terça-feira, 7 de maio de 2013

Extermínio e tortura tiveram aval dos presidentes militares


Ao iG, Paulo Sérgio Pinheiro, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, afirmou estar surpreso com os documentos e informações que revelam a participação da cúpula do regime: "A estrutura do aparelho de repressão vinha desde as alturas do poder até os executantes"


Vasconcelo Quadros - iG São Paulo 

Autoridade com assento na ONU e coordenador da Comissão Nacional da Verdade , o cientista político e professor da USP Paulo Sérgio Pinheiro, em entrevista exclusiva ao iG [concedida no dia 30/4/2013] , se diz surpreso com os documentos e informações que revelam a participação dos presidentes militares nas ações que resultaram na tortura, extermínio e ocultação dos corpos de militantes de organizações armadas que enfrentaram a ditadura.

Ao contrário da história oficial, segundo ele, a máquina repressiva não funcionou descolada do Palácio do Planalto. À exceção de Castelo Branco e de João Batista Figueiredo, todos os outros generais que se revezaram no poder sabiam e ordenaram os horrores dos anos de chumbo.
“A estrutura do aparelho de repressão vinha desde as alturas do poder até os executantes”, afirma Pinheiro. O extermínio de militantes e o aniquilamento das organizações foi, segundo ele, uma opção da cúpula do regime militar.
A Comissão aguarda apenas a conclusão da autópsia dos restos de João Goulart para revelar que o presidente golpeado em 1964 teria morrido, em 1976, na Argentina, em decorrência de envenenamento, e não de ataque cardíaco, como consta no atestado de óbito.
Pinheiro diz que são normais as críticas de familiares sobre a lentidão das investigações, mas garante que a CNV vai apontar o paradeiro dos corpos de militantes de esquerda desaparecidos.
Serão esclarecidos também os casos de 20 brasileiros exilados na Argentina. Nesse grupo se encontra o pianista Francisco Tenório Júnior, o Tenorinho, sequestrado em 1976, a poucos metros do hotel onde se encontravam seus companheiros de excursão, Vinicius de Morais e Toquinho.
A Comissão já listou, segundo o coordenador, 250 agentes da repressão envolvidos em tortura e mortes. Eles serão chamados a depor. Caso não atendam a intimação, serão levados à força pela Polícia Federal e ainda responderão na Justiça por desobediência. A máquina envolvida diretamente nos 437 casos de mortos e desaparecidos tinha cerca de 1.500 militares e policiais.
As investigações apontam que o Judiciário brasileiro aderiu “gostosamente” ao arbítrio, sem que fosse necessário alterar ou criar legislação de exceção. “Dá para contar nos dedos das mãos os (juízes) que resistiram”, cutuca o cientista.
A CNV também já tem indícios de que várias empresas e instituições financeiras de peso na economia financiaram a repressão que aniquilou as organizações de esquerda.
Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, as Forças Armadas estão colaborando com as investigações, mas, apesar do contínuo avanço da democracia, não há ainda garantia de que o País esteja livre de novas aventuras militares golpistas.
“O antídoto é a democracia e o bom funcionamento das instituições”, diz Pinheiro. O relatório, segundo o coordenador, vai propor a revisão na Lei da Anistia.
Assista ao vídeo da entrevista de Paulo Sérgio Pinheiro ao iG clicando no link Último Segundo.

domingo, 5 de maio de 2013

Um legado imprescindível: 195 anos do nascimento de Karl Marx


Por Marcos César de Oliveira Pinheiro*



Em 5 de maio de 1818, nasceu Karl Marx. Como os grandes gênios, foi sempre incompreendido pela mediocridade reinante e o pensamento dominado pelo poder e pelas classes dominantes. Suas concepções revolucionárias serviram de guia intelectual para quase todas as revoluções político-sociais do século XX. Através de suas palavras, muitos trabalhadores vieram a entender parte de seus sofrimentos cotidianos, em especial ao que se refere à vida social do assalariado.
Em seu nome e contra seu nome, foram cometidas várias distorções; leituras às avessas que reduziram suas obras a determinismo econômico. Assistiu-se tanto a conversão da doutrina comunista em Templo, como também a desqualificação deliberada e infundada do pensamento marxista por parte dos "intelectuais orgânicos" das classes dominantes. Por isso, e contra isso, o poeta alemão Bertolt Brecht afirmou: "Tanto se escreveu sobre Marx que este acabou sendo um desconhecido". 


