terça-feira, 14 de junho de 2016

Matar por matar

Por Atilio A. Boron

En el imaginario colectivo de gran parte del mundo la sociedad norteamericana es la sociedad ideal. Según esa construcción más que ideológica mitológica, una verdadera proeza de la industria cultural de ese país, los Estados Unidos son una sociedad abierta, de intensa movilidad social, pletórica de derechos, igualitaria, amante de la paz, los derechos humanos, la justicia y la democracia. Una sociedad, además, que se ha arrogado una misión supuestamente encomendada por la Providencia para difundir por todo el mundo el mensaje mesiánico y salvífico que redimiría a la humanidad de sus pecados y sus miserias. Pero esa imagen nada tiene que ver con la realidad. Estados Unidos es una sociedad profundamente desigual, en donde el diferencial de ingresos y riquezas entre los más ricos y los más pobres asumió, en el último cuarto de siglo, ribetes escandalosos y jamás vistos en su historia. Una sociedad que a siglo y medio de la abolición de la esclavitud sigue estigmatizando y persiguiendo a los afroamericanos con una virulencia que, desde que uno de ellos, Barack Obama, asumió la presidencia de la república no hizo sino crecer. Hacía décadas que policías blancos no mataban a tantos negros en las calles de Estados Unidos. Una sociedad que presume de ser democrática cuando los más brillantes intelectuales de ese país no dudan en caracterizarla como una obscena plutocracia.

Pero sobre todo, Estados Unidos es una sociedad enferma, con una proporción de adictos a toda clase de drogas que no tiene parangón a escala mundial y que constituye el gran estímulo para el negocio del narcotráfico; y con una propensión al asesinato indiscriminado de niños en una escuela, de personas en un cine, de afroamericanos que concurren a su iglesia, de gente que acude a un shopping, de estudiantes que concurren a sus clases en la universidad o de gays que van a un bar con sus amigos y que, de repente, entra uno de estos psicópatas armados hasta los dientes y comienza a disparar sin ton ni son, al voleo, matando por matar. Y no son hechos aislados sino rasgos profundos y reiterativos de una patología social. Un reportaje de la BBC indica que en el año 2015 hubo en Estados Unidos 372 balaceras masivas, que mataron un total de 475 personas e hirieron a 1.870.

La de Orlando, el asesinato masivo más importante de la historia norteamericana, agrega 50 más a esa lista ominosa y 53 heridos, algunos de ellos de extrema gravedad. Un problema crónico que se retroalimenta con los crímenes interminables que la Casa Blanca perpetra sin pausa en Medio Oriente y Asia Meridional, lo que despierta en algunos un incontrolable deseo de venganza. Según el New York Times el atacante en bar de Orlando habría llamado al 911 de la Policía poco antes de efectuar su ataque y manifestó su lealtad el Estado Islámico. Testigos aseguran que antes de comenzar a disparar gritó “Alá es grande”, aunque hay que tener cuidado con estas informaciones.

Más allá de estas dudas, el matar por matar, o matar para vivir un momento de celebridad, como el cretino que acabó con la vida de John Lennon en Nueva York, o matar a cualquiera para vengar los crímenes de Estados Unidos en su cruzada contra el Islam (como parecería ser la motivación en este caso) se ha convertido en una constante histórica y un síntoma del nivel de locura que prevalece en una sociedad que pretende erigirse como el non plus ultra de nuestro tiempo cuando en realidad es una formación social afectada por una grave patología que, poco a poco, va destruyendo los fundamentos mismos de cualquier convivencia civilizada.

FUENTE: Página 12

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Para download: Manual de Organização de Arquivos Pessoais

O Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz acaba de lançar a versão online do seu Manual de Organização de Arquivos Pessoais que pode ser acessado no endereço abaixo:



Departamento de Arquivo e Documentação. Casa de Oswaldo Cruz. Fundação Oswaldo Cruz. Manual de organização de arquivos pessoais. – Rio de Janeiro: Fiocruz/COC, 2015.84 p.
1. Arquivologia. 2. Arquivos pessoais. 3. Organização e administração.

sábado, 11 de junho de 2016

Bibliófilo encontra versão inédita de poema de Fernando Pessoa

MAURÍCIO MEIRELES
COLUNISTA DA FOLHA

Pessoa, em 1929, em foto do livro 'Fernando Pessoa. Uma Fotobiografia', de Maria José de Lancastre

A crise econômica em Portugal, que começou em 2008, fez surgir nos alfarrabistas –os sebos lusitanos– raridades de um tempo perdido. Documentos e livros raros de colecionadores, quase sempre anônimos e precisando de dinheiro, brotaram da poeira dos séculos.

Quem pode faz a festa nessas horas. Foi o caso do bibliófilo e advogado brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho. No ano passado, ele recebeu a ligação de um alfarrabista português, que queria vender um "livro de autógrafos" com um manuscrito de Fernando Pessoa na última página.

Alfarrabista é bicho esperto, mas às vezes se engana. É verdade que nem Cavalcanti se deu conta, mas a poesia no caderno, que começa com "Cada palavra dita é a voz de um morto" –aparentemente conhecida–, é uma versão inédita de texto do qual até hoje só se conheciam rascunhos.

Um dos rascunhos do poema no acervo de Pessoa


Também é a única versão íntegra e clara do poema. Para se ter ideia, mesmo quem não é especialista na caligrafia de Pessoa –que escrevia garranchos, às vezes bêbado– consegue lê-la. Conclui-se, do documento, que o escritor registrou ali a versão final do texto. Nem o acervo do autor, guardado na Biblioteca Nacional de Portugal, tem a poesia.

O caderno ainda guarda uma história inusitada. Ele pertenceu a o intelectual português José Osório de Castro e Oliveira. Aos 13 anos, em 1913, viajando do Rio a Lisboa, ele pedia para os passageiros escreverem o que quisessem.

O navio König Wilhelm 2º, no qual estava Osório, era o mesmo em que Fernando Pessoa foi da África do Sul para Lisboa em 1901.

Jeca, como sua mãe lhe chamava, cresceu e continuou a usar o caderno. Em 1918, pediu a Pessoa para escrever algo –e ganhou o poema.

"Nem o dono do caderno nem o alfarrabista sabiam que o poema era inédito. Senão, teria custado três vezes mais", conta Cavalcanti, que não revela o valor pago. Antes disso, ele –que tem uma das maiores coleções privadas de Pessoa do mundo – já havia comprado a mesa e a escrivaninha do poeta por 95 mil euros (hoje R$ 365 mil).

O poema inédito encontrado agora
Nem o bibliófilo se deu conta do que tinha em mãos. Ele diz que foi depois de uma conversa com Richard Zenith, um dos principais estudiosos da obra pessoana no mundo, que resolveu checar.

A fonte de consulta nessas horas são as edições críticas com a obra de Pessoa que a Casa da Moeda lusitana tem publicado nas últimas décadas. Quem olha o volume organizado por João Dionísio, em 2005, com poemas de 1915 a 1920, pode atestar que a versão no documento é inédita –e sem lacunas, como as conhecidas até hoje.

Por via das dúvidas, a Folha pediu a Jerónimo Pizarro, pesquisador da Universidade de Los Andes, na Colômbia, e líder de uma nova geração de estudiosos da obra do poeta, para avaliar uma imagem do documento.

