalação interativa, que terá lugar de destaque na Sala de Encontro. Jaime Lauriano fará uma intervenção logo na entrada do museu, gravando nas pedras portuguesas do chão dos pilotis os nomes das etnias africanas escravizadas no Brasil. A passarela que leva o visitante à sala de exposições será tomada por letras de música que falam sobre o próprio samba e ambientada por uma peça sonora criada pelo músico Djalma Corrêa, inspirada na batida do coração. Gustavo Speridião ocupará uma parede com uma obra inspirada na geografia do samba no Rio e João Vargas apresentará uma videoinstalação sobre o samba enquanto dança do corpo individual e coletivo.

Da herança africana ao Rio negro

A mostra é dividida em três momentos. O primeiro, “Da herança africana ao Rio negro”, apresenta a trajetória de indivíduos oriundos, em razão da escravidão, de diversas nações africanas ao Brasil e que trazem consigo uma a diversidade cultural que será reinventada no território da então colônia portuguesa. Na zona portuária da cidade, onde estão os terreiros e as casas das tias, que terão papel central no 

surgimento do samba carioca. Ainda hoje algumas personagens locais representam essa forte cultura do matriarcado. Para homenagear essas mulheres, tia Lúcia – moradora da região e integrante do programa Vizinhos do MAR – verá suas obras na exposição. 

Aqui o visitante poderá conhecer objetos usados pelos negros na lavoura, como o pão de açúcar – utilizado para carregar o produto e que, por seu formato, deu origem ao nome do famoso ponto turístico da cidade. Também entram em cena as festas rurais e religiosas: ao mesmo tempo que os instrumentos do candomblé se confundem com os do samba, manifestações como jongo e congada são encenadas em festejos como a Folia de Reis. 

Da Praça XI às zonas de contato 

Com o aumento da população, o centro da cidade começou a ter um alto custo de moradia. Iniciou-se, então, o movimento de expansão para os subúrbios. O núcleo “Da Praça XI às zonas de contato” trata dos aspectos que levaram à marginalização dos sambistas; do desenvolvimento da linha férrea que deu origem à Estação Primeira de Mangueira; da criação do samba moderno no Estácio; da entrada do ritmo nos programas da Rádio Nacional; do surgimento do “samba de andar” nos desfiles da Avenida Central, Rio Branco e Presidente Vargas; do projeto de nacionalismo da Era Vargas, quando o ritmo foi tomado como identidade nacional e intensamente difundido nas rádios. 

Fazem parte deste núcleo fotografias de rodas no morro registradas por Marcel Gautherot e instrumentos do candomblé incorporados ao samba pelos músicos que transitavam pelo Estácio. Pandeiros, caxixis e agogôs estarão expostos no mesmo ambiente de obras que retratam esses encontros, como “Orquestra”, de Lasar Segall.  Aqui o visitante verá também figurinos criados por Di Cavalcanti para o balé “Carnaval das crianças brasileiras”, de Villa-Lobos.

O Samba Carioca, um patrimônio 

A transformação do samba em espetáculo e o processo de retomada das origens fazem parte do último núcleo. “O Samba Carioca, um patrimônio” retrata a tradição das escolas enquanto voz de uma comunidade que usa o samba e seus elementos para representação social; a grandiosidade dos desfiles, passando pela construção do sambódromo; o avanço do mercado fonográfico e a relação com a produção das composições: os ritmos que derivam do samba; a reafricanização; a retomada dos quintais do samba; a revitalização da Lapa e a oficialização do samba como patrimônio cultural imaterial.  

Joãosinho Trinta ganha destaque com fotografias de Valtemir do Valle Miranda, especialmente uma imagem inédita da alegoria Cristo-Mendigo sem o plástico que a cobriu durante o desfile da Beija-flor, em 1989. Nesse contexto, também aparece a homenagem a Martinho da Vila e ao desfile “Kizomba, festa da raça”, que em 1988 rendeu à Vila Isabel o título de campeã do carnaval dos Cem Anos da Abolição da escravatura no Brasil.  