Como salienta o historiador Pierre Vilar, para um marxista, posicionar-se ideológica e politicamente não deve significar a transformação do método de pesquisa legado de Marx e Engels em uma doutrina, com sérios riscos de simplificação e dogmatismo (Vilar, 1987). Antonio Gramsci criticou energicamente a redução da filosofia da práxis (materialismo histórico) a uma sociologia a ser construída segundo o método das ciências naturais – experimental no sentido vulgarmente positivista. Para ele, essa redução representou a cristalização da tendência deteriorada de “reduzir uma concepção de mundo a um formulário mecânico, que dá a impressão de poder colocar toda a história no bolso” (Gramsci, 2004, pp. 143 e 146). Por isso,  não se deve incorrer no erro de cair no terreno fácil da máxima abstração, em que se recorre à realidade, a posteriori, apenas para buscar exemplos que ilustrem os resultados previstos (e sabe-se que bem encaixada aos esquemas pré-fabricados, a realidade nunca desmente a teoria).
De acordo com Francisco Buey, Marx é um clássico do pensamento social, um “clássico interdisciplinar”, que “não cabe nos compartimentos dos nossos saberes” e, por isso mesmo, é sempre uma obra incômoda e problemática. Diante da qual há duas atitudes tão típicas quanto triviais. A primeira atitude é a conversão do clássico numa espécie de sagrada escritura, em que se encerra a verdade absoluta e incontestável. A segunda atitude procura anular o clássico, recomendando aos jovens que não percam o tempo lendo-o (Cf. Buey, 2004, pp. 17-19). Para além dos ismos criados no seu nome e contra seu nome, a obra marxiana ainda é uma fonte fecunda para gerar campos de discussão que permitam recolocar e reconsiderar problemáticas que podem iluminar e esclarecer o funcionamento das sociedades humanas, principalmente na época atual. E o mais importante, contribuir para que os explorados e oprimidos um dia  venham a conquistar a hegemonia numa sociedade dividida pelos conflitos de classes, colocando na ordem do dia uma alternativa de emancipação social para a Humanidade, cuja perspectiva, a meu ver, só poderá ser socialista. No entanto, nas palavras do grande revolucionário latino-americano José Carlos Mariátegui, um socialismo que não seja "nem cópia nem decalque, mas sim criação heróica" dos povos.

 Referências Bibliográficas

BUEY, Francisco Fernández. Marx (sem ismos). Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 2004.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol. 1 . 3 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

VILAR, Pierre. “Marx e a história”. In: HOBSBAWM, Eric (org.). História do Marxismo. Vol.1. 3 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.


* Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e professor da rede municipal de ensino público de Rio das Ostras (RJ).

LEIA TAMBÉM:
Recordações pessoais sobre Karl Marx (Por Paul Lafargue, setembro de 1890)



sábado, 4 de maio de 2013

Para analisar e estudar a questão agrária no Brasil

A coleção “A Questão Agrária no Brasil”, da Editora Expressão Popular, ganha mais três novos volumes (6,7,8). 




Os livros reúnem artigos e ensaios de diversos autores com o objetivo de recolocar o debate sobre a natureza da reforma agrária no Brasil, a partir da nova realidade agrária hegemonizada pelo agronegócio. O enfoque principal está na Economia Política e na História, utilizadas como instrumento científico de interpretação da questão agrária pelos autores e teses publicados.


“A chegada ao governo federal (2003) de um arco de alianças sociais e partidárias heterogêneas, coordenado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), não foi suficiente para enfrentar o modelo do agronegócio e propor mudanças estruturais. Buscamos situar o debate no contexto da luta de classes, determinado no enfrentamento entre a proposta do capital com seu modelo do agronegócio e a proposta dos trabalhadores, que supera a visão de reforma agrária clássica e propõe um novo tipo de reforma agrária, a popular”, explica João Pedro Stedile, economista, integrante da direção nacional do MST e organizador da coleção.




O volume 6 debate a questão agrária na década de 1990. A publicação contém as análises e polêmicas que surgiram, ou ressurgiram, após a queda da ditadura, sobretudo com a reaparição dos movimentos sociais no campo.




O volume 7 traz o debate realizado na década de 2000 a 2010, marcado pela derrota político-eleitoral do programa democrático-popular que incluía a implementação de uma reforma agrária clássica no Brasil.  Com essa derrota, é implantado no Brasil um novo modelo de dominação do capital na agricultura, dentro da lógica do neoliberalismo, conhecido como agronegócio.




O volume 8, por sua vez, traz a análise da situação e perspectivas da reforma agrária na última década. Aglutinam-se diversos textos analíticos de pesquisadores e representantes dos movimentos sociais que procuram refletir sobre as diferentes interpretações que ocorreram na natureza da reforma agrária, principalmente frente ao argumento de que não há mais necessidade de reforma agrária no Brasil.