"É a caligrafia de Pessoa sim. Ele devia ter dois ou três rascunhos e, como tinha que deixar uma lembrança nesse caderno, pegou os papéis e registrou uma versão mais limpa. A descoberta esclarece muito a situação do poema", afirma Pizarro.

*

O poema

Cada palavra dita é a voz de um morto.
Aniquilou-se quem se não velou
Quem na voz, não em si, viveu absorto.
Se ser Homem é pouco, e grande só
Em dar voz ao valor das nossas penas
E ao que de sonho e nosso fica em nós
Do universo que por nós roçou
Se é maior ser um Deus, que diz apenas
Com a vida o que o Homem com a voz:
Maior ainda é ser como o Destino
Que tem o silêncio por seu hino
E cuja face nunca se mostrou.


A primeira página do caderno de autógrafos do colecionador José Paulo Cavalcanti

Coleção Biblioteca Básica Brasileira (BBB)

Estão disponíveis no acervo online 50 títulos. O download é livre, bastando cadastrar-se no site. Com tiragem de 100 mil exemplares, a BBB está sendo distribuída gratuitamente para escolas, instituições de ensino e pesquisa e bibliotecas públicas interessadas em tê-la como parte integrante de seu acervo.

Link da coleção Biblioteca Básica Brasileira:

Apresentação
Coleção Biblioteca Básica Brasileira – Cultive um Livro

O projeto editorial Coleção Biblioteca Básica Brasileira – BBB foi formulado em 1962, quando Darcy Ribeiro tornou-se o primeiro Reitor da Universidade de Brasília – UnB.

Darcy reuniu um brilhante grupo de intelectuais e professores para juntos, criarem o que seria a universidade do futuro. Era o sonho de uma geração que confiava em si, que reivindicava – como Darcy fez ao longo da vida – o direito de tomar o destino do Brasil em suas mãos. Dessa entrega generosa nasceu a Universidade de Brasília e, com ela, muitos outros sonhos e projetos, como a BBB.

Em 1963, quando ministro da Educação, Darcy Ribeiro viabilizou a publicação dos primeiros 10 volumes da BBB, com tiragem de 15.000 exemplares, totalizando 150 mil livros.

A proposta previa a publicação de nove outras edições com 10 volumes cada, compondo, ao final, uma Coleção de 100 títulos da Biblioteca Básica Brasileira. A continuidade do programa de edições pela UnB foi inviabilizada devido à truculência política do regime militar.

Com a missão de manter vivos o pensamento e a obra de seu instituidor e, sobretudo, comprometida em viabilizar os seus projetos, a Fundação Darcy Ribeiro retomou a proposta e a atualizou, configurando assim, uma nova BBB.

O projeto prevê uma coleção composta de 150 títulos.

Os primeiros 50 volumes foram viabilizados por meio da Lei de Inventivo à Cultura – Lei Rouanet e conta com o patrocínio dos Correios e da Petrobras e participação da Fundação Biblioteca Nacional e da Editora Universidade de Brasília. Com tiragem de duas mil coleções, a BBB está sendo distribuída gratuitamente para escolas, instituições de ensino e pesquisa e bibliotecas públicas interessadas em receber a coleção e integra-la ao seu acervo.

A Biblioteca Básica Brasileira foi concebida com o objetivo de proporcionar ao povo brasileiro um conhecimento mais profundo acerca de sua história e cultura, um instrumento para apresentar o Brasil aos brasileiros.

A Coleção tem como base os temas gerais definidos por Darcy Ribeiro: O Brasil e os brasileiros; Os cronistas da edificação; Cultura popular e cultura erudita; Estudos brasileiros e Criação literária. Reúne obras literárias e também científicas produzidas no Brasil e sobre o Brasil a partir do século XVI. Dentre os autores destacamos Hans Staden, que apresenta a primeira obra publicada sobre o Brasil em 1564, Manuel Bonfim, Alcantara Machado, Euclides da Cunha, Joaquim Nabuco, Silvio Romero, Visconde de Taunay, Rui Barbosa, Capistrano de Abreu, Lima Barreto, entre outros.

Paulo de F. Ribeiro

Presidente da Fundar



Documento histórico: Saudação à Anita Prestes em nome das crianças brasileiras (1945)

Carta escrita por Leonardo Grabois, quando ele tinha dez anos de idade. Ele a leu para Anita Prestes em nome das crianças do Brasil, quando ela chegou aqui pela primeira vez, aos 9 anos de idade, acompanhada de sua tia Lygia Prestes. Anita e sua tia Lygia foram recebidas por Luiz Carlos Prestes e uma multidão de pessoas no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 1945, provenientes do exílio no México. Foi o primeiro encontro de Prestes com a filha, nascida numa prisão da Alemanha nazista, em 27 de novembro de 1936.

Leia a seguir a carta redigida por Leonardo Grabois e lida por ele para Anita em nome das crianças brasileiras.



Acesse o site do Instituto Luiz Carlos Prestes, clicando no link abaixo:
http://www.ilcp.org.br/prestes/


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Para download: biografia de Rosa Luxemburgo

Link para download:
https://mega.nz/#!sEwXQTgI!OuMKsGe_xc2h5c0hTUAac1w-IYjUo2GVJhk46B75PXw
Dica: clique em "Baixar através do seu navegador"

J.P. Nettl, Rosa Luxemburgo, México: Ediciones Era, 1974. 622 p.
Originalmente publicada em inglês em dois volumes pela Oxford University Press, 1966.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Saiu a Crítica Marxista 42

A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma "imensa coleção de mercadorias", e a mercadoria individual como sua forma elementar.
Marx, O Capital.

Para adquirir a revista clique em http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/ e acesse também às edições anteriores de Crítica Marxista.



Sumário

ARTIGOS

Marxismo analítico e classes sociais 
Fabien Tarrit

Gramsci e a democracia nos Cadernos do cárcere: a crítica à teoria das elites 
Luciana Aliaga

A crítica ao duplo revisionismo nos Cadernos do cárcere
Anita Helena Schlesener

Apresentação: Marxismo e cultura política
Danilo Enrico Martuscelli

A cultura cívica de uma perspectiva marxista-sociológica
Jerzy J. Wiatr

Sodré e a dialética da formação social brasileira 
Marcos Del Roio

COMENTÁRIOS

Heidegger “inocente”: um exorcismo da esquerda pós-moderna 
Stefano G. Azzarà

“Viagem ao coração das trevas” do capitalismo
Anselm Jappe

DOCUMENTO

Apresentação 
Marco Vanzulli

Sobre o uso capitalista das máquinas no neocapitalismo 
Raniero Panzieri

DOSSIÊ A crise política no Brasil

Apresentação

Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? .
Valerio Arcary

A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia
Armando Boito Jr.

