domingo, 5 de novembro de 2017

Eugenia: como movimento para criar seres humanos "melhores" nos EUA influenciou Hitler

Milhares de pessoas foram esterilizadas em programa promovido por cientistas americanos, uma história que caiu no esquecimento. 

Peter Lang-Stanton e Steven Jackson
Da BBC
23 abril 2017

A logomarca do programa de eugenia dizia: 'Eugenia é a direção própria da evolução humana. Como uma árvore, retira seus materiais de muitas fontes e os organiza em uma unidade harmoniosa'

A uma hora de Nova York, no vilarejo de Cold Spring Harbour, há um laboratório de investigação genética que foi fundado em 1890, pouco depois de Charles Darwin publicar a teoria de evolução e seleção natural.

O guia do local explica que, "entre o final do século 19 e o começo do século 20, havia uma tendência de reprodução seletiva. Se um humano era considerado indigno de transmitir sua hereditariedade a gerações futuras, era esterilizado contra sua vontade".

"Felizmente, essa prática já não é aceitável, mas nós somos muito honestos sobre essa parte da nossa história. Falando sobre os erros do passado se pode aprender a adotar práticas melhores no futuro", afirma. Essa é a história da eugenia nos Estados Unidos.

"Muita gente associa a palavra 'eugenia' aos nazistas e ao Holocausto. Mas isso está errado. Na verdade, Hitler aprendeu com o que os EUA haviam feito", afirma Daniel Kevles, historiador da ciência da Universidade de Yale, aposentado recentemente.

Segundo Kevles, para entender a eugenia, é preciso voltar à Inglaterra vitoriana, em meados de 1800. "Tudo começou com as ideias de Francis Galton, cientista que era primo de Darwin. Ele era antropólogo, geógrafo, explorador, inventor, meteorologista, estatístico, psicólogo. Mas o que lhe fascinava acima de tudo era a genialidade e a herança biológica."

Galton acreditava que, se conseguíssemos encontrar a maneira de quantificar essa hereditariedade, poderíamos controlá-la e produzir humanos melhores, como fazemos com o gado e com as plantas. A esse novo programa de reprodução seletiva que permitiria tomar as rédeas da nossa evolução, se deu o nome de eugenia.

"Não era irracional que biólogos como Galton pensassem que, se as ciências físicas estavam mudando o mundo tão dramaticamente - as ferrovias, a luz elétrica, o telefone -, as ciências da vida poderiam fazer o mesmo."

Contexto americano

Local onde se realizavam esterilizações agora se chama Centro de Treinamento Central da Virgínia
Até a virada do século, a ideia de Galton estava se disseminando pelo mundo. Começou a enraizar-se nos Estados Unidos em parte porque nessa época as pessoas estavam preocupadas com o que estava acontecendo com suas cidades. Seus apoiadores tinham uma tendência de ser "da classe média, brancos e bem educados, que se sentiam perturbadas com as favelas industriais".

Desde a Revolução Industrial, a partir de meados do século 19, os camponeses começaram a ir para as cidades em busca de trabalho nas fábricas. Foi uma das primeiras vezes na história que os Estados Unidos tiveram de enfrentar problemas sociais urbanos.

"Crime, prostituição, alcoolismo, pobreza. Além dos camponeses, os imigrantes também estavam chegando em grandes ondas vindos do sul e do leste da Europa. Houve uma confluência de fatores nos primeiros 15 anos do século 20 nos Estados Unidos que criou um público para a eugenia", explica o historiador.

A teoria deu àqueles que estavam aterrorizados com o que viam nas ruas uma estrutura biológica para a compreensão da situação: tudo se resumia a problemas hereditários. No entanto, não era precisamente a isso que Galton se referia: para o vitoriano, a eugenia tratava de fomentar a reprodução de gênios.

Foi nos Estados Unidos que a eugenia ganhou contornos mais negativos: o controle de quem se reproduziria e quem não teria esse direito. "Isso acontecia porque os Estados Unidos pareciam estar se 'degenerando' - essa era a palavra usada na época", disse Kevles.

"A eugenia é normalmente tratada como uma pseudociência. Mas, no meu ponto de vista, ciência é o que os cientistas fazem. E nessa época, muitos cientistas estavam interessados na eugenia."

Mãos à obra

Uma revista do começo do século 20 exibe a manchete: 'Devemos reproduzir ou esterilizar os defeituosos?'
A eugenia não interessou somente a cientistas maus, mas também àqueles que queriam saber como herdávamos certas características. Em 1910, foi criado um laboratório perto da cidade de Nova York, citado no começo dessa reportagem, que se chamava "Oficina de Registro de Eugenia".

Lá, as informações eram coletadas, processadas e arquivadas. Eles estavam interessados em todo tipo de característica: desde a cor dos cabelos e olhos até o daltonismo e a epilepsia, além de curiosidades como "o amor pelo mar", algo que chamavam de "ciganismo", "genes de guerreiros", até outros menos exóticos, como a promiscuidade, controle moral, "vagabundagem" e sobriedade.

Apesar disso, a eugenia se converteu em uma palavra familiar nos Estados Unidos: aparecia nos jornais, no rádio, nos filmes. Nas feiras agrícolas, começaram a aparecer alguns "concursos de famílias mais aptas" - eram como os de gado, só que as famílias se submetiam a provas médicas, psicológicas e de inteligência, além de entregarem um histórico familiar. Os ganhadores recebiam uma medalha com a seguinte frase bíblica: "Tenho uma bela herança" (Salmo 16:6).

Além desses, também havia concursos nas universidades, e os jovens mais privilegiados eram incentivados sobre o "dever de se reproduzir". "Todo mundo era eugenista, porque não sabiam dos crimes que seriam cometidos por causa dessa palavra", afirmou Kevles.

'Três gerações de imbecis são suficientes'

Em meados de 1920, esterilizar pessoas era legal em alguns Estados americanos. Mas ainda não havia uma lei federal para a esterilização compulsiva nos EUA. Muitas das leis estaduais foram levadas às cortes e anuladas, porque os juízes não aprovavam esterilização sem consentimento.

Mas em 1927 foi emitida uma decisão sobre a constitucionalidade da esterilização por eugenia. O caso Bucks versus Bell ficou famoso na Suprema Corte e representou um ponto de inflexão na história da eugenia nos Estados Unidos.

Carrie Buck era uma jovem interna na Colônia Estatal de Virginia para Epiléticos e Débeis Mentais. O superintendente era John Bell, que queria impedir que ela tivesse filhos. O caso chegou à Suprema Corte, e os juízes, depois de aceitarem que tanto ela como a mãe era "débeis mentais e promíscuas", votaram 8 a favor e 1 contra por sua esterelização.

Além de determinarem que isso era constitucional, os juízes ainda afirmaram que seria "irresponsável" não fazê-lo. O veredito escrito pelo juiz Oliver Wendell Holmes Junior em 2 de maio de 1927 dizia:

"É melhor para todo mundo se, em vez de esperar para executar os descendentes degenerados por algum crime ou deixar que morram de fome por causa da imbecilidade, a sociedade possa prevenir aqueles que são manifestadamente inaptos de se reproduzirem. O princípio que sustenta a vacinação obrigatória é suficientemente amplo para cobrir o corte das trompas de Falópio. (...) Três gerações de imbecis são suficientes."

Se a eugenia era popular antes desse veredito, a partir desse momento, era lei. "Nos anos 30 a esterilização disparou", lembra Kevles. Os surdos, cegos, epiléticos, "débeis mentais" e até pobres eram esterilizados, já que a pobreza tinha seu próprio diagnóstico médico: o pauperismo. Qualquer pessoa considerada um obstáculo para a sociedade estava em risco.