VOLUMES ANTERIORES:


A Questão Agrária no Brasil - Vol. 1 - O debate tradicional: 1500-1960

A Questão Agrária no Brasil - Vol. 2 - O Debate na Esquerda - 1960-1980

A Questão Agrária no Brasil - Vol. 3 - Programas de reforma agrária: 1946-2003

A Questão Agrária no Brasil - Vol. 4 - História e natureza das Ligas Camponesas: 1954-1964

A Questão Agrária no Brasil - Vol. 5 - A classe dominante agrária: 1964-1980

Joaquim Barbosa vê ausência de pluralismo na mídia brasileira


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou que a mídia brasileira é afetada pela ausência de pluralismo, o que pode ser percebido especialmente pela ausência de negros nos meios de comunicação e pela pouca diversidade política e ideológica da mídia. Ele discursou no evento de comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, realizado pela Unesco, na Costa Rica.




San José - Em discurso no evento de comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, realizado pela Unesco, na Costa Rica, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou que a mídia brasileira é afetada pela ausência de pluralismo. Ressaltando que neste ponto falava como acadêmico, e não como presidente do STF, ele avaliou que esta característica pode ser percebida especialmente pela ausência de negros nos meios de comunicação e pela pouca diversidade política e ideológica da mídia. 

A apresentação do presidente do STF se deu em quatro partes voltadas a apresentar uma perspectiva multifacetada sobre liberdade de imprensa. Na abertura, reafirmou o compromisso da corte e do país com a liberdade de expressão e de imprensa, e ressaltou que uma imprensa livre, aberta e economicamente sólida é o melhor antídoto contra arbitrariedades. Barbosa lembrou a ausência de censura pública no Brasil desde a redemocratização em 1985.

Na segunda parte, o ministro apresentou como o tema é tratado na Constituição de 1988, que pela primeira vez reservou um capítulo específico para a comunicação. Segundo Barbosa, no sistema legal brasileiro nenhum direito fundamental deve ser tratado como absoluto, mas sempre interpretado em completa harmonia com outros direitos, como privacidade, imagem pessoal e, citando textualmente o texto constitucional, “o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Nesse sentido, ressaltou o ministro, o sistema legal brasileiro relaciona a liberdade de expressão com a responsabilidade legal correspondente. “A lei se aplica a todos e deve ser obedecida. A liberdade de imprensa não opera como uma folha em branco ou como um sinal verde para violar as regras da sociedade”, afirmou Barbosa.


Na terceira parte de seu discurso, Joaquim Barbosa apresentou dois casos em que o Supremo Tribunal Federal teve que lidar com a liberdade de expressão e de imprensa. No primeiro, lembrou a a análise que o STF teve de fazer sobre a publicação de obras racistas contra judeus por parte de Siegfried Ellwanger. Neste caso, a corte avaliou que a proteção dos direitos do povo judeu deveria prevalecer em relação ao direito de publicar casos discriminatórios. Em seguida, falou sobre a lei de imprensa, que foi derrubada pelo Supremo por ser considerada em desacordo com a Constituição e extremamente opressora aos direitos de liberdade de expressão e de imprensa.



Antes de encerrar, porém, Barbosa fez questão de ressaltar que não estaria sendo sincero se não destacasse os problemas que via na mídia brasileira. Falando da ausência de diversidade racial, o ministro lembrou que embora pretos e mulatos correspondam à metade da população, é muito rara sua presença nos estúdios de televisão e nas posições de poder e liderança na maioria das emissoras. “Eles raramente são chamados para expressar suas posições e sua expertise, e de forma geral são tratados de forma estereotipada”, afirmou o ministro.



Avaliando a ausência de diversidade política-ideológica, Barbosa lembrou que há apenas três jornais de circulação nacional, “todos eles com tendência ao pensamento de direita”. Para ele, a ausência de pluralismo é uma ameaça ao direito das minorias. Barbosa finalizou suas observações sobre os problemas do sistema de comunicação destacando o problema da violência contra jornalistas. “Só neste ano foram assassinados quatro profissionais, todos eles trabalhando para pequenos veículos. Os casos de assassinatos são quase todos ligados a denúncias de corrupção ou de tráfico de drogas em âmbito local, e representam grave violação de direitos humanos”.



Em resposta a questionamentos do público, Barbosa lembrou um dos motivos da impunidade nos crimes contra a liberdade de imprensa é a disfuncionalidade do sistema judicial brasileira, que tem quatro níveis e “infinitas possibilidades de apelo”. Além das possibilidades de apelo, a justiça brasileira tem, na perspectivas de Barbosa, sistemas de proteção aos poderosos, que influenciam os diretamente os juízes. “A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”, concluiu Barbosa.