Brasil: variáveis estratégicas
Valter Pomar

Avanços, contradições e limites dos governos petistas 
Alfredo Saad Filho

Contribuição para entender a crise atual no Brasil
Jorge Almeida

RESENHAS

O outro Ocidente: sete ensaios sobre a filosofia da libertação, com um Prólogo
de Enrique Dussel [Antonino Infranca]
Marco Vanzulli

O Estado no centro da mundialização: a sociedade civil e o tema do poder
[Jaime Osorio]
Maíra Machado Bichir

Aço vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial
[João Cláudio Platenik Pitillo]
Augusto César Buonicore

Darwinisme et marxisme [Patrick Tort e Anton Pannekoek]
Breno Viotto Pedrosa

Rosa Luxemburgo ou o preço da liberdade [Jörn Schütrumpf (org.)]
Thiago Fernandes Franco

Riqueza e miséria do trabalho no Brasil III [Ricardo Antunes (org.)]
Edilson José Graciolli

Sem maquiagem: o trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos
[Ludmila Costhek Abílio]
Thaís Lapa

Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas,
1917-1936 [Wendy Goldman]
Joana El-Jaick Andrade
--
Tatiana Berringer
Professora de Relações Internacionais da UFABC


Festa Literária em Duque de Caxias



domingo, 5 de junho de 2016

Los nuevos miedos

Por Ignacio Ramonet* - 

El susto ha sido grande. Y aunque finalmente, el pasado 22 de mayo, en Austria, Norbert Hofer, el candidato de la extrema derecha, no fue elegido (por un pelín... [1]) presidente de la República, cabe preguntarse qué miedos están sintiendo los austríacos para que el 49,7% de ellos haya optado por votar a un neofascista.

“En la historia de las sociedades –explica el historiador francés Jean Delumeau–, los miedos van cambiando, pero el miedo permanece”. Hasta el siglo XX, las grandes desgracias de los seres humanos eran causadas principalmente por la naturaleza, el hambre, el frío, los terremotos, las inundaciones, los incendios, la escasez de alimentos, y por pandemias epidémicas como la peste, el cólera, la tuberculosis, la sífilis, etc. Antaño, el ser humano vivía expuesto a un entorno siempre amenazante. Las desgracias le acechaban incesantemente…

La primera mitad del siglo XX estuvo marcada por el terror de las grandes guerras, las de 1914-1918, de 1936-1939 y de 1939-1945. La muerte a escala industrial, los éxodos bíblicos, las destrucciones masivas, las persecuciones, los campos de exterminio... Tras la Segunda Guerra Mundial y la destrucción atómica de Hirosima y Nagasaki en 1945, el mundo vivió bajo la preocupación constante por el apocalipsis nuclear. Pero este miedo fue extinguiéndose poco a poco con el final de la Guerra Fría en 1989 y tras la firma de tratados internacionales que prohíben y limitan la proliferación nuclear.

Sin embargo, la existencia de estos tratados no ha hecho desaparecer los riesgos. La explosión de la central nuclear de Chernóbil, en particular, reavivó el terror nuclear. Más recientemente también tuvo lugar el accidente de Fukushima, en Japón. La opinión pública, estupefacta, descubrió entonces que incluso en un país conocido por su alta tecnología como es Japón se trasgredían principios básicos relativos a la seguridad, poniendo así en peligro la salud y la vida de cientos de miles de personas.

Los historiadores de las mentalidades se preguntarán algún día por los miedos de nuestra década (2010-2020). Descubrirán que, a excepción del terrorismo yihadista que continúa golpeando a las sociedades occidentales, los nuevos miedos son más bien de carácter económico y social (desempleo, precariedades, despidos masivos, desahucios, nuevas pobrezas, inmigración, desastres bursátiles, deflación), así como de naturaleza sanitaria (virus del Ébola, fiebres hemorrágicas, gripe aviar, chikungunya, zika) o ecológica (desajustes climáticos, transformaciones profundas del medio ambiente, mega-incendios incontrolados, contaminaciones, poluciones del aire). Éstos conciernen de la misma manera tanto al ámbito colectivo como al ámbito privado.

En este contexto general, las sociedades europeas se encuentran especialmente conmocionadas, sometidas a seísmos y a traumatismos de gran violencia. La crisis financiera, el desempleo masivo, el final de la soberanía nacional, la desaparición de las fronteras, el multiculturalismo y el desmantelamiento del Estado de Bienestar provocan, en el espíritu de muchos europeos, una pérdida de referencias y de identidad.

Una encuesta reciente, llevada a cabo en los siete principales países de la Unión Europea por el Observatorio Europeo de Riesgos, constata que el 32% de los europeos tienen mucho más miedo hoy de atravesar dificultades financieras que hace cinco años; el 29% tienen más miedo de caer en la precariedad; y el 31%, de perder su empleo. En España, la pobreza ha aumentado de “manera alarmante” en los últimos años, con 13,4 millones de personas –esto es, el 28,6% de la población– en riesgo de exclusión y de recaída en la miseria... Porque estos temores hacen nacer un sentimiento de desclasamiento: el 50% de los europeos tienen la sensación de encontrarse en regresión social con respecto a sus padres.

Así pues, los nuevos miedos están muy presentes hoy en Europa. La crisis actual bien pudiera marcar el punto final del poderío europeo en el mundo. Tras la llegada masiva de cientos de miles de migrantes provenientes de Oriente Próximo (Siria, Irak) durante estos últimos meses, el miedo a la “invasión extranjera” ha aumentado. Se extiende la sensación de estar amenazado por fuerzas externas que los Gobiernos europeos ya no controlarían, como el auge del islam, la explosión demográfica del Sur y las transformaciones socioculturales que difuminarían su identidad. Y todo esto se produce en un contexto de crisis moral grave en el que se multiplican los casos de corrupción y en el que la mayoría de los que gobiernan, muy impopulares, ven cómo se desmorona su legitimidad. En toda Europa, estos miedos y esta “podredumbre” son explotados por la extrema derecha con fines electorales. Como lo demostró la victoria, el pasado 25 de abril, de la extrema derecha en la primera vuelta de las elecciones legislativas en Austria. En donde, además, se produjo el derrumbe histórico de los dos grandes partidos tradicionales (el SPÖ, socialdemócrata, y el ÖVP, democristiano) que habían gobernado el país desde 1945.

Ante la brutalidad y el carácter repentino de tantos cambios, las incertidumbres se acumulan para muchos ciudadanos. Les parece que el mundo se vuelve opaco y que la historia escapa a cualquier tipo de control. Numerosos europeos se sienten abandonados por sus gobernantes, tanto de derechas como de izquierdas, los cuales, además, son descritos sin cesar por los grandes medios de comunicación como especuladores, tramposos, mentirosos, cínicos, ladrones y corruptos. Perdidos en el centro de semejante torbellino, muchos ciudadanos comienzan entonces a entrar en pánico y les invade el sentimiento, tal y como decía Tocqueville, de que, “puesto que el pasado ha dejado de aclarar el futuro, la mente camina entre las tinieblas”...

En este caldo de cultivo social –compuesto por miedos, por amenazas sobre el empleo, por desarraigo identitario y por resentimiento– vuelven a aparecer los viejos demagogos. Aquellos que, sobre la base de argumentos nacionalistas, rechazan al extranjero, al musulmán, al judío, al romaní o al negro, y denuncian los nuevos desórdenes y las nuevas inseguridades. Los inmigrantes constituyen los chivos expiatorios ideales, y los objetivos más fáciles porque simbolizan las profundas transformaciones sociales y representan, a ojos de los europeos más modestos, una competencia indeseable en el mercado laboral.

