sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Para enriquecer sua biblioteca digital...Conheçam a Lectulandia

Lectulandia é um ótimo blog de livros em espanhol, onde todos os livros são oferecidos em 2 formatos: epub e pdf. Os pdf são ocr, perfeitos. Você não precisa registrar-se para baixar os livros e é muito fácil baixá-los. Veja o seguinte exemplo:



Abaixo da capa há dois botões azuis (EPUB e PDF)  -  é aí que você deve dar click para baixar o livro no formato desejado
Ao dar click irá surgir uma nova página  -  espere uns 20 segundos pois a página vai mudar...
Depois de mudada a página, dê click no botão azul escuro DOWNLOAD NOW - acima, ao lado direito do nome do livro
Em segundos o livro começa a baixar...

Na página do livro, depois de você dar click, aparece aquela mãozinha do Facebook. Para voltar a ver a página, dê click em qualquer lugar fora da figura da mão.
Ao dar click no nome do autor, aparecerão no lado esquerdo todos os títulos disponíveis escritos por ele
Ao dar click no gênero do livro, aparecerá no lado esquerdo o link para a seção do gênero (História, Política, Ciências Sociais, etc)


Algumas dicas:
















http://www.lectulandia.com/genero/historia/   páginas dos livros de História


http://www.lectulandia.com/genero/ciencias-sociales/    páginas dos livros de Ciências Sociais

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Para que todos tomem ciência

Grande parte de textos de revistas científicas se origina de pesquisas financiadas com recursos públicos
por
Ao estabelecer em março de 2014 a sua Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) buscou garantir à sociedade a consulta livre a sua produção científica, alinhando-se ao movimento global de acesso aberto (open access). Com início no fim da década de 1980, esse movimento foi uma reação à chamada “crise dos periódicos”. Os constantes aumentos nos preços de assinaturas de revistas científicas praticados por editoras comerciais inviabilizavam a aquisição de coleções por bibliotecas de universidades e instituições de ensino e pesquisa.

Como se veem compelidas a comprar dessas editoras, pois elas detêm o controle do único veículo aceito pela comunidade científica mundial para publicação de textos, configura-se um negócio peculiar em que um ente privado se apropria de um bem (o artigo científico), agrega algum valor a ele e cobra preços exorbitantes para sua utilização. Grande parte desses textos se origina de pesquisas financiadas com recursos públicos. O acesso aberto rompe essa lógica, auxiliado pelas tecnologias da informação e comunicação e pela internet, que propiciam modelos de publicação a baixo custo e ampla circulação. 

As políticas de acesso aberto vêm gerando tensão no setor de publicações científicas. Trata-se de um mercado concentrado, no qual apenas três grupos editoriais — Reed Elsevier, Springer e Wiley — detêm mais de 40% das revistas científicas publicadas. Até há bem pouco tempo, eles tinham pouco interesse na publicação científica do Brasil. Esta atitude mudou, e a maioria já abriu um escritório em nosso país ou comprou uma editora nacional. Um dos obstáculos a essa expansão de editoras comerciais internacionais no mercado editorial brasileiro é o SciELO, inovador portal de revistas científicas brasileiras, pioneiro no uso do acesso aberto no Brasil e um dos responsáveis pelo aumento da visibilidade da nossa produção científica em nível nacional e internacional. Recentemente, um bibliotecário acadêmico americano, simpático aos editores comerciais e crítico feroz do movimento de acesso aberto, publicou um artigo comparando o SciELO a uma “favela de publicações”, e as editoras comerciais a “bairros agradáveis”. Seu desrespeito com a publicação científica na América Latina foi repudiado pelo SciELO e pela comunidade científica com respostas que soaram como uma renovação do apoio generalizado ao acesso aberto nessa região.

No que se refere à Fiocruz, para execução da sua política de acesso aberto, ela aperfeiçoou em 2014 o repositório digital Arca, criado para disseminar e preservar a sua produção intelectual. Ele conta hoje com 4.698 artigos científicos, 2.224 dissertações de mestrado e 867 teses de doutorado. Em 2015, a Fiocruz lançou o seu Portal de Periódicos, reunindo as sete revistas científicas que edita: “Cadernos de saúde pública”; “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”; “História, ciências, saúde — Manguinhos”; “Trabalho, educação e saúde”; “Revista Eletrônica de comunicação, informação & inovação em saúde”; “Vigilância sanitária em debate”; e “Revista Fitos”. Em dois espaços digitais, o leitor tem acesso gratuito a significativa parcela de literatura científica da área de saúde pública produzida no Brasil e no exterior. 
Hoje, o engajamento da comunidade científica e de governos, que editam leis em prol do acesso aberto, ocorre em todo o mundo. No Brasil, iniciativas como as da Fiocruz e do SciELO precisam do apoio das agências públicas de fomento à pesquisa, criando políticas para publicação em acesso aberto de artigos oriundos de pesquisa financiada com seus recursos.