A evolução da indústria fonográfica será representada por uma espécie de árvore do samba. Uma parede da galeria será ocupada por 70 capas de discos raros e fotografias que se relacionam com a produção desse material. Aqui, finalmente, os compositores ganham voz e gravam canções, que poderão também ser ouvidas pelo visitante em uma playlist. A exposição termina com o retorno das rodas para os quintais. O processo social de ressurgimento e fortalecimento das rodas de samba, o surgimento do Fundo de Quintal, a criação do pagode e a ocupação da Lapa, como novo reduto do samba e revelando cantoras como Teresa Cristina e Ana Costa. Finalmente, o ritmo como patrimônio cultural imaterial aparece para mostrar o samba como condição de vida para além do carnaval. Esses indivíduos são representados em uma série fotográfica de Bruno Veiga e em um filme inédito do cineasta Lula Buarque, produzido especialmente para ser exibido em “O Rio do Samba: reinvenção e resistência”.   

Curadoria: Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos.

"O RIO DO SAMBA: resistência e reinvenção" 
28/4/2018 a 30/3/2019
Praça Mauá, 5, Centro. CEP 20081-240 - Rio de Janeiro/RJ.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Apoiador das artes e da comunicação: conheça Miguel Díaz-Canel, novo presidente cubano

“Companheiro deputado Miguel Díaz-Canel, a partir deste instante o senhor é o novo presidente do Conselho de Estado e de Ministros da Assembleia Nacional de Cuba. Aproxime-se e assuma a presidência”, assim anunciou o presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo, na manhã desta quinta-feira (19). O sucessor de Raúl Castro foi eleito por unanimidade pelos parlamentares, na casa legislativa que é considerada uma das mais democráticas do mundo.

Fania Rodrigues | Havana (Cuba), no Brasil de Fato 


Em seu primeiro discurso, o novo presidente de Cuba disse que assume com “determinação o legado da geração histórica, que conquistou a Revolução Cubana” e compromete-se em seguir aprofundando o modelo socialista cubano. Díaz-Canel ressaltou ainda que o resultado de sua eleição é o reflexo de uma “determinação do povo”, que participou massivamente das duas primeiras etapas da eleição, que escolheram os representantes do Congresso cubano.

“Nesse mandato não há espaço para mudança brusca, apenas para a continuidade do modelo socialista cubano”, resumiu. O novo presidente disse também que a tarefa da nova geração política que assume o poder neste mandato é “dar continuidade à Revolução Cubana” e que segue o exemplo do “líder da revolução, Fidel Castro, e do general do Exército e primeiro-secretário do partido comunista, Raúl Castro”.

Confira o discurso de Díaz-Canel:



Saiba quem é novo chefe de Estado cubano


Um homem discreto, simples e muito inteligente. Assim é descrito pelos cubanos o sucessor de Raúl Castro, Miguel Díaz-Canel, que assume como novo presidente da ilha neste 19 de abril.

Casado com uma professora universitária e pai de dois filhos, fruto do primeiro matrimônio, Miguel Díaz-Canel nasceu no dia 20 de abril de 1960, um ano depois do triunfo da revolução. Nesta sexta-feira (20), completa 58 anos e representa uma nova geração no comando do país.

Começou sua carreira política na província de Santa Clara, região central de Cuba, onde foi militante e depois dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU) e da União de Jovens Comunistas (UJC).

Votação da Assembleia Legislativa cubana |Foto: Juvenal Balán
Formado em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu, o novo presidente começou sua carreira profissional como oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), na qual esteve de 1982 a 1985. Mais tarde, chegou a dar aula na universidade em que se graduou. Entre 1987 e 1989, cumpriu missão internacionalista na Nicarágua, como comissário político da UJC, na brigada militar de Cuba, durante a Revolução Popular Sandinista (1979-1990).

Atualmente, além de primeiro vice-presidente do Conselho de Estado, é membro do birô político do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a máxima autoridade tanto no sentido ideológico quanto político do partido e do Estado cubano. Portanto, Díaz-Canel é homem de total confiança de Raúl Castro, assim como era do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro.

Destaque na política

Apesar de ter passado por alguns cargos de direção quando jovem, foi como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, do Comitê Provincial de Villa Clara, que ganhou destaque na política nacional. Era 1994 e o país estava em pleno “período especial”. Com a queda da União Soviética, em 1991, Cuba perdeu os investimentos que recebia e viveu uma década de crise econômica profunda. O produto interno bruto encolheu 36%, entre 1991 e 1993. Havia escassez de diversos produtos, mas a falta de comida e combustível era o que mais afetava o cotidiano.

Em foto de dezembro de 1992, quando Díaz-Canel fazia
parte da União de Jovens Comunistas de Cuba
O escritor e jornalista Cubano Iroel Sanchez, autor do blog La pupila insomne, também de Villa Clara, conviveu com o político na juventude. “Díaz-Canel teve um papel importante na solução dos problemas gerados pela crise, sobretudo em um momento em que havia cortes de energia elétrica. Nessa época, criou uma relação muito próxima com o povo”, conta Sanchez.