La extrema derecha siempre ha sido xenófoba. Pretende paliar las crisis designando a un único culpable: el extranjero. Esta actitud se ve fomentada en la actualidad por las contorsiones de partidos democráticos reducidos a preguntarse por la importancia de la dosis de xenofobia que pueden incluir en su propio discurso.

Con la reciente ola de atentados odiosos en París y en Bruselas, el miedo al islam se ha reforzado aún más. Cabe recordar por ejemplo que hay entre 5 y 6 millones de musulmanes en Francia, el país que cuenta con la comunidad islámica más importante de Europa. Y alrededor de 4 millones de musulmanes en Alemania. Según una encuesta reciente del diario francés Le Monde, el 42% de los franceses considera a los musulmanes “más bien como una amenaza”. El 40% de los alemanes piensan lo mismo. En estos dos países, una mayoría de la población considera que los musulmanes no están integrados en sus sociedades de acogida. El 75% de los alemanes estima que no están “en absoluto” integrados o que “apenas lo están”; y el 68% de los franceses piensan de la misma manera.

Hace unos meses, la canciller alemana Angela Merkel –que luego acogió en su país a más de 800.000 migrantes solicitantes de asilo en 2015– afirmaba que el modelo multicultural según el cual convivirían en armonía diferentes culturas había “fracasado por completo”. Y un panfleto islamófobo escrito por un ex dirigente del Banco Central alemán, Thilo Sarrazin, que denunciaba la falta de voluntad de los inmigrantes musulmanes para integrarse, ha sido un éxito rotundo en las librerías alemanas, y se han vendido nada menos que 1,25 millones de ejemplares.

Un número cada vez mayor de europeos hablan del islam como de un “peligro verde”, a la manera en la que antaño se imaginaban los avances de China hablando del “peligro amarillo”. La xenofobia y el racismo están aumentando en toda Europa. A esto contribuye sin duda el hecho de que algunos musulmanes de Europa están lejos de ser irreprochables. Especialmente –en un momento en el que los medios de comunicación evocan la brutalidad de la Organización del Estado Islámico (OEI), o Daesh, en Irak y en Siria– los activistas islamistas, que aprovechan el clima de libertad que reina en los países europeos para desplegar un proselitismo salafista. Predican el adoctrinamiento de sus correligionarios o de jóvenes cristianos conversos. Los más extremistas han participado en la reciente ola terrorista en Francia y Bélgica.

En el ámbito político, son numerosos los discursos dramáticos que despiertan la preocupación y la angustia de los electores. Durante las campañas electorales, es común encontrar discursos que recurren al instinto de protección de los individuos. Se apela al miedo de forma habitual. Se trata de una manipulación. Y, en la utilización de este sentimiento, los populistas de derechas –en el contexto actual de crisis social– se han convertido en expertos. No solo en Austria. En Francia, por ejemplo, no hay ni un discurso del Frente Nacional y de su dirigente, Marine Le Pen, en el que no se mencione el miedo. Le Pen evoca de forma constante las “amenazas” que se cernerían sobre la seguridad física y sobre el bienestar de los ciudadanos. Y presenta a su partido, el Frente Nacional, como un “escudo protector” frente a estos “peligros”.

En todos sus documentos, el Partido de la Libertad de Austria (FPÖ por sus siglas en alemán) y su líder Norbert Hofer insisten en la persistencia de un pasado idealizado y una identidad que hay que preservar. Promueven el miedo mencionando regularmente a un “enemigo exterior”: el islam, contra el cual la “nación austríaca” tiene que actuar como un bloque. Denuncian al Otro, al extranjero, como un peligro para la cohesión de la comunidad nacional. En todos los discursos populistas de derechas se encuentra este miedo al Otro que, obligatoriamente, es el enemigo. Se rechaza al Otro porque no comparte los valores de la “Patria eterna”.

En sus discursos, los líderes de las nuevas extremas derechas también atacan a la Unión Europea (UE). La acusan de todos los males, sobre todo de “poner en peligro” a los Estados-nación y a sus pueblos. La UE se designa como culpable de la fragmentación de las naciones. Al mencionar “las tinieblas de Europa”, Norbert Hofer sumerge a sus oyentes en la inquietud. Porque, en la cultura occidental y cristiana, las “tinieblas” designan por lo general la nada y la muerte. Así pues, el FPÖ se presenta como un partido “salvador”, aquel que conseguirá llevar a la nación austríaca hacia la luz.

La mayoría de los populistas de derechas en Europa, actualmente, proceden a una amplificación de los peligros y a una dramatización de los peligros. Sus discursos sólo proponen ilusiones. Pero en un periodo de dudas, de crisis, de angustia y de nuevos miedos como el actual, sus palabras consiguen captar mejor a un electorado desconcertado y presa de pánico.

Nota
(1) Tras el recuento de 900.000 sufragios por correo, el candidato ecologista Alexander Van der Bellen, catedrático emérito de Economía, de 72 años, resultó elegido nuevo Presidente de Austria con un 50,3% de los votos frente al 49,7% del aspirante ultraderechista, Norbert Hofer, quien había resultado vencedor de la primera vuelta con el 35% de los sufragios.

*Periodista español. Presidente del Consejo de Administración y director de la redacción de “Le Monde Diplomatique” en español. Editorial Nº: 248   Junio  2016


Para download: "Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias"

A especificidade desta coletânea reside na abordagem historicizante e crítica tanto das diretrizes oficiais para a formação de professores como das teorias pedagógicas e respectivas propostas metodológicas nesse terreno. 

O público ao qual se destina esta coletânea são alunos de pedagogia e demais licenciaturas, alunos de mestrado e doutorado em educação, pesquisadores da área educacional e professores atuantes nos diversos níveis da educação escolar. 

MARTINS, Lígia Márcia; DUARTE, Newton (Org.). Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 192 p.

Link para download: 

Sumário 

Apresentação  

O legado do século XX para a formação de professores
Lígia Márcia Martins

O debate contemporâneo das teorias pedagógicas
Newton Duarte

Construtivismo, pós-modernidade e decadência ideológica
José Luis Derisso

Os conceitos de atividade e necessidade para a Escola Nova e suas implicações para a formação de professores
Afonso Mancuso de Mesquita

Alienação e emancipação na transmissão do conhecimento escolar: um esboço preliminar
Mauro Sala

Relações entre o desenvolvimento infantil e o planejamento de ensino
Ana Carolina Galvão Marsiglia

A arte e a formação humana: implicações para o ensino de literatura
Nathalia Botura de Paula Ferreira

O trabalho do professor e a alfabetização: uma análise dos ideários educacionais
Fatima Aparecida de Souza Francioli

O papel do professor e do ensino na Educação Infantil: a perspectiva de Vigotski, Leontiev e Elkonin
Juliana Campregher Pasqualini


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Livro "O Português Afro-Brasileiro" para download gratuito.

Baixe aqui: 

O português afro-brasileiro / Dante Lucchesi, Alan Baxter, Ilza Ribeiro (Organizadores). - Salvador : EDUFBA, 2009.

