sábado, 6 de novembro de 2010

Campanha


Veja: não compre.
Se comprar: não abra.
Se abrir: não leia.
Se ler: não acredite.
Se acreditar: relinche.

Prolegômenos para uma ontologia do ser social


LANÇAMENTO DO LIVRO DE LUKÁCS - EDITORA BOITEMPO


Título: Prolegômenos para uma ontologia do ser social
Subtítulo: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível
Autor(a): György Lukács
Prefácio: Ester Vaisman e Ronaldo Vielmi Fortes
Posfácio: Nicolas Tertulian
Tradutor(a): Lya Luft e Rodnei Nascimento
Páginas: 416
Ano de publicação: 2010
ISBN: 978-85-7559-116-1
Preço: R$ 58,00

Após a publicação da primeira parte de sua Estética, em 1963, o filósofo húngaro György Lukács começou a trabalhar no ambicioso projeto de uma Ética que sintetizaria sua longa trajetória intelectual. Em suas investigações, porém, notou a “necessidade de uma elaboração prévia: a determinação histórico-concreta do modo de ser e de reproduzir-se do ser social”, como aponta José Paulo Netto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esses esforços são concluídos em 1969 e publicados postumamente com o título de Para uma ontologia do ser social. Com o objetivo de explicar melhor alguns conceitos apresentados, no início dos anos 1970 Lukács passa a trabalhar no manuscrito do que seriam os Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível, publicados também postumamente, em 1984, e agora traduzidos pela primeira vez para o português pela Boitempo Editorial.

Um dos pensadores marxistas mais importantes de todos os tempos, Lukács tinha como objetivo ao escrever sua Ontologia reexaminar passo a passo as categorias fundamentais do pensamento de Marx, “iniciando pela retomada das considerações marxianas acerca do trabalho como complexo central decisivo do ser social, passando pelo problema da reprodução, da ideologia, e culminando no tratamento da alienação”, como explicam Ester Vaisman, professora de filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, e Ronaldo Vielmi Fortes, especialista na obra lukacsiana, responsáveis respectivamente pela supervisão editorial e pela revisão técnica da obra, além de autores da completa apresentação à edição brasileira.

Ainda segundo Vaisman e Fortes, o autor apresenta uma denúncia de que o caráter ontológico do pensamento de Marx ficou obscurecido “pela rigidez dogmática em que o marxismo se viu imerso desde a morte de Lenin, que rechaçava a discussão acerca da ontologia, qualificando-a de idealista e/ou simplesmente metafísica”. Ao contrário do que alguns detratores do marxismo costumam afirmar, Lukács buscava mostrar como não há em Marx um determinismo unívoco da esfera econômica sobre as outras instâncias da sociabilidade: “o cerne estruturador do pensamento econômico de Marx se funda na concepção da determinação recíproca das categorias que compõem o complexo do ser social”, como explicam os autores da apresentação. A base econômica constitui o momento preponderante, mas interage com uma série de superestruturas de forma dialética e recíproca.

Além de introduzir e contextualizar a Ontologia – também inédita em português e sendo preparada para publicação pela Boitempo – os Prolegômenos acrescentam a ela novas reflexões e abordagens, complementando-a. Partindo da premissa marxiana de que a realidade deve ser não somente analisada e compreendida mas principalmente transformada, ao redigir este material Lukács tinha nos ombros o peso de uma série de desilusões e derrotas da esquerda no período posterior à Revolução de 1917. Buscava partir de Marx para reformular as perspectivas revolucionárias de então, apontando respostas aos impactos que o stalinismo causara no projeto comunista. Certamente aqueles que ainda se preocupam com uma atuação social transformadora não podem deixar de analisar esta importante contribuição para o pensamento revolucionário.

Segundo Nicolas Tertulian, professor da École de Hautes Études en Sciences Sociales, a obra “tem o valor de um testamento por constituir o último grande texto filosófico de Lukács. Concebida como uma introdução ao texto principal da Ontologia, representa, de fato, uma vasta conclusão”.

Trecho da obra
Nossas considerações visam determinar principalmente a essência e a especificidade do ser social. Mas, para formular de modo sensato essa questão, ainda que apenas de maneira aproximativa, não se devem ignorar os problemas gerais do ser, ou, melhor dizendo, a conexão e a diferenciação dos três grandes tipos de ser (as naturezas inorgânica e orgânica e a sociedade). Sem compreender essa conexão e sua dinâmica, não se pode formular corretamente nenhuma das questões autenticamente ontológicas do ser social, muito menos conduzi-las a uma solução que corresponda à constituição desse ser. Não precisamos de conhecimentos eruditos para ter a certeza de que o ser humano pertence direta e – em última análise – irrevogavelmente também à esfera do ser biológico, que sua existência – sua gênese, transcurso e fim dessa existência – se funda ampla e decididamente nesse tipo de ser, e de que também tem de ser considerado como imediatamente evidente que não apenas os modos do ser determinados pela biologia, em todas as suas manifestações de vida, tanto interna como externamente, pressupõem, em última análise, de forma incessante, uma coexistência com a natureza inorgânica, mas também que, sem uma interação ininterrupta com essa esfera, seria ontologicamente impossível, não poderia de modo algum desenvolver-se interna e externamente como ser social.

Sobre o autor
Nascido em 13 de abril de 1885 em Budapeste, Hungria, György Lukács é um dos mais influentes filósofos marxistas do século XX. Doutorou-se em Ciências Jurídicas e depois em Filosofia pela Universidade de Budapeste. No final de 1918, influenciado por Béla Kun, aderiu ao Partido Comunista e no ano seguinte foi designado Vice-Comissário do Povo para a Cultura e a Educação. Em 1930 mudou-se para Moscou, onde desenvolveu intensa atividade intelectual. O ano de 1945 foi marcado pelo retorno à Hungria, quando assumiu a cátedra de Estética e Filosofia da Cultura na Universidade de Budapeste. Estética, considerada sua obra mais completa, foi publicada em 1963 pela editora Luchterhand. Já seus estudos sobre a noção de ontologia em Marx, que resultariam oito anos depois na Ontologia do ser social, iniciaram-se em 1960. Faleceu em sua cidade natal, em 4 de junho de 1971.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Out!!!


"Agora temos que esperar a composição do novo governo e massificar a luta por Reforma Agrária”

Por Vanessa Ramos
Da Página do MST

Dilma Rousseff promete não criminalizar movimentos sociais, mas o que de fato deve-se esperar da presidenta eleita? Será que a Reforma Agrária terá condições de avançar durante o novo governo? Essas e outras questões políticas têm deixado muita gente preocupada. No entanto, ao afirmar a necessidade de se fazer uma "revolução no campo", Dilma responde aos anseios dos trabalhadores rurais brasileiros. Em outras palavras, essa eleição deu um novo ânimo para as lutas sociais do país.

Para Jaime Amorim, integrante da Coordenação Nacional do MST em Pernambuco, a vitória de Dilma demonstra que o Brasil tem, sobretudo, uma militância disposta a lutar e a defender as suas conquistas. Por isso, movimentos sociais e grupos de esquerda se mobilizaram e foram para as ruas a fim de garantir a derrota do PSDB durante o segundo turno.

“Acho que nós saímos de um período grande de desmobilização da luta pela Reforma Agrária e da luta do trabalhador no Brasil”, disse o coordenador. “Agora, temos que esperar a composição do novo governo e massificar a luta por Reforma Agrária”, completou.

Inicialmente, muitos desafios deverão ser enfrentados pela presidenta. Dentre eles, rever os índices de produtividade, desenterrar as desapropriações de terras e reavaliar a estruturação do Incra. A reformulação da estrutura agrícola do país, que na opinião de Amorim, tem privilegiado a agroexportação, também é emergencial para os camponeses.

Contudo, o governo de Dilma só terá condições de fazer avançar a Reforma Agrária se entender que “ela é importante para o desenvolvimento do país”, acredita Amorim.