Já nesse período era conhecido também por seu amor à arte. Mesmo na etapa difícil dos anos de 1990, ele ajudou a impulsionar a produção cultural em Santa Clara, capital da província de Villa Clara. “Me lembro de uma apresentação de teatro que fizemos na minha casa, não havia energia elétrica, a iluminação era a vela. E lá estava Miguel Díaz-Canel prestigiando a obra com a família”, relembra o produtor cultural Ramón Silberio Gómez, morador de Villa Clara. Hoje ele dirige o centro cultural El Mejunje, em Santa Clara.

O local é conhecido no país por ser vanguarda na inclusão de elementos culturais marginalizados em Cuba naquela época, como o rock’n roll e as apresentações culturais produzidas por travestis. Naquele momento, como máxima autoridade provincial, Díaz-Canel ajudou a impulsionar importantes reformas culturais nessa região do país. Até hoje Santa Clara figura como um dos mais importantes centros de produção cultural da ilha, atrás apenas de Havana. “Ele estabeleceu um estreito vínculo com o setor cultural e intelectual do país”, afirma o produtor cultural.

Díaz-Canel não faz parte da classe de políticos que frequentam festas, comemorações ou coquetéis com embaixadores. Porém, é comum encontrá-lo em concertos, apresentações de teatro e de livros, de acordo com Silberio Gómez. Sua personalidade, segundo quem o conhece, transita entra a timidez e a discrição.

Bem afeiçoado e sempre com um sorriso no rosto, o novo chefe do Estado cubano costumava andar de bicicleta pelas ruas de Santa Clara, mesmo já sendo uma importante autoridade política. “Era um dirigente do povo, simples, que costumava andar de bicicleta pela cidade e cumprimentava todo mundo”, conta Gómez.

Hoje, longe da bicicleta e mais perto do despacho presidencial, Díaz-Canel ainda dispensa certos protocolos. Precisa andar com segurança, devido ao cargo de vice-presidente que ocupa desde 2013. No entanto, usa uma estrutura mínima que se resume a um guarda-costas e um motorista. Isso deve mudar em breve, pois o Estado cubano tem um regime de segurança rigoroso com o presidente do país. “Em Cuba existe um problema com os líderes da geração histórica, que é o fato de os Estados Unidos terem tentado matar Fidel Castro 538 vezes. Foi o líder de Estado que os EUA mais vezes tentaram matar e não puderam. Isso gerou medidas elementares de segurança. Não é uma proteção contra os cubanos, mas contra as tentativas de assassinato dos EUA”, explica o escritor Iroel Sanchez.

Antes de ser vice-presidente, Díaz-Canel foi ministro de Educação Superior, entre 2009 e 2013. Esse ministério faz a gestão de todas as universidades do país. Desse período vem sua relação com o setor de educação, que se manteve, tanto que foi designado pelo partido para discutir o texto da nova Conceitualização do Novo Modelo Econômico e Social Cubano de Desenvolvimento Socialista, debatido e aprovado no último Congresso do Partido Comunista, realizado em novembro de 2017.

Em uma das plenárias com educadores realizada antes do congresso, o diretor do Centro Martin Luther King, Joel Suárez, conta como foi a relação estabelecida com Díaz-Canel: “É uma pessoa que sabe escutar. As vezes que interviu foi para colocar exemplos de situações práticas que se vivem o país. Ao mesmo tempo, notava-se que ele é uma pessoa que estuda e lê, pois entrava também no debate de ideias, intelectual e teórico. Contribuía ao debate”.

Díaz-Canel, então dirigente da
juventude cubana, junto a Fidel Castro
Para a jornalista Irma Shelton, repórter e apresentadora do canal Cubavisión, Díaz-Canel já era o favorito a ocupar o mais alto cargo do país. “Ele é um dirigente político que vem das filas da Federação Estudantil Universitária e da Juventude Comunista de Cuba. Um dirigente que se destacou por sua inteligência e por sua relação com as massas, porque sabia dirigir”, relata.

E foi como dirigente do Partido Comunista que protagonizou uma da histórias conhecidas nos bastidores da política cubana. A jornalista Daisy Gómez, uma das mais conhecidas de Cuba, contou ao Brasil de Fato uma anedota que ilustra um pouco o grau de liderança que tinha junto à população de Villa Clara.