As análises que compõem o livro buscam individualizar os padrões de fala vernácula observados nas comunidades rurais afro-brasileiras isoladas como uma variedade específica no universo sociolinguístico do Brasil. A denominação português afro-brasileiro ganha sentido quando se identificam as características linguísticas e os traços sócio-históricos que particularizam tal variedade, mesmo no cenário já marcado da norma popular brasileira. Que características linguísticas destacam as comunidades afro-brasileiras isoladas do conjunto das comunidades de fala popular do interior do país? Que particularidades sócio-históricas possibilitaram a emergência de tais propriedades individualizadoras? Tais propriedades permitem vislumbrar processos pretéritos e localizados de crioulização do português no Brasil? Em que medida tais processos de variação e mudança induzidos pelo contato se espraiaram para o conjunto de variedades que vieram a conformar o português brasileiro como uma variedade linguística notavelmente distinta do português europeu? E atualmente, como se comportam essas comunidades de fala no bojo dos processos sociolinguísticos em curso no interior do país? Essas são as principais questões abordadas no livro.

A culpa é do PT? Livro busca explicar atual “onda conservadora” no Brasil

Por Rodrigo Casarin, no blog Página Cinco

Deus sendo invocado como justificativa para que deputados e senadores tomem suas decisões, torturador tratado como ídolo, questões como a legalização do aborto e descriminalização da maconha sendo colocadas para escanteio, fim do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos… Não há dúvidas que o Brasil vive um momento no qual o conservadorismo com requintes de retrocesso social avança consideravelmente no cenário político. Para analisar esse nosso tempo que o doutor em História Felipe Demier e a doutoranda também em História Rejane Hoeveler organizaram a antologia “A Onda Conservadora”, que reúne 20 ensaios com olhar de esquerda sobre a questão. Assinam os textos nomes como Guilherme Boulos, psicanalista e coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, e Eduardo Tomazine, mestre em Ciência Política pela Universidade de Paris.

“Junho [de 2013] teve outra vertente, que deixou rescaldos mais marcantes. A direita saiu do armário. Passou a adotar abertamente um discurso mais ousado e raivoso. Os velhinhos do Clube Militar tiraram a poeira das fardas para defender uma reedição de 1964. Homofóbicos, racistas e elitistas passaram a falar sem puderes de suas convicções. Isso tudo se sintetizou num antipetismo feroz que correu o país”, escreve, por exemplo, Boulos em seu artigo.

Em entrevista ao UOL, Rejane explica que “tal onda se formou como resposta ao governo Lula, embora esse mesmo tenha se constituído em uma experiência governamental conservadora, já que muito players do conservadorismo emergente fizeram parte da base de sustentação do Lulismo”. Como uma espécie de efeito colateral do governo então vigente, campanhas presidenciais da oposição começaram a adotar um tom até mesmo reacionário, o que culminou, em 2014, com a eleição de um congresso reconhecidamente conservador. “O espetáculo grotesco da votação do impeachment só assustou quem não estava realmente acompanhando o nível da tragédia em que estamos enfiados”, pontua Rejane.

O PT, por sua vez, perdeu apoio popular por conta das políticas econômicas adotadas por Dilma, principalmente o ajuste fiscal, diz a doutoranda. “Isso acabou possibilitando que a audiência para um conjunto de ideias esdrúxulas ganhasse corações e mentes de um setor popular [dos trabalhadores] que havia garantido todas as vitórias eleitorais do PT desde 2006. Como a oposição de esquerda ao Lulopetismo é muito frágil, infelizmente, quem ganhou terreno foi a direita”.

Por que o conservadorismo deve ser encarado como um problema, algo negativo?
Porque as ideologias políticas não são equidistantes. A vida social não é um supermercado onde as alternativas políticas encontram-se igualmente à disposição dos sujeitos sociais. O conservadorismo em tela tem consequências concretas na restrição da vida democrática, com uma agenda de retirada de direitos historicamente conquistados, de ataques aos poucos avanços conquistados nos últimos anos no que diz respeito a esses direitos, de obscurantismo em relação à produção do conhecimento (e daí serem as universidades um dos focos de ataque desse conservadorismo, que apresenta além da agenda de privatização também a agenda de restrição à produção do conhecimento crítico), que nega a existência dos problemas ambientais etc. Deste modo, o conservadorismo em ascensão é uma ameaça à democracia.

Quanto o PT, que está no poder desde 2003, é responsável por esse avanço do conservadorismo?
Parte do avanço conservador foi resultado do governo petista. Uma espécie de “bebê de Rosemary” resultante do pacto estabelecido entre o PT com eminências pardas do conservadorismo político. O que ocorre agora é que esses últimos romperam com o PT, se reconciliaram com a oposição de direita (dirigida pelo PSDB) e conduziram a derrubada do governo Dilma. Foi a estratégia política de conciliação que construiu a atual derrota.

Hoje é comum vermos funcionários do mesmo lado de patrões, muitas vezes lutando por direitos do empregador. Por que isso ocorre? Não há mais luta de classes? Ou ela hoje acontece de maneira diferente?
Isso sempre aconteceu. Chama-se ideologia. Trabalhadores que acreditam que pensando igual aos patrões irão um dia “chegar lá’’, ou acreditam nisso mesmo sem essa perspectiva. Isso não é de hoje e existe desde que o capitalismo é capitalismo. E ao mesmo tempo em que parcela considerável dos trabalhadores optam pelo conservadorismo, as lutas de classes continuam a ocorrer.

Por exemplo, entre importantes categorias que protagonizaram greves no último período encontraremos tanto trabalhadores conservadores que não participam dessas mobilizações, quanto aqueles que mesmo participando não vêm imediatamente contradição entre suas posições políticas de direita e suas necessidades objetivas. É claro que nestas lutas a consciência dos trabalhadores avança e não é também incomum que dessas experiências se forjem novas gerações de militantes sociais de esquerda.

“A Onda Conservadora” é uma obra com textos baseados em um pensamento esquerdista. Existe algum projeto de esquerda viável, principalmente em termos econômicos, hoje em dia?
O livro “A Onda Conservadora”é uma obra crítica feita por autores de esquerda. Não pretende ser uma análise isenta, até porque tal coisa não existe. Quanto a existir um “projeto viável de esquerda, principalmente em termos econômicos”, bom, não existe. Mas também não existe nada propriamente viável socialmente promovido pelas direitas. No plano internacional não faltam exemplos de desastres sociais provocados pelas políticas de ajuste fiscal e de pagamento religioso da dívida pública. Acho que a pergunta deveria ser, o capitalismo, como provocador de desastres sociais e ambientais, é um sistema viável? Está cada vez mais claro que não. É hora de reconstruir o projeto de esquerda, aprendendo com os erros e os acertos das experiências do século 20 e nesse início de século 21.

“Mais valia”, “patrão”, “proletariado”, a própria “luta de classes” que citei… O discurso da esquerda não está datado demais? Essas palavras não estão esteticamente desgastadas e caricaturadas, independente do sentido que ainda possam ter?
Enquanto houver capitalismo, conceitos como mais-valia (ou mais-valor, numa tradução mais correta), patrão, proletariado e luta de classes continuarão a ser ferramentas válidas. Hoje o volume de pessoas subordinadas à lógica de valorização do valor, trabalhando em condições cada vez mais precárias e que perdem suas vidas no trabalho para produzir uma riqueza apropriada por poucos é uma realidade tangível. Porque então vamos abrir mão dessas categorias pelo fato delas serem antigas, e daí o argumento de que seriam “datadas”? O capitalismo tem, pelo menos, uns quatrocentos anos de vigência no mundo e ninguém anda escrevendo nos grandes jornalões que “o capitalismo está datado”, exceto os socialistas convictos que eventualmente conseguem um espaço na grande imprensa.