Cerca de 60 a 70 mil indivíduos foram esterilizados nos Estados Unidos. E o mais surpreendente é que, em alguns Estados, como a Virginia, a esterilização continuou até 1979.

Esquecimento

Alguns dos participantes do concurso "família mais apta" no estado do Kansas, nos anos 1920

Quando o advogado Mark Bold, da cidade de Lynchburg, na Virginia, estava cursando a universidade, uma de suas aulas era dedicada a "sentenças lamentáveis'. Entre elas, ele ficou obcecado pelo caso Bucks vs. Bell. "Eu me dei conta de que a maioria das pessoas não sabia do que tinha acontecido."

Depois da 2ª Guerra Mundial, a eugenia foi associada aos nazistas, e, quase ao mesmo tempo, nossa compreensão sobre a genética começou a se expandir e ideias como a da teoria caíram em descrença. Por isso, a lembrança da eugenia não relacionada ao Terceiro Reich foi se apagando.

E. Lewis Reynolds recebeu indenização, mas nunca pôde ter filhos
Bold sentiu que "tinha que fazer algo", por isso estudou a história, conversou com a maior quantidade de pessoas que conseguiu e até encontrou alguns dos útimos sobreviventes. Um deles, E. Lewis Reynolds, tem 88 anos de idade. Quando criança, seu primo jogou uma pedra na sua cabeça, o que lhe causou convulsões.

Pelo menos, essa é uma versão do que pode ter acontecido, já que não se recorda muito bem. O que ele sabe, e está registrado, é que o levaram à Colônia Estatal da Virgínia para Epilépticos e Débeis Mentais.

Somente anos mais tarde, depois de fazer um exame médico para se alistar no Exército dos Estados Unidos, é que ele foi saber do que havia acontecido. "O médico me disse que eu poderia dormir com quantas mulheres eu quisesse, porque eu 'disparava cartuchos vazios' - foi isso que ele me disse", contou ele à BBC.

"Contei para minha noiva, mas ela disse que gostava muito de mim para me abandonar. Casamos e ficamos juntos muitos anos. Ela morreu há oito. Acho que me fizeram mal. Não deveriam ter me operado. Tiraram meu direito de ter uma família", lamenta Reynolds.

Perguntas perigosas

Cartazes afirmava que tanto a epilepsia quanto a pobreza são herdadas e que no 'triângulo da vida' se pode melhorar a educação, o ambiente, mas não se pode fazer nada para melhorar a hereditariedade


Já há alguns anos, Mark Bold pressionava os legisladores de Virgínia para que compensem as vítimas. "Não podemos esperar, elas vão morrer", disse.

Finalmente, seu trabalho surtiu efeito: o Estado aceitou pagar US$ 25 mil (R$ 77mil) para cada uma. "Não sei como colocar um preço quando te tiram o direito de ter filhos, por isso é arbitrário. Mas é um gesto: declara que o Estado se portou mal", afirmou Kevles.

Mas não há dúvida de que o Estado não foi o único culpado - a ciência também foi. "A ciência é um processo, sempre está em mudança constante. O que hoje é verdade absoluta, não será amanhã. É especialmente importante prestar atenção quando o que está em jogo é a liberdade, a dignidade, e os direitos humanos", acrescentou.

Ao nos esforçarmos para entender e melhorar a condição humana, Kevles pede que não nos esqueçamos da eugenia porque, ainda que muito tenha mudado desde que Francis Galton concebeu a ideia, há algo que segue igual: os cientistas seguem sendo seres sociais.

As perguntas que eles fazem podem ser produtos de seus preconceitos sociais.

"'As meninas são melhores em matemática do que os meninos' ou 'as pessoas de cor são menos inteligentes do que as outras'... por que fazemos essas perguntas? Também há perguntas sobre as características genéticas da violência, ou do vício. E fazemos essas perguntas porque elas têm uma importância social, política e econômica, não porque sejam inerentemente interessantes", explica.

E conclui: "Devemos ter muito mais cuidado e não 'genetizar' ou 'medicalizar' as condições humanas que nos assustam, nos incomodam e nos custam".

FONTE: BBC

sábado, 4 de novembro de 2017

Para download: "História de América Latina" en 16 volúmenes, Leslie Bethell, ed.



1. Colonial. Conquista
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjeFBEb2Q5WC1xZHM

2. Colonial. XVI, XVII e XVIII
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjYVlMN2xZWk1BaEE

3. Colonial. Economia
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjMTdfSEdiNC1sMUk

4. Colonial. População, sociedade e cultura
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjT1EtZnZMMVpZdzg

5. Independência
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjUjZwS0ZROEd1UUU

6. Independente. 1820-1870
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjaVNHYnVIdVVlOFU

7. Economia e sociedade. 1870-1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjaW9ONkZGbHJQaXM

8. Cultura e sociedade. 1830-1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjd2w1MW1fVkQxU2s

9. México, América Central e Caribe. 1870-1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjWjltNlRka25UZk0

10. América do Sul. 1870-1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjVHFudHdjQnhLTnM

11. Economia e sociedade desde 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjd2RaV3pyWlZrSTA

12. Política e sociedade desde 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjMVlqZmRPdm9sck0

13. México e Caribe desde 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjbE1jZWRTSU5jRXc

14. América central desde 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjc0JaSEtuVDZBalU

15. O CONE SUL DESDE 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjeTNKaFpNWmZxSGM

16. Os países andinos desde 1930
https://drive.google.com/open?id=0B8Za9iTvwAEjM0FwV1ZFbm1vUW8

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Os dois mais explosivos textos políticos da modernidade.

A Revolução Russa de 1917 transformou o Manifesto Comunista no texto fundamental para socialistas em todo o mundo. No centenário do evento que marcou o século XX, esse volume coloca a obra mais famosa de Marx e Engels ao lado de outro texto clássico, Teses de abril, o manifesto revolucionário de Lênin que eleva a política a uma forma de arte. Essa edição comemorativa apresenta ainda textos introdutórios de Tariq Ali, contextualizando o período em que o Manifesto foi redigido – às vésperas das revoluções de 1848 – e traçando sua influência sobre as Teses de abril, texto que por sua vez daria novo fôlego ao Manifesto Comunista.  

"Lênin compreendia Marx melhor do que a maioria dos dirigentes políticos de sua época. Em abril de 1917, entre as duas revoluções que transformaram a Rússia tsarista durante a primeira guerra imperialista, o bolchevique escreveu uma série de teses baseadas na teoria marxista, exortando seu partido a fazer os preparativos necessários para uma revolução social – teses estas que estão incluídas na parte final deste livro. Por outro lado, sem a Revolução Russa de novembro de 1917, o Manifesto Comunista – que abre o volume – acabaria confinado às bibliotecas especializadas em vez de rivalizar com a Bíblia como o texto mais traduzido na história moderna", afirma Ali. 

O Manifesto Comunista é o texto político mais influente já escrito – poucos chamados à ação foram capazes de tão efetivamente agitar e mudar o mundo. Agora, no despertar de um novo século, sob uma dura crise financeira e em um mundo construído sobre regimes de austeridade permanente, cada vez mais dominado por terríveis disparidades econômicas, ele permanece um ponto de referência para quem tenta compreender as transformações que são hoje forjadas pelo capitalismo e suas formas concomitantes de exploração.

É nas Teses de abril, escritas em 1917, que Lênin apresenta dez máximas analíticas de modo a traçar um programa para acelerar e completar a revolução que havia se iniciado em fevereiro daquele ano. Nessa edição, são incluídas também as Cartas de longe, escritas por Lênin no exílio e endereçadas a seus camaradas em Petrogrado. Nessas correspondências, Lênin dá conselhos e instruções aos que levariam adiante seus ideais no rescaldo da Revolução de Fevereiro.

Prosa com Perillo: Anita Prestes (Vale muito a pena dar um conferida nesse prosa de 7 minutos)

VÍDEO COM ENTREVISTA DA HISTORIADORA  ANITA PRESTES
A filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes comenta o seu mais recente livro "Olga Benario Prestes - Uma Comunista Nos Arquivos da Gestapo" (Boitempo Editorial, 2017)




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Emília Viotti da Costa (1928-2017): lucidez intelectual e política (vídeo da entrevista ao programa Roda Viva e download de livro)

Faleceu na manhã de hoje, 02/11/2017, a historiadora Emília Viotti da Costa, autora de obras clássicas da historiografia brasileira.

Em nota, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), do qual a historiadora era entusiasta e próxima, disse que perdeu "uma grande amiga e lutadora e intelectual exemplar, comprometida com seu povo".


Emília Viotti presente ao Simpósio História Viva do Brasil, em 19 de maio de 2017, na Editora Unesp, ocasião em que foi celebrado os seus 50 anos de contribuições à historiografia brasileira.




A lucidez intelectual e política de EMÍLIA VIOTTI DA COSTA pode ser conhecida pela entrevista que ela concedeu, em 2001, ao Programa "Roda Viva", da TV Cultura:



Para download  "Da Monarquia à República - Momentos Decisivos"


Cientistas detectam "vazio" do tamanho de um avião na pirâmide de Quéops

AFP
Em Paris 02/11/2017 


PIRÂMIDE OCA: Um grupo internacional de cientistas descobriu uma nova estrutura no interior da Grande Pirâmide de Quéops, em Gize (Egito). A pesquisa, liderada por especialistas de Japão, França e Egito, levou à descoberta de uma grande câmara vazia (do tamanho de um avião) na maior das pirâmides de Gizé e poderia ajudar a explicar como este espetacular monumento foi erguido.


A pirâmide de Quéops no Egito, uma das sete maravilhas do mundo antigo, escondia há 4.500 anos uma surpresa. Cientistas anunciaram nesta quinta-feira a descoberta de uma enorme cavidade em seu interior que nenhuma teoria havia antecipado.

A cavidade é "tão grande como um avião de 200 passageiros no coração da pirâmide", declarou à AFP Mehdi Tayubi, codiretor do projeto ScanPyramids, responsável pela descoberta.

Uma equipe de cientistas egípcios, franceses, canadenses e japoneses trabalha desde o final de 2015 na pirâmide, utilizando tecnologia de ponta não invasiva, que permite observar através dela para descobrir possíveis espaços ou estruturas internas desconhecidas.

O objetivo é aprender um pouco mais sobre a construção das pirâmides, que sempre foi cercada de mistérios.

O monumento, de 139 metros de altura e 230 de largura, fica no complexo de Gizé, próximo do Cairo, perto da Grande Esfinge e das pirâmides de Quéfren e Miquerinos.

"Há muitas teorias sobre a existência de possíveis câmaras secretas nas pirâmides. Se juntássemos todas, obteríamos um queijo gruyere", brinca Mehdi Tayubi.

"Mas nenhuma delas previa a existência de algo tão grande", completou.

De acordo com o estudo publicado na Nature, o "big void" (grande vazio), como os cientistas denominam a descoberta, mede pelo menos 30 metros de comprimento e tem características similares às da grande galeria, a maior sala conhecida da pirâmide.

A cavidade se encontra a 40 ou 50 metros da câmara da rainha, no centro do monumento.

"O 'grande vazio' está totalmente fechado, nada foi tocado desde a construção da pirâmide. É uma descoberta muito emocionante", disse Kunihiro Morishima, da Universidade de Nagoya no Japão, integrante da missão ScanPyramids.

                    O 'grande vazio' se encontra a 40 ou 50 metros da câmara da rainha, no centro do monumento

Por quê este vazio?

Para encontrar este "bonito presente", escondido desde o reinado do faraó Quéops, os cientistas recorreram a partículas cósmicas, os chamados múons. 

Quando estas partículas elementares, criadas na alta atmosfera por raios cósmicos, entram em contato com a matéria, são freadas até parar.

Os pesquisadores medem portanto a quantidade de múons que recuperam atrás de um objeto sondado. Se comprovam um excedente em algum lugar, significa que os múons atravessaram menos matéria, isto é, um vazio.

"Esta tecnologia não é nova, mas os instrumentos são mais precisos e mais robustos hoje. Podem sobreviver às condições do deserto egípcio", explica Sébastien Procureur, cientista francês que se uniu ao projeto em 2016.

Tecnologia de ponta não invasiva que permite observar além das paredes da pirâmide para descobrir possíveis espaços ou estruturas internas desconhecidas


Para evitar polêmicas, a existência da cavidade foi confirmada por três técnicas diferentes de detecção com múons, realizadas pela Universidade de Nagoya, o laboratório de pesquisas japonês Kek e o francês CEA.

O segredo revelado nesta quinta-feira apresenta novas perguntas sobre a pirâmide: Por quê existe esta cavidade? Há algo dentro?

"Não podemos saber se o vazio contém artefatos porque seriam muito pequenos para ser detectados por este tipo de técnica", afirmou Kunihiro Morishima, coautor do estudo.

Os cientistas tampouco têm informações sobre o papel deste vazio. Poderia ser uma "sucessão de câmaras contíguas, um enorme corredor horizontal, uma segunda grande galeria. Há muitas hipóteses possíveis", disse Tayubi.

O que já está claro é que será complicado alcançar o "grande vazio".

"É uma descoberta muito emocionante", disse Kunihiro Morishima, da Universdade de Nagoya no Japão, integrante da missão ScanPyramids


"Pensamos em modos de investigação bastante leves, não destrutivos", explicou o codiretor da missão.

"O CNRS (Centro Nacional para a Pesquisa Científica) e o Inria (Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automatização) se uniram ao nosso trabalho no ano passado para estudar um novo tipo de robô que consiga passar por buracos muito pequenos", concluiu. 
ScanPyramids


“El pueblo cubano no renunciará a construir una Nación soberana”

ONU, el 1ro. de noviembre de 2017 : 191 países votaron a favor de Cuba y contra el bloqueo, solo Israel respaldó a EEUU
Una vez más, y ya son 26 veces consecutivas, la comunidad internacional votó a favor de Cuba y contra el bloqueo.

"El pueblo cubano no renunciará jamás a construir una Nación soberana, independiente, socialista, democrática, próspera y sostenible. Persistiremos, con el consenso de nuestro pueblo y especialmente el compromiso patriótico de los cubanos más jóvenes, en la lucha antimperialista y en defensa de nuestra independencia, por la que ya han caído decenas de miles de cubanos y hemos corrido los mayores riesgos, como demostramos en Playa Girón y frente a todas las amenazas." Bruno Rodríguez Parrilla, ministro de Relaciones Exteriores de Cuba, en la sede de las Naciones Unidas, Nueva York, el 1ro. de noviembre de 2017.


Discurso del ministro de Relaciones Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, bajo el tema “Necesidad de poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por los Estados Unidos de América contra Cuba”, en la sede de las Naciones Unidas, Nueva York, el 1ro. de noviembre de 2017.

(Versiones Taquigráficas – Consejo de Estado)

Señor Presidente;
Excelentísimos señores Representantes Permanentes;
Distinguidos delegados:

Ciudadanos norteamericanos y cubanos residentes en los Estados Unidos que se encuentran en esta sala:

Quisiera expresar al pueblo y gobierno de los Estados Unidos, al alcalde Bill De Blasio; al gobernador Andrew Cuomo y demás autoridades de Nueva York, así como a sus ciudadanos y muy especialmente a los familiares de las víctimas, las más sentidas condolencias en nombre del pueblo y gobierno cubanos, por el acto terrorista ocurrido en la tarde de ayer.

Expreso también sentidas condolencias a los pueblos y gobiernos de Argentina y Bélgica.

Señor Presidente:

Expreso la más enérgica condena a las declaraciones irrespetuosas, ofensivas e injerencistas de la Embajadora de los Estados Unidos ante las Naciones Unidas contra Cuba y contra el gobierno cubano hace pocos minutos proferidas.

Le recuerdo que los Estados Unidos, donde se cometen flagrantes violaciones de los derechos humanos que suscitan profunda preocupación de la comunidad internacional, no tienen ni la más mínima autoridad moral para criticar a Cuba, un país pequeño, solidario, de amplia y reconocida trayectoria internacional; un pueblo noble, trabajador y amistoso.

Habla ella a nombre del Jefe de un imperio que es responsable de la mayor parte de las guerras que se libran hoy en el planeta y que asesinan inocentes, y es el factor decisivo de inestabilidad mundial y de gravísimas amenazas a la paz y a la seguridad internacional, pisoteando el Derecho Internacional y la Carta de las Naciones Unidas que cínicamente ella acaba de invocar.

No han sido 55 años, señora Embajadora, se equivoca en su primera frase, han sido 26 de estas sesiones y más de un siglo del origen de los hechos que hoy se discuten.

Ella miente, usa el mismo estilo que prevalece hoy en la política estadounidense. Todo empezó antes de que existiera, incluso, la Nación cubana. Cuando el pueblo cubano por vez primera se alza en armas en 1868, ya se habían desatado los apetitos anexionistas y de dominación de lo que era y es hoy el imperialismo estadounidense.

En 1898, usando un pretexto —como caracteriza a la historia moderna de los Estados Unidos—: la voladura del buque Maine en puerto cubano, entraron como aliados de las fuerzas independentistas cubanas y ocuparon el país después como invasores, impusieron la Enmienda Platt, cercenaron la independencia y la soberanía de Cuba; tres ocupaciones militares realizaron, impusieron 60 años de dominio absoluto que terminó el Primero de Enero de 1959 con la entrada del Ejército Rebelde en La Habana y el triunfo de la Revolución Cubana, que hasta hoy libra las mismas luchas que inspiraron a nuestro pueblo hace más de 100 años (Aplausos).

Ella miente, ha usado una frase, supuestamente atribuyendo a una fuente cubana una afirmación sobre la llamada Crisis de Octubre o de los Misiles, que invito a que diga su fuente, a que diga su autor, a que presente evidencias. Parece un twit de los que proliferan en este país en estos tiempos de odio, división y política sucia (Aplausos).

Al triunfo de la Revolución Cubana, el gobierno de los Estados Unidos fijó como objetivo el cambio de régimen. No es nueva la política enunciada por el presidente Trump el 16 de junio, es la misma política, es una vieja política anclada en el pasado.

Mencionó ella al ilustre embajador norteamericano Adlai Stevenson. Se olvidó de comentar que fue él a quien correspondió el triste deber, engañado por su gobierno, de mostrar, en una sesión del Consejo de Seguridad, fotos de supuestos aviones cubanos, realmente estadounidenses, con el emblema de la Fuerza Aérea Cubana, que el 15 de abril bombardearon la ciudad de La Habana, provocaron numerosas bajas y fue entonces el preludio del ataque de la invasión de Playa Girón o Bahía de Cochinos.

Esos bombardeos y la mentira involuntaria del embajador Stevenson, quien había sido engañado por su gobierno, se produjeron, incluso, antes de la declaración del carácter socialista de la Revolución Cubana. Esos bombardeos fueron anteriores a la declaración del carácter socialista de nuestra Revolución.
Ha hablado de la Crisis de Octubre.

Se habla en estos días del asesinato del presidente Kennedy y la desclasificación de documentos. Ha sido ocultada al pueblo de los Estados Unidos la verdad por demasiado tiempo. Desclasifíquese todo.

Pero si ella quiere hablar de estos temas, le sugiero que lea el libro Entrenado para asesinar a Castro, del agente de la CIA Veciana, que cuenta allí de su encuentro con el agente de la CIA David Phillips y con Lee Harvey Oswald, en Dallas, en la tercera semana de septiembre de 1963.

Ha sido una historia de mentiras y agresiones: la Operación Northwoods, la Operación Mangosta. Acaba de desclasificarse la información de que en ese momento los Estados Unidos tenían preparados 261 000 soldados listos para una invasión directa a Cuba. Funcionaba en la Florida la base de la CIA más grande de la historia hasta ese momento, con más de 700 oficiales, y hasta la creación de aquella base de la CIA, aún mayor, en Saigón.

Usa ella el estilo del juicio a Alicia en el país de las maravillas: sentencia primero, el juicio después.

Hablo por mi pueblo, y hablo también por los que no pueden llamar al presidente Trump y a la Embajadora de los Estados Unidos por sus nombres, pero sienten y piensan como yo. Al menos ha reconocido ella el absoluto aislamiento de los Estados Unidos en esta sala y en este mundo. ¡Están solos en el tema del bloqueo a Cuba! (Aplausos.) Ignora ella el peso de la verdad, subestima la fuerza de una idea justa en el fondo de una cueva, más poderosa que un ejército, como decía José Martí, quien escribió llevando en su pecho, en carta inconclusa, la siguiente frase: “Ya estoy todos los días en peligro de dar mi vida por mi país, y por mi deber (…), de impedir a tiempo con la independencia de Cuba que se extiendan por las Antillas los Estados Unidos y caigan, con esa fuerza más, sobre nuestras tierras de América.”

El canciller cubano condenó el discurso retórico e ingerencista de la embajadora norteamericana ante la ONU.
El canciller cubano condenó el discurso retórico e ingerencista de la embajadora norteamericana ante la ONU.
Embajadora, todo empezó hace mucho más que 26 años, muchísimo más que 55 años. Junto a la agresión militar, la fabricación de pretextos, los planes para una invasión directa, las medidas de asfixia de nuestra economía, el terrorismo de Estado, la desestabilización y la subversión, se propusieron —y cito el memorándum infame del subsecretario de Estado Lester Mallory, firmado el 6 de abril de 1960— “…provocar el desengaño y el desaliento mediante la insatisfacción económica y la penuria (…), negándole a Cuba dinero y suministros, con el fin de reducir los salarios nominales y reales. Con el objetivo de “provocar hambre, desesperación y el derrocamiento del gobierno”, fue creado el bloqueo contra Cuba.

Sin embargo, cuando el presidente Raúl Castro Ruz y el presidente Barack Obama realizaron aquellos sorpresivos y esperanzadores anuncios del 17 de diciembre de 2014, el presidente Obama, calificó el bloqueo como fracasado y obsoleto, ineficaz respecto a sus objetivos, causante de daños al pueblo cubano y de aislamiento al gobierno de los Estados Unidos. Después lo describió como inútil para hacer avanzar los intereses estadounidenses; fallido, sin sentido, inviable y una carga para los ciudadanos, lo calificó.

Pero nunca se reconoció al bloqueo como una violación flagrante, masiva y sistemática de los derechos humanos de los cubanos, lo que omitió cínicamente la Embajadora de los Estados Unidos hace unas horas; ni se reconoció a este como un quebrantamiento del Derecho Internacional o un acto de genocidio, según la Convención de Ginebra; ni se renunció a sus fines de avasallamiento de nuestro pueblo. No obstante, el Presidente de los Estados Unidos entonces declaró reiteradamente su decisión de emplear sus facultades ejecutivas y de trabajar con el Congreso para levantar el bloqueo.

Un reflejo práctico de esta voluntad fue el voto en abstención de los Estados Unidos, en 2016, de esta resolución, sobre lo que la Embajadora de Estados Unidos acaba de burlarse.

En este periodo, se produjeron progresos sustanciales en materia de relaciones diplomáticas, diálogo y cooperación en áreas de mutuo interés y beneficio; pero el bloqueo, en estos dos años pasados, en todo lo fundamental, se mantuvo, aunque se adoptaron algunas decisiones ejecutivas que modificaron su aplicación de forma muy limitada, pero en la dirección positiva. Fue significativa la forma en que, dentro de la prohibición legislativa de viajar a Cuba, que constituye una violación de los derechos y las libertades civiles de los ciudadanos estadounidenses —que ella tampoco menciona—, sin embargo, se expandió el uso de las licencias de viajes. Se alcanzaron también resultados tangibles en materia de cooperación bilateral, en beneficio mutuo, en ámbitos tan importantes como el del enfrentamiento al terrorismo, al narcotráfico o al crimen digital.

Señor Presidente:

El pasado 16 de junio el presidente Donald Trump proclamó al bloqueo como un eje fundamental de su política anticubana y anunció un grupo de medidas dirigidas a su endurecimiento.

En un discurso anticuado y hostil, propio de la Guerra Fría, y ante un auditorio compuesto, entre otros, por rancios batistianos, anexionistas y terroristas, el gobernante estadounidense retomó gastadas alegaciones sobre supuestas violaciones de los derechos humanos en Cuba para justificar el fortalecimiento del bloqueo. En este podio se ha escuchado esta mañana a su eco, a su caja de resonancia.

El presidente Trump no tiene la menor autoridad moral para cuestionar a Cuba. Preside un gobierno de millonarios destinado a aplicar medidas salvajes contra las familias de menos ingresos y los pobres de este país, las minorías y los inmigrantes. Sigue un programa que alienta el odio y la división. Pregona un peligroso excepcionalismo y supremacismo, disfrazado de patriotismo, que provocará más violencia. Ignora la voluntad de los electores: dos tercios de los estadounidenses y también de los cubanos residentes en los Estados Unidos apoyan el fin del bloqueo.

Las políticas vigentes en los Estados Unidos dañan a los ciudadanos, impera la corrupción de la política, secuestrada por los llamados “intereses especiales”, es decir, los intereses y el dinero corporativos; la falta de garantías de educación, salud y seguridad social, las restricciones a la sindicalización y la discriminación terrible de género.

Merecen condena el uso de la tortura, el asesinato de afroamericanos por la policía, las muertes de civiles por sus tropas, el uso indiscriminado y racialmente diferenciado de la pena de muerte, el asesinato, la represión y vigilancia policial de inmigrantes, la separación de familias y la detención o deportación de menores y las medidas brutales con que amenaza a los hijos de inmigrantes ilegales que crecieron y se educaron en los Estados Unidos.
Es el gobierno que perdió el voto popular.

La Embajadora de los Estados Unidos nos ha expresado su sueño. Yo prefiero repetir el de Martin Luther King, cuando dijo: Sueño que un día esta nación se levantará y vivirá el verdadero significado de su credo. Todos los hombres son creados iguales. Que repique la libertad (Aplausos).

Ha venido a decirnos que ella reconoce que el futuro de la Isla descansa en las manos del pueblo cubano. Miente rotundamente, jamás fue así en toda la historia. Es la historia del intento de la dominación y la hegemonía sobre Cuba.
La política anunciada, se propone retrotraer las relaciones a un pasado de confrontación para satisfacer espurios intereses de círculos extremistas de la derecha estadounidense y de una frustrada y envejecida minoría de origen cubano en la Florida.

El “Memorando Presidencial estableciendo la política hacia Cuba, incluye, entre otras medidas, nuevas prohibiciones a las relaciones económicas, comerciales y financieras de compañías estadounidenses con empresas cubanas. Restringe adicionalmente la libertad de viajar de los ciudadanos estadounidenses con la eliminación de los viajes individuales en la categoría de intercambios llamados “pueblo a pueblo”, y medidas de vigilancia sobre el resto de los visitantes de ese país.

En las últimas semanas, el presidente Donald Trump ha reiterado en cuatro ocasiones diferentes, (incluyendo ante esta Asamblea el pasado mes de septiembre,) que su gobierno no levantará el bloqueo a Cuba a menos que esta realice cambios en su ordenamiento interno.

Reafirmo hoy que Cuba jamás aceptará condicionamientos ni imposiciones y le recordamos al Presidente y a su Embajadora que este enfoque, aplicado por una decena de sus predecesores, nunca ha funcionado ni va a funcionar. Será uno más en la cuenta de una política anclada en el pasado.

Más recientemente, con el pretexto de las afecciones a la salud de algunos diplomáticos en La Habana, sin que exista la menor evidencia sobre su causa y origen —porque mienten cuando hablan de ataques o incidentes—, ni resultados de las investigaciones en curso, el gobierno de los Estados Unidos adoptó nuevas medidas de naturaleza política contra Cuba, que profundizan el bloqueo y afectan las relaciones bilaterales en su conjunto.

Entre ellas, suspendió la emisión de visas de viajeros y emigrantes cubanos en su Consulado en La Habana, lo que perjudica el derecho de los ciudadanos a viajar libremente y visitar por periodos breves ese país, como han hecho este año más de 163 000 cubanos, o dificulta seriamente la reunificación familiar de otros bajo el acuerdo bilateral de conceder no menos de 20 000 visas anuales de inmigrantes. La exigencia de una entrevista presencial a los viajeros de Cuba en los consulados estadounidenses en terceros países, y a los emigrantes en la sección consular estadounidense en Bogotá, encarecerá enormemente los trámites y los hará inviables para una buena parte de ellos. ¿Dónde están sus derechos en el discurso de los Estados Unidos?

No hay forma de justificar que se dañe a las personas y a las familias para intentar alcanzar objetivos políticos contra el orden constitucional en Cuba.
El gobierno estadounidense, con el propósito político de limitar los viajes y dañar el turismo internacional a Cuba, también emitió una infundada y absolutamente mendaz advertencia a los ciudadanos estadounidenses para que eviten visitar nuestro país.

Mediante la injustificada expulsión del personal de nuestro Consulado General en Washington, único en los Estados Unidos, ha limitado gravemente la capacidad de este para proveer servicios a los viajeros estadounidenses y especialmente a los cubanos residentes aquí, quienes tienen absoluto derecho a visitar y relacionarse con normalidad con su nación.

Igualmente, redujo de manera arbitraria e infundada el personal de nuestra Embajada, lo que ha provocado, entre otras consecuencias, el desmantelamiento de su Oficina Económico-Comercial, con el avieso propósito político de privar de interlocución al sector empresarial estadounidense, genuinamente interesado en explorar las oportunidades de negocios existentes aun dentro del marco restrictivo de las regulaciones del bloqueo.

No sorprende tampoco, con lo que ha dicho la señora Embajadora aquí, ni antes sus líderes, que el Presidente de los Estados Unidos no tome en cuenta el apoyo internacional unánime a los progresos que ahora revierte, ni el similar reclamo al cese inmediato, total e incondicional del bloqueo.

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Señor Presidente:

Como expresó el presidente Raúl Castro Ruz, el 14 de julio pasado, “reafirmamos que cualquier estrategia que pretenda destruir a la Revolución, ya sea mediante la coerción y las presiones o recurriendo a métodos sutiles, fracasará. […] Cuba tiene la voluntad de continuar negociando los asuntos bilaterales pendientes con los Estados Unidos, sobre la base de la igualdad y el respeto a la soberanía y la independencia de nuestro país, y de proseguir el diálogo respetuoso y la cooperación en temas de interés común con el gobierno norteamericano.

“Cuba y Estados Unidos pueden cooperar y convivir, respetando las diferencias y promoviendo todo aquello que beneficie a ambos países y pueblos, pero no debe esperarse que para ello Cuba realice concesiones inherentes a su soberanía e independencia […] o que negocie sus principios o acepte condicionamientos de ningún tipo, como no lo hemos hecho nunca en la historia de la Revolución.” Fin de la cita (Aplausos).

Señor Presidente:

Cuba presenta hoy por vigésima sexta ocasión consecutiva ante la Asamblea General de las Naciones Unidas el proyecto de resolución (titulado) “Necesidad de poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por los Estados Unidos de América contra Cuba”.

En la actual coyuntura, este texto cobra especial relevancia frente al retroceso que significan las acciones del nuevo gobierno de los Estados Unidos contra Cuba.

El bloqueo constituye el mayor obstáculo para el desarrollo económico y social del país y para la implementación del Plan Nacional, en línea con la Agenda 2030 de las Naciones Unidas. Es el principal escollo para el desarrollo de las relaciones económicas, comerciales y financieras de Cuba con los Estados Unidos y el resto del mundo.

Según los cálculos realizados de forma rigurosa por instituciones cubanas, el bloqueo causó, en el año transcurrido desde abril de 2016 hasta abril de 2017, pérdidas a la economía cubana en el orden de 4 305 millones de dólares.

Esa cifra es alrededor del doble de lo que se necesitaría como inversión extranjera directa anual para que la economía cubana pueda avanzar sustancialmente hacia el desarrollo.

Los daños acumulados alcanzan la enorme cifra de 822 280 millones de dólares, calculados tomando en cuenta la depreciación del oro. A precios corrientes, equivalen a 130 178 millones de dólares.

Decenas de bancos de terceros países han sido afectados en el último periodo por la extrema y tenaz persecución de las transacciones financieras cubanas.
El bloqueo es contrario al Derecho Internacional y su aplicación agresivamente extraterritorial daña la soberanía de todos los Estados. También lesiona los intereses económicos y empresariales en todas las latitudes.

Señor Presidente:

La Embajadora de los Estados Unidos omitió mencionar que el bloqueo constituye una violación flagrante, masiva y sistemática de los derechos humanos de las cubanas y cubanos y califica como acto de genocidio a tenor de la Convención para la Prevención y Sanción del Delito de Genocidio de 1948. Es también un obstáculo para la cooperación internacional que Cuba brinda en áreas humanitarias a 81 países del Sur.

Resultan incalculables los daños humanos que ha producido la aplicación de esta política. No hay familia cubana ni servicio social en Cuba que no sufra las privaciones y consecuencias del bloqueo. La emigración cubana sufre también discriminación y perjuicios.

Durante el último año, la empresa cubana importadora y exportadora de productos médicos, Medicuba S.A., realizó solicitudes para comprar insumos a 18 compañías estadounidenses que rehusaron o nunca respondieron.

Otras, como la corporación estadounidense Promega, reconocida por la elaboración de kits de diagnósticos para determinar la carga viral en pacientes portadores de VIH-SIDA, hepatitis C o patologías renales, se negó en junio de 2017 a vender sus productos a Medicuba S.A, alegando que el Departamento del Tesoro mantiene sanciones comerciales que prohíben la venta de sus productos a la Isla.

En esa propia fecha, y con el mismo argumento, se recibió la negativa para el suministro a Cuba por parte de la compañía New England Biolabs Inc., que comercializa una amplia gama de enzimas, como la Proteinasa K, que es un reactivo que permite diagnosticar enfermedades virales como el dengue, el zika y el chikungunya, así como otras enzimas con múltiples usos para el diagnóstico de malformaciones congénitas de los fetos y para determinar la compatibilidad que existe entre los donantes de órganos y los pacientes que van a ser trasplantados de riñón, médula ósea, hígado, entre otros.

Con el mismo argumento esa compañía se negó a realizar suministros de naturaleza totalmente humanitaria a Cuba.

En abril de 2017, el proveedor alemán Eckert & Ziegler Radiopharma Gmbh se negó a la misma compañía médica cubana el Generador Ge-68/Ga-68, con sus componentes, el cual es un equipo empleado en el diagnóstico del cáncer de próstata. Según la compañía, no era posible suministrar el producto directamente a Cuba, ni tampoco a través de un tercer país, pues el bloqueo lo impide.

El servicio de cardiología del Hospital Clínico Quirúrgico “Hermanos Ameijeiras”, necesita imperiosamente un dispositivo de asistencia circulatoria para poder tratar el shock de origen cardiaco, la cardiología intervencio¬nista y para la electrofisiología, que permita la recuperación de fallos cardíacos y la prolongación de la vida del paciente.

La compañía estadounidense Abiomed, líder en el mercado mundial en esos productos, cuenta con el sistema Impella, ideal para tratar esas afecciones. En septiembre de 2016 y en febrero de 2017, la empresa MEDICUBA S.A., contactó a dicha compañía a fin de estudiar la posibilidad de incorporar el producto al sistema de Salud en Cuba, la cual hasta este minuto ha rehusado responder.

Señor Presidente:

Agradecemos profundamente a todos los gobiernos y pueblos, parlamentos, fuerzas políticas y movimientos sociales, representantes de la sociedad civil, organizaciones internacionales y regionales que han contribuido con su voz y su voto, año tras año, a fundamentar la justeza y la urgencia de la abolición del bloqueo.

Extendemos también nuestra gratitud a la amplia mayoría del pueblo estadounidense por su apoyo a este loable propósito.

Ofende a la conciencia de la humanidad que la Embajadora de los Estados Unidos se haya referido de esa manera injerencista e inaceptable al gobierno bolivariano de Venezuela. Ofende al heroico pueblo venezolano, a su unión cívico-militar, al gobierno bolivariano y chavista, encabezado por el presidente Nicolás Maduro Moros.

Miente el gobierno de los Estados Unidos cuando declara a Venezuela una amenaza a su seguridad nacional, que es, curiosamente, la primera reserva certificada de hidrocarburos en el planeta.

Como escribió El Libertador Simón Bolívar, “… los Estados Unidos parecen destinados por la providencia a plagar de miseria la América en nombre de la libertad”. Le respondo a la Embajadora con las palabras de Bolívar.

Estamos en medio de un limpio y constitucional proceso electoral en Cuba, donde no se compran escaños ni prevalen intereses especiales, donde no hay campañas mendaces donde manda el dinero; elecciones en las que no se manipula la voluntad de los electores; elecciones en las que no se atiza la división y el odio.

Señor Presidente:

Encomiamos muy especialmente a todos los que han expresado preocupación y rechazo por las medidas coercitivas anunciadas por el actual gobierno estadounidense.

El pueblo cubano no renunciará jamás a construir una Nación soberana, independiente, socialista, democrática, próspera y sostenible (Aplausos).

Persistiremos, con el consenso de nuestro pueblo y especialmente el compromiso patriótico de los cubanos más jóvenes, en la lucha antimperialista y en defensa de nuestra independencia, por la que ya han caído decenas de miles de cubanos y hemos corrido los mayores riesgos, como demostramos en Playa Girón y frente a todas las amenazas.