Partindo do princípio de que a Reforma Agrária abrange um conjunto de medidas, a revolução no campo, mencionada pela presidenta eleita, pode sair do papel. Apesar disso, se apenas forem feitas desapropriações de terras, o Brasil não conseguirá resolver o problema de concentração de terras no país.

Segundo Amorim, “é preciso enfrentar o latifúndio, a monocultura e o agronegócio. Resolver definitivamente os entraves que, há muito tempo, atrapalham o processo de desenvolvimento do interior do país". Além disso, ele avalia que "é necessário remover os resquícios do feudalismo e, ao mesmo tempo, propor um novo modelo de desenvolvimento baseado na produção de alimentos da pequena propriedade, além de uma matriz tecnológica menos perversa. Isso é fazer uma revolução no campo. Se ela estiver disposta a fazer isso, nós estaremos com ela”.

De qualquer forma, a relação do MST com o governo Dilma não deve mudar muito em comparação à gestão de Lula. Para o dirigente, o movimento seguirá lutando por Reforma Agrária, apresentará plataformas e manterá negociações com o novo governo. Ele não acredita, contudo, em grandes transformações. “Para a gente, a conjuntura continua a mesma. Não há grande alteração na correlação de forças. A derrota de Dilma, sim, significaria inúmeras perdas”, apontou.

A entrega das propostas do MST deve acontecer, provavelmente, depois que a presidenta eleita definir o novo ministério. De acordo com Amorim, uma das pautas a ser discutida é a delimitação do tamanho máximo da propriedade. “O governo tem que desapropriar terras pelo não cumprimento da função social, e tem que ter uma determinação política para isso”.

Para ele, o país não consegue mais sobreviver ao modelo agroexportador que vem cada vez mais destruindo as riquezas naturais, destruindo o solo e degradando toda a riqueza brasileira.

Trabalho escravo

O trabalho escravo no país ainda é uma realidade presente em muitas regiões. Para punir os fazendeiros que vêm descumprindo os direitos assegurados pelo Estado aos trabalhadores rurais, Amorim ressalta a importância da aprovação da Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco de terras de escravagistas.

“É preciso garantir que a legislação, que dará ao governo o direito de expropriar todas as fazendas, todas as usinas e todas as empresas que utilizam o trabalho escravo, seja aprovada. Caso contrário, o homem continuará sendo desprezado e levado à situação de escravo. Mas não basta apenas punir o latifúndio, tem que alterar o modelo de desenvolvimento agrícola”, esclareceu.

Conab

Para ele, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi um dos principais órgãos estruturados durante o governo Lula, que garante suporte efetivo aos pequenos agricultores e assentados brasileiros. “Quando Lula assumiu o governo, dos 235 armazéns que existiam durante o governo Fernando Henrique Cardoso, só restaram efetivamente 25 e, desses, 18 ainda estavam sendo privatizados. A Conab praticamente inexistia e hoje é um instrumento importante para a comercialização e para a questão de equilíbrio de preço e de estoque”, relembrou.

Amorim acredita ainda que a Conab é um órgão capaz de dar suporte, garantia de preço e comercialização para todos os pequenos agricultores e assentados.

"Qual Desenvolvimento e Educação para qual Sociedade?"


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ONU aprova fim do embargo econômico a Cuba


A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou no último dia 26 de outubro a suspensão do embargo norte-americano a Cuba, em vigor desde 1962. Essa é a 19ª vez consecutiva em que o órgão aprova o fim do bloqueio financeiro e comercial ao país.

De acordo com a agência portuguesa Lusa, o documento foi aprovado com 187 votos a favor, 2 contra (Estados Unidos e Israel) e 3 abstenções (Ilhas Marshall, República de Palau e Estados Federados da Micronésia).

Dados oficiais do governo de Cuba indicam que o embargo imposto há 48 anos causa prejuízos que somavam cerca de US$ 751,3 bilhões até dezembro de 2009. O bloqueio envolve restrições econômicas, financeiras, políticas e diplomáticas.

Para as autoridades cubanas, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não demonstra boa vontade para recuar na adoção do embargo.
Leia o artigo de Fidel Castro clicando no link abaixo:

http://www.cubadebate.cu/reflexiones-fidel/2010/10/31/la-sublevacion-en-la-onu-primera-parte/

Depois da vitória de Dilma: Movimentos sociais levantam suas bandeiras

Qual deve ser a postura do movimento popular e sindical?

31/10/2010
Pedro Carrano
De São Paulo

Qual deve ser a postura do movimento popular e sindical, e quais as bandeiras centrais no governo Dilma, recém-eleita presidente do país? A ofensiva conservadora que marcou as eleições de 2010, as reivindicações da classe não cumpridas durante o governo Lula e a base econômica deixada pelo atual governo são alguns dos pontos de partida para as lutas dos movimentos sociais, de acordo com as reflexões de suas lideranças.

Para o integrante da coordenação nacional do MST, Gilmar Mauro, o resultado eleitoral não quer dizer apenas uma derrota de José Serra (PSDB), mas da grande mídia como um todo. Mauro avisa que os movimentos sociais terão uma relação de autonomia com o próximo governo, com quem as organizações devem confrontar suas reivindicações. A reforma agrária, por exemplo, não foi pautada na campanha eleitoral deste ano e deve voltar à agenda.

Sobre a questão agrária, Mauro enfatiza que o debate se dá em três frentes: sobre o uso do solo e recursos naturais, que não devem ser transformados em mercadorias, sobre o tipo de alimentos que a população está consumindo, e a serviço de quem serão usadas as tecnologias no campo.

“Eu acho que a reforma agrária é uma das coisas mais modernas do mundo na atualidade. Mas uma reforma agrária vai ter que alterar o modelo agrícola, o modelo de produção, o tipo de comida, o tipo de tecnologia, e esse debate vamos ter que fazer o debate com a sociedade. Esperamos que o governo Dilma possa ajudar, no sentido de favorecer, de criar espaços para que esse debate ocorra e que a sociedade participe da discussão de uma verdadeira reforma agrária que altere a estrutura fundiária no Brasil e o modelo de produção no Brasil.”

A postura do movimento negro será de apoio crítico e pressão permanente em defesa de políticas públicas. Esta é a posição da Uneafro, de acordo com Douglas Belchior, do conselho geral da organização. Para ele, Dilma terá que revisar as políticas de segurança pública que vitimam a população negra em todos os estados. O aprofundamento das políticas de acesso à educação e a pressão pelo Estatuto de Igualdade Racial são pontos estratégicos na avaliação da entidade.

“O movimento negro deve ter uma postura de luta permanente e vamos ocupar as ruas. Também vamos ocupar as universidades no sentido de pressionar para que o governo haja e preste serviço ao povo brasileiro e não para os latifundiários, para os racistas, empresários e banqueiros.”

A base econômica construída nos oito anos de governo Lula resultou na geração de empregos e estancou a flexibilização do trabalho no período Fernando Henrique Cardoso (FHC) é o que analisa o sindicalista Milton Viário, da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul e da CUT. Ele enxerga que o momento é de pautar a plataforma unificada dos trabalhadores, construída em 2010 pelo movimento social e sindical. No campo sindical, maior democracia e condições de trabalho, jornada de 40 horas e o fim do fato previdenciário são pontos centrais nesse projeto.

“Nós vamos ter condições melhores para apresentar a plataforma da classe trabalhadora, voltada basicamente no desenvolvimento econômico. Portanto, ampliando a atividade produtiva, mas reivindicando fortemente a geração de empregos de qualidade, empregos aonde se possa ter uma melhor remuneração, empregos aonde se possa ter de fato uma qualificação profissional e que haja a especialização do trabalho.”

A deputada federal recém-eleita pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) de São Paulo, Luiza Erundina, aponta que o governo Dilma terá que enfrentar o desafio de maior democratização do Estado brasileiro. O que, de acordo com ela, passa por dois caminhos: reforma política e democratização dos meios de comunicação.