VEJA TAMBÉM

Relatórios revelam violência contra jornalistas e falta de diversidade da mídia

No Dia Mundial da Liberdade da Imprensa, comemorado nesta sexta-feira (3), diversas entidades de defesa dos jornalistas divulgaram relatórios que denunciam o assassinato impune de vários profissionais da imprensa pelo mundo. Brasil foi um dos destaques, não só pela violência, mas também pela falta de pluralidade na mídia.


A educação latina em evidência: Cuba X Brasil


Cuba aparece nos dados comparativos da ordem mundial burguesa, como o primeiro país em controle do analfabetismo. Modelo educacional brasileiro é o oposto e está relacionado à vitória do capital transnacional
Por Roberta Traspadini*

 Depois da queda do muro de Berlim e da ofensiva neoliberal na América Latina, propagandeia-se o fim do socialismo cubano e a vitória hegemônica do capitalismo monopólico transnacional. Se é verdade que o fim Guerra Fria trouxe uma fragilização do socialismo real no âmbito mundial, também o é que o exemplo educacional cubano segue forte, na condução de um modelo educacional público, universalizado, gratuito e de qualidade.

1. O exemplo cubano:

A UNESCO, em seu relatório mundial sobre educação em 2011, fez uma radiografia do sistema cubano e explicitou porque este país é um exemplo concreto para o mundo de uma educação exitosa.

O artigo 205 da constituição cubana garante a educação pública, gratuita e de qualidade para todos os seus cidadãos, independente da posição socioeconômica na qual se encontram.

Mas é o artigo 39 o que chama mais atenção, quando afirma três princípios básicos revolucionários de uma educação de qualidade: a. Garantia de avanço na ciência e na tecnologia; b. Referencial marxista e martiano de ser social que se pretende formar; c. Demarcação da tradição pedagógica progressista cubana e universal.

Juntos, os dois artigos explicitam o teor do público-gratuito-de qualidade. A sustentação em conteúdo de um posicionamento político que garante o direito à reflexão crítica e à formação continuada, com centralidade dos gastos do governo em educação.

2. Os aspectos qualitativos dos dados cubanos

Com uma população de 11.247.925, Cuba conta com 2.193.312 matriculados nas respectivas faixas etárias educativas.

São 9.673 escolas públicas, 298.508 professores, 170 mil bolsistas, e 908 mil estudantes em escolas semi-internas.

Segundo os dados oficiais referentes a 2010 e 2011, formaram-se 85.757 cubanos, 23,4% em cursos técnicos, 31,4% em ciências médicas, 14,9% em pedagogia, 9.9% em economia e 20,4% em outras áreas.

A participação em cursos de pós-graduação em 2010 merece destaque. Havia mais de 500 mil cubanos matriculados em cursos continuados após a graduação. 307.932 em cursos gerais; 144.640 em mestrados e especializações; 41.048 em diplomados; 27.047 em profissionalizantes, 5.776 em doutorados.

Para isto, são gastos 30% do PIB cubano, que é de U$60 bilhões, com educação, saúde e garantias sociais.

Vale destaque a ação internacionalista de Cuba, que recebe na escola latino-americana vários filhos da classe trabalhadora, tanto para cursos da área de ciências e humanidades, quanto de ciências médicas.

Com uma política concreta de educação pública de qualidade, Cuba aparece, nos dados comparativos da ordem mundial burguesa, como o primeiro país em controle do analfabetismo e exportador do modelo de alfabetização “sí yo puedo”, em que, com recursos didáticos magistrais, ensina como ler nas letras o que já se lê no cotidiano.

Será o exemplo cubano um mero acaso? Um caso especifico? Ou será a confirmação da incompatibilidade entre desenvolvimento do capitalismo e pensamento crítico, com educação pública universalizada e princípios políticos claros sobre o ser social que se deseja (trans)formar?

3. E o caso brasileiro? O que temos a dizer?

O modelo educacional brasileiro é oposto de Cuba. O cotidiano manifesta, por si só, o fracasso da universalidade, gratuidade e supremacia do público no sistema educativo brasileiro, sendo oposto ao modelo cubano.

A atual falência do modelo brasileiro de educação está diretamente relacionada à vitória do capital transnacional na conduta política da ordem e do progresso brasileiro, a partir dos anos 90.

As reformas educacionais foram revendo os princípios constitucionais de garantia pública, gratuita e de qualidade, e direcionando seu sentido para a privatização da educação, cujo rumo é dirigido pelos princípios ético-morais do capital contando com o financiamento público, para a realização de sua orgia.