Aliás, não é de hoje que as categorias de patrão x trabalhador, luta de classes etc. são tidas como “datadas”. Esse é, ao contrário, um discurso muito velho e encharcado de ideologia, e um discurso com um enunciador que não é nada ingênuo. Afinal, para os donos do capital é um discurso belíssimo. Por outro lado, quando os trabalhadores compram esse discurso, ficam desarmados e eventualmente não vão considerar um grande problema acreditar nas palavras de qualquer publicista de quinta categoria, num videozinho no Youtube, no pastor ou em qualquer meme compartilhado em redes de Whatsapp.

PARA DOWNLOAD: DITADURA, MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA E UNIVERSIDADE

Está disponível, em versão eBook, o livro: "Ditadura, modernização conservadora e universidade: debates sobre um projeto de país"(Goiânia: Editora UFG, 2015), organizado por Marcelo Mari e Priscila Rossinetti Rufinoni.

LINK PARA DOWNLOAD:


Os relatos e memórias organizados neste livro Ditadura, modernização conservadora e universidade: debates sobre um projeto de país vão para além dos fatos ocorridos na capital e na Universidade de Brasília. Os textos que compõem os capítulos deste livro nos levam a uma amplitude maior, contextualizando o momento histórico por que passamos e os desdobramentos que ainda vivemos.








terça-feira, 31 de maio de 2016

Hiroshima mon amour

La muerte no cayó del cielo, cayó del bombardero estadounidense Enola Gay

El presidente de Estados Unidos, Barack Obama, inició este viernes [27/05/2016] una visita a la localidad japonesa de Hiroshima, tras el trágico bombardeo atómico de EE.UU. e inició su discurso declarando que "Hace 71 años, la muerte cayó del cielo" . El jefe de Estado norteamericano dijo "Estamos aquí tratando de imaginar el momento en el que cayó la bomba...Las víctimas estadounidenses y japonesas son iguales", afirmó el mandatario a pesar de que su país no ha sido víctima de un ataque nuclear. Y, como estaba anunciado, Barack Obama no pidió perdón.


La mañana del 6 de agosto de 1945, el bombardero estadounidense Enola Gay lanzó sobre Hiroshima la primera bomba atómica utilizada en combate con la supuesta intención de dar por concluida la Segunda Guerra Mundial, 210 mil japoneses murieron por el fuego nuclear. 






segunda-feira, 30 de maio de 2016

Assista ao clip da música “Século de Ferro e Flor”, em homenagem ao líder revolucionário Gregório Bezerra

Da banda de punk rock Subversivos. Música "Século de Ferro e Flor", faixa que dá o nome ao álbum lançado em 2010.

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ASSISTIR AO CLIP

LEIA CLICANDO NO TÍTULO A SEGUIR: "Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil", apresentação do livro Memórias (Boitempo, 2011), autobiografia do revolucionário comunista Gregório Bezerra, feita pela historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes.



Estudo analisa discursos sobre a realidade cubana

Pesquisa tem como referência modelo econômico adotado pelo país em três diferentes momentos

Por Luiz Sugimoto no jornal da UNICAMP


“Os Estados Unidos diziam o que era Cuba antes da Revolução, diziam o que era Cuba com o triunfo da Revolução e dizem o que está sendo Cuba agora, quando a ilha promove atualizações em seu modelo econômico. É uma recolonização discursiva”, afirma a jornalista Amanda Cotrim, autora de dissertação de mestrado em que analisou os discursos construídos sobre Cuba por jornais estrangeiros (inclusive um brasileiro) e também pelos próprios cidadãos cubanos. Intitulada “Os discursos sobre Cuba: imprensa, vozes e memória (da atualização do modelo econômico à retomada das relações diplomáticas com os EUA: 2011/2015)”, a dissertação foi orientada pela professora Maria Graça Caldas e apresentada junto ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) e ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). 

Amanda Cotrim avaliou, na perspectiva da análise de discurso materialista, com referência em Michel Pêcheux e Eni Orlandi, como os jornais The New York Times (EUA), El País (Espanha), Granma (Cuba) e O Estado de S. Paulo (Brasil) constroem saberes sobre Cuba, além de entrevistar um grupo de moradores para observar os sentidos da Ilha para esses cubanos. A autora adotou como referência a atualização do modelo econômico do país, em três momentos específicos: a II Celac (Cúpula de Estados Latino-americanos e Caribenhos), em janeiro de 2014; o reatamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, em dezembro de 2014; e a primeira reunião diplomática entre Cuba e EUA, que aconteceu em Havana em janeiro de 2015.

 A jornalista esclarece que no trabalho considera-se a ideologia como um fato de linguagem, sendo no discurso, portanto, que se consegue identificá-la. Segundo ela, a mídia participa da produção discursiva e, desse modo, organiza certo imaginário. “Quando pensamos em Cuba, esse imaginário geralmente é polarizado: ou o país é idealizado ou é demonizado. A metodologia utilizada visa analisar a produção dos sentidos, levando em consideração as condições em que os discursos foram produzidos (quem fala, como fala), além de aspectos históricos, ideológicos e cotidianos. Quis saber por que o jornalista falou de um jeito e não de outro e quais os efeitos de sentidos que o seu texto produziu. Para dizer que Cuba é uma ‘ditadura’, o jornal não precisa usar esta palavra; ele diz que no país ‘não existe democracia’, ou que ali ‘falta liberdade política’, ou só ouve a oposição.” 

 Procurando entender a construção deste imaginário, Amanda Cotrin pesquisou os arquivos dos jornais e recuperou aspectos importantes, como no período entre o começo da guerrilha cubana em 1957 até o triunfo da Revolução em 1959. “São dois anos em que os guerrilheiros descem de Sierra Maestra em colunas e vão tomando as principais cidades: vitórias bastante noticiadas no exterior, principalmente pelo The New York Times, que tratava Fidel Castro e seus guerrilheiros como heróis. Do ponto de vista discursivo, o líder cubano torna-se uma figura muito forte – ‘Tropas de Castro avançam’, ‘Fidel ganha Havana’. Porém, ao se dizer que a Revolução é obra de Fidel, outros aspectos desse acontecimento, como a conjuntura favorável e sobretudo o apoio da população cubana, foram silenciados. Não por acaso, ainda hoje há um discurso de que, se Fidel morrer, a Revolução (ou a ditadura) acaba”.  

A autora da dissertação aponta que há um corte incisivo no discurso do NYT (e, por influência, nos outros jornais estrangeiros) quando o governo revolucionário começa a se esquerdizar, nacionalizando empresas privadas, promovendo a reforma agrária e, principalmente, deixando clara a não submissão aos EUA. “Cuba teve a sua independência da Espanha no final do século 19, mas permaneceu como colônia norte-americana enquanto lugar de lazer, prostituição e de grande desigualdade social. ‘Aqui vocês não mandam mais’, foi o recado da Revolução. São esses acontecimentos históricos que transformam os revolucionários em violões. Essa transformação discursiva se deu, principalmente, porque os jornais da grande imprensa se alinharam ao discurso institucional do governo americano de que Cuba era uma ameaça por ser comunista, como mostram os documentos de Estado. A imprensa, por já ter um pré-construído sobre o que era o comunismo, ‘comprou’ e propagou esse discurso: a relação de sentido entre Cuba e a União Soviética foi imediata”. 