“A reforma política que já tem um acúmulo no Congresso, tem uma frente parlamentar pela reforma política com participação popular. Já tem inclusive um Projeto de Lei de iniciativa popular que está na Comissão de Legislação Participativa e já responde a questões importantes, estruturais do sistema de comunicação. Tem, por exemplo, a reforma Tributária como mecanismo de distribuição de renda.”

Na mesma linha da democratização da mídia como bandeira central para a luta da esquerda, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, avalia que a pressão a partir as bandeiras nascidas no processo das Conferências de Comunicação devem ser pautadas desde janeiro de 2011.

“Este é um ponto da agenda, o debate que as organizações sociais vão ter que estar muito organizadas, mobilizadas, pressionando o governo. Não pensem que vai ser fácil. Eu lembro que a primeira Conferência de Comunicação só saiu no último ano do governo Lula. Era um governo em disputa. E, portanto, nós temos que continuar debatendo isso. O próximo governo da Dilma Roussef também será um governo de disputa.”

A luta das mulheres tem dimensão importante em 2011. Darli Sampaio, da Casa do Trabalhador de Curitiba, acredita que o debate ideológico sobre a questão do aborto nas eleições agora deve ter o efeito contrário. Uma vez que as organizações devem pressionar para obter avanços neste tema. De acordo com ela, a união civil dos homossexuais e os desafios da inserção da mulher no mundo da política também são desafios no debate de gênero.

“Do ponto de vista da organização das mulheres, tem uma pauta já que ela não se esgota, porque as questões não estão resolvidas. Por exemplo, a discussão sobre a questão de gênero, que abarca polêmicas que nós vimos agora no período da campanha, que diz respeito à questão do aborto, aliás, a forma desrespeitosa com que essa discussão foi travada no debate político. O Movimento de Mulheres entende que aborto é uma questão de saúde pública.”

Na avaliação de Luiza Erundina, há um espaço no Estado brasileiro para a politização a partir do governo, mesmo o Estado tendo um caráter de classe.

“É exatamente a forma de governar. É mais do que os resultados, é a forma de dividir o poder, a relação com a sociedade civil. Fatos que leva a uma mudança de cultura política na forma de governar, um governo democrático, além de popular, no sentido de priorizar os interesses da maioria da população. Também ser um governo voltado, desde o primeiro momento, sobre todas as questões estratégicas, a participação popular organizada e politizada. Lamentavelmente não tivemos isso num governo Lula.”