O vergonhoso piso mínimo salarial dos professores da educação básica e média, a política de contratação de temporários como regra e as inúmeras parcerias público-privadas são a gênese da atual educação “pública” brasileira.

Basta olharmos o cotidiano nacional de greves para constatarmos o absurdo. Nessa luta se insere a defesa dos 10% do PIB para a educação PÚBLICA.

O Brasil figura entre as sete maiores economias do mundo. O orçamento público de 2011 foi de aproximadamente R$1,5 trilhões. Deste total, 45% foram gastos com o pagamento de dívidas e amortizações e 3% foram gastos com educação, seja ela pública ou em parceria privada, segundo a auditoria cidadã da dívida.

O artigo 214 da constituição não prevê ser obrigação total do Estado a universalização da educação. Tem como objetivos a  erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; melhoria da qualidade do ensino; formação para o trabalho; promoção humanística, científica e tecnológica do País; e estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto.

Chama a atenção, na página do MEC, o financiamento da educação, FIES, como outro aspecto claro de mercantilização deste direito social.

4. Exemplos concretos de mercantilização da educação
Para fortalecer a campanha pela melhoria da educação em que o poder público não assume seu protagonismo, a organização Todos pela educação, apresenta-se como uma entidade-apoio ao desenvolvimento brasileiro. Entre seus mantenedores-parceiros estão: Instituto Camargo Corrêa, Santander, Fundação Bradesco, Rede Globo, Suzano Papel Celulose, Gerdau, Itaú BBA, Instituto Ayrton Sena, Faber Castell, BID, HSBC, etc.

O canal Agência do Estado noticiou, esta semana, a fusão entre dois grandes capitais da educação brasileira: Kroton e Anhanguera. Juntas, faturam anualmente R$ 4,3 bilhões, através das 800 unidades de ensino superior e as 810 escolas associadas distribuídas pelo País.

No site da Anhanguera lemos sua missão: “ser uma das maiores instituições de ensino superior do mundo e oferecer aos seus alunos a melhor relação custo versus qualidade”. Para isto, conta com financiamento, crédito educativo, e amplas formas de transações, enquanto uma empresa de capital aberto, para facilitar a permanência-conclusão dos estudantes no ensino.

No site da Krotan, além do mapa do Brasil ocupado pela empresa, reitera, via fundação Pitágoras, sua ação na “responsabilidade social”, tendo como parcerias para a auto-sustentação financeira: Embraer, Grupo Gerdau, Instituto Camargo Correia, Grupo Votorantim, Fundação Arcelor Mittal e Instituto Unibanco”.

5. Cuba x Brasil: dois modelos opostos de educação

A educação pública virou um grande negócio. Cantinas terceirizadas, venda de uniformes e de materiais escolares, sucateamento da merenda escolar. Isto, somado à falta de recursos para a qualificação profissional e às péssimas condições da superexploração da força de trabalho, mostra a real face mercantil da educação pública brasileira.

Esse Brasil da ordem e do progresso do capital transnacional evidencia o atual estágio de desenvolvimento do capitalismo brasileiro, em que a regra é a financeirização da riqueza e a internacionalização da produção-circulação das mercadorias, às custas de uma maior opressão das condições de vida da classe trabalhadora brasileira.

Entre o exemplo cubano e a realidade brasileira, façam suas escolhas. Nesse quesito, não tenho dúvida: sou cubana, bolivariana, latino-americana, na educação, na saúde, no modelo de desenvolvimento, antes que a morte anunciada pelo capital nos mate.

*Professora da ENFF e da UFVJM, integrante da Consulta Popular

FONTE: MPA

LEIA TAMBÉM no site do CubaDebate sobre os dilemas da educação cubana:

¿Mala educación o educación mala? (I Parte)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A atualidade do Manifesto comunista


Muito se criticou a teoria de classes do Manifesto, o substrato da famosa afirmação que abre o livro, “a história de toda sociedade até hoje é a história de lutas de classes”, principalmente a simplificação dos antagonismos em dois grandes campos inimigos: burguesia e proletariado. Quando se atém, porém, ao núcleo da determinação do conceito de proletário, à condição de homens que são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio, sujeitos às vicissitudes da concorrência e às flutuações do mercado, como negar, ainda hoje, a veracidade e a pertinência dessa teoria?