* Paulo Guanaes é editor-executivo da revista “Trabalho, educação e saúde” e Hooman Momen é editor científico da revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”

FONTE: O Globo

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Gramsci no Limiar do Século XXI | Download GRATUITO


A Navegando Publicações disponibiliza gratuitamente para download o livro Gramsci no Limiar do Século XXI, organizado pelos professores José Claudinei Lombardi, Lívia D. Rocha Magalhães e Wilson da Silva Santos.


Sinopse

O pensamento de Gramsci não se restringiu à Itália. Suas concepções são discutidas por toda parte e influenciam todos aqueles que reivindicam por princípios democráticos na educação, na cultura, na política e na economia. Assim, este livro proporcionará análises que buscam compreender a recepção de Gramsci no Brasil, nos últimos 30 anos, e a sua contribuição categorial para analisar a educação, a política, a história, a economia, enfim, a sociedade brasileira no século XXI. Compreendemos que essas contribuições nos remetem a pensar formas de emancipação humana como estratégia para a construção de uma nova ordem social, econômica e política. Podemos dizer que pensar o Brasil numa perspectiva gramsciana é desvendar uma sociedade enredada num contexto de luta, de contradição, inserida num movimento social determinado e determinante historicamente.

Sumário

Apresentação
Introdução: sobre a recepção de Gramsci na educação brasileira
Dermeval Saviani
Por linhas tortas: controvérsias marxistas sobre a leitura e recepção de Gramsci no Brasil
Carlos Zacarias de Sena Júnior
Controvérsias marxistas sobre a leitura e recepção de Gramsci na educação brasileira
Paolo Nosella
Gramsci e a educação no Brasil
Dermeval Saviani
A construção do bloco histórico: via jacobina e o “debate” com Georges Sorel nos Cadernos do cárcere
Leandro de Oliveira Galastri
Uma leitura gramsciana: subjetividade, sujeito e formação éticopolítica
Wilson da Silva Santos
Intelectuais: para que e para quem?
Edmundo Fernandes Dias

Sobre os autores

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Primeiro Salão do Livro Político


Iniciativa independente de editoras vinculadas às questões sociais, o I Salão do Livro Político surge em momento oportuno, num contexto onde a aridez (ou mesmo o modo raso) como a política tem sido debatida torna pertinente renovadas interpretações de nossa realidade, apontando alternativas que vão na contracorrente dos discursos conservadores, das narrativas tradicionais e da onda reacionária que tem invadido os debates sobre o tema.


“O avesso do avesso do avesso do que rola por aí” é como a organização do evento tem se posicionado, lema corroborado não só pela composição do acervo de livros que serão expostos ao público (com descontos de até 50% do preço de capa), mas também pelos nomes selecionados para as mesas de debates, conferências e autógrafos.
Quem estará lá:
Convidados confirmados:

Alysson Leandro Mascaro
Antonio Carlos Mazzeo
Carlos Bauer
Claudia Santiago
Dainis Karepovs
Djamila Ribeiro
Flamarion Maués
Haroldo Ceravolo
Helena Silvestre
Isabel Loureiro
Iuri Tonelo
José Arbex Júnior
Julio Veloso
Ladislau Dowbor
Leda Paulani
Leonardo Padura
Luiz Renato Martins
Marcelo Pablito
Paulo Henrique Amorim
Renata Mieli
Sérgio Amadeu
Toni C
Valério Arcary
Wagner Nabuco
Waltemir (Miro) Nalles
Wilson Honório da Silva
Worney Almeida de Souza
Waltemir (Miro) Nalles

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Programação
 
 
24/09 -11:00 às 21:00h - funcionamento do Salão com os expositores
15:00 às 17:00h - Introdução ao marxismo
Alyssson Leandro Mascaro
17:00 às 17:45h - lançamentos/autógrafos - Antonio Carlos Mazzeo, Luiz Bernard Percás.
18:00 às 18:45h - Abertura oficial
Homenagens:
Vito Gianotti (póstuma) - com participação de Claudia Santiago
Boitempo Editorial, editora homenageada ao completar 20 anos
Apresentação do Tenor José Corrêa
18:45 às 20:45h - MR - Leituras do Brasil - Conjuntura política
Iuri Tonelo
José Arbex Júnior
Julio Veloso
Valério Arcary

25/09 - 11:00 às 21:00h -funcionamento do Salão com os expositores
11:00 às 11:30h - apresentação de curtas
11:30 às 12:30h - Palestra - Democracia econômica
Ladislau Dowbor
14:30 às 15:00h - apresentação de curtas
15:00 às 17:00h - MR - Racismo e violência na periferia
Djamila Ribeiro
Marcelo Pablito
Toni C
Wilson Honório da Silva
17:00 às 17:45h - lançamentos/autógrafos - Carlos Bauer, Dainis Karepovs
17:45 às 18:30h - lançamentos/autógrafos
18:00 às 18:30h - apresentação de curtas
18:30 às 20:30h - MR - Mercado Editorial do livro político
Flamarion Maués
Haroldo Ceravolo
Leda Paulani
Waltermir (Miro) Nalles
 