No Brasil, segundo a pesquisadora, a ditadura civil militar é muito importante para a compreensão da memória sobre Cuba, visto que a linguagem é constituída pelo que é dito e pelo que não é dito. “O silêncio constitui linguagem e produz memória. Um advogado do jornal O Estado de S. Paulo diz em um documentário: ‘Se fosse música americana, a rádio tocava; se fosse latino-americana, podia ser que não; se fosse cubana, nem tocava’. Esse silêncio imposto pela ditadura à grande imprensa organizou uma memória: Cuba virou um ‘não lugar’, não no sentido de inexistente, mas de negação. Logo depois que termina a ditadura, há a desintegração da União Soviética e um discurso apostando que Cuba também deixaria de ser socialista, o que não aconteceu. Cuba passou por sua pior crise econômica, conhecida como Período Especial, mas por outro lado vivenciou uma conjuntura favorável de governos mais à esquerda na América Latina, com Chávez na Venezuela, Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina, Correa no Equador e o próprio Lula no Brasil.” 

O discurso de agora 

Amanda Cotrim analisou o contexto do VI Congresso do Partido Comunista Cubano, ocorrido em abril de 2011 e que oficializou as chamadas “atualizações” no modelo econômico do país. “Houve participação intensa da população, que contribuiu com a formulação de projetos e decidiu por atualizações em todas as áreas: transporte, agricultura, educação, saúde, etc. ‘Atualização’ é uma palavra usada pelo governo, pela população e pelo jornal Granma, ao passo que os jornais internacionais falam em reforma ou mudanças; são sentidos diferentes. Os outros momentos analisados são da segunda Celac, um bloco diplomático recente, e o de retomada das relações com os Estados Unidos.”

No que diz respeito ao reatamento das relações diplomáticas, a pesquisadora ressalta que as demandas dos EUA sempre se sobrepõem às de Cuba na imprensa internacional. “Em se tratando de dois países que romperam relações há mais de 50 anos, a imprensa parece dizer que apenas os americanos têm contas a receber, com suas reivindicações aparecendo sempre em primeiro plano, como se Cuba estivesse sujeita à Casa Branca. Impressiona o poder dos Estados Unidos no imaginário dos jornais, que deixam evidente quem vai protagonizar este processo. Outro ponto importante é que os jornais internacionais não falam sobre o fim do bloqueio americano, o que torna a reivindicação de Cuba quase algo abstrato”. 

A pesquisadora acrescenta que as reportagens dos jornais brasileiro e espanhol, de modo geral, não apresentam controvérsias e são imprecisas, o que considera um grave problema jornalístico. “Essas ‘imprecisões’ acontecem porque os jornalistas estão trancados nas suas evidências. Eles não precisam ouvir o outro lado, porque esse outro lado não existe no seu imaginário. O jornalista não diz por que Cuba é uma ditadura, uma vez que isso para ele é algo claro – o problema está em achar que é uma evidência para o leitor. Os jornais brasileiros, principalmente, limitam-se a entrevistar pessoas nas ruas, sem buscar outras fontes importantes, o que implica apuração parcial e falta de conteúdo. O The New York Times pelo menos procura empresários, especialistas e, ainda que dentro da sua pauta ideológica, procura sair do lugar comum”. 

Os jornais analisados na dissertação, observa a autora, não investem no sentido político que tem o povo cubano. “A população aparece sempre meio alheia politicamente, descrente, quase desanimada, o que produz uma contradição: se a palavra revolução é carregada de sentidos políticos, como os cubanos podem ser tão alienados? Esse tipo de cobertura enfraquece a própria Revolução Cubana ao apresentar para o leitor uma massa de resignados. Então, o sentido de ditadura faz ainda mais sentido.” 



O discurso do “nós” 

Amanda Cotrim mostra que o Granma (do Partido Comunista), por outro lado, produz os cubanos como pessoas altamente politizadas. “O jornal desafia os padrões jornalísticos porque não tem a preocupação de ser isento e imparcial e investe nos adjetivos. Para mim, foi surpreendente me deparar com textos escritos na primeira pessoa do plural, ‘nós’ – é uma forma de se apropriar da identidade das pessoas e assumir a posição de porta-voz dos leitores. Já no cenário do reatamento das relações diplomáticas, o jornal cubano se mostrou o mais ponderado, publicando as reivindicações e condições de ambos os países. Mas se o reatamento das relações foi a grande notícia para a imprensa mundial, o destaque de capa do Granma foi a volta de três cubanos que estavam presos há mais de 15 anos nos Estados Unidos, numa troca de prisioneiros entre os dois países.” 

De acordo com a jornalista, a história dos três cubanos está no livro Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Moraes. “Eles integravam uma organização denominada Vespa, que no final dos 1990 se infiltrou nos EUA, notadamente na CIA, para antecipar as ações de organizações anticastristas que detonavam bombas em pontos turísticos de Cuba, como hotéis e restaurantes. O propósito era minar o turismo, válvula de escape da economia cubana depois da desintegração da União Soviética. Os infiltrados pregavam o fim de Fidel e do regime cubano, conseguindo muitas informações importantes, até serem descobertos pelo FBI – de cinco presos, dois foram libertados na primeira década de 2000, restando os três. A prisão motivou intensa campanha em Cuba por sua libertação, tornando 17 de dezembro de 2014 um dia peculiarmente especial na ilha”. 

Os cubanos que entrevistou, diz a autora da dissertação, filiam-se a uma “formação discursiva patriota”, que mais do que defender a Revolução, defendem a soberania de Cuba, e não negam que a atualização do modelo econômico melhorará seu socialismo. “Eles brigam com a imagem que o estrangeiro faz de Cuba. Um deles ressalta que a Revolução não aconteceu em 1959, que ela está acontecendo. Ao dizer que ‘estão em revolução’, os cubanos deslocam o sentido do tempo, que deixa de ser cronológico e se torna político. Daí, também, o termo ‘atualização econômica’, que nos é estranho porque não estamos acostumados com a maneira como enxergam o reatamento das relações com os Estados Unidos.” 

Amanda Cotrim considera, finalmente, que persiste a submissão da imprensa à agenda da Casa Branca e que o reatamento das relações diplomáticas pode significar “uma recolonização discursiva dos sentidos sobre Cuba”. “Na ilha, há uma clareza política em relação aos EUA que é histórica e não vem da Revolução, vem de antes, da época em que Cuba era uma neocolônia americana. Quando os cubanos dizem ‘não vamos retroceder’, esse ‘nós’ é o próprio sentido de união que aparece na linguagem, podendo ser interpretado como a própria reafirmação da Revolução”. 