Por Ricardo Musse.
No Manifesto do partido comunista, Marx e Engels apresentam, pela primeira vez, o mundo burguês como uma unidade contraditória entre fatores dinâmicos e invariância estática. O paradoxo de uma sociedade que não pode existir sem revolucionar continuamente os instrumentos de produção e, com eles, o conjunto das relações sociais é próprio do mundo moderno. Enquanto os antigos modos de produção assentavam-se, à maneira de uma tradição, na manutenção e conservação de relações fixas e cristalizadas, a sociedade burguesa se reproduz, mantendo-se idêntica, apenas ao preço de uma contínua transformação que, acarretando a obsolescência e uma incontrolável destruição de toda estrutura de produção existente em um determinado momento, subverte de forma incessante inclusive o cenário histórico e político.
Por razões conjunturais, Marx e Engels privilegiaram, nesse entrelaçamento, o aspecto dinâmico, a constância da transitoriedade, materializado na frase-emblema: “Tudo que é sólido desmancha no ar”. Muito do interesse e parte da recepção do Manifesto explicam-se por essa ênfase. Em períodos de estabilização e consolidação do capital, seja entre 1850 e 1870 ou no quase meio século que se estende de 1950 a 1989, o marxismo volta-se para a compreensão da estática imanente à dinâmica social, concebendo a sociedade como uma segunda natureza e debruçando-se sobre o sempre-igual de fenômenos como o fetichismo da mercadoria. Hoje, no entanto, quando o engessamento do capitalismo (provocado por uma conjunção especial de fatores: conflito entre blocos e guerra fria, estabelecimento nos países centrais de um Estado do bem-estar social, predomínio incontestável da hegemonia norte-americana) parece ter chegado ao fim, muito do que se diz no Manifesto volta a ter uma inesperada atualidade.
Isso não significa que a análise e a crítica do fetichismo da mercadoria e da “naturalização” da vida social deva ceder lugar a um retorno puro e simples às formas antiquadas de “luta de classe”. Muito pelo contrário, a ausência dessa crítica é que impede a superação de um padrão de contestação que se apresenta como movimentos internos do mundo moderno, isto é, como determinações inerentes à sociedade burguesa.[1] Mas, por outro lado, se é verdade – à luz da história dos últimos 150 anos – que as tentativas de emancipação do proletariado, seja na vertente dita “revolucionária”, seja nos quadros do “reformismo” ou ainda do anti-imperialismo terceiro-mundista, consagradas em conquistas efetivas do poder estatal, não foram além de variações do “socialismo de Estado” deixando intocada a premissa principal do capitalismo, a generalização da forma-mercadoria, nada assegura que a classe trabalhadora esteja condenada ontologicamente, de antemão, a repetir novamente essa trajetória. Se as formas históricas próprias desses ultrapassados movimentos de contestação ainda sobrevivem em meio à sua agonia e ao caos presente, salientado pela falta de perspectivas práticas, disso tampouco se pode inferir que o proletariado, em seu sentido amplo, tal como definido no Manifesto, seja uma carta fora do baralho na luta pela emancipação.
*
O texto do Manifesto constitui-se pela combinação, quase sempre inextricável, de uma exposição concisa que se propõe a apresentar abertamente, “opondo-se à lenda do espectro”, a teoria do comunismo com o detalhamento de uma plataforma política do proletariado para uma revolução que Marx e Engels julgavam iminente e que de fato se desencadeou pouco menos de um mês após sua redação.
Essa conjunção de doutrina e programa, a simbiose entre conceito e história, a unidade de teoria e prática realiza, novamente pela primeira vez (impossível não destacar repetidamente o caráter inaugurador do texto), o projeto mais ambicioso da filosofia do idealismo alemão, enunciado por Fichte como a junção entre o a priori, o desdobramento lógico, e o a posteriori, a experiência do mundo real e que Hegel, na Fenomenologia do espírito – conforme a voz corrente na filosofia da época, dos jovens-hegelianos a Schopenhauer – apenas conseguira alcançar, retrospectivamente, para as formas do passado.
Mas não é só no terreno da filosofia, ao efetivar a exigência, reiterada no debate intelectual da década de 1840, de dar conta do presente histórico, que oManifesto apresenta inovações. Além de contribuições no campo da sociologia (a teoria das classes sociais) e da economia (embora aqui ainda esteja ausente um ponto central do arcabouço – a teoria marxista do valor), o Manifesto inaugura ainda, de acordo com a opinião insuspeita de Schumpeter, a interpretação econômica da história e a teoria moderna da política.
O gesto inaugural ou a introdução de avanços em disciplinas aparentemente tão díspares – que dificilmente poderá, por conta da superespecialização hoje vigente no trabalho intelectual, ser repetido por um outro livro – explica-se facilmente por um círculo virtuoso. Marx renovou a história porque conhecia bem economia, revolucionou a política porque conhecia a história como poucos, reinterpretou criticamente a economia graças aos seus conhecimentos de política e de história etc.
Não se pode dizer o mesmo, porém, do processo de disseminação que tornou o marxismo um fenômeno mundial a partir da última década do século XIX. Como a divulgação se fez prioritariamente pela via da esquematização, a difusão acarretou o empobrecimento tanto do conteúdo quanto do método. Não foi só o retalhamento do legado de Marx e Engels em partes e disciplinas estanques por obra do anseio enciclopédico da época e pela posterior incorporação, em separado, de algumas descobertas do marxismo pelo mundo acadêmico burguês. O próprio Engels, apenas cinco anos depois da morte de Marx, acrescentou aoManifesto, na edição inglesa de 1888 e, depois na edição alemã, uma série de notas explicativas, presentes em todas as edições e traduções posteriores, que dissociam conceito e história. A primeira nota, por exemplo, adendo ao título da primeira parte – “Burgueses e proletários” – define logicamente estas duas classes por sua posição em relação à propriedade dos meios de produção. Já o texto do Manifesto expõe esses conceitos por meio de uma síntese da história moderna que destaca o processo de formação de cada classe e a conexão entre elas, o antagonismo que as envolve numa luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta.
A súmula do mundo moderno, pequeno esboço de história universal, que oManifesto apresenta em poucas páginas, dotada de um impressionante poder de compreensão e síntese, constitui a primeira aplicação e exposição pública da concepção materialista que Marx e Engels haviam desenvolvido num manuscrito, A ideologia alemã, até 1932 abandonado a “crítica roedora dos ratos”. O Manifesto além de retomar, sob a forma de drásticos resumos, passagens inteiras desse manuscrito, concretiza a ideia, ali apenas enunciada, de uma história que não separa nem distingue os aspectos econômicos, sociais ou políticos.
Essa teoria da história se propõe a combater o ponto de vista de um “assim chamado desenvolvimento geral do espírito humano” pela observação das relações materiais. Seu fio condutor foi posteriormente condensado por Marx nos seguintes termos: “na produção social da própria vida, os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo em geral de vida social, político e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência. Em certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes…” (Prefácio aContribuição à crítica da economia política).
O travamento no desenvolvimento das forças produtivas (a ausência de crescimento), a contradição entre relações sociais existentes manifestam-se sob a forma de crises. As relações burguesas tornaram-se estreitas demais para conter a riqueza colossal que a própria burguesia despertou no seio do trabalho social por meio da exploração do mercado mundial. As medidas protelatórias, segundo Marx e Engels, apenas preparam crises mais gerais e violentas.
A partir desse cenário o Manifesto fez uma dupla aposta. Primeiro, sustentou a hipótese, que se revelou verdadeira, de que a crise levaria a uma revolução social que varreria do mapa europeu os velhos regimes. Equivocou-se, porém, na previsão de que o desenvolvimento do capitalismo avançara a ponto de tornar possível uma vitória definitiva do proletariado. Em 1850, Marx e Engels reconhecem, no último artigo de As lutas de classes na França, que a perspectiva de uma continuação do processo revolucionário estava inviabilizada pela retomada, após a crise de 1847, da prosperidade industrial.
O desfecho das revoluções de 1848 – na França marcado pelo golpe de Estado de Luís Bonaparte em dezembro de 1851 –, que levou Marx a se exilar na Inglaterra e a se dedicar, por longos anos, apenas à redação de O capital, modificou profundamente a visão de Marx e Engels acerca do papel da burguesia. Sua capacidade em se acomodar, quando preciso, com setores da aristocracia fundiária e com a burocracia monárquica, desfizeram a impressão, amplificada pelo Manifesto, de que se tratava de uma classe eminentemente revolucionária, apta a “criar o mundo à sua imagem e semelhança”. Desde então, a burguesia passa a ser vista como uma classe contrarrevolucionária, trazendo para o primeiro plano seu conflito com o proletariado.
Muito se criticou a teoria de classes do Manifesto, o substrato da famosa afirmação que abre o livro, “a história de toda sociedade até hoje é a história de lutas de classes”, principalmente a simplificação dos antagonismos em dois grandes campos inimigos: burguesia e proletariado. Quando se atém, porém, ao núcleo da determinação do conceito de proletário, à condição de homens que são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio, sujeitos às vicissitudes da concorrência e às flutuações do mercado, como negar, ainda hoje, a veracidade e a pertinência dessa teoria?
*