26/09 - 10:00 às 12:00h - Oficina - Arte imediata: a fita crepe como instrumento.
Worney Almeida de Souza
11:00 às 20:00h -funcionamento do Salão com os expositores
11:00 às 11:30h- Apresentação de curtas
11:30h às 13:30h - MR - Mídia monopolizada: a leitura enviesada da realidade
Paulo Henrique Amorim
Renata Mieli
Sérgio Amadeu
Wagner Nabuco
13:30 às 14h - apresentação de curtas
14:00 às 15:30h - MR - Literatura na periferia
Helena Silvestre
Maria Vilani
Toni C
15:30 às 16:00h - lançamentos/autógrafos - Luiz Renato Martins
16:00 às 17:30h - Palestra - Literatura e política
Leonardo Padura
Coordenadora: Isabel Loureiro
Fundação Rosa Luxemburgo
19:00 às 20:00h - Encerramento.
 


Histórico diálogo entre Fidel Castro y Salvador Allende (Película completa)

El Diálogo de América, charla en noviembre de 1971 entre el líder de la Revolución cubana, Fidel Castro, y el extinto presidente Salvador Allende, durante la visita de tres semanas realizada por el primero a Chile. El Diálogo de América fue estrenado mundialmente en París en abril de 1972 como testimonio de la lucha por el proceso chileno.



sábado, 12 de setembro de 2015

Ainda os refugiados*


Por Jorge Cadima

Se há hoje mais refugiados do que em qualquer outro momento desde a II Guerra Mundial (como afirma a ONU), tal deve-se ao facto de que todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia. E esses pirómanos não descansam.


A crise dos refugiados, de que tanto se tem falado, não começou agora. A novidade que acordou a comunicação social está apenas no facto de essa crise ter chegado à Europa. Para os países devastados pelas guerras imperialistas, e para os seus países limítrofes, a crise existe há já muitos anos. Se há hoje mais refugiados do que em qualquer outro momento desde a II Guerra Mundial (como afirma a ONU), tal deve-se ao facto de que todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia.


Segundo o Anuário Estatístico de 2010 da agência da ONU para os refugiados (não palestinos) UNHCR, havia no final desse ano cerca de 34 milhões de refugiados e deslocados (fora ou dentro dos países de origem). Dos cerca de 10,5 milhões de refugiados externos, 80% eram acolhidos por países em vias de desenvolvimento e a comunicação social dominante pouco se preocupava com a tragédia. Os dois principais países de origem dos refugiados eram o Afeganistão, vítima da invasão dos EUA em 2001, com três milhões de refugiados no exterior, e o Iraque, vítima em 2003 da guerra de Bush, Blair e Durão Barroso (cujo apoio à guerra lhe terá valido o seu posterior tacho à frente da União Europeia), com 1,7 milhões. Naquela altura, a Síria era o terceiro maior país de acolhimento, depois do Paquistão e do Irão, dando abrigo a mais de um milhão de refugiados. A Líbia, o país que segundo os relatórios do Programa da ONU para o Desenvolvimento (UNDP) tinha em 2010 o maior Índice de Desenvolvimento Humano de África, acolhia então milhares de trabalhadores africanos na sua economia. Síria e Líbia foram entretanto destruídas pelas guerras NATO/EUA/UE. A Líbia tornou-se na maior porta de acesso de refugiados africanos para a Europa, atravessando o Mediterrâneo onde frequentemente encontram a morte. E a Síria, reduzida a escombros pelos bandos ao serviço dos autoproclamados «amigos da Síria» tornou-se, segundo o Anuário Estatístico de 2013 da UNHCR, o segundo maior país de origem de refugiados, com valores muito próximos do Afeganistão, ambos com 2,5 milhões. Nesse ano, continuavam a ser os países em vias de desenvolvimento a acolher a grande maioria dos refugiados: 86% do total, segundo a UNHCR. E a comunicação social “ocidental” continuava calada.


Hoje fala-se muito do drama dos refugiados sírios que chegam à Europa. Mas quem decidiu intervir militarmente na Síria? Não se pode esquecer títulos como: «Um exército insurgente que alega ter 15 000 homens está a ser coordenado a partir da Turquia [país da NATO] para enfrentar o presidente Assad» (Telegraph, 3.11.11); «A CIA acusada de auxiliar no envio de armas para a oposição síria» (New York Times, 21.6.12); «Navio espião alemão auxilia os rebeldes sírios» (Deutsche Welle, 20.8.12); ou «Estados do Golfo pagam os salários do Exército Sírio Livre» (ABCnews, 1.4.12). E há que estar atentos ao que se pode esconder por detrás do súbito interesse da comunicação social pelo tema dos refugiados. O primeiro-ministro inglês Cameron quer «uma intervenção militar para resolver a crise síria» e um ex-Arcebispo de Cantuária (chefe espiritual da Igreja de Estado em Inglaterra) defende «ataques aéreos e outro tipo de assistência militar para criar enclaves seguros e pontos de abrigo na Síria» (Telegraph, 5.9.15). Ou seja, querem mais guerra para lidar com os estragos provocados pelas suas guerras (ou pelo menos para os manter afastados das terras de Sua Majestade). E um dos maiores patrocinadores dos bandos fundamentalistas que destroem a Síria, o Rei Salman da Arábia Saudita, encontrou-se na semana passada com o Nobel da Paz Obama, para ouvir que «o Pentágono está a ultimar um acordo armamentista no valor de mil milhões de dólares com a Arábia Saudita, para lhe fornecer armas para o seu esforço de guerra contra [???] o Estado Islâmico e o Iémen» (New York Times, 4.9.15). Os pirómanos não descansam.