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/4540

domingo, 31 de outubro de 2010

Primavera dos Livros na Cultura - SP 2010


Sobre a Barbárie Imperialista, a Crise do Capital e a Luta dos Povos

III Encontro Civilização ou Barbárie
Comunicação de Miguel Urbano Rodrigues


Sobre a Barbárie Imperialista, A Crise do Capital e a Luta dos Povos
Camaradas e amigos
Nós, participantes neste Encontro, reunidos em Serpa, temos consciência de que o planeta Terra enfrenta uma crise global de civilização que pode ter como desfecho a extinção da Humanidade.
Contribuir para que se difunda a consciência dessa ameaça, inseparável do funcionamento de uma engrenagem monstruosa, é hoje uma tarefa revolucionária.
Difícil de assumir porque na vastidão do mundo as grandes maiorias ainda não se aperceberam de que a superação da actual crise passa pelo desaparecimento do capitalismo.
Na era da informação instantânea, a desinformação alastra. Como o capital controla o sistema mediático a nível quase planetário, a mentira é imposta como verdade aos povos. Nunca a alienação das massas foi tão cientificamente trabalhada por aqueles que as exploram. Uma contra-cultura alienante, exportada pelos EUA, contribui para a passividade das massas e um consumismo irracional, robotizante.
Uma mentira perigosa que diariamente percorre o mundo é a que projecta a imagem dos EUA como vencedores da mal chamada crise financeira.
Embora tecnicamente os EUA não estejam em recessão, é falso que se encaminhem para uma recuperação. Isso porque a crise neles iniciada é uma crise estrutural do capitalismo, simultaneamente económica, ambiental, militar, social, energética, cultural.
Aproximadamente 30 milhões de trabalhadores estão desempregados ou subempregados, mas os lucros das empresas aumentam ali prodigiosamente. O Washington Post, porta-voz do establishment, reconhecia em 30 de Julho, num artigo de Steve Pearlstein, que no mundo real as empresas existem para criar lucros para os accionistas e não empregos. Na mesma semana, o The New YorK Times sublinhava que a queda das vendas é acompanhada por um aumento dos lucros. Um exemplo: a Ford reduziu a metade a sua força de trabalho nos últimos cinco anos. Inicialmente perdeu 20 mil milhões de dólares. Mas este ano anuncia um lucro provável de 5 mil milhões de dólares. Fred Goldstein, do International Action Center, lembra-nos que os capitalistas instalam tecnologias concebidas para destruir empregos, porque a lógica do sistema exige que a produção seja reduzida para as empresas serem rentáveis.
O debate em Washington opõe os que defendem uma maior «austeridade», travando o aumento da astronómica dívida pública, àqueles que exigem mais «estímulos» para a recuperação da banca e das grandes empresas. Mas tudo indica que, esgotados os 787 mil milhões de dólares injectados pelo Estado na economia, o país cairá novamente em recessão.
O presidente Barack Obama hesita. Acossado pela direita republicana, faz concessões, temeroso de uma vitória republicana nas eleições Legislativas de 2 de Novembro. Critica, com suavidade, os banqueiros e outros magnates da Finança, mas na prática assiste passivamente ao seu prodigioso enriquecimento. Os sacerdotes do dinheiro continuam a atribuir-se vencimentos e prémios fabulosos. O secretário do Tesouro, Thimothy Geitner, um neoliberal ligado a Wall Street, goza da total confiança do Presidente.
A reforma da Saúde foi um grande embuste. As Seguradoras vão embolsar centenas de milhares de milhões de dólares, e milhões de imigrantes ilegais não são abrangidos pela nova legislação aprovada pelo Congresso. O orçamento de Defesa é o maior desde a II Guerra Mundial, mas as verbas atribuídas à Educação e aos Transportes foram consideravelmente reduzidas.
A ESTRATÉGIA IMPERIAL
Contrariamente às esperanças suscitadas, a actual Administração não rompeu com a política agressiva de Bush, orientada para a dominação universal e perpétua do imperialismo estadounidense.
Obama manteve no Pentágono o falcão republicano Robert Gates e a secretária de Estado Hillary Clinton têm assumido posições no tocante ao Médio Oriente, à América Latina, à Palestina e à Ásia Oriental ainda mais negativas do que as de Madeleine Albright e Condoleeza Rice.
Em Outubro o Pentágono, com o aval do Presidente Obama, criou o Cibermand, organização cujo objectivo, segundo o general Kevin Chilton, é preparar os EUA para as «confrontações da ciber guerra». Outros generais afirmaram que o controle militar do ciberespaço garantirá aos EUA o domínio perpétuo sobre a Terra.
Outra terrível ameaça à humanidade do sistema imperial são as armas electrónicas que podem atingir um alvo humano a 10 mil quilómetros de distância. Basta carregar num botão algures nos EUA para abater «o inimigo» seleccionado. As novas armas magnéticas são outra inovação do arsenal do terror criado pela tecnologia de a ciência colocadas ao serviço de uma política criminosa.
Na América Latina não houve alteração sensível na politica de hostilidade a Cuba e o regresso da IV Esquadra ao Sul do Hemisfério, o reforço da aliança com o regime neofascista da Colombia, o golpe nas Honduras – organizado na Embaixada dos EUA – e a intentona no Equador comprovam um aumento da agressividade do governo Obama na Região.
A campanha permanente desencadeada pelos media estadounidenses contra os regimes progressistas da Venezuela bolivariana, da Bolívia e do Equador insere-se numa estratégia ambiciosa a médio prazo. Washington chegou à conclusão de que o recurso a golpes militares tradicionais para derrubar esses governos, que contam com forte apoio de massas, seria contraproducente, contribuindo para incentivar em toda a América Latina o sentimento anti-imperialista.
Minar por dentro os governos de Chavez, Evo Morales e Rafael Correa, provocando a sua implosão, é o objectivo pelo qual trabalha a Administração Obama.
Na América Latina o imperialismo, não tenhamos ilusões, está na ofensiva e, com poucas excepções, verifica-se um refluxo da luta de massas.
Obama tenta aprofundar as relações com o Brasil, a Argentina e o Uruguai, consciente de que as políticas desenvolvidas pelos governos desses países não afectam o funcionamento do sistema capitalista, sendo compatíveis com a sua lógica.
Na Colômbia, um governo neofascista mascarado de democrata é o mais íntimo aliado dos EUA no Continente. No final de Setembro o seu presidente recebeu calorosas felicitações de Barack Obama por ter assassinado o comandante Jorge Briceño das FARC numa operação que envolveu 27 helicópteros e 30 aviões de combate.
Os oligarcas que oprimem o povo da Colômbia acusam-no de assassino e terrorista. Mas Jorge Briceño, el Mono Jojoy, passará à Historia como um herói da América Latina. Cumpro um dever, camaradas, prestando aqui homenagem a esse combatente revolucionário tal como a Raul Reyes, também assassinado num bombardeamento pirata, e a Manuel Marulanda, o fundador das FARC.
AS LUTAS NA EUROPA
Na Europa, a crise global atinge os países de maneira desigual.
A estrutura da União Europeia é afectada pelas contradições que se manifestam nos grandes, incapazes de adoptarem uma estratégia comum. Apenas se entendem quando se trata de impor medidas drásticas a países como a Grécia, a Espanha, a Irlanda e Portugal. Os pequenos estados da Europa Oriental, esses são tratados como cobaias. É o caso das Republicas Bálticas, submetidas a receitas ultra liberais de efeito social devastador. Nalguns casos a redução dos salários atinge ali 30%.
O tema das lutas na Europa será tratado em intervenções de outros camaradas. Permito-me apenas registar que em consequência de políticas que descarregam o custo da crise sobre os trabalhadores, concebidas para beneficiar o grande capital, nomeadamente a banca e as transnacionais, se assiste a uma intensificação da luta de massas em muitos países do Continente. Isso é já uma realidade na Grecia, em França, em Espanha e Portugal onde os trabalhadores saem às ruas em protestos gigantescos. Cabe aqui uma referência especial às proporções assumidas pela luta de massas na França e na Grécia. Pela firmeza e combatividade demonstradas frente a uma repressão brutal e pelo nível de consciência política de que dão provas, a classe operária grega e o seu partido de vanguarda, o KKE, tornaram-se nos últimos meses credores do respeito e admiração das forças progressistas em todo o mundo.
Uma conclusão transparente: a crise destruiu a máscara da chamada democracia representativa em toda a Europa. Na União Europeia e fora dela, a soberania dos povos é duramente golpeada por ditaduras da burguesia de fachada democrática.
AS GUERRAS PERDIDAS DOS EUA
Enquanto a NATO, instrumento do poder imperial, estende os seus tentáculos pela Ásia adentro, os EUA implantam-se também militarmente no continente africano. A sua Força Aérea tem bombardeado a Somália, e o Pentágono decidiu manter um grande exército permanente em África, o chamado AFRICOM. Falta apenas decidir qual será o país sede.
No Médio Oriente e na Ásia Central o imperialismo estadounidense enfrenta desafios inseparáveis do seu projecto de controlar as imensas reservas de petróleo e gás da Região.
Envolveu-se em duas guerras de agressão contra os povos do Iraque e do Afeganistão, reafirma o seu apoio incondicional ao Estado neofascista de Israel e ameaça recorrer a armas nucleares tácticas para destruir o Irão.
Uma propaganda perversa, massacrante, apresenta essa escalada militar como exigência da luta mundial contra o terrorismo, assumida pelos EUA alegadamente em defesa de valores eternos da humanidade.
Na realidade os Estados Unidos, com a cumplicidade activa da União Europeia, estão a disseminar o terrorismo e a barbárie pelo planeta.
O professor Petras não exagera. No Iraque e no Afeganistão foram cometidos crimes monstruosos, que trazem à memória os das SS nazis do III Reich alemão. Nessa orgia de barbárie vale tudo desde chacinas colectivas, corte de línguas a prisioneiros, torturas e violações sexuais ate à destruição de aldeias inteiras pelas bombas dos drones, os aviões sem piloto. Mas apesar de nelas terem sido investidos mais de um milhão de milhões de dólares, essas guerras abjectas são guerras perdidas.
Obama, que fez do Afeganistão a primeira prioridade da sua politica externa, mantém nesse país um enorme exército, com efectivos que dobram as forças de ocupação da NATO, e não hesitou em estender a agressão às zonas tribais do Paquistão, alvo agora de bombardeamentos de rotina quase diários.
Outra situação muito incómoda para Washington. O Afeganistão é presentemente o maior produtor mundial de heroína. Antes da invasão, a cultura da papoila do ópio era ali quase residual.
Uma nova agressão se esboça no horizonte. A Casa Branca ao ameaçar o Irão – segundas reservas de hidrocarbonetos da região – repete noutro contexto um folhetim semelhante ao das «armas de destruição massiva», pretexto para a invasão e destruição do Iraque.
Como o governo de Ahmanidejah não se submete, Washington aplicou já vários pacotes de sanções ao Irão – com o ámen do Conselho de Segurança da ONU – e incentiva o aliado fascista israelense a multiplicar as provocações a Teerão.
A irracionalidade dessa estratégia justifica os temores de intelectuais como Chossudovsky para quem um ataque ao Irão poderia ser o prólogo da III Guerra Mundial.
Não se pode esquecer que a maior parte do petróleo importado pelos EUA e pela Europa passa pelo Estreito de Ormuz, que seria imediatamente fechado à navegação se o Irão fosse bombardeado.
Sejamos realistas: a irresponsabilidade da política do presidente Obama está a empurrar a humanidade para uma situação de beira de abismo.
Como reagir? Parece-me óbvio que, independentemente da opinião que se tenha do regime do Ayatolah Kameney, a solidarideadde com o povo do Irão, herdeiro de grandes civilizações, se torna hoje inseparável da defesa da vida humana contra a barbárie.
O desastre das guerras asiáticas da actual Administração dos EUA-continuadora da escalada de Bush – é tão evidente que começou a afectar a coluna vertebral da disciplina nas Forças Armadas.
O ex-comandante chefe no Afeganistão, general Stanley McChrystal, foi demitido por ter criticado duramente numa entrevista a estratégia do Presidente para a Região. Mas o mal-estar prosseguiu. O general David Petraeus, seu sucessor, não esconde também críticas à política militar de Obama. Nelas é acompanhado por oficiais do seu estado-maior. E que aconteceu? Nada. O presidente não reagiu. Esse silêncio foi interpretado por influentes media como indício de que Obama perdeu o controle da política asiática que estaria cada vez mais a ser assumido pelo Pentágono.
Alias, nestas vésperas das eleições norte-americanas a crescente popularidade de movimentos de extrema-direita como o Tea Party de Sarah Palin, suscita algum alarme entre os dirigentes do Partido Democrata e mesmo em meios republicanos.
A complexidade e gravidade da crise financeira, económica e social que atinge os EUA tende a favorecer a ascensão de um populismo profundamente reaccionário que desfralda bandeiras ostensivamente contra-revolucionárias.
Projectos fascistas no horizonte dos EUA? O filipino Walden Bello coloca a pergunta «Fascismo nos EUA?» e responde : «Não é tão implausível como possa pensar-se».
Não sou tão pessimista. Mas o Capitalismo não tem soluções válidas para a sua crise estrutural e por isso mesmo os EUA, baluarte do sistema, procuram com desespero encontrá-las em guerras genocídas e de saque.
Não sendo humanizável, o sistema tem de ser erradicado da Terra.
A sua agonia será lenta e o fim não tem data. A luta dos povos vai ser decisiva para a sua destruição. É minha convicção inabalável de que o socialismo é a única alternativa à barbárie capitalista. Não estarei vivo então. Mas como revolucionário aprendi na luta que as ideias pelas quais vivi e me bati – essas sobrevivem às breves existências individuais.

Serpa, 30 de Outubro de 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Alturas de La Habana


Alturas de La Habana. Caricatura de LAZ.
Autor: LAZ

http://www.juventudrebelde.cu/multimedia/caricaturas/caricaturas-generales/alturas-de-la-habana/

A questão do aborto 2


Por ANTONIO CICERO

NA SEMANA passada, João Pereira Coutinho escreveu em sua coluna ("A questão do aborto, revisitada", Ilustrada, Folha de São Paulo, 19/10) um artigo em que apresentava uma veemente objeção à tese que eu havia antes defendido de que o aborto deve ser descriminalizado.
Lembro sucintamente que, tomando por base os escritos do filósofo francês Francis Kaplan, eu havia chamado a atenção para a distinção entre "estar vivo" e "ser um ser vivo". Um olho, na medida em que faculta a um ser humano enxergar, está vivo, mas não é um ser vivo pois não tem todas as funções necessárias para estar vivo. Ele precisa obter essas funções do ser vivo que é o ser humano. Assim ocorre com o embrião, que obtém do ser vivo que é a mãe todas as funções necessárias para estar vivo e para se desenvolver.
O mais importante, porém, é constatar que hoje se sabe que, pelo menos até o terceiro mês da concepção, o embrião não tem atividade cerebral. Dado que um ser humano sem atividade cerebral é, como lembra Kaplan, considerado clinicamente morto, sustento que não tem o menor sentido comparar o aborto -sobretudo se efetuado até o terceiro mês da concepção- com o assassinato de uma criança; e que é um absurdo a tese de que a vida da mãe não vale mais que a do embrião. Por isso, defendo que, pelo menos até o terceiro mês da concepção, a descriminalização do aborto deve ser incondicional.
Coutinho objeta que eu propositadamente excluo da minha argumentação "um pormenor fundamental: o que existe de "potencialidade" no embrião humano". Segundo ele, citando Stephen Schwarz, o aborto "significa a morte de um "ser vivo" em potência; significa, em linguagem prosaica, o roubo de um futuro pela autonomia do presente". Ora, para Coutinho, "uma sociedade será tão mais civilizada quanto maior for a proteção jurídica concedida a esse "ser vivo em potência'". E arremata: "Porque, como diria Henry Miller, escritor americano que está longe de ser um beato, "não conheço maior crime do que matar o que luta para nascer'".
Coutinho escreve bem e reconheço ser bonito esse arremate; no entanto, creio que exatamente o seu uso no presente contexto trai a falácia em que se baseia essa defesa da criminalização do aborto.
Dizer que o embrião "luta para nascer" é dizer que ele deseja intensamente nascer. Desse modo, ele é transformado numa pessoa.
A possibilidade puramente objetiva de que o feto nasça passa a ser concebida como o desejo do embrião, assim como a possibilidade de vir a ser um médico é o desejo do estudante de medicina. E, assim como impedir que o estudante se forme e exerça a medicina constituiria a maldade de frustrá-lo de seu maior sonho, assim também o aborto constituiria a maldade de frustrar o sonho de nascer -o direito de nascer- do pobre embrião.
Mas a verdade é que essa novela se desfaz quando nos lembramos de que, pelo menos nos três primeiros meses, quando ainda não tem sequer atividade cerebral, o embrião constitui uma unidade apenas para os outros, mas não para si.
Na verdade, nem sequer possui um "si". Sem sentir, pensar ou ter um "si", o embrião não chega a ser uma pessoa, não poderia ter projeto, desejo ou ambição: sem falar de um futuro que lhe pudesse ser "roubado". Ora, que sentido teria falar de "direitos" ou de "proteção jurídica" de um ser que nem sequer pensa, sente ou tem um "si"?
As possibilidades que o embrião encarna, portanto, não são possibilidades que ele mesmo contemple. Elas são, em primeiro lugar, possibilidades objetivas: no caso em questão, a possibilidade trivial de que o mundo adquira mais um habitante. Não vejo sentido, neste mundo superpopulado em que vivemos, em lutar para aumentar a população.
Em segundo lugar, porém, as possibilidades que o embrião encarna afetam diretamente algumas pessoas: em particular seus pais e, em primeiríssimo lugar, a mãe que o carrega no útero. Em última análise é, portanto, a ela que deve caber o direito de escolher entre abortar ou não. Não se pode, em nome de nenhuma ideologia -religiosa ou laica- roubá-la esse direito.
A mim parece que uma sociedade será tanto mais civilizada quanto maior for a proteção jurídica concedida a tais sujeitos reais -em oposição a sujeitos fictícios- de direitos.

FONTE: Folha de São Paulo, 30/10/2010.

Visita coletiva à ENFF


Data: Sab, 13/11/2010 - 09:00 - 16:00
Local: ENFF, Guararema, SP


A Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes está organizando a próxima visita coletiva à Escola, no dia 13 de novembro 2010, sábado.

Para quem ainda não conhece esse projeto, a visita vai colocá-lo diante de uma nova realidade concreta, construída, de forma voluntária e coletiva, pelos próprios alunos, que aponta para um futuro no qual a dignidade do ser humano não será mais privilégio de poucos.

Além disso, você vai compreender que a Escola não é um projeto acabado, é um projeto em construção e sua visita tem também a intencionalidade de convidá-lo a participar dessa construção. Sem você, sem todos nós, esse projeto não é possível.

O custo da visita é de R$ 30,00, valor repassado para a ENFF para contemplar custos com café da manhã e almoço.

Para quem quiser ir com seu próprio carro, enviaremos as informações necessárias de como chegar ao local. Haverá um ônibus para o transporte São Paulo-ENFF-São Paulo, com um custo de R$ 20,00 por pessoa. O ponto de encontro será na Estação de Metrô Armenia, saída Av. do Estado esquina com Rua Pedro Vicente, 7:30 horas.

Para que todos tenham um bom proveito desse passeio, que será monitorado por companheir@s da ENFF, o grupo será de no máximo 90 pessoas. Assim, solicitamos que você confirme sua presença, enviando nome completo, RG e informação se irá com transporte próprio ou no onibus da ENFF, para o endereço eletrônico associacao@amigosenff.org.br, até o dia 05 de novembro.

Programação na ENFF:

9 às 9:30 horas: Chegada e recepção (todos deverão se identificar na portaria)

9:30 às 10 horas: Café

10 às 10:40 horas: Exibição do vídeo "ENFF – Uma Escola em Construção"

Apresentação do projeto da ENFF e relato de experiências.

10:40 às 11 horas: Apresentação da Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes

10 às 12 horas: Debate

12 às 13 horas: Almoço

13 às 14:30 horas: Visita monitorada às instalações da ENFF.

14:30 às 15 horas: Momento de solidariedade

15 às16 horas: Depoimentos e mística de encerramento

16 horas: Volta para São Paulo

Contamos com a presença de todos!!!

Siderúrgica TKCSA é o novo matadouro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro

Escrito por Marcelo Badaró Mattos
19-Out-2010

Na virada dos anos 1920 para 1930, época de crise capitalista e da trágica ascensão dos fascismos, o dramaturgo alemão Bertolt Brecht escreveu a peça Santa Joana dos Matadouros*. Nela, está implícita a comparação entre o produto das grandes indústrias de carne – as salsichas, por exemplo – e os trabalhadores, que também são moídos por suas engrenagens. Ou explícita, no coro dos trabalhadores às portas fechadas dos frigoríficos, que se comparam à matéria-prima bovina daquelas fábricas ao expressarem toda a contradição entre recusarem aquelas condições indignas e a necessidade do emprego para a sobrevivência:

Somos setenta mil trabalhadores nas Indústrias de Carne Lennox
E não podemos viver nem mais um dia com este salário de fome
Que ontem, por cima, voltou a baixar.
(...)
Não é de hoje que este trabalho nos repugna
Que esta fábrica nos suplicia, e jamais
Não fosse a soma de horrores da fria Chicago
Nós estaríamos aqui. (...)
Eles estão pensando o quê? Pensam
Que somos gado
Que aceitamos tudo? Nós
Somos trouxas? Antes de morrer! Nós
Vamos embora daqui imediatamente

silêncio

Já não são seis horas?
Porque não abrem os portões, seus exploradores
Aqui
Está o seu gado, seus carniceiros, abram!
(...)

No dia 17 de setembro passado, participei de uma missão de solidariedade e investigação de denúncias que esteve em Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, nas imediações da recém-inaugurada Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). De capital majoritariamente alemão, ligada ao grupo transnacional Tyssen Krupp, com participação da Vale do Rio Doce, a CSA foi projetada para operar com dois imensos altos-fornos, além de uma termoelétrica e um terminal marítimo próprios, para se transformar na maior siderúrgica da América Latina, produzindo chapas de aço para exportação. Já foram anunciados planos de expansão das instalações, com o objetivo de dobrar a planta e a produção originalmente prevista.

Nos últimos anos, durante a construção da planta industrial, foram feitas diversas denúncias de agressão ao meio ambiente, desrespeito às normas de licenciamento ambiental e desrespeito à legislação trabalhista, como na contratação de trabalhadores chineses ilegalmente trazidos ao Brasil. Foram registradas também perseguições e ameaças aos pescadores que, tendo perdido as condições de pescar e alimentar suas 8.000 famílias na região da Baía de Sepetiba, foram dos primeiros (logo após o acampamento de trabalhadores rurais sem-terra despejado) a sofrer mais diretamente com a empresa e a se organizarem para denunciá-la. Um desses pescadores, inclusive, está hoje distante dos seus, em um programa de proteção a testemunhas, após vários atos concretos de ameaça à sua vida.

Ainda antes da entrada em operação da companhia, foi noticiado que ela seria responsável pela elevação em 76% da emissão de gás carbônico nos céus do Rio de Janeiro.

O fato novo é que desde meados de junho a siderúrgica entrou em fase experimental de funcionamento (fase de operação pré-assistida), com apenas um alto-forno em funcionamento, e logo surgiram na imprensa as notícias de que a população de Santa Cruz fora surpreendida com uma forte carga de poeira prateada, recheada de resíduos metálicos, que dia após dia tornava mais "pesado" o ar no entorno da empresa. Os executivos da TKCSA afirmaram que se tratava de um problema passageiro que já estaria sendo solucionado, mas, a cada dia, os moradores da região percebem que novas nuvens prateadas cobrem os céus a seu redor.

Fomos a Santa Cruz em um grupo de cerca 40 pessoas, oriundas de movimentos sociais, ONGs, Universidades, Institutos de Pesquisa como a Fiocruz, entre outras entidades, além de uma deputada alemã do Parlamento Europeu, única pessoa da missão a quem a empresa aceitou receber. E o que encontramos por lá?

Eu vi uma UPA, construída a partir de "doação" da empresa (entre aspas mesmo, porque a TKCSA tem ampla isenção de tributos, ou seja, ao invés de pagar cerca de R$150 milhões por ano em impostos para que o Estado decida onde aplicar, a título de "contrapartida" de suas isenções, usa uma pequena parcela do que deveria pagar e ainda escolhe como). Nela, os moradores afirmaram que raramente encontram médicos (como, aliás, também ocorre, ainda segundo eles, no posto de saúde local, distante poucas centenas de metros da UPA). Vi na porta da UPA algumas pessoas com os olhos muito vermelhos e irritados. Uma delas nos disse que procurava atendimento havia dias para esse problema que começara semanas antes, depois da entrada em operação da empresa.

Visitei uma escola municipal nas proximidades. Lá constatei que a companhia – a mesma que destruiu vários hectares de manguezais durante as obras de construção e dragagem da baía para a construção da ponte de 4 quilômetros de extensão, que suporta seu porto privado para os navios cargueiros de grande calado que transportarão o aço ali fabricado – agora distribui folhetos em material de primeira, voltados para "educação ambiental", defendendo, quem diria!, a preservação dos manguezais. Descobri também que a empresa promove cursos de "educação ambiental" para professores das escolas da região, em fins de semana em hotéis fazenda na Região Serrana, quando apresenta suas versões de que traz progresso ao Rio e que controla em limites toleráveis suas emissões de poluentes. Mas também aprendi que os professores questionam o discurso da empresa, interagem com os estudantes de forma a conhecerem melhor o que estão vivendo, produzindo com isso o que é mais difícil de encontrar nessa situação: informações pautadas na experiência real dos homens, mulheres e crianças comuns que sofrem os impactos desse processo, e não nos dados "oficiais" da empresa e dos governos.

Vi, ouvi e aprendi muito mais conversando com os moradores da área. Mães que nos mostraram seus filhos pequenos, tomados de erupções cutâneas, que apareceram a partir de junho, e que se transformam em marcas como de queimaduras após serem coçadas. Donas de casa que nos mostraram o pó prateado – nitidamente resíduo metálico – que varrem todos os dias de suas moradias. Pessoas com problemas nos olhos. E pescadores que, com muita dignidade, relataram suas dificuldades, alguns deles mostrando como passaram a viver a ameaça constante da fome, depois que perderam a possibilidade de trabalhar na região, pela restrição à circulação de suas pequenas embarcações e em função da diminuição do pescado face às obras de construção do porto, que revolveram antigos resíduos de desastres ambientais passados, já há muito depositados no fundo da baía.

Vi de perto, ainda, que não parecem ser apenas rumores as denúncias que vêm sendo publicadas desde 2008, pelo menos, de que muitos acidentes de trabalho ocorreram no canteiro de obras e continuam a ocorrer na planta já em operação, como parecem indicar as ambulâncias que entram e saem dos seus portões. Observei que as estações de controle da emissão de poluentes são operadas pela própria empresa, não pelo órgão estadual responsável. Percebi ali que a ameaça ao pescador que hoje se encontra abrigado pelo programa de proteção a testemunhas não é um caso isolado. Conforme já vem sendo apurado pela Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, são muito fortes os indícios de associação da empresa com a milícia que opera na região.

Mas vi também algumas coisas que mantêm acesa a chama da esperança entre os moradores, trabalhadores e trabalhadoras que vivem naquela área. Ouvi mulheres dizendo com firmeza que iriam atrás de "seus direitos", coletivamente; ouvi pescadores dizendo que agora não estavam mais sozinhos na luta contra a empresa; vi pessoas juntas afirmando que, com a união de todos e todas e a força da sua mobilização, a luta contra os danos sociais, à saúde e ambientais que a empresa vem causando seria vitoriosa. E lembrei de outra passagem da Santa Joana dos Matadouros de Brecht, quando os trabalhadores dos matadouros de Chicago, diante da derrota em seu movimento de resistência, massacrado pela repressão encomendada pelos donos de fábricas, lembram a importância da perseverança na luta, ainda que sem horizonte imediato de conquista:


Se vocês ficarem ombro a ombro
Eles vão massacrar vocês.
O nosso conselho é ficar ombro a ombro!
Se vocês lutarem
Os tanques vão massacrar vocês.
O nosso conselho é lutar!
Essa luta será perdida
E talvez a próxima também
Seja perdida.
Mas vocês aprendem a luta
E ficam sabendo
Que, se não for à força, não vai
Nem vai se a força não for de vocês.