Os problemas do Manifesto e, por extensão, do próprio marxismo surgem na determinação da consciência de classe, e portanto, no delineamento da atuação política do proletariado. O processo de formação da classe proletária que oManifesto descreve, das lutas isoladas a organização em associações permanentes e em coalizões anti-burguesas, a conversão das lutas locais em uma luta política nacional, é impecável. Porém, a expectativa de Marx e Engels de que o incremento de dois fatores dissonantes – o empobrecimento do proletariado por causa da concorrência entre os proletários por trabalho e o aumento do seu poder social por conta da concentração industrial – conduzisse à revolução proletária não se mostrou factível.
Poderes e capacidades estatais diferenciadas conduziram, por meio de um complexo processo de inovação e restruturação permanentes, a substanciais diferenças espaciais.[2] Nos países centrais do capitalismo, ao longo destes 150 anos, o poder social do proletariado foi significativamente ampliado, como se pode constatar pelo estado de bem estar social ali construído. Já na periferia e na semiperiferia, a crescente penúria das massas proletarizadas possibilitou que organizações que reivindicavam a herança marxista conquistassem o poder estatal como plataforma para programas de industrialização.
Após 1968-1973, no entanto, esses dois fatores dissonantes, que sempre correram paralelos – criando o contrassenso de um forte poder social proletário avesso ao marxismo e de estados e organizações alheios aos interesses do proletariado formalmente marxistas – aproximam-se cumprindo, talvez pela primeira vez, o prognóstico do Manifesto. Enquanto surgem no núcleo orgânico amplas camadas proletárias sujeitas ao empobrecimento (principalmente entre a força de trabalho feminina ou imigrante), intensificam-se nas regiões periféricas e semiperiféricas do Leste Asiático, do Leste Europeu, da América Latina e mesmo da África Austral o poder social da classe trabalhadora.
Na medida em que a retomada do mercado mundial tende cada vez mais a conjugar as premissas que o Manifesto colocou como indispensáveis para a revolução socialista, acarretando uma crescente perda de legitimidade da burguesia, as organizações marxistas tradicionais, paradoxalmente, passam a constituir hoje o último entrave para um revivescimento mundial da luta proletária.
Quem examina o Manifesto procurando um caminho para essa retomada, certamente não vai encontrar lá respostas prontas ou um repertório doutrinário de programas. Mas se pode aprender muito com o seu caráter aberto. Ele, em lugar de esmiuçar uma teoria sistemática do partido, com regras e critérios de estruturação e funcionamento, toma o conceito de partido, que agrega no nomeManifesto do partido comunista, como uma extensão da classe determinando, na fórmula de Claudín não “o partido do proletariado, mas o proletariado como partido”. Em vez de uma definição peremptória do modelo de uma sociedade socialista, oferece poucas, breves e vagas indicações (destacando, porém, que a revolução social também significa, nos termos de 1968, “mudar a vida”) à espera de que o desaparecimento do antagonismo entre as classes, do fetichismo da mercadoria e do predomínio do interesse monetário, por si sós, ajude a delinear os contornos de uma forma social mais justa.