Em 1996, Díaz-Canel convidou o presidente Fidel Castro para celebrar uma data patriótica junto com a população da capital provincial de Villa Clara, em Santa Clara. Fidel disse: “É que a data está muito próxima, será impossível que possa reunir em tão pouco tempo a quantidade de pessoas necessárias para encher a praça da cidade. Díaz-Canel então respondeu: “Eu me comprometo que esta noite a praça estará cheia”. “E encheu”, conta Daisy Gómez.

Modernização da comunicação

Agora, frente a novas responsabilidades, Miguel Díaz-Canel terá a tarefa de conduzir Cuba em direção às mudanças econômicas que provocarão forte impacto na sociedade. Ele faz parte de nova geração de políticos escolhidos para enfrentar os desafios da modernidade.

Díaz-Canel durante eleições cubanas de 2012
Desde 2013, quando foi eleito para o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional, Díaz-Canel recebeu a missão de ser o executor das políticas estabelecidas pelo governo de Raúl Castro para área da comunicação, que envolvia telefonia, ampliação do acesso à internet, modernização dos canais de televisão, informatização e automatização dos processos produtivos.

“Como vice-presidente teve um papel de destaque. Ele coordenou a execução do Plano de Informatização do país. Nos últimos anos, houve um incremento substancial no acesso à internet em Cuba. O que tem gerado qualidade de vida à população”, destaca Iroel Sánchez, escritor e blogueiro no país.

Como vice-presidente ele também foi um dos principais defensores da massificação do uso da internet pela população cubana. Durante o lançamento do Plano de Informatização, em 2015, fez um discurso enfático sobre a necessidade expansão da internet na ilha. “A criação de uma infraestrutura de internet, de acordo com nossas possibilidades, servirá de de base para o desenvolvimento das atividades econômicas em todos os níveis: estatal, das cooperativa e do setor autônomo”.

Também defendeu o uso da internet como ferramenta de geração de empregos. “A internet tem um potencial gerador de serviços e de atividade econômica que contribui como fonte de criação de empregos, recursos e crescimento econômico”.

O escritor e blogueiro cubano afirma ainda que Díaz-Canel também é o responsável por impulsionar modernização dos meios de comunicação, especialmente os canais de televisão. O principal canal de TV cubano, Cubavisión, entrou na era digital. Foi totalmente remodelado e está fazendo a transição para o sinal digital. Em três meses, o sinal analógico começará a ser desligado e gradualmente será substituído pelo novo sinal.

Em 2016, no encerramento do 7º Congresso do PC
Cubano, com Fidel e Raúl
Além disso, já existe um debate sobre a criação de uma nova política de comunicação, que será estabelecida pelo novo chefe de Estado, de acordo com informações de Iroel Sánchez. O escritor enfatiza que Cuba é submetida há anos a uma guerra midiática gigantesca. “O governo dos Estados Unidos gasta em média 50 milhões de dólares, ao ano, em propaganda contra Cuba. Falo do orçamento do Estado, fora o que se faz por outras vias em conjunto com os meios privados. Esse valor está muito acima do orçamento de todos os meios cubanos juntos”, informa Iroel.

Ainda que não tenha a ambição de competir com seu vizinho do norte, Cuba tem a necessidade de criar um novo modelo de produção e difusão de informação, de acordo com o escritor. “Cuba tem a necessidade elevar a qualidade de sua comunicação. Uma maneira de se defender é tendo bons meios de comunicação”, ressalta Iroel.

Agora eleito presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel tem a missão de implementar todas as mudanças aprovadas no último Congresso do PCC, que conformarão o novo modelo de desenvolvimento do socialismo cubano. Será a continuidade da Revolução, que em janeiro de 2019 completará 60 anos.

No entanto, em Cuba não haverá mudança brusca, nem guinada de governo, afirmam todos os entrevistados para o Brasil de Fato. Até porque Raúl Castro sai da presidência do Conselho do Estado, mas não vai se retirar da política. Ele continua à frente do Partido Comunista, que participa da tomada de decisões e implementação do plano de governo. No ano passado, durante o congresso do partido, Raúl foi eleito primeiro secretário do Partido Comunista Cubano para o mandato que termina em 2021. Além disso, o membro da geração histórica é o comandante e chefe das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

Linha do tempo da vida do presidente Miguel Díaz-Canel


• Entre 1975 e 1982: Militante e dirigente da Federação Estudantil Universitária (FEU).

• 1982: Formou-se em engenharia eletrônica pela Universidade Central das Villas Marta Abreu.

• Entre 1982 e 1993: Dirigente da União de Jovens Comunistas (UJC).

• Entre 1982 e 1985: Oficial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba.

• 1994: Foi nomeado primeiro-secretário do comitê provincial do Partido Comunista de Cuba (PCC), de Villa Clara. Nessa época, o cargo representava a máxima autoridade política da província.

• 2003: Nomeado primeiro-secretário do PCC da província de Holguín e eleito membro do birô político do comitê central do PCC.

• Entre 2009 e 2013: Ministro de Educação Superior.

• Desde 2013: Primeiro vice-presidente do Conselho de Estado da Assembleia Nacional e do país. Foi o primeiro político nascido depois do triunfo da Revolução Cubana (1959) a ocupar esse cargo.

• 2018: Eleito novo presidente de Cuba, sucessor de Raúl Castro.




segunda-feira, 16 de abril de 2018

Materiais produzidos pelo prof. Fernando Penna (UFF) analisando o movimento Escola Sem Partido

Por uma escola democrática e sem censura
Professores Contra o Escola Sem Partido


TEXTOS E ARTIGOS CIENTÍFICOS:
- O ódio aos professores (18/09/2015):
https://goo.gl/HbEc1S
(também publicado no livro “A ideologia do movimento Escola sem Partido”, baixe o livro aqui: https://goo.gl/Izw1E3)
- Proibido educar? Com o pretexto de evitar “doutrinação”, projeto de lei ameaça o ensino escolar e criminaliza a prática docente (01/05/2016):
https://goo.gl/3Aib2C
- O ódio aos professores se profissionaliza (14/11/2016):
https://goo.gl/2gDx3D
- Programa “escola sem partido”: ameaça a uma educação emancipadora (2016): https://goo.gl/nQGbVk
- Escola sem Partido como chave de leitura do fenômeno educacional (2017): https://goo.gl/9sbEyB
(publicado no livro "ESCOLA “SEM” PARTIDO: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira", baixe o livro aqui: https://goo.gl/JE5p3u)
- "Escola sem Partido" como ameaça à Educação Democrática: fabricando o ódio aos professores e destruindo o potencial educacional da escola (2017):
https://goo.gl/buKe7S
PARTICIPAÇÕES EM AUDIÊNCIAS PÚBLICAS:
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (03/11/2015): https://youtu.be/XGK0_dLEQN0
Senado Federal (16/11/2016)
https://youtu.be/q8vw6aHq3jQ
Câmara dos Deputados (07/02/2017):
https://youtu.be/tsG8j1kkRow
Câmara Municipal do Rio de Janeiro (17/04/17):
https://youtu.be/MZfgFj_vJOA
Câmara Municipal de Ribeirão Preto - SP (24/04/17): https://youtu.be/ROaVcMvMdVk
Câmara Municipal de Salvador - BA (29/05/2017): https://youtu.be/s_W34wik_Ms
Câmara Municipal de Tubarão - SC (11/08/17):
https://youtu.be/3674qvNDGk4
ALERJ - Entrega da Medalha Tiradentes (05/03/2018):
https://youtu.be/b4Yg2YcXOSA
Câmara Municipal de Araraquara- SP (12/04/18):
https://youtu.be/i-mMm-X7ZpU
PALESTRAS:
O movimento Escola sem Partido e o ódio aos professores (18/04/2016): https://youtu.be/0OoXp6dSRMc
Escola Democrática X Escola sem Partido (24/06/2016): https://youtu.be/xGh-mFadrZA
Aula Magna da Faculdade de Educação – Escola sem Partido como chave de leitura (14/09/2016) - https://goo.gl/xjpG6c
Programas de TV:
Sala Debate – Canal Futura: https://youtu.be/J2v7PA1RNqk
Caminhos da Reportagem – TV Brasil: https://youtu.be/dKPz9_mTLk4
PODCASTs:
Sobre História Podcast - "Escola sem Partido"
https://goo.gl/s2xR8k
PCESP#1 - O que é uma boa educação?
https://goo.gl/9gXCQG
PCESP#2 - Democracia Radical
https://goo.gl/rEznWE
PCESP#3 - Censura e perseguição política às universidades
https://goo.gl/rp9ZYR
DOCUMENTO:
“Em defesa da liberdade de expressão dos professores” (carta aberta ao Senado): https://goo.gl/4BrSaE
Assinaturas da carta:
https://goo.gl/4rPhZw