*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2180, 10.09.2015

FONTE: ODiario.Info

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Septiembre 11, Chile: Salvador Allende según Galeano, Neruda y García Márquez

Hace 42 años, en un dramático combate por el asalto a La Moneda, murió el Presidente Salvador Allende.




Hace 42 años, en un dramático combate por el asalto a La Moneda, el Palacio Presidencial de Chile, murió el Presidente Salvador Allende. Las fuerzas golpistas entregaron al General Augusto Pinochet un escueto informe: “Misión cumplida. Moneda tomada, presidente muerto”. Poco después se conformó la Junta de Gobierno. La Unidad Popular y su presidente habían sido aniquilados, iniciándose diecisiete años de dictadura militar.

Tres grandes escritores de Nuestra América describen esos sucesos, con los que queremos rendir homenaje al Presidente chileno, socialista y amigo de Cuba.

La Trampa

Por Eduardo Galeano

Por valija diplomática llegan los verdes billetes que financian huelgas y sabotajes y cataratas de mentiras. Los empresarios paralizan a Chile y le niegan alimentos. No hay más mercado que el mercado negro. Largas colas hace la gente en busca de un paquete de cigarrillos o un kilo de azúcar; conseguir carne o aceite requiere un milagro de la Virgen María Santísima.
La Democracia Cristiana y el diario «El Mercurio» dicen pestes del gobierno y exigen a gritos el cuartelazo redentor, que ya es hora de acabar con esta tiranía roja; les hacen eco otros diarios y revistas y radios y canales de televisión. Al gobierno le cuesta moverse; jueces y parlamentarios le ponen palos en las ruedas, mientras conspiran en los cuarteles los jefes militares que Allende cree leales.
En estos tiempos difíciles, los trabajadores están descubriendo los secretos de la economía. Están aprendiendo que no es imposible producir sin patrones, ni abastecerse sin mercaderes. Pero la multitud obrera marcha sin armas, vacías las manos, por este camino de su libertad. Desde el horizonte vienen unos cuantos buques de guerra de los Estados Unidos, y se exhiben ante las costas chilenas. Y el golpe militar, tan anunciado, ocurre.
Le gusta la buena vida. Varias veces ha dicho que no tiene pasta de apóstol ni condiciones para mártir. Pero también ha dicho que vale la pena morir por todo aquello sin lo cual no vale la pena vivir.
Los generales alzados le exigen la renuncia. Le ofrecen un avión para que se vaya de Chile. Le advierten que el palacio presidencial será bombardeado por tierra y aire. Junto a un puñado de hombres, Salvador Allende escucha las noticias. Los militares se han apoderado de todo el país. Allende se pone un casco y prepara su fusil. Resuena el estruendo de las primeras bombas. El presidente habla por radio, por última vez: —Yo no voy a renunciar…
Una gran nube negra se eleva desde el palacio en llamas. El presidente Allende muere en su sitio. Los militares matan de a miles por todo Chile. El Registro Civil no anota las defunciones, porque no caben en los libros, pero el general Tomás Opazo Santander afirma que las víctimas no suman más que el 0,01 por 100 de la población, lo que no es un alto costo social, y el director de la CIA, William Colby, explica en Washington que gracias a los fusilamientos Chile está evitando una guerra civil. La señora Pinochet declara que el llanto de las madres redimirá al país. Ocupa el poder, todo el poder, una Junta Militar de cuatro miembros, formados en la Escuela de las Américas en Panamá. Los encabeza el general Augusto Pinochet, profesor de Geopolítica. Suena música marcial sobre un fondo de explosiones y metralla: las radios emiten bandos y proclamas que prometen más sangre, mientras el precio del cobre se multiplica por tres, súbitamente, en el mercado mundial.
El poeta Pablo Neruda, moribundo, pide noticias del terror. De a ratos consigue dormir y dormido delira. La vigilia y el sueño son una única pesadilla. Desde que escuchó por radio las palabras de Salvador Allende, su digno adiós, el poeta ha entrado en agonía.

“Mi pueblo ha sido el más traicionado de este tiempo”


[Desde Isla negra, su residencia en Chile, el 14 de septiembre de 1973, Pablo     Neruda escribió su dramático testimonio del 11-S latinoamericano. Luego, el 23, fallece de cáncer. Todos dicen que murió de pena.]
Por Pablo Neruda

De los desiertos del salitre, de las minas submarinas del carbón, de las alturas terribles donde yace el cobre y lo extraen con trabajos inhumanos las manos de mi pueblo, surgió un movimiento liberador de magnitud grandiosa. Ese movimiento llevó a la presidencia de Chile a un hombre llamado Salvador Allende, para que realizara reformas y medidas de justicia inaplazables, para que rescatara nuestras riquezas nacionales de las garras extranjeras.