Notas:
[1]Cf., por exemplo, Immanuel Wallerstein. O capitalismo histórico (São Paulo, Brasiliense, 1985) ou Robert Kurz. Os últimos combates (Petrópolis, Vozes, 1997).
[2] Para o que segue cf. Giovanni Arrighi “Século Marxista, Século Americano”. Em: A ilusão do desenvolvimento. Petrópolis, Vozes, 1997.
***
Ricardo Musse é professor no departamento de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Doutor em filosofia pela USP (1998) e mestre em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992). Atualmente, integra o Laboratório de Estudos Marxistas da USP (LEMARX-USP) e colabora para a revista Margem Esquerda: ensaios marxistas, publicação da Boitempo Editorial.

Populismo e historiografia na atualidade: lutas operárias, cidadania e nostalgia do varguismo


O artigo de Felipe Demier, publicado na Revista Mundos do Trabalho (v. 4, n. 8, jul./dez. 2012), tem por objetivo levar a cabo uma discussão acerca do movimento de revisão historiográfica do populismo. Bastante em voga nas décadas de 1960, 1970 e 1980, as interpretações historiográficas sobre o período 1930-1964 baseadas na noção de “populismo” passaram a ser criticadas de modo mais enfático nas últimas duas décadas. Nas páginas deste artigo, aborda-se, de forma crítica, duas das principais correntes que conduziram (conduzem) esse movimento de revisão historiográfica do populismo, o qual parece ganhar cada vez mais adeptos nos espaços acadêmicos e midiáticos.

LEIA O ARTIGO CLICANDO NO LINK ABAIXO: