sábado, 14 de setembro de 2019

As análises de Marx sobre as eleições e os partidos políticos na Grã-Bretanha

Os três artigos foram redigidos por Karl Marx em agosto de 1852 e têm como objetos aspectos das eleições gerais inglesas daquele ano. Foram publicados no dossiê "As análises de Marx sobre as eleições e os partidos políticos na Grã-Bretanha" da Revista Crítica Marxista, n. 47, ano 2018.



Parte 2 – As análises de Marx sobre as eleições e os partidos políticos na Grã-Bretanha. 

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Para download: "Marx e a pedagogia moderna"

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MANACORDA, Mario Alighiero. Marx e a Pedagogia Moderna. Campinas: Alínea, 2007.

LINK PARA DOWNLOAD:



Manacorda, neste livro, traduz as nuanças semânticas dos termos e expressões mais importantes da linguagem marxiana. Sua análise vai desvelando os sentidos exatos do ensino politécnico e do ensino tecnológico, proposto por Marx, elaborando a construção gradativa e firme do conceito de onilateralidade do ser humano. Assim, por meio da ciência filológica, o livro explica o que Marx escreveu sobre Educação e Escola; revela também as incertezas e as certezas que tinha. Por causa de seu método, este trabalho de Manacorda é profundamente moderno e sua permanência está garantida.

SUMÁRIO
Apresentação
Prefácio à Edição Brasileira
Referências
Prefácio

Parte 1. A “Pedagogia” Marxiana

1. Instrução e Trabalho
1847-48: Os princípios do comunismo e o Manifesto
1866-67: As instruções aos delegados e O Capital
1875: A crítica ao programa de Gotha
Lênin “discípulo” de Marx

2. O que é o Trabalho?
Trabalho: uma expressão negativa
A atividade vital ou manifestação de si mesmo
Continuidade da mesma temática
Objeções provocadas por essa antinomia
O reino da liberdade

3. Homem Onilateral
Unilateralidade do proletário e do capitalista
Uma moral dividida
Aspectos positivos do homem unilateral
O conceito de homem onilateral

4. Escola e Sociedade: o conteúdo do ensino
Ensino tecnológico e trabalho infantil
Relação da escola com a sociedade, o estado e a igreja
Objetividade do ensino
Quais opções pedagógicas e quais conteúdos educativos?

Parte 2. A “Pedagogia” Marxiana Frente às Demais Pedagogias

5. Tentativa de Contextualização Histórica
Escola e não escola na história
União de ensino e trabalho na história
Marx e as pedagogias pós-marxianas
O marxismo e os problemas atuais do ensino

6. A Pedagogia Marxista na Itália: Antonio Gramsci
Do pré-marxismo de Labriola ao marxismo de Gramsci
Ensino e trabalho em Gramsci
Desenvolvimento harmonioso e integral do indivíduo
Contra o inatismo e o individualismo
Uma escola de noções rigorosas
Utilidade de uma leitura “gramsciana” de Marx

Parte 3. Discutindo com Leitores e Críticos de Marx
Galvano della Volpe: trabalho e liberdade
Lamberto Borghi: a liberdade pode surgir da necessidade?
Roberto Mazzetti: a relação de Marx com os utópicos
Os católicos e a pedagogia marxista
Uma discussão a muitas vozes

Notas
Referências

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Há oitenta anos, o pacto germano-soviético: um símbolo da história desfigurado pelos reaccionários!

Por Fadi Kassem 

A falsificação da história é um instrumento privilegiado da ofensiva anticomunista. A mesma grande burguesia ocidental que via em Hitler um útil instrumento contra a URSS prossegue empenhadamente o desfiguramento dos antecedentes imediatos da 2ª Guerra Mundial: trata-se não apenas de ocultar o papel decisivo da União Soviética na derrota do nazi-fascismo, mas também de ocultar a simpatia e cumplicidade com que as potências ocidentais assistiram à ascensão do fascismo.

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As efabulações dogmáticas dos anticomunistas primários

“Porque também se trata do 80º aniversário do «pacto germano-soviético», verdadeiro tratado de aliança com o regime de Hitler (que quase imediatamente levará, para começar, ao desmembramento da Polónia entre os dois predadores) é bom esclarecer esse pacto e as suas implicações “: eis o que se pode ler no blog de Marc Daniel Lévy, no site da Médiapart [1] sobre o pacto germano-soviético assinado em 23 de Agosto de 1939 entre Molotov e Ribbentrop. Para além da argumentação próxima da nulidade - menos de 20 linhas contentando-se com as acusações -, encontramos as efabulações clássicas dignas dos mais ferozes anticomunistas, que o título do artigo (”20 de Agosto de 40: é o grande aliado da Gestapo quem faz matar Trotsky”) ilustra perfeitamente. De facto, desde a assinatura do pacto em 23 de Agosto de 1939, anticomunistas de todos os tipos entoam a plenos pulmões esse refrão de uma suposta “aliança” entre Hitler e Stalin, à imagem de Jean-François Copé: já pouco à vontade para dominar os números – recordemos a sua incapacidade em avaliar o preço de um pão com chocolate [2] ou de seus problemas de contabilidade para a campanha de Sarkozy em 2012 [3] – o homem que obteve 0,3% nas primárias da direita para as presidenciais de 2017 [4] – ou seja menos votos do que Jean-Luc Bennahmias nas primárias do Partido Socialista! - já se tinha ilustrado no decurso da campanha para as eleições europeias ao declarar: “Sim, há 75 anos dia por dia, Stalin e Hitler assinavam um pacto de aliança que levou ao esmagamento da Europa sob a bota nazi: 60 milhões de mortos “[5]. Não poderia ser-se mais inventor do que isto…

Não importa: sob a pressão dos países da Europa Central e Oriental que aderiram à “democracia liberal” após a implosão do bloco socialista em 1989-1991, o Parlamento Europeu adoptou em 2 de Abril de 2009 uma “resolução sobre a consciência europeia e o totalitarismo “,”que reclama, entre outras coisas, que os seus Estados-Membros e outros países europeus proclamem o 23 de Agosto “Dia Europeu da Memória” para a comemoração, com dignidade e imparcialidade, das vítimas de todos os regimes totalitários e autoritários» [6] Amplamente aprovada pelos eurodeputados alimentados a anticomunismo primário, esta falsificação enganadora da história faz a alegria de todos os reaccionários de todo o género, felizes em apoiar a insustentável equação veiculada por “historiadores” como Stéphane Courtois - um fanático da “obsessão comparatista” (Marc Ferro) [7] - segundo a qual «nazismo = comunismo = totalitarismo». Infelizmente para os (não) «historiadores» anticomunistas, uma tal interpretação falsificadora não pode resistir à prova dos factos.

A URSS, cidadela sitiada desde 1917

É claro que Lévy, Copé, Courtois e tantos outros desconhecem que a “guerra fria” (que em qualquer caso certamente não o foi para a Rússia bolchevique, a Coreia, o Vietname, a América Latina, etc.) que conhecem as alegrias dos bombardeamentos e das guerras conduzidas pelo imperialismo norte-americano e seus parceiros anticomunistas) teve efectivamente início em 1917, como o afirmam André Fontaine [8] e a chamada escola “revisionista” nos Estados Unidos na década de 1950, e como muito bem analisaram Anatoli Chouryguinine e Yuri Korablev, na Guerra de 1918-1922. Quatorze potências coligadas contra a Revolução Russa [9]. Porquê lembrar este elemento? Simplesmente porque a Rússia bolchevique, e depois a URSS, vivem perante a ameaça de um ataque do campo capitalista, que se desenrola efectivamente a partir do final de 1917 a partir de todos os lados, incluindo o Pacífico, onde o Japão se junta à coligação internacional formada sob a égide de Wilson, Clemenceau e Lloyd George. Este cerco é retomado quando o Japão fascista e a Alemanha nazi assinam o pacto anti-Comintern em 25 de Novembro de 1936. Curiosamente, nenhuma reacção das “democracias liberais”, efectivamente todos felizes por ver contido o “perigo vermelho”. Por outras palavras, enquanto a Alemanha nazi ameaça desde a primavera de 1939 invadir a Polónia, Stalin teme encontrar-se sozinho perante as forças do Eixo - Alemanha, Japão e a Itália que aderiu ao pacto anti-Comintern em 1937, aos quais se junta a Hungria reaccionária em Fevereiro de 1939 e da Espanha franquista em Março de 1939. Enquanto isso, as “democracias liberais” tão comprometidas com a defesa da “paz”, das “liberdades” e dos “direitos humanos”, permanecem instalados na sua hipocrisia, na sua covardia … e acima de tudo no seu anticomunismo primário e vulgar.

As “democracias liberais”, entre compromissos e traições

Pois esse é outro elemento que Lévy, Copé, Courtois, Furet e a empresa esquecem conscientemente - ou por pura ignorância - a saber, os sucessivos compromissos e traições das “democracias liberais” contra os seus “inimigos” e os seus “aliados”. Compromissos? O Reino Unido e a França não estão nada determinados a conter o perigo fascista e nazi na Europa, visto como um excelente meio de luta contra o bolchevismo. O resultado? Eis uma amostra sortida:

  • Ausência de reacção face à invasão japonesa da Manchúria na China a partir de Setembro de 1931, com o Japão a ser visto como um baluarte contra o bolchevismo na Ásia;
  • Ausência de reacção à reintrodução do serviço militar obrigatório na Alemanha em Março de 1935 - medida proibida pelo Tratado de Versalhes de 28 de Junho de 1919;
  • O veto franco-britânico contra a “aliança inversa” sem trégua proposta pela URSS desde 1933, depois pelo pretenso “pacto franco-soviético” de Maio de 1935 sabotado do lado francês (é verdade que quem tinha assinado esse pacto pela França fora … Pierre Laval! Um verdadeiro desgosto para o futuro colaboracionista …);
  • Acordo anglo-alemão de Junho de 1935, permitindo um poderoso rearmamento naval da Alemanha nazi;
  • Contactos mantidos e reforçados entre as elites francesas [10] e britânicas em particular, com as elites alemãs na década de 1930, a ponto de o ex-primeiro-ministro britânico Lloyd George, de visita ao chalé do Führer em Berchtesgaden em Setembro de 1936, declarar acerca deste último: “Hitler não sonha com uma Alemanha que ameace a Europa. Os alemães perderam todo desejo de entrar em conflito connosco “[11];
  • Acordo secreto entre a França e o Reino Unido com a Itália fascista [12] para anexar uma grande parte da Etiópia em Maio de 1936 - registar que a Itália não é sancionada pela Liga das Nações (SDN) na altura…;
  • Remilitarização da Renânia em Março de 1936 (proibida pelo Tratado de Versalhes …);
  • Guerra da Espanha no decurso da qual apenas a URSS e as Brigadas Internacionais vêm em socorro do campo republicano contra Franco e seus aliados fascistas e nazis, operando em total cumplicidade com o Reich e a Itália;
  • Obviamente, a criação do pacto anti-Komintern acima mencionado;
  • Anschluss (anexação da Áustria pela Alemanha) em Março de 1938, entretanto proibida pelo Tratado de Versalhes;
  • E, momento alto do espectáculo, entrega da Checoslováquia aos apetites hitlerianos pela França - todavia ligada à Checoslováquia por um tratado desde 1924 … - e Reino Unido no seguimento da assinatura dos vergonhosos acordos de Munique na noite de 29 para 30 de Setembro de 1938 (decisão definitivamente tomada em Londres pelos britânicos e franceses em 29 de Novembro de 1937 [13]). Notar que a URSS estava ausente deste acordo (e por boas razões), ao contrário da Itália fascista que, tal como a Alemanha nazi, a França e o Reino Unido, não desejava a presença dos soviéticos ( nem aliás dos checoslovacos …).
  • Chamberlain (Reino Unido), Daladier (França), Hitler (Alemanha) e Mussolini (Itália) assinam o Acordo de Munique em 30 de Setembro de 1938. Um ano antes de a URSS, por falta de resposta aos seus pedidos de um acordo de defesa com a França e a Alemanha, se ver reduzida a assinar o pacto germano-soviético.


Em suma, enquanto a URSS apontou claramente o perigo fascista, apelando à fundação da “segurança colectiva” contra os agressores e à constituição de Frentes populares - ver o famoso relatório Dimitrov publicado quando do 7º Congresso do Comintern em Julho de 1935 - voando em socorro da Espanha republicana, propondo ajudar a Checoslováquia através do envio de tropas (cuja passagem foi oficialmente recusada pela Polónia reaccionária e anticomunista, aliada teórica da França antissoviética e ligada à Alemanha pelo “tratado de amizade” de 26 de Janeiro de 1934), e enquanto os deputados comunistas em França denunciam a traição de Blum em relação à Espanha - Blum que de resto desabafa: “Somos uns patifes! “- e recusam em bloco os acordos de Munique, as” democracias liberais “capitulam ainda e sempre face à ameaça fascista, cegos pelo ódio ao bolchevismo e pela sua sedução do fascismo: o ministro das Relações Exteriores francês na época dos acordos de Munique, Georges Bonnet, homem da “alta banca”, “pacifista” convencido e futuro apoio do regime de Petain, não o desmentirá! Um “entendimento cordial” que se reencontra do outro lado do Atlântico: pensemos em Charles Lindbergh, condecorado por Herman Göring, e que vê Hitler como um “grande homem” bem menos perigoso do que Stalin [14], ou ainda Henry Ford, grande financiador do partido nazi durante os anos 1930 e até 1945 [15] – tal como todos os credores ocidentais do Reich desde 1933.

Uma decisão táctica decisiva de Stalin

É nesse contexto que Stalin aceitará assinar o pacto germano-soviético que, lembremos, é um pacto de não agressão, e certamente não uma “aliança”, como é tão frequentemente afirmado. Poder-se-ia aliás imaginar por um momento uma aliança sincera quando sabemos que o objectivo de Hitler é a conquista de um vasto Lebensraum (espaço vital) a leste da Europa para o seu projecto de “Reich para mil anos? O próprio Hitler o repete em Mein Kampf: “Detemos a marcha eterna dos alemães em direção ao sul e em direção a oeste da Europa, e lançamos o nosso olhar para leste. ” “A luta contra a bolchevização mundial judaica exige uma atitude clara em relação à Rússia soviética. Não podemos perseguir o diabo utilizando Belzebu. [16] E, de facto, é difícil acreditar que os líderes soviéticos sejam ingénuos quando assinam esse famoso pacto: desejoso de atacar a Polónia, Hitler, assina todavia em Janeiro de 1934 um pacto de não agressão válido por pelo menos 10 anos com … a Polónia. Trata-se efectivamente de ganhar tempo na industrialização em marcha forçada da URSS, que se torna a terceira potência industrial do mundo em 1941 e se encontra em situação de enfrentar a Alemanha nazi, Hitler não tendo nunca abandonando o seu projecto de conquista de espaço vital. É desde logo inútil contar com um apoio das “democracias ocidentais”, apesar de alguns relâmpagos de lucidez de nacionalistas ferozmente anticomunistas como Henri de Kérillis, que se opôs aos acordos de Munique.

Assim, enquanto Hitler embarca nas suas “guerras relâmpago” na Polónia e depois no oeste da Europa, a URSS prossegue a sua preparação para a guerra, enquanto obtém benefícios das “cláusulas secretas” do pacto. A URSS é frequentemente criticada por anexar parte da Polónia e os países bálticos - lembremos que estes pertenciam à Rússia até a paz germano-russa de Brest-Litovsk, em Março de 1918; será necessário lembrar que a Polónia tinha deslocado as suas fronteiras orientais 250 km para leste da linha Curzon fixada pelos tratados de paz de 1919-1920 (por outras palavras, anexando territórios pertencentes à Rússia bolchevique)? Os dirigentes soviéticos veem nisso uma oportunidade de lavar a afronta ao Tratado de Riga, de Março de 1921 e, ao mesmo tempo, de afastar o mais possível o risco de uma invasão alemã, agora mais do que nunca provável após a liquidação do Polónia: dispor de um “cordão sanitário” antinazi antes que atinja Moscovo, Leningrado e Stalingrado, eis razão principal para o pacto de não agressão. Quanto à ruptura do pacto pela Alemanha nazi em 22 de Junho de 1941 no seguimento do lançamento da operação Barbarossa, não foi uma “surpresa” para Stalin, vendo acumularem-se mais de 4 milhões de soldados da Wehrmacht e países aliados e satélites da Alemanha, 600.000 camiões, 4.000 tanques, 7.000 canhões e 3.000 aviões nas fronteiras soviéticas [17]; a verdadeira surpresa foi sobretudo para os alemães, que constataram a extensão da feroz resistência e da eficaz industrialização soviética e rapidamente se aperceberam dos riscos de operar em duas frentes como em 1914. Assim, os dirigentes soviéticos, com Stalin à cabeça, foram capazes de reagir rapidamente (como o ilustra o “discurso ao povo soviético de 3 de Julho de 1941″), a fim de organizar a resistência e a contra-ofensiva na “Grande Guerra Patriótica”, sob a direcção do marechal Zhukov [18] .

Uma história direitizada e travestida pelos reaccionários

As amálgamas grosseiras de reacionários de todos os tipos não poderia resistir a uma análise rigorosa da história; mas permanece devido ao facto de esta última ser travestida pelos defensores da ordem capitalista, imperialista e atlantista (CIA), que falsificam a história à imagem de um Parlamento Europeu fraco em contrapartida na luta contra os desfiles de antigos Waffen SS na Letônia ou a presença no poder em Kiev de neonazis reivindicando-se de Stepan Bandera, grande colaborador durante a Segunda Guerra Mundial [19]. Quanto a Jean-François Copé, ele certifica com sua habitual segurança desconcertante e desdenhosa que a assinatura deste pacto é responsável pela morte de 60 milhões de pessoas - esquecendo de passagem que houve mais de 20 milhões de mortes na Ásia oriental, dos quais mais de 15 milhões de vítimas chinesas do Japão fascista: foi realmente por culpa do pacto germano-soviético, quando o Japão tinha iniciado a invasão da China em Setembro de 1931?

A história é também travestida mesmo na identidade do principal vencedor da Alemanha hitleriana: se a resposta não suscitava qualquer dúvida em 1945, ou seja: a URSS, uma boa lavagem de cérebros produziu o seu efeito uma vez que, em 2004, 60% dos franceses afirmam que foram os Estados Unidos que desempenharam o papel principal contra a Alemanha nazi [20]. No entanto, como um artigo no Le Monde Diplomatique de Agosto de 2009 justamente nos lembra: “quatro em cada cinco soldados alemães foram mortos na Frente Oriental; as batalhas de Stalingrado e Kursk não tiveram equivalente real em nenhum outro teatro de operações europeias (em Julho de 1943, a batalha de Kursk envolve 4 milhões de homens e causa mais de um milhão de mortos e feridos, dos quais quase 500.000 do exército alemão; durante todo o ano de 1943, as perdas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha não excedem 60.000 homens) “[21]. De facto, o pacto germano-soviético, a opção menos má possível quando foi assinado, torna-se a melhor solução possível, sancionada pela vitória final de 1945, como recentemente lembrado pelo representante especial do Presidente russo para a ecologia e os transporte e ex-chefe da administração presidencial Sergei Ivanov [22].

Assim se escreve todos os dias um pouco mais de história direitizada, que invade os aparelhos de TV e alimenta as análises dos “editocratas”, umas cães de guarda mediáticos sensacionalistas (à imagem do Le Point, que chegou ao ponto de dizer que Stalin planeou no final de sua vida … um novo Shoah! [23]), os manuais escolares, as declarações confusas de políticos como Copé e, bem entendido sem obscurecer as explicações “científicas” de “historiadores” anticomunistas como Stéphane Courtois, pai do famoso Livro Negro do Comunismo e aiatola obsessivo da comparação nazismo-comunismo para explicar, tal como seu mestre de pensamento François Furet, que os dois são “gémeos”; e tanto pior se o comunismo, que emana do Iluminismo e o reivindica, combate o nazismo fundamentalmente anti-humanista [24] … Mais do que nunca, face a uma tal vaga de mentiras tão grosseiras quanto perigosas para o comunismo, o combate pela “hegemonia cultural” deve ser empreendido e vencido, tal como o faz o Pólo de Renascimento Comunista em França (PRCF) através de historiadores como Gisele Jamet, Annie Lacroix-Rice e Gilda Landini (em particular) e filósofos como Aymeric Monville e Georges Gastaud. Essa batalha é tanto mais fundamental quanto, como Marx prevenia, “aquele que não conhece a história está condenado a revivê-la”.

Notas:
[1] Ver o seguinte link: https: //blogs.mediapart.fr/marc-daniel-levy/blog/200819/20-aout-40-c-e .
[2] Ver o seguinte link: https: //www.huffingtonpost.fr/2016/10/24/for-jean-francois-cope-un-pa …
[3] Ver o seguinte link: https: //www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2016/09/13/les-exageratio … Observemos que se Jean-François Cope não foi processado foi por “falta de prova” e não por “inocência” proclamada pelo tribunal de justiça …
[4] Ver o seguinte link: https: //www.lemonde.fr/big-browser/article/2016/11/21/jean-francois-co .
[5] Ver o seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=JOfs41kyTmQ From 5′50.
[6] Ver o seguinte link: https://en.wikipedia.org/wiki/European_Country_of_Souvenir
[7] Ver o seguinte link: https://www.monde-diplomatique.fr/2000/01/VIDAL/2079
[8] Ver o seguinte link: http://www.seuil.com/ouvrage/la-guerre-froide-andre-fontaine/9782020861205
[9] Ver o seguinte link: http://editionsdelga.fr/produit/la-guerre-de-1918-1922/
[10] É altamente recomendável ler Annie Lacroix-Riz, Le Choix de la défaite. Les élites françaises dans les années 1930, Armand Colin, 2010 (edição aumentada).
[11] Ver o documentário Hitler, la folie d’un homme,, exibido no M6 em 2004. Documentário disponível no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=1k5kUctcQzM
[12] Trata-se do acordo Laval-Hoare; constata-se já de passagem a atração de Laval pelos regimes fascistas …
[13] É altamente recomendável ler Annie Lacroix-Riz, De Munich à Vichy : l’assassinat de la Troisième République, 1938-1940, Armand Colin, 2008.
[14] Ver o seguinte link: https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Lindbergh#Lindbergh,_the_nazis_and_antitiism
[15] Ver o seguinte link: https: //www.liberation.fr/planete/1998/12/04/ford-fournisseur-du-iiie -…
[16] Estas são apenas algumas citações não exaustivas que podem ser encontradas no seguinte link (páginas 493 e 507): https://beq.ebooksgratuits.com/Propagande/Hitler-combat-2.pdf
[17] Números do documentário Apocalypse. La Seconde Guerre mondiale : le choc. Para mais informações sobre a invasão alemã, ler Geoffrey Roberts, Les guerres de Staline (1939-1953), Delga, 2006.
[18] Para mais detalhes sobre este assunto, ler Domenico Losurdo, Staline. Histoire et critique d’une légende noire, Aden Bélgica, 2011.
[19] Ver, em particular, o seguinte link: https: //www.initiative-communiste.fr/articles/europe-capital/quand-un -…
[20] Ver o seguinte link: http://www.slate.fr/story/88935/defaite-nazis-sondage
[21] Ver o seguinte link: https://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2009-08-24-Perm-germano-sovietique
[22] Ver o seguinte link: https: //fr.sputniknews.com/international/201907081041618429-pacte-molo …
[23] Ver o seguinte link: https: //www.lepoint.fr/editos-du-point/michel-colomes/staline-aussi-vo ..
[24] Ler em particular Enzo Traverso, A feu et à sang. De la guerre civile européenne, 1914-1945, Stock, 2007.




quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Gramsci para crianças!

O rato e a montanha, de Antonio Gramsci e ilustração de Laia Domènech.
Lançamento do Boitatá, selo infantil da Boitempo.



Um rato bebe um copo de leite, sem se dar conta que era a única coisa que uma mãe tinha para alimentar seu bebê. O bebê acorda chorando de fome, e a mãe chora porque não tem como alimentá-lo. Arrependido, o rato parte para buscar mais leite com a cabra, mas o que parecia uma tarefa simples revela-se uma longa jornada a fim de reverter os estragos da guerra e da exploração incansável do meio ambiente e dos bens comuns.

Este conto da tradição oral da Sardenha foi originalmente transcrito pelo filósofo marxista Antonio Gramsci em junho de 1931, em uma das inúmeras cartas que enviou da prisão à sua mulher, com o pedido de que ela recontasse aos filhos. Cumprindo o desejo do saudoso pensador sardo, a artista catalã Laia Domènech deu vida à jornada desse incansável ratinho, agora publicada no Brasil pela Boitempo.

Título: O rato e a montanha
Título original: El ratón y la montaña
Autor: Antonio Gramsci
Ilustradora: Laia Domènech
Tradução: Luiz Sérgio Henriques e Thaisa Burani
Letramento: Leitura compartilhada: pré-leitor (até 5 anos) e leitor iniciante (6-7 anos). Leitura autônoma: leitor em processo (8-9 anos)
Número de páginas: 44
Preço: R$ 49,00
Formato: 24,5 cm x 22,5 cm
ISBN: 978-85-7559-617-3
Editora: Boitatá
Apoio: Institut Ramon LLuLL
Disponível a partir de: 16 de setembro de 2019.
[ESTE LIVRO ENCONTRA-SE EM PRÉ-VENDA]


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

domingo, 25 de agosto de 2019

Para download: Cadernos de Educação Popular, de Marta Harnecker

Via Marxismo21, página do Facebook

Esta série de Cadernos de Educação Popular (CEP) propõe-se exatamente fornecer, sob uma forma acessível e ao mesmo tempo rigorosa, os instrumentos teóricos mais importantes para compreendermos o processo de modificação social e podermos delinear as características de uma nova sociedade.

6 volumes disponíveis em português (no Brasil, foram publicados 7 volumes):
https://drive.google.com/drive/folders/1huYreny513e8FEFe_oyu0NNqGOYGlLi1?fbclid=IwAR1UrRJejNePaIQOQnAlxivF_WJVvv3mP7VC6s9TtJ9ipsg5DGTlpi2qv4M


1-Explorados e Exploradores / 2-Exploração Capitalista / 3-Monopolios e Miseria / 4-Luta de Classes / 5-Imperialismo e Dependência / 7-Socialismo e Comunismo


Coleção completa (11 volumes) disponível em castelhano:
rchivo.juventudes.org/marta-harnecker/cuadernos-de-educación-popular?fbclid=IwAR2caUcSyKfIYfFYQ-wPmmUNq37Wv-v46rKuB45_pqEhVnjdFp-S5jTxmnM


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A “crise da educação” em tempos de neoconservadorismo: a contribuição da história da educação para compreender o presente

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro

Cadernos do GPOSSHE On-line, v. 2 n. 1 (2019): Dossiê: Crise da educação em tempos de neoconservadorismo  

Leia artigo completo em PDF clicando aqui.

Publicado
2019-08-14

A “crise da educação” em tempos de neoconservadorismo
a contribuição da história da educação para compreender o presente

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro

Resumo
Busca-se refletir sobre a contribuição do conhecimento produzido em História da Educação para pensar o momento atual de desmonte da educação no país, em particular, a educação pública. Nesse sentido, discute-se o papel da educação como um campo de disputa entre várias propostas de sociedade, entre diferentes concepções do mundo, como um terreno onde os grupos sociais lutam pela hegemonia, pela conquista do consenso para seus diferentes projetos societários.


Pinheiro, M. (2019). A “crise da educação” em tempos de neoconservadorismo. Cadernos Do GPOSSHE On-Line, 2(1), 120 - 142.




segunda-feira, 12 de agosto de 2019

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

“Introducción a Costumbres en común de E. P. Thompson”

Introducción de Julio Martínez-Cava

Introducción a la reedición de E. P. Thompson – Costumbres en común. Estudios sobre la cultura popular (Madrid: Capitán Swing, 2019).

Artículo completo en pdf: Prólogo a Costumbres en Común


terça-feira, 30 de julho de 2019

TRÊS REGIMES AUTORITÁRIOS NA HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICANO: O ESTADO NOVO (1937-1945), A DITADURA MILITAR (1964-1985) E O REGIME ATUAL (A PARTIR DO GOLPE DE 2016)

O papel do capital financeiro internacional na constituição de regimes autoritários no Brasil

Artigo de Anita Prestes

Revista de História Comparada - Programa de Pós-Graduação em História Comparada-UFRJ, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 108-129, 2019. 



Por Anita Leocadia Prestes

Resumo

No artigo adota-se a metodologia comparativa para realizar a apreciação de três regimes autoritários da História do Brasil republicano nos séculos XX-XXI: o Estado Novo (1937-1945), a ditadura militar (1964-1985) e o regime atual (a partir do golpe jurídico-parlamentar de 2016). A partir do entendimento das diferenças existentes entre os conceitos de autoritarismo e fascismo, definidos por uma interpretação baseada na teoria marxista e, em particular, nas teses defendidas por Jorge Dimitrov, Antonio Gramsci e Palmiro Togliatti, chegou-se a algumas conclusões importantes sobre o papel do capital financeiro internacional na constituição de regimes autoritários no Brasil.



sábado, 27 de julho de 2019

Análise do professor Roberto Leher sobre o “Future-se”

Texto de Roberto Leher analisando o “Future-se”, projeto governamental apresentado para discussão nas Universidades Federais  e que é necessário apreciar e discutir.

Baixe aqui o texto do professor Roberto Leher sobre o “Future-se”.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

"Sobre os desafios de um historiador marxista frente à escrita da História"

Texto da historiadora Anita Prestes, publicado no livro:  ALVES, Gracilda e HOFFMANN, Raquel (org.). Memória: questões historiográficas e metodológicas. Rio de Janeiro, Autografia, 2019, p.197-215.

Leia artigo completo em PDF clicando aqui.



Memória: questões historiográficas e metodológicas. Informações sobre o livro:
http://www.autografia.com.br/loja/memoria:-questoes-historiograficas-e-metodologicas/detalhes



sexta-feira, 12 de julho de 2019

Para download: "Diálogos Críticos: BNCC, educação, crise e luta de classes em pauta"

Contra a perspectiva mercadológica da BNCC e em defesa da Educação pública como direito de todos e todas.


Diálogos Críticos: BNCC, educação, crise e luta de classes em pauta [recurso eletrônico] / Antonio Marcos da Conceição Uchoa; Ivânia Paula Freitas de Souza Sena (Orgs.) -- Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2019.


Diálogos Críticos: BNCC, educação, crise e luta de classes em pauta
Antonio Marcos da Conceição Uchoa;
Ivânia Paula Freitas de Souza Sena (Orgs.)

Os Diálogos Críticos constituem-se do compromisso de um conjunto de educadores ativistas, de diversos estados do país, em defesa da educação pública, gratuita e laica. Reúnem exposições feitas nas mesas de diálogo que deram início a esse movimento que se coloca contra a perspectiva mercadológica da BNCC e em defesa de uma educação emancipadora.

ISBN: 978-85-5696-640-7

Nº de pág.: 109


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Dossier: Los combates por la Historia de Josep Fontana

Nuestra Historia: Revista de Historia de la FIM (Fundación de Investigaciones Marxistas), número 7, primer semestre de 2019

  • Presentación: Josep Fontana en Nuestra Historia, José Gómez Alén. [pdf]
  • Josep Fontana hoy y mañana: su lugar en la historia de la historiografía, Carlos Forcadell Álvarez. [pdf]
  • Los objetivos compartidos. Nota de homenaje a Josep Fontana, historiador marxista y maestro de historiadores, Rosa Congost. [pdf]
  • El maestro en su biblioteca, Gonzalo Pontón. [pdf]
  • Josep Fontana como analista del presente: «El futuro es un país extraño», Carlos Martínez Shaw. [pdf]
  • Josep Fontana. La Historia ante el espejo, Juan Andrade. [pdf]
Aquí todo el contenido descargable en PDF: http://www.fim.org.es/media/2/2797.pdf


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Museu Nacional de Belas Artes: feito por Portinari, quadro de Olga Benario está em exposição

Quadro pintado por Cândido Portinari (1903-1962), retratando a comunista revolucionária  alemã Olga Benario Prestes (1908-1942) está em exposição, pela primeira vez ao público, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. O quadro foi doado, no ano passado, pela historiadora Anita Prestes, filha de Olga com o líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes (1898-1990).





domingo, 23 de junho de 2019

Luiz Carlos Prestes: desenho da artista, comunista, Virgínia Artigas (1915-1990)

Virgínia Artigas, uma artista à margem da história oficial da arte

Desenho de  Luiz Carlos Prestes, no livro "Virgínia Artigas – histórias de arte e política", de autoria da historiadora Rosa Artigas (Editora Terceiro Nome, 2019). A publicação reúne desenhos, gravuras e ilustrações da mãe da autora.

À margem da história oficial da arte

Sobre Virginia

Virginia Camargo Artigas nasceu em São Carlos (SP, Brasil), em 27 de novembro de 1915. Era a penúltima de oito filhos de Elisa Veridiana de Camargo Silva e Antônio Rodrigues Silva. Seu pai abandonou a família quando Virginia era pequena e sua mãe sustentou os filhos com muita dificuldade, como costureira. A família morou em bairros operários e nas periferias, ainda rurais da cidade de São Paulo.

Ainda menina, Virginia demonstrou talento para o desenho tanto que, aos 14 anos, ganhou o terceiro lugar no concurso de Arte Infantil da Academia de Belas Artes de São Paulo. Aos 22 anos, frequentou o curso de desenho sob orientação de Antonio Rocco e, no ano seguinte, começou a frequentar o Curso Livre com modelo vivo da Escola de Belas Artes de São Paulo onde entrou em contato com com Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Clóvis Graciano, Mário Zanini , Rebolo Gonçalves. Alguns desses artistas formaram, em seguida, o Grupo Santa Helena. Frequentou as aulas dos ateliês do Edifício Santa Helena, estudou escultura com Bruni Giorgi e colaborou com a execução dos azulejos dos painéis de Portinari, para o Ministério de Educação e Saúde, no Osirarte de Paulo Rossi Osir. 

Nas aulas do Curso Livre da Escola de Belas Artes conheceu seu companheiro, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, com quem se casou em 1943.

Em 1944 realizou a primeira exposição individual na Livraria Brasiliense e participou da “Exhibition os Modern Brazilian Paiting” na Royal Academy of Art, em Londres. Integrou a mostra coletiva do X Salão de Artes Plásticas, na Galeria Prestes Maia, em 1946, com o trabalho “Composição” que recebeu a Medalha Mário de Andrade. Ainda em 1946 , participou da mostra “Seis Novos”, ao lado de Maria Leontina, Lothar Charoux, etc. Nessa época, junto com outros artistas, atuou na criação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e se ligou aos movimentos populares contra a Ditadura do Estado Novo. 

Viajou para os EUA acompanhando Vilanova Artigas que havia sido agraciado com um bolsa de estudos da Fundação Guggenheim, entre 1946 e 1947. Durante a estadia americana, estudou escultura, cerâmica e esmalte.

No início de 1949, participou do 1o Salão Baiano de Belas Artes , na ala dos modernos, em Salvador, no qual recebeu uma menção honrosa com o quadro “Meninos” e do XIII Salão de Arte do Sindicato, em São Paulo, onde seu trabalho obteve um importante destaque na coluna de crítica de arte de Sérgio Milliet, no jornal O Estado de São Paulo.

No auge da Guerra Fria, no início dos anos 1950, Virgínia transformou seu trabalho artístico em registro semelhante ao de um repórter/ilustrador dos movimentos de resistência popular, desenhando para os jornais “Terra Livre” ligado ao movimento dos trabalhadores rurais, “Noticias de Hoje” diário do PC e para a revista “Fundamentos” . Fez cartazes e ilustrações para as greves gerais de 1953, para as campanha contra a carestia, “Panela Vazia” , para panfletos pela paz mundial e contra a proliferação de armas atômicas e desenhou para o movimento de mulheres. 

Participou de algumas mostras paralelas e alternativas, muitas delas ligadas à organização sindical, como a exposição individual dos registros da Greve de 1953, realizada na sede do Sindicato dos Têxteis, que integrou movimento das operárias em São Paulo, e na publicação de álbum de gravuras do II Congresso dos Trabalhadores Rurais. Ilustrou os romances “A mãe” de Máximo Gorki e “O Noventa e Três” de Victor Hugo, para folhetins encartados nesses jornais . Em 1954, participou de Mostra Coletiva de Arte, paralela a Conferência Latino Americana de Mulheres, realizada na sede da ABI, no Rio de Janeiro.

Com a militância e o trabalho de ilustração, a maior parte realizada em campo, sua criação pessoal acabou ficando fora do circuito das galerias e do mercado de arte. De outro lado, a temática social e os retratos passaram a predominar na suapintura.

No começo dos anos 1960, paralelamente ao trabalho de ilustração e produziu séries de xilogravuras e esculturas em terracota, além de se dedicar à pintura. Nessa época realizou duas exposições individuais na Galeria Azulão, em São Paulo, uma 1969 e outra em 1977.

A perseguição do regime militar à esquerda e aos democratas atingiu sua família, com a prisão e o processo político de Vilanova Artigas, tanto na Universidade de São Paulo, como por sua atuação nos meios intelectuais. Virgínia voltou a criar nas sombras, cartazes e desenhos para as campanhas de anistia aos presos políticos, contra a tortura e para o movimento feminista. Parte desse trabalho só foi conhecido recentemente nas publicações sobre a história da resistência ao regime militar no Brasil.

Sempre atenta aos acontecimentos de uma época brutal, em um mundo oprimido por ditaduras, revoluções e guerras, o desenho e a gravura foram as linguagens preferidas de Virgínia para a criação de séries temáticas, como a do Viet Cong, inspiradas pela urgência da expressão crítica sobre a realidade do seu tempo.

Ainda que à margem da história oficial da arte, Virginia Artigas teve sua importância maior como amiga e conselheira de pessoas que, hoje, evocam importância da sua presença na formação artística, cultural e política de uma geração. Virginia faleceu em 1990, em São Paulo.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Lançamento de livro e exposição: Poemas de Portinari

Convite de exposição de quadros de Portinari no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA. Estará exposto o retrato de OLGA BENARIO PRETES de autoria de C. PORTINARI.

Retrato de OLGA BENARIO PRETES


A Fundação Nacional de Artes – Funarte lança no dia 25 de junho, terça-feira, às 18h, no Museu Nacional de Belas Artes, o livro Poemas de Portinari, em nova edição ilustrada. Entrada grátis.



Para o evento, o Museu Nacional de Belas Artes prepara exposição de Portinari para inaugurar no dia do lançamento, 25 que também celebra os 40 anos do Projeto Portinari, criado
para difundir a obra de um dos grandes nomes da nossa pintura.

:: Gerência de Edições da Funarte ::

A iniciativa é mais uma ação da Gerência de Edições do Centro de Programas Integrados da Funarte, dessa vez, em parceria com o Museu Nacional de Belas Artes e com o Projeto Portinari.

:: SERVIÇO ::

Lançamento de livro e exposição: Poemas de Portinari

25 de junho, terça-feira, às 18h
Museu Nacional de Belas Artes
Avenida Rio Branco 199, Cinelândia, Centro
Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 3299-0600

Organização de Letícia Ferro, Patrícia Porto e Suely Avellar
Edições Funarte
Preço de capa: R$ 50,00
192 páginas
Formato: 21cm X 28cm
ISBN: 978-85-7507-198-4

:: Mais informações ::
Assessoria de Comunicação Funarte
(21) 2279 8056 / 2279 8065
ascomfunarte@funarte.gov.br

Página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/1169798953207725/


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Anita Prestes visita Casa da Morte em Petrópolis, RJ, e defende criação de memorial

Filha dos militantes Luís Carlos Prestes e Olga Benário esteve no local na tarde desta terça-feira (11) onde falou para estudantes sobre um dos principais centros clandestinos de torturas durante a ditadura militar.

Por Aline Rickly, G1 — Petrópolis

Anita Prestes visitou a Casa da Morte, em Petrópolis, RJ, na tarde desta terça-feira (11) — Foto: Aline Rickly / G1

Aos 82 anos, a historiadora Anita Prestes visitou pela primeira vez a Casa da Morte em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, na tarde desta terça-feira (11).

A visita foi realizada em apoio ao movimento para a criação de um memorial no imóvel, que é conhecido por ter abrigado um dos principais centros clandestinos de torturas no período da ditadura militar.

Filha dos militantes Luís Carlos Prestes e Olga Benário, Anita falou para alunos da rede pública de ensino sobre a casa, que fica no bairro Caxambu.

"Aqui nesta casa, eles [os militares] tinham o seguinte objetivo: ou a pessoa - que geralmente era comunista ou de esquerda, de uma maneira geral - resolvia, aceitava colaborar com eles, com a polícia e com o Exército para pegar mais gente ou, se não aceitava, era morte certa. A maioria saiu daqui morta e de forma bárbara", disse Anita.

A única sobrevivente da Casa da Morte foi Inês Etienne Romeu. A militante, que denunciou a existência do imóvel e as torturas que sofreu no local, morreu em 2015 em sua casa, na cidade de Niterói.

Amigos de Anita também foram levados para a casa na época, como o militante David Capistrano, que era do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que a historiadora conhecia desde criança.

"As pessoas sumiam sem deixar rastro. Imaginávamos que tinham sido assassinadas, mas só confirmamos a partir do depoimento do pastor Claudio Guerra", disse referindo-se ao ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que aponta os nomes de militantes políticos que estiveram na casa no livro "Memórias de uma Guerra Suja".

Para Anita, é essencial que os fatos ocorridos nesse período sejam preservados para que não se repitam.

"Que a casa seja transformada em lugar de memória, em que se possa fazer exposições permanentes e para que a população possa visitar e tomar conhecimento dessa página trágica da história do Brasil. Que as pessoas possam saber disso. Que as novas gerações conheçam o que aconteceu porque muita gente ainda não sabe", afirma a historiadora.

Anita Prestes conversou com alunos da rede pública de ensino na tarde desta terça-feira (11) em Petrópolis, no RJ — Foto: Aline Rickly / G1


Os alunos que participaram do encontro ficaram surpresos, como a empregada doméstica Solange Mello, de 46 anos, que está cursando o 1º ano do ensino médio. "Estou muito feliz em agregar esse conhecimento. Eu não sabia que essa casa existia", disse.

José Carlos Pires, de 60 anos, é pintor e está terminando o Ensino Médio. Ele contou que já conhecia essa parte da história, mas nunca tinha ido até o local. Morador da área rural do Caxambu, ele concorda que o imóvel deve ser preservado: "Para todo mundo lembrar o que foi a ditadura militar e para que o que ocorreu naquela época não aconteça mais", disse.


Após a visita, Anita Prestes participou de um evento no Centro de Defesa e Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH), onde falou sobre a história das lutas populares em Petrópolis.

Campanha de arrecadação

Casa da Morte de Petrópolis, RJ, foi tombada em dezembro de 2018 — Foto: Aline Rickly / G1


Um grupo de instituições se uniu e lançou uma campanha para arrecadar R$ 1,5 milhão e desapropriar e transformar a Casa da Morte em um museu. A campanha do Grupo Pró-Memorial foi lançada pelo CDDH.

A campanha está sendo divulgada nas redes sociais e qualquer valor pode ser doado.

A Casa da Morte foi tombada pela Prefeitura em dezembro de 2018. No início deste ano, ela foi transformada em imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação.

Planta desenhada por Inês Etienne Romeu foi apresentada pela CNV em 2014 durante audiência pública — Foto: Divulgação/ Comissão Nacional da Verdade




sábado, 8 de junho de 2019

Lançamento da Boitempo - "A classe trabalhadora: de Marx ao nosso tempo",de Marcelo Badaró Mattos




Em A classe trabalhadora: de Marx ao nosso tempo, o historiador Marcelo Badaró contribui de forma decisiva para os estudos do trabalho ao combinar uma síntese da elaboração de Marx e Engels sobre a classe trabalhadora com o debate sobre o perfil atual do proletariado no Brasil e no mundo. Embasado em análises sociológicas e historiográficas sobre a formação, a composição e o papel da classe como sujeito histórico-social, o autor recupera o conceito de classe trabalhadora e mostra suas origens e seus movimentos, apresentando também um panorama de algumas de suas principais tendências hoje.

A obra se inicia pela síntese das principais contribuições de Marx e Engels (e, de forma complementar, de autores marxistas do século XX) para o entendimento das categorias de classes sociais, luta de classes e classe trabalhadora, mostrando como elas permanecem pertinentes como caminho de compreensão do mundo em que vivemos. A seguir, são apresentados diferentes exercícios de diálogo entre essas discussões de Marx e dos marxismos sobre a classe trabalhadora e elementos empíricos da realidade da classe nos dias que correm.

A classe trabalhadora: de Marx ao nosso tempo é leitura fundamental para quem deseja compreender os processos de composição e luta das trabalhadoras e dos trabalhadores hoje e historicamente.

A classe trabalhadora: de Marx ao nosso tempoautor: Marcelo Badaró Mattos
orelha: Ricardo Antunes
apoio: Faperj
coleção: Mundo do Trabalho
selo: Boitempo
páginas: 160
formato: 23cm x 16cm x 1cm
ano de publicação: 2019
encadernação: Brochura
ISBN: 9788575597064

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Museu virtual apresenta mais de 5.000 obras de Portinari

Lançada nesta quarta (5), plataforma gratuita tem pinturas, documentos e fotos

Manoella Smith
SÃO PAULO

Se colocadas lado a lado, três telas de Candido Portinari narram uma história. Em "O Mestiço" (1934), um homem negro, de braços cruzados, encara o espectador.  De corpo inteiro, "O Lavrador de Café" (1934) mostra um homem robusto, de enxada na mão. Já "Café" (1935) ilustra o cenário dos trabalhadores rurais.

Essas três obras refletem o tom de crítica social de Portinari. O difícil, contudo, seria vê-las nas paredes de um único museu — elas estão expostas na Pinacoteca, no Masp e no Museu Nacional de Belas Artes, respectivamente.

"O Mestiço" (1934)

"O Lavrador de Café" (1934)

"Café" (1935) 


Com o objetivo de juntar e preservar o legado do pintor modernista, a coleção "Portinari: O Pintor do Povo" reúne 5.000 obras digitalizadas em 20 exposições virtuais. Assim, surge um espaço recheado de imagens que guardam a trajetória do artista. 

Lançado nesta quarta-feira (5), o projeto é da plataforma Google Arts & Culture, antigo Google Art Project, em parceria com museus e o Projeto Portinari, instituição fundada pelo filho do pintor, João Candido Portinari.

Com o aplicativo da Google —disponível gratuitamente para iOS e Android— ou pelo site, é possível acessar todo o acervo. Ele pode ser acessado aqui.

O Google já desenvolveu trabalho parecido com outros artistas, como Frida Kahlo. "Mas nunca fizemos com um artista brasileiro", disse Luisella Mazza, diretora de operações do Google Arts, no evento de lançamento da plataforma, na Pinacoteca, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (5).

As imagens dos quadros foram captadas com uma câmera que permite um zoom de bilhões de pixels e revela detalhes invisíveis a olho nu. Além das três obras que abrem este texto, outras sete também podem ser vistas com essa definição, como os painéis "Guerra" e "Paz".

De cerca de duas toneladas e 14 metros de altura, os painéis foram encomendados pelo governo brasileiro na década de 1950 para serem doados à ONU (Organização das Nações Unidas) e, até hoje, ficam na sede da organização em Nova York e não podem ser visitadas pessoalmente.

Além dos quadros, a plataforma disponibiliza textos explicativos com curadoria de pesquisadores e cerca de 35 mil documentos pessoais, como fotografias e cartas.

O projeto também oferece uma visita virtual à casa do artista em Brodowski (a 338 km de São Paulo). Usando a tecnologia Street View, o tour de realidade virtual mostra os espaços da casa e a rotina do processo criativo de Portinari.

Para o filho do artista, a iniciativa é uma oportunidade de se aproximar da sensibilidade das obras do pai. "Há uma compaixão na obra de Portinari, não como pena, mas sentir como um ser humano", afirmou   João Candido Portinari também no evento de lançamento.

Para conseguir o acervo, além do Projeto Portinari, contribuíram o Masp, a Pinacoteca, o Museu Nacional de Belas Artes, os Museus Castro Maya e a Fundação Ema Klabin.