Donde estuvo, en los países más lejanos, los pueblos admiraron al presidente Allende y elogiaron el extraordinario pluralismo de nuestro gobierno. Jamás en la historia de la sede de las Naciones Unidas, en Nueva York, se escuchó una ovación como la que le brindaron al presidente de Chile los delegados de todo el mundo.

Aquí en Chile se estaba construyendo, entre inmensas dificultades, una sociedad verdaderamente justa, elevada sobre la base de nuestra soberanía, de nuestro orgullo nacional, del heroísmo de los mejores habitantes de Chile. De nuestro lado, del lado de la revolución chilena, estaban la Constitución y la ley, la democracia y la esperanza. Del otro lado no faltaba nada. Tenían arlequines y polichinelas, payasos a granel, terroristas de pistola y cadena, monjes falsos y militares degradados.

Unos u otros daban vueltas en el carrusel del despecho. Iban tomados de la mano el fascista Jarpa con sus sobrinos de “Patria y Libertad”, dispuestos a romperles la cabeza y el alma a cuanto existe, con tal de recuperar la gran hacienda que ellos llamaban Chile. Junto con ellos, para amenizar la farándula, danzaba un gran banquero y bailarín, algo manchado de sangre; era el campeón de rumba González Videla, que rumbeando entregó hace tiempo su partido a los enemigos del pueblo. Ahora era Frei quien ofrecía su partido demócrata – cristiano a los mismos enemigos del pueblo, y bailaba además con el ex coronel Viaux, de cuya fechoría fue cómplice.

Estos eran los principales artistas de la comedia. Tenían preparados los viveros del acaparamiento, los “miguelitos”, los garrotes y las mismas balas que ayer hicieron de muerte a nuestro pueblo en Iquique, en Ranquil, en Salvador, en Puerto Montt, en la José Maria Caro, en Frutillar, en Puente Alto y en tantos otros lugares. Los asesinos de Hernán Mery bailaban con naturalidad santurronamente. Se sentían ofendidos de que les reprocharan esos “pequeños detalles”.

Chile tiene una larga historia civil con pocas revoluciones y muchos gobiernos estables, conservadores y mediocres. Muchos presidentes chicos y sólo dos presidentes grandes: Balmaceda y Allende. Es curioso que los dos provinieran del mismo medio, de la burguesía adinerada, que aquí se hace llamar aristocracia. Como hombres de principios, empeñados en engrandecer un país empequeñecido por la mediocre oligarquía, los dos fueron conducidos a la muerte de la misma manera.

Balmaceda fue llevado al suicidio por resistirse a entregar la riqueza salitrera a las compañías extranjeras. Allende fue asesinado por haber nacionalizado la otra riqueza del subsuelo chileno, el cobre. En ambos casos la oligarquía chilena organizó revoluciones sangrientas. En ambos casos los militares hicieron jauría. Las compañías inglesas en la ocasión de Balmaceda, las norteamericanas en la ocasión de Allende, fomentaron y sufragaron estos movimientos militares.

En ambos casos las casas de los presidentes fueron desvalijadas por órdenes de nuestros distinguidos “aristócratas”. Los salones de Balmaceda fueron destruidos a hachazos. La casa de Allende, gracias al progreso del mundo, fue bombardeada desde el aire por nuestros heroicos aviadores.

Sin embargo, estos dos hombres fueron muy diferentes. Balmaceda fue un orador cautivante. Tenía una complexión imperiosa que lo acercaba más al mando unipersonal. Estaba seguro de la elevación de sus propósitos. En todo instante sé vio rodeado de enemigos. Su superioridad sobre el medio en que vivía era tan grande, y tan grande su soledad, que concluyó por reconcentrarse en sí mismo.

El pueblo que debía ayudarle no existía como fuerza, es decir, no estaba organizado. Aquel presidente estaba condenado a conducirse como iluminado, como un soñador: un sueño de grandeza se quedó en sueño. Después de su asesinato, los rapaces mercaderes extranjeros y los parlamentarios criollos entraron en posesión del salitre: para los extranjeros, la propiedad y las concesiones; para los criollos las coimas.

Recibidos los treinta dineros todo volvió a su normalidad. La sangre de unos cuantos miles de hombres del pueblo se secó pronto en los campos de batalla. Los obreros más explotados del mundo, los de las regiones del norte de Chile, no cesaron de producir inmensas cantidades de libras esterlinas para la City de Londres.

Allende nunca fue un gran orador. Y como estadista era un gobernante que consultaba todas sus medidas. Fue el antidictador, el demócrata principista hasta en los detalles. Le tocó un país que ya no era el pueblo bisoño de Balmaceda; encontró una clase obrera poderosa que sabia de que se trataba.