Guardaremos eterna lealtad al legado de José Martí y de Fidel Castro Ruz (Aplausos).

Señor Presidente;
Distinguidos representantes permanentes;
Estimadas delegadas y delegados:

Nuestro pueblo sigue con esperanza este debate. En su nombre, les solicito votar a favor del proyecto de resolución A/72/L.30, “Necesidad de poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por los Estados Unidos de América contra Cuba”.

Muchas gracias (Aplausos prolongados)
Exclamaciones de: “’Viva Cuba!” “Cuba sí, bloqueo no!”

FUENTE: Cubadebate

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Palestra/Debate "Fascistas na América Latina - NÃO PASSARÃO!"

Com Anita Prestes, Carlos Serrano Ferreira, Eliete Ferrer, Lincoln Penna. Mediação de Bolivar Meirelles
Data: 6 de novembro de 2017
Horário: 18:30
Local: Sindicato dos Engenheiros (SENGE-RJ)
Av. Rio Branco, 277/17o andar - Cinelândia/Centro-RJ



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Com reforma trabalhista, empresas oferecem salário de R$ 4,45 por hora trabalhada

Legalização do trabalho intermitente representa "insegurança absoluta" para trabalhador, diz especialista

A nova legislação trabalhista representa o aumento da exploração e a retirada de direitos. Os trabalhadores devem se unir e lutar contra os ataques. Nenhum direito a menos!

Júlia Dolce
Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Um anúncio de vagas da empresa Sá Cavalcante, que opera franquias das redes Bob's, Spoleto e Choe's Oriental Gourmet, chamou a atenção nas redes sociais nos últimos dias. Isso porque a oferta de emprego destaca um salário de R$4,45 por hora trabalhada, em uma jornada de cinco horas nos finais de semana.

Trata-se do chamado trabalho intermitente, possível no país com a aprovação da Reforma Trabalhista, que entrará em vigor no dia 11 de novembro.

Para a vice-presidenta da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Ana Claudia Bandeira Monteiro, o contato intermitente dificulta a garantia dos direitos dos trabalhadores:

"Eu considero essa questão do trabalho intermitente como uma das mais graves e mais lesivas ao trabalhador, porque o trabalho intermitente em si já traz uma série de retirada de direitos. Então, a partir dessa mudança, o trabalhador intermitente viverá sempre a incerteza de ter trabalho ou não, e de quanto ele ganhará em razão disso. E aí fica difícil de consolidar uma demanda em torno de direitos mínimos. Da forma como está colocado, é a insegurança absoluta", afirmou.

Nesse sentido, Adriana Marcolino, pesquisadora da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) na Central Única dos Trabalhadores (CUT), ressalta que essa forma de trabalho também prejudica a organização sindical:

"Ele não vai ter uma relação mais fixa e concreta com seu local de trabalho. É difícil formar vínculos de trabalho considerando esse tipo de contrato. Então, para o movimento sindical conseguir organizar esse tipo de trabalhador vai ser muito mais difícil".

Marcolino aponta que uma das maiores responsáveis pela aprovação da medida dentro da Reforma Trabalhista é, justamente, a indústria de Fast food, que já vem anunciando vagas intermitentes, como o caso do grupo Sá Cavalcante.

"Já está pipocando anúncios desse tipo. E é para o setor de Fast food, que mais jogou peso na aprovação do trabalho intermitente. Até chamavam a proposta de "proposta Mcdonald's", porque essa empresa sofreu processos por funcionários que trabalhavam nesse regime", afirmou.

O contrato intermitente não define uma carga horária mínima de trabalho. A lei determina que a empresa deve avisar os trabalhadores com pelo menos três dias de antecedência, por "qualquer meio de comunicação eficaz".

O trabalhador terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, se não, fica presumida a recusa da oferta. Caso o trabalhador não compareça ao trabalho, deverá pagar ao empregador uma multa de 50% da remuneração.

Procurada pela reportagem, a empresa Sá Cavalcante não retornou contato.

Edição: Vanessa Martina Silva


Memórias de Anita Prestes (+ vídeo)

Filha de Olga Benario lança livro sobre a mãe baseado em arquivo secreto da Gestapo

por  Liana Melo

#Colabora entrevista Anita Prestes, assista o vídeo clicando AQUI.


Anita posa ao lado do porta-retrato de Prestes e, ao fundo, quadro de Olga pintado por Portinari, feito com base em fotos publicadas em jornais. Foto de Yuri Fernandes.

A historiadora Anita Leocadia Prestes está escrevendo suas memórias. Aos 81 anos, ela cedeu à pressão dos companheiros mais próximos que insistiam no projeto. Antes que alguém pergunte, ela avisa que não será uma biografia política, como foi “Luiz Carlos Prestes – Um Comunista Brasileiro”, que lançou em 2015 e onde narrou os momentos-chaves da atuação política de seu pai. “Nas minhas memórias, vou falar sobre a minha família, minha avó, meus pais e minha chegada ao comunismo”.

Com a vida corrida, se equilibrando entre as aulas de História no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/ UFRJ) e as palestras sobre seu mais recente livro, “Olga Benario Prestes – Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo”, a filha de Prestes e Olga colocou no papel, até agora, seus primeiros 32 anos de vida. “Cheguei até 1968, mas ainda tem muito chão pela frente”.

Anita foi um “bebê famoso”, como costuma referir-se a si própria. Mas só  recentemente ficou sabendo de detalhes sobre seu nascimento, ocorrido na prisão feminina de Barnimstrasse, na Alemanha nazista, para onde sua mãe foi extraditada pelo governo de Getúlio Vargas, em 1936. O casal Olga e Prestes foi preso no Rio de Janeiro, então capital da República, e separado para nunca mais se encontrar.

A carta escrita por Olga, em 17 de dezembro daquele ano – vinte dias após o nascimento de Anita, em 27 de novembro –, anunciando ao marido a chegada da filha, só veio a ser lida, pela própria historiadora, dois anos atrás. É que a correspondência nunca chegou ao destinatário, porque foi censurada por ter sido redigida em francês – após escrevê-la, Olga foi informada de que todas as cartas precisavam ser escritas em alemão, assim como as que chegavam do exterior.

Anita teve conhecimento da carta em 2015, quando os arquivos da Gestapo, a polícia secreta do Terceiro Reich alemão, foram abertos para consulta pública. “A descoberta de novos documentos é sempre um acontecimento feliz para o historiador, pois lhe permite completar, aprofundar e corrigir os conhecimentos sobre o tema por ele pesquisado”, escreveu Anita em seu livro. Ela contratou uma equipe de sete professores para traduzir a documentação, a maioria em alemão.

Passado revisitado

São 2,5 milhões de folhas que integram 28 mil dossiês, divididos em 50 catálogos. Todo esse material foi apreendido pelo Exército Vermelho após a derrota da Alemanha, em 1945. Sua liberação foi possível após a parceria entre o Instituto Histórico Alemão em Moscou e a Fundação Max Weber. A digitalização completa de todo o acerto, conhecido como “documentos-troféus”, está prevista para ser concluída em 2018. “É um material precioso”, atesta Anita.

O acervo dos nazistas sobre Olga, intitulado “Processo Benario”, trata-se do mais extenso rol de documentos sobre uma única pessoa: oito dossiês contendo cerca de 2 mil documentos. “São 16 cartas inéditas”, conta, comentando que encontrou correspondência de Olga para Prestes, do seu pai, enviada do cárcere no Brasil, para sua mãe, no presídio alemão, além de outras redigidas para Leocadia e Lygia, sogra e cunhada respectivamente.

Ler as cartas trocadas entre Olga e Prestes dá uma dimensão humana ao relacionamento do casal revolucionário. A prisão não diminuiu a paixão entre os dois, que conviveram um ano, três meses e 22 dias, antes de serem presos. Um dos pesquisadores contratos por Anita, Robert Cohen, editor na Alemanha da correspondência de Olga, escreveu a propósito do pouco tempo de convivência do casal: “Pouco tempo, se diria. Mas qual seria o tempo ideal para o amor? A importância de uma relação não se mede por sua duração. Se quisermos saber alguma coisa sobre o amor entre duas pessoas, não devemos indagar o que as pessoas fazem do amor, mas sim o que o amor faz das pessoas. O que o amor fez de Olga Benario e Carlos Prestes descobrimos em suas cartas“.

A correspondência evidencia as diversas formas de censura impostas a sua mãe, antes dela ser assassinada numa câmara de gás no campo de concentração de Bernburg, em 1942 – a última carta escrita por Olga foi em 1941. Foi uma relação marcada por contradições. Se por um lado, Leocadia, a mãe de Prestes, e sua filha mais nova, Lygia, nunca puderam visitar Olga no cárcere, apesar de terem ido três vezes à Alemanha; por outro, permitiam a entrada de 20 quilos contendo alimentos e outros artigos, a cada duas semanas.

“Outras crianças que nasceram na prisão,não tiveram as regalias que eu tive. Fui privilegiada, graças a campanha”, lembra Anita, referindo-se a Campanha Prestes, liderada pela avó e a tia, que, após a prisão do filho e da nora, trocaram Moscou, onde viviam desde o começo dos anos 1930, por Paris, onde passou a funcionar o Comitê Prestes. “A pressão internacional para liberar Olga e Anita incomodava muito. Era a imagem do império alemão sendo denegrida pela imprensa marron”, comenta, referindo-se a sí própria na terceira pessoa. Por conta da pressão internacional, os nazistas tinham a preocupação em manter Anita bem alimentada e saudável durante o tempo em que ficou com a mãe no presídio.

A Gestapo justificava o extremo rigor dispensado a presa não tanto por ela ser judia, mas, sobretudo, por ser considerada uma “comunista perigosa”. Os algozes de Olga queriam saber sobre a Internacional Comunista (Cominterm) e o Partido Comunista Alemão. Queriam nomes. Seu obstinado silêncio era atacado com penosos castigos físicos e privações, que vieram à tona com a liberação dos documentos: “Ademais, solicito que lhe seja atribuída uma árdua carga de trabalho adicional“.  Inabalável em suas convicções, respondia que “se os outros se tornaram traidores, eu jamais o serei” – Anita usou a frase da mãe como epígrafe do seu livro.

Vamos falar sobre fascismo

A casa de Anita é recheada de memórias e registros históricos da trajetória de Prestes e de Olga: fotografias, bustos, quadros… É na sala do apartamento onde mora em Botafogo, que a historiadora tem o raro prazer de conviver simultaneamente com o pai, no porta-retrato sobre o móvel, e a mãe, eternizada no quadro por Portinari.

Entre as lembranças do passado e o envolvimento com a divulgação do livro sobre os arquivos da Gestapo, Anita ressalta que o exemplo de resistência de sua mãe não foi isolado. “Mesmo no campo de concentração nazista é possível resistir. Precisamos levar essa mensagem para os jovens. Modestamente, no que me cabe, eu procuro fazer isso. E tem havido muito interesse, especialmente dos universitários. Eles estão interessados na história da Olga e o que fazer hoje. Estamos praticamente num regime de exceção”.

Ela conta que sempre ouviu do “velho”, como se refere algumas vezes a Prestes, que Olga era uma “pessoa muito humana e solidária”. Soube através de pessoas que conheceram sua mãe, na prisão, durante sua primeira viagem a Alemanha, em 1961, que ela costumava organizar “círculos de leitura clandestinos”, quando lia Tolstói. Bastava a Gestapo descobrir para reprimir. Olga também chegou a confeccionar um “atlas para discutir o panorama da guerra” com outras presas. “Meu pai e eu sempre entendemos que Olga fora uma entre milhares de outras vítimas do fascismo e que seu martírio deveria servir de exemplo para que não se permita que tais horrores venham a se repetir”, escreveu Anita ao final do livro.

Filha de pais ricos, Olga era uma mulher culta. Conhecia profundamente as poesias de Schiller e de Goethe. Seu pai, Leo Benario, um advogado social democrata, era dono de uma biblioteca abastada. Era um homem progressista, ainda que nunca tenha sonhado em ver a filha abraçar o comunismo. Já a mãe, Eugenie Benario, de uma família de banqueiros, renegou a filha e nunca aceitou a opção política de Olga. Chegou a chamá-la de “fanática“, durante um interrogatório a que foi submetida pela polícia de Munique, onde morava.

Eugenie chegou mesmo a informar às autoridades policiais que não se dispunha a ajudar a filha e se recusou a assumir a guarda de Anita. Finalmente, no dia 21 de janeiro de 1938, com 14 meses de idade, o “bebê famoso” foi entregue pela Gestapo à avó paterna. Em poucos dias, Olga foi transferida para o campo de concentração. Chegava ao fim o período de regalias. Ela ainda pode pedir alguns livros e revistas para a sogra e a cunhada. Estava preocupada em manter seu conhecimento de português. Entre outros livros e revistas, chegaram à sede da Gestapo o romance Iracema, de José de Alencar, e a revista francesa L`Illustration. Ambos foram censurados:

“O romance Iracema – Lenda do Ceará, escrito em língua portuguesa, assim como a revista francesa L`Illustration, não devem de maneira alguma ser entregues à prisioneira Olga Benario. O livro português (sic) descreve a vida de luta de um combatente brasileiro pela liberdade e difama em grande medida a forma de governo ordeira. A revista L`Illustration traz um artigo muito hostil a respeito da anexação da Áustria pela Alemanha”.

A Gestapo vetou todas as possibilidade de Olga sair da Alemanha – o que foi permitido a outras presas – , apesar da oferta de asilo concedida pela Inglaterra, pelo México e por Moscou. Quando morreu, a mãe foi imediatamente informada. Afinal, até então era bem-vista. “Acredito ter a impressão de que a mãe de Benario se comportou sempre de modo adequado. Não tenho, por conta disso, qualquer objeção em informá-la da morte de sua filha“, dizia trecho de um dos documentos. A família Prestes foi solenemente ignorada e só soube do assassinato de Olga após o fim da guerra.

A mãe de Olga nunca imaginou que, após renegar a filha por ser comunista, teria o mesmo triste fim. Esqueceu que ser judia na Alemanha nazista era um pecado capital. Eugenia teve seus bens confiscados e foi enviada para o campo de concentração de Theresienstadt. O mesmo destino teve o filho mais velho dos Benario, Otto. Ambos morreram em 1943. Bertold Brecht traduziu com maestria as consequência trágicas que a falta de empatia pode gerar num regime de exceção:  “Primeiro levaram os negros/ Mas não me importei com isso/ Eu não era negro/ Em seguida levaram alguns operários/ Mas não me importei com isso/ Eu também não era operário/ Depois prenderam os miseráveis/ Mas não me importei com isso/ Porque eu não sou miserável/ Depois agarraram uns desempregados/ Mas como tenho meu emprego/ Também não me importei/ Agora estão me levando/ Mas já é tarde/ Como eu não me importei com ninguém/ Ninguém se importa comigo”.