Santa Cruz já foi conhecido como o bairro que abrigava o matadouro municipal do Rio de Janeiro. Aquele matadouro deixou de operar em meados do século passado. Mas os novos "matadouros" industriais continuam a ser instalados ali. A CSA é apenas o maior deles (está prevista a instalação na região de mais terminais de carga, siderúrgicas e estaleiros). Um investimento dos conterrâneos de Brecht em terras brasileiras, pois na Europa este tipo de mega-empreendimento e seus mega-impactos já não são mais permitidos. Mas, em Santa Cruz, como na Chicago imaginária (imaginária?) da peça de Brecht, outros coros de trabalhadores já começam a ser ouvidos. É da força deles que podemos esperar algum limite aos desastres que acompanham uma empresa desse tipo. E o coro será ouvido mais longe e sua força será maior se mais vozes se juntarem às dos trabalhadores e trabalhadoras que vivem em Santa Cruz e na região da Baía de Sepetiba.

Engrossemos esse coro.

*Bertolt Brecht, Santa Joana dos Matadouros, São Paulo, Paz e Terra, 1996.

Marcelo Badaró Mattos é professor titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

FAO realça combate à fome na Venezuela

Resultado da revolução bolivariana
FAO realça combate à fome na Venezuela
Avante (Redação)

A Venezuela, «se continuar assim, vai poder anunciar ao mundo, no ano de 2015, que superou amplamente um dos "Objetivos do Milénio" estabelecidos pela ONU, considerou Alfredo Roberto Missair, delegado da FAO naquele país»… Por mais que o imperialismo norte-americano e europeu, secundados pelas câmaras de eco que são os meios de comunicação ditos de referência, mintam e manipulem, a realidade sobrepõe-se à sua campanha de desinformação.

A Venezuela reduziu drasticamente a subnutrição no país, admite a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). As políticas implementadas pela revolução bolivariana são exemplares, diz ainda a agência das Nações Unidas.

«Se continuar assim, [a Venezuela] vai poder anunciar ao mundo, no ano de 2015, que superou amplamente um dos "Objectivos do Milénio" estabelecidos pela ONU, considerou Alfredo Roberto Missair, delegado da FAO naquele país.

Participando numa iniciativa do governo a propósito do Dia Mundial da Alimentação, o responsável sublinhou que «o que a Venezuela está a conseguir na área da alimentação é um exemplo que tem de ser tido em conta na região», aproveitando ainda para lembrar que em alguns países da América Latina a subnutrição persiste em cerca de metade da população infantil.

«Estamos a falar de um direito fundamental, de algo inerente à condição humana e ao bem-estar, de uma necessidade fundamental que a Venezuela está a cumprir», insistiu Missair, citado pela AFP.

Na mesma iniciativa, o vice-presidente venezuelano Elías Jaua frisou que graças a programas sociais lançados pelo executivo «quase 5 milhões de pessoas comem gratuitamente». A afirmação é sustentada pelas estatísticas.

De acordo com dados oficiais, desde o início da revolução bolivariana, a taxa de pobreza extrema na Venezuela foi reduzida de 17,1 por cento, em 1998, para 7,9 por cento em 2008. Quanto ao défice nutricional entre os menores de cinco anos, o índice caiu de 7,7 por cento para 3,7 por cento no mesmo período.

Política soberana

A contribuir para o bom desempenho da Venezuela no combate à fome estão as políticas públicas de distribuição de produtos básicos. Empresas como a Mercal, Corporación Venezolana de Alimentos, Bicentenario, Corporación de Mercados Socialistas ou Corporación de Abastecimiento y Servicios Agrícolas, entre outras, integram uma rede de abastecimento de gêneros a preços populares.

Mas na base do sucesso estão as orientações soberanas levadas a cabo no âmbito não apenas da distribuição, mas também da produção de alimentos. «Ir desmontando os monopólios, oligopólios e os latifúndios para controlar a produção e distribuição de alimentos é um mandato constitucional, pois naqueles modelos radica a especulação e a limitação da capacidade produtiva», frisou Elías Jaua, que notou igualmente que na última década a Venezuela aumentou em 21 por cento a superfície cultivada.

Medidas como a recente nacionalização da privada Agroisleña, agora chamada Agropatria, visam «facultar aos nossos produtores uma redução da sua estrutura de custo, portanto, [permite-lhes] obterem maior rendimento e reforçar capacidade produtiva». Com a Agropátria «temos garantidos 51 por cento da capacidade de armazenamento de cereais básicos», destacou ainda.
Quando da passagem da empresa a propriedade estatal, o presidente Hugo Chávez recordou que «durante muitos anos, a Agroisleña obstaculizou o desenvolvimento agrícola do país especulando sobre o preço dos fertilizantes». Ao preço de compra ao Estado acresciam 500 por cento de margem de lucro, explicou.
Antes da nacionalização da Agroisleña, o governo bolivariano passou para o setor público as empresas de produtos químicos, petroquímicos e fertilizantes dos grupos Venoco e Fertinitro. Esta última onerava os derivados de amônio quatro a cinco vezes face ao valor de aquisição junto da estatal PVDSA.
Sistema de miséria

Contrastando com o combate à fome desenvolvido na Venezuela (o Brasil também foi dado como um exemplo positivo), ao nível mundial o flagelo continua a atingir quase mil milhões de seres humanos. Nunca houve tanta gente a passar fome, admite a FAO.

Embora em relação a 2009 a organização estime uma queda do total de famintos em quase 10 por cento – ao qual não está alheio o fato da produção de alimentos, este ano, poder crescer 4,2 por cento face à contração de 0,6 por cento verificada o ano passado –, para a FAO continua a ser «inaceitável» que cerca de 925 milhões de indivíduos não tenham o que comer e que a cada seis segundos uma criança morra em resultado da desnutrição.
A maioria dos desnutridos crônicos sobrevive com menos de 1 dólar por dia e habita na Ásia e no Pacífico e na África Subsaariana.
A agência das Nações Unidas falou de um «problema estrutural» no Dia Mundial da Alimentação, e, no dia seguinte, a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, a ONU divulgou números que corroboram tal afirmação.

A precariedade laboral atinge mais de metade da população ativa mundial. Neste contexto, não ganham o suficiente para se sustentarem a si e às respectivas famílias, nem dispõem de garantidas de proteção social.
De acordo com informações oficiais, desde o início da atual fase da crise capitalista, outros 64 milhões de pessoas foram lançadas na pobreza e o desemprego cresceu em mais 30 milhões. Os jovens têm sido particularmente afetados com um recorde de 81 milhões de desempregados em 2009.

Já segundo o Banco Mundial, mais de 41 por cento da população mundial vive com menos de 2 dólares por dia, mais de metade dos quais trabalham mas não obtêm um salário que lhes permita superar o limiar da pobreza.
Este texto foi publicado no Avante nº 1.925 de 21 de Outubro de 2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Tributo à Rosa Parks (1913-2005)


Símbolo da luta antirracista nos EUA



Em 24 de outubro de 2005 morria a costureira norte-americana Rosa Parks, considerada uma das principais responsáveis pelo movimento pela igualdade pelos direitos civis nos Estados Unidos. Em dezembro de 1955, Parks ficou famosa e ganhou o título de "mãe do movimento pelos direitos civis" ao se negar a ceder seu lugar para um passageiro branco em um ônibus em Montgomery, no Estado do Alabama. Na época, leis de segregação racial eram permitidas nos Estados Unidos. Era permitido, por exemplo, a separação entre negros e brancos em transportes e acomodações públicas ou restaurantes.

Ao recusar a ordem do passageiro branco, apesar das leis que a obrigavam a ceder sua vaga, Parks foi presa e multada, o que provocou a reação da comunidade negra local.

Durante uma entrevista em 1992, Parks tentou explicar seu ato: "Meus pés estavam doendo, e eu não sei bem a causa pela qual me recusei a levantar. Mas creio que a verdadeira razão foi que eu senti que tinha o direito de ser tratada de forma igual a qualquer outro passageiro. Nós já havíamos suportado aquele tipo de tratamento durante muito tempo".

Sua prisão provocou um boicote de 381 dias contra as companhias de ônibus locais, liderado por um então desconhecido pastor, o Reverendo Martin Luther King, que nos anos seguintes liderou o movimento pela igualdade de direitos civis.

O boicote, que ocorreu um ano depois do fim da segregação racial em escolas, marcou o início do movimento pela igualdade dos direitos civis, e que atingiu o auge em 1964, com a Lei Federal dos Direitos Civis, que baniu discriminação racial em todos os estabelecimentos públicos.

Em 1965, os 500 participantes de uma marcha pacífica rumo a Montgomery foram bombardeados com gás lacrimogêneo e depois violentamente espancados pela polícia.

Três semanas depois, Luther King conseguiu juntar 25 mil pessoas em uma nova marcha rumo à capital do Estado, pedindo o direito ao voto. Quatro meses depois, o presidente Lyndon Johnson assinou uma lei garantindo que os negros não fossem impedidos de se inscrever nas listas eleitorais.

sábado, 23 de outubro de 2010

Mensagem de Fidel contra a Guerra Nuclear

http://www.cubadebate.cu/fidel-castro-ruz/2010/10/21/mensaje-comandante-jefe-fidel-castro-contra-guerra-nuclear/


Mensagem do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz contra a Guerra Nuclear

O uso das armas nucleares em uma nova guerra implicaria o fim da humanidade. Assim foi previsto pelo cientista Albert Einstein, que foi capaz de medir sua capacidade destruidora de gerar milhões de graus de calor que tudo o volatiliza em um amplo rádio de ação. O genial investigador foi impulsionador do desenvolvimento desta arma antes que o regime nazi de genocídio dispusesse dela.

Qualquer governo do mundo está obrigado a respeitar o direito à vida de qualquer nação e do conjunto de todos os povos do planeta.

Hoje existe um risco iminente de guerra com o emprego deste tipo de armas e não albergo a menor dúvida de que um ataque dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irão, tornar-se-ia, inevitavelmente, em um conflito nuclear global.

Os povos estão no dever de exigir aos líderes políticos seu direito a viver. Quando a vida de sua espécie, de seu povo e dos seus seres mais queridos correm semelhante risco, ninguém pode dar-se ao luxo de ser indiferente, nem se pode perder um minuto em exigir o respeito por esse direito; amanhã seria tarde demais.

O próprio Albert Einstein afirmou textualmente: “Sei lá quais serão as armas que se utilizarão na Terceira Guerra Mundial, mas na Quarta Guerra Mundial usarão paus e pedras”. Sabemos o que quis expressar, e tinha toda a razão, só que já não existiriam os que manejem os paus e as pedras.

Haveria prejuízos colaterais, como afirmam sempre os líderes políticos e militares norte-americanos, para justificar a morte de pessoas inocentes.

Em uma guerra nuclear o prejuízo colateral seria a vida da humanidade.

Tenhamos o valor de proclamar que todas as armas nucleares ou convencionais, tudo o que sirva para fazer guerra, devem desaparecer!

Fidel Castro Ruz
15 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Primavera dos Livros do Rio de Janeiro

Primavera dos Livros homenageia o Rio de Janeiro em sua 10ª edição
Evento acontece entre 21 e 24 de outubro, no Museu da República, com cerca de 90 editoras e 10 mil títulos à disposição do público

Entre 21 e 24 de outubro, o Museu da República será cenário da 10ª Primavera dos Livros, o maior encontro de editoras independentes do país. O evento, que acontece pela quarta vez consecutiva nos jardins do Palácio do Catete, terá como tema principal o Rio de Janeiro, em um momento em que olhares do mundo inteiro estão voltados para a cidade.

Promovida pela Libre (Liga Brasileira de Editoras), a Primavera dos Livros busca fomentar a troca de ideias e contribuir para o fortalecimento da cultura nacional. Ao todo, serão cerca de 90 editoras independentes participantes e um catálogo de 10 mil títulos à disposição do público. A expectativa da organização é que 30 mil pessoas circulem pelos jardins do Palácio do Catete nos quatro dias de evento. Além de oferecer descontos de até 40% sobre o preço de capa, a Primavera dos Livros contará com a presença dos editores nos estandes, possibilitando uma maior integração com o público.

"A Primavera dos Livros oferecerá aos seus visitantes um encontro de encantamento com o universo do livro. Serão quatro dias dedicados ao prazer de ler, ouvir, contar e declamar", afirma Cristina Warth, presidente da Libre, organizadora do evento.

Com curadoria de Suzana Vargas, o tradicional fórum de debates da Primavera dos Livros contará com oito mesas-redondas e palestras que vão apresentar uma série de temas ligados ao Rio de Janeiro, como urbanismo, arquitetura, literatura, música, violência urbana e economia. Entre os palestrantes confirmados estão o economista Sergio Besserman, o escritor Ferreira Gullar (que será homenageado e lançará um livro pela Casa da Palavra), o teólogo Leonardo Boff, o sociólogo Michel Misse e o jornalista Sergio Cabral.

Na abertura da Primavera dos Livros, quinta-feira, dia 21, às 18h30m, a OrquestráRio, composta por 37 músicos oriundos de várias orquestras da cidade, fará uma apresentação pública nos jardins do Museu. Quem perder terá outra chance de ver o concerto, sábado, dia 23, na hora do almoço.

Na sexta-feira, dia 22, o dia será dedicado aos professores. Um seminário discutirá a importância da leitura na aprendizagem escolar, com as participações do historiador Chico Alencar, da escritora Ninfa Parreiras, do escritor Joel Rufino e do jornalista e escritor Galeno Amorim, entre outros. Além de receberem certificado pela participação no seminário, os professores terão 50% de desconto na compra dos livros. As inscrições para o seminário poderão ser feitas no site da Libre (http://www.libre.org.br/professor.asp).
Também na sexta, entre 11h e 13h, a Libre promoverá um seminário sobre Livro Digital para profissionais do livro e estudantes da área. No programa, um panorama do mercado, com Carlo Carrenho, editor da Publishnews, Alonso Alvarez, editor da Ficções Editora e webmaster no site da Libre, e com Eduardo Ernany, representante da livraria virtual Gato Sabito e da plataforma de distribuição de e-books (Xeriph). Além disso, Georgina Stanek, coordenadora do Livro e da Leitura da Biblioteca Nacional, vai apresentar o programa de apoio à tradução da instituição.

No sábado, 23, as crianças terão uma tarde especial na Primavera. Das 16h às 17h, haverá oficinas e contação de histórias com o escritor Solano Gudes, autor de "A história dos três pontinhos", da editora Vieira & Lent. Às 20h, acontece o 4º Festival de Poesia da Primavera, com a participação de poetas de todas as editoras da Libre, entre eles Chacal, Geraldo Carneiro, Tavinho Paes, Mano Melo e Henrique Rodrigues. Haverá também performances com apresentações do Organismo, grupo que interpreta e canta poemas sem instrumentos, e do grupo do espetáculo Amor Bardo que canta e recita sonetos de Shakespeare a partir da tradução de 154 Sonetos (livro editado em 2009 pela Ibis Libris).

Ficha técnica
Patrocínio: Ministério da Cultura, Fundação Biblioteca Nacional e Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura do Rio

Apoio: Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Museu da República, Secretaria Municipal de Educação/Prefeitura do Rio, Rádio Roquete Pinto

Produção e Impressão: Imprensa Oficial de SP

Produção: Vertigo Produção Cultural

Realização: Libre (Liga Brasileira de Editoras)

Serviço

Primavera dos Livros
Dia 21 de outubro (quinta-feira), das 18h30m às 22h.
De 22 a 24 de outubro (sexta a domingo), das 10h às 22h.

Museu da República - Rua do Catete 153, em frente à estação Catete do Metrô
Entrada franca
Informações: http://www.libre.org.br/