Allende era dirigente colectivo; un hombre que, sin salir de las clases populares, era un producto de la lucha de esas clases contra el estancamiento y la corrupción de sus explotadores. Por tales causas y razones, la obra de que realizó en tan corto tiempo es superior a la de Balmaceda; más aun, es la más importante en la historia de Chile.

Sólo la nacionalización del cobre fue una empresa titánica, y muchos objetivos más se cumplieron bajo su gobierno de esencia colectiva. Las obras y los hechos de Allende, de imborrable valor nacional, enfurecieron a los enemigos de nuestra liberación.

El simbolismo trágico de esta crisis se revela en el bombardeo del Palacio de Gobierno; uno evoca la Blitz Krieg de la aviación nazi contra indefensas ciudades extranjeras, españolas, inglesas, rusas; ahora sucedía el mismo crimen en Chile; pilotos chilenos atacaban en picada el palacio que durante siglos fue el centro de la vida civil del país.

Escribo estas rápidas líneas para mis memorias a sólo tres días de los hechos incalificables que llevaron a la muerte de mi gran compañero el presidente Allende. Su asesinato se mantuvo en silencio; fue enterrado secretamente; sólo a su viuda le fue permitido acompañar aquel inmortal cadáver.

La versión de los agresores es que hallaron su cuerpo inerte, con muestras de visible suicidio. La versión que ha sido publicada en el extranjero es diferente. A reglón seguido del bombardeo aéreo entraron en acción los tanques, muchos tanques, a luchar intrépidamente contra un solo hombre: el Presidente de la Republica de Chile, Salvador Allende, que los esperaba en su gabinete, sin más compañía que su corazón, envuelto en humo y llamas.

Tenían que aprovechar una ocasión tan bella. Había que ametrallarlo porque nunca renunciaría a su cargo. Aquel cuerpo fue enterrado secretamente en un sitio cualquiera. Aquel cadáver que marchó a la sepultura acompañado por una sola mujer que llevaba en si misma todo el dolor del mundo, aquella gloriosa figura muerta iba acribillada y despedazada por las balas de las metralletas de los soldados de Chile, que otra vez habían traicionado a Chile.”

La verdadera muerte de un presidente

Por Gabriel García Márquez

La contradicción más dramática de su vida fue ser al mismo tiempo, enemigo congénito de la violencia y revolucionario apasionado, y él creía haberla resuelto con la hipótesis de que las condiciones de Chile permitían una evolución pacífica hacia el socialismo dentro de la legalidad burguesa. La experiencia le enseñó demasiado tarde que no se puede cambiar un sistema desde el gobierno, sino desde el poder.

Esa comprobación tardía debió ser la fuerza que lo impulsó a resistir hasta la muerte en los escombros en llamas de una casa que ni siquiera era la suya, una mansión sombría que un arquitecto italiano construyó para fábrica de dinero y terminó convertida en el refugio de un Presidente sin poder.

Resistió durante seis horas con una metralleta que le había regalado Fidel Castro y que fue la primera arma de fuego que Salvador Allende disparó jamás.

El periodista Augusto Olivares que resistió a su lado hasta el final, fue herido varias veces y murió desangrándose en la asistencia pública.

Hacia las cuatro de la tarde el general de división Javier Palacios, logró llegar hasta el segundo piso, con su ayudante el capitán Gallardo y un grupo de oficiales. Allí entre las falsas poltronas Luis XV y los floreros de Dragones Chinos y los cuadros de Rugendas del salón rojo, Salvador Allende los estaba esperando. Llevaba en la cabeza un casco de minero y estaba en mangas de camisa, sin corbata y con la ropa sucia de sangre. Tenía la metralleta en la mano.

Allende conocía al general Palacios. Pocos días antes le había dicho a Augusto Olivares que aquel era un hombre peligroso, que mantenía contactos estrechos con la Embajada de los EE.UU. Tan pronto como lo vio aparecer en la escalera, Allende le gritó: Traidor y lo hirió en la mano.

Allende murió en un intercambio de disparos con esa patrulla. Luego todos los oficiales en un rito de casta, dispararon sobre el cuerpo. Por último un oficial le destrozó la cara con la culata del fusil.

La foto existe: la hizo el fotógrafo Juan Enrique Lira, del periódico El Mercurio, el único a quien se permitió retratar el cadáver. Estaba tan desfigurado, que la Sra. Hortencia Allende, su esposa, le mostraron el cuerpo en el ataúd, pero no permitieron que le descubriera la cara.

Había cumplido 64 en el julio anterior y era un Leo perfecto: tenaz, decidido e imprevisible.

Lo que piensa Allende sólo lo sabe Allende, me había dicho uno de sus ministros. Amaba la vida, amaba las flores y los perros, y era de una galantería un poco a la antigua, con esquela perfumadas y encuentros furtivos.