Publicação 

Dissertação: “Os discursos sobre Cuba: imprensa, vozes e memória (da atualização do modelo econômico à retomada das relações diplomáticas com os EUA: 2011/2015)”
Autor: Amanda Cotrim
Orientadora: Maria Graça Caldas
Unidade: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL)

domingo, 29 de maio de 2016

Vídeo-aula: Portugal e Brasil - antigo sistema colonial

Aula ministrada pelo historiador Fernando Novais, em 24 de fevereiro de 2016, no curso de pós-graduação Geografia, Cidade e Arquitetura (Escola da Cidade).


O historiógrafo começou a aula a partir de um olhar sobre o fenômeno do anacronismo e a importância do estudo sobre os processos de colonização para evitá-lo, apontando três etapas fundamentais na construção do olhar do historiador: a análise sobre o que aconteceu (do ponto de vista lógico), quando aconteceu (do ponto de vista cronológico) e onde aconteceu (do ponto de vista geográfico-espacial).

O estudo da colonização é a maneira de se evitar o anacronismo. Há uma história comum da colonização. A colonização desse período [no Brasil] coincide com o que acontece na Europa: formação dos Estados, formação do capitalismo e a laicização da cultura.



Fernando Novais é professor Emérito da Universidade de São Paulo (USP), onde lecionou no Departamento de História da FFLCH entre 1961 e 1986 na cadeira de História Moderna e Contemporânea. Professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde lecionou no Instituto de Economia entre 1986 e 2003. Doutor em História pela Universidade de São Paulo (1973), é autor do livro “Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial”, obra clássica da historiografia brasileira, e de inúmeros trabalhos importantes sobre história e historiografia.

Fotografia, Captação e Edição de Vídeo
Clarissa Mohany
Claudia Bicudo
Kátia Harumi

Textos
Clarissa Mohany e Felipe do Amaral


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Julgamento histórico: Corte argentina sentencia ex-ditador a 20 anos por Operação Condor

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Uma corte federal argentina sentenciou, nesta sexta (27), último ditador do país, Reynaldo Bignone, a 20 anos de prisão por crimes durante a Operação Condor.

A operação foi uma aliança entre os governos militares de países da América do Sul, acertada numa reunião em novembro de 1975, em Santiago -com o Brasil passando a fazer parte do bloco logo depois.

O símbolo escolhido para nomear o pacto foi o da imensa ave que sobrevoa a região andina do continente.

Pessoas presentes em corte federal ouvem sentença contra ex-militares em Buenos Aires, Argentina


Bignone já cumpre sentenças de prisão perpétua por múltiplas violações de direitos humanos durante da ditadura militar (1976-1983).

Devem receber sua sentença outros 17 ex-militares acusados de participar de ações conjuntas de repressão envolvendo troca de inteligência e de agentes entre Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

No julgamento, foram investigadas os desaparecimentos de 108 pessoas (argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos e um peruano) na Argentina.

É o primeiro julgamento conjunto de casos relacionados à Operação Condor e o único a ultrapassar as fronteiras da Argentina -das 108 vítimas, 93 são estrangeiras.

Para driblar as leis de anistia que seguem em vigor em alguns países, como o Uruguai, fez-se o uso da figura do "delito permanente" [que considera que o crime que continua sendo cometido], pelo fato de os corpos das vítimas em questão jamais terem sido encontrados.

Por isso, casos célebres em que se conhece o paradeiro dos cadáveres não puderam ser incluídos. Entre eles, o do assassinato do general chileno Carlos Prats, em 1974. Membro do governo deposto de Salvador Allende, Prats foi morto em Buenos Aires.

Também ficou de fora, pelo mesmo motivo, a execução do diplomata Orlando Letelier, outro aliado de Allende, vítima de uma bomba colocada no carro em que viajava, em Washington, em 1976.

Para montar a acusação, usou-se também documentação do Arquivo do Terror do Paraguai, documentos dos EUA sobre Chile e Argentina que já tiveram o sigilo removido, da Anistia Internacional, da Vicaría de la Solidariedad de Santiago e da Comissão da Verdade do Brasil.

Com reportagem de SYLVIA COLOMBO 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O Capital - filme de Costa Gavras

”A moral do capital é deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.” 

O filme “O Capital” (2012) não foge a regra da filmografia de Costa Gavras. Ele expõe a anatomia do poder econômico-financeiro do capital. Produzido no clima da crise europeia (2010-2011) com sua política de austeridade neoliberal em prol dos interesses do capital financeiro, Costa Gavras retratou no filme as intrigas do mundo das finanças globais.

Assista o filme clicando no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=xL8hXYGg8mA  114 min., dublado em português

A partir da crise estrutural do capital em meados da década de 1970 desenvolveu-se um complexo reestruturativo do capitalismo mundial caracterizado pelas políticas neoliberais que impulsionam o desenvolvimento da financeirização da riqueza capitalista. No bojo do capitalismo dourado do pós-guerra constituíram contradições orgânicas na dinâmica do capital que, com a grande crise da década de 1970, iriam contribuir para a afirmação do capital financeiro como fração predominante do capitalismo global. A hipertrofia do capital fictício levou a constituição do capitalismo das bolhas financeiras, cuja dinâmica de acumulação volátil e instável imprimiu sua marca na conjuntura do sistema mundial do capital nos "trinta anos perversos" (1980-2010). Com o capitalismo predominantemente financeirizado o dinheiro afirmou-se como capital-dinheiro, expondo o capital em geral em sua face mais fetichizada. Ao debilitar o poder de barganha do trabalho, o capital-dinheiro como capital fictício fez o mundo a sua imagem e semelhança, abrindo um temporalidade histórica de barbárie social caracterizada, por um lado, pela crise e irracionalidade social, e por outro lado, por uma intensa concorrência entre as frações internas do capital pelo domínio do globo.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Para download: Economia e Cultura do Candomblé na Bahia: o comércio de objetos litúrgicos afro-brasileiros - 1850/1937

LINK PARA DOWNLOAD:

Santos, Flávio Gonçalves dos. Economia e cultura do Candomblé na Bahia: o comércio de objetos litúrgicos afro-brasileiros - 1850/1937. Ilhéus, BA : Editus, 2013. 
EDITUS - EDITORA DA UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz)

"Este livro resulta de uma tese de doutorado na área de História Econômica. Essa informação, abrindo o prefácio, já poderia afastar muitos dos seus possíveis leitores, sob a alegação de constituir um texto de interesse apenas dos especialistas. No entanto, logo de início, a leitura de Economia e Cultura do Candomblé na Bahia: o comércio de objetos litúrgicos afro-brasileiros - 1850- 1937 contraria essa primeira impressão, pois seu autor conjuga os conhecimentos metodológicos necessários a esse campo da historiografia com a arte da narrativa, o que torna o livro atraente mesmo para aqueles que não têm nenhum interesse específico pelos aspectos econômicos da História. A partir de uma abordagem que vê a economia de forma integrada à totalidade social, Flávio Gonçalves dos Santos destaca os aspectos culturais presentes nas trocas comerciais envolvendo produtos utilizados no culto aos orixás, realizadas entre o Brasil e a África. Por isso, além de constituir importante contribuição para sua área específica, este livro pode ser lido com prazer por todos os que se interessam pela história de nosso país, particularmente por nossa herança africana." (Parágrafo de abertura do prefácio do livro escrito por  Lana Lage)