Su virtud mayor fue la consecuencia, pero el destino le deparó la rara y trágica grandeza de morir defendiendo a bala el mamarracho anacrónico del derecho burgués, defendiendo una Corte Suprema de Justicia que lo había repudiado y había de legitimar a sus asesinos, defendiendo un Congreso miserable que lo había declarado ilegítimo pero que había de sucumbir complacido ante la voluntad de los usurpadores, defendiendo la voluntad de los partidos de la oposición que habían vendido su alma al fascismo, defendiendo toda la parafernalia apolillada de un sistema de mierda que el se había propuesto aniquilar sin disparar un tiro.

El drama ocurrió en Chile, para mal de los chilenos, pero ha de pasar a la historia como algo que nos sucedió sin remedio a todos los hombres de este tiempo, que se quedó en nuestras vidas para siempre.

Septiembre de 2003, al cumplirse 30 años del golpe militar de 1973 en Chile.


O silêncio dos inocentes

Por Mauro Luis Iasi.
Em resposta à coluna de Emir Sader, “Dilemas da intelectualidade latinoamericana“.
Fotografia de Ian Maenfeld (Jornalistas Livres)
Uma vez mais o professor Emir Sader parece estar preocupado com a produção intelectual latino-americana, mais precisamente com a aparente falta de correspondência entre a produção intelectual e os processos políticos “pós-neoliberais” (segundo o sociólogo brasileiro).
Para Sader, outros momentos (como as décadas de 1950 e 1960 no Brasil) foram marcados por intensa produção teórica sobre os processos em curso, com significantes reflexões, como pode se comprovar pela produção de autores como Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Milton Santos e Ruy Mauro Marini, entre outros.
Entretanto, diante dos atuais processos políticos em curso na America Latina, qualificados como progressistas e na contracorrente da hegemonia neoliberal, presenciaríamos uma espécie de silêncio intelectual. A hipótese de Sader é expressa da seguinte maneira:
Uma parte importante da intelectualidade latino-americana não está engajada em apoiar esses governos a resolver dilemas atuais e projeções de futuro. Alguns se isolam dos processos históricos concretos, ao assumir uma postura intelectualista, incapaz de captar as novidades da realidade concreta, tornando-se impotentes para contribuir para os processos políticos concretos.
Duas questões de imediato se apresentam.  Se uma parte assim procede, existiria outra parte que deveria estar contribuindo na direção da compreensão desejada pelo autor. Cabe perguntar: onde estaria esta valiosa reflexão? Quem são seus representantes ilustres? Em segundo lugar, o que determinaria esta “incapacidade” de captar a “realidade concreta” que levaria estes intelectuais à impotência? O autor tem uma explicação provisória para responder à sua tese: alguns intelectuais ficariam “encerrados nos muros das instituições acadêmicas, voltados para as problemáticas dissociadas da realidade externa, presos às dinâmicas institucionais”.
É bem difícil analisar a produção intelectual de uma época à quente, isto é, no momento mesmo em que ela ocorre. Muitas produções não alcançam a dimensão e a repercussão que lhes cabe em sua própria época e são, por assim dizer, destiladas e refinadas pelo tempo, até que o devir revela a pertinência daquilo que se afirmava. A própria lista apresentada por Sader tem bons exemplos disso. Se há autores que em sua época foram reconhecidos, como Sérgio Buarque de Holanda e Celso Furtado, por exemplo, o mesmo não ocorreu com Caio Prado Jr, Florestan Fernandes e, menos ainda, Ruy Mauro Marini. Seria bom destacar que parte dos autores citados se colocaram claramente contra a corrente, criticando e se chocando com aquilo que Caio Prado Jr. chamava de “verdades consagradas” – e pagaram um preço por isso.
O princípio que move o autor está correto. Em nossa perspectiva, fundada no marxismo, os intelectuais têm a responsabilidade de voltar seus olhos para o real e incidir sobre ele, são parte do movimento vivo da luta de classes e evitam as confortáveis armadilhas da neutralidade axiológica ao gosto da sociologia compreensiva weberiana ou da “objetividade” funcionalista. Da mesma forma, o risco do isolamento institucional (eu não diria apenas acadêmico institucional, pois há outras instituições com potencial de aprisionamento do pensamento igual ou superior ao presente na academia) é um fator concreto de limitação no sentido do desenvolvimento de um pensamento crítico.
No entanto, nesta direção tenho uma boa e uma má notícia para Emir Sader. Há no Brasil uma intensa e significativa produção teórica que se põe a refletir sobre os processos políticos em curso. Certamente há também na America Latina, mas, uma vez que o autor se detêm no Brasil, farei o mesmo. 
Vemos no período mais recente um renovação do pensamento crítico, não apenas em seminários e simpósios acadêmicos de grande qualidade, como na produção intelectual da esquerda brasileira. Há sempre o risco de deixar de fora muita coisa relevante, no entanto, apenas no intuito de exemplificação podemos citar a relevante produção de Ricardo Antunes, da Unicamp, sobre o mundo do trabalho em franca oposição e resistência contra a ofensiva dos que alegavam o fim da determinação do trabalho, da lei do valor e da centralidade das classes nos processos políticos. Também relevantes são os estudos de Virgínia Fontes sobre o Capital Imperialismo, pesquisadora infelizmente tão atacada pelo pensamento pós-moderno que domina a área de História, trincheira na qual conta com colegas de igual calibre como Osvaldo Coggiola (USP) ou Marcelo Badaró (colega de Virgínia na UFF). Podemos somar a estes estudos relevantes o professor da UFSC Paulo Tumolo e seus estudos sobre educação e sobre o movimento sindical, assim como estudos pioneiros de Antônio Ozaí (hoje na Universidade Estadual de Londrina), assim como as contribuições de Ruy BragaRicardo Musse Lincoln Secco na USP; Antônio Carlos Mazzeo e Marcos Del Roio na Unesp – nesta instituição devemos lembrar os pertinentes estudos de Giovanni Alves. E tantos outros, em diversas instituições, entre os quais me incluo, com meus estudos sobre consciência de classe e sobre a trajetória política do PT no período histórico que nos coube viver.
Há no Serviço Social, o campo que me acolheu carinhosamente, uma produção igualmente significativa e que incide muito além da área profissional da qual parte. Temos as clássicas reflexões do camarada José Paulo Netto, de Marilda Iamamoto, de Carlos Nelson Coutinho, de Maria Inês de Souza Bravo e de toda uma geração de grande qualidade teórica e política como Elaine Behring (UERJ), Maria Lucia Durighetto (UFJF), Evilásio Salvador (UNB), Sara Granemann (UFRJ) e Beatriz Abramides (PUC SP), entre tantos outros.
Ainda poderíamos falar de novos intelectuais que apresentaram seus trabalhos bem recentemente como Rodrigo Castelo (Unirio) e seu estudo sobre o social-liberalismo, Mirla Cisne (UFRN) e seu brilhante estudo sobre Gênero e relações sociais de sexo, Morena Marques (ex-UNB, hoje Unirio) e seu estudo sobre a Revolução Brasileira, uma análise da estratégia democrático-popular, assim como a belíssima tese de doutoramento de Valter Pomar, defendida na USP, que estuda especificamente o programa econômico dos governos petistas.
Poderíamos ir muito mais longe neste levantamento, mas podemos parar por aqui pois, além da qualidade de suas contribuições, há algo comum entre estes intelectuais citados. Todos eles, evidente que com posturas e posicionamentos diversos, refletiram em algum momento sobre os processos políticos em curso, especificamente sobre algum momento dos 12 anos de governos petistas ou processos a eles relacionados. Outra característica é significativa para a problemática que discutimos: nenhum deles pode ser considerado um intelectual que se “encerrou nos muros das instituições acadêmicas”; são, em diferentes graus, intelectuais militantes, comprometidos com a luta de classes e com claro compromisso político.
Há ainda outra característica: refletem sobre os processos políticos, como diversos posicionamentos, de apoio ou de oposição aos governos petistas, mas todos eles souberam manter a necessária perspectiva crítica e reflexiva essencial à boa produção teórica no campo do marxismo. Mesmo aqueles com compromissos partidários claros, como é o caso de Valter Pomar, Lincoln Secco e Ricardo Musse (e poderíamos incluir aqui Márcio PochmannMarilena Chauí e André Singer) não perderam a objetividade que lhes permite ver as contradições dos processos em curso e seus evidentes limites, fugindo do servilismo que confunde apoio político com rendição ao governismo e aos cálculos do pragmatismo político.
Neste sentido, a boa notícia é que se Sader busca uma produção teórica que reflita sobre os “processos reais”, ela existe e é de qualidade e vasta. Talvez o que Sader não encontre, e seu texto revela seu mais puro desejo, é uma produção intelectual que está “engajada em apoiar esses governos”, talvez pelo simples fato de que esse governo (pelo menos no caso do Brasil) se apresente cada vez mais indefensável para aqueles que defendem os trabalhadores.
Um “deslize” interessante que vemos na coluna de Sader é que ele centra a reflexão necessária dos processos políticos por suas contradições “com o movimento do capitalismo em escala global”. Ora, evidente que isso é importante, ainda que muito idealizada e cevada de subjetivismos otimistas, mas… suas próprias contradições internas não seriam essenciais para a reflexão que procura “contribuir para os processos políticos concretos”? Se sobre a análise crítica (não importa se de apoio ou de oposição ao governo) temos excelentes exemplos de boas contribuições, é no campo do governismo arrogante, rebaixado e intolerante que vemos um enorme silêncio sobre as contradições reais que se apresentam nos processos concretos.
Não há nenhum problema em um intelectual apoiar um governo de sua preferência, é um direito de qualquer um. No entanto, a questão é se este apoio faz com que sua produção deslize da análise da “realidade concreta” para a pura justificativa laudatória que esconde e obscurece as contradições que precisam ser compreendidas. Como nos alertou Silvio Rodriguez em seu último trabalho, lembrando a importante contribuição de nosso comandante: “Dijo Guevara El humano, que ningún intelectual debe ser asalariado del pensamiento oficial”.
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Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB.